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Tarifaço e barreiras comerciais: especialistas discutem riscos e caminhos para o Brasil em evento online

Especialistas em comércio exterior, economia e relações institucionais estarão reunidos no dia 18 de novembro para analisar o avanço do protecionismo global e debater alternativas para fortalecer a presença do Brasil nas cadeias internacionais de valor.

O Fórum Comércio Exterior – Desafios e Oportunidades, promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), será realizado em formato online, com transmissão ao vivo pelo canal CNC Play no YouTube, das 10h às 11h30. O encontro foi organizado em um momento decisivo: o aumento das barreiras comerciais ao redor do mundo e as novas sobretaxas anunciadas pelos Estados Unidos reacenderam o alerta sobre a competitividade do Brasil no mercado internacional.

Tarifaço dos EUA reacende alerta

O recente movimento de aumento tarifário pelos Estados Unidos — que pode chegar a até 50% sobre produtos brasileiros — já preocupa o setor exportador. Segmentos como o químico, metalúrgico e de transformação relatam perda de competitividade e redução das margens.

José Carlos Raposo Barbosa, presidente da Federação Nacional dos Despachantes Aduaneiros (Feaduaneiros), representará no Fórum a Câmara Brasileira do Comércio Exterior (CBCEX) da CNC. Ele destaca que o momento exige alinhamento institucional e estratégia. “O comércio exterior brasileiro precisa de previsibilidade e de uma estratégia nacional sólida. As empresas estão preparadas para competir, mas precisam de um ambiente que ofereça segurança jurídica e apoio governamental para enfrentar as barreiras externas”, afirma Raposo.

Brasil ainda enfrenta barreiras internas

Além das pressões externas, o país convive com entraves domésticos que dificultam a inserção de empresas nas cadeias globais. Estudos apontam que o Brasil é um dos países com maior número de barreiras não tarifárias, como exigências técnicas e licenças específicas, além da morosidade nos processos aduaneiros.

O economista Fabio Bentes, gerente-executivo de Análise e Desenvolvimento Econômico da CNC, reforça que o cenário internacional passa por transformações profundas. “A tendência mundial é de reindustrialização e regionalização de cadeias. Se o Brasil não reagir com acordos comerciais e políticas de incentivo, pode ver sua participação no comércio global cair ainda mais”, alerta Bentes.

Agenda de soluções no formato digital

O evento tem como objetivo propor caminhos práticos para que o setor privado e o poder público trabalhem de forma integrada na construção de uma política comercial mais competitiva.

Além de Raposo e Bentes, participarão:

  • Otávio Leite, consultor da Fecomércio-RJ e ex-deputado federal
  • Felipe Miranda, coordenador legislativo da Diretoria de Relações Institucionais da CNC

As discussões incluirão estratégias de diplomacia comercial, redução de custos logísticos, acordos regionais e mecanismos para ampliar a participação de pequenas e médias empresas no comércio exterior.

Felipe Miranda destaca a importância da aproximação entre o Congresso Nacional e as entidades empresariais. “O Brasil precisa atualizar sua política comercial com base em dados e previsões globais. O papel da CNC é justamente articular essa ponte entre o Legislativo e o setor produtivo”, afirma.

Liderança institucional

A abertura contará com a participação de José Roberto Tadros, presidente da CNC, além de:

  • Luiz Carlos Bohn (Fecomércio-RS)
  • Sergio Henrique Moreira de Sousa (AGR)
  • Andrea de Marins Esteves (ACBCS)

A iniciativa reforça o protagonismo da CNC na articulação de pautas estratégicas do comércio e serviços, com atuação em fóruns nacionais e internacionais.

Serviço – Evento Online

Fórum Comércio Exterior – Desafios e Oportunidades
📅 18 de novembro de 2025
🕙 10h às 11h30 (horário de Brasília)
💻 Transmissão ao vivo no YouTube – canal CNC Play
👥 Palestrantes: José Carlos Raposo, Otávio Leite, Fabio Bentes e Felipe Miranda


Inscrições gratuitas no link abaixo:
https://www.sympla.com.br/evento-online/forum-comercio-exterior-desafios-e-oportunidades/3149329?referrer=cnc.agidesk.com&referrer=cnc.agidesk.com&referrer=www.google.com&referrer=www.google.com

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Agronegócio

Brasil amplia exportações com novas aberturas de mercado nos Emirados Árabes e no Líbano

O Brasil conquistou duas novas aberturas de mercado internacional, com autorização para exportar codornas aos Emirados Árabes Unidos (EAU) e feijão preto ao Líbano. As negociações, concluídas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), reforçam a presença do país no comércio agropecuário global.

Exportações para os Emirados Árabes Unidos

As autoridades sanitárias dos EAU aprovaram a importação de codornas destinadas à alimentação animal, abrindo mais uma frente para o setor pecuário brasileiro. Somente em 2024, o país árabe comprou mais de US$ 3,3 bilhões em produtos agropecuários do Brasil, tornando-se o sexto maior destino das exportações do agronegócio brasileiro.

Feijão preto brasileiro chega ao Líbano

No Líbano, o aval sanitário permitirá a entrada do feijão preto brasileiro, fortalecendo o comércio bilateral. No mesmo ano, o Brasil exportou US$ 432 milhões em produtos agropecuários ao mercado libanês, com destaque para carnes, itens do complexo sucroalcooleiro e derivados de soja.

Expansão do agronegócio

Com as novas autorizações, o agronegócio do Brasil acumula 488 aberturas de mercado desde o início de 2023, resultado direto da diplomacia comercial e do esforço conjunto entre Mapa e MRE para ampliar o acesso dos produtos brasileiros a novos destinos.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Exportação

Brasil registra recorde histórico nas exportações de carne bovina em outubro de 2025

As exportações brasileiras de carne bovina atingiram 357 mil toneladas em outubro de 2025, o maior volume mensal desde o início da série histórica em 1997, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). O número supera em 1,5% o recorde anterior, registrado em setembro, e representa uma alta de 18,7% em relação a outubro de 2024.

O faturamento também cresceu significativamente, alcançando US$ 1,9 bilhão, valor 39,1% superior ao mesmo mês do ano passado.

Crescimento contínuo e expectativa de novo recorde anual

Entre janeiro e outubro, o Brasil exportou 2,79 milhões de toneladas de carne bovina, somando US$ 14,31 bilhões em receita — aumentos de 16,6% em volume e 35,9% em valor na comparação anual.

Com esse desempenho, o país se mantém próximo ao recorde de 2024, quando exportou 2,89 milhões de toneladas e faturou US$ 12,8 bilhões. Segundo a Abiec, se o ritmo atual continuar, o recorde histórico anual poderá ser superado já em novembro, consolidando o Brasil como líder mundial nas exportações de carne bovina, com embarques realizados para 162 países em 2025.

Carne in natura domina as exportações

A carne bovina in natura continua sendo o principal produto exportado, com 320,5 mil toneladas embarcadas em outubro e US$ 1,7 bilhão em receitas. O preço médio foi de US$ 5,5 mil por tonelada, representando quase 90% do volume total exportado e 93,5% do faturamento.

Outros produtos, como miúdos, carnes industrializadas, gorduras e carnes salgadas, também contribuíram para o resultado positivo.

Exportações para os Estados Unidos seguem firmes

Mesmo com o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos, o Brasil manteve suas exportações para o país. Embora tenha havido redução no ritmo desde agosto, o fluxo não foi interrompido.

Em outubro, os embarques somaram 12,9 mil toneladas, um avanço em relação a setembro (9,9 mil toneladas) e agosto (9,3 mil toneladas). A Abiec destacou que os EUA continuam sendo um mercado estratégico para a carne brasileira, graças à competitividade e regularidade do produto.

De janeiro a outubro, as exportações para os Estados Unidos totalizaram 232 mil toneladas e US$ 1,38 bilhão, altas de 45% em volume e 38% em valor em comparação ao mesmo período de 2024. Os números já superam todo o desempenho do ano passado, quando foram enviadas 229 mil toneladas, gerando US$ 1,35 bilhão.

China segue como principal destino da carne bovina brasileira

A China manteve sua liderança nas compras, com 190,8 mil toneladas importadas em outubro e US$ 1,046 bilhão em negócios — o equivalente a 53% do volume e 55% da receita mensal.

Outros mercados de destaque foram:

  • União Europeia: 17 mil toneladas / US$ 140,4 milhões
  • Estados Unidos: 12,9 mil toneladas / US$ 83,1 milhões
  • Chile: 12,7 mil toneladas / US$ 72,3 milhões
  • Filipinas: 12,4 mil toneladas / US$ 56,3 milhões
  • México: 10,1 mil toneladas / US$ 56,2 milhões
  • Egito: 12,1 mil toneladas / US$ 53,9 milhões
  • Rússia: 11,8 mil toneladas / US$ 48,6 milhões
  • Arábia Saudita: 6,5 mil toneladas / US$ 34,7 milhões
  • Hong Kong: 7,8 mil toneladas / US$ 29,7 milhões

No acumulado do ano, a China segue na liderança absoluta, com 1,34 milhão de toneladas e US$ 7,1 bilhões — o que representa 48,1% do volume e 49,7% da receita total. Na sequência, aparecem Estados Unidos, México, Chile e União Europeia.

Os mercados que mais ampliaram suas compras em 2025 foram México (+213%), União Europeia (+109%), China (+75,5%), Rússia (+50,4%) e Estados Unidos (+45%), o que demonstra a diversificação e fortalecimento das exportações brasileiras, segundo a Abiec.

Setor confirma força e equilíbrio do mercado

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirmou que o desempenho histórico de outubro comprova a força do setor, a abertura de novos mercados e o equilíbrio entre exportações e abastecimento interno.

“O Brasil segue ampliando sua presença internacional com qualidade e regularidade de fornecimento, resultado do trabalho conjunto entre a indústria e o governo. É importante lembrar que apenas 30% da carne produzida no país é exportada, enquanto cerca de 70% abastece o mercado interno, o que demonstra a robustez do consumo doméstico e a capacidade do país de atender à demanda mundial”, destacou.

A Abiec reúne 47 empresas responsáveis por 98% das exportações de carne bovina do Brasil.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Comércio Exterior

Brasil registra superávit comercial de US$ 7 bilhões em outubro, impulsionado pelo agronegócio e mineração

A balança comercial brasileira encerrou outubro de 2025 com superávit de US$ 7 bilhões, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O resultado representa um avanço de 70,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o saldo positivo foi de US$ 4,1 bilhões.

O desempenho foi sustentado por exportações de US$ 32 bilhões e importações de US$ 25 bilhões, totalizando uma corrente de comércio de US$ 57 bilhões — crescimento de 4,5% em comparação com outubro de 2024.

Agropecuária e indústria extrativa puxam exportações

As exportações brasileiras tiveram alta de 9,1% no mês, impulsionadas principalmente pelos setores agropecuário e extrativo mineral. Entre os destaques, as vendas de carne bovina subiram 40,9%, enquanto as exportações de soja cresceram 42,7%. Já o minério de ferro registrou aumento de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esses segmentos seguem como pilares do comércio exterior do país, sustentando o crescimento das exportações do agronegócio e da mineração, que continuam sendo os principais motores do superávit brasileiro.

Queda nas importações e destaque negativo para petróleo

Do lado das importações, houve uma leve queda de 0,8% em relação a outubro de 2024. Os principais recuos foram observados nas compras de petróleo, com redução de 28,2%, e de acessórios de veículos, que caíram 14,7%.

A diminuição nas importações contribuiu para ampliar o saldo positivo da balança comercial, compensando parcialmente o aumento dos custos de alguns produtos industrializados no mercado internacional.

Superávit acumulado no ano

Entre janeiro e outubro de 2025, o Brasil acumulou exportações de US$ 289,7 bilhões, uma leve alta de 1,9% na comparação com o mesmo período de 2024. As importações, por sua vez, cresceram 7,1%, somando US$ 237 bilhões.

Com isso, o superávit comercial acumulado no ano registrou queda de 16,6% em relação aos dez primeiros meses do ano passado, refletindo o aumento das compras externas e a desaceleração em alguns setores exportadores.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Chuttersnap/ Unsplash

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Exportação

Tarifaço dos EUA impacta 73,8% das exportações brasileiras, alerta CNI

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos afeta 73,8% das exportações do Brasil, atingindo setores estratégicos como aço, alumínio, celulose e calçados. A entidade articula ações diplomáticas e técnicas para restabelecer a competitividade do país no comércio exterior.

Impacto direto sobre a indústria nacional

Segundo levantamento da CNI, o chamado “tarifaço” atinge 6.033 produtos brasileiros atualmente sujeitos a tarifas adicionais. Apesar da recente ampliação da lista de exceções, com 39 novos produtos isentos — entre eles minerais críticos, metais preciosos e químicos industriais — o impacto sobre a indústria ainda é expressivo.

Alban reforça que a estratégia da CNI é manter o diálogo e evitar medidas de retaliação, preservando o ambiente de confiança entre os países. “Nosso objetivo é restabelecer previsibilidade e competitividade às exportações brasileiras, corrigindo distorções que afetam a indústria e o emprego”, explicou.

Missão a Washington e novas oportunidades

Durante missão liderada pela CNI em Washington, Alban destacou avanços no diálogo com interlocutores estratégicos e a abertura de oportunidades de cooperação em áreas como data centers, combustível sustentável de aviação (SAF) e minerais críticos. “Esses segmentos têm potencial real de gerar negócios de interesse mútuo e contribuir para a redução das tarifas”, pontuou.

O dirigente avalia que a retomada do diálogo direto entre os presidentes Lula e Donald Trump pode marcar uma nova fase nas relações bilaterais, baseada em cooperação, pragmatismo e resultados concretos.

Perspectivas e desafios internos

Além das questões comerciais, Alban destacou a necessidade de o Brasil enfrentar entraves internos que prejudicam a competitividade industrial, como a alta carga tributária e o custo da energia elétrica.
Ele criticou propostas de aumento de impostos, como a elevação do IOF, e elogiou a decisão do Congresso Nacional de barrar a Medida Provisória 1.303/2025, que, segundo ele, elevaria preços e prejudicaria o setor produtivo.

“O setor não pode ser penalizado com novas taxações. É urgente avançar na Reforma Tributária, criando um sistema simplificado e previsível, como o IVA, que trará mais racionalidade fiscal”, afirmou.

Energia e competitividade

A CNI também propõe mudanças estruturais para conter os custos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que deve ultrapassar R$ 49 bilhões em 2025 e pode chegar a R$ 60 bilhões em 2026.
Para Alban, o Brasil precisa “trazer disciplina de gastos à CDE” e limitar despesas para reduzir o preço da energia, considerada uma das mais caras do mundo.

“Temos uma matriz energética limpa e barata, mas pagamos uma das tarifas mais altas. É hora de corrigir essa distorção estrutural”, concluiu.

FONTE: Tribuna da Bahia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio Internacional

EUA iniciam diálogo com empresas afetadas por tarifas contra o Brasil

O governo dos Estados Unidos deu um novo passo nas negociações sobre as tarifas impostas ao Brasil pelo presidente Donald Trump e iniciou uma série de reuniões com empresas americanas afetadas pelas sobretaxas. As taxas, que chegam a 40%, foram aplicadas com base em motivações políticas, entre elas o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com fontes ligadas ao governo americano, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) determinou que todas as empresas interessadas sejam ouvidas diretamente pelo órgão e pelo Departamento de Estado. A medida foi tomada após o encontro entre o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado americano Marco Rubio, realizado há duas semanas. A reunião foi vista por ambas as partes como o início efetivo das negociações tarifárias entre Brasil e EUA.

Reuniões indicam avanço nas tratativas

Segundo membros da comitiva americana, o clima após o diálogo entre Lula e Trump, ocorrido na Malásia, foi positivo, com sinais de boa disposição para um acordo comercial.

O USTR já havia conduzido audiências com empresas dentro de uma investigação baseada na Seção 301, legislação americana de 1974 que permite a aplicação de medidas tarifárias e não tarifárias contra países considerados prejudiciais ao comércio dos EUA — como China e União Europeia, que já foram alvos anteriormente.

Desta vez, porém, o processo de escuta não estaria formalmente vinculado à Seção 301. O objetivo seria identificar as demandas das empresas americanas e incorporá-las às negociações com o Brasil, sinalizando uma intenção real de avançar nas discussões sobre as tarifas.

USTR assume protagonismo técnico nas negociações

Para o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, sócio do escritório Barral Parente Pinheiro Advogados, o movimento do USTR demonstra uma abertura para diálogo técnico. “O USTR está se reunindo com as empresas que pediram para falar sobre o Brasil, para ver se elas têm elementos para colocar na mesa de negociações”, afirmou.

O superintendente de relações internacionais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Federico Lamego, avalia que o protagonismo do USTR é um sinal positivo. “Estamos com grande expectativa de que haja um bom desfecho, com possibilidade de suspensão temporária das tarifas de 50%. O fato de o USTR liderar as negociações indica que o processo tende a seguir um caminho técnico”, declarou.

A CNI defende ainda que o acordo com os EUA seja mais abrangente, indo além da questão tarifária. A entidade propõe incluir compromissos de investimentos de empresas brasileiras nos EUA, compras governamentais e parcerias estratégicas em áreas como minerais críticos, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e data centers. Um documento com essas sugestões está sendo preparado para ser entregue ao governo americano.

Setores brasileiros buscam espaço nas negociações

Enquanto isso, setores diretamente afetados pelas tarifas também se movimentam. O Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) informou que busca incluir o café na solicitação de suspensão das tarifas por 90 dias. Caso a medida não avance, o setor pretende garantir que o produto entre na lista de isenções assinada por Trump em 5 de setembro.

A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) destacou, em nota, que as negociações são fundamentais para preservar a competitividade da carne brasileira e garantir previsibilidade aos exportadores.

“O encontro entre Lula e Trump reforça a importância do diálogo para o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e demonstra a disposição de ambos os governos em avançar nas discussões sobre as tarifas atualmente em vigor”, afirmou a entidade.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Brendan SMIALOWSKI/AFP

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Comércio Exterior

Reunião sem Rubio indica que negociações se restringem a tarifas

A primeira rodada de negociações entre Brasil e Estados Unidos, realizada na segunda-feira (26) na Malásia, deixou claro para o governo brasileiro que a Casa Branca, por enquanto, mantém o acordo de limitar as discussões à questão tarifária. Segundo fontes diplomáticas, o principal indicativo disso foi a ausência do Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na reunião.

Rubio, diretamente responsável pelo anúncio de várias sanções políticas impostas ao Brasil e a autoridades brasileiras, não participou da mesa de negociação. Em seu lugar, enviou o Representante Comercial dos EUA (USTR) Jamieson Greer e o Secretário do Tesouro Scott Bessent, ambos conhecidos por sua atuação econômica.

Do ponto de vista de Brasília, isso significa que, pelo menos por enquanto, questões políticas, como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, permanecerão fora da pauta, exatamente como acordado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Esse sinal foi considerado crucial, já que o Palácio do Planalto temia que os EUA incluíssem questões políticas nas discussões iniciais, o que poderia atrasar o pedido do Brasil para que Trump suspendesse a taxa de 40% sobre produtos brasileiros.

Rubio tem sido a figura mais vocal no governo americano ao vincular repetidamente a condenação de Bolsonaro às sanções políticas de Washington contra o Brasil. Em redes sociais, ele chegou a mencionar nominalmente o Ministro do STF Alexandre de Moraes.

Além disso, integrantes do governo brasileiro acreditam que a ideia de retaliar o Brasil pela cooperação com Cuba — especificamente a parceria que permite que médicos cubanos atuem no programa Mais Médicos — se originou no Departamento de Estado de Rubio. Essa medida levou os EUA a revogar vistos de diversos brasileiros, incluindo familiares do Ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP).

Na ocasião, os EUA também cancelaram os vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales e Alberto Kleiman, dois servidores federais envolvidos no desenvolvimento do programa de saúde pública.

Apesar das tensões, Lula afirmou que ele e Trump concordaram, durante reunião no último domingo (26), que disputas políticas seriam tratadas apenas entre os chefes de Estado, ou seja, seus assessores não estão autorizados a abordar tais assuntos.

Na reunião de segunda-feira, a delegação brasileira foi composta pelo Ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira, pelo Secretário-Executivo do MDIC Márcio Rosa e pelo Embaixador Audo Faleiro, da Assessoria Especial da Presidência.

Durante as negociações, o Brasil reiterou o pedido de suspensão das tarifas americanas sobre seus produtos. As próximas rodadas devem ocorrer em Washington, D.C., com sinais crescentes de que o Ministro da Fazenda Fernando Haddad pode participar pessoalmente das futuras discussões.

FONTE: Valor International
IMAGEM: Umit Bektas/REUTERS

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Comércio Exterior

FCCE celebra 75 anos e defende transição do Brasil para exportações de maior valor agregado

A Federação das Câmaras de Comércio Exterior (FCCE) comemorou seus 75 anos de fundação em um evento que reuniu representantes empresariais e diplomáticos de diversos países, consolidando sua posição como a entidade mais antiga dedicada à promoção do comércio exterior brasileiro.

Durante a cerimônia, o vice-presidente da FCCE, Marco Aurélio Kühner, ressaltou a importância histórica da federação e apresentou resultados expressivos da atuação internacional da instituição. “Somos a associação de classe mais antiga voltada à promoção do comércio exterior. A FCCE nasceu para conectar o Brasil ao mundo e continua cumprindo esse papel com excelência”, afirmou Kühner.

Fundada em 1950, a federação conta atualmente com 65 câmaras bilaterais e 22 conselhos temáticos, que trabalham em parceria com embaixadas e consulados para fortalecer a internacionalização das empresas brasileiras.

Kühner apresentou dados que demonstram o alcance global da federação. Segundo ele, a FCCE já promoveu mais de 200 seminários com representantes de 60 países diferentes e recebeu, somente no último ano, 80 missões empresariais e diplomáticas de diversos continentes. Essas ações refletem o aumento do interesse internacional pelo mercado brasileiro e reforçam o papel da FCCE na criação de pontes comerciais estratégicas.

Durante o evento, o vice-presidente recebeu uma homenagem de um empresário colombiano da Sublay S/A, que destacou o apoio da federação às empresas latino-americanas e mencionou parcerias estabelecidas no Panamá, Colômbia e Uruguai, além do avanço das exportações brasileiras para a África, especialmente para o Marrocos.

Entre as principais metas da FCCE está a mudança da pauta exportadora brasileira, com foco na agregação de valor. “Queremos promover a transição do Brasil de um país exportador de commodities para um exportador de produtos com inovação e sustentabilidade”, destacou Kühner.

A proposta busca fortalecer setores tecnológicos e industriais, reduzindo a dependência de produtos primários e impulsionando a competitividade global do país. A federação também defende a adoção de práticas sustentáveis e de economia verde, alinhadas às tendências do comércio internacional.

A FCCE baseia sua estratégia em três eixos principais: mentoria empresarial, com orientação estratégica sobre mercados e adequações regulatórias; capacitação profissional, com programas sobre legislação, logística e negociação internacional; e internacionalização, oferecendo suporte técnico e conexões com parceiros estrangeiros.

Além disso, a federação mantém serviços de consultoria e apoio ao financiamento, auxiliando empresas brasileiras a acessar linhas de crédito e programas de incentivo à exportação. “Nosso papel é ajudar as empresas a encontrarem novos mercados e fontes de funding para sua expansão global”, explicou Kühner.

Reconhecida internacionalmente, a FCCE reafirma seu compromisso em tornar o comércio exterior brasileiro mais competitivo, sustentável e inovador. As parcerias com países da América Latina e da África demonstram a força da diplomacia econômica conduzida pela federação.

Aos 75 anos, a instituição segue focada em preparar o Brasil para uma nova era do comércio internacional, marcada por tecnologia, diversificação e responsabilidade ambiental.

FONTE: Última Hora
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Última Hora

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Comércio Exterior

Empresários brasileiros esperam redução de taxas após encontro de Lula e Trump

O empresariado brasileiro mantém expectativas cautelosas em relação aos desdobramentos do encontro entre o presidente Lula (PT) e Donald Trump, realizado no último domingo (26) na Malásia. O foco principal está nas possíveis alterações nas sobretaxas americanas sobre produtos brasileiros, aponta análise de Victor Irajá no Bastidores CNN.

Revisão de sobretaxas e exceções

Entre as medidas discutidas, estão a reavaliação da sobretaxa de 50% e a possível inclusão de novos produtos brasileiros na lista de exceções, que atualmente conta com cerca de 700 itens. “Essa é uma expectativa positiva, mas ainda cautelosa, dos empresários”, afirmou Irajá.

Antes do encontro, o Brasil enfrentava dificuldades até mesmo para manter contato com representantes do segundo escalão do governo americano. A mudança no cenário foi impulsionada pela pressão conjunta de setores empresariais brasileiros e americanos, que buscavam abertura para negociações.

Pressões internas nos Estados Unidos

O presidente Donald Trump enfrenta crescente pressão interna devido ao aumento dos preços ao consumidor. O café registrou alta de 21% em agosto, em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto as carnes tiveram variações entre 13% e 18,4%.

O setor manufatureiro norte-americano também demonstra preocupação com o impacto das sobretaxas. José Velloso, presidente executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), destaca que diversos produtos industriais brasileiros são essenciais para as cadeias produtivas dos EUA, tanto no agronegócio quanto na indústria em geral.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Comércio Internacional

Ministro Carlos Fávaro garante avanços históricos para a agropecuária brasileira no Sudeste Asiático

A missão oficial do governo brasileiro à Indonésia e à Malásia, realizada entre 23 e 28 de outubro, trouxe resultados estratégicos para a agropecuária brasileira. Liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, a agenda reforçou a presença do Brasil no mercado internacional, com a abertura de seis novos mercados, revisão de protocolos sanitários, retomada de exportações e assinatura de acordos de cooperação técnica e científica.
Desde o início do atual governo, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) já contabiliza 466 mercados abertos, consolidando o protagonismo brasileiro na diplomacia agropecuária.

“Encerramos mais uma missão governamental com excelentes resultados. Trabalhamos para abrir mercados, fortalecer laços diplomáticos e garantir oportunidades para os produtores brasileiros. Assim seguimos, com o presidente Lula, ampliando a presença do agro do Brasil no mundo”, afirmou Fávaro.

Novos mercados e produtos brasileiros

Na primeira reunião bilateral dedicada ao setor agropecuário, em Kuala Lumpur, o Brasil conseguiu abrir seis novos mercados para exportação de:

  • Pescados extrativos e de cultivo
  • Gergelim
  • Ovo em pó
  • Melões do Ceará e do Rio Grande do Norte
  • Maçãs do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina

Além disso, houve a retomada do comércio de carne de frango com a Malásia, com atualização do protocolo sanitário, que reduziu de 12 para 3 meses o período de suspensão em casos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade. A antecipação da auditoria para habilitação de novos frigoríficos de carne suína também foi confirmada, abrindo caminho para novos negócios.

Cooperação científica e tecnológica

O Mapa, junto à Embrapa e ao Instituto de Pesquisa Agrícola da Malásia (MARDI), assinou acordo de cooperação técnica para desenvolvimento de projetos em biotecnologia e nanotecnologia. O documento ainda prevê intercâmbio técnico nas cadeias de sorgo, soja, milho e coco, reforçando a cooperação científica entre os países.

Avanços na União Europeia e Indonésia

Durante a missão, o Brasil também obteve a retomada do pré-listing para exportações de carne de frango à União Europeia, suspenso desde 2018. Esse mecanismo permite que frigoríficos cumprindo normas europeias exportem sem auditorias individuais, representando avanço significativo para o setor avícola.

“Essa retomada representa uma excelente oportunidade para os criadores e para a agroindústria de frango do Brasil, que seguem demonstrando ao mundo a qualidade e a responsabilidade sanitária da produção nacional”, destacou Fávaro.

Na Indonésia, o país avançou nas negociações para ampliar o mercado de carne bovina, com nova auditoria prevista ainda este ano para habilitação de plantas exportadoras. A Indonésia é o quarto maior mercado agropecuário do mundo, com grande potencial de crescimento nos negócios.

Também foi firmado acordo de cooperação com a autoridade quarentenária da Indonésia, estabelecendo equivalência sanitária, fitossanitária e certificação eletrônica, reforçando a segurança técnica e a confiança mútua entre os países.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Caroline De Vita/Mapa

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