Comércio

Fim da “taxa das blusinhas” impulsiona compras internacionais e gera alerta na indústria têxtil

O volume de pequenas encomendas internacionais em plataformas de comércio eletrônico registrou um salto expressivo no Brasil após a revogação do imposto sobre compras de até US$ 50, popularmente conhecido como a “taxa das blusinhas”. O tributo, que antes era de 20%, foi zerado por meio de medida provisória convertida em lei em setembro.

De acordo com dados do programa Remessa Conforme analisados pela Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), o impacto no fluxo de mercadorias foi imediato:

  • Média anterior (jan-abr): 15,4 milhões de encomendas e US$ 308 milhões movimentados por mês.
  • Pós-isenção (maio-agosto): O volume saltou para picos de até 28 milhões de pacotes mensais, estabilizando-se acima de 26 milhões.
  • Valores financeiros: Os montantes declarados subiram para uma média mensal de US$ 520 milhões no quadrimestre seguinte.

Comparativo anual e concorrência das plataformas

O crescimento fica ainda mais evidente na comparação anual. Em agosto, as declarações de remessas internacionais alcançaram 26,5 milhões de pacotes — alta de 74% frente aos 15,2 milhões registrados no mesmo mês do ano anterior. Em termos de faturamento, o salto foi de 79%, passando de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões.

O avanço de gigantes asiáticas do e-commerce global acirra a disputa com o varejo e a indústria nacional, que enfrentam um cenário de forte concorrência estrangeira.

O impacto na produção nacional e o alerta da Abit

Diante do crescimento das importações por meio de plataformas de comércio eletrônico, a Abit voltou a cobrar equidade tributária e regulatória. A entidade aponta que os produtos estrangeiros de baixo valor chegam ao consumidor com vantagens competitivas, enquanto a cadeia produtiva local precisa arcar com rigorosos encargos trabalhistas, ambientais, sanitários e de segurança.

A entidade destaca que essa assimetria regulatória, somada à retração do consumo interno, afeta diretamente o mercado têxtil brasileiro:

  • Dados do IBGE indicam quedas de 6,8% na produção têxtil e de 8,2% na confecção em comparação anual.
  • Fábricas relatam redução na produção, corte de postos de trabalho e adiamento de novos investimentos.

Para a associação, o cenário caminha na contramão de outras grandes economias globais que têm endurecido o controle sobre as importações de baixo valor para proteger suas bases produtivas. A entidade reforça que a falta de igualdade fiscal estimula a importação em detrimento da produção interna, transferindo renda, empregos e arrecadação para o exterior.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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