Portos

Porto Quetzal reduz fila de navios e avança na modernização da infraestrutura portuária

O Porto Quetzal, localizado na costa do Pacífico da Guatemala, registra avanços na movimentação de cargas, amplia sua capacidade de atendimento e reduz o tempo de espera das embarcações. As melhorias ocorrem em meio ao aumento da demanda por serviços logísticos e à necessidade de modernizar a infraestrutura para atender companhias marítimas, importadores e exportadores.

Os resultados e os investimentos no complexo portuário estarão em destaque no Congresso Latino-Americano de Portos 2026, promovido pela Associação Americana de Autoridades Portuárias (AAPA Latam), de 1º a 4 de dezembro, na Cidade da Guatemala. O Grupo Tribuna participa como parceiro do evento.

Considerado um dos principais portos guatemaltecos, Quetzal desempenha um papel estratégico no comércio marítimo nacional e internacional, com serviços especializados e infraestrutura voltada ao desenvolvimento econômico do país.

Porto Quetzal amplia movimentação de navios e cargas

Dados divulgados no portal do governo da Guatemala apontam crescimento nas operações portuárias entre setembro de 2025 e setembro de 2026.

Nesse intervalo, o número de embarcações atendidas aumentou de 915 para 992, enquanto a movimentação de cargas passou de 12,59 milhões para 14,2 milhões de toneladas.

Outro avanço ocorreu na fila de espera dos navios. O volume de embarcações aguardando atendimento, que anteriormente ultrapassava 50 unidades, caiu para apenas seis, mesmo com o crescimento da atividade portuária.

Os resultados refletem medidas para melhorar a eficiência operacional e ampliar a capacidade de atendimento do terminal.

Novos equipamentos reforçam a operação portuária

Entre as iniciativas de modernização estão investimentos destinados a facilitar a descarga de cargas a granel, como grãos e matérias-primas. Também avançam os estudos técnicos para uma futura ampliação dos cais, considerada necessária após mais de três décadas sem investimentos estratégicos dessa natureza.

Os avanços foram apresentados por Sergio Gil Mancilla, gerente-geral da Empresa Portuaria Quetzal (EPQ), durante o Encontro Logístico 2026, organizado pela Câmara de Indústria da Guatemala.

A atualização dos contratos e a abertura do porto para novos operadores permitiram a incorporação de equipamentos adicionais à estrutura operacional.

Uma segunda empresa prestadora de serviços portuários está incorporando dois guindastes móveis multipropósito Liebherr LHM 550, com capacidade de elevação de até 154 toneladas cada. Os equipamentos podem operar com diferentes tipos de mercadorias, ampliando a versatilidade das operações de carga e descarga.

O complexo também prevê a incorporação de dois novos rebocadores, que contribuirão para aumentar a capacidade de atendimento às embarcações e oferecer mais recursos para as manobras marítimas.

Essas melhorias são implementadas por meio do modelo de gestão indireta, no qual empresas especializadas prestam serviços portuários. A estratégia busca diversificar as opções disponíveis aos usuários e ampliar a eficiência do Porto Quetzal.

Congresso Latino-Americano de Portos será realizado na Guatemala

A modernização do complexo guatemalteco estará entre os temas de destaque do Congresso Latino-Americano de Portos 2026, que reunirá autoridades públicas, executivos, operadores logísticos, investidores e especialistas do setor marítimo.

Organizado pela AAPA Latam em parceria com a Autoridade Designada do Sistema Portuário Nacional da Guatemala e produzido pela PR Ports, o encontro terá quatro dias de painéis, debates e reuniões de negócios.

A expectativa da organização é reunir mais de 700 participantes, incluindo representantes de governos, autoridades portuárias, gestores de terminais, fornecedores de tecnologia e integrantes de organismos multilaterais.

A programação abordará temas estratégicos para o setor, entre eles:

  • Comércio internacional e geopolítica: impactos das mudanças globais sobre as rotas marítimas.
  • Competitividade portuária: estratégias para ampliar a eficiência e a capacidade operacional.
  • Transformação digital e inteligência artificial: aplicação de novas tecnologias na gestão portuária.
  • Cibersegurança e segurança operacional: proteção de sistemas, instalações e operações.
  • Sustentabilidade e logística integrada: modernização das cadeias de transporte e redução de impactos ambientais.
  • Infraestrutura e concessões: investimentos, governança e modelos de desenvolvimento portuário.

As inscrições estão disponíveis no endereço divulgado pela organização: bit.ly/4BtVVdr.

Guatemala volta a sediar o congresso após 14 anos

Esta será a primeira edição do congresso na Guatemala desde o encontro realizado há 14 anos, na cidade de Antígua.

Segundo a organização, a escolha ocorre em um período de transformação do sistema portuário guatemalteco e de crescente relevância da América Central nas rotas do comércio internacional.

A posição geográfica do país, entre o oceano Pacífico e o mar do Caribe, é considerada um diferencial para a conectividade marítima. A isso se somam os projetos de modernização da infraestrutura, digitalização das operações, aprimoramento da governança e ampliação da integração logística.

A expectativa é que o evento contribua para aproximar autoridades, operadores e investidores, além de estimular parcerias e iniciativas voltadas ao desenvolvimento dos portos da região.

AAPA Latam representa portos das Américas

A Associação Americana de Autoridades Portuárias (AAPA Latam) integra uma organização que representa os interesses do setor portuário nas Américas, abrangendo Estados Unidos, Canadá, Caribe e América Latina.

Com a realização do congresso na Guatemala, a entidade pretende ampliar o diálogo sobre os desafios e as oportunidades do setor, em um cenário marcado pela expansão dos fluxos comerciais e pela necessidade de investimentos em infraestrutura e tecnologia.

Os avanços do Porto Quetzal, especialmente a redução da fila de navios, o aumento da movimentação de cargas e a chegada de novos equipamentos, ilustram os esforços para tornar o sistema portuário guatemalteco mais eficiente e competitivo no mercado internacional.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cerib/AdobeStock

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Portos

Porto de Santos: custo de contêineres dispara com aumento da fila de navios

A operação de contêineres no Porto de Santos (SP) está cada vez mais próxima do limite de capacidade, cenário que vem pressionando a logística e elevando os custos no principal complexo portuário da América Latina.

Levantamento apresentado à CNN pelo consultor Luis Cláudio Montenegro, da Neowise Consultoria, indica que o aumento das filas de navios contribuiu para uma forte alta no THC (Terminal Handling Charge), taxa cobrada pelos terminais pela movimentação de contêineres.

Entre 2019 e 2026, segundo a estimativa, o valor médio do THC passou de uma faixa entre US$ 70 e US$ 100 por TEU para aproximadamente US$ 500. Os números são estimativas, já que os contratos entre armadores e terminais portuários são considerados estratégicos e não têm divulgação pública.

Capacidade do Porto de Santos pressiona preços

Para Montenegro, a trajetória dos preços está diretamente relacionada à capacidade disponível no complexo portuário.

Em 2011, o THC estava próximo de US$ 300. A entrada em operação da BTP (Brasil Terminal Portuário) e da DP World, em 2013, ampliou a oferta de capacidade e ajudou a reduzir os valores.

De acordo com o consultor, a taxa caiu para cerca de US$ 160 em 2015, chegou a US$ 90 em 2017 e atingiu aproximadamente US$ 70 em 2019.

A partir daquele ano, porém, os terminais voltaram a operar mais próximos do limite. O movimento foi impulsionado principalmente pelo crescimento da demanda e pela expansão do comércio eletrônico.

Atualmente, os três principais terminais de contêineres do complexo — Santos Brasil, BTP e DP World — enfrentam um cenário de elevada utilização e congestionamento, segundo Montenegro.

Terminais apontam gargalos fora do porto

Os operadores portuários, por outro lado, avaliam que parte dos problemas que encarecem a operação, incluindo o THC, está relacionada à infraestrutura terrestre de acesso ao Porto de Santos.

Jesualdo Silva, diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), reconhece a existência de pontos próximos da saturação, mas afirma que há capacidade ociosa em outros terminais.

Na avaliação dele, o desafio passa por ampliar investimentos e diversificar os meios de transporte utilizados para levar cargas aos portos, com maior participação de hidrovias e outros modais logísticos.

Silva também destaca que, embora Santos e outros grandes portos, como Paranaguá, concentrem parte relevante da demanda, existem novos terminais em construção que podem contribuir para aliviar os gargalos.

Fila de navios cresce no Porto de Santos

O congestionamento também aparece nos indicadores de espera para atracação.

O tempo médio que os navios aguardavam para atracar em Santos passou de aproximadamente oito ou nove horas em 2019 para 35 horas em 2024, conforme o levantamento apresentado por Montenegro.

A Autoridade Portuária de Santos (APS) confirmou a elevação do tempo de espera. A administração, entretanto, destacou que a movimentação de contêineres aumentou 42% entre 2019 e 2025, pressionando a infraestrutura existente.

O avanço da demanda acompanha um período de crescimento expressivo da movimentação de contêineres no Brasil, que vem registrando resultados acima da média mundial.

Armadores enfrentam limitações operacionais

Um estudo da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) aponta ainda dificuldades relacionadas à operação dos armadores no país.

Segundo o levantamento, empresas de navegação têm realizado omissões de escalas, quando um navio deixa de fazer uma parada previamente programada e segue para outro porto.

O estudo também identificou atrasos na entrega de cargas e problemas na comunicação sobre a disponibilidade das chamadas janelas de atracação — períodos previamente agendados para o navio chegar ao terminal, realizar as operações e liberar o berço.

A saturação dos terminais de contêineres é apontada como uma das justificativas para essas ocorrências, já que a falta de capacidade pode comprometer o planejamento das operações marítimas.

Saturação pode afetar competitividade brasileira

O consultor Luis Cláudio Montenegro alerta que a manutenção desse cenário pode trazer consequências para a competitividade do Brasil no comércio exterior.

Uma das preocupações é a possibilidade de redução da oferta de navios de grande porte nos portos brasileiros. Segundo ele, a substituição por embarcações menores tende a elevar o custo do transporte marítimo.

Nesse contexto, a implantação do Tecon Santos 10 é considerada uma das principais alternativas para ampliar a capacidade de movimentação de contêineres no Porto de Santos e reduzir a pressão sobre os terminais atuais.

O projeto prevê investimentos próximos de R$ 6 bilhões e poderá ampliar em cerca de 50% a capacidade do complexo para esse tipo de carga.

Porto de Santos busca outras soluções logísticas

Além do novo megaterminal, a APS afirma estar desenvolvendo outras medidas para aumentar a eficiência e reduzir os gargalos.

Entre as iniciativas estão o aprofundamento do canal de acesso aquaviário para 16 metros e a otimização dos pátios destinados à armazenagem de contêineres.

A autoridade portuária também informou que reservou três áreas para a implantação de condomínios logísticos. A expectativa é melhorar a integração entre as áreas de retroporto e os terminais, tornando o fluxo de cargas mais eficiente.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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