Greve

Greve de caminhoneiros começa em Itajaí com ato no porto e adesão regional

Um ato realizado na manhã desta quinta-feira (19) em frente à Superintendência do Porto de Itajaí marcou o início do movimento de greve de caminhoneiros na região. A paralisação está prevista para começar ao meio-dia, com mobilização concentrada no pátio do posto Dalçóquio, às margens da rodovia Jorge Lacerda.

Apesar da definição de um ponto de encontro, a orientação das lideranças é clara: os motoristas devem evitar carregar cargas e permanecer com os caminhões parados, preferencialmente em casa ou em locais seguros.

Ato reúne trabalhadores e cobra valorização do setor portuário

A manifestação reuniu cerca de 200 pessoas e contou com a presença de equipes da Polícia Militar e da Guarda Portuária. O protesto também teve participação de trabalhadores portuários avulsos.

Durante o ato, representantes sindicais reforçaram a necessidade de valorização da categoria e cobraram medidas da administração portuária. Entre as principais demandas está o fortalecimento da operação de carga geral, que, segundo lideranças, vem perdendo espaço no porto.

Categoria defende paralisação pacífica e sem bloqueios

De acordo com a Associação Nacional do Transporte de Cargas (ANTC), o movimento tem caráter pacífico e não prevê bloqueios de rodovias ou acessos a portos. A decisão segue determinação judicial que proíbe interdições desse tipo.

A entidade orienta os motoristas a aderirem à paralisação dos caminhoneiros sem necessidade de deslocamento até pontos de concentração. A recomendação é simples: não aceitar fretes e manter os veículos parados, seja em postos, pátios ou residências.

Estratégia busca evitar multas e ampliar apoio popular

A forma de mobilização foi definida para evitar penalizações aos caminhoneiros, como ocorreu na greve de 2018, quando bloqueios geraram multas e sanções. Segundo a entidade, o objetivo é garantir a adesão sem prejudicar ainda mais os profissionais.

Além disso, a estratégia pretende manter o apoio da população, evitando impactos diretos no trânsito e no abastecimento imediato.

Reivindicações incluem frete e preço do diesel

Entre as principais pautas da greve dos caminhoneiros, estão o reajuste do piso mínimo do frete e a adoção de medidas para conter aumentos considerados abusivos no preço do diesel. A categoria aguarda a publicação de uma Medida Provisória pelo governo federal que atenda às reivindicações.

Movimento tem articulação nacional

A mobilização em Itajaí está alinhada a discussões nacionais lideradas por transportadores autônomos, especialmente a partir do Porto de Santos. Naquela região, a paralisação já foi aprovada, mas ainda não há data definida, enquanto seguem negociações com o governo.

A greve na região catarinense foi iniciada por tempo indeterminado e poderá ser encerrada caso as demandas da categoria sejam atendidas.

FONTE: Diarinho
TEXTO: Redação
IMAGEM: João Batista

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Transporte

Greve dos caminhoneiros: o que se sabe até agora sobre a possível paralisação nacional

A possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros voltou ao centro das atenções no Brasil nesta semana. Movimentos organizados por entidades da categoria, aliados à insatisfação com o aumento do diesel e outras demandas estruturais, indicam que uma paralisação nacional pode ocorrer — mas ainda há pontos em aberto.

A seguir, o Reconecta News reúne as principais informações atualizadas.

Há uma greve confirmada?

Ainda não há uma confirmação oficial de uma greve nacional unificada, mas há deliberações importantes já tomadas.

Segundo informações do portal Notícias Agrícolas e da Agência Transporte Moderno, lideranças reunidas em Santos (SP) decidiram pela paralisação, respeitando trâmites legais e alinhamento com outras entidades. A declaração foi feita por Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava).

A previsão inicial indica que mobilizações podem começar a partir de quinta-feira (19), embora já existam movimentos independentes previstos desde quarta-feira (18).

Mobilização já ocorre em diferentes regiões

Apesar da ausência de uma data única nacional, há paralisações e articulações em curso pelo país.

Em Santa Catarina, caminhoneiros já se mobilizam em cidades como Itajaí, Navegantes, Imbituba e Itapoá, com organização regional ligada aos polos portuários. A previsão local também aponta para início da paralisação na quinta-feira (19), a partir das 13h, segundo informações do ND Mais.

De acordo com lideranças regionais, o movimento segue alinhamento com outros portos estratégicos, como Santos, Paranaguá, Rio Grande e Suape.

O que dizem as lideranças do setor

De acordo com vídeo publicado nas redes sociais, Janderson Maçaneiro, presidente da Associação Catarinense dos Transportadores de Carga Rodoviária, a paralisação ainda depende de uma decisão mais ampla, em nível nacional.

Ele destaca que:

  • sindicatos como os de Santos e a Abrava já deliberaram pela paralisação;
  • novas reuniões ainda devem ocorrer com outras entidades;
  • caso haja consenso nacional, a tendência é de uma paralisação geral no Brasil.

Na região de Itajaí, sindicatos e associações realizaram reuniões, mas aguardam a posição da Confederação Nacional para definir os próximos passos, especialmente considerando o impacto nos portos.

O diesel é o único problema?

Não. Embora o aumento do diesel seja o principal gatilho, as reivindicações são mais amplas.

Entre os principais pontos levantados pela categoria estão:

  • alta no preço do combustível;
  • falta de repasse dos custos ao frete;
  • descumprimento da tabela mínima de frete;
  • custos com pedágios;
  • dificuldades com seguros;
  • e o que lideranças chamam de “falta de respeito com a categoria”.

Dados do painel ValeCard indicam que o diesel S-10 subiu cerca de 18,86% desde o fim de fevereiro, enquanto o diesel comum ultrapassou 22% de aumento, em meio à instabilidade internacional no mercado de petróleo. (Fonte: Notícias Agrícolas)

Governo tenta evitar paralisação

O governo federal já monitora a situação e prepara medidas para conter a escalada do movimento.

Entre as ações em discussão estão:

  • reforço na fiscalização da tabela mínima de frete;
  • pressão sobre estados para redução do ICMS;
  • fiscalização de distribuidoras e postos;
  • e possíveis medidas para garantir o repasse de reduções de custo ao consumidor.

Segundo apuração da Folha de S. Paulo e da CNN Brasil, há preocupação com o risco de desabastecimento e impacto econômico, especialmente diante do histórico da greve de 2018.

Adesão ainda é incerta

Apesar da mobilização crescente, a adesão ainda não é total.

Entidades como a Fetrabens afirmam que seguem em diálogo com suas bases e avaliam a participação. Além disso, muitos movimentos ainda são considerados independentes, organizados por sindicatos locais ou grupos da própria categoria. A definição de quais estados irão aderir formalmente depende de assembleias e alinhamentos nacionais.

O que esperar agora?

O cenário segue em evolução e depende de dois fatores principais:

  1. Alinhamento nacional entre entidades e sindicatos
  2. Resposta do governo às reivindicações da categoria

Se houver consenso entre lideranças e ausência de medidas consideradas eficazes, a possibilidade de uma paralisação nacional nos próximos dias é real.

Por outro lado, negociações em andamento ainda podem evitar um movimento de grande escala.

Fontes: Notícias Agrícolas, Agência Transporte Moderno, Folha de S. Paulo, CNN Brasil, ND Mais, Informações regionais: Associação Catarinense dos Transportadores de Carga Rodoviária

Texto: Conteúdo produzido com suporte de inteligência artificial e curadoria editorial da equipe ReConecta News.

Imagem: Reprodução CNN / Estadão Conteúdo

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Agronegócio

Frete mínimo pode elevar custos da produção em até 30% no agro de Mato Grosso

Produtores rurais de Mato Grosso acendem o sinal de alerta diante dos impactos da política do frete mínimo, que pode elevar os custos da produção agropecuária em até 30%. A avaliação do setor é de que a tabela do piso mínimo pressiona as margens do produtor, interfere na logística e encarece desde a compra de insumos até o escoamento da safra.

A preocupação é ainda maior em um estado com grandes distâncias até os portos e forte dependência do transporte rodoviário. Segundo representantes do setor, a rigidez da tabela, a redução do frete de retorno e a falta de flexibilidade elevam os custos e afetam diretamente o preço dos alimentos e a inflação.

Impacto direto na logística e no produtor rural

Para a Aprosoja Mato Grosso, o atual modelo do piso mínimo gera distorções tanto para produtores quanto para caminhoneiros autônomos. O presidente da entidade, Lucas Costa Beber, afirma que o cálculo do frete penaliza principalmente os veículos menores.

Segundo ele, quanto menor o caminhão, menor a rentabilidade, o que reduz a competitividade e desestimula o transporte. “O preço mínimo do frete cria uma injustiça tanto para o produtor quanto para o caminhoneiro autônomo. Esse modelo acaba tirando a competitividade dos pequenos”, avalia.

Fim do frete de retorno encarece o transporte

Na prática, a tabela interfere em estratégias comuns da logística agrícola, como o frete de retorno, muito utilizado em regiões como o Médio-Norte de Mato Grosso, especialmente no transporte de calcário.

Antes, caminhões evitavam rodar vazios e aproveitavam o trajeto de volta para transportar insumos com valores mais baixos. Com a nova regra, esse modelo perde viabilidade. “O motorista conseguia trabalhar mais e compensar o custo da viagem vazia. Agora isso deixa de acontecer”, explica Lucas Costa Beber.

Lei do frete e distorções no mercado

A lei do piso mínimo do frete surgiu após a greve dos caminhoneiros em 2018 e estabelece valores mínimos para 12 tipos de veículos e operações. A legislação prevê revisão semestral e reajuste automático conforme a variação do diesel.

Mesmo assim, o setor produtivo afirma que a tabela não acompanha a realidade do mercado ao longo do ano. “A tabela não reflete a variação real dos custos. Por isso, estamos trabalhando para encomendar um estudo técnico junto à Esalq, com apoio de outras entidades, para revisar esses parâmetros”, afirma o presidente da Aprosoja-MT.

Além disso, há diálogo com o Ministério dos Transportes. Segundo a entidade, o produtor acaba absorvendo custos que não consegue repassar. “O produtor não tem preço mínimo garantido e acaba arcando com todo o prejuízo”, destaca.

Reflexos no preço dos alimentos e nos insumos

Na avaliação da Aprosoja, os impactos não se restringem ao campo. O aumento do custo logístico tende a refletir no preço dos alimentos, do diesel e de toda a cadeia produtiva. Outro efeito observado é o estímulo à formação de frota própria por parte dos produtores, reduzindo a dependência de transportadores terceirizados.

Fertilizantes sentem impacto direto do frete

O setor de fertilizantes é um dos mais afetados. Para o diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, o problema está no retorno dos caminhões. “A cada seis caminhões que descem para o porto, apenas um retorna com fertilizante. Isso encarece muito o custo”, afirma.

Segundo ele, esse desequilíbrio eleva diretamente o custo de produção agrícola, pressionando ainda mais a rentabilidade do produtor.

Distâncias longas agravam o problema

Produtores localizados em regiões mais afastadas sentem o impacto de forma ainda mais intensa. É o caso de Adalberto Grando, que cultiva 2,7 mil hectares de soja entre Gaúcha do Norte e Sorriso. Ele relata que o frete até os portos pode chegar a valores elevados. “Falam em cerca de R$ 500 por tonelada. Isso equivale a cinco sacas de soja”, afirma.

Além disso, a precariedade da infraestrutura agrava a situação. “Temos apenas uma via asfaltada. Sem frete de retorno, ninguém quer vir para cá”, relata. Para ele, o caminho seria retomar a livre iniciativa. “Se insistir nessa tabela, o custo vai subir ainda mais”, alerta.

Cooperativas pedem equilíbrio e ajustes

Na região de Canarana, o impacto da logística pesa tanto na compra de insumos quanto na venda da produção. Segundo o diretor do Sindicato Rural local, Camilo Ramos, a localização influencia diretamente nos preços. “Pagamos mais caro para trazer insumos e recebemos menos na venda. A logística pesa muito”, afirma.

A Cooperativa de Transportes Rodoviários de Mato Grosso (Cootromat), que reúne cerca de 110 associados, também sente os efeitos. De acordo com o diretor de logística, Sidnei Rogério Weirich, a aplicação da tabela alterou completamente a dinâmica do frete de retorno. “Antes existia frete de volta, hoje isso praticamente acabou”, explica.

Outro problema apontado é a diferença de custo entre tipos de caminhões. “Os veículos menores estão sendo deixados de lado, porque o custo do nove eixos acaba sendo mais competitivo”, afirma. Para ele, seria necessário equalizar os valores para garantir concorrência justa.

Margem apertada e risco de novos aumentos

O presidente do Sindicato Rural de Ipiranga do Norte, Eder Ferreira Bueno, alerta que a margem do produtor já está no limite. “O lucro está praticamente inexistente. Mesmo com oferta de caminhões, o frete segue caro”, diz.

Ele projeta impacto ainda maior nos fertilizantes nos próximos ciclos. “Pode haver aumento de 20% a 30% nos custos. É um problema sério e o produtor não pode arcar sozinho com isso”, conclui.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Comércio

Setor produtivo de Mato Grosso organiza força-tarefa contra a Tabela de Fretes

A implementação da fiscalização eletrônica do piso mínimo do frete rodoviário, em vigor desde 6 de outubro, gerou forte reação no setor produtivo de Mato Grosso. Entidades de produtores rurais e associações de transporte se reuniram nesta segunda-feira (27), em Cuiabá, para debater os impactos econômicos da medida e traçar estratégias de atuação nacional.

O encontro, promovido pela Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), reuniu representantes de diversos segmentos da cadeia produtiva e logística, dando sequência às atividades da Comissão de Infraestrutura do Instituto Pensar Agro (IPA).

O tom do debate foi de crítica ao tabelamento de preços e defesa do livre mercado. O presidente da Ampa, Orcival Gouveia Guimarães, reafirmou o posicionamento contrário da entidade à intervenção estatal no setor de transporte.

“Somos a favor da livre iniciativa e do livre mercado. Não faz sentido manter mais um tabelamento que, na prática, não funciona”, afirmou Guimarães, destacando que a articulação entre os setores produtivos foi proposta pelo consultor de logística Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do DNIT.

Entidades preparam ofensiva técnica e jurídica

O principal encaminhamento do encontro foi demonstrar ao Governo Federal e às autarquias as distorções da Tabela de Fretes. As entidades também buscam fortalecer a atuação no Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramitam Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que questionam a legalidade e a metodologia da Lei do Frete Mínimo, de 2018.

Pagot informou que o IPA lidera a elaboração de um manifesto com apoio de mais de 50 entidades, apontando falhas na tabela e pedindo revisão da metodologia. O documento foi encaminhado à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que deve levá-lo à análise de ministérios, incluindo o da Fazenda.

“A metodologia usada em 2018 pela Esalq/Log da USP precisa ser atualizada. Hoje, é evidente que a fórmula carece de aprimoramento”, afirmou Pagot, defendendo uma reunião com o ministro Fernando Haddad para apresentar os impactos da tabela, que, segundo ele, “gera confusão e contribui para a inflação”.

Para subsidiar o diálogo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o grupo vai elaborar um estudo técnico detalhado sobre os efeitos da fiscalização. Uma palestra com o diretor da ANTT responsável pelo tema foi marcada para 6 de novembro, às 10h, na sede do IPA.

Frete alto pressiona produtores e consumidores

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, alertou para o aumento dos custos de produção e o impacto direto ao consumidor final.

Segundo ele, o frete elevado encarece toda a cadeia produtiva, elevando em mais de 20% o preço de insumos agrícolas, como fertilizantes.

“Quem paga essa conta não é só o produtor. O frete influencia o preço de praticamente tudo o que consumimos”, destacou Beber.

Mobilização política em Brasília

O senador José Lacerda (PSD) afirmou ter agendado uma reunião em Brasília ainda nesta semana para discutir o tema com autoridades federais. O encontro em Cuiabá também contou com a participação de representantes da Associação Nacional dos Transportadores de Cargas do Brasil (ANTC), da Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso (ATC) e do Ministério da Agricultura e Pecuária.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Christiano Antonucci/Secom MT

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Agronegócio

Fiscalização eletrônica da tabela do frete acende alerta no agronegócio brasileiro

A partir de 6 de outubro, entrou em vigor a fiscalização eletrônica da tabela de piso mínimo do frete rodoviário, implementada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A medida revelou uma prática até então tolerada: o descumprimento da tabela de frete, vigente desde 2018, quando foi criada pela Lei 13.703 após a greve dos caminhoneiros.

Com o novo sistema, a ANTT passou a cruzar informações em tempo real por meio do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), permitindo identificar irregularidades nas operações de transporte. O setor agropecuário, um dos mais impactados, teme aumento de custos logísticos, insegurança jurídica e dificuldades no escoamento de grãos e fertilizantes.

Mercado operava fora da tabela desde 2018

Segundo Fernando Bastiani, pesquisador do Esalq-Log/USP — grupo que participou da criação da regra —, a fiscalização era praticamente inexistente, e o mercado funcionava com base na oferta e demanda. “Agora as empresas estão tentando se adequar, e o mercado ficou praticamente paralisado”, afirma.

Ele explica que, em 2025, os preços do frete ficaram acima do piso durante a safra, mas, nas rotas longas, como Mato Grosso a Santos (SP) e Paranaguá (PR), muitos contratos não respeitavam os valores mínimos.

A plataforma Fretebras, referência no transporte de cargas, confirma o impacto imediato. De acordo com Federico Veja, CEO da empresa, a demanda por embarques caiu 20%, enquanto a oferta de caminhoneiros subiu na mesma proporção. “A tabela estabelece um piso real, o que favorece os motoristas, mas pressiona os custos das commodities agrícolas, como a soja”, explicou.

Entidades do agro contestam metodologia da tabela

Mais de 50 entidades do agronegócio enviaram ofício à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pedindo uma revisão da metodologia da tabela da ANTT. O documento solicita que a bancada leve a discussão aos ministérios da Agricultura, Transportes, Fazenda e à Casa Civil, para a abertura de um diálogo técnico sobre o tema.

As instituições argumentam que os critérios de cálculo do piso mínimo são imprecisos e desatualizados, desconsiderando diferenças regionais, tipos de carga, rotas e até a idade média da frota nacional, estimada em 20 anos.

No setor de fertilizantes, o Sindiadubos (Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas) estima aumento de custos entre 35% e 50%, dependendo da rota.

“Essa nova precificação pode gerar distorções não apenas no transporte, mas também no preço dos alimentos”, afirma Veríssimo Cubas, gerente executivo da entidade.

Como muitas viagens são realizadas com retorno vazio, o cálculo da ANTT para incluir o frete de ida e volta amplia ainda mais os custos.

Logística de grãos também sente os efeitos

No mercado de grãos, a tabela tem incentivado o uso de caminhões de nove eixos, que possuem preço proporcionalmente menor que os de sete eixos ou menos, o que gera desequilíbrio na oferta.

“Isso distorce o mercado e causa escassez de caminhões maiores”, comenta Bastiani.

A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) também se manifestou. De acordo com sua diretora executiva, Andressa Silva, o frete de veículos menores pode representar até 25% do custo total do produto transportado. Ela alerta ainda que muitos embarcadores desconhecem as novas regras do MDF-e e podem ser multados indevidamente.

Caminhoneiros defendem rigor; ANTT garante diálogo

Para os caminhoneiros autônomos, a fiscalização é positiva. Wallace Landim, o Chorão, presidente da Abrava, afirma que tradings e embarcadores estão boicotando motoristas com veículos menores como forma de pressão. “São empresas que atuavam fora da lei e agora cancelam contratos para evitar a tabela. Tenho recebido várias reclamações do Centro-Oeste”, relatou.

A ANTT, por sua vez, informou que mantém diálogo com o setor, esclarecendo dúvidas e promovendo eventos como o 1º Encontro Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas, realizado em 2 de outubro. Sobre as multas, o órgão afirma que os dados ainda estão sendo consolidados, mas as penalidades para embarques fora da tabela variam de R$ 550 a R$ 10,5 milcaminhoneiros não são multados.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wenderson Araújo / CNA

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