Transporte

BYD negocia novos navios para ampliar capacidade de transporte de veículos

A BYD avalia ampliar sua frota marítima para acompanhar o crescimento das exportações de veículos. Informações recentes indicam que a montadora chinesa negocia a possível contratação de até dez novos navios transportadores de veículos, conhecidos como PCTCs (Pure Car and Truck Carriers).

Os projetos considerados poderiam ter capacidade de cerca de 9.200 CEUs cada. No entanto, a negociação ainda não foi concluída e não há definição sobre a quantidade de embarcações, suas dimensões ou a configuração final do negócio.

BYD avalia navios de até 9.200 CEUs

A possibilidade de uma encomenda de dez embarcações foi divulgada inicialmente pela agência chilena Mundo Marítimo, com base em informações do New Ships e da plataforma especializada Robin Assafina.

De acordo com esse cenário, os navios seriam construídos pela China Merchants Industry, nos estaleiros de Jinling e Haimen, com entregas programadas entre 2027 e 2029. Caso o projeto seja confirmado nesses termos, a capacidade adicional chegaria a 92 mil CEUs.

Uma apuração publicada em 15 de setembro pela Xinde Marine News, porém, aponta que as negociações ainda estão em fase preliminar. Fontes consultadas pela publicação afirmam que a BYD conversa com estaleiros para aumentar sua capacidade de transporte, mas ainda não definiu o número de navios, o porte das embarcações, os locais de construção ou o formato comercial da operação.

Entre as alternativas analisadas estão PCTCs de aproximadamente 8.600 e 9.200 CEUs.

O que significa CEU?

A sigla CEU (Car Equivalent Unit) é utilizada pelo setor naval para indicar a capacidade de transporte de veículos de uma embarcação.

Isso não significa, necessariamente, que um navio de 9.200 CEUs consiga transportar exatamente 9.200 carros. A quantidade efetiva depende do tamanho e das características dos veículos embarcados.

Frota marítima começou a crescer em 2024

A estratégia marítima da BYD avançou rapidamente nos últimos anos. A formação da frota dedicada começou em janeiro de 2024, com a entrega do Explorer No. 1, e ganhou novos integrantes até setembro de 2025, quando o BYD Jinan entrou em operação.

A estrutura utilizada pela montadora também inclui os navios Hefei, Changzhou, Shenzhen, Xi’an, Changsha e Zhengzhou.

Parte dessa capacidade, entretanto, não pertence diretamente à BYD. O Explorer No. 1, por exemplo, foi entregue à Zodiac Maritime e posteriormente afretado pela montadora, conforme informações do construtor da embarcação.

A estratégia combina, portanto, navios próprios ou vinculados à companhia com embarcações contratadas no mercado de transporte marítimo.

A primeira expansão da frota acompanhou o aumento das vendas internacionais. Estimativas citadas pela Mundo Marítimo indicam que essa estrutura poderia permitir à empresa exportar até 1 milhão de veículos por ano.

Brasil ganha espaço na estratégia logística

O Brasil foi um dos primeiros destinos relevantes da expansão marítima da BYD. Em maio de 2024, o Explorer No. 1 realizou em Suape (PE) sua primeira escala no continente americano, levando aproximadamente 5,4 mil veículos elétricos e híbridos.

A operação de descarga durou 48 horas e, na época, representou um recorde de importação de veículos em uma única operação no complexo portuário pernambucano. Com capacidade para até 7 mil veículos, o navio levou 27 dias para fazer a viagem entre a China e o Brasil.

Em 2024, o Porto de Suape movimentou 80.051 veículos e vem se consolidando como um hub regional para esse tipo de carga. O terminal possui estrutura voltada às operações Ro-Ro, nas quais os veículos entram e saem das embarcações por meio de rampas.

Produção em Camaçari pode mudar fluxo de veículos

A logística marítima da BYD no Brasil também passou a ter uma nova dimensão com o início da produção em Camaçari (BA).

Inaugurada em outubro de 2025, a fábrica alcançou a marca de 100 mil veículos produzidos em julho deste ano. Com a expansão da fabricação nacional, a dinâmica de transporte da montadora no país pode mudar gradualmente.

Até agora, os grandes car carriers utilizados pela BYD estão principalmente associados ao transporte de veículos produzidos na Ásia para mercados internacionais.

A ampliação da produção brasileira e a possibilidade de utilizar a Bahia como ponto de abastecimento de outros mercados podem aumentar a relevância da logística marítima para futuras exportações. A empresa, contudo, ainda não informou que os navios atualmente em negociação serão destinados a operações relacionadas à fábrica baiana.

Mercado global de car carriers também acelera encomendas

A movimentação da BYD ocorre em um momento de retomada das encomendas de navios transportadores de veículos no mercado internacional.

Dados da Clarksons compilados pela Xinde Marine News indicam que 37 PCCs e PCTCs haviam sido encomendados globalmente até meados de julho deste ano. No mesmo período de 2025, foram registrados apenas nove pedidos durante todo o ano.

O mercado havia apresentado um ritmo ainda mais intenso em 2023 e 2024, com 83 e 73 novas encomendas, respectivamente.

Os estaleiros chineses responderam por 35 dos 37 pedidos registrados até julho. Os novos projetos também refletem uma tendência de embarcações maiores, com capacidade superior a 8 mil CEUs.

É justamente nessa faixa que estão os modelos avaliados pela BYD. Se a companhia escolher a configuração de 9.200 CEUs, poderá adicionar à sua operação embarcações de grande porte para o transporte internacional de veículos.

Exportações da BYD sustentam demanda por transporte marítimo

A possível expansão da frota está diretamente relacionada ao crescimento das exportações da BYD.

Dados da Associação de Automóveis de Passageiros da China, citados pela Agência Mundo Marítimo, mostram que a montadora exportou 184 mil veículos de passageiros a partir da China em agosto, alta de 131% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 6% sobre julho.

Entre janeiro e agosto, foram exportados 1,127 milhão de veículos, avanço de 88% na comparação anual.

Somente em agosto, a BYD representou 35,4% das exportações chinesas de veículos de nova energia, categoria que reúne carros elétricos a bateria e híbridos plug-in.

A estratégia marítima da empresa também acompanha a internacionalização de sua produção. Em setembro de 2025, o navio BYD Zhengzhou levou veículos fabricados na Tailândia para o Reino Unido, marcando a primeira operação de exportação da BYD a partir daquela unidade.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Transporte

Evergreen encomenda 23 navios porta-contêineres de médio porte com entregas entre 2028 e 2029

A Evergreen Marine confirmou a encomenda de 23 navios porta-contêineres de médio porte, com entregas previstas entre 2028 e 2029. O novo programa de construção será executado em estaleiros chineses e amplia a estratégia de crescimento e renovação da frota da armadora, segundo informações divulgadas pela Alphaliner.

Estaleiros chineses concentram o novo programa de construção

Os contratos foram distribuídos entre os estaleiros Yangzijiang Shipbuilding e CSSC Guangzhou Wenchong Shipyard. As encomendas serão formalizadas por meio da Evergreen Marine (Asia), subsidiária da companhia registrada em Singapura.

O plano contempla:

  • 7 navios de 5.900 TEUs, que serão construídos pela Yangzijiang Shipbuilding;
  • 16 navios de 3.100 TEUs, que ficarão a cargo do estaleiro Guangzhou Wenchong.

Com essa nova rodada de investimentos, a Evergreen passa a contar com uma carteira total de 53 navios encomendados, considerando pedidos anteriores.

Propulsão convencional com foco em flexibilidade futura

Apesar de optar por propulsão convencional, a Evergreen pretende que as novas embarcações sejam preparadas para adaptações futuras, possibilitando a conversão para combustíveis alternativos, como metanol ou gás natural liquefeito (GNL). A medida segue a tendência do setor marítimo de buscar maior flexibilidade diante das exigências ambientais e regulatórias.

As primeiras entregas estão previstas para meados de 2028, com conclusão do cronograma ao longo de 2029.

Valores variam conforme porte e especificações técnicas

De acordo com a armadora, os valores dos contratos variam conforme o tamanho e o nível de especificação de cada navio:

  • Entre US$ 67 milhões e US$ 82 milhões para as embarcações maiores;
  • Entre US$ 46 milhões e US$ 56 milhões para os navios de menor porte.

O custo final dependerá das soluções técnicas e dos equipamentos definidos para cada unidade.

Projetos consagrados no segmento de médio porte

O estaleiro Guangzhou Wenchong será responsável por uma variante do projeto “Wenchong Swan 3100”, modelo já conhecido pela Evergreen. Atualmente, a armadora opera 11 navios dessa classe, identificados internamente como “Classe Ever-V”.

Já a Yangzijiang Shipbuilding costuma trabalhar com projetos desenvolvidos pelo Instituto Chinês de Projeto e Pesquisa de Navios Mercantes (MARIC). Nesse segmento, o modelo “MARIC Hercules 6000” é frequentemente adotado, embora o projeto final das novas unidades ainda não tenha sido oficialmente confirmado.

Fonte: Mundo Marítimo (com informações da Alphaliner).

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO MUNDO MARÍTIMO

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Transporte

Frota global de navios dual fuel atinge 400 unidades e reforça transição energética marítima

A frota global de navios porta-contêineres e Ro-Ro com sistemas de dupla combustão alcançou a marca de cerca de 400 embarcações, consolidando uma das transformações mais relevantes da indústria marítima nos últimos anos. O avanço reflete o aumento dos investimentos em tecnologias voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa e ao atendimento de normas ambientais mais rigorosas.

Flexibilidade operacional impulsiona adoção da tecnologia dual fuel
Os navios dual fuel são projetados para operar tanto com combustíveis marítimos convencionais quanto com alternativas de menor impacto ambiental, como GNL, metanol e outros combustíveis emergentes. Essa capacidade de alternância tem sido estratégica para armadores que buscam mitigar riscos regulatórios, otimizar custos operacionais no longo prazo e reduzir a dependência de uma única matriz energética.

Grandes armadores lideram encomendas no longo curso
No segmento de porta-contêineres, as principais companhias de navegação concentram os pedidos por novas embarcações com dupla combustão, incorporando esses navios principalmente às rotas de longo curso. O movimento sinaliza uma mudança estrutural no perfil da frota global, alinhada às exigências ambientais de mercados internacionais.

Tecnologia avança no transporte Ro-Ro e no setor automotivo
Já no mercado Ro-Ro, a adoção da tecnologia dual fuel cresce sobretudo no transporte de veículos e cargas rodantes. Esses segmentos enfrentam pressão crescente de cadeias globais de suprimentos para reduzir a pegada de carbono e adotar práticas logísticas mais sustentáveis.

Perspectiva é de crescimento contínuo nos próximos anos
Especialistas do setor avaliam que a frota dual fuel deve seguir em expansão, impulsionada por novas encomendas em estaleiros da Ásia e da Europa. A expectativa é que essas embarcações assumam papel central na transição energética do transporte marítimo, enquanto os combustíveis de emissão zero ainda avançam rumo à viabilidade comercial em larga escala.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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Logística

Camorim investe em energia sustentável para rebocadores em portos do Brasil

Rebocadores passam a ser abastecidos por fonte fixa em terra

A Camorim Serviços Marítimos, que atua em Itaguaí, inicia em outubro o abastecimento de seus rebocadores por uma fonte de energia fixa em terra enquanto permanecem no porto. A iniciativa já é utilizada no Porto do Rio de Janeiro desde abril e promete reduzir significativamente as emissões de poluentes.

A empresa estima que a medida resultará em uma diminuição anual de cerca de 1.330 toneladas de CO2. Para contextualizar, seria necessário plantar aproximadamente 75.500 árvores, ocupando mais de 40 mil metros quadrados de floresta, para compensar totalmente essa emissão.

“Nosso objetivo é ampliar os benefícios ambientais em nossas operações, indo além da eficiência energética da frota, com uma visão ampla de responsabilidade socioambiental”, afirma Eduardo Adami, vice-presidente da Camorim.

Sustentabilidade integrada em todas as operações

Reconhecida por certificações ambientais relevantes, a Camorim adota práticas sustentáveis em diferentes frentes. No estaleiro, destacam-se:

  • Tanques de captação e reaproveitamento de água da chuva
  • Painéis solares
  • Coleta seletiva de resíduos

Outro projeto recente visa reutilizar uniformes, EPIs e materiais descartáveis, transformando-os em novos produtos e estendendo seu ciclo de vida útil.

30 anos de tradição no setor marítimo brasileiro

Fundada há 30 anos, a Camorim Serviços Marítimos é uma empresa 100% brasileira e referência como hub 360° em soluções de logística e navegação. Com mais de 1.300 colaboradores, gera oportunidades ao longo da costa nacional, oferecendo serviços como reboque portuário, logística portuária e apoio offshore.

A frota diversificada da Camorim conta com mais de 150 embarcações, incluindo:

  • Rebocadores (azimutais, TKM e convencionais)
  • Embarcações LH (Line Handler), PSV (Platform Supply Vessel), AHTS (Anchor Handling Tug Supply) e OSRV (Oil Spill Response Vessel)
  • Balsas de carga e de água, cábreas (balsas-guindaste) e lanchas de carga e passageiros

O estaleiro da empresa, situado na Ilha da Conceição, em Niterói, abriga um Terminal de Uso Privado (TUP). Além disso, a Camorim mantém três bases operacionais estratégicas — duas em Niterói e uma em Vitória (ES) — e atua em portos importantes pelo litoral brasileiro, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul, Pará e Maranhão.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Camorim

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