Investimento

Investidores internacionais demonstram interesse em projetos de infraestrutura do Brasil após agenda do Ministério dos Transportes em Londres

A carteira de investimentos em infraestrutura de transportes no Brasil despertou o interesse de grandes grupos financeiros internacionais durante uma série de reuniões promovidas pelo Ministério dos Transportes em Londres, no Reino Unido. Os encontros ocorreram nos dias 30 de outubro e 2 e 3 de novembro de 2026 e tiveram como foco apresentar as oportunidades de negócios previstas para 2027.

Entre os projetos apresentados estão 29 leilões de rodovias e ferrovias, que somam investimentos estimados em R$ 262,6 bilhões. Grupos como UBS Asset Management e Macquarie Group demonstraram interesse nas oportunidades oferecidas pelo mercado brasileiro.

A agenda faz parte da estratégia do Governo Federal para ampliar a participação de investidores estrangeiros nas concessões de infraestrutura e fortalecer a posição do Brasil no mercado internacional de capitais.

A expectativa é que a entrada de novos recursos contribua para modernizar a infraestrutura nacional, aumentar a produtividade, diminuir os custos logísticos e melhorar a competitividade da economia brasileira.

Carteira de concessões prevê R$ 262,6 bilhões em investimentos

Durante os encontros com representantes do setor financeiro, o ministro dos Transportes, George Santoro, apresentou os projetos previstos para os próximos anos e destacou a importância de integrar diferentes modalidades de transporte.

A carteira contempla oportunidades nos segmentos rodoviário, ferroviário, portuário, aeroportuário e hidroviário, com o objetivo de ampliar a eficiência da movimentação de cargas e reduzir despesas logísticas no país.

Além de UBS Asset Management e Macquarie Group, participaram das reuniões representantes de empresas como Actis, Basalt Infrastructure Partners, Patria Investments e Hanson Asset Management.

A aproximação com esses grupos busca ampliar as possibilidades de financiamento e atrair capital privado para projetos considerados estratégicos para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira.

Macquarie acompanha oportunidades no mercado brasileiro

Entre os investidores presentes na agenda em Londres, o Macquarie Group se destaca pela experiência internacional em gestão de ativos e investimentos em infraestrutura.

O grupo financeiro australiano já acompanha os projetos brasileiros há alguns anos. Em 2023, a companhia demonstrou interesse na carteira do Ministério dos Transportes durante um evento de apresentação de oportunidades realizado em Nova York.

Desde então, passou a acompanhar de perto os leilões de concessões no Brasil.

Em 2025, o grupo adquiriu 100% da Monte Rodovias, plataforma que reúne concessionárias responsáveis pela administração de quatro rodovias pedagiadas no Nordeste e uma no Mato Grosso, na região Centro-Oeste.

A movimentação reforça a presença do investidor no setor rodoviário brasileiro e demonstra a continuidade do interesse internacional nas oportunidades de concessão do país.

Governo articula participação de instituições para viabilizar investimentos

A programação em Londres também contou com representantes de instituições públicas responsáveis pela promoção de negócios, financiamento e regulação da infraestrutura.

Entre os participantes estavam a ApexBrasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Infra S.A., instituições que desempenham funções importantes na estruturação e no desenvolvimento dos projetos.

A presença desses órgãos permitiu aproximar investidores, governo e entidades reguladoras, fortalecendo a articulação necessária para viabilizar novos empreendimentos.

Brasil busca ampliar presença no mercado internacional de infraestrutura

A apresentação da carteira de concessões em Londres integra os esforços do Governo Federal para atrair investimentos estrangeiros e ampliar a participação da iniciativa privada na modernização dos transportes.

Com 29 leilões previstos para 2027 e R$ 262,6 bilhões em investimentos estimados, o planejamento busca criar novas oportunidades de negócios e fortalecer a infraestrutura logística nacional.

A expectativa é que os projetos contribuam para melhorar a integração entre os modais de transporte, reduzir custos operacionais e ampliar a competitividade do Brasil no comércio nacional e internacional.

FONTE: Ministério dos Transportes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Danilo Souza

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Mulheres

Mulheres na logística brasileira: encontro debate liderança, inclusão e oportunidades no setor

A participação feminina em cargos de liderança e os desafios para o avanço da logística brasileira foram temas centrais do 2º Encontro Mulheres a Bordo, realizado nesta quinta-feira (15), em Brasília (DF). Promovido pelo Grupo Tribuna, o evento reuniu lideranças femininas, especialistas e representantes dos setores público e privado para discutir o futuro da infraestrutura nacional e as oportunidades de crescimento para as mulheres no segmento.

Com foco em inovação, sustentabilidade, competitividade e comércio exterior, a programação incentivou a troca de experiências entre profissionais de diferentes áreas da cadeia logística. A iniciativa também buscou estimular propostas para tornar o transporte e a infraestrutura do país mais integrados, eficientes e preparados para atender às demandas do desenvolvimento econômico.

Presença feminina na logística ainda é um desafio

Apesar dos avanços na inclusão profissional, as mulheres ainda representam uma parcela reduzida da força de trabalho portuária no Brasil.

De acordo com a 2ª Pesquisa sobre Equidade de Gênero no Setor Aquaviário, elaborada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a participação feminina correspondia a 17,8% dos trabalhadores portuários em 2024.

O cenário reforça a importância de iniciativas voltadas à ampliação das oportunidades, à valorização da diversidade e ao acesso das mulheres a funções técnicas e posições estratégicas.

Durante o encontro, os debates também abordaram questões estruturais para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira, como a integração entre os diferentes modais de transporte, a eficiência das operações logísticas e a relação entre investimentos, sustentabilidade e competitividade.

Governo amplia ações para promover equidade nos portos

A discussão sobre a presença feminina no setor está alinhada às iniciativas do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) para fortalecer a equidade de gênero no setor portuário.

Em dezembro de 2025, o Fórum dos Trabalhadores Portuários, coordenado pela Secretaria Nacional de Portos (SNP), aprovou a criação de um Grupo de Trabalho dedicado à pauta. A estrutura foi instalada em março de 2026, com a missão de identificar obstáculos à igualdade, monitorar indicadores e divulgar práticas que contribuam para ampliar a participação feminina nos portos brasileiros.

As ações também incluem medidas de prevenção ao assédio e de promoção de ambientes profissionais mais seguros.

Em 2024, o MPor e a Antaq, em parceria com a Wista Brazil e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), lançaram o Guia de Enfrentamento ao Assédio no Setor Aquaviário.

O documento reúne orientações para combater situações de assédio e incentivar relações de trabalho baseadas no respeito e na segurança, tanto nas atividades portuárias quanto na navegação.

Secretário nacional de Portos recebe homenagem

Um dos momentos do 2º Encontro Mulheres a Bordo foi a homenagem concedida pelo Grupo Tribuna ao secretário nacional de Portos, Alex Ávila. O reconhecimento foi marcado pela entrega de uma capa exclusiva do jornal A Tribuna.

Ao agradecer a homenagem, Ávila destacou a contribuição das mulheres que ocupam posições de liderança na Secretaria Nacional de Portos. Segundo ele, a escolha das profissionais para os cargos está relacionada à competência e à atuação de cada uma.

O secretário também ressaltou que as mulheres ocupam três das cinco posições da alta gestão da SNP e atribuiu parte dos resultados da equipe ao trabalho desenvolvido por elas à frente de diferentes áreas da secretaria.

Ávila afirmou que receber o reconhecimento do Grupo Tribuna, especialmente de pessoas ligadas ao setor portuário, representava uma honra.

Infraestrutura e comércio exterior também entram em pauta

Além da promoção da liderança feminina, o encontro abriu espaço para discussões sobre os desafios e as perspectivas da infraestrutura e do comércio exterior no Brasil.

A aproximação entre representantes do poder público, empresas e entidades do setor foi um dos objetivos da iniciativa, que buscou estimular o diálogo e a construção de soluções para melhorar o desempenho da cadeia logística nacional.

Ao reunir profissionais de diferentes áreas, o evento reforçou a importância da diversidade, da qualificação e da cooperação institucional para ampliar a competitividade do país.

A expectativa é que iniciativas desse tipo contribuam para fortalecer a presença das mulheres na logística e no setor portuário, ao mesmo tempo que incentivem avanços em eficiência, inovação e sustentabilidade na infraestrutura brasileira.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Eduardo Oliveira/MPor

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Infraestrutura

Concessão de infraestrutura: entenda como funciona e o que muda para o país

A concessão de infraestrutura é uma modalidade de parceria entre o poder público e a iniciativa privada utilizada para ampliar investimentos, melhorar a operação e aumentar a eficiência de serviços e estruturas públicas. Pelo modelo, uma empresa assume, por determinado período, a responsabilidade pela operação, manutenção e realização de investimentos previstos em contrato.

Apesar da transferência da operação, a infraestrutura continua pertencendo ao poder público. Ao término da concessão, o ativo e as melhorias incorporadas durante a vigência do contrato permanecem públicos.

O modelo é utilizado em diferentes segmentos do setor de transportes e, no âmbito do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), está presente em projetos relacionados a aeroportos, portos e hidrovias.

Concessão não é venda de patrimônio público

Uma das principais dúvidas em relação às concessões é se o governo está vendendo estruturas como portos, aeroportos ou hidrovias. Não é isso que acontece.

Na concessão, a propriedade do ativo permanece pública. O que é transferido temporariamente é a responsabilidade pela operação, manutenção e realização dos investimentos estabelecidos no contrato.

A empresa concessionária precisa cumprir uma série de obrigações, que podem envolver obras, metas de desempenho, padrões de qualidade e investimentos. O poder público, por sua vez, permanece responsável pelo planejamento, regulamentação e fiscalização.

Como uma concessão é estruturada?

Antes de uma infraestrutura ser levada à concessão, são realizados estudos técnicos, econômicos e ambientais. A análise busca verificar a viabilidade do projeto e identificar as necessidades de investimentos e de operação.

Com base nesses estudos, são estabelecidas as condições do contrato, incluindo as responsabilidades da concessionária, os investimentos obrigatórios, os indicadores de desempenho e as metas que deverão ser cumpridas durante o período da concessão.

Depois da assinatura do contrato, a empresa vencedora assume a operação da infraestrutura e passa a responder pelas obrigações estabelecidas.

O que muda nos aeroportos, portos e hidrovias?

As responsabilidades da concessionária variam de acordo com o tipo de infraestrutura.

Nos aeroportos, a empresa pode assumir a administração dos terminais, manutenção de pistas e equipamentos, execução de obras e cumprimento de indicadores relacionados à qualidade e ao desempenho dos serviços.

Nos portos, a concessão pode envolver a operação da infraestrutura, expansão da capacidade de movimentação de cargas e modernização de equipamentos e instalações.

Nas hidrovias, entre as obrigações previstas podem estar serviços de dragagem, manutenção da via navegável, sinalização náutica e acompanhamento das condições de navegação.

A dragagem consiste na retirada de areia, lama e outros materiais acumulados no fundo de rios ou canais, permitindo melhores condições para a navegação.

Quais são os benefícios esperados para o país?

Um dos principais objetivos das concessões é ampliar a capacidade da infraestrutura brasileira e direcionar recursos privados para investimentos em ativos que continuam públicos.

Nos aeroportos, os investimentos podem resultar na ampliação de terminais e pátios, além da modernização de sistemas e estruturas de apoio. A expectativa é reduzir gargalos, acompanhar o crescimento da demanda e melhorar a experiência dos passageiros, com ganhos em conforto, segurança e conectividade.

No setor portuário, a expansão da capacidade de movimentação e a modernização das instalações podem aumentar a eficiência das operações, melhorar a segurança e contribuir para a redução de custos logísticos. Esses fatores também podem fortalecer a competitividade brasileira no comércio internacional.

Já nas hidrovias, investimentos em dragagem, manutenção, sinalização e monitoramento podem proporcionar maior regularidade e segurança à navegação, reduzir interrupções e tornar o transporte hidroviário mais eficiente.

Estado continua responsável pela fiscalização

A concessão não representa a saída do Estado da infraestrutura. O poder público continua exercendo funções de planejamento, regulação e fiscalização. O contrato determina as atividades que devem ser realizadas pela concessionária, os investimentos obrigatórios e os resultados que precisam ser alcançados. Cabe ao Estado acompanhar o cumprimento dessas exigências e fiscalizar a qualidade do serviço oferecido à população.

Dessa forma, o modelo busca combinar a capacidade de investimento e operação da iniciativa privada com a atuação do poder público na definição das regras e no controle da prestação do serviço.

Concessões fazem parte da história da infraestrutura brasileira

A participação privada na infraestrutura de transportes do Brasil não é recente. No setor portuário, o Porto de Santos foi pioneiro. Ainda no século 19, o governo brasileiro abriu uma concorrência para a exploração do porto por 90 anos. O contrato foi assinado em 1890 e, dois anos depois, foram inaugurados os primeiros 260 metros de cais.

Na aviação, o programa federal de concessões aeroportuárias teve início em 2011, com o leilão do Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Desde então, diferentes rodadas foram realizadas e os contratos e regras passaram por aprimoramentos com base na experiência acumulada.

O setor hidroviário, por sua vez, está diante de um novo momento. O Brasil se prepara para sua primeira concessão de uma hidrovia, com o projeto da Hidrovia do Rio Paraguai.

A proposta prevê uma concessão de 15 anos, com possibilidade de prorrogação, e inclui serviços como dragagem, sinalização e monitoramento da via navegável.

Na prática, a concessão estabelece uma divisão de responsabilidades: a iniciativa privada assume a operação e parte dos investimentos, enquanto o Estado continua proprietário do ativo, define regras e fiscaliza o cumprimento do contrato.

A expectativa é que esse modelo contribua para ampliar a capacidade, a eficiência e a qualidade da infraestrutura brasileira, mantendo os ativos como patrimônio público

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).

Texto: Redação

Imagem: Vosmar Rosa/MPor

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Internacional

Missão à China e Singapura amplia interesse asiático em projetos de infraestrutura do Brasil

A missão internacional do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, terminou nesta sexta-feira (28), em Singapura, com avaliação positiva sobre o interesse de empresas e investidores asiáticos na infraestrutura brasileira.

Iniciada na China, a agenda passou por Pequim e Xangai antes de chegar a Singapura. Durante a viagem, o ministro apresentou a carteira de projetos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e discutiu possibilidades de investimentos nos setores portuário, aeroportuário e hidroviário, incluindo empreendimentos previstos para 2026 e 2027.

Ambiente brasileiro atrai investidores asiáticos

Na avaliação de Tomé Franca, o interesse demonstrado pelas empresas está relacionado à segurança institucional e regulatória oferecida pelo Brasil, além da qualidade dos projetos apresentados pelo governo.

Segundo o ministro, a estruturação de empreendimentos capazes de atender às necessidades de infraestrutura do País é um dos fatores que contribuem para tornar o mercado brasileiro mais atrativo aos investidores internacionais.

Franca também destacou que a expansão dos investimentos precisa estar apoiada em um planejamento de longo prazo. Nesse contexto, o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 estabelece diretrizes para o desenvolvimento da infraestrutura de transportes nas próximas décadas.

A proposta é utilizar o planejamento para orientar projetos e promover maior integração entre os diferentes modais de transporte, aumentando a eficiência da logística nacional.

Empresas chinesas avaliam projetos brasileiros

Durante a passagem pela China, representantes do governo brasileiro participaram de reuniões com grandes empresas e instituições financeiras asiáticas.

Entre os grupos que estiveram na agenda estão a CSCEC, CCCC, China Merchants Port Holdings, COFCO, Hutchison Ports, Shanghai Dredging Company e COSCO Shipping. O ministro também se reuniu com representantes do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira ligada ao Brics.

A carteira apresentada pelo MPor reúne projetos de concessões portuárias e hidroviárias, além de iniciativas destinadas à expansão da infraestrutura aeroportuária.

No setor hidroviário, estão previstos seis projetos envolvendo as hidrovias dos rios Madeira, Tapajós, Tocantins e Paraguai, além da Hidrovia Verde e do sistema Lagoa Mirim.

A lista também contempla concessões dos canais de acesso aos portos de Rio Grande, Santos e Itajaí.

PSA International mantém presença no Brasil

Em Singapura, Tomé Franca se reuniu com executivos da PSA International, uma das maiores operadoras portuárias e empresas de logística do mundo.

A companhia movimentou mais de 105 milhões de TEUs em 2025 e possui operações no Brasil por meio da Exologística Brasil, em Itajaí, Santa Catarina.

O encontro serviu para ampliar o diálogo com uma empresa que já atua no País e discutir novas possibilidades relacionadas ao desenvolvimento da logística portuária.

Porto de Tuas mostra operação portuária automatizada

Ainda em Singapura, o ministro visitou o Porto de Tuas, administrado pela PSA International. Durante a visita técnica, conheceu uma operação portuária com alto nível de automação.

O projeto tem conclusão prevista para 2040 e deverá alcançar capacidade de movimentação de até 65 milhões de TEUs por ano.

A estrutura incorpora tecnologias de automação, digitalização e sustentabilidade. O terminal também está sendo preparado para receber os maiores navios porta-contêineres do mundo e enfrentar impactos relacionados à elevação do nível do mar.

Entre as soluções previstas está o reaproveitamento de materiais provenientes de atividades de dragagem e escavação.

Brasil e Singapura firmam acordo para corredor verde e digital

A agenda em Singapura também resultou na assinatura de um Memorando de Entendimento entre o MPor, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e o Ministério dos Transportes de Singapura.

O acordo estabelece uma estrutura de cooperação para a criação de um Corredor Verde e Digital de Navegação entre os dois países.

A iniciativa prevê ações voltadas à descarbonização e digitalização do transporte marítimo, incluindo estudos sobre combustíveis com baixa ou nenhuma emissão de gases de efeito estufa.

Também estão previstas atividades de pesquisa e desenvolvimento, avaliação de instrumentos financeiros e intercâmbio de informações entre as instituições envolvidas.

Governo avalia missão como positiva

No balanço da viagem, Tomé Franca afirmou que a missão permitiu estreitar o relacionamento com empresas asiáticas que já possuem negócios no Brasil e, ao mesmo tempo, apresentar a novos investidores as oportunidades disponíveis na carteira do MPor.

A avaliação do ministro é de que a agenda abriu espaço para novas parcerias e reforçou o potencial brasileiro para atrair capital estrangeiro destinado à modernização da infraestrutura de transportes.

Para o governo, a aproximação com investidores asiáticos pode contribuir para ampliar a capacidade logística do Brasil e acelerar projetos considerados estratégicos para os próximos anos.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Notícias

Eventos climáticos extremos aumentam riscos para concessões e infraestrutura no Brasil

A recorrência de eventos climáticos extremos está mudando a forma como projetos de infraestrutura são planejados e avaliados no Brasil. Enchentes, secas e deslizamentos passaram a representar não apenas riscos ambientais, mas também fatores capazes de afetar a viabilidade financeira e operacional de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs).

As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e o tornado que passou por Rio Bonito do Iguaçu, no oeste do Paraná, em novembro do ano passado são exemplos recentes da dimensão dos impactos provocados por fenômenos extremos.

Especialistas defendem que esses riscos sejam considerados desde as primeiras etapas de elaboração dos projetos, com investimentos em infraestrutura resiliente para reduzir possíveis prejuízos, preservar a qualidade dos serviços e manter o interesse de investidores.

A discussão ocorreu durante um encontro sobre os impactos econômicos e sociais das mudanças climáticas no Brasil, organizado pelo E-Mundi e promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS).

Infraestrutura resiliente ganha importância

O conceito de infraestrutura resiliente envolve incorporar, ainda na fase de planejamento, soluções capazes de reduzir a exposição dos projetos a eventos extremos e garantir a continuidade dos serviços.

As medidas dependem das características e dos riscos de cada região. Podem incluir reforço de estruturas, sistemas de contenção, adaptações de engenharia e mecanismos destinados a manter operações essenciais mesmo em situações de emergência.

Para Bruno Carnelosso, economista e sócio da Radar PPP, consultoria especializada no mercado de concessões, a maior frequência de eventos climáticos pode influenciar diretamente a disposição de investidores em participar de licitações.

Por isso, segundo o especialista, os riscos devem entrar nos estudos de viabilidade e na modelagem das concessões desde o início. Dessa forma, é possível calcular os recursos necessários para tornar os empreendimentos mais resistentes sem comprometer sua atratividade para o setor privado.

Rodovia no litoral de SP é exemplo de desafio

Carnelosso cita como exemplo um trecho rodoviário localizado no Litoral Norte de São Paulo, que enfrenta dificuldades para avançar em um processo de concessão devido à exposição a deslizamentos.

Para o especialista, situações desse tipo demonstram que os riscos associados ao clima precisam ser incorporados aos estudos técnicos e financeiros antes da estruturação das concessões.

A previsão de investimentos em medidas de resiliência pode aumentar os custos iniciais, mas também contribui para reduzir interrupções futuras e evitar que eventos extremos comprometam a operação ou a sustentabilidade econômica dos projetos.

Desastres climáticos já geram bilhões em prejuízos

O impacto econômico dos fenômenos extremos já alcança valores expressivos no país.

Segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), os desastres relacionados ao clima provocaram custos de aproximadamente R$ 188,7 bilhões entre 2020 e 2023.

O montante evidencia a dimensão do problema para setores que dependem diretamente de estradas, sistemas urbanos, redes de abastecimento e outras estruturas essenciais.

Saneamento está entre os setores mais vulneráveis

O saneamento básico aparece entre as áreas mais expostas aos efeitos das mudanças climáticas, mas também pode desempenhar um papel importante na redução dos impactos.

A avaliação é de Gesner Oliveira, professor da EAESP-FGV e sócio-executivo da GO Associados. Para ele, as estratégias de adaptação devem começar pelo fortalecimento da informação e da gestão de riscos.

O especialista ressalta que não existe uma solução única para todas as regiões brasileiras. As medidas precisam levar em conta as características e vulnerabilidades de cada local.

Sistemas de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, por exemplo, podem sofrer impactos significativos durante enchentes. Ao mesmo tempo, estruturas de saneamento planejadas para situações extremas podem ajudar a diminuir os danos.

Saneamento pode ajudar na resposta aos eventos extremos

Entre as alternativas citadas por Gesner Oliveira estão a criação de áreas de contenção para reduzir os efeitos das enchentes e a ampliação da produção de água de reúso.

As estruturas de contenção poderiam ajudar a controlar o volume e a velocidade da água em determinadas situações. Já a água de reúso poderia funcionar como uma fonte alternativa caso os sistemas convencionais de abastecimento fossem afetados por inundações.

A estratégia mostra que os investimentos em adaptação climática podem cumprir uma dupla função: proteger a infraestrutura existente e criar mecanismos capazes de manter serviços essenciais durante períodos de crise.

Para especialistas, incorporar essas soluções desde a fase de planejamento tende a ser fundamental para tornar as concessões e PPPs mais preparadas para um cenário de maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wesley Santos/Reuters

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