Tecnologia

Inteligência artificial pode dificultar controle da inflação nos Estados Unidos

A expansão acelerada da inteligência artificial (IA) pode criar um novo desafio para a economia dos Estados Unidos: conter a inflação em um cenário de forte atividade econômica.

O aumento dos preços e das taxas de juros ocorre em meio a uma combinação de fatores que pressiona a economia americana. Entre eles estão o choque nos preços de energia provocado pelos conflitos no Irã e na Ucrânia, o agravamento das disputas comerciais e o crescimento expressivo dos investimentos corporativos em IA.

Enquanto guerras e tarifas concentram boa parte da atenção dos mercados, economistas também passaram a observar o volume de recursos direcionados pelas grandes empresas de tecnologia à construção de centros de dados, servidores e infraestrutura necessária para ampliar a capacidade de processamento de inteligência artificial.

Gastos com IA alcançam cifras trilionárias

O investimento em infraestrutura de inteligência artificial ganhou escala rapidamente. Segundo o JPMorgan, os gastos com centros de dados, chips e servidores devem chegar a aproximadamente US$ 1 trilhão em 2026.

A projeção para os próximos anos é ainda mais expressiva. De acordo com Stijn Van Nieuwerburgh, economista da Universidade de Columbia, os investimentos podem alcançar US$ 10,3 trilhões até 2032.

Para efeito de comparação, esse montante supera amplamente os valores envolvidos em grandes programas de infraestrutura do governo americano.

O Goldman Sachs estima que os investimentos em infraestrutura de IA representem cerca de 1,9% da atividade econômica dos Estados Unidos neste ano. A previsão de Van Nieuwerburgh é de que essa participação ultrapasse, em média, 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) americano por ano até 2032.

A dimensão projetada coloca o atual ciclo de investimentos entre os maiores períodos de expansão da infraestrutura econômica dos Estados Unidos.

Demanda por tecnologia pressiona preços

O aumento dos investimentos não representa, necessariamente, um problema inflacionário. Caso a oferta de produtos e serviços acompanhe a demanda, o crescimento poderia ocorrer sem gerar pressão significativa sobre os preços.

O desafio está no intervalo entre o investimento atual e os ganhos de produtividade esperados para o futuro. Enquanto empresas constroem a infraestrutura necessária para a expansão da IA, a economia precisa lidar imediatamente com a forte demanda por equipamentos, energia e trabalhadores.

Segundo Daniel Yue, professor da Georgia Tech que pesquisa os efeitos econômicos da IA, esse movimento já produz um choque de demanda com impacto sobre a inflação.

A construção de centros de dados, por exemplo, aumenta a procura por chips de memória e armazenamento, materiais de construção e eletricidade. Também eleva a demanda por profissionais como trabalhadores da construção civil, encanadores e eletricistas.

Falta de oferta aumenta pressão sobre custos

A oferta nem sempre consegue acompanhar a velocidade dessa demanda. Restrições de produção, regulamentações, dificuldades de licenciamento e limitações no mercado de trabalho estão entre os fatores que dificultam o equilíbrio entre oferta e procura.

O efeito pode ultrapassar o setor de tecnologia e atingir outros segmentos da economia, principalmente por meio da escassez de mão de obra e do aumento dos preços de materiais de construção.

A situação também entrou no radar do Federal Reserve. Austan Goolsbee, presidente do Federal Reserve Bank de Chicago, afirmou recentemente que acompanha os efeitos da construção de centros de dados de IA sobre a capacidade de absorção da economia.

Caso os investimentos estejam gerando uma demanda superior à capacidade disponível, o movimento poderia indicar um processo de superaquecimento econômico. Nesse cenário, a resposta do Federal Reserve (Fed) poderia envolver juros mais elevados para conter a inflação.

Economia americana continua aquecida

O avanço dos investimentos em IA ocorre em uma economia que já apresenta sinais de atividade elevada.

A produção industrial dos Estados Unidos em agosto atingiu o maior nível desde julho de 2021, segundo o Índice de Gerentes de Compras (PMI) da S&P Global. A taxa de desemprego estava em 4,1%, patamar associado por economistas ao pleno emprego.

As vendas no varejo também avançaram. Em agosto, o indicador registrou crescimento de 1,2%.

Esse conjunto de dados mostra uma economia com demanda ainda resistente, em vez de um quadro de forte desaceleração.

Valorização das ações de IA sustenta consumo

Outro componente importante é o desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial no mercado financeiro.

As oito companhias de maior valor no índice S&P 500 são, em grande medida, empresas diretamente relacionadas à IA. Juntas, elas correspondem a 38,8% do valor total do mercado acionário americano.

A valorização dessas ações ampliou o patrimônio de investidores de maior renda. Esse efeito contribuiu para sustentar o consumo mesmo diante das preocupações com o custo de vida.

Dados do Federal Reserve Bank de Nova York indicam que os 40% da população americana com maior renda respondem por aproximadamente 70% dos gastos de consumo.

Com consumidores de maior renda mantendo o ritmo das compras, empresas encontram espaço para repassar parte do aumento de custos aos preços finais.

Energia, tarifas e inflação complicam cenário

Além dos investimentos em IA, empresas americanas enfrentam custos elevados de diesel, transporte e tarifas comerciais.

Esse ambiente ajuda a explicar por que a inflação permanece acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed, mesmo depois de anos desde o pico de crescimento registrado após a pandemia.

Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union, observa que o avanço da IA tem beneficiado investimentos em tecnologia, construção de centros de dados e fabricação de componentes, enquanto uma parcela da população enfrenta principalmente o aumento dos custos.

A elevação das taxas de juros acrescenta outra dificuldade. Rendimentos mais altos dos títulos públicos e uma política monetária mais restritiva encarecem o crédito para empresas e consumidores, mecanismo que normalmente contribui para desacelerar a demanda.

Investimentos em IA podem resistir aos juros altos

A eficácia desse mecanismo, porém, pode ser limitada pela natureza dos atuais investimentos em IA.

Mesmo com o aumento do custo de financiamento, empresas podem manter projetos considerados estratégicos para ampliar sua capacidade tecnológica.

O economista Oren Klachkin, da Nationwide, avalia que juros mais altos podem levar empresas a rever ou cancelar alguns investimentos. No entanto, segundo ele, os projetos relacionados à infraestrutura de IA tendem a apresentar menor sensibilidade às taxas de juros e podem continuar avançando.

Esse cenário cria um desafio adicional para a política monetária americana: controlar a demanda e a inflação enquanto um dos maiores ciclos de investimento tecnológico da história continua em expansão.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Economia

Fed mantém juros nos EUA entre 3,5% e 3,75% e sinaliza cautela diante do cenário econômico

O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,5% e 3,75%. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (17) e seguiu a expectativa predominante do mercado financeiro.

A decisão foi aprovada por unanimidade pelos integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) e representa a quarta reunião consecutiva sem mudanças na política monetária americana.

Banco central destaca crescimento econômico e inflação persistente

No comunicado divulgado após a reunião, o Fed apontou que a economia dos Estados Unidos continua apresentando expansão, mesmo em meio às incertezas provocadas pelos recentes conflitos no Oriente Médio.

A autoridade monetária destacou ainda o avanço da produtividade e dos investimentos, além de um mercado de trabalho considerado consistente com o crescimento populacional. Em contrapartida, a inflação nos EUA segue acima dos níveis desejados, pressionada principalmente por impactos nos setores de energia e cadeias de oferta.

Cenário internacional influencia avaliação do mercado

A decisão ocorre após o anúncio de um entendimento entre Estados Unidos e Irã para encerrar as hostilidades na região e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.

Apesar do acordo, investidores ainda acompanham com cautela os desdobramentos da negociação, já que permanecem dúvidas sobre os detalhes e a efetiva implementação das medidas anunciadas.

Kevin Warsh estreia no comando do Fed

Esta foi a primeira reunião de política monetária sob a liderança de Kevin Warsh, escolhido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para comandar o banco central americano.

Warsh assumiu o posto anteriormente ocupado por Jerome Powell, que permanece como integrante da instituição.

Integrantes divergem sobre próximos passos dos juros

Embora a manutenção da taxa tenha sido consenso nesta reunião, as projeções internas indicam diferentes visões sobre os rumos da política monetária.

Entre os membros responsáveis pela definição dos juros, a maioria avalia que as atuais condições econômicas justificam a manutenção dos níveis atuais ou até mesmo novos aumentos ao longo de 2026. Nove integrantes consideram necessária pelo menos uma elevação da taxa neste ano, enquanto seis deles defendem mais de um ajuste para cima.

Por outro lado, apenas um membro projeta um corte dos juros até o fim do ano.

Um dos dirigentes não apresentou projeções econômicas nesta rodada. O próprio Kevin Warsh confirmou ter sido o integrante ausente nessa etapa das estimativas.

Mercado acompanha novas projeções para a política monetária

As últimas previsões divulgadas pelos membros do Federal Reserve ocorreram em março, quando a expectativa mediana apontava para um único corte na taxa de juros em 2026.

Desde então, o cenário econômico internacional passou por mudanças significativas, especialmente após a redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. Com a diminuição do risco de um choque nos preços do petróleo, analistas de Wall Street acompanham atentamente os próximos sinais do Fed sobre os rumos da política monetária americana.

A expectativa do mercado agora se concentra na avaliação de Kevin Warsh sobre o comportamento da inflação, da atividade econômica e das futuras decisões envolvendo os juros dos Estados Unidos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Bloomberg

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Internacional

PIB dos EUA desacelera e inflação segue elevada, aponta OCDE

A OCDE revisou suas projeções para a economia dos Estados Unidos e passou a indicar uma desaceleração gradual do PIB dos EUA nos próximos anos, acompanhada por uma inflação ainda acima da meta. De acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira, o crescimento econômico deve recuar de 2% em 2026 para 1,7% em 2027.

Crescimento perde força com impacto no consumo

Segundo a organização, o ritmo da economia norte-americana continuará sendo sustentado, em parte, pelos investimentos ligados à inteligência artificial, mas esses ganhos tendem a ser compensados pela desaceleração da renda real e pela redução nos gastos do consumidor.

Na atualização mais recente, a OCDE elevou a projeção de crescimento para 2026 em 0,3 ponto percentual, enquanto reduziu a estimativa para 2027 em 0,2 ponto, em comparação com o relatório anterior.

Inflação nos EUA segue pressionada

O cenário inflacionário também foi revisado. A projeção para a inflação nos EUA em 2026 subiu para 4,2%, um aumento de 1,2 ponto percentual. Já para 2027, a expectativa foi reduzida para 1,6%.

A OCDE destaca que a alta recente nos preços globais de energia e os riscos às cadeias de suprimentos contribuem para manter a inflação pressionada no curto prazo. Por outro lado, o encarecimento da energia pode estimular a expansão da produção doméstica, apesar das incertezas geopolíticas.

Tarifas e comércio influenciam cenário econômico

O relatório também aponta mudanças nas tarifas comerciais dos Estados Unidos. Desde meados de novembro, a taxa efetiva sobre importações caiu de 14% para 9,9%, o que pode ter impactos sobre o comércio exterior e a dinâmica de preços.

Juros devem permanecer estáveis até 2027

No campo da política monetária, a expectativa da OCDE é de que o Federal Reserve mantenha os juros nos EUA inalterados ao longo de 2026 e 2027.

A decisão reflete a combinação de inflação ainda elevada, especialmente nos núcleos inflacionários, e um crescimento econômico considerado resiliente, ainda que em desaceleração.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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