Internacional

Itália defende diálogo após suspensão da carne brasileira pela União Europeia

A Itália pretende trabalhar pela redução de barreiras comerciais e pela facilitação das relações com o Brasil após a suspensão das importações de carne brasileira pela União Europeia. A posição foi apresentada nesta quarta-feira (9) pelo ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani.

Segundo o chanceler, eventuais divergências entre os dois lados devem ser tratadas por meio de diálogo diplomático e técnico, sem aumento das tensões políticas.

A União Europeia suspendeu as compras de carne e de outros produtos de origem animal do Brasil. O bloqueio entrou em vigor na quarta-feira (3) e está relacionado a critérios sanitários, incluindo normas europeias de controle e questões envolvendo o uso de antimicrobianos na produção pecuária.

Itália quer facilitar comércio com o Brasil

Ao comentar a suspensão, Tajani afirmou que o governo italiano está disposto a conversar com as autoridades brasileiras em busca de uma solução para o impasse.

Na avaliação do ministro, problemas relacionados a regras sanitárias podem criar obstáculos às relações comerciais, mas as diferenças podem ser enfrentadas por meio de negociações.

A Itália, segundo ele, pretende contribuir para superar as dificuldades, desde que sejam mantidas as exigências estabelecidas pelo bloco europeu.

“Se pudermos dar uma mão ao Brasil, o faremos sempre respeitando as regras europeias”, afirmou Tajani durante conversa com jornalistas antes do início de um encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Bloqueio europeu afeta produtos de origem animal

A suspensão das compras europeias envolve a carne brasileira e outros produtos de origem animal. A medida está em vigor desde 3 de setembro e tem como base exigências sanitárias adotadas pela União Europeia.

O cenário cria um novo ponto de atenção para o comércio exterior brasileiro, especialmente para os setores ligados à produção e exportação de proteína animal.

Apesar do bloqueio, a manifestação do governo italiano indica disposição para buscar uma saída negociada, conciliando a manutenção das normas sanitárias europeias com a tentativa de reduzir obstáculos ao comércio.

Missão italiana reúne 100 empresas no Brasil

Tajani está no Brasil acompanhado de uma delegação formada por aproximadamente 100 empresas italianas. A missão empresarial chegou ao país nesta quarta-feira (9), depois de passar pela Argentina.

A visita ocorre em meio ao debate sobre o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu. Nesse contexto, a defesa do diálogo feita pelo chanceler italiano ganha relevância para as relações comerciais entre Brasil e Itália.

A posição de Roma combina o interesse em ampliar e facilitar as relações comerciais com o Brasil com a necessidade de seguir as regras sanitárias e regulatórias estabelecidas pela União Europeia.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Comércio Internacional

Trump aumenta importação de carne argentina em 80 mil toneladas para conter alta de preços nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou no último dia 6 um decreto que amplia temporariamente as importações de carne bovina argentina com tarifas reduzidas. A decisão prevê um incremento de 80 mil toneladas métricas na cota de importação de aparas magras do país sul-americano para 2026.

As aparas magras são pequenos cortes com baixo teor de gordura, provenientes do processamento de peças maiores do boi. Segundo o governo, o objetivo da medida é aumentar a oferta de carne moída e baratear o alimento para os consumidores americanos.

Pressão sobre o custo de vida nos EUA

A iniciativa surge em meio a críticas ao governo Trump pelo aumento do custo de vida, tema que influenciou vitórias de candidatos democratas nas eleições de 2025. Os preços da carne bovina atingiram patamares recordes no ano passado, impulsionados pela forte demanda e pela queda na oferta de gado.

“Como Presidente dos EUA, tenho a responsabilidade de garantir que trabalhadores americanos consigam alimentar a si e suas famílias”, declarou Trump em seu decreto, ressaltando que a medida foi discutida com o secretário de Agricultura do país.

Impacto econômico e críticas do setor

Economistas consultados pela Reuters alertam que a ampliação das importações de carne argentina deve ter efeito limitado na redução de preços e que o principal beneficiado pode ser o setor alimentício, e não os consumidores.

O setor pecuário americano já havia se posicionado contra medidas semelhantes e criticou a decisão. A senadora republicana Deb Fischer, de Nebraska, afirmou: “Em vez de importações que prejudicam pecuaristas americanos, deveríamos focar em soluções que reduzam a burocracia, diminuam custos de produção e apoiem a expansão do nosso rebanho”.

Em 2024, os EUA importaram aproximadamente 33 mil toneladas métricas de carne bovina argentina, representando 2% do total de importações. Em 2025, o volume exportado pela Argentina aumentou 38%, totalizando 3.545 TEUs, de acordo com dados da Datamar.

Acordo comercial entre EUA e Argentina

No dia 5 de fevereiro, Estados Unidos e Argentina firmaram um acordo comercial com redução de tarifas e plano recíproco de investimentos. O entendimento também inclui materiais críticos, em alinhamento com a estratégia americana de reduzir a dependência da China.

O acordo prevê cooperação e investimentos em toda a cadeia produtiva argentina — desde a exploração até o processamento e exportação — e abre cotas para produtos estratégicos, incluindo 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos.

O embaixador norte-americano Jamieson Greer afirmou que o acordo representa “um modelo de parceria para países das Américas avançarem em suas ambições econômicas e proteger a segurança nacional”.

Setores estratégicos e investimentos

Além da carne e minerais críticos, o acordo amplia o acesso de investimentos americanos a setores estratégicos da Argentina:

  • Energia: exploração, refino e geração elétrica, com foco em segurança energética.
  • Infraestrutura: telecomunicações, transporte e logística, incluindo construção naval.
  • Tecnologia e comunicações: redes 5G e 6G, satélites e cabos submarinos.
  • Bens de capital: máquinas e equipamentos para construção, agricultura, mineração e saúde.
  • Defesa: comércio e cooperação industrial simplificados.
  • Financiamento: apoio de agências americanas, como EXIM Bank e DFC, em parceria com o setor privado.

Brasil acompanha negociações sobre minerais críticos

Em paralelo, o Brasil participou de reunião nos EUA em 4 de fevereiro, na qual o vice-presidente norte-americano J.D. Vance apresentou a criação de um bloco comercial de minerais críticos. O governo brasileiro avalia se irá aderir à iniciativa, afirmando que eventuais parcerias devem gerar valor agregado e que decisões serão tomadas bilateralmente.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Importação

China suspende importação de carne bovina da Irlanda após confirmação de doença

A China suspendeu a importação de carne bovina da Irlanda após a confirmação de casos da doença da língua azul no rebanho do país europeu. A decisão foi anunciada apenas duas semanas depois de Pequim ter reaberto seu mercado ao produto irlandês, encerrando um bloqueio que já durava mais de um ano.

Detecção da doença aciona alerta sanitário

A confirmação foi feita nesta quarta-feira (28) pelo Ministério da Agricultura da Irlanda. Segundo o órgão, o primeiro foco da doença foi identificado no último sábado em um rebanho localizado no sudeste do país. Após a notificação oficial, as autoridades chinesas informaram que a suspensão das compras entrou em vigor a partir de terça-feira.

Nos dias seguintes, novos casos do vírus da língua azul foram detectados em outros três rebanhos da mesma região, ampliando o alerta sanitário e reforçando a decisão chinesa de interromper temporariamente as importações.

Doença não afeta humanos, mas impacta o comércio

A língua azul atinge bovinos, ovinos e outros ruminantes e é transmitida por insetos. Apesar de não representar risco à saúde humana, a enfermidade provoca restrições sanitárias que afetam diretamente o comércio internacional de carnes, especialmente em mercados rigorosos como o chinês.

Reabertura recente do mercado chinês

A China havia retomado as importações de carne bovina irlandesa no dia 12 de janeiro, durante uma visita oficial do primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, a Pequim. A liberação ocorreu após a revogação de uma proibição imposta em 2024, quando foi registrado um caso de encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como mal da vaca louca, no país.

Governo irlandês tenta reverter decisão

Em comunicado, o ministro da Agricultura da Irlanda, Martin Heydon, classificou a nova suspensão como um revés para o setor. Ele afirmou que o governo mantém diálogo permanente com as autoridades sanitárias chinesas, com o objetivo de conter a disseminação da doença e retomar as exportações o mais rápido possível.

A China é um dos maiores importadores de carne bovina do mundo e ocupa posição estratégica no comércio global do setor, o que torna qualquer restrição sanitária especialmente relevante para países exportadores.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Helena Lopes/Unsplash

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Comércio Exterior

EUA aumentam importação de carne bovina mesmo com tarifas, diz Wesley Batista

Os Estados Unidos não produzem carne suficiente para atender à demanda doméstica e, por isso, precisam recorrer cada vez mais às importações de carne bovina. A avaliação é do empresário Wesley Batista, membro da família controladora da JBS, em entrevista ao Financial Times.

Produção insuficiente e preços recordes

Segundo Batista, a produção americana não consegue acompanhar o consumo em meio ao aumento das dietas ricas em proteína. “Os EUA enfrentam o preço da carne bovina mais alto da história e precisam importar mais e mais porque a produção não é suficiente para sustentar a demanda”, afirmou.

Dados do Departamento do Trabalho dos EUA mostram que, em agosto, o preço médio da libra de carne moída chegou a US$ 6,32, um salto de 13% em um ano.

Importações crescem apesar do tarifaço

Mesmo após a decisão do presidente Donald Trump, em abril, de aplicar tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, as compras externas de carne pelos EUA subiram 30% no primeiro semestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

No caso do Brasil, as exportações para os EUA avançaram 91% até julho, mas registraram queda em agosto, refletindo o impacto das sobretaxas.

Impacto limitado na JBS

Com nove unidades de produção nos EUA, a JBS mantém metade de sua receita global de US$ 77 bilhões no mercado americano. Por isso, as tarifas não têm afetado significativamente o grupo, já que grande parte da carne vendida no país é produzida localmente.

Proteína ganha espaço nas dietas

Batista também associou a alta demanda por proteína ao uso crescente de medicamentos para emagrecimento à base de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro.

“Ninguém sabe exatamente qual é o impacto desses novos remédios, mas algo está acontecendo, porque a proteína virou uma tendência”, disse o empresário.

Levantamento do International Food Information Council confirma a mudança no comportamento alimentar: 71% dos consumidores nos EUA disseram ter aumentado a ingestão de proteína em 2024, frente a 67% em 2023 e 59% em 2022.

Relação Brasil-EUA e negociações comerciais

De acordo com O Globo e Folha de S.Paulo, Wesley Batista foi recebido por Trump semanas antes de o presidente americano sinalizar publicamente abertura ao diálogo com Lula, na Assembleia Geral da ONU.

O empresário teria papel central na aproximação entre os dois governos, em meio às negociações brasileiras para reduzir tarifas e ampliar a lista de isenções — que poderia incluir justamente a carne bovina.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/J&F

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