Transporte

Transporte marítimo de contêineres terá 48 viagens canceladas nas principais rotas globais

O mercado de transporte marítimo de contêineres seguirá enfrentando restrições de capacidade no início do terceiro trimestre, apesar da redução gradual no número de cancelamentos de viagens. A avaliação é da consultoria Drewry, que aponta um cenário de recuperação operacional das companhias de navegação, mas ainda insuficiente para atender à forte demanda da alta temporada.

Entre as semanas 28 e 32 — período de 6 de julho a 9 de agosto — estão previstos 48 cancelamentos de itinerários nas principais rotas comerciais entre Oriente e Ocidente.

Maioria das viagens será mantida

Segundo o levantamento, os cancelamentos representam cerca de 7% das viagens programadas para o período, enquanto 93% dos serviços previstos deverão operar normalmente.

Mesmo com a retomada gradual da capacidade pelas empresas de navegação, a Drewry destaca que a demanda sazonal continua superior à oferta disponível, mantendo o mercado de frete marítimo pressionado no início do terceiro trimestre.

Rota transpacífica concentra maior número de cancelamentos

A maior parte das suspensões de viagens deverá ocorrer na rota transpacífica com destino ao leste, responsável por 52% dos cancelamentos previstos nas próximas cinco semanas.

Na sequência aparece o corredor entre Ásia, Norte da Europa e Mediterrâneo, que concentra 29% das viagens canceladas. Já a rota transatlântica deverá responder por 19% das suspensões, sendo a menos impactada entre os principais mercados globais.

A distribuição demonstra que os maiores desafios continuam concentrados nas rotas de maior movimentação de contêineres e comércio internacional.

Capacidade operacional apresenta sinais de recuperação

De acordo com a Drewry, as companhias marítimas continuam ampliando a oferta de espaço nos navios, o que contribui para reduzir gradualmente os cancelamentos registrados nos últimos meses.

Ainda assim, a consultoria ressalta que o aumento da capacidade não acompanha o ritmo da demanda da alta temporada, mantendo pressão sobre os serviços de transporte marítimo.

Outro destaque do relatório é o desempenho da Gemini Cooperation, apontada como a aliança que apresenta o maior índice de confiabilidade no cumprimento dos cronogramas entre os principais grupos de navegação, mesmo diante das interrupções operacionais observadas no mercado.

Mercado acompanha situação no Estreito de Ormuz

A consultoria também informou que segue monitorando os desdobramentos no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas estratégicas para o comércio marítimo mundial.

Ao mesmo tempo, já são observados sinais de melhora na disponibilidade de capacidade de contêineres na Ásia, indicando um possível reequilíbrio entre oferta e demanda.

Na avaliação da Drewry, caso essa tendência se confirme, os armadores poderão reduzir a prioridade dada às reservas antecipadas com tarifas spot elevadas e direcionar as negociações para fretes marítimos mais competitivos, além de oferecer maior previsibilidade e disponibilidade de espaço aos embarcadores.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mundo Marítimo

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Maersk e Hapag-Lloyd retomam operações no Canal de Suez e Mar Vermelho e mercado reage

As gigantes do transporte marítimo Maersk e Hapag-Lloyd iniciaram o processo de retomada das operações pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez, em um movimento considerado um marco para a recuperação da principal ligação marítima entre a Ásia e a Europa. A decisão ocorre após mais de dois anos de desvios pelo Cabo da Boa Esperança, adotados em razão dos riscos à segurança na região.

De acordo com a Maersk, a retomada foi autorizada após uma série de análises detalhadas sobre o cenário de segurança no Mar Vermelho. A empresa destacou que a iniciativa representa o início de um retorno gradual da sua malha de serviços utilizando novamente o Canal de Suez.

Serviço AE15 será o primeiro a utilizar a nova rota

A primeira operação beneficiada será o serviço AE15, responsável pela conexão entre a Ásia, o Mediterrâneo e diversos portos europeus. Segundo a Hapag-Lloyd, a reativação desse trajeto permitirá reduzir o tempo de viagem em cerca de quatro semanas em comparação ao percurso alternativo pelo sul da África.

O primeiro navio a realizar a mudança será o Majestic Maersk, que atualmente navega nas proximidades de Omã, conforme informações de monitoramento marítimo.

Apesar da retomada, a Maersk informou que, neste momento, os demais serviços da aliança Gemini Cooperation continuarão seguindo as rotas atuais. A ampliação das operações pelo Canal de Suez dependerá da manutenção da estabilidade na região e da ausência de novos episódios de escalada do conflito no Oriente Médio.

Crise de segurança alterou o transporte marítimo global

As principais companhias de navegação deixaram de utilizar o Mar Vermelho no fim de 2023, após sucessivos ataques de rebeldes houthis do Iêmen contra embarcações comerciais.

Embora algumas empresas tenham avaliado um retorno ao longo deste ano, o agravamento das tensões entre Irã e Israel voltou a aumentar os riscos para a navegação, adiando a normalização da rota.

Antes da crise, o Canal de Suez concentrava aproximadamente 10% do comércio marítimo mundial, sendo considerado o caminho mais rápido entre os mercados asiático e europeu.

Mercado prevê impacto nas tarifas de frete

O prolongado desvio das embarcações pelo Cabo da Boa Esperança elevou significativamente o tempo de viagem, o consumo de combustível e os custos operacionais das companhias. Além disso, parte da frota mundial permaneceu ocupada por períodos mais longos, reduzindo a oferta de capacidade.

Esse cenário, aliado ao aumento da demanda antes da alta temporada do comércio internacional, contribuiu para uma forte valorização das tarifas de frete marítimo nas últimas semanas.

Com a retomada gradual do Canal de Suez, a expectativa do mercado é de maior eficiência na utilização da frota, o que pode ampliar a oferta de transporte e pressionar os preços dos fretes nos próximos meses.

Ações de Maersk e Hapag-Lloyd recuam após anúncio

A perspectiva de normalização da rota também repercutiu no mercado financeiro. As ações da Maersk registraram queda de até 9%, enquanto os papéis da Hapag-Lloyd chegaram a recuar 4,6% após a divulgação da estratégia.

Para o analista Haider Anjum, do Jyske Bank, a decisão representa o primeiro passo para uma retomada mais ampla das operações no Mar Vermelho até o fim deste ano.

Segundo o especialista, caso a hidrovia seja totalmente normalizada e a entrada de novos navios prevista para 2027 e 2028 seja confirmada, a tendência é de aumento da capacidade global de transporte, fator que poderá reduzir as taxas de frete e pressionar a rentabilidade das companhias de navegação.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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