Comércio

Canetas emagrecedoras mudam hábitos de consumo e levantam alerta sobre contrabando

Medicamentos à base de GLP-1 ganham espaço na rotina dos brasileiros e coincidem com mudanças na cesta de compras e no cenário do contrabando no Brasil

Canetas emagrecedoras alteram composição das compras

A popularização das chamadas canetas emagrecedoras vem acompanhada de mudanças nos hábitos de consumo. Na cesta de supermercado, alguns produtos tradicionalmente associados ao consumo de bebidas alcoólicas, biscoitos e doces perdem espaço, enquanto carnes, ovos, vegetais e suplementos proteicos, como whey protein, aparecem com maior frequência.

Um movimento diferente também chama atenção: o aumento das vendas de cigarros em uma grande rede supermercadista.

Segundo um executivo ouvido pelo InvestNews, o volume de cigarros vendidos pela rede cresceu 40% no acumulado de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Na avaliação do executivo, uma possível explicação estaria relacionada à mudança na composição das cargas de produtos contrabandeados que entram no país. A hipótese levantada é de que grupos criminosos estariam transportando menos cigarros e mais medicamentos para emagrecimento, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

A justificativa seria econômica e logística: as canetas ocupam pouco espaço e possuem elevado valor por unidade.

Os dados oficiais de apreensões mostram movimentos simultâneos envolvendo os dois produtos, mas ainda não permitem concluir que as canetas estejam efetivamente substituindo os cigarros nas cargas de contrabando.

Dados nacionais de vendas mostram alta mais moderada

O crescimento observado na rede supermercadista não se repete na mesma proporção nos dados da Scanntech.

Entre janeiro e agosto de 2026, a quantidade de cigarros vendidos aumentou 0,9% em relação ao mesmo período de 2025. Já o faturamento avançou 9,1%, enquanto o preço médio por unidade subiu 8,1%.

Os números indicam, portanto, um cenário diferente daquele observado especificamente na rede ouvida pelo InvestNews.

Apreensões de canetas emagrecedoras disparam

O avanço das canetas de GLP-1 também aparece nos registros de fiscalização.

No primeiro semestre de 2026, o valor das apreensões desses produtos realizadas pela Receita Federal saltou de pouco mais de R$ 4 milhões, no mesmo período de 2025, para mais de R$ 80 milhões. O órgão, porém, não informou quantas unidades correspondem aos valores apreendidos.

Na região de Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai, foram apreendidas 7.479 unidades entre maio e dezembro de 2025. Em 2026, o número chegou a 71.860 unidades, de acordo com dados divulgados pela Folha de S.Paulo em agosto.

O avanço das apreensões de medicamentos contrasta com a trajetória dos cigarros na região.

Cigarros continuam relevantes no contrabando

Em Foz do Iguaçu, as apreensões de cigarros caíram de 122,69 milhões de maços em 2020 para 64,79 milhões em 2025, uma redução de 47%.

Apesar da queda, o volume financeiro continua expressivo. O valor estimado dos cigarros apreendidos na cidade em 2025 alcançou R$ 421,17 milhões.

A redução registrada em Foz, entretanto, não significa necessariamente uma diminuição do contrabando de cigarros em todo o território nacional.

Na base nacional da Receita Federal, o valor dos produtos classificados como “cigarros e similares” permaneceu praticamente estável entre 2024 e 2025: passou de R$ 789 milhões para R$ 790 milhões. Até o momento, a série pública disponível não apresenta o dado nacional referente a 2026.

Canetas têm alto valor e exigem transporte refrigerado

Além do preço elevado em relação ao espaço ocupado, a logística ajuda a explicar o interesse nas canetas emagrecedoras.

Um auditor da Receita Federal ouvido pela Folha de S.Paulo afirmou que o transporte de cigarros demanda uma operação logística maior. As canetas, por outro lado, são compactas e concentram um valor elevado em pouco volume.

Existe, porém, uma dificuldade adicional: muitos desses medicamentos precisam ser mantidos em condições de refrigeração, o que exige estruturas específicas de transporte e armazenamento e pode elevar os custos da operação.

Mais da metade das doses de GLP-1 pode estar fora do mercado formal

Outro levantamento reforça a dimensão do mercado de medicamentos GLP-1 no país.

A Scanntech estima que 53,8% das doses consumidas no Brasil no primeiro semestre de 2026 tenham chegado aos consumidores por canais externos ao comércio formal de farmácias.

A estimativa foi calculada a partir do excedente de vendas de seringas em relação à tendência histórica relacionada ao consumo de insulina.

No período, o consumo total de GLP-1 teria crescido 244% em comparação com o primeiro semestre de 2025. Nas farmácias, o avanço registrado foi de 67%.

Estudo aponta potencial de lucro para o contrabando

O estudo “O novo mapa do contrabando”, elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF), mostra que os cigarros permanecem entre os principais produtos apreendidos no país e aponta mudanças nas rotas utilizadas e na atuação das organizações criminosas.

De acordo com o levantamento, o potencial de lucro estimado chega a 255% para as canetas emagrecedoras e a 507% para os cigarros.

No caso dos medicamentos, o estudo destaca justamente a combinação entre alto valor agregado e baixo volume físico como um dos fatores que tornam o produto atrativo para operações ilegais.

Os dados disponíveis apontam para mudanças simultâneas nos mercados de cigarros e medicamentos para emagrecimento, mas não permitem afirmar, isoladamente, que um produto esteja substituindo o outro nas operações de contrabando.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Comércio

Mercado Livre entra no varejo farmacêutico e pressiona ações do setor

A expansão do Mercado Livre (MELI) no mercado de medicamentos provocou forte reação entre investidores e derrubou as ações de empresas do varejo farmacêutico na última quinta-feira (24). Os papéis do segmento chegaram a registrar perdas de até 8% diante da perspectiva de aumento da concorrência.

Apesar do novo movimento representar um desafio para companhias como RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3), análises de mercado indicam que a reação inicial pode ter incorporado um cenário de impacto maior do que o esperado sobre os resultados das redes de farmácias.

Mercado Livre amplia venda de medicamentos

O principal fator por trás da queda das ações foi o anúncio de que o Mercado Livre vai ampliar sua operação de farmácia online no Brasil.

A plataforma passará a comercializar medicamentos que exigem prescrição, incluindo antibióticos e canetas GLP-1, utilizadas em tratamentos para diabetes e obesidade. Para concluir a compra, o consumidor poderá encaminhar a receita, que será analisada por um farmacêutico antes da liberação do pedido.

A companhia também pretende integrar farmácias de terceiros ao seu marketplace. As primeiras parcerias estão previstas para outubro, com a meta de reunir pelo menos 20 redes até o fim de 2026.

Entregas em até 60 minutos entram na estratégia

Outro elemento da expansão é o serviço “Chega Agora”, que promete realizar entregas em até 60 minutos. Inicialmente, a modalidade estará disponível em determinadas regiões de São Paulo.

Na avaliação da XP, a iniciativa pode criar uma nova fonte de receita para o Mercado Livre em uma categoria de grande volume e alta recorrência. Por outro lado, os investimentos necessários em logística, estoques e profissionais farmacêuticos podem gerar pressão sobre as margens da companhia no curto prazo.

Para os analistas, contudo, a expansão da plataforma não significa necessariamente uma ameaça imediata aos resultados das maiores redes de farmácias.

Mercado pode ter exagerado na reação

O JPMorgan classificou o anúncio como relevante para o sentimento dos investidores, mas avaliou que o impacto sobre os lucros das empresas farmacêuticas listadas tende a ser limitado neste momento.

Após a notícia, RD Saúde e Pague Menos tiveram desempenho inferior ao Ibovespa em aproximadamente 5% e 7%, respectivamente, segundo o banco.

Cristiano Luersen, especialista em investimentos e sócio da Wiser Investimentos, também considera que a intensidade da queda no curto prazo foi elevada. Ao mesmo tempo, ele avalia que a ameaça competitiva do Mercado Livre é concreta e pode ganhar relevância ao longo dos próximos anos.

Segundo Luersen, a entrada da companhia no setor ocorreu gradualmente, começando pelos medicamentos que não exigem receita e avançando posteriormente para produtos sujeitos a prescrição.

Na avaliação do especialista, portanto, o movimento mais recente não representaria uma mudança completamente inesperada para o mercado, mas uma nova etapa de uma estratégia que já vinha sendo observada pelos investidores.

Medicamentos GLP-1 aumentam preocupação

As canetas GLP-1 estão entre os produtos que mais chamaram a atenção na nova estratégia do Mercado Livre. A importância dessa categoria, porém, vai além da receita obtida diretamente com a venda dos medicamentos.

Luersen cita dados divulgados pela própria Pague Menos segundo os quais consumidores em tratamento com esses produtos gastam aproximadamente nove vezes mais do que os clientes tradicionais e visitam as lojas cerca de 50% mais vezes.

Essa característica aumenta a preocupação das redes com a possibilidade de perda de clientes recorrentes, e não apenas de vendas individuais de medicamentos.

Regras podem limitar descontos agressivos

O JPMorgan, por outro lado, aponta fatores que podem limitar uma eventual ruptura no mercado de medicamentos GLP-1.

De acordo com o banco, os grandes fabricantes mantêm programas de benefícios destinados a pacientes, com condições de preços e descontos aplicáveis por farmácias credenciadas. Isso reduz a margem para uma estratégia baseada exclusivamente em preços muito baixos.

A instituição também destaca que o Mercado Livre não teria a mesma liberdade para oferecer cupons amplos utilizada em outras categorias da plataforma. Descontos de medicamentos vinculados a cupons, cartões ou identificação do paciente estão sujeitos às regras da CMED.

Esse ambiente regulatório limita, segundo a análise, uma eventual política irrestrita de descontos financiados pela plataforma.

Margens baixas também são um desafio

Outro ponto considerado pelas análises é a própria estrutura econômica do varejo de medicamentos. O segmento trabalha tradicionalmente com margens reduzidas e tíquete médio relativamente baixo.

Essas características podem dificultar a rentabilidade de uma operação baseada em marketplace, especialmente diante dos custos adicionais de logística, estoque e cumprimento das exigências específicas para a comercialização de medicamentos.

O JPMorgan também aponta que o Mercado Livre não necessariamente pratica preços menores que as farmácias tradicionais.

Em uma análise anterior envolvendo aproximadamente 2 mil produtos comparáveis, o banco identificou preços geralmente próximos aos praticados pelo varejo convencional. Nos medicamentos considerados “core” e nos produtos OTC, de venda livre, os preços da plataforma chegaram a ficar acima dos concorrentes em determinadas comparações.

Redes físicas continuam sendo um diferencial

As grandes redes de farmácias também contam com ativos que podem funcionar como vantagem competitiva diante da expansão do Mercado Livre.

A presença física, a ampla rede de lojas, a escala e os modelos de atendimento omnichannel são apontados pela XP como fatores que ajudam as empresas estabelecidas a enfrentar a concorrência digital.

O mercado brasileiro continua bastante pulverizado. Segundo a XP, o setor movimenta mais de R$ 200 bilhões, enquanto a RD Saúde possui participação inferior a 20%.

Nesse cenário, a expansão do Mercado Livre pode ocorrer sem necessariamente retirar todo o crescimento futuro das grandes redes, especialmente em categorias associadas à recorrência e à conveniência.

Concorrência pode virar parceria

A relação entre o Mercado Livre e as redes tradicionais também não precisa ficar restrita à disputa por consumidores.

A XP observa que a integração de farmácias de terceiros ao marketplace pode criar um modelo semelhante ao já adotado por plataformas de entrega rápida. Nesse formato, grandes redes poderiam eventualmente atuar como parceiras da própria plataforma.

O JPMorgan também destaca que a venda digital de medicamentos não é uma novidade no Brasil. Farmácias autorizadas já comercializam produtos, inclusive medicamentos GLP-1, por meio de plataformas como o iFood.

Assim, embora a chegada do Mercado Livre represente um novo canal digital de grande escala, o modelo não inaugura uma forma completamente inédita de distribuição de medicamentos.

Impacto sobre o setor ainda é incerto

A entrada de uma companhia com forte capacidade logística e grande base de consumidores eleva o nível de concorrência no varejo farmacêutico e pode influenciar a percepção dos investidores sobre as ações do segmento.

Por outro lado, as análises da XP e do JPMorgan apontam, neste momento, para efeitos mais limitados sobre os fundamentos das grandes redes no curto prazo. O impacto efetivo dependerá da velocidade de expansão da operação, da adesão dos consumidores e das condições comerciais oferecidas pelo novo canal.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor

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Comércio

Alta do whey protein trava negócios e impulsiona mercado de colágeno no Brasil

A disparada no preço do whey protein começa a provocar efeitos em diferentes segmentos da indústria de alimentos e suplementos no Brasil. O aumento da procura por proteínas em meio à popularização das canetas emagrecedoras e dos medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, elevou a pressão sobre uma matéria-prima que já enfrenta restrições de oferta.

O impacto chegou ao mercado de suplementos. Segundo apuração do InvestNews, o processo de venda da Growth, considerada uma das maiores empresas brasileiras do setor, está paralisado diante da forte volatilidade no custo do whey.

A matéria-prima chegou a quase triplicar de preço no mercado internacional, dificultando a avaliação de empresas cujo desempenho depende diretamente das margens obtidas com produtos à base de proteína do soro do leite.

Preço do whey interrompe negociações no setor

A Growth entrou no radar para uma possível venda no ano passado. Em agosto, a Merama, holding latino-americana de marcas de consumo, contratou o Goldman Sachs para conduzir o processo, que tinha uma avaliação inicial de R$ 4 bilhões.

Com a escalada dos custos do whey, porém, as negociações foram interrompidas e permanecem “on hold”, expressão utilizada pelo mercado financeiro para processos temporariamente suspensos.

A situação também afeta o Grupo Supley, concorrente da Growth e proprietário das marcas Max Titanium, Probiótica e Dr. Peanut. A companhia havia contratado o Itaú BBA, em 2024, para analisar alternativas de captação, incluindo uma eventual abertura de capital, mas nenhuma operação foi concluída até agora.

A alta e a instabilidade da principal matéria-prima do setor reduziram o interesse de potenciais compradores. Mesmo empresas com faturamento bilionário passaram a enfrentar maior dificuldade para serem avaliadas, já que a oscilação do whey interfere diretamente nas margens e nas perspectivas futuras do negócio.

Empresas menores atraem compradores

Diante do cenário, investidores financeiros e estratégicos passaram a olhar com mais atenção para empresas menores de suplementos, em operações nas quais a marca e a rede de distribuição têm peso maior do que a escala industrial.

Um exemplo foi a aquisição de uma participação na Dux pelo fundo XP Private Equity II, da XP Asset, por R$ 250 milhões. A operação ocorreu no ano passado, antes de a atual crise de oferta do whey ganhar maior intensidade.

Outro movimento foi a compra da Bold, fabricante de barras de proteína, pelo Grupo Ferrero, proprietário da Nutella, em março.

Nesses negócios, a exposição à alta do whey tende a ser menor porque o valor da operação está mais associado à força da marca e à distribuição do que à capacidade produtiva da indústria.

Danone aumenta produção para atender demanda

Enquanto parte do mercado enfrenta dificuldades, a Danone adotou uma estratégia diferente e decidiu ampliar sua capacidade industrial no Brasil.

A companhia francesa está expandindo as fábricas de Poços de Caldas, em Minas Gerais, para acompanhar o crescimento do consumo de alimentos ricos em proteína.

O CEO da operação brasileira, Tiago Santos, afirmou à Folha de S.Paulo que pretende fazer com que as vendas no país avancem em ritmo superior ao crescimento registrado pela matriz.

Um dos principais produtos beneficiados por essa tendência é o YoPRO, bebida láctea que combina whey protein e caseína. O produto já ocupa a segunda posição entre os mais vendidos da Danone no Brasil, atrás apenas do iogurte tradicional da companhia e à frente de marcas como Activia e Danoninho.

Mercado de suplementos movimenta bilhões

O crescimento do consumo ajuda a dimensionar o tamanho da oportunidade. De acordo com a Brasnutri, com dados da Euromonitor, o mercado brasileiro de suplementos alimentares movimentou aproximadamente R$ 7,6 bilhões em 2025.

O resultado representa uma alta de 15% em relação ao ano anterior. A projeção da entidade indica que o setor poderá alcançar R$ 13,8 bilhões em faturamento até 2030.

O Brasil já aparece entre os maiores mercados globais de suplementos esportivos, ocupando a quinta posição. Em whey protein, o país é o quarto maior mercado mundial, enquanto em creatina está na terceira colocação.

Por que o whey protein ficou tão caro?

O whey protein é obtido a partir do soro do leite, um subproduto da fabricação de queijo. O líquido contém proteínas do leite, principalmente whey e caseína, mas precisa passar por processos industriais de filtragem e concentração para se transformar no suplemento consumido atualmente.

Durante muito tempo, o soro tinha baixo valor comercial e, em alguns casos, chegava a ser descartado. A evolução do processamento transformou esse material em uma matéria-prima de alto valor para a indústria de alimentos e suplementos.

O problema atual está na relação entre oferta e demanda. O consumo de whey cresceu rapidamente, mas a produção de leite e queijo não acompanhou na mesma velocidade.

Como o soro depende da fabricação de queijo, ampliar significativamente a oferta de whey exige aumentar também a produção de queijo. Isso pode gerar excedentes em um mercado que não necessariamente apresenta a mesma expansão.

Concentrado de whey quase triplica de preço

O desequilíbrio entre oferta e procura provocou uma forte valorização da matéria-prima.

Segundo a consultoria Vesper, o whey protein concentrado 80%, uma das versões mais utilizadas pela indústria, ultrapassou US$ 13 por libra, equivalente a 453,5 gramas, nos Estados Unidos. O valor representa quase o triplo do registrado um ano antes.

O whey isolado, que possui concentração ainda maior de proteína, também teve alta expressiva e avançou cerca de 50% no mesmo período.

A indústria de laticínios dos Estados Unidos vem reagindo ao cenário com investimentos estimados em US$ 11 bilhões até 2028 para aumentar a produção. Os efeitos sobre a oferta, entretanto, devem aparecer somente posteriormente.

Colágeno ganha espaço como alternativa

A crise do whey também abriu uma oportunidade para outro mercado de proteínas: o colágeno.

Grandes frigoríficos brasileiros, como JBS e MBRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, vêm investindo centenas de milhões de reais para transformar o colágeno em um ingrediente de maior valor agregado.

A matéria-prima é obtida a partir de subprodutos do abate bovino e do couro. Assim como ocorreu com o soro do leite, um material que antes tinha baixo aproveitamento passou a ser valorizado pela indústria de alimentos e ingredientes funcionais.

O colágeno também apresenta uma vantagem industrial: pode ser incorporado com facilidade a diferentes produtos, incluindo bebidas funcionais, alimentos saudáveis e produtos com alto teor de proteína.

JBS e MBRF ampliam produção de colágeno

A JBS criou a Genu-in em 2022, dentro de um plano de investimentos de R$ 400 milhões. A fábrica de colágeno em Presidente Epitácio, no interior de São Paulo, já opera próxima do limite e tem uma nova expansão em preparação.

A MBRF, por sua vez, investiu R$ 312,5 milhões na compra de 50% da Gelprime, que possui uma fábrica em Londrina, no Paraná. A companhia prevê ainda aplicar R$ 187,5 milhões na expansão da unidade.

O objetivo é dobrar a capacidade de produção até 2030 e transformar a unidade em um dos maiores complexos mundiais de colágeno e gelatina.

Proteína vira oportunidade em diferentes mercados

A lógica econômica ajuda a explicar os investimentos. Os peptídeos de colágeno podem apresentar margens próximas de 30%, enquanto a atividade tradicional de proteína animal trabalha com margens de apenas um dígito.

JBS e MBRF identificam o avanço dos medicamentos GLP-1 como um dos fatores que impulsionam a procura por produtos proteicos.

A diferença é que o colágeno não depende da cadeia de produção de queijo para ser obtido. Com isso, enquanto a oferta limitada de whey pressiona fabricantes de suplementos e trava algumas negociações no setor, o colágeno aparece como uma alternativa com potencial de crescimento dentro da nova onda de consumo de proteínas e alimentos funcionais.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ilustração João Brito

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ANVISA

Anvisa explica diferenças entre medicamentos autorizados, falsificados, experimentais e importados irregularmente

O aumento da procura por medicamentos análogos ao GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, também trouxe uma série de dúvidas entre os consumidores sobre a procedência e a regularidade desses produtos. Expressões como medicamento autorizado, falsificado, experimental e importado irregularmente passaram a ser cada vez mais frequentes, mas nem sempre são compreendidas de forma correta.

Para orientar a população, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclareceu as principais diferenças entre essas classificações. A informação é considerada essencial para que pacientes façam escolhas mais seguras e evitem riscos relacionados ao uso de produtos sem comprovação de qualidade, segurança e eficácia.

O que é um medicamento autorizado?

Um medicamento autorizado é aquele que possui registro sanitário ou outra forma de regularização concedida pela Anvisa. Isso significa que o produto cumpriu todas as exigências regulatórias e está apto para ser fabricado, importado, comercializado e utilizado conforme as condições aprovadas pelo órgão.

Esse processo garante que o medicamento atenda aos padrões estabelecidos de qualidade, segurança e eficácia antes de chegar ao consumidor.

Quando um medicamento é considerado falsificado?

Um medicamento falsificado é qualquer produto que tenha sua identidade, composição, origem, embalagem, rotulagem ou outras características adulteradas de forma fraudulenta, com o objetivo de enganar consumidores e profissionais de saúde.

Além de representar um grave problema para a saúde pública, esses medicamentos podem conter substâncias diferentes das informadas, concentrações inadequadas ou até mesmo não apresentar o princípio ativo indicado, aumentando significativamente os riscos para quem faz uso do produto.

O que caracteriza um medicamento experimental?

Também chamado de medicamento investigacional, o medicamento experimental é destinado exclusivamente a pesquisas clínicas previamente autorizadas.

Nessa etapa, o produto ainda está em fase de avaliação científica para comprovar sua segurança, eficácia e qualidade. Somente após a conclusão dos estudos e a análise dos resultados é que poderá ser solicitado o registro sanitário junto à Anvisa. Enquanto esse processo não é concluído, o medicamento não pode ser comercializado.

O que é um medicamento importado irregularmente?

O medicamento importado irregularmente é aquele que entra no Brasil sem atender às exigências sanitárias e regulatórias estabelecidas pela Anvisa.

A irregularidade pode ocorrer por falta de registro, autorização, licença ou qualquer outro requisito obrigatório para a importação. Nessas situações, o produto ingressa no país fora das normas legais e sem garantia de que cumpra os padrões exigidos para comercialização e uso, o que pode representar riscos à saúde dos consumidores.

FONTE: Anvisa
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Anvisa

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