Tecnologia

China pode ultrapassar os EUA na corrida da inteligência artificial? Entenda o cenário atual da disputa global

A indústria de inteligência artificial voltou a discutir quem está na dianteira da tecnologia: China ou Estados Unidos. A polêmica ressurgiu após o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmar recentemente que “a China vai vencer a corrida da IA”, provocando forte reação no setor.

Huang atribuiu a possível vantagem chinesa ao ambiente regulatório mais simples, ao acesso facilitado à energia e ao ritmo acelerado de construção de infraestrutura. Dias depois, porém, ele suavizou a declaração em uma nota publicada no X, dizendo que a China estaria apenas “nanosegundos atrás” dos EUA.

Mesmo com o recuo, a discussão ficou no ar — e especialistas apontam que há motivos concretos para levar a hipótese a sério.

Energia: o novo campo de batalha

Se vencer a corrida da IA depende principalmente da capacidade de construir e abastecer grandes data centers, a China aparece hoje com uma vantagem importante. O país tem histórico de executar projetos gigantescos com rapidez, beneficiado pelo papel central do governo na economia.

Além disso, a energia subsidiada e os trâmites regulatórios simplificados facilitam a operação de estruturas altamente intensivas em consumo elétrico — condição essencial na era da IA generativa.

Nos EUA, o cenário é bem diferente. Custos de energia mais altos, burocracia complexa e uma rede elétrica frequentemente sobrecarregada dificultam expansões rápidas. Há regiões onde empresas de tecnologia constroem até próprias usinas para suprir a demanda.

A situação já afeta grandes players: a Microsoft revelou ter GPUs encalhadas por falta de energia disponível para rodá-las. Para muitos analistas, o fornecimento elétrico será o maior gargalo da próxima década — e Pequim parece estar um passo à frente.

Avanço no código aberto acelera o crescimento chinês

Outro ponto sensível é o domínio crescente da China no código aberto. Um relatório da a16z mostrou que o país já superou os EUA em downloads de modelos de IA open source, um marco classificado como “momento gráfico de caveira”, quando um concorrente não apenas alcança o líder — mas começa a ultrapassá-lo.

Startups como a DeepSeek exemplificam esse avanço. O modelo R1, totalmente aberto, demonstrou alta eficiência e custo reduzido, reforçando a habilidade chinesa de otimizar e escalar soluções rapidamente. Pesquisas da DeepSeek e da Tencent mostram que o país está inovando em métodos alternativos, como compressão de texto em representações visuais e previsões vetoriais contínuas, que podem transformar a eficiência dos modelos.

Há quem acredite que laboratórios ocidentais como OpenAI e Anthropic utilizem conceitos semelhantes de forma discreta, mas as empresas chinesas têm divulgado seus avanços de maneira mais agressiva e transparente.

Afinal, a China já ultrapassou os Estados Unidos?

Ainda não há consenso. Embora os EUA mantenham vantagem em pesquisa de ponta, chips avançados e grandes laboratórios privados, a China demonstra capacidade estratégica para ganhar terreno rapidamente — especialmente ao combinar infraestrutura robusta, energia abundante e escala industrial.

No ritmo atual, analistas afirmam que o país está excepcionalmente bem posicionado para disputar a liderança global em inteligência artificial nos próximos anos.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Yoshikazu Tsuno/Gamma-Rapho/Getty Images/The New York Times Licensing Group

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Tecnologia

Jeff Bezos alerta para bolha na inteligência artificial, mas prevê benefícios gigantescos

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, afirmou que o atual movimento de investimentos em inteligência artificial (IA) tem características de uma “bolha industrial”. Apesar disso, ele acredita que os avanços tecnológicos resultantes desse período trarão benefícios significativos para a sociedade.

“É uma bolha, mas a IA é real”

Durante participação na Italian Tech Week, em Turim, Bezos disse que os preços de ações ligados ao setor estão se tornando “desconectados dos fundamentos”, um comportamento típico de bolhas financeiras. Segundo ele, esse entusiasmo exagerado dificulta para os investidores diferenciarem boas e más ideias.

Ainda assim, o bilionário reforçou que a IA é real e terá impacto em todos os setores da economia. “As bolhas industriais não são tão ruins. Quando a poeira baixa e vemos quem são os vencedores, a sociedade se beneficia dessas invenções. Isso vai acontecer aqui também”, afirmou.

Exemplos históricos: biotecnologia e bolha pontocom

Bezos comparou o atual momento com a bolha das empresas de biotecnologia nos anos 1990 e a bolha pontocom no início dos anos 2000. Embora muitos negócios tenham falido e investidores perdido dinheiro, esses períodos também impulsionaram transformações duradouras, como medicamentos que salvaram vidas e a infraestrutura tecnológica que sustenta a internet atual.

Outros executivos também alertam

O discurso de Bezos ecoou declarações de outros líderes do setor financeiro e tecnológico. David Solomon, CEO do Goldman Sachs, afirmou no mesmo evento que o “frenesi” da IA pode levar a uma correção do mercado entre 2026 e 2027, após os recordes de captação de capital.

Para ele, sempre que há aceleração tecnológica, investidores tendem a exagerar nas expectativas, ignorando riscos relevantes. “Haverá uma redefinição. Em algum momento, o mercado vai cair. A intensidade disso dependerá de quanto tempo durar essa alta”, disse Solomon.

Sam Altman também vê exageros

O CEO da OpenAI, Sam Altman, tem opinião semelhante. Em agosto, ele destacou que muitas startups de IA estão recebendo avaliações de mercado irreais, mesmo com pouca estrutura. “É insano ver empresas com três pessoas e uma ideia captando rodadas bilionárias. Isso não é racional. Alguém vai se queimar”, comentou.

Apesar das críticas, Altman reconheceu que toda bolha tem um fundo de verdade e que o entusiasmo costuma acelerar avanços que, no longo prazo, deixam contribuições duradouras.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Tecnologia

Programa gratuito de Inteligência Artificial vai capacitar 10 mil mulheres no Brasil

Iniciativa busca inclusão no mercado de tecnologia

A inteligência artificial (IA) é uma das competências mais valorizadas atualmente e pode abrir portas para oportunidades de trabalho em diferentes áreas, garantindo melhores salários e competitividade. Pensando nisso, a edtech Prosper Digital Skills lançou no Brasil o Potenc.IA, programa gratuito que pretende capacitar 10 mil mulheres em inteligência artificial.

Três trilhas de aprendizado em IA

O curso tem duração de quatro semanas e oferece três níveis de formação — iniciante, intermediário e avançado — definidos a partir de uma avaliação inicial.
Durante a jornada, as participantes terão acesso a conteúdos sobre fundamentos da IA, criação de prompts, análise de dados e desenvolvimento de projetos práticos. O programa também inclui mentorias semanais e desafios aplicados, garantindo aprendizado teórico e prático.

Quem pode participar

Para se inscrever, é necessário:

  • Ter mais de 16 anos;
  • Estar em situação de vulnerabilidade social;
  • Ter cerca de três horas semanais disponíveis para os conteúdos assíncronos.

Não é exigida experiência prévia em tecnologia ou inteligência artificial.

Apoio de grandes empresas

A iniciativa conta com a parceria de mais de 50 companhias, entre elas Magalu, Elo, B3, Vale e Grupo OLX, reforçando o compromisso do setor privado com a inclusão digital e a formação de novas profissionais.

Inscrições abertas

As primeiras turmas têm início em outubro de 2025, com previsão de seis grupos até março de 2026. As inscrições já estão abertas aqui e seguem até o preenchimento total das vagas.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: metamorworks/Getty Images

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Inovação, Tecnologia

IA pode elevar valor do comércio global em quase 40% até 2040, diz OMC

A inteligência artificial pode aumentar o valor do comércio de bens e serviços em quase 40% até 2040, mas sem políticas adequadas também pode exacerbar as divisões econômicas, alertou um novo relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta quarta-feira.

Custos comerciais mais baixos e maior produtividade podem gerar aumentos substanciais no comércio e no Produto Interno Bruto (PIB) até 2040, com projeções de ganhos de 34% a 37% em vários cenários, de acordo com o Relatório de Comércio Mundial da OMC.

O PIB global também pode aumentar em 12% ou 13%, disse.

“A IA pode ser um ponto positivo para o comércio em um ambiente comercial cada vez mais complexo”, disse a vice-diretora-geral da OMC, Johanna Hill, comentando o relatório anual que analisa tendências no sistema comercial multilateral.

Reconhecendo a turbulência atual no sistema comercial mundial, Hill observou que a IA estava remodelando o futuro da economia global e do comércio internacional, com o potencial de reduzir os custos e aumentar a produtividade.

As regras do comércio global, regidas pelo órgão de fiscalização sediado em Genebra, enfrentaram grandes interrupções neste ano após uma série de tarifas impostas pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump.

O relatório destacou como as empresas podem reduzir custos em logística, conformidade regulatória e comunicações.

“As tecnologias de tradução baseadas em IA podem tornar a comunicação mais rápida e econômica, beneficiando particularmente pequenos produtores e varejistas, permitindo que eles se expandam para mercados globais”, afirma o relatório.

Esses avanços poderiam ajudar a aumentar o crescimento das exportações em países de baixa renda em até 11%, desde que melhorassem sua infraestrutura digital.

No entanto, o relatório alertou que, sem investimentos direcionados e políticas inclusivas, a IA poderia aprofundar as divisões existentes.

“Os efeitos do desenvolvimento e da implantação da IA estão levantando preocupações de que muitos trabalhadores, e até mesmo economias inteiras, podem ficar para trás”, disse o relatório.

A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, disse que os formuladores de políticas precisam gerenciar cuidadosamente a transição para a IA.

“A IA pode revolucionar os mercados de trabalho, transformando alguns empregos e substituindo outros. Gerenciar essas mudanças exige investimento em políticas nacionais para aprimorar a educação, as habilidades, a reciclagem profissional e as redes de segurança social”, disse ela durante o evento de lançamento do relatório em Genebra.

Para garantir que os benefícios da IA fossem amplamente compartilhados, o comércio previsível apoiado pelas regras da OMC e tarifas mais baixas sobre matérias-primas essenciais para tecnologias de inteligência artificial, incluindo semicondutores, eram cruciais, acrescentou a OMC.

Fonte: Terra

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Tecnologia

Brasil supera média global de uso de IA para gestão de transporte, aponta pesquisa

Estudo entrevistou empresas de varejo em todo o mundo e traçou um comparativo de adoção e intenção de incluir IA nos processos cotidianos

O varejo brasileiro está na dianteira da adoção de inteligência artificial (IA) para gestão de transporte. É o que aponta a pesquisa Global TMS Research, realizada pela Manhattan Associates em parceria com a consultoria internacional Vanson Bourne. Conforme o levantamento, 43% responderam que as empresas no Brasil já utilizam IA e aprendizado de máquina em seus sistemas de gerenciamento de transporte (TMS).

O índice supera a média global de 37%, indicando que o País avança mais rápido na automação e na inteligência aplicada à logística.

O estudo ouviu 1.450 executivos sêniores de transporte, logística, TI, cadeia de suprimentos e finanças em empresas com receita anual global mínima de US$ 750 milhões. Aliás, setores como manufatura, varejo, atacado, bens de consumo, supermercados e alimentos e bebida fizeram parte da pesquisa. No Brasil, 75 pessoas foram entrevistadas.

Aplicações práticas da IA para gestão de transporte

De acordo com Stefan Furtado, gerente regional da Manhattan Associates no Brasil, o uso da tecnologia já faz parte da operação logística de grandes empresas. Inicialmente, a IA era utilizada para otimizar a capacidade de servidores em períodos de pico, como Black Friday e Natal. Hoje, ela está integrada ao coração da operação.

“Nos sistemas TMS, a IA permite simular milhares de rotas possíveis para uma entrega, escolhendo a opção mais eficiente, com menor consumo de combustível e menor emissão de poluentes. Também ajuda dentro dos centros de distribuição, na organização do picking de produtos, garantindo maior produtividade e menos erros”, explica o gerente.

O especialista cita ainda o avanço dos agentes autônomos de IA, que começam a chegar ao mercado e prometem oferecer apoio direto a gestores de logística. “Será possível perguntar em tempo real ao sistema como está a expedição ou onde há mão de obra ociosa, recebendo respostas imediatas e recomendações práticas”, afirma Furtado.

Criatividade brasileira como diferencial

O Brasil aparece à frente da média global também em expectativas futuras. Conforme a pesquisa, 70% das empresas nacionais já se dizem preparadas para operar com agentes autônomos de IA até 2030. No índice global, esse sentimento aparecer em 62% das respostas. Para Furtado, essa liderança se explica tanto pela pressão do ambiente de negócios, como o volume de burocracia, quanto pelo perfil inovador das companhias brasileiras.

“Somos um país burocrático e com dificuldade de contratação de mão de obra qualificada. A busca por produtividade e a necessidade de fazer mais com menos empurram o mercado para soluções tecnológicas. Além disso, o brasileiro tem uma criatividade natural para superar obstáculos, e isso também se reflete no uso profissional da IA”, analisa.

Sustentabilidade e redução de custos

Globalmente, 62% das empresas já implementaram relatórios de sustentabilidade corporativa, de acordo com o estudo. Porém, no Brasil, o índice chega a 76%. Além disso, 39% das companhias nacionais consideram a sustentabilidade no planejamento operacional, acima da média global de 34%.

Na prática, a IA ajuda a reduzir emissões por meio da otimização de rotas e melhor aproveitamento da capacidade dos caminhões. “Antes, um veículo fazia entregas com metade da carga. Com IA, conseguimos otimizar a cubagem e as rotas, diminuindo o número de caminhões necessários e, consequentemente, o impacto ambiental”, afirma Furtado.

Desafios do uso da IA para gestão do transporte

Apesar do avanço, 55% das empresas brasileiras relatam falta de conhecimento e habilidades internas em IA. Enquanto isso, 48% enfrentam dificuldades de integração aos sistemas existentes e 43% apontam problemas de qualidade e disponibilidade de dados. Esses percentuais são semelhantes aos desafios enfrentados por outros países.

Mesmo assim, a confiança no potencial da tecnologia é alta. Isso porque 89% das empresas brasileiras acreditam que conseguirão reduzir custos de frete em pelo menos 5% nos próximos cinco anos com tecnologias preditivas, acima da média global de 82%.

“O desafio não é apenas adotar IA, mas garantir que ela esteja no coração da estratégia de transporte, gerando resultados tangíveis e sustentáveis”, defende Furtado.

Fonte: Mobilidade Estadão

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Evento, Portos

InovaPortos 2025 atraiu mais de 700 pessoas em dois dias de evento sobre Transformação Digital e IA

Mais de 700 pessoas passaram pelo InovaPortos 2025 durante os dois dias de evento, realizado pelo Porto do Itaqui em parceria com o Sebrae Maranhão. A 6ª edição, ocorrida nos dias 17 e 18 de junho no Multicenter Sebrae, reafirmou o evento como um dos principais fóruns de inovação portuária do país ao reunir especialistas, autoridades, startups e estudantes em torno de um tema central: como a inteligência artificial e a transformação digital estão moldando o presente e o futuro dos portos brasileiros.

“Finalizamos o evento com a sensação de dever cumprido. Além das principais autoridades portuárias do Brasil, do Ministério de Portos e Aeroportos, da Antaq e das mais diversas empresas, nós conseguimos reunir diferentes atores da sociedade para falar de inovação, de tecnologia e de transformação digital nos portos. Foi histórico!”, destacou a presidente em exercício do Porto do Itaqui, Isa Mary Mendonça.

Com uma programação intensa, o evento promoveu palestras, painéis temáticos, apresentações institucionais, estandes de empresas e até um torneio de robótica com a participação de alunos da rede pública e privada do Maranhão. A proposta foi clara: conectar diferentes gerações e setores em torno da inovação, desde a educação básica até os tomadores de decisão na gestão portuária.

Entre os destaques, estiveram nomes como Arthur Igreja, um dos principais palestrantes brasileiros na área de inovação e tecnologia, que marcou presença no primeiro dia de evento para falar sobre transformação digital com IA, os impactos na produtividade e os efeitos nas organizações ao longo do tempo.

IA, Porto 4.0 e robótica em foco 

No primeiro dia de programação, o Inova discutiu as tendências da IA na indústria e logística, com representantes da Transpetro, Vale, Eletrobras e ANTAQ. Houve ainda um painel direcionado a “Startups e Governo”, que discutiu o Marco Legal das Startups e a Lei do Bem, além do Torneio de Robótica, com participação de estudantes de escolas públicas e privadas do Maranhão.

Ao longo da tarde, a Caravana da Inovação do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) trouxe o diretor de políticas setoriais, planejamento e inovação do MPor, Tetsu Koike, seguido de painéis sobre o trabalho portuário na era 4.0, pitches de startups, inovação social e governança do ecossistema de inovação.

Durante sua fala, Koike ressaltou a importância de engajar agentes públicos e privados, fortalecer a cultura de inovação e buscar novas formas de financiamento contínuo. Ele também apresentou iniciativas do MPor como o Programa Navegue Simples e a Política de Sustentabilidade, que abrangem diversos modais logísticos. “O porto organizado é um bem público. Ele cumpre uma função essencial e estratégica para o Brasil”, comunicou.

Conexões 

Além das palestras e painéis, o Inova contou com estandes de várias empresas, pesquisadores, estudantes e do programa de Residência Portuária em Inovação do Itaqui. Todos apresentaram seus projetos e produtos inovadores a quem passou pelo evento.

O Torneio de Robótica foi outro diferencial do fórum ao envolver estudantes do ensino básico em projetos de tecnologia aplicada ao setor portuário. A professora Hellen Xavier, que veio de São Paulo para participar do evento, elogiou a iniciativa.

“Parabéns por terem trazido jovens para exporem seus projetos de robótica. Isso aproxima a academia do mercado de trabalho, inspira novas gerações e ajuda a trazer inovação, tecnologia e soluções.  Também parabenizo os organizadores, que convidaram profissionais de mercado para debater e trazer ideias em palestras que se complementaram”, destacou a professora.

Já o jovem pesquisador Davi Guimarães, que participa de uma pesquisa financiada pelo Porto do Itaqui sobre ROV Marinho, apresentou o modelo “Manta”, um veículo autônomo para batimetria no porto. “O InovaPortos foi uma oportunidade incrível para fazermos contatos com diversas empresas e de confirmar o nosso compromisso com a entrega do projeto”, destacou o pesquisador.

Evolução da Inovação no setor portuário 

Para Angelino Caputo, presidente-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA), o InovaPortos cumpre um papel essencial. “Normalmente, as empresas e as entidades são um pouco conservadoras, chegam até a ter um pouco de medo de inovação. Então o Inova vem cobrir essa lacuna. Eu, sempre que posso, participo”, opinou.

Roberto Paveck, economista da autoridade Portuária de Santos, explicou que a sexta edição do InovaPortos representou um ponto de evolução da inovação no contexto portuário. “Participo desde a primeira edição do Inova e pude ver a evolução desse projeto no porto com grandes transformações ao longo dos anos”, comentou o economista.

Inovação com talentos locais 

O segundo e último dia de evento foi aberto com a palestra do Eduardo Peixoto, CEO do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), que compartilhou a jornada do Centro como catalisador de inovação aberta no Brasil.

Em seguida, houve as apresentações dos painéis sobre Port Community System (PCS) e a gestão portuária baseada em dados; Smart Ports, com foco em IA, IoT e automação; Inovações na indústria e logística, com cases do Grupo Mateus, Suzano e CLI e Hubs de inovação. Para finalizar, o evento trouxe cases de sucesso em portos brasileiros, com experiências de Itapoá, Santos, Suape e Itaqui.

Sobre o Porto do Itaqui, o gerente de pesquisa, desenvolvimento e inovação, Gabriel Mateucci Cassia, apresentou um panorama das principais iniciativas inovadoras em andamento, com destaque para o Programa de Residência Portuária em Inovação. Pioneiro no Brasil, o programa reúne jovens talentos maranhenses para atuarem diretamente em desafios reais do setor logístico-portuário, desenvolvendo soluções práticas e estratégicas para a modernização e a eficiência das operações no porto.

“A missão do nosso programa é contribuir com a transformação do Maranhão em um hub de conhecimento do setor portuário. E a gente faz isso a partir da formação da mão de obra local e oferecendo, à população maranhense, a possibilidade de se integrar ao nosso complexo portuário”, enfatizou.

Prêmio Porto do Itaqui 

O InovaPortos foi encerrado em clima de celebração com a entrega do Prêmio Porto do Itaqui, que homenageou iniciativas maranhenses de destaque em sete categorias.  Os vencedores que conquistaram o primeiro lugar foram:

  • Produção Acadêmica
    Alexsandro Sousa Brito (UFMA)
    Estudo sobre a atividade portuária e o emprego no Maranhão.
  • Jornalismo
    Linda Rafaelly Rodrigues dos Santos (TV UFMA)
    Reportagem sobre o protagonismo feminino na logística portuária.
  • Redação
    Isadora Correa Nogueira (CEMAT)
    Texto sobre privacidade de dados na era digital.
  • Empresa Inovadora
    Gabriela Colonhese (Ultracargo)
    Projeto de inspeção e limpeza robotizada de tanques.
  • Robótica
    IEMA Itaqui-Bacanga
    Projeto “WearSafe: Tecnologia Assistiva e IoT do Porto do Itaqui”.
  • Hackathon do Complexo Portuário Maranhense
    Equipe 19, liderada por Maria Eduarda Rezzo
    Solução voltada à inovação em Equipamentos de Proteção Individual para trabalhadores portuários.

A lista completa dos vencedores de todas as categorias está disponível em: https://www.fapema.br/edital-fapema-emap-no-07-2025/ .

Você pode assistir a programação completa do InovaPortos pelo canal do YouTube do Porto do Itaqui: https://www.youtube.com/watch?v=tvIMdFUI910 .

Fonte: Informativo dos Portos

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Inovação, Mercado de trabalho, Tecnologia

Empresas querem funcionários que se adaptem à inteligência artificial, diz estudo

Pesquisa ouviu 2 mil organizações de 13 países e 17 setores econômicos; confira dicas para companhias e trabalhadores se aproximarem desta ferramenta

Uma pesquisa com 2 mil empresas de 13 países revela que 60% esperam que seus colaboradores atualizem suas habilidades para se adaptar à inteligência artificial.

Apesar disso, apenas 30% dos executivos destas companhias participaram de treinamentos em IA no último ano, evidenciando um descompasso entre discurso e prática.

O estudo, conduzido pelo Grupo Adecco, empresa suíça de gestão de recursos humanos, também mostra que 34% das organizações não têm políticas claras sobre o uso da tecnologia no ambiente de trabalho.

“A transformação impulsionada pela IA deve ser centrada nas pessoas e exige estratégia unificada. Para que as organizações permaneçam competitivas, os líderes devem alinhar uma visão compartilhada, começando por preencher a lacuna entre talento e tecnologia”, diz Denis Machuel, CEO do Grupo Adecco.

As organizações classificadas como “preparadas para o futuro” têm pontos em comum: 65% adotam força de trabalho baseada em habilidades, 71% confiam em suas estratégias de implementação de IA e 64% relatam que o uso da tecnologia pela liderança melhora a tomada de decisões.

DICAS

A partir do estudo, a Indústria News reuniu dicas para empresas e trabalhadores que ainda não usam IA se aproximarem dela.

➤ Empresas

1. Mapeie oportunidades de uso da IA internamente – Avalie onde a tecnologia pode reduzir custos, aumentar produtividade ou melhorar decisões.

2. Invista na formação da liderança – Os gestores devem entender o potencial e os riscos da IA para orientar suas equipes.

3. Crie políticas claras sobre uso de IA – Defina limites, responsabilidades e diretrizes para o uso ético da tecnologia.

4. Estimule uma cultura de aprendizagem contínua – Capacite os times e valorize quem busca se atualizar.

5. Comece com projetos-piloto – Implante a IA de forma gradual, com testes em áreas específicas, medindo resultados antes de escalar.

➤ Trabalhadores

1. Aprenda o básico – Plataformas como Coursera e até o YouTube oferecem cursos introdutórios gratuitos.

2. Foque em IA aplicada à sua área – Busque exemplos de uso da IA no seu setor; isso facilita a relação com a tecnologia.

3. Participe de comunidades online – Fóruns, newsletters e grupos no LinkedIn ajudam a acompanhar tendências.

4. Adote ferramentas de IA no dia a dia – Use IA para atividades de lazer, como modificações de foto para redes sociais, e de trabalho, como recriar ou gerar tabelas

Fonte: FIESC

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Internacional, Mercado Internacional, Tecnologia

Amcham e Fazenda realizam encontro empresarial sobre oportunidades em tecnologia e IA entre Brasil e EUA

Agenda reuniu CEOs e altos executivos de empresas de Data Centers para discutir oportunidades entre os dois países

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou nesta terça-feira (6/5) de café da manhã com empresas e fundos globais de tecnologia, em Palo Alto, Califórnia. A mesa redonda “Breakfast Roundtable with Brazil’s Minister of Finance”, promovida pela Amcham Brasil, em parceria com o Ministério da Fazenda, reuniu mais de 40 representantes de empresas líderes em infraestrutura digital para discutir perspectivas e caminhos de cooperação no setor de tecnologia, data centers e inteligência artificial no Brasil.

O encontro foi realizado no contexto do lançamento da nova Política Nacional de Data Centers, apresentada pelo ministro Fernando Haddad durante missão oficial aos Estados Unidos. A iniciativa integra o plano de crescimento sustentável do governo brasileiro — o Novo Brasil — e busca consolidar um ambiente moderno, seguro e eficiente para o desenvolvimento da infraestrutura digital, com foco em inovação, sustentabilidade e competitividade.

O ministro destacou a importância da reforma tributária brasileira que vai levar o Brasil para os 10 melhores sistemas tributários do mundo e totalmente digitalizado. Nesse contexto, Haddad falou sobre o Plano de Transformação Ecológica, guarda-chuva da Nova Política Nacional de Data Centers do Governo Federal.

“Estamos construindo uma política pública robusta, com base em diálogo com o setor privado, para garantir previsibilidade, eficiência energética e segurança jurídica aos investidores. O Brasil reúne atributos únicos, como matriz energética limpa, capacidade técnica instalada e vocação para o crescimento digital”, afirmou o ministro. Segundo ele, a nova política para data centers está alinhada com os compromissos do país com a transição verde e a digitalização da economia.

O diretor de Políticas Públicas e Relações Governamentais da Amcham Brasil, Fabrizio Panzini, reforçou: “Tecnologia e infraestrutura digital representam uma agenda ganha-ganha para Brasil e EUA, com geração de empregos e produção de alto valor agregado. O Brasil já é destino relevante de investimentos no setor e possui vantagens competitivas como matriz energética limpa, marcos legais recentes e perspectivas robustas de crescimento. Nosso papel é contribuir para que o ambiente regulatório acompanhe essa ambição”, reforçou.

Participaram do evento representantes de empresas provedoras de serviços de dados em nuvem e de fundos de investimentos em tecnologia, entre elas, ABDC, Ascenty, AWS Brasil, Brasscom, CloudHQ, Data Center Platform, Digital Bridge, Elea Data Center, Equinix, Global Compute Infrastructure, Google, Meta, Miscrosoft, Nvidia, Scala Data Center, Schneider Electric, Takoda Data Centers, Tecto e Vertiv.

A agenda contou ainda com a presença do assessor especial do Ministério da Fazenda Igor Marchesini, responsável técnico do ministério pela formulação da Política Nacional para Data Centers.

A Amcham Brasil é a maior Câmara Americana de Comércio entre as 117 existentes fora dos Estados Unidos, reunindo aproximadamente 3.500 empresas associadas, que juntas representam cerca de um terço do PIB brasileiro. A entidade atua como ponte entre o setor público e o privado, promovendo diálogo qualificado sobre competitividade, comércio e desenvolvimento econômico.

Fonte: Ministério da Fazenda


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Comércio Exterior, Inovação, Logística, Notícias, Tecnologia

Robôs humanoides: o futuro tem rosto humano? 

Muito além da ficção, os robôs humanoides são projetados para imitar a forma, os gestos e até as emoções humanas. Seu objetivo é facilitar a interação com pessoas em diversos contextos, e foram os grandes destaques da Canton Fair, na China. E o RêConectaNews, que sempre apresenta tendências de mercado, trouxe para a Intermodal South America na sua versão mais atualizada simultaneamente.

Antes que robôs humanoides começassem a ganhar espaço no mundo real, eles marcaram o imaginário de gerações inteiras — especialmente através da cultura pop. Um dos exemplos mais marcantes foi Small Wonder, conhecido no Brasil como Super Vicki. O seriado exibido originalmente entre 1985 e 1989 pelo canal ABC, apresentava Vicky, uma androide com aparência de uma menina de 10 anos, criada por um engenheiro de robótica para viver com sua família como se fosse uma filha. Com 96 episódios a série encantou, com humor e afeto, a curiosa convivência entre humanos e máquinas.  

Muito além da ficção, a ideia de robôs com traços humanos hoje deixa de ser apenas entretenimento para se tornar uma realidade cada vez mais próxima — e surpreendentemente possível. Chamados de robôs humanoides, essas máquinas são projetadas para se assemelhar ao corpo humano em forma e comportamento. Eles podem ter braços, pernas, tronco, cabeça e até expressões faciais. Seu objetivo é facilitar a interação com pessoas, imitando gestos, falas e até emoções. 

Os humanoides foram as grandes novidades e são o que há de mais moderno em tecnologia. Eles foram destaque na Canton Fair também conhecida como Feira de Importação e Exportação da China, considerada a maior feira multissetorial do mundo, realizada duas vezes por ano na cidade de Guangzhou. É um evento de grande importância para empresas e investidores que buscam expandir seus negócios e se conectar com o mercado global. 

Como surgiram os robôs humanoides? 

O conceito de máquinas com forma humana é antigo e surgiu no século XVIII. No entanto, os robôs humanoides modernos começaram a ganhar forma no século XX, com o avanço da robótica e da inteligência artificial. 

O primeiro robô humanoide funcional, chamado WABOT-1, foi desenvolvido no Japão em 1973. Ele podia andar, conversar em japonês básico e até pegar objetos com as mãos. Desde então, a evolução tecnológica permitiu o surgimento de humanoides cada vez mais sofisticados — como a famosa Sophia, que ganhou cidadania na Arábia Saudita em 2017. 

Por que estão sendo cada vez mais usados? 

Recentemente, a China deu mais um passo significativo nessa direção. Segundo matéria publicada pela Exame, a China está investindo fortemente em pesquisas e aplicações de humanoides em setores como: 

  • Fabricação inteligente: robôs operando lado a lado com humanos em linhas de produção; 
  • Serviços: humanoides atuando como recepcionistas, garçons ou assistentes em hotéis e restaurantes; 
  • Educação e saúde: robôs que auxiliam no cuidado de idosos ou ajudam no ensino de crianças; 
  • Entretenimento e varejo: presença em lojas, feiras tecnológicas e eventos interativos. 

IMAGEM: Reprodução Internet 

Como prova desse avanço tecnológico, a China recentemente celebrou o Ano Novo Chinês com uma apresentação impressionante que viralizou nas redes e na mídia tradicional. Na noite do dia 28 de janeiro, cerca de 16 robôs humanoides da Unitree subiram ao palco para dançar em um espetáculo transmitido pela rede estatal CCTV

A performance teve direção artística de Zhang Yimou, cineasta aclamado pelo premiado “Lanternas Vermelhas”, e contou com a participação de engenheiras da fábrica de Hangzhou, referência em tecnologia robótica no país. 

Cada robô — modelo H1, apelidado de Fu Xi (em homenagem a um imperador lendário da China) — utilizou inteligência artificial para seguir o ritmo da música com precisão. Para garantir a interação segura com as dançarinas humanas, os robôs estavam equipados com tecnologia LiDAR, permitindo um mapeamento de 360 graus do espaço ao redor. 

Durante a apresentação, os humanoides surpreenderam ao manipular com exatidão lenços coloridos, fazendo movimentos complexos e sincronizados. As dançarinas humanas também imitaram os gestos das máquinas, criando um espetáculo que simbolizou a harmonia entre tecnologia e humanidade. 

Tendência mundial 

Mas não é apenas a China que se destaca nesse “novidade”. A Mercedes-Benz, por exemplo, já anunciou que nos próximos cinco anos o robô Apollo entrará oficialmente em ação nas fábricas da montadora. Durante uma demonstração em Berlim, o Apollo cumprimentou jornalistas, realizou tarefas simples e mostrou como é treinado remotamente por humanos até que sua inteligência artificial aprenda a executá-las de forma autônoma. Segundo Jörg Burzer, chefe de produção da Mercedes, até 2030 veremos pelo menos alguns desses robôs em operação nas linhas de montagem, executando tarefas pesadas e perigosas.  

IMAGEM: Reprodução Internet 

Segundo reportagem publicada no site Motor1.com, para a diretora de informações da Mercedes, Katrin Lehmann, a IA permitirá que os humanos se concentrem em atividades mais criativas e de maior valor. E a Mercedes não está sozinha nessa corrida tecnológica: Tesla, BMW, Magna, Chery, BYD, Geely, Nio, Volvo e Xpeng Motors também estão investindo pesado em robôs humanoides como Optimus, Figure 01, Phoenix, Mornine, Argos, Walker S1 e Iron.  

Um futuro cada vez mais robótico? 

Embora o uso de robôs humanoides ainda enfrente desafios — como altos custos, limitações técnicas e questões éticas — seu crescimento é inevitável. Com os avanços em inteligência artificial, visão computacional e redes 6G, é provável que os humanoides estejam cada vez mais presentes no nosso cotidiano. 

De acordo com a Goldman Sachs Research, o mercado de robôs humanoides está projetado para atingir cerca de US$ 38 bilhões até 2035, um crescimento expressivo em comparação à estimativa anterior de US$ 6 bilhões. Esse avanço de seis vezes reflete tanto os rápidos progressos tecnológicos quanto a crescente aceitação do uso desses robôs em diversos setores. A estimativa é que 1,4 milhão de unidades sejam entregues até 2035. Essa expansão é impulsionada, em parte, pela significativa redução nos custos de produção, que caíram de uma faixa entre US$ 50 mil e US$ 250 mil por unidade em 2023 para valores entre US$ 30 mil e US$ 150 mil, em 2024.  

Se antes eles habitavam apenas o imaginário da ficção, agora caminham — literalmente — ao nosso lado, prontos para transformar a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. 

RêBot visitando a Intermodal South America

Batizado de RêBot, o humanoide de 1,40m de altura e com mais de 60Kg, chama atenção de comunidade de comércio exterior e logística, na maior feira das américas. A intenção é de CONECTAR o Brasil com as tendências de mercado que estão acontecendo lá na China durante a Canton Fair, simultaneamente. As principais tendências tecnológicas para o futuro incluem a Inteligência Artificial (IA), Realidade Aumentada (RA), Realidade Virtual (RV), cibersegurança, Internet das Coisa (IoT) automação e Robótica.

Por Daiana Brocardo.

FONTES de Pesquisa:
https://exame.com/tecnologia/china-impulsiona-uso-de-robos-humanoides-em-diversos-setores/ 

https://www.tudocelular.com/seguranca/noticias/n231238/china-ano-novo-chines-evento-robos-dancantes.html

https://www.universal-robots.com/br/blog/rob%C3%B4s-humanoides-na-ind%C3%BAstria-uma-realidade-imposs%C3%ADvel-ou-pr%C3%B3xima

https://pt.wikipedia.org/wiki/Small_Wonderhttps://motor1.uol.com.br/news/754408/robos-humanoides-fabrica-mercedes

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Daryl Lee: “Estamos no negócio, não no culto à criatividade”

CEO do McCann Worldgroup comenta sobre a fusão do Omnicom e IPG, opina sobre uso da IA na criatividade e discorre sobre práticas de DE&I na empresa, entre outros

Após um 2024 de redefinição e fortalecimento para o McCann Worldgroup, os próximos anos podem trazer oportunidades inéditas para o grupo – graças à união de forças proporcionada pela fusão entre o Omnicom e o Interpublic Group. Para Daryl Lee, CEO do McCann Worldgroup, o negócio – uma vez finalizado – pode ser traduzido em mais ferramentas para atender às demandas dos clientes.

Lee assumiu a presidência do grupo em 2022, após ocupar a cadeira de CEO global da IPG Mediabrands em 2019. Além disso, já respondeu por CSO global da McCann Erickson e CEO global da Universal McCann.

Em passagem ao Brasil, o executivo traça suas perspectivas para a fusão, comenta sobre o status atual do uso da inteligência artificial no grupo, novas áreas que estão sendo exploradas, como a do marketing de influência, entre outros.

Acordo Omnicom-IPG

“Fazer parte de uma holding líder nos proporciona mais recursos, mais investimento, mais tecnologia, mais ferramentas e mais acesso a pessoas do entretenimento, da cultura e do esporte. Isso significa que podemos oferecer ainda mais para nossos clientes. Isso me entusiasma porque, todas as manhãs, acordamos na McCann e no McCann Worldgroup pensando em como podemos ajudar as marcas a fazerem coisas maiores, que as tornem únicas e duradouras no mundo. E um campo de jogo maior significa mais possibilidades. Estou muito animado com isso, e todos os nossos clientes nos perguntam: ‘O que isso significa para a McCann?’. Minha resposta é que teremos mais ferramentas para trabalhar, e eles acham isso ótimo.Comissão pede mais informações sobre acordo entre Omnicom e IPG

À medida que nos aproximamos da colaboração com o Omnicom, tudo isso se tornará mais concreto. Teremos acesso a tecnologias inovadoras em produção, dados e audiência, o que é muito empolgante, mas ainda não sabemos exatamente quais serão essas tecnologias”.

A IA no dia a dia

“Acho a IA extremamente interessante. Ela pode nos ajudar a criar mundos que antes nem imaginávamos. Há muito poder nessa nova ferramenta para a criatividade, mas antes de usá-la, é preciso que as pessoas valorizem a criatividade. A IA não pode substituí-la.

As marcas que realmente valem a pena proteger nesta indústria são aquelas que sinalizam ao mundo que somos sobre criatividade. Estamos no negócio, não no culto à criatividade. Não somos uma ONG, nem uma comunidade de artistas. Não fazemos isso apenas pelo amor à estética. Usamos arte para vender. Criamos marcas que atraem consumidores e os fazem comprar mais produtos, para que essas marcas possam reinvestir em novos produtos – e nós possamos vendê-los”.

Mídia no Brasil

“Tenho visto muita evolução. Acho que este é um mercado extremamente criativo – e digo isso em todos os sentidos da palavra. Acredito que a mídia tem liderado a inovação em performance. Antes, a mídia oferecia muitas métricas, mas nem sempre agregava valor real. Havia muitas métricas de eficiência, muitos dados digitais, mas nem sempre uma visão clara do impacto.

O que tenho observado – e especialmente o que vi neste escritório – é uma abordagem diferente: enxergar a mídia como uma ferramenta para alcançar públicos de crescimento. Como usamos ciência, dados primários, nossos próprios dados e informações de propriedades de mídia para construir uma visão de onde o crescimento da marca virá? Não apenas da mídia em si, mas do público. E a partir disso, como encontramos esse público nos canais de mídia certos?

O aspecto mais empolgante desse momento é a conexão da mídia com o comércio. Falamos muito sobre social commerce, mas eu gosto de chamar de brand commerce. Somos sobre a verdade, não sobre tendências passageiras. No fim das contas, comércio é comércio – o lugar onde a compra acontece não importa tanto quanto o ecossistema que nos permite entender quem é o consumidor, como ele interage com a marca, quais produtos busca, o que compra e o que recompra. Antes, esse tipo de inteligência era fragmentada, baseada em pesquisas, modelos e suposições. Agora, conseguimos medir tudo isso de forma integrada”.

“O McCann Worldgroup sempre foi sobre inclusão consciente, essa é uma afirmação muito poderosa, porque trata-se de criar um ambiente de trabalho onde todos se sintam incluídos. Não há um grupo de dentro e nem um grupo de fora. Não é sobre ‘homens brancos heterossexuais estão dentro e todo o resto está fora’ ou o contrário. Todos estão inclusos.

E essa inclusão não acontece por acaso – é um processo consciente. Não é fácil. Todos carregamos bagagens e vieses. Naturalmente, buscamos pessoas parecidas conosco. Às vezes isso se manifesta pela orientação sexual, gênero ou raça, mas também pode ser pelo jeito de se vestir, pelo modo de falar, pela cidade de onde viemos ou se viemos do interior. Somos seres humanos, e a verdade é que seres humanos têm preconceitos. Mas o importante é reconhecê-los e explorá-los conscientemente, promovendo conversas abertas.

Não vamos parar de fazer isso, porque a inclusão consciente também é um bom negócio. Isso significa que conseguimos as melhores ideias das melhores pessoas, independentemente de quem elas sejam. E como estamos no ramo das ideias, precisamos das melhores – ou estamos fora do mercado”.

Foco em criadores

“O McCann Content Studios é uma iniciativa muito interessante e inovadora dentro da agência, pois combina a experiência em estratégia de marca da McCann com a criatividade e a agilidade dos influenciadores e criadores de conteúdo. Essa abordagem de cocriação, em que as campanhas são desenvolvidas em parceria com os próprios criadores, não só acelera o processo de produção, mas também torna a campanha mais autêntica e relevante para o público-alvo.

Esse modelo híbrido, que mescla o tradicional trabalho de branding com a rapidez e a flexibilidade do ecossistema de criadores, é um diferencial importante que a McCann soube aproveitar, resultando em um crescimento impressionante e novas oportunidades no cenário global”.

FONTE: Meio e Mensagem
Daryl Lee: “Estamos no negócio, não no culto à…

 

 

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