Portos

Porto do Açu planeja terminal de combustíveis sustentáveis até 2030

O Porto do Açu, no norte do Rio de Janeiro, prevê a implantação de um terminal voltado à movimentação e ao armazenamento de combustíveis sustentáveis até 2030. A iniciativa integra a estratégia do complexo para ampliar sua participação na transição energética e atender à futura demanda por produtos de menor emissão de carbono.

A estrutura deverá estar associada a projetos de produção de metanol verde, amônia verde e SAF (combustível sustentável de aviação), todos produzidos a partir de hidrogênio verde, além de biometano.

Terminal deve integrar produção e logística

De acordo com Eugênio Figueiredo, CEO do Porto do Açu, a proposta é concentrar no complexo portuário diferentes etapas da cadeia dos novos combustíveis, desde a produção até a armazenagem e a movimentação.

O atual terminal de líquidos deverá ser aproveitado para receber parte dessa produção. A estrutura passará por uma ampliação para atender ao crescimento previsto na oferta de combustíveis verdes.

O empreendimento ainda depende de licenciamento ambiental e, por enquanto, não possui uma data definida para a conclusão. Mesmo assim, o projeto está entre os investimentos considerados prioritários pelo porto no horizonte até 2030.

Demanda por combustíveis de baixo carbono

A expansão planejada ocorre diante da perspectiva de crescimento do mercado de combustíveis de baixo carbono. No segmento de aviação, a expectativa é de aumento da demanda por SAF a partir de 2027, quando entram em vigor as metas brasileiras para redução das emissões de gases de efeito estufa do setor.

A pressão pela descarbonização também tende a se intensificar diante dos impactos das mudanças climáticas e dos compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris.

Porto testa etanol e eletrificação

A agenda de transição energética do Porto do Açu inclui outras medidas além da construção de novos terminais. O complexo já começou a avaliar alternativas para reduzir as emissões da própria operação, entre elas o uso de etanol em embarcações de menor porte.

Outra frente em desenvolvimento é a eletrificação dos berços de atracação. O objetivo é permitir que os navios utilizem energia elétrica durante o período em que permanecem no cais para operações de carga e descarga, diminuindo a necessidade de manter os motores em funcionamento.

A implementação deverá ocorrer de forma gradual, começando por embarcações e equipamentos menores. Com a evolução da infraestrutura e da tecnologia, a expectativa é ampliar o sistema para navios de maior porte.

No berço offshore do complexo, já existem projetos para iniciar a eletrificação e testes foram realizados, inclusive com rebocadores. No principal berço do porto, porém, a iniciativa ainda está em etapa de estudos.

Petróleo continua como principal negócio

Apesar da expansão dos investimentos ligados à economia de baixo carbono, o Porto do Açu continua tendo forte atuação no setor tradicional de petróleo. Atualmente, o complexo movimenta cerca de 40% do petróleo exportado pelo Brasil.

Segundo Eugênio Figueiredo, a expectativa é de que as exportações de petróleo pelo porto cresçam de forma expressiva nos próximos anos.

Paralelamente, o complexo está construindo um novo terminal de líquidos, cujas obras devem ser concluídas em aproximadamente 45 dias. A estrutura terá espaços destinados ao armazenamento de lubrificantes e combustíveis marítimos.

A Vibra Energia será a primeira empresa a operar no novo terminal, conforme informou o CEO do Porto do Açu.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Porto do Açu (RJ)

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Transporte

Corredores verdes: Brasil amplia participação na descarbonização do transporte marítimo

O Brasil reforçou sua presença na agenda internacional de descarbonização do transporte marítimo ao assinar, em agosto, um Memorando de Entendimento com Singapura para desenvolver um Corredor Verde e Digital de Navegação entre os dois países. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que também mantém acordos e estudos com outros parceiros internacionais.

A movimentação acompanha a expansão dos chamados corredores marítimos verdes, projetos que buscam preparar determinadas rotas para a operação de navios abastecidos por combustíveis de baixa ou zero emissão.

O que são os corredores verdes

Os corredores verdes têm como proposta criar condições técnicas, econômicas e regulatórias para que embarcações com menor impacto climático possam operar em rotas específicas.

Para viabilizar esses projetos, diferentes setores precisam atuar de maneira integrada. Governos, portos, armadores, produtores de combustíveis, empresas de tecnologia e instituições de pesquisa participam de discussões sobre infraestrutura portuária, disponibilidade de combustíveis, novas tecnologias, regulamentação, financiamento e qualificação profissional.

O conceito ganhou projeção internacional com a Declaração de Clydebank, apresentada durante a COP26, em 2021. Desde então, os corredores verdes passaram a ser considerados uma ferramenta para testar tecnologias, modelos de negócio e soluções capazes de acelerar a transição energética do transporte marítimo.

De acordo com o Annual Progress Report on Green Shipping Corridors 2025, relatório anual sobre o avanço dessas iniciativas, havia 84 projetos ativos no mundo até outubro de 2025 — 25 a mais que no levantamento anterior.

Iniciativas avançam em diferentes regiões

A expansão dos projetos mostra que a agenda deixou de estar concentrada em poucos mercados. O levantamento identificou novas iniciativas na Ásia, América Latina e África, incluindo quatro projetos na Índia, quatro na China, três no Brasil e dois no Chile. Gana e Quênia também aparecem entre os países com iniciativas.

Mais de 300 organizações estavam envolvidas nos projetos analisados.

Apesar do crescimento, a maior parte dos corredores ainda está em fases preliminares. Das 84 iniciativas, 24 estavam na etapa de iniciação, 44 em exploração e 12 em preparação. Apenas quatro haviam alcançado a fase de realização, na qual começam a ser construídos navios, instalações e infraestrutura ou tem início a operação de transporte marítimo com emissão zero.

Europa e Ásia-Pacífico concentram projetos mais maduros

Algumas das iniciativas mais avançadas estão na Europa e na região Ásia-Pacífico.

Nas rotas entre Estocolmo e Turku e entre Vaasa e Umeå, entre Suécia e Finlândia, o biometano já era utilizado em operações de transporte de passageiros. Na ligação entre Austrália e Ásia, empresas avançaram na contratação de embarcações preparadas para utilizar amônia.

Já o corredor entre Oslo, na Noruega, e Roterdã, nos Países Baixos, reúne projetos de navios movidos a hidrogênio, além de estudos para a criação da infraestrutura necessária ao abastecimento.

Os diferentes modelos mostram que a implantação de um corredor verde não segue uma fórmula única. Cada rota demanda soluções específicas, que podem envolver incentivos regulatórios, recursos públicos, compromissos empresariais e mecanismos financeiros destinados a reduzir os custos da transição.

Custo e infraestrutura são obstáculos

Transformar um acordo ou estudo em uma operação efetiva continua sendo um dos principais desafios dos corredores verdes. Entre as dificuldades apontadas pelo relatório está a diferença de preço entre os combustíveis tradicionais e as alternativas de baixa ou zero emissão.

Outro entrave é a disposição dos proprietários das cargas em absorver custos adicionais relacionados à transição energética.

A implementação também depende de investimentos em novos navios e infraestrutura, além da existência de instalações adequadas para armazenar e abastecer embarcações com combustíveis alternativos. As incertezas relacionadas à regulamentação também podem dificultar decisões de longo prazo.

Mesmo em fases iniciais, porém, os projetos já geram efeitos importantes. As iniciativas têm ampliado a cooperação entre empresas e governos, estimulado a produção e o compartilhamento de conhecimento e aumentado a percepção sobre a importância dos portos na formação de cadeias de abastecimento de combustíveis sustentáveis.

Brasil amplia acordos internacionais

Nesse contexto, o Brasil vem ampliando sua atuação. O acordo firmado com Singapura prevê cooperação para analisar as condições necessárias à formação de uma cadeia de suprimento de combustíveis com emissões de gases de efeito estufa nulas ou próximas de zero na rota entre os dois países.

O memorando também inclui pesquisa e desenvolvimento, estudos para diminuir riscos de investimentos, mecanismos financeiros e digitais, intercâmbio de informações, capacitação profissional e realização de workshops.

A parceria também abre espaço para maior cooperação com um dos principais centros do comércio marítimo global. Durante missão internacional em agosto, o ministro Tomé Franca visitou o Porto de Tuas, onde conheceu soluções de automação portuária, digitalização e sustentabilidade.

A programação incluiu ainda uma reunião com a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura e a formalização do memorando de entendimento.

“O Brasil tem muito a contribuir para essa transição. Somos um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo e temos condições favoráveis para desenvolver combustíveis de baixa emissão. A criação de corredores verdes aproxima países, empresas e instituições para transformar esse potencial em soluções para o transporte marítimo”, afirmou Tomé Franca.

Parceria com Noruega e Países Baixos

O acordo com Singapura integra uma rede maior de cooperação internacional conduzida pelo MPor.

Com Noruega e Países Baixos, o Ministério participa das discussões para estruturar um corredor marítimo sustentável ligando o Brasil à Europa. Em junho, representantes dos três países estiveram em Brasília para um workshop sobre a implementação da iniciativa.

Durante o encontro, foi apresentado um estudo de viabilidade técnica que apontou rotas prioritárias e analisou diferentes possibilidades de combustíveis, entre elas biodiesel, amônia e metanol.

As conversas também avançaram para medidas capazes de levar os projetos à fase de implementação. Entre as propostas estão uma maior articulação entre governos, empresas e centros de pesquisa e a criação ou direcionamento de instrumentos de financiamento para navios, portos e terminais envolvidos nos corredores verdes.

Brasil também coopera com a França

A França é outro parceiro do Brasil na agenda de transporte marítimo sustentável.

Uma Declaração de Intenções estabelece cooperação para desenvolver projetos voltados à redução de emissões, incentivar tecnologias de baixa ou quase zero emissão, ampliar o uso de ferramentas digitais, promover pesquisas conjuntas e capacitar profissionais.

O acordo prevê ainda que o lado brasileiro seja coordenado pelo MPor, por meio das Secretarias Nacionais de Portos e de Hidrovias e Navegação.

Potencial brasileiro na transição energética

O avanço das parcerias internacionais ocorre em meio ao crescimento dos corredores verdes em diversas partes do mundo. O Global Maritime Forum aponta que países como Brasil, China e Índia já estabeleceram estratégias e metas relacionadas à transição energética, mas ainda enfrentam o desafio de transformar essas diretrizes em projetos concretos.

Segundo o levantamento, a cooperação entre países, a integração de políticas públicas e o envolvimento antecipado do setor privado podem ajudar a acelerar essa transformação.

Para o Brasil, a agenda combina desafios de infraestrutura e financiamento com oportunidades econômicas. Além de contribuir para a redução das emissões do transporte marítimo, o país reúne condições para ampliar sua participação na produção e no fornecimento de combustíveis de menor impacto climático.

Entre as alternativas com potencial estão biometano, hidrogênio verde, amônia verde e metanol verde, que podem ganhar espaço à medida que os corredores marítimos sustentáveis avançarem.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafael Medeiros

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Investimento

CZPE aprova R$ 206 bilhões em investimentos para ZPEs do Ceará, Maranhão e Piauí

O Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportações (CZPE) aprovou, nesta terça-feira (25), cinco novos projetos industriais e de serviços para as ZPEs de Pecém, no Ceará, Bacabeira, no Maranhão, e Parnaíba, no Piauí. Juntos, os empreendimentos representam R$ 206 bilhões em investimentos.

Os projetos estão concentrados em segmentos considerados estratégicos, como economia digital, energias renováveis e siderurgia verde. A expectativa é de que os empreendimentos acrescentem cerca de R$ 40 bilhões por ano em novas exportações a partir de 2029.

Datacenter concentra maior investimento

Na ZPE de Pecém (CE), o CZPE autorizou a implantação de um novo datacenter, vinculado à Voltalia Energia do Brasil. O empreendimento prevê investimentos de R$ 181,7 bilhões.

A fase de implantação deve gerar aproximadamente 2.300 empregos diretos, enquanto a operação permanente deverá contar com cerca de 400 postos de trabalho.

O projeto também contempla a ampliação da capacidade de geração de energia eólica e solar para atender à demanda do centro de processamento de dados.

Outra medida prevista é o uso de água de reuso no sistema de refrigeração dos equipamentos, buscando reduzir o consumo de recursos hídricos.

Maranhão recebe projetos de energia e siderurgia verde

Para a ZPE de Bacabeira (MA), foram aprovados três empreendimentos ligados à geração de energia renovável e à siderurgia sustentável.

A 4Wood Biotech pretende aplicar R$ 2,7 bilhões na instalação de uma biorrefinaria voltada ao processamento de biomassa de bambu. A unidade deverá produzir e exportar etanol de segunda geração, além de outros bioprodutos.

Outro projeto é da H2X, que prevê investimentos de R$ 2 bilhões para produzir e exportar hidrogênio verde incorporado a e-metanol.

Já a Hydeas planeja investir R$ 18,5 bilhões na produção de HBI Verde (ferro-esponja), utilizando fontes renováveis de energia.

Somados, os três empreendimentos projetam a criação de 10 mil empregos diretos durante a implantação e outros 550 postos na fase operacional.

Piauí terá produção de ferro-gusa verde

Na ZPE de Parnaíba (PI), o investimento aprovado é de R$ 1,1 bilhão, da empresa Hymetalx.

O projeto prevê a instalação de uma unidade para produção de ferro-gusa verde, utilizando hidrogênio verde obtido a partir de eletricidade gerada por fontes renováveis.

A expectativa é de geração de 605 empregos diretos ao longo das diferentes etapas do empreendimento.

Projetos ampliam presença do Brasil na transição energética

Em conjunto, os novos investimentos reforçam o papel das Zonas de Processamento de Exportações como instrumentos de atração de projetos industriais de maior conteúdo tecnológico e ambiental.

A expectativa é ampliar a agregação de valor dentro do país e fortalecer a participação brasileira em cadeias produtivas ligadas à transição energética e à descarbonização.

Os empreendimentos também devem contribuir para o aproveitamento de recursos disponíveis nas próprias regiões, recuperação de áreas degradadas, redução de emissões e criação de oportunidades de emprego, renda e integração produtiva.

Com a aprovação dos projetos, Ceará, Maranhão e Piauí ampliam a carteira de investimentos voltados a setores estratégicos da nova economia e ao mercado internacional.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Governo do Ceará

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Sustentabilidade

Embraer E175 faz voo comercial com eSAF e mostra novo caminho para a aviação sustentável

Uma aeronave da Embraer realizou nos Estados Unidos um voo comercial abastecido com eSAF, combustível sustentável de aviação produzido a partir de dióxido de carbono (CO₂), água e eletricidade de fontes renováveis.

O teste representa um avanço na busca por alternativas ao querosene tradicional e reforça o potencial dos combustíveis sintéticos para reduzir as emissões do setor aéreo sem exigir a substituição imediata da frota atualmente em operação.

Os eSAFs utilizam hidrogênio produzido com energia renovável e carbono capturado da atmosfera ou de resíduos industriais. Segundo estimativas apresentadas no projeto, essa tecnologia pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com o combustível convencional.

Apesar do potencial, a produção global de SAF (Sustainable Aviation Fuel) ainda corresponde a menos de 1% de todo o combustível consumido pela aviação.

Embraer E175 realiza voo de 30 minutos no Texas

O voo foi realizado pela American Airlines, maior companhia aérea do mundo, em parceria com a empresa de combustíveis sintéticos Infinium.

O avião utilizado foi um Embraer E175-E1, que decolou do Aeroporto Internacional de Corpus Christi e pousou no Aeroporto Internacional de Dallas Fort Worth, ambos no Texas. A viagem teve duração aproximada de 30 minutos.

O E175 é um jato regional bimotor desenvolvido pela fabricante brasileira para operações de curta e média distância. A aeronave utilizada no teste conta com dois motores turbofan General Electric CF34, uma família de propulsores convencionais amplamente empregada na aviação regional.

O uso do eSAF em uma aeronave equipada com motores convencionais é um dos pontos de destaque do teste. A experiência demonstra que o combustível sustentável pode ser utilizado na infraestrutura e em aeronaves já presentes no mercado, sem depender necessariamente de uma renovação completa da frota.

American Airlines investe em combustíveis sintéticos

A operação faz parte de uma estratégia mais ampla da companhia aérea para desenvolver uma cadeia comercial de eFuels.

Em Corpus Christi, a American Airlines conduz o Project Pathfinder, sua primeira instalação comercial voltada à produção de combustíveis sintéticos. A iniciativa busca fabricar eFuels em escala comercial utilizando a infraestrutura de aviação existente.

No oeste do Texas, outro projeto amplia a aposta na tecnologia. O Project Roadrunner foi planejado para produzir aproximadamente 23 mil toneladas por ano de eSAF e outros combustíveis sintéticos quando estiver em operação.

A estrutura também prevê 100 MW de capacidade de produção de hidrogênio e 150 MW de capacidade de energia eólica contratada por meio de um acordo de fornecimento de eletricidade.

Projeto Atlas quer produzir 100 mil toneladas de eSAF por ano

A parceria entre a American Airlines e a Infinium também prevê uma estratégia de longo prazo para ampliar a oferta do combustível.

As empresas trabalham no Project Atlas, iniciativa que tem como objetivo alcançar uma produção anual de 100 mil toneladas de eSAF para atender à indústria de aviação comercial até 2029.

Além de participar do desenvolvimento do voo experimental, a American Airlines firmou uma parceria para adquirir futuramente volumes comerciais do combustível produzido pela Infinium.

A estratégia mostra como as companhias aéreas começam a buscar alternativas capazes de reduzir a pegada de carbono da aviação sem depender exclusivamente de novas tecnologias de motores ou aeronaves.

Hidrogênio é um dos principais desafios

Apesar do potencial dos combustíveis sintéticos, a expansão do eSAF ainda enfrenta obstáculos importantes. Um dos principais está relacionado à própria cadeia de produção, transporte e armazenamento do hidrogênio.

Em voos comerciais de longa distância, a quantidade de hidrogênio necessária pode representar um desafio adicional. O combustível pode aumentar o peso da aeronave e, consequentemente, elevar a quantidade de energia necessária para a operação.

Por outro lado, os eSAFs apresentam uma vantagem importante: possuem alta densidade energética e podem ser misturados ao combustível convencional ou utilizados em motores já existentes.

Essa característica reduz a necessidade de mudanças imediatas na infraestrutura aeroportuária e na frota comercial.

Aviação responde por até 2,5% das emissões de CO₂

A busca por combustíveis de menor impacto ambiental ganhou importância diante da participação da aviação nas emissões globais.

Atualmente, o setor aéreo é responsável por aproximadamente 2% a 2,5% das emissões de dióxido de carbono (CO₂) produzidas pelas atividades humanas. As operações comerciais representam cerca de 81% desse volume.

Por isso, o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis para aviação tornou-se uma das principais estratégias para reduzir as emissões do setor.

Entre as alternativas atualmente utilizadas estão biocombustíveis e combustíveis produzidos a partir de óleos reciclados. Os eSAFs surgem como uma opção adicional, principalmente por utilizarem carbono capturado e hidrogênio produzido com energia renovável.

Estados Unidos estabelecem metas para o combustível sustentável

O governo norte-americano também estabeleceu metas ambiciosas para ampliar a produção de SAF.

Por meio do SAF Grand Challenge, iniciativa que reúne diferentes órgãos do governo dos Estados Unidos, a meta é alcançar uma produção mínima de 3 bilhões de galões de combustível sustentável por ano até 2030.

Para 2050, o objetivo é elevar esse volume para 35 bilhões de galões anuais.

Nesse cenário, o voo realizado com o Embraer E175 representa mais do que um teste de combustível. A operação ajuda a avaliar como os eSAFs podem ser incorporados à aviação comercial convencional e contribuir para a transição do setor rumo a uma matriz energética com menor emissão de carbono.

FONTE: Fórum
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wikipedia

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Transporte

GWM inicia operação de caminhão a hidrogênio no Brasil e amplia estratégia global de descarbonização

A GWM deu um passo importante na expansão de sua tecnologia de hidrogênio verde ao iniciar oficialmente a operação comercial de seu caminhão movido a célula de combustível no Brasil. O primeiro abastecimento do veículo foi realizado no Senai Cimatec Park, em Camaçari (BA), marcando o início da única operação da divisão GWM Hydrogen fora da China.

O abastecimento representa a entrada do caminhão em uma nova fase de testes operacionais utilizando combustível renovável produzido no país. Paralelamente, a fabricante iniciou as negociações comerciais do modelo e pretende realizar as primeiras entregas na América Latina ainda este ano.

Mercado brasileiro impulsiona projeções da GWM

A montadora aposta no Brasil como um dos principais mercados para sua estratégia de mobilidade sustentável. A expectativa é alcançar um faturamento de R$ 20 milhões em 2026 com a comercialização de caminhões e soluções baseadas em células de combustível de hidrogênio.

Segundo a empresa, a projeção é conservadora diante do interesse demonstrado pelo mercado. Atualmente, a GWM mantém negociações avançadas com sete empresas privadas e centros de tecnologia brasileiros, além de prospectar clientes em outros países da América do Sul.

Para 2027, a meta é elevar a receita para R$ 200 milhões, consolidando o Brasil como um mercado estratégico para a expansão global da fabricante. O otimismo é sustentado pela experiência da matriz chinesa, que já possui mais de 2 mil caminhões a hidrogênio em operação em diferentes condições de uso.

Caminhão a hidrogênio alia potência e emissão zero

O veículo foi desenvolvido com tecnologia FCEV (Veículo Elétrico Movido por Célula de Combustível), que transforma o hidrogênio armazenado em eletricidade para alimentar o motor elétrico. Durante a operação, a única emissão pelo escapamento é vapor d’água.

O conjunto mecânico reúne tanques de fibra de carbono com capacidade para armazenar até 40 quilos de hidrogênio, além de uma bateria auxiliar de 105 kWh, responsável por recuperar energia durante as frenagens.

Entre as principais características do modelo estão:

  • Potência de 544 cv (400 kW) e torque de 2.300 Nm;
  • Autonomia de até 500 quilômetros com tanque cheio a 350 bar;
  • Peso Bruto Total (PBT) de 49 toneladas;
  • Tara de 10,8 toneladas, cerca de 500 quilos inferior à de caminhões a diesel da mesma categoria, permitindo maior capacidade de carga.

Nos testes realizados no complexo do Senai Cimatec, na Bahia, o caminhão já percorreu mais de 500 quilômetros, com previsão de ultrapassar a marca de 1.000 quilômetros nos próximos meses.

Retrofit amplia alternativas para renovação de frotas

Além da venda de veículos novos, a GWM oferecerá no Brasil o serviço de retrofit, que permite converter caminhões movidos a diesel em modelos elétricos abastecidos por hidrogênio.

O processo substitui o conjunto mecânico convencional por um sistema composto por célula de combustível, tanques de alta pressão, motor elétrico e módulos eletrônicos instalados sobre o chassi original.

De acordo com a empresa, essa solução reduz o investimento inicial para transportadoras interessadas na transição energética e facilita a implantação de operações com abastecimento próprio, minimizando os impactos da ainda limitada infraestrutura pública de postos de hidrogênio no país.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: GWM Brasil

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Sustentabilidade

Barco movido a hidrogênio entra em fase decisiva de testes em Santa Catarina

O barco movido a hidrogênio JAQ H1 inicia uma das etapas mais importantes do projeto de desenvolvimento da embarcação sustentável. Após ser apresentado na COP30 e participar do Marina Itajaí Boat Show, o modelo de 36 metros permanece em Itajaí, no litoral de Santa Catarina, onde passará pelos primeiros testes com abastecimento de hidrogênio (H₂).

A partir da próxima semana, a embarcação começará a receber o combustível em seus tanques e dará início à ativação das células a combustível, tecnologia responsável pela geração de energia para o sistema de propulsão. O objetivo é validar o funcionamento integrado dos equipamentos antes das futuras operações.

Comissionamento verifica desempenho e segurança dos sistemas

A nova fase corresponde ao chamado comissionamento, processo técnico destinado a avaliar se todos os componentes da embarcação operam de forma segura e eficiente.

Durante essa etapa, serão testados tanques, bombas, válvulas, baterias, motores, células a combustível e sistemas de segurança para garantir que todo o conjunto funcione de maneira integrada. Na prática, trata-se da verificação completa da embarcação antes da navegação.

Validação foi dividida em duas etapas

O cronograma de testes foi organizado em duas fases. A primeira ocorreu durante a passagem do JAQ H1 pela COP30, em Belém, quando foram avaliados os sistemas elétricos e as baterias da embarcação.

Agora, em Itajaí, começa a segunda etapa, voltada ao armazenamento do hidrogênio verde e ao funcionamento das células a combustível fornecidas pela GWM Hydrogen-FTXT.

Segundo Davi Lopes, Head da GWM Hydrogen-FTXT Brasil, o abastecimento inicial exige protocolos rigorosos, análises de risco e acompanhamento técnico contínuo para assegurar a operação.

“É um processo mais demorado porque envolve segurança, procedimentos de operação e diferentes testes. A prioridade é colocar o sistema para funcionar da maneira mais segura possível”, afirma.

Equipe internacional acompanhará os testes

Os trabalhos devem durar cerca de 15 dias e contar com aproximadamente 20 profissionais, entre engenheiros da GWM, especialistas do Grupo Náutica e técnicos da Quantus.

Além da equipe brasileira, engenheiros chineses participarão da operação para acompanhar o primeiro abastecimento, a ativação dos equipamentos, a calibração dos sistemas e os testes de segurança.

Tecnologia pode impulsionar a transição energética no setor marítimo

Idealizado pelo presidente do Grupo Náutica, Ernani Paciornik, o Projeto JAQ Hidrogênio Verde busca ampliar o uso de tecnologias limpas na navegação brasileira.

De acordo com Paciornik, a nova fase representa um passo importante para validar a aplicação do hidrogênio como fonte de energia no setor marítimo e contribuir para o desenvolvimento de soluções sustentáveis.

“Este é um momento muito importante para o projeto e para a transição energética do setor marítimo no Brasil. Depois de demonstrarmos, na COP30, a aplicação do hidrogênio nos sistemas de bordo, avançamos agora para uma etapa decisiva de testes, segurança operacional e validação tecnológica. O conhecimento gerado a partir desse processo poderá contribuir para o desenvolvimento de soluções mais limpas e acelerar a adoção de novas fontes de energia na navegação brasileira”, destaca Ernani Paciornik.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Agricultura

Fertilizantes no Brasil: dependência externa desafia agronegócio e coloca Petrobras diante de novo dilema

O Brasil, uma das maiores potências do agronegócio mundial, ainda enfrenta um desafio estratégico: a forte dependência de fertilizantes importados. No caso da ureia, principal fonte de nitrogênio utilizada nas lavouras, cerca de 80% do consumo nacional é abastecido por fornecedores internacionais, especialmente da Rússia, China e Oriente Médio.

As recentes crises geopolíticas, como a guerra na Ucrânia, além da volatilidade dos preços e dos custos logísticos, evidenciaram a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos. Nesse contexto, a decisão da Petrobras de retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), reacendeu o debate sobre a produção nacional e o futuro dos fertilizantes no país.

Retomada da UFN-III busca reduzir dependência de importações

Paralisada desde 2014, a UFN-III deverá receber investimentos superiores a R$ 5 bilhões, com apoio do Novo PAC. A expectativa da Petrobras é concluir a planta entre o fim de 2028 e o início de 2029.

Quando entrar em operação, a unidade terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, volume suficiente para atender aproximadamente 15% da demanda nacional de ureia.

Para o governo, o projeto representa um avanço na estratégia de fortalecimento da segurança alimentar e da soberania na produção de insumos agrícolas. Já para o setor produtivo, a retomada pode ampliar a oferta nacional, mas ainda há dúvidas sobre sua competitividade.

Preço do gás natural é principal obstáculo

Especialistas avaliam que o maior desafio da produção nacional não está na capacidade industrial, mas no custo da matéria-prima.

Segundo Marcelo Soto, head de Operações e Inteligência de Suprimentos da SCA, o gás natural responde por 60% a 80% do custo de fabricação da ureia. Enquanto grandes exportadores, como Rússia, Irã e Catar, trabalham com preços próximos de US$ 3 por milhão de BTUs, no Brasil esse valor pode chegar a US$ 15, comprometendo a competitividade da indústria nacional.

Mesmo com a localização estratégica da planta, próxima ao Gasbol, ainda não há garantia de que o custo do gás permitirá competir com os fertilizantes importados sem subsídios ou mudanças estruturais no mercado energético.

Agronegócio prioriza custo e flexibilidade

Além da concorrência com a ureia importada, a produção nacional também disputa espaço com outras fontes de nitrogênio, como o sulfato de amônio, amplamente importado da China, e o nitrato de amônio, fornecido principalmente pela Rússia.

Na prática, o produtor rural escolhe o fertilizante com base no menor custo disponível, independentemente da origem do produto.

Outro fator apontado por especialistas é a falta de regularidade histórica da produção nacional. Segundo Marcelo Soto, a Petrobras costuma operar de forma pontual, dificultando contratos de fornecimento de longo prazo e obrigando distribuidores e agricultores a manterem a dependência do mercado internacional.

Amônia verde entra no debate sobre o futuro dos fertilizantes

Embora a retomada da UFN-III seja considerada positiva sob o ponto de vista da segurança de abastecimento, o projeto também desperta questionamentos sobre sua atualização tecnológica.

A unidade foi concebida há cerca de 15 anos com base em processos convencionais de produção de amônia e ureia a partir do gás natural. Entretanto, diversos países já investem em tecnologias de baixo carbono, como a amônia verde, produzida por meio do hidrogênio verde.

Especialistas ouvidos pelo setor avaliam que adaptar a planta para esse novo modelo poderia aumentar sua competitividade no longo prazo, embora os custos atuais da tecnologia ainda sejam elevados.

Transição energética depende da redução dos custos

O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Luiz Viga, afirma que a produção de fertilizantes verdes representa uma alternativa estratégica para o Brasil.

Segundo ele, ao utilizar água e eletricidade renovável em vez de gás natural, o país pode aproveitar sua abundância de recursos energéticos para construir uma indústria mais competitiva no futuro.

No entanto, Viga alerta que o principal desafio não está na tecnologia, mas no custo da energia elétrica. Encargos setoriais e outros componentes tarifários ainda dificultam a viabilidade econômica dos projetos de hidrogênio verde.

Apesar disso, ele destaca que os custos internacionais vêm caindo rapidamente. Em mercados como China e Índia, projetos de amônia verde já apresentam valores significativamente inferiores aos registrados há poucos anos.

Brasil busca fortalecer produção nacional de fertilizantes

Programas federais de incentivo, como o Profert, também fazem parte da estratégia para ampliar a produção nacional e reduzir a dependência das importações.

A expectativa do setor é que os primeiros investimentos em fertilizantes produzidos com hidrogênio verde avancem até 2028, com unidades entrando em operação a partir de 2030. Para especialistas, a consolidação dessa tecnologia poderá transformar gradualmente o mercado brasileiro ao longo da próxima década.

Enquanto isso, a retomada da UFN-III representa um passo importante para ampliar a oferta nacional, mas especialistas ressaltam que sua efetividade dependerá de fatores como competitividade, custo do gás natural e evolução das tecnologias sustentáveis.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Internacional

Brasil e Países Baixos firmam plano para ampliar cooperação em transição energética e bioeconomia

O Brasil e os Países Baixos deram mais um passo na construção de parcerias voltadas ao desenvolvimento sustentável. O Ministério de Minas e Energia (MME) e o Ministério de Assuntos Econômicos e Política Climática dos Países Baixos assinaram o Plano de Trabalho Brasil–Países Baixos 2026-2028, documento que estabelece as prioridades da cooperação bilateral em áreas ligadas à transição energética e à bioeconomia.

O acordo foi formalizado durante reunião realizada em 15 de junho e marca a primeira ação prática decorrente do Memorando de Entendimento firmado entre os dois países durante a COP30, realizada em 2025.

Parceria prevê intercâmbio de conhecimento e inovação

Representando o governo brasileiro, o secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Renato Dutra, participou das discussões que definiram as iniciativas conjuntas para os próximos três anos.

A proposta inclui a realização de encontros técnicos, missões institucionais e intercâmbio de conhecimento entre governos, universidades, centros de pesquisa e empresas dos dois países. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de tecnologias voltadas à economia de baixo carbono e à redução das emissões de gases de efeito estufa.

Temas estratégicos estão entre as prioridades

A agenda de cooperação contempla áreas consideradas essenciais para o avanço da sustentabilidade energética. Entre os temas prioritários estão o combustível sustentável de aviação (SAF), hidrogênio de baixo carbono, bioenergia, biorrefinarias, captura e armazenamento de carbono (CCS), além de biocombustíveis e recursos biológicos sustentáveis.

As ações serão desenvolvidas em parceria com instituições brasileiras e holandesas, fortalecendo iniciativas ligadas à descarbonização da economia e à expansão de modelos produtivos mais sustentáveis.

Missões internacionais e projetos de pesquisa fazem parte do plano

Entre as atividades previstas para o período de 2026 a 2028 estão a participação conjunta em missões internacionais voltadas ao desenvolvimento de biorrefinarias integradas, a realização de mesas-redondas anuais com especialistas do setor público e privado e o incentivo a projetos de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico.

A expectativa é ampliar a troca de experiências e estimular soluções capazes de fortalecer as cadeias produtivas associadas aos combustíveis renováveis e à transição energética global.

Cooperação fortalece oportunidades de investimento

Além do intercâmbio tecnológico, o plano busca criar um ambiente favorável para novos investimentos em setores estratégicos da economia sustentável. A iniciativa reforça a convergência entre Brasil e Países Baixos na promoção da inovação, do uso eficiente dos recursos naturais e da expansão da bioeconomia.

A parceria também abre caminho para o fortalecimento de projetos voltados à economia circular e ao desenvolvimento de tecnologias que contribuam para a neutralidade de carbono.

Relação bilateral já soma mais de 20 anos

A cooperação entre Brasil e Países Baixos nas áreas de ciência, tecnologia e inovação não é recente. Há mais de duas décadas, os dois países mantêm iniciativas conjuntas por meio de acordos institucionais, missões técnicas e projetos colaborativos.

Com o novo plano de trabalho, a expectativa é ampliar ainda mais essa relação estratégica, consolidando oportunidades de inovação, desenvolvimento sustentável e crescimento econômico baseado em energias limpas.

FONTE: Ministério de Minas e Energia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MME

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Sustentabilidade

Armazenamento de energia e hidrogênio ganham protagonismo nas estratégias de Brasil e China

O avanço do armazenamento de energia e do hidrogênio verde tem reforçado o papel dessas tecnologias como pilares da transição energética global. O tema esteve no centro das discussões do painel “Fortalecendo as energias renováveis com hidrogênio e armazenamento de energia em uma nova era”, realizado nesta sexta-feira (12) durante o 17º Fórum e Exposição Internacional de Investimentos e Construção de Infraestrutura, em Macau.

Promovido pela PowerChina e conduzido por Li Sisheng, vice-presidente executivo da companhia, o encontro reuniu representantes do setor energético, especialistas e lideranças empresariais de diferentes países para debater os desafios da expansão das energias renováveis e as soluções necessárias para garantir maior estabilidade aos sistemas elétricos.

Brasil prepara primeiro leilão nacional de baterias

O debate ocorre em um momento estratégico para o Brasil. Recentemente, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou a realização do primeiro leilão nacional de sistemas de armazenamento por baterias, previsto para dezembro de 2026.

A expectativa é que a iniciativa atraia mais de R$ 10 bilhões em investimentos, contribuindo para ampliar a segurança energética, aumentar a flexibilidade operacional do sistema e facilitar a integração de fontes renováveis ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Armazenamento de energia se torna peça-chave da transição energética

Durante a abertura do painel, Fang Qiuchen, presidente da Associação Internacional de Empreiteiros da China (CHINCA), destacou que o setor energético mundial vive uma nova etapa de transformação impulsionada pela inovação tecnológica, pela expansão das fontes limpas e pelas mudanças na matriz energética.

Segundo ele, o modelo tradicional está sendo substituído por sistemas mais eficientes, inteligentes e sustentáveis. Nesse cenário, o armazenamento de energia e o hidrogênio assumem funções estratégicas para equilibrar oferta e demanda, aumentar a capacidade de regulação das redes elétricas e viabilizar a integração de fontes renováveis.

Fang ressaltou ainda que a rápida expansão da energia solar e da energia eólica traz desafios relacionados à intermitência da geração. Para ele, o armazenamento é essencial para garantir o aproveitamento eficiente desses recursos em larga escala.

Integração tecnológica fortalece sistemas energéticos

Na sequência, He Yanfeng, vice-presidente executivo da Power Construction Corporation of China, afirmou que a busca simultânea por crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e segurança energética tem acelerado a transformação do setor.

De acordo com o executivo, os sistemas de armazenamento passaram a desempenhar papel estrutural ao permitir que a eletricidade produzida por fontes renováveis seja utilizada de forma mais previsível e eficiente.

He destacou que a combinação entre energia solar, hidrogênio verde, armazenamento de energia e redes inteligentes representa uma das principais rotas tecnológicas para os sistemas energéticos do futuro.

O executivo também apresentou projetos desenvolvidos pela empresa em diferentes regiões do mundo, incluindo um dos maiores empreendimentos de armazenamento conectado à rede elétrica na Arábia Saudita e iniciativas voltadas ao uso industrial de energia renovável na Ásia Central.

Segundo ele, o armazenamento agrega “valor de tempo” à energia renovável, permitindo que a eletricidade gerada em períodos de maior produção seja utilizada posteriormente com segurança e estabilidade.

Hidrogênio verde e armazenamento caminham juntos

A visão internacional do tema foi reforçada por Adel Alsaeedi, vice-presidente sênior da Emirates Water and Electricity Company (EWEC), dos Emirados Árabes Unidos.

O executivo alertou que o aumento da demanda global por eletricidade, impulsionado pelo crescimento populacional, pela industrialização e pela expansão tecnológica, exige soluções capazes de fornecer energia limpa em grande escala.

Para Alsaeedi, embora as fontes renováveis sejam fundamentais para a descarbonização da economia, elas não conseguem, sozinhas, atender todas as exigências dos sistemas elétricos modernos.

Nesse contexto, o hidrogênio verde e os sistemas de armazenamento de energia tornam-se indispensáveis para garantir flexibilidade operacional, estabilidade das redes e maior resiliência energética.

Ele destacou ainda que o hidrogênio terá papel decisivo na redução das emissões em setores de difícil eletrificação, como aviação, transporte marítimo e indústria pesada, enquanto o armazenamento permitirá ampliar a participação das fontes renováveis com maior confiabilidade.

Estratégias de Brasil e China mostram convergência

As discussões realizadas em Macau reforçam que o armazenamento de energia deixou de ser uma solução complementar para se tornar um elemento central na expansão das energias renováveis em escala global.

A avaliação está alinhada com os movimentos adotados pelo Brasil, que busca ampliar sua capacidade de armazenamento por meio do leilão nacional de baterias e fortalecer a integração da geração solar e eólica ao sistema elétrico.

Nesse cenário, os debates promovidos pela PowerChina evidenciam uma crescente convergência entre as estratégias de Brasil e China. Os dois países avançam na construção de sistemas energéticos mais limpos, resilientes e preparados para absorver volumes cada vez maiores de energia renovável, tendo o armazenamento de energia e o hidrogênio verde como protagonistas dessa transformação.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Brasil 247

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Transporte

Corredor marítimo verde: Brasil, Noruega e Holanda avançam em projeto inédito no Atlântico

Brasil, Noruega e Holanda deram mais um passo rumo à descarbonização do transporte marítimo internacional com a apresentação do primeiro estudo de viabilidade técnica e econômica para a criação de um corredor marítimo verde no Atlântico Sul. A proposta busca conectar o Brasil à Europa por meio de rotas operadas com combustíveis de baixa ou zero emissão de carbono.

O estudo foi apresentado na Embaixada da Noruega, em Brasília, e aponta caminhos para reduzir o impacto ambiental do transporte marítimo entre os países.

Transporte marítimo gera milhões de toneladas de CO₂

De acordo com o levantamento, as operações marítimas entre Brasil e Europa emitiram aproximadamente 4,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2023.

Somente nas rotas entre Brasil e Noruega, 88 viagens de grandes cargueiros foram responsáveis pela emissão de 116 mil toneladas de CO2e. A maior parte das emissões está relacionada ao transporte de commodities como soja, minério de ferro e celulose.

Estudo identifica três rotas prioritárias

O documento foi elaborado pela consultoria norueguesa DNV após mais de um ano de cooperação entre os governos envolvidos.

O estudo definiu três rotas consideradas estratégicas para implantação do corredor verde:

  • Vila do Conde (PA) – Karmøy (Noruega)
  • Santos (SP) – Rotterdam (Holanda)
  • Pecém (CE) – Rotterdam (Holanda)

A rota entre Vila do Conde e Karmøy concentra cerca de 66% das emissões bilaterais entre Brasil e Noruega, segundo os dados apresentados.

Já o corredor entre Pecém e Rotterdam deverá priorizar exportações de hidrogênio verde, amônia verde e ferro verde, alinhadas às metas ambientais da União Europeia.

Combustíveis verdes ainda elevam custos operacionais

O estudo analisou o uso de três alternativas de combustíveis sustentáveis para navegação:

  • Biodiesel (FAME)
  • Amônia verde
  • Metanol verde

Apesar do potencial de neutralização das emissões, operar embarcações com combustíveis verdes ainda apresenta custos superiores aos sistemas convencionais movidos a combustíveis fósseis.

Na rota entre Vila do Conde e Karmøy, por exemplo, o custo do biodiesel pode ficar 43% acima da operação tradicional entre 2026 e 2040. Já o metanol verde pode elevar os gastos em até 109%.

Por outro lado, o biodiesel aparece como alternativa mais viável no curto prazo, já que pode ser utilizado nos motores atuais sem necessidade de grandes adaptações.

Novas regras da IMO podem acelerar transição

A implementação do novo marco regulatório da Organização Marítima Internacional (IMO) deve impulsionar a adoção de combustíveis sustentáveis no setor naval.

O chamado IMO Net-Zero Framework prevê multas para embarcações que ultrapassarem limites de emissão de carbono, com penalidades que podem chegar a US$ 380 por tonelada de CO2e.

Segundo o estudo, essas regras tendem a reduzir gradualmente a diferença de custo entre combustíveis fósseis e opções sustentáveis ao longo dos próximos anos.

Brasil aposta em energia renovável e infraestrutura portuária

A parceria internacional se apoia nas características complementares dos três países envolvidos.

O Brasil entra no projeto com uma matriz energética majoritariamente renovável e portos estratégicos como Santos, Pecém, Itaqui, Açu, Rio Grande e Navegantes.

A Noruega contribui com tecnologia marítima avançada e experiência em soluções para navegação sustentável. Já a Holanda oferece a estrutura logística do porto de Rotterdam, considerado um dos maiores da Europa.

Falta de coordenação ainda é desafio para o setor

Especialistas envolvidos no projeto apontam que o principal obstáculo para a criação dos corredores verdes não está apenas nos investimentos, mas também na articulação entre governos, armadores, produtores e operadores portuários.

Entre as recomendações do estudo estão a formação de consórcios internacionais e contratos de longo prazo para dar segurança econômica aos investimentos em infraestrutura e novas embarcações.

O Ministério de Portos e Aeroportos também informou que o Brasil ainda precisa avançar na regulamentação específica para combustíveis sustentáveis voltados ao transporte marítimo.

Países preparam edital bilionário para pesquisa e inovação

Como parte da cooperação, Brasil, Noruega e Holanda estudam lançar ainda em 2026 um edital conjunto de pesquisa e desenvolvimento.

A iniciativa, em parceria com a Finep, poderá destinar cerca de R$ 450 milhões para projetos ligados a combustíveis verdes e tecnologias voltadas à descarbonização das rotas marítimas.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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