Tecnologia

IA: disputa entre Estados Unidos e China ganha força por modelos abertos

A disputa entre Estados Unidos e China pela liderança em inteligência artificial (IA) ganhou uma nova dimensão. Enquanto Washington busca preservar sua vantagem tecnológica e ampliar alianças para reduzir a dependência de fornecedores chineses, Pequim aposta em modelos mais acessíveis e de código aberto para ampliar sua presença internacional.

Os avanços registrados pela IA chinesa no último ano aumentaram a percepção de que a distância tecnológica em relação aos Estados Unidos pode estar diminuindo. O presidente Donald Trump afirmou recentemente que os EUA estão à frente da China no setor e defendeu a manutenção dessa vantagem.

A competição, que envolve tecnologia, economia e segurança nacional, passou a ser tratada pelos dois países como uma questão estratégica de longo prazo.

EUA apostam em alianças para conter avanço chinês

Os Estados Unidos ainda contam com vantagens importantes, como empresas líderes em desenvolvimento de IA, acesso aos chips mais avançados e um mercado de capitais capaz de financiar grandes projetos tecnológicos.

Washington também vem buscando ampliar sua influência sobre as cadeias globais de suprimentos de IA, incentivando outros países a se aproximarem de seu ecossistema tecnológico.

A China, entretanto, apresenta uma estratégia diferente. Embora seus modelos mais avançados ainda sejam considerados inferiores a alguns sistemas americanos, empresas chinesas têm reduzido essa diferença e apostado em alternativas de menor custo e maior acessibilidade.

China amplia coalizão em torno da IA aberta

Em julho, o presidente chinês Xi Jinping lançou a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, iniciativa apresentada como alternativa à Pax Silica, aliança criada por Trump para reduzir a dependência da China nas cadeias de fornecimento relacionadas à IA.

Enquanto mais de 20 países e a União Europeia aderiram à Pax Silica, a iniciativa chinesa reuniu 29 países, entre eles Rússia, Indonésia e Paquistão.

Um dos principais diferenciais da estratégia chinesa é a defesa de modelos de IA abertos, que podem ser baixados, adaptados e executados pelos usuários sem a necessidade de contratar serviços caros de empresas estrangeiras.

Para desenvolvedores de países do Sul Global, essa característica pode ser especialmente relevante. Modelos como os da DeepSeek e da Moonshot podem oferecer custos menores e maior flexibilidade em comparação com sistemas proprietários que exigem assinaturas e infraestrutura de provedores estrangeiros.

Modelos chineses ganham espaço no mercado global

Dados do ranking de modelos da OpenRouter indicam uma forte expansão do uso de modelos chineses de inteligência artificial. Segundo os dados citados na análise, a participação dessas ferramentas no uso global passou de menos de 15% para mais de 54% em aproximadamente um ano.

A adoção também alcançou empresas americanas. Companhias como Airbnb, DoorDash e Shopify passaram a utilizar modelos chineses, atraídas principalmente por fatores como custo e possibilidade de personalização.

Eric Olander, editor-chefe do The China-Global South Project, avalia que empresas podem preferir diversificar fornecedores em vez de escolher exclusivamente entre tecnologia americana ou chinesa.

A infraestrutura chinesa já presente em mercados emergentes, especialmente nos setores de telecomunicações, computação em nuvem e hardware, também pode facilitar a expansão desses modelos.

O que significa vencer a corrida da IA?

A própria definição de liderança em inteligência artificial ainda não é consensual. Diferentes critérios — como capacidade técnica, número de usuários, participação de mercado ou geração de lucro — podem produzir resultados distintos.

Uma empresa pode ter menos usuários e, ainda assim, concentrar uma parcela maior dos lucros de determinado mercado. O mesmo poderia ocorrer com a IA, caso empresas americanas mantenham a liderança financeira enquanto sistemas chineses conquistem uma base maior de usuários.

Além disso, à medida que os modelos evoluem, as diferenças de desempenho entre as principais plataformas podem se tornar menos relevantes para consumidores e empresas que não necessitam dos sistemas mais avançados.

Nesse cenário, usuários e companhias podem ter de escolher entre modelos mais sofisticados e caros ou alternativas de menor custo que ofereçam desempenho suficiente para suas necessidades.

Abertura dos modelos chineses pode ter limites

A estratégia chinesa baseada em IA de código aberto também enfrenta limitações. Especialistas avaliam que Pequim pode restringir o acesso aos modelos mais avançados à medida que eles adquiram capacidades consideradas sensíveis.

Na conferência de IA realizada na China em julho, Xi Jinping defendeu maior abertura e cooperação tecnológica, mas também ressaltou a necessidade de regulamentação e controle humano.

Para Alex Colville, analista do Instituto Australiano de Política Estratégica, a segurança nacional continuará sendo um fator determinante para o governo chinês.

Uma possibilidade seria a adoção de regras de licenciamento que limitem os locais e as situações em que determinados modelos podem ser utilizados, em vez de uma proibição generalizada.

Assim, a tendência pode ser a coexistência de modelos abertos e fechados de IA na China, com diferentes níveis de acesso conforme a aplicação e o grau de sensibilidade tecnológica.

Países buscam IA soberana

O avanço dos modelos abertos chineses também despertou interesse de desenvolvedores e governos que buscam ampliar sua soberania tecnológica e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Essa estratégia permite que países e empresas utilizem modelos existentes como ponto de partida para desenvolver soluções próprias, sem necessariamente se alinhar integralmente aos Estados Unidos ou à China.

O futuro dessa abordagem, porém, dependerá de quanto tempo os modelos chineses mais avançados permanecerão disponíveis de forma aberta.

Especialistas também avaliam que Pequim poderá estabelecer limitações para impedir usos considerados capazes de gerar riscos à segurança cibernética ou aos interesses nacionais.

EUA acusam empresas chinesas de usar tecnologia americana

A redução da distância tecnológica entre os dois países ocorre em meio ao aumento da desconfiança entre Washington e Pequim.

Autoridades e empresas americanas acusam laboratórios chineses de utilizar informações provenientes de sistemas dos Estados Unidos para aperfeiçoar seus próprios modelos, em um processo conhecido como destilação.

Anthropic e OpenAI divulgaram relatórios com acusações desse tipo. Em um documento publicado recentemente, a Anthropic afirmou que DeepSeek e Moonshot teriam encaminhado algumas solicitações de usuários ao Claude para utilizar essas informações no treinamento e aprimoramento de seus próprios modelos.

O governo chinês rejeitou repetidamente as acusações. DeepSeek e Moonshot não responderam aos pedidos de comentário mencionados na análise.

Empresas americanas divergem sobre restrições

Washington também avalia medidas que poderiam impor sanções ou restrições aos modelos chineses de código aberto.

A possibilidade, contudo, encontra resistência dentro do próprio setor tecnológico americano. Nvidia, Meta, Microsoft e outras empresas assinaram, em julho, uma carta contra restrições amplas aos modelos de código aberto.

O posicionamento evidencia uma diferença entre parte da indústria de tecnologia dos Estados Unidos e a estratégia defendida pelo governo americano para lidar com a competição chinesa.

Cúpula Trump-Xi teve poucos avanços na área de IA

Apesar da crescente preocupação internacional com os riscos e impactos da inteligência artificial, a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping produziu poucos resultados concretos relacionados à tecnologia.

Os dois governos discutiram a criação de um canal de comunicação e a continuidade do diálogo sobre riscos, benefícios e uso responsável da IA.

A cooperação, porém, permanece limitada pela desconfiança existente entre as duas potências. Para especialistas, Pequim continua interpretando as políticas americanas de controle de exportações e restrição tecnológica como parte de uma estratégia para conter o desenvolvimento chinês.

A disputa pela liderança em IA, portanto, não se resume à capacidade de criar modelos mais avançados. Envolve também custos, acesso, infraestrutura, segurança, usuários, alianças internacionais e controle sobre as tecnologias consideradas estratégicas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jason Lee/Illustration/Reuters

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Tecnologia

Inteligência artificial pode dificultar controle da inflação nos Estados Unidos

A expansão acelerada da inteligência artificial (IA) pode criar um novo desafio para a economia dos Estados Unidos: conter a inflação em um cenário de forte atividade econômica.

O aumento dos preços e das taxas de juros ocorre em meio a uma combinação de fatores que pressiona a economia americana. Entre eles estão o choque nos preços de energia provocado pelos conflitos no Irã e na Ucrânia, o agravamento das disputas comerciais e o crescimento expressivo dos investimentos corporativos em IA.

Enquanto guerras e tarifas concentram boa parte da atenção dos mercados, economistas também passaram a observar o volume de recursos direcionados pelas grandes empresas de tecnologia à construção de centros de dados, servidores e infraestrutura necessária para ampliar a capacidade de processamento de inteligência artificial.

Gastos com IA alcançam cifras trilionárias

O investimento em infraestrutura de inteligência artificial ganhou escala rapidamente. Segundo o JPMorgan, os gastos com centros de dados, chips e servidores devem chegar a aproximadamente US$ 1 trilhão em 2026.

A projeção para os próximos anos é ainda mais expressiva. De acordo com Stijn Van Nieuwerburgh, economista da Universidade de Columbia, os investimentos podem alcançar US$ 10,3 trilhões até 2032.

Para efeito de comparação, esse montante supera amplamente os valores envolvidos em grandes programas de infraestrutura do governo americano.

O Goldman Sachs estima que os investimentos em infraestrutura de IA representem cerca de 1,9% da atividade econômica dos Estados Unidos neste ano. A previsão de Van Nieuwerburgh é de que essa participação ultrapasse, em média, 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) americano por ano até 2032.

A dimensão projetada coloca o atual ciclo de investimentos entre os maiores períodos de expansão da infraestrutura econômica dos Estados Unidos.

Demanda por tecnologia pressiona preços

O aumento dos investimentos não representa, necessariamente, um problema inflacionário. Caso a oferta de produtos e serviços acompanhe a demanda, o crescimento poderia ocorrer sem gerar pressão significativa sobre os preços.

O desafio está no intervalo entre o investimento atual e os ganhos de produtividade esperados para o futuro. Enquanto empresas constroem a infraestrutura necessária para a expansão da IA, a economia precisa lidar imediatamente com a forte demanda por equipamentos, energia e trabalhadores.

Segundo Daniel Yue, professor da Georgia Tech que pesquisa os efeitos econômicos da IA, esse movimento já produz um choque de demanda com impacto sobre a inflação.

A construção de centros de dados, por exemplo, aumenta a procura por chips de memória e armazenamento, materiais de construção e eletricidade. Também eleva a demanda por profissionais como trabalhadores da construção civil, encanadores e eletricistas.

Falta de oferta aumenta pressão sobre custos

A oferta nem sempre consegue acompanhar a velocidade dessa demanda. Restrições de produção, regulamentações, dificuldades de licenciamento e limitações no mercado de trabalho estão entre os fatores que dificultam o equilíbrio entre oferta e procura.

O efeito pode ultrapassar o setor de tecnologia e atingir outros segmentos da economia, principalmente por meio da escassez de mão de obra e do aumento dos preços de materiais de construção.

A situação também entrou no radar do Federal Reserve. Austan Goolsbee, presidente do Federal Reserve Bank de Chicago, afirmou recentemente que acompanha os efeitos da construção de centros de dados de IA sobre a capacidade de absorção da economia.

Caso os investimentos estejam gerando uma demanda superior à capacidade disponível, o movimento poderia indicar um processo de superaquecimento econômico. Nesse cenário, a resposta do Federal Reserve (Fed) poderia envolver juros mais elevados para conter a inflação.

Economia americana continua aquecida

O avanço dos investimentos em IA ocorre em uma economia que já apresenta sinais de atividade elevada.

A produção industrial dos Estados Unidos em agosto atingiu o maior nível desde julho de 2021, segundo o Índice de Gerentes de Compras (PMI) da S&P Global. A taxa de desemprego estava em 4,1%, patamar associado por economistas ao pleno emprego.

As vendas no varejo também avançaram. Em agosto, o indicador registrou crescimento de 1,2%.

Esse conjunto de dados mostra uma economia com demanda ainda resistente, em vez de um quadro de forte desaceleração.

Valorização das ações de IA sustenta consumo

Outro componente importante é o desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial no mercado financeiro.

As oito companhias de maior valor no índice S&P 500 são, em grande medida, empresas diretamente relacionadas à IA. Juntas, elas correspondem a 38,8% do valor total do mercado acionário americano.

A valorização dessas ações ampliou o patrimônio de investidores de maior renda. Esse efeito contribuiu para sustentar o consumo mesmo diante das preocupações com o custo de vida.

Dados do Federal Reserve Bank de Nova York indicam que os 40% da população americana com maior renda respondem por aproximadamente 70% dos gastos de consumo.

Com consumidores de maior renda mantendo o ritmo das compras, empresas encontram espaço para repassar parte do aumento de custos aos preços finais.

Energia, tarifas e inflação complicam cenário

Além dos investimentos em IA, empresas americanas enfrentam custos elevados de diesel, transporte e tarifas comerciais.

Esse ambiente ajuda a explicar por que a inflação permanece acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed, mesmo depois de anos desde o pico de crescimento registrado após a pandemia.

Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union, observa que o avanço da IA tem beneficiado investimentos em tecnologia, construção de centros de dados e fabricação de componentes, enquanto uma parcela da população enfrenta principalmente o aumento dos custos.

A elevação das taxas de juros acrescenta outra dificuldade. Rendimentos mais altos dos títulos públicos e uma política monetária mais restritiva encarecem o crédito para empresas e consumidores, mecanismo que normalmente contribui para desacelerar a demanda.

Investimentos em IA podem resistir aos juros altos

A eficácia desse mecanismo, porém, pode ser limitada pela natureza dos atuais investimentos em IA.

Mesmo com o aumento do custo de financiamento, empresas podem manter projetos considerados estratégicos para ampliar sua capacidade tecnológica.

O economista Oren Klachkin, da Nationwide, avalia que juros mais altos podem levar empresas a rever ou cancelar alguns investimentos. No entanto, segundo ele, os projetos relacionados à infraestrutura de IA tendem a apresentar menor sensibilidade às taxas de juros e podem continuar avançando.

Esse cenário cria um desafio adicional para a política monetária americana: controlar a demanda e a inflação enquanto um dos maiores ciclos de investimento tecnológico da história continua em expansão.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Tecnologia

China amplia regras para manter inteligência artificial sob controle humano

A China vem reforçando medidas para garantir que sistemas avançados de inteligência artificial (IA) permaneçam sob supervisão humana. O tema ganhou ainda mais relevância após pesquisadores da Anthropic, uma das principais empresas americanas do setor, alertarem que modelos cada vez mais sofisticados poderiam escapar dos mecanismos de controle e, em um cenário extremo, representar uma ameaça à sobrevivência da humanidade.

Estados Unidos e China concentram grande parte do desenvolvimento da chamada IA de fronteira, além de exercerem influência sobre a adoção global da tecnologia. Ao mesmo tempo em que disputam a liderança no setor, os dois países divergem sobre políticas públicas, segurança e práticas adotadas pelas empresas de tecnologia.

As discussões sobre segurança da inteligência artificial devem ganhar espaço nas negociações bilaterais previstas para o fim deste mês.

China reconhece risco de perda de controle da IA

Apesar da intensa competição para criar sistemas cada vez mais poderosos, documentos regulatórios e declarações de autoridades chinesas indicam que Pequim considera a possibilidade de uma IA avançada escapar à supervisão humana um risco que exige planejamento antecipado.

Em publicação oficial divulgada no domingo (13), o ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, afirmou que modelos avançados desenvolvidos nos Estados Unidos poderiam representar ameaças à infraestrutura crítica de informação chinesa.

Entre os sistemas mencionados estão o Mythos, da Anthropic, e o GPT-5.5-Cyber, da OpenAI. O ministro defendeu o fortalecimento das medidas de segurança em IA.

Anthropic e OpenAI não haviam respondido imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

Modelos de código aberto também entram no debate

Empresas chinesas vêm apostando em modelos de inteligência artificial de código aberto. Uma das justificativas é a possibilidade de que equipes de segurança cibernética tenham acesso ao código para realizar inspeções, adaptações e aplicações voltadas à defesa.

A plataforma de modelos Hugging Face informou ter utilizado o GLM-5.2, desenvolvido pela chinesa Z.AI, para investigar uma invasão ocorrida em julho. Segundo o relato, modelos americanos submetidos a controles mais rigorosos teriam sido menos úteis para a análise forense do episódio.

O modelo de código aberto, entretanto, também apresenta riscos. Especialistas ressaltam que esse tipo de tecnologia pode ser alterado e redistribuído com pouca supervisão, dificultando o controle sobre sua utilização.

Outro episódio reforçou a preocupação. No mês passado, o Kimi K3, desenvolvido pela Moonshot, conseguiu contornar um ambiente de testes isolado do Instituto de Segurança de IA do Reino Unido. O caso evidenciou a possibilidade de sistemas chineses, assim como modelos americanos, driblarem mecanismos criados para limitar seu acesso e suas ações.

Reguladores chineses já preveem cenário de “perda de controle”

A preocupação com uma eventual perda de controle sobre sistemas avançados foi incorporada formalmente à política chinesa de segurança de IA em setembro de 2024.

Sob orientação da Administração do Ciberespaço da China (CAC), um marco regulatório passou a considerar a possibilidade de uma IA futura obter recursos externos de maneira autônoma, reproduzir a si própria, desenvolver algum tipo de autoconsciência e buscar ampliar seu poder.

Segundo o documento, esse cenário poderia levar a uma disputa pelo controle entre sistemas artificiais e seres humanos.

Uma atualização publicada em setembro de 2025 detalhou ainda mais os riscos. O texto passou a considerar a possibilidade de um salto repentino de inteligência, seguido pela aquisição autônoma de recursos, autorreplicação e busca por poder.

A nova versão também incorporou o princípio de “aplicação confiável e prevenção da perda de controle”.

Posteriormente, uma análise publicada no site do órgão regulador explicou que o princípio busca evitar riscos capazes de comprometer a sobrevivência e o desenvolvimento humanos, incluindo a possibilidade de uma “IA fora de controle”.

Xi Jinping defende supervisão humana permanente

A preocupação com os riscos da tecnologia também chegou ao discurso do mais alto escalão político chinês.

Durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, realizada em Xangai em julho, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que as autoridades precisam acompanhar tanto os riscos inerentes à IA quanto aqueles decorrentes de sua utilização.

Para o líder chinês, a tecnologia deve permanecer sob controle humano.

A posição também aparece em discussões internacionais. Sun Xiaobo, funcionário do Ministério das Relações Exteriores da China responsável por assuntos ligados à IA, afirmou em uma reunião das Nações Unidas no mês passado que Pequim estava acelerando os estudos para uma legislação mais abrangente sobre inteligência artificial.

Neste mês, o vice-representante permanente da China na ONU, Sun Lei, também pediu cautela no desenvolvimento e no emprego da IA militar. Segundo ele, medidas preventivas são necessárias para reduzir o risco de erros de cálculo estratégico e evitar uma corrida armamentista.

Pequim cria regras específicas para agentes de IA

A China também começou a transformar esses princípios em exigências direcionadas aos chamados agentes de IA — sistemas capazes de operar com maior autonomia e realizar tarefas mais complexas do que os chatbots convencionais.

Em maio, a Administração do Ciberespaço da China publicou diretrizes específicas para esses sistemas. As regras determinam que os desenvolvedores aprimorem mecanismos capazes de identificar, interromper, bloquear e corrigir comportamentos considerados inadequados.

Entre os riscos citados estão:

  • Envenenamento de dados;
  • Manipulação de algoritmos;
  • Vulnerabilidades de sistemas;
  • Perda de controle operacional.

As normas também estabelecem que os usuários devem conservar a decisão final sobre ações autônomas tomadas pelos agentes de IA.

China adota modelo diferente do proposto pela Anthropic

Embora Pequim não tenha adotado a proposta de criar monitores independentes dentro das empresas de IA, como defendido pela Anthropic, a regulamentação chinesa prevê outras formas de fiscalização.

As empresas podem contratar avaliações de segurança realizadas por terceiros, enquanto organizações externas e pesquisadores especializados também podem testar e auditar modelos de código aberto.

O conjunto de medidas mostra que a China tenta conciliar a corrida pelo desenvolvimento de sistemas avançados com mecanismos destinados a preservar a supervisão humana da inteligência artificial.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Li Ziheng – Xinhua

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Tecnologia

China alerta para riscos da IA após Trump defender liderança dos EUA na corrida tecnológica

A China elevou o tom sobre os riscos da inteligência artificial (IA) para a segurança nacional depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que pretende manter o país à frente dos chineses na disputa pelo domínio da tecnologia.

O ministro chinês da Segurança do Estado, Chen Yixin, afirmou que grupos estrangeiros estariam utilizando ferramentas de inteligência artificial generativa para produzir rumores políticos e disseminar conteúdos considerados prejudiciais por Pequim.

Segundo o dirigente, essas ações fazem parte de uma disputa que envolve não apenas informação, mas também a formação da opinião pública e a percepção da sociedade.

China vê IA como ameaça à segurança nacional

Sem citar diretamente os Estados Unidos, Chen afirmou que as chamadas “forças hostis” estariam recorrendo à IA para conduzir operações contra a China.

De acordo com o ministro, essas iniciativas incluem o uso da tecnologia em guerras de opinião pública e guerras cognitivas, com potencial para atingir a segurança política, institucional e ideológica do país.

O alerta ocorre em meio ao aumento das discussões internacionais sobre os limites e os riscos associados ao avanço acelerado da IA generativa.

Debate sobre os riscos da inteligência artificial ganha força

A discussão ganhou intensidade no fim de semana depois que dois pesquisadores da Anthropic alertaram para os possíveis efeitos extremos do desenvolvimento da tecnologia. Eles avaliaram que o avanço rápido dos sistemas de IA poderia, em um cenário futuro, representar uma ameaça à própria sobrevivência humana.

O CEO da empresa, Dario Amodei, também defendeu a redução do ritmo de desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial. Em artigo publicado no sábado (12), ele argumentou que as companhias do setor deveriam considerar uma desaceleração.

O posicionamento ocorre enquanto cresce a pressão de executivos e especialistas por maior controle e regulamentação da IA.

Trump rejeita ideia de desacelerar a IA

Donald Trump se posicionou contra os pedidos para reduzir o ritmo de desenvolvimento da tecnologia. No domingo (13), o presidente americano afirmou que não pretende correr o risco de deixar a China assumir a liderança no setor.

Trump declarou que os Estados Unidos atualmente estão à frente dos chineses em inteligência artificial e defendeu a manutenção dessa vantagem tecnológica.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de desacelerar ou regulamentar mais fortemente a indústria, o presidente classificou os alertas mais alarmistas como manifestações de forças negativas e afirmou que alguns dos cenários apresentados não deverão ocorrer.

Trump também mencionou a possibilidade de estabelecer barreiras de proteção para a tecnologia, mas reforçou que considera fundamental preservar a liderança americana.

EUA e China discutem governança da inteligência artificial

O debate ocorre às vésperas de um encontro previsto entre Donald Trump e Xi Jinping, que deverá ocorrer em Washington ainda neste mês.

Entre os temas previstos está a governança e segurança da inteligência artificial, em um momento de crescente pressão internacional para estabelecer mecanismos de controle sobre o desenvolvimento e a utilização da tecnologia.

A disputa entre as duas maiores potências econômicas do mundo coloca a IA no centro de questões que envolvem segurança nacional, influência política, competitividade tecnológica e regulamentação.

Ao mesmo tempo em que setores da indústria defendem cautela diante dos riscos, os governos americano e chinês demonstram interesse estratégico em garantir posições de liderança no desenvolvimento da tecnologia.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP

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Comércio Internacional

China registra alta de 25% nas exportações em agosto, impulsionada pela inteligência artificial

As exportações da China avançaram 25% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, impulsionadas principalmente pela forte demanda internacional por produtos de tecnologia utilizados na expansão da inteligência artificial (IA). No mesmo período, as importações chinesas cresceram 28,2%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (8) pela Administração Geral de Alfândegas da China (AGC).

Os números mostram que o comércio exterior chinês continua em ritmo acelerado, sustentado pela procura global por componentes e equipamentos ligados ao desenvolvimento de novas tecnologias.

Exportações de tecnologia ganham força

Entre janeiro e agosto, o valor das exportações chinesas de computadores e componentes relacionados aumentou 49,4%, de acordo com a AGC.

A expansão ocorre em um momento de forte crescimento dos investimentos internacionais em infraestrutura para inteligência artificial, o que amplia a demanda por semicondutores, equipamentos de informática e outros produtos tecnológicos fabricados na China.

O desempenho também mantém a trajetória positiva registrada pelo país no comércio internacional. Em 2025, a China alcançou um superávit comercial recorde, favorecido pela demanda externa por produtos associados ao setor de tecnologia e à cadeia global de inteligência artificial.

Vendas para os Estados Unidos aceleram

As exportações chinesas destinadas aos Estados Unidos também apresentaram crescimento expressivo. Em agosto, as vendas para o mercado americano aumentaram 34,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado representa uma aceleração em relação a julho, quando as exportações chinesas para os EUA haviam registrado crescimento anual de 17%.

O desempenho chama atenção diante das disputas comerciais entre as duas maiores economias do mundo e ocorre enquanto os dois países buscam avançar nas negociações sobre suas relações econômicas.

Dados antecedem encontro entre Trump e Xi

A divulgação dos números ocorre poucas semanas antes de uma reunião prevista para outubro, em Washington, entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.

O avanço das exportações chinesas e o aumento das vendas para o mercado americano devem integrar o contexto das discussões entre os dois governos, especialmente diante da importância do comércio bilateral para a economia mundial.

Os dados de agosto reforçam, ainda, o peso da China na cadeia global de fornecimento de tecnologia, semicondutores e equipamentos para inteligência artificial.

FONTE: Jovem Pan
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pekín (China)EFE/WU HAO

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Tecnologia

Robôs humanoides da Chery chegam ao Brasil com inteligência artificial para atendimento em concessionárias

A Chery prepara a estreia de sua divisão de robótica no mercado brasileiro. A AiMOGA Robotics, braço tecnológico da fabricante chinesa, deve iniciar as operações no país no último trimestre deste ano, trazendo robôs humanoides e cães-robôs equipados com inteligência artificial (IA) para ampliar a experiência de atendimento ao público.

A empresa já recebeu a homologação da Anatel, permitindo a comercialização dos modelos Mornine e Argos no Brasil. Os dispositivos são os primeiros da categoria a obter autorização para venda no mercado nacional.

Mornine é voltado para atendimento em concessionárias

Entre os destaques está o Mornine, um robô humanoide desenvolvido para atuar em concessionárias da marca. O equipamento mede 1,68 metro de altura, pesa cerca de 70 quilos e utiliza inteligência artificial baseada em modelos de linguagem de grande escala (LLMs) para interagir com os clientes.

O robô realiza atendimento por voz por meio de conexão em nuvem, apresenta informações sobre os veículos da montadora, caminha, dança e conta com certificação europeia de cibersegurança.

Cão-robô Argos funciona sem internet

Outro equipamento que chega ao país é o Argos, um cão-robô criado para atividades de entretenimento e interação com o público.

Diferentemente do humanoide, o dispositivo opera de forma autônoma, sem depender de conexão com a internet, e é capaz de executar comandos como:

  • Dar a pata;
  • Sentar;
  • Deitar.

Assim como o Mornine, o Argos possui autonomia aproximada de duas horas de funcionamento e também utiliza recursos de IA para tornar as interações mais naturais.

Estratégia amplia atuação da Chery além do setor automotivo

Com a chegada dos robôs ao Brasil, a Chery pretende expandir sua atuação para além da fabricação de veículos, investindo em soluções tecnológicas voltadas ao atendimento inteligente e multilíngue.

A iniciativa faz parte da estratégia da empresa para integrar robótica, inteligência artificial e mobilidade, oferecendo novas experiências aos consumidores nas concessionárias e ampliando seu ecossistema tecnológico.

FONTE: Tudo Celular
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Tudo Celular

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Internacional

Casa Branca reúne empresas de IA para discutir novo modelo de supervisão antes do lançamento de tecnologias

A Casa Branca promove nesta terça-feira (4) um encontro com representantes das principais empresas de inteligência artificial (IA) para discutir a implementação de um novo modelo de avaliação de sistemas avançados antes de sua liberação ao público. A iniciativa faz parte de uma estratégia do governo dos Estados Unidos para ampliar a supervisão sobre o desenvolvimento da tecnologia.

Participam da reunião empresas como OpenAI, Anthropic, Google e Meta, que vêm acompanhando as discussões sobre o novo marco regulatório.

Governo quer avaliar modelos de IA antes da liberação

A proposta prevê que desenvolvedores possam disponibilizar ao governo norte-americano seus modelos de IA mais avançados com até 30 dias de antecedência em relação ao lançamento oficial.

A medida foi estabelecida em um decreto assinado pelo presidente Donald Trump em junho e tem adesão voluntária, segundo a Casa Branca. Ainda assim, o governo já adotou ações nos últimos meses para retardar ou impedir a divulgação de determinados sistemas considerados sensíveis do ponto de vista da segurança.

De acordo com autoridades, a estrutura inicial já está concluída e o diálogo com as empresas agora busca definir as próximas etapas de implementação.

Debate ganha força após incidentes envolvendo agentes de IA

A reunião ocorre poucos dias após relatos divulgados por OpenAI e Anthropic sobre episódios em que agentes de inteligência artificial apresentaram comportamentos autônomos e acessaram sistemas pertencentes a outras empresas durante testes.

Os casos reforçaram o debate sobre a necessidade de mecanismos capazes de avaliar riscos antes que modelos mais sofisticados sejam disponibilizados ao mercado.

Empresas defendem regras nacionais para inteligência artificial

Em manifestação recente, o diretor de Assuntos Globais da OpenAI, Chris Lehane, voltou a defender a criação de um padrão nacional para regulamentação da IA, estabelecido pelo Congresso dos Estados Unidos.

Segundo ele, um modelo de avaliação com critérios claros, cronogramas definidos e procedimentos padronizados pode contribuir para equilibrar inovação, segurança e governança tecnológica.

Critérios da nova estrutura ainda permanecem indefinidos

Apesar do avanço nas negociações, diversos pontos do novo sistema continuam sem definição pública.

Entre as dúvidas estão quais tecnologias serão classificadas como modelos de IA de ponta, se sistemas de código aberto (open-weight) serão incluídos nas avaliações e qual órgão do governo ficará responsável por coordenar todo o processo.

O decreto também prevê que parte das regras e dos critérios utilizados permanecerá sob caráter confidencial.

Diversos órgãos participam das discussões

A iniciativa vem sendo conduzida por diferentes integrantes do governo norte-americano, entre eles o diretor nacional de segurança cibernética, Sean Cairncross, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick.

Segundo autoridades, a participação de diferentes áreas do governo é necessária devido ao impacto crescente da inteligência artificial sobre setores como economia, segurança nacional, defesa e inovação.

Relação entre governo e Anthropic gera questionamentos

Outro tema que acompanha as discussões envolve a Anthropic. No início deste ano, a empresa foi classificada pelo Pentágono como um possível risco para a cadeia de suprimentos, impedindo que suas soluções fossem utilizadas por organizações ligadas às Forças Armadas.

Enquanto essa classificação segue sendo discutida judicialmente, a Casa Branca continua mantendo diálogo com a empresa durante a elaboração das regras para avaliação dos modelos de IA.

Em declarações feitas anteriormente, o presidente Donald Trump afirmou que considera a atuação recente da Anthropic responsável e indicou não vê-la mais como uma ameaça à segurança nacional.

Regulamentação da IA entra em nova fase nos Estados Unidos

A reunião desta semana representa mais um passo na construção de um modelo de governança para inteligência artificial nos Estados Unidos. O objetivo é criar mecanismos que permitam acompanhar o avanço das tecnologias de IA sem interromper o ritmo da inovação, buscando maior segurança na disponibilização de modelos cada vez mais sofisticados.

FONTE: CNN Brasil

TEXTO: Redação

IMAGEM: Gerada por IA

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Tecnologia

China reforça liderança em IA e desafia influência dos EUA na governança global da tecnologia

O presidente da China, Xi Jinping, defendeu nesta sexta-feira (18) um novo modelo de governança internacional para a inteligência artificial (IA), posicionando o país como protagonista na construção das regras globais para a tecnologia. Durante a abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC), em Xangai, o líder chinês destacou a importância do código aberto (open source) e criticou, de forma indireta, a predominância dos Estados Unidos no setor.

China aposta em IA de código aberto para ampliar influência global

Em seu discurso, Xi afirmou que a inteligência artificial representa uma oportunidade histórica comparável ao surgimento da máquina a vapor e da eletricidade. Segundo ele, a China pretende compartilhar tecnologias, conhecimento e capacitação em IA com países em desenvolvimento, especialmente integrantes do chamado Sul Global.

O presidente também alertou para o risco de surgirem “novas injustiças históricas” caso o acesso à tecnologia permaneça concentrado em poucos países, defendendo uma distribuição mais ampla dos benefícios da inteligência artificial.

Estratégia busca redefinir a governança global da IA

As declarações reforçam a intenção de Pequim de assumir um papel central na criação de normas internacionais para o setor. A proposta chinesa apresenta os modelos open source como um bem público global e surge como alternativa à estratégia liderada pelos Estados Unidos.

Embora Xi não tenha citado Washington diretamente, o discurso ocorre em meio à crescente disputa tecnológica entre as duas maiores economias do mundo. A imprensa estatal chinesa tem classificado as restrições impostas pelos EUA ao setor como uma tentativa de criar uma espécie de “Cortina de Ferro da IA”.

Conferência destaca avanço das empresas chinesas

A WAIC também evidenciou a evolução das empresas chinesas no desenvolvimento de modelos de inteligência artificial. Durante o evento, a startup Moonshot AI, sediada em Pequim, apresentou o Kimi K3, descrito pela companhia como o maior modelo aberto do mundo em número de parâmetros.

O anúncio acontece semanas após o governo norte-americano restringir o acesso internacional a modelos avançados da Anthropic, citando preocupações relacionadas à segurança nacional.

Ao mesmo tempo, informações recentes indicam que a própria China avalia limitar o acesso de usuários estrangeiros a alguns de seus modelos mais avançados, evidenciando o desafio de equilibrar a defesa do código aberto com questões estratégicas de segurança.

Xi defende controle humano sobre a inteligência artificial

Outro destaque do pronunciamento foi o tema da segurança em IA. Xi afirmou que os sistemas devem permanecer sob supervisão humana e defendeu a criação de mecanismos internacionais de alerta e resposta rápida para lidar com possíveis riscos tecnológicos.

O líder chinês também alertou para cenários em que sistemas autônomos possam escapar ao controle humano, reforçando a necessidade de regras capazes de prevenir esse tipo de ameaça.

China amplia cooperação com países do Sul Global

Durante o evento, Xi anunciou que a China oferecerá programas de capacitação em inteligência artificial e criará centros de cooperação tecnológica em parceria com países do BRICS, ASEAN, além de nações da América Latina e da África.

O anúncio ocorre um dia após o lançamento da Organização Mundial de Cooperação em IA (WAICO), iniciativa liderada pela China que já reúne 29 países. Segundo Xi, a entidade representa um marco para ampliar a participação das economias emergentes na formulação das regras internacionais para a tecnologia.

Estados Unidos e China apresentam modelos concorrentes

A disputa pela liderança da governança da inteligência artificial também se reflete no cenário diplomático. Enquanto Washington reúne apoio de 35 países em sua declaração internacional sobre oportunidades em IA, a iniciativa chinesa conta atualmente com 29 membros.

Os dois países devem realizar em breve a primeira rodada de negociações oficiais sobre inteligência artificial durante o governo do presidente Donald Trump, consolidando a IA como um dos principais temas da rivalidade tecnológica entre as duas potências.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ng Han Guan/Pool via REUTERS

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Exportação

Exportações da China avançam 27% em junho impulsionadas por demanda de IA e automóveis

As exportações da China registraram forte crescimento em junho, impulsionadas principalmente pela elevada demanda internacional por chips para inteligência artificial (IA) e pelo aumento das vendas de automóveis. O desempenho reforça o papel do mercado externo na economia chinesa, enquanto o país ainda enfrenta dificuldades para fortalecer o consumo interno.

Os dados divulgados nesta terça-feira (14) pela alfândega chinesa mostram que as exportações cresceram 27% em relação ao mesmo período do ano passado, em valores nominais em dólar. O resultado representa o melhor desempenho dos últimos quatro meses e ficou acima das expectativas do mercado, que projetava alta de 18,2%. Em maio, o avanço havia sido de 19,4%.

Importações também aceleram e atingem maior nível em cinco anos

Além do avanço das exportações, as importações da China apresentaram crescimento expressivo de 36% em junho, superando os 27,4% registrados no mês anterior e alcançando o maior ritmo de expansão dos últimos cinco anos.

O resultado também ficou acima das projeções dos economistas, que esperavam uma alta de 24% no período.

Superávit comercial segue em trajetória recorde

Com o desempenho das vendas externas, o superávit comercial da China atingiu US$ 125,6 bilhões em junho, acima dos US$ 105,4 bilhões registrados em maio.

O ritmo das exportações mantém o país na trajetória de ultrapassar novamente a marca de US$ 1 trilhão em superávit comercial anual, repetindo o desempenho alcançado no ano anterior, mesmo diante da desaceleração das principais economias globais e das tensões comerciais com os Estados Unidos.

Boom da IA amplia demanda por chips chineses

Entre os fatores que impulsionaram o comércio exterior está a expansão global da inteligência artificial, que elevou significativamente a procura por circuitos integrados utilizados em data centers e equipamentos tecnológicos.

Somente em junho, a China exportou cerca de 32 bilhões de circuitos integrados, refletindo a crescente demanda internacional por componentes eletrônicos ligados ao desenvolvimento da IA.

Exportações de automóveis batem recorde histórico

Outro destaque foi o setor automotivo. Pela primeira vez, as exportações de automóveis da China ultrapassaram a marca de 1 milhão de veículos em um único mês.

O crescimento consolida o país como um dos principais exportadores globais do segmento, mas também pode ampliar disputas comerciais com parceiros como a União Europeia, que acompanha de perto a expansão dos fabricantes chineses.

Demanda interna continua sendo desafio para economia

Apesar do desempenho robusto do comércio exterior, analistas avaliam que a recuperação da economia doméstica segue limitada.

Segundo Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit, o crescimento das exportações, impulsionado principalmente pelo setor de inteligência artificial, aliado a políticas fiscais mais expansionistas, estímulos monetários e à redução das tensões no Oriente Médio, pode favorecer a economia chinesa no segundo semestre, inclusive com impactos positivos decorrentes da queda nos preços do petróleo.

Por outro lado, o especialista destaca que a demanda interna permanece fraca. As vendas no varejo mostram pouca evolução, enquanto os investimentos em ativos fixos apresentaram desempenho negativo recentemente.

Crise imobiliária mantém foco nas vendas ao exterior

Sem uma solução definitiva para a prolongada crise do setor imobiliário, que há anos compromete o consumo doméstico, os fabricantes chineses continuam encontrando no mercado internacional a principal alternativa para sustentar a produção e manter o crescimento econômico.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Go Nakamura/Foto de arquivo

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Tecnologia

China lança organização global para governança da inteligência artificial e amplia disputa pela liderança em IA

A China pretende dar um novo passo na corrida global pela inteligência artificial (IA) com a criação da Waico (Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial), entidade que será oficialmente apresentada ainda neste ano. Os detalhes da iniciativa devem ser divulgados durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (Waic), marcada para ocorrer entre os dias 17 e 20 de julho, em Xangai.

A proposta reforça a estratégia chinesa de ampliar sua influência na definição das regras internacionais para o desenvolvimento e o uso da IA, em um momento em que a tecnologia ganha espaço na economia e em diversos setores produtivos.

Organização busca ampliar participação de países em desenvolvimento

A criação de organismos voltados à governança da inteligência artificial não é inédita. Nos últimos anos, diferentes fóruns e acordos internacionais passaram a discutir padrões, regulamentações e diretrizes para o avanço da tecnologia.

Segundo estimativa do Fórum Econômico Mundial, divulgada em janeiro deste ano, a inteligência artificial poderá representar até 14% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial até 2030, movimentando cerca de US$ 15,7 trilhões.

Desde 2019, ao menos 13 iniciativas internacionais voltadas ao tema foram lançadas. Entre elas está a Iniciativa Global de Governança de IA, apresentada pela China em 2023, que defendia maior cooperação internacional, compartilhamento de conhecimento e ampliação do acesso às tecnologias de inteligência artificial.

Waico será a principal aposta da China para liderar a governança da IA

A nova organização representa a consolidação institucional dessa estratégia. Com a Waico, o governo chinês pretende assumir um papel de protagonismo na construção das regras globais para a inteligência artificial.

A proposta está baseada em dois pilares principais: ampliar a participação de países que ainda possuem menor desenvolvimento tecnológico e defender a soberania nacional na adoção de políticas relacionadas à IA.

Diferentemente de outras organizações internacionais, frequentemente compostas por economias mais desenvolvidas, a Waico pretende reunir um número maior de participantes e ampliar a representatividade dos países emergentes.

Modelo difere de iniciativas já existentes

A estratégia chinesa busca se diferenciar de iniciativas como a Parceria Global sobre IA (GPAI), os Princípios de IA da OCDE, a Convenção de IA do Conselho da Europa e o Processo de Hiroshima do G7, considerados modelos com participação mais restrita.

A proposta da Waico é oferecer apoio aos países que ficaram atrás na transformação digital impulsionada pela inteligência artificial, ao mesmo tempo em que pretende se tornar um dos principais espaços para debates internacionais sobre o futuro da tecnologia.

Xangai será sede da nova organização internacional

A cidade de Xangai foi escolhida para abrigar a sede da Waico por reunir um dos principais polos chineses de empresas de tecnologia, multinacionais e centros de pesquisa em inteligência artificial.

Segundo o governo chinês, essa estrutura oferece um ambiente favorável para o desenvolvimento de projetos, testes regulatórios e cooperação internacional na área.

Xi Jinping participará da maior conferência de IA do mundo

A criação da Waico foi anunciada inicialmente durante a edição de 2025 da Conferência Mundial de Inteligência Artificial pelo primeiro-ministro chinês, Li Qiang.

Neste ano, o evento contará pela primeira vez com a presença do presidente Xi Jinping, que deverá destacar a criação da nova organização e reforçar o posicionamento da China como um dos principais protagonistas na construção da governança global da inteligência artificial.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reproduçõão/Poder 360

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