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Petróleo dispara 9% após fechamento do Estreito de Hormuz e tensão no Irã

A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionou uma forte alta no preço do petróleo nesta terça-feira (3). Após o anúncio do Irã sobre o fechamento do Estreito de Hormuz, o barril do tipo Brent chegou a avançar 9%, superando a marca de US$ 85 e atingindo o maior patamar desde julho de 2024.

Por volta das 11h30, o Brent, referência global da commodity, era negociado a US$ 83,88, com alta de 7,87%. Já o WTI (West Texas Intermediate) subia quase 8%, alcançando US$ 77,57, também no maior nível desde junho de 2025.

Fechamento do Estreito de Hormuz eleva tensão no mercado de energia

A decisão do Irã ocorre em meio à guerra envolvendo ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país. A ameaça da Guarda Revolucionária iraniana de atingir embarcações que cruzem o estreito elevou o temor de interrupção no fluxo global de energia.

O Estreito de Hormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos diariamente no mundo passam pelo corredor de apenas 40 km de largura em seu ponto mais estreito. China e Índia estão entre os principais destinos da carga transportada pela região.

O impacto imediato foi a retenção de centenas de navios petroleiros nas proximidades de polos logísticos como Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.

Produção ameaçada e paralisações no Oriente Médio

A tensão geopolítica já provoca interrupções na cadeia produtiva de energia. O Irã responde por cerca de 3% da produção mundial, com aproximadamente 3,3 milhões de barris por dia, mas sua posição estratégica amplia sua influência sobre o abastecimento global.

Empresas e governos da região anunciaram medidas emergenciais:

  • A estatal do Qatar suspendeu parte da produção de GNL e derivados industriais.
  • A Arábia Saudita interrompeu operações em sua maior refinaria doméstica.
  • Israel e o Curdistão iraquiano reduziram atividades no setor de petróleo e gás.
  • A Índia iniciou racionamento de gás para indústrias.

A gigante saudita Saudi Aramco orientou compradores do petróleo Arab Light a redirecionar carregamentos para Yanbu, no Mar Vermelho, evitando a rota pelo estreito.

Especialistas avaliam que, caso o bloqueio persista, países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e o próprio Irã poderão ser forçados a reduzir a produção em poucos dias.

Impactos no Brasil e na inflação global

A disparada do petróleo internacional aumenta a pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil e pode influenciar decisões de política monetária. Um ciclo prolongado de alta pode dificultar cortes na taxa de juros, diante do risco de reaceleração da inflação.

Apesar do cenário tenso, analistas descartam, por ora, risco imediato de desabastecimento global, destacando que a oferta mundial ainda supera o crescimento da demanda.

O comportamento das cotações dependerá principalmente da duração e intensidade do conflito e do tempo de fechamento do Estreito de Hormuz.

Bolsas despencam com aversão ao risco

O avanço do conflito também provocou forte queda nas Bolsas de valores ao redor do mundo.

Na Ásia, mercados como Seul registraram perdas superiores a 7%, enquanto índices chineses tiveram o pior desempenho em um mês. Praças europeias operavam com recuos acima de 3% no fim da manhã.

Nos Estados Unidos, os futuros indicavam abertura negativa em Wall Street:

  • Nasdaq: -2,3%
  • Dow Jones: -1,76%
  • S&P 500: -1,84%

Ações de tecnologia como Nvidia e Microsoft também recuaram.

Nem mesmo o ouro, tradicional ativo de proteção, escapou da volatilidade e operava em queda. Já o bitcoin avançava mais de 2%, refletindo movimentos especulativos.

Juros e política monetária no radar

O salto do petróleo reacendeu preocupações com a inflação global. Investidores passaram a rever expectativas sobre cortes de juros pelo Federal Reserve, adiando projeções de redução da taxa básica de julho para setembro.

O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos subiu ao maior nível em mais de uma semana, sinalizando maior cautela do mercado diante do cenário geopolítico.

Analistas destacam que, caso o petróleo permaneça em patamares elevados por período prolongado, o movimento de aversão ao risco pode se intensificar nos mercados globais.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Planet Labs

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Internacional

Minério de ferro na China sobe com alta do frete em meio à guerra no Irã

Os contratos de minério de ferro na China encerraram a segunda-feira em alta, revertendo as perdas registradas no início do pregão. O movimento foi impulsionado pelo avanço dos custos de frete marítimo, influenciados pela escalada da guerra no Irã, além da redução nos embarques globais da matéria-prima.

O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) fechou com valorização de 0,87%, cotado a 754,5 iuanes (US$ 109,64) por tonelada. Já o contrato de referência para abril na Bolsa de Cingapura avançou 0,85%, para US$ 99,2 por tonelada.

Petróleo mais caro eleva frete marítimo

Analistas da Zhengxin Futures apontaram que a alta do petróleo, diante das tensões entre Estados Unidos e Irã, elevou os custos logísticos, oferecendo suporte adicional aos preços do minério.

O cenário geopolítico tem impacto direto sobre o transporte marítimo internacional, especialmente em rotas estratégicas para exportação de commodities.

Queda nos embarques da Austrália e Brasil

Outro fator que contribuiu para a valorização foi a retração nos embarques dos dois maiores fornecedores globais, Austrália e Brasil. Segundo dados compilados pela consultoria Mysteel, os volumes caíram 0,8% na comparação semanal.

A redução na oferta externa ajudou a sustentar as cotações do principal insumo utilizado na produção de aço.

Restrições em Tangshan limitaram ganhos

Apesar do fechamento positivo, o minério iniciou o dia em queda, pressionado por restrições ambientais em Tangshan, maior polo siderúrgico chinês.

A previsão de piora na qualidade do ar levou as autoridades locais a acionarem o nível dois de resposta emergencial, medida que normalmente obriga siderúrgicas a reduzirem a produção e, consequentemente, a demanda por matérias-primas.

As restrições também ocorrem em meio a esforços para garantir melhores condições ambientais durante a reunião parlamentar anual da China, marcada para 5 de março.

Estoques elevados ainda preocupam

Apesar do suporte vindo do frete e da oferta global, o mercado segue atento à demanda por aço. Segundo Guiqiu Zhuo, analista da Jinrui Futures, a recuperação do consumo permanece lenta, enquanto os estoques seguem elevados.

Dados da consultoria Steelhome indicam que os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses atingiram 162,17 milhões de toneladas em 27 de fevereiro — o maior volume já registrado.

O cenário combina fatores de suporte pontual aos preços com fundamentos ainda frágeis, mantendo o mercado atento aos próximos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e à evolução da demanda chinesa.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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