Especialista

Do DNA do transporte à realização de um sonho: a experiência que conduz a SIGATRANS

O transporte faz parte da minha história. Meu pai foi motorista de caminhão e meu avô foi dono de caminhão. Foi nesse ambiente que nasceu minha relação com o setor e, mais tarde, o desejo de construir minha própria empresa.

Minha trajetória profissional começou como assistente de transporte. Ao longo de aproximadamente 15 anos, passei por diferentes áreas da operação, até chegar à gestão de transporte em duas empresas que se destacaram no mercado. Foi nesse período que aprendi, na prática, que logística exige muito mais do que movimentar cargas: exige organização, responsabilidade, agilidade e capacidade de tomar decisões.

Quando a SIGATRANS nasceu, eu trouxe essa experiência comigo.

Transformar experiência em gestão

A empresa surgiu de um sonho que compartilhei com meu amigo, Rhuan Carlos Zendron. Durante alguns anos, o projeto ficou guardado até que mudanças profissionais e a chegada da minha filha me deram o impulso necessário para iniciar esse projeto.

Desde o início, uma das minhas preocupações foi estruturar a empresa de forma organizada. Definir responsabilidades, criar processos e formar uma equipe em que eu pudesse confiar foram passos fundamentais.

Essa experiência da operação continua presente nas minhas decisões. Ela me ajuda a antecipar problemas, compreender os impactos de cada escolha e buscar um crescimento que aconteça com organização e segurança.

Crescer exige coragem e planejamento

Um dos momentos importantes da nossa trajetória foi quando decidi investir mesmo em um período de mercado retraído. Ampliamos a frota, o armazém e os investimentos em pessoas, sistemas e certificações.

Para mim, crescer não significa apenas aumentar a estrutura. É preciso entender o mercado, estar próximo do cliente e identificar onde podemos gerar valor.

Por isso, faço questão de visitar, ouvir e conhecer de perto cada operação. Quanto melhor entendemos o desafio, mais assertiva é  a nossa solução.

Pessoas no centro da operação

Hoje, vejo as pessoas como um dos principais pilares da SIGATRANS.

Uma empresa pode ter tecnologia, estrutura e processos, mas são as pessoas que fazem tudo acontecer.

Meu papel como gestor é criar condições para que a equipe trabalhe bem, com segurança, clareza e responsabilidade. Isso envolve investir em qualificação, tecnologia e processos, mas também saber ouvir e valorizar quem está ao nosso lado.

Essa visão também se estende à minha família. Sou casado com a Bruna há 15 anos e dividimos a gestão da empresa. Eu fico à frente das áreas comercial e operacional, enquanto ela conduz o administrativo e os recursos humanos. Essa parceria nos permite unir diferentes olhares sobre o negócio.

O que a experiência me ensinou

Depois de tantos anos no transporte, entendi que experiência não é apenas tempo de mercado. É o que fazemos com tudo aquilo que vivemos. É aprender com os desafios, reconhecer quando precisamos mudar e transformar conhecimento em decisões melhores.

Também aprendi que ninguém constrói uma empresa sozinho. É preciso ter um bom time, valorizar as pessoas e ter disciplina para administrar o negócio — inclusive cuidar do fluxo de caixa e tomar decisões pensando no longo prazo.

A SIGATRANS nasceu de um sonho, mas foi construída com experiência, trabalho e muitas pessoas que acreditaram nesse projeto.

Hoje, continuo conduzindo a empresa com a mesma vontade de aprender e evoluir, mas com a experiência de quem conhece o transporte de dentro para fora.

Darlan Olmar é co-fundador e CEO da Sigatrans Logística.

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Transporte

Transporte de Cargas Cresce 40% Pós-Pandemia e Aumenta Pressão na Logística Brasileira

O transporte rodoviário de cargas mantém um ritmo acelerado no Brasil e opera quase 40% acima dos níveis registrados antes da pandemia, aponta a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE divulgada em outubro. Esse avanço amplia o fluxo de mercadorias e impulsiona a demanda por manutenção de frotas, peças de reposição e pneus, mas não se reflete na mesma proporção no valor do frete, que segue praticamente estável. O desequilíbrio pressiona os custos operacionais e obriga empresas de logística a reorganizar processos.

Crescimento constante e margens apertadas

O IBGE registra expansão contínua desde 2022, com patamar recorde em 2023. A FETCESP avalia que o setor cresce mesmo em meio a margens estreitas, forte competição e necessidade permanente de revisão de custos. Transportadoras têm reforçado o controle de despesas, ajustado operações e aprimorado a gestão para manter a saúde financeira.

E-commerce, indústria e agronegócio impulsionam o setor

Empresas atribuem o aumento do volume transportado ao avanço do comércio eletrônico, à retomada industrial, ao dinamismo do agronegócio e ao crescimento das exportações. A expansão de investimentos em tecnologia, rastreamento, automação, frota própria e sistemas de gestão logística também sustenta o patamar atual. O modal rodoviário segue como peça-chave na conexão entre indústrias, centros de distribuição e consumidores.

Modernização acelera após impacto da pandemia

A recuperação do setor ganhou força após o período crítico da pandemia. Com cadeias produtivas mais dependentes de eficiência logística, empresas intensificaram o uso de digitalização, sistemas de gestão e métodos para aumentar disponibilidade de veículos e previsibilidade das entregas. No agronegócio, cargas como grãos, carnes, alimentos e bebidas seguem liderando o volume, especialmente no último trimestre — período de alta demanda. Houve ainda maior movimentação de níquel e de terras raras.

Frete estável e custos pressionados

Mesmo com mais cargas na estrada, o frete não avança no mesmo ritmo. Entre os fatores que travam a valorização estão o preço do combustível, pedágios, manutenção e aquisição de pneus. Para muitas empresas, o aumento da receita depende do volume transportado, da fidelização de clientes e da adoção de veículos com maior capacidade.

Frota mais exigida demanda manutenção reforçada

O crescimento da movimentação intensifica o desgaste dos veículos e eleva a necessidade de manutenção preventiva. Estimativas apontam que cada 10% de aumento no volume transportado gera acréscimo de 6% a 8% no consumo de peças e pneus, sobretudo entre companhias com frota própria. O uso de dados, sistemas de monitoramento e ferramentas de análise se torna essencial para reduzir paradas inesperadas e controlar custos.

Falta de motoristas segue como desafio central

A escassez de motoristas permanece um dos principais entraves do setor. Entidades como SEST SENAT e sindicatos regionais têm promovido programas de qualificação e requalificação. Transportadoras também avançam em iniciativas internas de capacitação, melhoria das condições de trabalho e planos de carreira para atrair e reter profissionais.

Expectativas do setor até 2026

Para 2026, empresas projetam um período de ajustes operacionais e adaptação aos efeitos da Reforma Tributária. O setor prevê maior rigor técnico na gestão, monitoramento contínuo de custos e participação ativa em debates conduzidos por federações e sindicatos. A aposta segue em tecnologia, qualificação de motoristas e ampliação de estruturas de armazenagem para manter competitividade em um cenário de transformação logística.

FONTE: Tecnologística
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Freepik

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