Negócios

Elon Musk pede até US$ 134 bilhões da OpenAI e da Microsoft por supostos ganhos indevidos

O empresário Elon Musk ingressou com um pedido judicial para receber até US$ 134 bilhões da OpenAI e da Microsoft, alegando que ambas teriam obtido ganhos indevidos a partir de sua participação inicial na criação da startup de inteligência artificial. A informação consta em um processo protocolado na sexta-feira em tribunal federal.

Valores estimados e participação de Musk

Segundo o documento, a OpenAI teria acumulado entre US$ 65,5 bilhões e US$ 109,4 bilhões em valor econômico decorrente das contribuições de Musk desde 2015, quando ele atuou como cofundador da empresa. Já a Microsoft, parceira estratégica da OpenAI, teria se beneficiado em uma faixa estimada entre US$ 13,3 bilhões e US$ 25,1 bilhões.

Reação das empresas envolvidas

Procuradas, OpenAI e Microsoft não se manifestaram imediatamente fora do horário comercial. Em declarações anteriores, a OpenAI classificou a ação como “sem fundamento”, afirmando que se trata de uma campanha de assédio judicial promovida por Musk. A Microsoft, por sua vez, sustenta que não há evidências de que tenha “auxiliado ou instigado” qualquer irregularidade por parte da startup.

As duas empresas também apresentaram contestação formal aos pedidos de indenização em um processo separado, protocolado na mesma data.

Disputa sobre a missão da OpenAI

Musk deixou a OpenAI em 2018 e atualmente lidera a xAI, empresa responsável pelo chatbot Grok, concorrente direto do ChatGPT. Na ação, ele afirma que a OpenAI teria descumprido sua missão original sem fins lucrativos ao promover uma reestruturação que abriu espaço para operações com foco comercial.

Julgamento será decidido por júri

Neste mês, um juiz de Oakland, na Califórnia, determinou que o caso será analisado por um júri. A previsão é que o julgamento tenha início em abril, ampliando uma disputa que já se tornou um dos principais embates judiciais do setor de tecnologia e inteligência artificial.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dado Ruvic

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Tecnologia

IA no refino de terras raras do Brasil atrai parceria entre EUA e mineradora canadense

Os Estados Unidos e uma empresa canadense deram um novo passo estratégico para o desenvolvimento do refino de terras raras do Brasil. A mineradora Aclara Resources firmou um acordo de pesquisa e desenvolvimento com um laboratório nacional ligado ao Departamento de Energia dos EUA para aplicar inteligência artificial (IA) na separação de terras raras pesadas.

O anúncio foi divulgado pela companhia por meio de fato relevante ao mercado. Os estudos serão conduzidos no Argonne National Laboratory, um dos principais centros de pesquisa do governo norte-americano.

Como a inteligência artificial será aplicada

A iniciativa tem como foco aumentar a eficiência industrial e reduzir incertezas operacionais. A tecnologia empregada cria uma representação virtual da planta industrial, baseada em dados reais, modelos matemáticos e algoritmos de IA aplicada à mineração.

Com isso, será possível:

  • Simular o comportamento da operação;
  • Testar diferentes cenários produtivos;
  • Antecipar falhas antes da implementação física.

Esse modelo reduz riscos técnicos, otimiza custos e é especialmente relevante em minerais críticos, como as terras raras, cujos processos químicos são altamente sensíveis à variação do minério.

Ganhos operacionais no refino de terras raras

Segundo a empresa, o uso de inteligência artificial no refino contribui para:

  • Elevar as taxas de recuperação dos minerais;
  • Melhorar a eficiência da separação química;
  • Acelerar a transição de plantas-piloto para escala industrial.

Esses avanços são considerados estratégicos em um mercado global cada vez mais competitivo e concentrado.

Projeto Carina fortalece presença no Brasil

A Aclara é responsável pelo Projeto Carina, localizado em Nova Roma (GO), que já conta com financiamento do governo dos EUA por meio da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), agência que apoia investimentos estratégicos em países em desenvolvimento.

O empreendimento adota o modelo de argilas de adsorção iônica, no qual os elementos de terras raras estão adsorvidos na argila, e não em rochas duras — um tipo de depósito raro fora da China.

Esse modelo geológico permite:

  • Menor risco ambiental;
  • Custos operacionais reduzidos;
  • Processos de extração mais simples, sem perfuração profunda, detonações ou britagem pesada.

Planta piloto e cadeia produtiva internacional

Em abril de 2025, a empresa inaugurou uma planta piloto de terras raras pesadas em Aparecida de Goiânia. A unidade tem como principais produtos o disprósio e o térbio, além de outras terras raras leves e pesadas concentradas na forma de carbonato de terras raras.

Essa etapa é intermediária da cadeia produtiva. O material produzido no Brasil será enviado para uma planta da empresa nos Estados Unidos, onde passará pelo refino químico final até se transformar em óxidos de terras raras, produto comercial utilizado pela indústria.

Os óxidos são insumos essenciais para:

  • Veículos elétricos;
  • Turbinas eólicas;
  • Equipamentos eletrônicos;
  • Sistemas de defesa.

Perspectivas de longo prazo

De acordo com a Aclara, o Projeto Carina tem início de operações previsto para 2028, com vida útil estimada em 18 anos. Além do Brasil, a mineradora também mantém ativos no Chile, ampliando sua presença na América do Sul.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Tecnologia

Vendas de robôs humanoides disparam 480% e consolidam a China como líder global

Mercado de robôs humanoides cresce em ritmo acelerado
As vendas globais de robôs humanoides registraram um avanço expressivo em 2025. De acordo com levantamento da consultoria Omdia, as remessas quase quintuplicaram em relação ao ano anterior, superando a marca de 13 mil unidades enviadas. Apesar do salto de quase 480%, o segmento ainda representa uma fatia reduzida dentro do amplo mercado de tecnologia.

O dado que mais chama atenção é a forte concentração desse crescimento em um único país: a China.

China domina produção e escala global
A indústria chinesa respondeu pela maior parte dos robôs humanoides comercializados no período. Empresas do país ocuparam seis das dez primeiras posições no ranking mundial, enquanto concorrentes dos Estados Unidos tiveram participação limitada em volume.

Gigantes e startups chinesas se beneficiaram de uma combinação de escala industrial, rapidez na comercialização e apoio estratégico, fatores que vêm ampliando a distância em relação a outros mercados.

AgiBot e Unitree lideram envios globais
A liderança ficou com a AgiBot, startup sediada em Xangai, que enviou 5.168 unidades em 2025, o equivalente a cerca de 38% do mercado global. Em seguida aparece a Unitree Robotics, de Hangzhou, com aproximadamente 4.200 robôs entregues, o que representa 32% de participação.

A terceira colocação foi ocupada pela UBTech Robotics, de Shenzhen, com cerca de mil unidades. Outras empresas chinesas, como Leju Robotics, Engine AI e Fourier Intelligence, completam o grupo de destaque e reforçam a vantagem competitiva do país.

Projeção aponta milhões de robôs até 2035
Segundo a Omdia, o crescimento atual é apenas o início. A consultoria projeta que as remessas anuais de robôs humanoides possam atingir 2,6 milhões de unidades até 2035, impulsionadas pela expansão industrial e pela redução de custos.

Analistas destacam que fornecedores chineses já estão estabelecendo novos padrões de produção em larga escala, com capacidade de envio de milhares de unidades em períodos curtos.

Desempenho modesto das empresas americanas
Enquanto a China avança rapidamente, empresas dos Estados Unidos ainda operam em volumes reduzidos. A Tesla, por exemplo, enviou cerca de 150 unidades do seu robô humanoide, o que representa aproximadamente 1% do mercado global. Figure AI e Agility Robotics registraram números semelhantes.

A diferença reflete não apenas o estágio de desenvolvimento, mas também o ambiente industrial e regulatório de cada país.

Política industrial e IA impulsionam vantagem chinesa
Especialistas apontam que a liderança chinesa está ligada a políticas públicas favoráveis, investimentos estatais e privados e uma infraestrutura industrial preparada para escalar rapidamente. A chamada inteligência incorporada, área da inteligência artificial aplicada a sistemas físicos, foi classificada pelo governo chinês como estratégica.

Esse enquadramento acelerou pesquisas, atraiu capital e estimulou a produção comercial em larga escala.

Preço competitivo amplia alcance dos fabricantes
Outro fator decisivo é o custo. A Unitree oferece modelos básicos de robôs humanoides por cerca de US$ 6 mil, enquanto a AgiBot comercializa versões simplificadas por aproximadamente US$ 14 mil. Em contraste, estimativas indicam que o Optimus, da Tesla, deve custar entre US$ 20 mil e US$ 30 mil, ainda sem produção massiva.

A diferença de preços favorece a adoção mais rápida dos modelos chineses, especialmente em aplicações industriais e comerciais.

Mercado ainda está em fase inicial
Apesar do crescimento acelerado, a Omdia ressalta que o mercado de robôs humanoides permanece em estágio inicial. Os volumes atuais ainda são modestos, o que reforça o potencial de expansão ao longo das próximas décadas, à medida que tecnologia, escala e demanda avancem.

FONTE: Tecnoblog
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Tecnoblog

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Tecnologia

China acelera digitalização da manufatura com IA, 5G e fábricas inteligentes

A China vem ampliando de forma acelerada a digitalização da manufatura, apostando em inteligência artificial (IA), redes 5G e fábricas inteligentes para modernizar suas linhas de produção. A estratégia busca elevar a eficiência operacional, reduzir custos e fortalecer a competitividade da indústria em escala global.

Empresas industriais têm adotado equipamentos autônomos, migrado dados para a computação em nuvem e estruturado clusters industriais inteligentes, promovendo maior integração entre tecnologia e produção.

Milhares de fábricas inteligentes já estão em operação

Dados oficiais indicam que, em 2025, o país já contava com mais de 7 mil fábricas inteligentes de nível avançado e mais de 500 classificadas como de nível excelente. O avanço também se reflete na conectividade industrial, com mais de 20 mil projetos de redes privadas 5G e cerca de 8 mil fábricas conectadas ao 5G.

O ecossistema industrial chinês reúne ainda mais de 600 mil pequenas e médias empresas inovadoras, 504 mil companhias de alta tecnologia, 140 mil PMEs especializadas e diferenciadas, além de 17,6 mil “pequenas gigantes” e 1.862 campeãs individuais da manufatura.

IA fortalece cadeias produtivas e inovação

Para Du Chuanzhong, diretor do Instituto de Economia Industrial da Universidade de Nankai, a integração da IA à manufatura eleva o nível de digitalização e amplia a resiliência das cadeias industriais e de suprimentos. Segundo ele, a tecnologia estimula novos modelos produtivos e contribui diretamente para o crescimento econômico.

Política pública acelera a indústria inteligente

O governo chinês lançou o documento “Opiniões sobre a Implementação da Ação Especial ‘Inteligência Artificial + Manufatura’”, que define duas frentes principais. A primeira prioriza a industrialização da inteligência, fortalecendo a oferta tecnológica. A segunda amplia o uso da IA nas fábricas, acelerando a inteligência da indústria.

O objetivo é consolidar o ecossistema industrial, integrar inovação científica e produtiva e promover um desenvolvimento inteligente, verde e integrado da manufatura.

Casos práticos mostram ganhos expressivos

Em Qingdao (Shandong), uma fábrica de equipamentos adotou AGVs, sistemas de inspeção visual por IA e sensores em tempo real. O índice de precisão na identificação de defeitos chegou a 99,7%, enquanto a manutenção preditiva antecipa falhas com até 72 horas, elevando a eficiência global dos equipamentos para mais de 85%.

Já em Mianyang (Sichuan), um parque de manufatura inteligente de robôs opera veículos autônomos sob um sistema integrado de “um cérebro, múltiplos controles”, reduzindo custos e melhorando a gestão. A plataforma em nuvem desenvolvida localmente conecta drones, robôs quadrúpedes e equipamentos autônomos.

Digitalização melhora produtividade e reduz desperdícios

Em Shenyang (Liaoning), uma fabricante de equipamentos passou a utilizar guindastes automatizados, máquinas CNC e painéis digitais de monitoramento. Após a transformação digital, a eficiência no processamento de componentes centrais aumentou 28,2%, além da economia anual de 1,9 milhão de desenhos técnicos.

Em Nanjing (Jiangsu), uma empresa de equipamentos de comunicação sem fio implementou AGVs, braços robóticos com câmeras de IA e redes privadas 5G. O sistema elevou a eficiência produtiva em 42% e reduziu a taxa de defeitos em 47%, apoiando mais de mil empresas dos setores eletrônico, mineral e siderúrgico.

Manufatura digital amplia serviços e modelos de negócio

Segundo Yang Gangqiang, professor associado da Universidade de Wuhan, a digitalização expande a manufatura para o setor de serviços inteligentes, com modelos baseados em plataformas digitais e soluções modulares, especialmente voltadas às PMEs.

Desafios incluem custos e formação de talentos

Apesar dos avanços, Du Chuanzhong alerta que os investimentos iniciais podem pressionar o caixa das pequenas e médias empresas. Ele defende subsídios governamentais, fundos específicos para digitalização, fortalecimento do ecossistema de serviços e a formação de profissionais que combinem conhecimento tecnológico, gestão e operação industrial.

FONTE: China 2 Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua

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Tecnologia

Varejistas brasileiros vão a Nova York para explorar o uso da inteligência artificial nas lojas

Em um ano marcado por instabilidade política global, com eleições presidenciais e legislativas influenciando o comportamento do consumidor, o varejo busca respostas para manter o crescimento. A aposta está no uso estratégico da inteligência artificial no varejo, tecnologia que promete aumentar a eficiência operacional e transformar a experiência de compra.

NRF 2026 reúne líderes globais do varejo em Nova York

Teve início neste domingo (11), em Nova York, a NRF 2026: Retail’s Big Show, maior feira mundial do setor. O Brasil volta a liderar entre as delegações estrangeiras, com cerca de 2,5 mil inscritos, o mesmo número do ano passado, em um público total estimado em 40 mil participantes.

Pela primeira vez desde a criação do evento, organizado pela National Retail Federation desde 1911, a programação conta com um palco exclusivo dedicado à inteligência artificial, sinalizando um esforço para levar a tecnologia do discurso conceitual para aplicações práticas no dia a dia das empresas.

Adoção de IA ainda enfrenta desafios de escala

Apesar do entusiasmo, os dados apresentados indicam cautela. Em painel realizado no domingo, a consultoria Impact Analytics mostrou que 90% dos projetos de IA no varejo ainda não obtiveram sucesso por não terem alcançado escala. Por outro lado, as iniciativas bem-sucedidas apresentam retorno expressivo: US$ 3,50 para cada US$ 1 investido.

Outro destaque foi a participação conjunta, inédita, do CEO do Walmart nos Estados Unidos, John Furner, e do CEO da Alphabet, Sundar Pichai, reforçando a centralidade do tema na agenda das grandes corporações.

Inteligência artificial aplicada à operação e ao consumidor

Ao longo do evento, que segue até o dia 13, mais de 350 palestrantes discutirão temas como o futuro dos supermercados, mudanças geracionais no consumo e estudos de caso de grandes marcas. No campo da IA aplicada ao varejo, os projetos vão desde gestão de estoques e previsão de demanda até agentes virtuais no relacionamento com clientes.

Participam desse movimento redes brasileiras como C&A e Magazine Luiza, além de gigantes internacionais como Amazon, Shopee e Temu. Ainda assim, a maioria das empresas avança de forma gradual, priorizando testes controlados.

“Não se trata de inserir agentes de inteligência artificial em todos os processos de uma vez. Existem questões de segurança, compliance e governança que precisam ser resolvidas”, afirma Alberto Serrentino, sócio da Varese Retail, que lidera uma comitiva de 60 CEOs brasileiros no evento.

Brasil avança, mas ainda corre atrás

Executivos brasileiros presentes em Nova York avaliam que o país acelerou a implementação de soluções de inteligência artificial no varejo no último ano. No entanto, ainda há gargalos em áreas como gestão de dados, arquitetura tecnológica e infraestrutura de software e hardware — pontos essenciais para o bom desempenho dos sistemas de IA.

“Existe um atraso, mas ele não é tão grande, especialmente entre as grandes redes”, diz Fabio Neto, sócio da StartSe. “Se os Estados Unidos estão em um nível 7 de maturidade, o Brasil estaria entre 4,5 e 5. A China lidera com folga, em torno de 8,5.”

Lojas físicas e eficiência operacional no centro do debate

Além da tecnologia, a evolução das lojas físicas volta à pauta, após anos de previsões equivocadas sobre o fim do varejo presencial. Empresas como Macy’s, Saks, LVMH, Ralph Lauren e Walmart devem apresentar como estão reposicionando suas operações diante da concorrência digital e da pressão por margens.

Consultorias como a WGSN também levarão projeções para o setor até 2028, após um período de desaceleração causado pela inflação e por rupturas nas cadeias globais de suprimentos. Segundo dados da Deloitte, as vendas dos 250 maiores varejistas do mundo vêm crescendo em ritmo mais lento desde 2021, com margens pressionadas por custos financeiros e operacionais.

Para Maurício Morgado, professor da FGV e líder de uma das delegações brasileiras, o foco desta edição da NRF será a eficiência operacional aliada à adoção da IA, em um cenário de competição acirrada entre marketplaces globais como Amazon, Temu, Shopee e Shein.

Presença brasileira expressiva no maior evento do varejo

A estimativa é que entre 250 e 350 empresas brasileiras dos setores de varejo, pagamentos, tecnologia e consultoria participem da NRF 2026. As delegações são organizadas por instituições como FGV, ESPM, Sebrae, CNDL, além das consultorias BTR-Varese e Gouvêa Ecosystem.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jason Dixson/Divulgação

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Tecnologia

WhatsApp atinge 80% de conversão e se consolida como modelo de comércio conversacional para EUA e Europa

A América Latina sempre teve a conversa como base das relações comerciais. Do mercadinho de bairro às negociações com distribuidores, a proximidade e o diálogo moldaram a identidade econômica da região. Com a popularização do WhatsApp, essa dinâmica migrou naturalmente para o ambiente digital, dando força ao chamado comércio conversacional, sem rupturas ou barreiras tecnológicas.

Segundo Andrés Stella, COO da Yalo, empresa especializada em jornadas conversacionais entre indústria e varejo, o fenômeno foi uma evolução de hábitos já consolidados. “O comerciante não precisou aprender algo novo; apenas ampliou um comportamento existente. O WhatsApp virou o balcão digital por estar no bolso de todos e resolver a dor da simplicidade”, afirma.

Simplicidade que ganhou escala no varejo

A digitalização trouxe eficiência, mas também desafios. Pequenos varejistas passaram a lidar com múltiplos sites e aplicativos para comprar de diferentes fornecedores, o que se mostrou inviável no dia a dia. Nesse contexto, o WhatsApp eliminou a complexidade ao centralizar pedidos, negociações e suporte em um único canal.

A Yalo estruturou esse comportamento ao integrar catálogos digitais, recomendações automáticas, pagamentos e assistência diretamente no aplicativo de mensagens. “Tudo acontece no canal que o lojista já usa diariamente”, resume Stella.

Brasil lidera adoção do WhatsApp como canal de pedidos

No varejo brasileiro, a tendência já está consolidada. Dados da Yalo indicam que 39% dos lojistas utilizam o WhatsApp como principal canal de pedidos junto a fornecedores, enquanto 26% já recorrem a sugestões automáticas de reposição dentro do aplicativo.

Esse movimento é reforçado por números da Meta. Pesquisa realizada pela Morning Consult, com 2.363 líderes empresariais da América Latina, aponta que 9 em cada 10 empresas consideram os aplicativos da Meta essenciais para os negócios, com destaque para WhatsApp Business, Instagram e Facebook, citados pelo alto retorno sobre investimento e geração de vendas.

Impacto direto no faturamento das empresas

Os resultados aparecem de forma clara no caixa das companhias. No Brasil, 93% das empresas que utilizam ferramentas da Meta relataram aumento de receita, sendo 73% com crescimento acima de 25%. Na Argentina, 84% registraram alta no faturamento; na Colômbia, 90%; e no México, também 90%, com mais da metade superando a marca de 25%.

América Latina surpreende executivos globais

As métricas chamam a atenção de executivos dos Estados Unidos, Europa e Ásia. De acordo com Stella, taxas de conversão próximas de 80%, recompra quase diária e adoção imediata causam surpresa em reuniões internacionais.

“Quando a jornada é fluida dentro do WhatsApp, o comerciante adere instantaneamente. Ele confia no canal, já se comunica ali. O crescimento é rápido e foge do padrão das interfaces tradicionais”, explica.

Escalabilidade transforma a região em referência global

O ponto de virada foi a escala. Projetos que saltaram de dezenas para centenas de milhares de lojas em poucos meses mostraram que o modelo era replicável fora da região. Um dos principais exemplos é o da Coca-Cola FEMSA, que digitalizou mais de 1 milhão de pequenos comércios via WhatsApp com a plataforma da Yalo.

A jornada inclui histórico de pedidos, campanhas segmentadas, integração com preço, estoque e logística, além de repetição automática de compras. O resultado: cerca de 80% de conversão e mais de 60% das lojas realizando pedidos recorrentes. “O WhatsApp deixou de ser apenas comunicação e virou infraestrutura crítica de vendas”, resume o executivo.

Três lições que EUA e Europa tentam absorver

Para Stella, há três aprendizados centrais do modelo latino-americano. O primeiro é que o canal certo vale mais do que uma tecnologia nova. O segundo é entender que o chat é canal de vendas, não apenas atendimento. E o terceiro é que IA e automação escalam eficiência, enquanto o fator humano maximiza conversão.

“O equilíbrio entre tecnologia e relacionamento é o segredo. A automação prepara o terreno, mas o humano constrói a confiança”, destaca.

Inteligência artificial acelera o comércio conversacional

O interesse por inteligência artificial generativa cresce rapidamente na região. Segundo a Meta, 88% das empresas no Brasil e 89% no México demonstram apetite pela tecnologia, com mais da metade já utilizando IA para automação, eficiência e personalização.

Nesse cenário, a Yalo lançou o Oris, um agente inteligente capaz de vender em escala como os melhores vendedores humanos. A solução entende mensagens de voz, faz recomendações estratégicas e atua de forma proativa em canais como WhatsApp, chamadas de voz e aplicativos.

Futuro passa por IA, multimodalidade e pagamentos in-chat

Stella afirma que a IA será o “motor invisível” do relacionamento comercial, permitindo personalização em larga escala. A combinação entre humanos e agentes inteligentes deve preservar a cultura local do varejo e ampliar a proximidade com o consumidor.

Entre as próximas evoluções globais estão interações multimodais (texto, áudio, imagem e vídeo), agentes de IA mais autônomos e pagamentos integrados dentro do chat, conectados a ERPs locais. “Já existem casos em que o lojista envia a foto da prateleira e a IA monta o pedido ideal. Isso será padrão em breve”, projeta.

Para o COO da Yalo, a mensagem final é clara: “A América Latina não reinventou o varejo com o WhatsApp. Ela apenas levou a internet para a força da conversa. E isso se tornou uma vantagem competitiva global”.

FONTE: Terra
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Terra

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Tecnologia

China projeta mercado de inteligência incorporada acima de RMB 1 trilhão até 2035

A China estima que o mercado de inteligência incorporada alcance RMB 400 bilhões até 2030 e ultrapasse RMB 1 trilhão até 2035, impulsionado pela inclusão da tecnologia como eixo estratégico do desenvolvimento industrial nacional. A projeção reforça o papel da inovação na transformação de setores como indústria, saúde, logística e serviços.

Tecnologia une inteligência artificial e mundo físico

Segundo Zhong Xinlong, diretor do Laboratório de Inteligência Artificial do Centro de Pesquisa de Indústrias do Futuro do Instituto Chinês de Pesquisa em Tecnologia da Informação, a principal diferença da inteligência incorporada está na sua atuação direta no ambiente físico. Enquanto a inteligência artificial tradicional funciona como um “conselheiro digital”, limitada a telas e sistemas virtuais, a inteligência incorporada interage com o mundo real.

Ela é capaz de movimentar cargas em fábricas, organizar centros logísticos, apoiar atendimentos hospitalares e auxiliar no cuidado de idosos em residências, por exemplo.

Sistemas autônomos vão além da IA tradicional

Plataformas populares como o DeepSeek, embora avancem no processamento de dados e tomada de decisão, não executam ações físicas, sendo classificadas como inteligência desincorporada. Já robôs industriais tradicionais, apesar de possuírem estrutura física, dependem fortemente da intervenção humana, o que limita sua autonomia.

De acordo com Tian Jietang, diretor do Departamento de Economia Industrial do Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento do Conselho de Estado, a inteligência incorporada combina três pilares: sistema de decisão, sistema de controle e estrutura física capaz de executar tarefas. Ela pode assumir diversas formas, como máquinas industriais inteligentes, veículos autônomos e sistemas biomiméticos, inspirados em animais.

Novo motor de crescimento econômico

A integração entre inteligência artificial, robótica e automação posiciona a tecnologia como um novo vetor de crescimento econômico. Para Zhong Xinlong, ao inserir inteligência digital no mundo físico, a China amplia a eficiência produtiva e melhora a qualidade dos serviços.

Atualmente, sistemas inteligentes já substituem tarefas repetitivas e de alta intensidade em fábricas e atuam em áreas como saúde, logística, serviços domésticos e cuidados com idosos, reduzindo a pressão sobre a força de trabalho.

Industrialização começa em 2025

O ano de 2025 marca o início da industrialização da inteligência incorporada no país, com a transição de aplicações restritas a ambientes virtuais para soluções físicas em escala comercial.

Na província de Hunan, robôs já operam em linhas de montagem e logística, identificando, pegando e transportando objetos de forma autônoma. Em Hangzhou, no Parque Arqueológico de Liangzhu, sistemas inteligentes realizam limpeza e ajustam suas ações conforme a complexidade do ambiente.

Aplicações em ambientes de risco e próximos avanços

A tecnologia também tem substituído atividades humanas em locais perigosos. Um exemplo é o robô “Wukong”, utilizado em inspeções de usinas nucleares, capaz de acessar espaços de apenas 0,05 metro e detectar falhas microscópicas nas estruturas.

Apesar dos avanços, o setor ainda está em fase inicial. Segundo Tian Jietang, a inteligência incorporada segue uma classificação semelhante à da condução autônoma, variando do nível L1 ao L5. Hoje, a maioria das aplicações comerciais opera no nível L2, com execução de tarefas específicas em ambientes controlados. O nível máximo, L5, representará sistemas capazes de aprender e evoluir de forma totalmente independente.

FONTE: China 2 Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Zheng Huansong/ Xinhua

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Tecnologia

Inteligência Artificial já está presente em 9 de cada 10 empresas, aponta estudo global

A Inteligência Artificial (IA) tornou-se uma realidade para a maioria das organizações. Atualmente, nove em cada dez empresas já utilizam algum tipo de tecnologia de IA, especialmente em áreas como marketing, atendimento ao cliente, desenvolvimento de produtos e operações. Apesar da ampla adoção, transformar essa inovação em valor econômico concreto ainda é um desafio.

Os dados constam do relatório The State of AI: Global Survey 2025, da McKinsey & Company, que ouviu cerca de dois mil executivos em mais de 100 países sobre a aplicação da IA nos negócios.

Apenas 39% veem retorno direto nos resultados

Segundo o estudo, somente 39% das empresas afirmam ter obtido impacto positivo direto nos resultados financeiros com o uso da IA. A maioria ainda mantém iniciativas pontuais e desconectadas, sem integração efetiva aos processos estratégicos e à estrutura central das organizações.

Esse cenário limita o potencial da tecnologia e reduz a capacidade de escalar soluções de forma consistente.

Integração e capacitação fazem a diferença

A análise da McKinsey mostra que empresas que tratam a Inteligência Artificial apenas como uma ferramenta isolada tendem a apresentar ganhos restritos. Em contrapartida, organizações que redesenham fluxos de trabalho, combinam automação com supervisão humana e investem em capacitação de equipes conseguem ampliar os benefícios da tecnologia.

A integração da IA aos processos decisórios e operacionais é apontada como fator-chave para gerar resultados sustentáveis.

Modelos híbridos superam automação total

O relatório também chama atenção para os riscos da automação excessiva. A delegação irrestrita de tarefas cognitivas a sistemas inteligentes pode comprometer a qualidade das decisões e enfraquecer competências humanas essenciais, como pensamento crítico, julgamento contextual e criatividade.

Os melhores desempenhos, segundo o estudo, estão associados a modelos híbridos, nos quais a IA atua como apoio às pessoas, potencializando capacidades humanas em vez de substituí-las.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio Exterior

O Catálogo de Produtos como peça-chave no desligamento das LI/DI

O catálogo de produtos deixou de ser um detalhe técnico para se tornar o coração do novo modelo de importação brasileiro. Com o cronograma oficial de desligamento das LI/DI em pleno desenvolvimento, o Governo Federal deu o sinal definitivo para a transição à DUIMP — e com ela, à padronização e à rastreabilidade total das informações de importação. Nesse cenário, a tecnologia ganha papel central, e soluções como a da Blue Route mostram que a inteligência artificial pode ser a chave para cumprir as novas exigências com segurança e eficiência.

O cronograma que acelera a mudança

O plano de desligamento do módulo LI/DI do SISCOMEX estabelece etapas escalonadas que obrigam importadores a migrarem gradualmente para a DUIMP e a adotarem o Catálogo de Produtos padronizado. A transição, prevista em várias fases, torna imprescindível que empresas ajustem processos e bases de dados para evitar retrabalho, atrasos ou inconformidades que podem travar operações.

O Catálogo de Produtos exige não apenas campos preenchidos, mas informações fundamentais como: classificação correta, especificações técnicas e atributos de cada item, quando exigido, devendo o importador complementar as informações no detalhamento. Em suma: não basta declarar — é preciso justificar tecnicamente cada escolha. Isso eleva a complexidade operacional, especialmente para importadores que trabalham com grande volume de SKUs e produtos tecnicamente sofisticados.

Blue Route: IA, fundamentação técnica e gestão de risco

Nesse ambiente de maior rigor, a Blue Route surge como solução tecnológica que combina automação, inteligência artificial e um sistema de gerenciamento de risco integrado. Segundo Beatriz Grance Rinn, CEO da Blue Route, a plataforma oferece ao importador autonomia para determinar o nível de auditoria que deseja aplicar — “É uma sistemática que gerencia o risco dessa operação. O importador vai poder determinar o percentual de conferência mais adequado para sua segurança — seja 5%, 30%, 70% ou até 100% dos itens”, explica.

Quatro camadas de IA — e uma ênfase na fundamentação

A plataforma da Blue Route foi aprimorada com quatro camadas de IA; a mais recente é especificamente voltada à fundamentação técnica das informações — justamente o que o Catálogo exige. “A palavra fundamentação é muito importante nas exigências e nas normativas. Você não pode simplesmente reproduzir qualquer informação. É preciso justificar por que aquele produto é o que está sendo declarado”, afirma Beatriz. A ferramenta busca informações em fontes confiáveis para embasar a classificação fiscal sugerida, criando um ciclo seguro de validação.

Redução de erros humanos e ganho de produtividade

Ao automatizar o preenchimento e, ao mesmo tempo, oferecer justificativas técnicas verificáveis, a solução reduz drasticamente o risco de falhas humanas — uma vulnerabilidade comum quando grandes volumes de produtos são cadastrados manualmente. “Nosso objetivo é criar uma menor interação humana e aumentar o nível de produtividade, assertividade e segurança nos preenchimentos”, diz a CEO. 

Além da automação, a Blue Route entrega controle estratégico: o importador escolhe sua política de auditoria e o percentual amostral a ser verificado, seguindo lógica semelhante à utilizada pela Receita Federal na seleção de cargas para inspeção física. Essa flexibilidade permite que empresas adaptem o nível de revisão à sua realidade operacional e ao perfil de risco de cada operação.

Escala e credenciais

Com mais de 500 projetos ativos nos mais diversos seguimentos da economia, a Blue Route já atende clientes que enfrentam alta complexidade técnica e grandes catálogos de produtos. A empresa se posiciona como parceira na transição para o novo modelo, com foco em compliance aduaneiro, segurança regulatória e eficiência operacional. “Nosso objetivo sempre foi apoiar os importadores nesse grande desafio que é o comércio exterior e prepará-los para o futuro”, reforça Beatriz Grance Rinn. Para o CTO Christiano Fitarelli, o diferencial da Blue Route vai além da tecnologia: “Nossa missão não é apenas entregar tecnologia, mas oferecer soluções direcionadas ao compliance aduaneiro e às exigências normativas do setor”.

TEXTO: REDAÇÃO
IMAGEM: ILUSTRATIVA / FREEPIK

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Indústria

Indústrias brasileiras precisam se reinventar para competir no mercado global

Diante de um ambiente internacional marcado por incertezas econômicas, avanços tecnológicos acelerados e uma guerra tarifária que encarece produtos em diversos países, as indústrias brasileiras precisam se adaptar para competir em mercados cada vez mais digitais e exigentes. A avaliação é de Julio Damião, especialista em negócios e finanças e presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-MG).

O tema foi abordado durante o Seminário de Economia Internacional, realizado nesta quinta-feira (11), na Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

China ganha protagonismo no cenário industrial global

Segundo Damião, a China vem ampliando sua competitividade de forma consistente, impulsionada por investimentos maciços em tecnologia, automação e inteligência artificial. Para ampliar a presença no comércio internacional, o especialista defendeu que empresas brasileiras considerem parcerias estratégicas com companhias chinesas.

“Os Estados Unidos continuam sendo um mercado essencial, mas a China se tornou um polo decisivo de inovação e escala. Minha recomendação é: almocem nos EUA e jantem na China”, afirmou.

Alianças estratégicas seguem tendência global

O especialista destacou que a formação de alianças internacionais já é uma realidade em setores como o automotivo, onde grandes fabricantes passaram a cooperar para enfrentar a concorrência de empresas chinesas mais produtivas e eficientes. Para Damião, esse modelo tende a se expandir para outros segmentos industriais.

Santa Catarina e a vocação para o comércio exterior

O 1º vice-presidente da FIESC, André Odebrecht, reforçou que o comércio internacional sempre foi um dos motores da indústria catarinense. Segundo ele, o atual contexto geopolítico exige maior presença global e conexão com os principais mercados.

Na avaliação de Damião, o cenário de tarifas elevadas e mudanças geopolíticas sinaliza que as empresas precisarão rever estratégias consolidadas para se manterem competitivas. “As decisões que nos trouxeram até aqui não serão suficientes para os próximos três anos”, alertou.

Planejamento estratégico e foco na competitividade

Entre as principais recomendações, o especialista orientou que os empresários planejem o futuro com base em duas perguntas centrais: o que aumenta a competitividade do negócio e o que reduz essa competitividade. A partir dessas respostas, as decisões estratégicas devem ser direcionadas.

Outro ponto destacado foi a necessidade de acompanhar de perto os impactos da inteligência artificial, especialmente sobre custos, receitas e eficiência operacional.

Qualidade virou pré-requisito, não diferencial

Damião ressaltou ainda que a qualidade do produto deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser uma exigência básica do mercado. “O produto é apenas a porta de entrada. O desafio agora é gerar valor por meio da experiência do cliente”, explicou.

Como exemplo, citou a Ford, que reduziu a produção de veículos no Brasil, mas melhorou seus resultados ao investir em uma plataforma de serviços e soluções, ampliando os pontos de contato com o consumidor e fortalecendo a relação com a marca.

Inércia é o maior risco para as empresas

Para o especialista, o maior perigo para as indústrias atualmente não está na falta de capital ou na qualidade do produto, mas na resistência à mudança. “O maior risco das empresas hoje é a inércia diante das transformações do mercado”, concluiu.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fabrício de Almeida

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