Exportação

Exportações para a China crescem 28,6% e neutralizam impacto do tarifaço dos EUA

O crescimento das exportações brasileiras para a China ajudou a compensar a forte retração nas vendas ao mercado americano após a entrada em vigor do tarifaço dos Estados Unidos, iniciado em agosto. No período entre agosto e novembro, o Brasil conseguiu equilibrar sua balança externa ao ampliar o fluxo comercial com o principal parceiro asiático.

Dados mostram que o valor exportado para a China avançou 28,6% em comparação com o mesmo intervalo de 2024. No sentido oposto, as exportações destinadas aos Estados Unidos recuaram 25,1% no mesmo período.

Volume exportado segue tendência semelhante

O comportamento se repete quando analisado o volume das exportações. As vendas brasileiras para portos e aeroportos chineses registraram alta de 30%, enquanto os embarques para os Estados Unidos caíram 23,5%. A diferença entre valor e volume está relacionada, sobretudo, à variação dos preços dos produtos exportados.

As informações constam no Indicador de Comércio Exterior (Icomex), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

China consolida liderança como principal destino das exportações

A China, responsável por cerca de 30% das exportações brasileiras, manteve a posição de principal parceiro comercial do Brasil, à frente dos Estados Unidos. Segundo o Icomex, esse peso foi decisivo para mitigar os efeitos negativos do tarifaço americano.

O relatório aponta que o governo dos EUA superestimou sua capacidade de provocar danos amplos às exportações brasileiras, ao considerar que o país possui elevada diversificação de mercados.

Setores mais afetados pelas tarifas americanas

Entre agosto e novembro, alguns segmentos registraram quedas expressivas nas vendas aos Estados Unidos, com destaque para:

Extração de minerais não metálicos, com retração de 72,9%
Fabricação de bebidas, queda de 65,7%
Fabricação de produtos do fumo, recuo de 65,7%
Extração de minerais metálicos, redução de 65,3%
Produção florestal, baixa de 60,2%
Produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, queda de 51,2%
Produtos de madeira, recuo de 49,4%

Evolução mensal das exportações em 2025

O levantamento da FGV mostra que as exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram de abril a julho, sempre na comparação anual. No entanto, após a adoção das tarifas, o país acumulou quatro meses consecutivos de retração.

Já as exportações para a China aceleraram de forma significativa a partir de agosto, com taxas mensais expressivas, impulsionadas principalmente pelo embarque de soja, concentrado no segundo semestre.

Segundo a pesquisadora do Ibre/FGV Lia Valls, o redirecionamento dos embarques teve papel relevante no desempenho global do comércio exterior brasileiro. Ela explica que o aumento das vendas à China ocorreu justamente quando as exportações aos Estados Unidos começaram a cair.

No acumulado até novembro, as exportações totais do Brasil cresceram 4,3% em relação aos mesmos 11 meses de 2024.

Argentina tem crescimento, mas impacto limitado

O Icomex também analisou o desempenho das exportações para a Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil. Entre agosto e novembro, houve crescimento de 5% em valor e 7,8% em volume.

Apesar do avanço, Lia Valls ressalta que o peso da Argentina na pauta exportadora brasileira é reduzido e não tem capacidade de compensar perdas geradas pelo tarifaço americano, sobretudo porque o comércio bilateral é concentrado no setor automotivo.

Entenda o tarifaço imposto pelos Estados Unidos

O tarifaço de Donald Trump entrou em vigor em agosto de 2025, elevando impostos sobre produtos importados com o objetivo declarado de estimular a produção interna americana. No caso do Brasil, a medida incluiu sobretaxas de até 50%, uma das mais elevadas aplicadas pelo governo dos EUA.

Além de razões econômicas, Trump chegou a justificar a medida como retaliação política ao Brasil, em meio às críticas ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, posteriormente condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Desde então, os dois países negociam ajustes no acordo comercial. No último dia 20, o governo americano retirou uma sobretaxa adicional de 40% sobre 269 produtos, principalmente do setor agropecuário, como carnes e café. Segundo o Icomex, os efeitos dessa decisão devem ser percebidos apenas a partir de dezembro e janeiro.

O vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin, estima que 22% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ainda seguem sujeitas às tarifas adicionais.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Portos

Portos do Paraná bate recorde histórico e ultrapassa 70 milhões de toneladas em 2025

Resultado supera a movimentação de 2024 e antecipa em dez anos a meta prevista em planejamento técnico

A Portos do Paraná alcançou a marca de 70 milhões de toneladas movimentadas entre janeiro e parte de dezembro de 2025, o que representa um recorde histórico para a empresa pública e supera a produtividade de 2024 quinze dias antes do término do ano. Até o momento, o volume é 5% maior do que o registrado no ano anterior.

A expectativa é aumentar ainda mais essa escala de movimentação, com previsão de alcançar entre 72 e 73 milhões de toneladas até o dia 31 de dezembro. Com isso, a Portos do Paraná irá superar o planejamento técnico, que previa uma movimentação de 70 milhões de toneladas somente a partir de 2035.

“Os portos do Paraná alcançaram novamente uma marca histórica e muito antes do previsto. O Porto de Paranaguá é o mais eficiente do Brasil. Estamos trabalhando com novos investimentos para garantir essa expansão contínua nos próximos anos para garantir fluxo internacional para as empresas e indústrias paranaenses”, afirma o governador Carlos Massa Ratinho Junior.

O aumento da movimentação de cargas nos portos paranaenses entre os anos de 2018 e 2025 é de 32%. A conquista registrada antes do encerramento do ano é motivo de muita comemoração, de acordo com o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

“Em 2019, quando dissemos que iríamos alcançar as 60 milhões de toneladas, houve dúvida por parte de muitos, que afirmavam que não seria possível. Em cinco anos, superamos a meta e chegamos a 66,7 milhões de toneladas. Agora, ultrapassamos a marca de 70 milhões, provando que, com o uso de inteligência logística, investimentos e muito trabalho de toda a equipe da Portos do Paraná, além da participação ativa da comunidade portuária, quebrar barreiras e antecipar o futuro é possível”, afirmou Garcia.

Quando o assunto é exportação, o Porto de Paranaguá se destaca como um dos mais importantes do mundo no embarque de grãos e farelos. Também é o maior corredor de exportação de carne de frango congelada do planeta, por onde saem mais de 48% de toda a produção nacional, destinada ao mercado externo.

Entre os portos brasileiros, Paranaguá é o maior exportador de carnes (frango, bovino e suíno), sendo responsável por cerca de 40% de toda a exportação nacional. É também o principal canal de embarque de óleo de soja e possui o segundo maior fluxo de carregamento de soja e farelo de soja do país.

A Portos do Paraná também se destaca no recebimento de fertilizantes. Em 2025, mais de 11 milhões de toneladas foram recepcionadas em Paranaguá e Antonina.

Ações que impulsionam o marco histórico

Em setembro deste ano, houve um aumento do calado operacional (distância entre a superfície da água e o ponto mais profundo da embarcação) nos berços de granéis sólidos, que passou de 13,1 metros para 13,3 metros. A ampliação permitiu um crescimento médio de até 1,5 mil toneladas por navio.

Em outubro, foi a vez dos navios porta-contêineres ampliarem a movimentação devido ao aumento do calado operacional, que passou de 12,8 metros para 13,3 metros. “Com o aumento de 50 centímetros, houve um crescimento de aproximadamente 400 TEUs por navio”, destacou o diretor de Operações da Portos do Paraná, Gabriel Vieira. O TEU é a unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, ou cerca de seis metros de comprimento.

Investimentos que elevam a eficiência

A realização do leilão para a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá vai ampliar ainda mais o potencial logístico portuário do estado. O Consórcio Canal da Galheta Dragagem — formado pelas empresas FTS Participações Societárias S.A., Deme Concessions NV e Deme Dredging NV — foi o vencedor do certame realizado em outubro.

Após assumir definitivamente o contrato, a concessionária terá cinco anos para realizar uma série de melhorias, como a ampliação e o aprofundamento do canal para a obtenção de um calado operacional de 15,5 metros. A empresa também será responsável pela manutenção desse parâmetro até o final do contrato, que terá vigência de 25 anos.

O incremento de mais de dois metros no calado permitirá um salto na capacidade de embarque de mercadorias: um adicional de mil contêineres ou 14 mil toneladas de granéis sólidos vegetais em um único navio.

Moegão, uma obra pensada para o futuro

Para ampliar a produtividade, a Portos do Paraná está construindo o Moegão, a maior obra pública portuária do Brasil, que alcançou 80% de execução em dezembro. Após a conclusão, o Moegão poderá receber 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano, atendendo aos terminais do Corredor de Exportação Leste (Corex).

O Governo do Estado do Paraná, por meio da Portos do Paraná, está investindo mais de R$ 650 milhões na construção do Moegão, com recursos próprios e financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em termos de investimento, a obra equivale a quase duas pontes de Guaratuba, outro grande projeto executado pelo governo estadual.

Atualmente, em média, 550 vagões podem ser descarregados diariamente nos terminais de exportação. Com o Moegão, esse processo será padronizado em um único ponto de descarga: 180 vagões poderão ser descarregados a cada cinco horas, o que equivale a aproximadamente 900 vagões por dia. Os granéis vegetais seguirão por correias transportadoras até 11 terminais interligados ao sistema e, de lá, para os navios.

Regularização de áreas promove ampliação da infraestrutura

O ano de 2025 também foi marcado pela conclusão da regularização de áreas arrendáveis do Porto de Paranaguá. Ao todo, foram realizados nove leilões na Bolsa de Valores do Brasil, que estão trazendo novos investimentos e mais segurança operacional.

De acordo com os contratos firmados, as arrendatárias têm a obrigação de realizar investimentos tanto nos espaços outorgados quanto nas áreas comuns. Com isso, em poucos anos, a eficiência na movimentação de cargas será ampliada, tornando os portos paranaenses ainda mais competitivos.

A partir dos recursos a serem aportados, será possível modernizar e ampliar a infraestrutura do Porto de Paranaguá. Entre as novidades está a construção de um píer em “T”, com quatro novos berços de atracação equipados com um sistema de esteiras transportadoras de alta velocidade, projetadas especialmente para o novo complexo.

A nova estrutura ampliará a capacidade de carregamento dos navios. Atualmente, em um único berço, é possível embarcar três mil toneladas de soja ou outros grãos e farelos por hora. Com o novo sistema, esse volume passará para oito mil toneladas por hora em cada berço.

“Estamos garantindo que os nossos portos sigam ágeis e menos onerosos para quem exporta ou importa. E, acima de tudo, queremos que a Portos do Paraná siga como uma das principais alavancas que impulsionam a economia do nosso estado e do nosso país”, concluiu Garcia.

FONTE: Portos do Paraná
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Comércio Exterior

Corrente de comércio brasileira alcança US$ 12,4 bilhões na segunda semana de dezembro

A corrente de comércio brasileira somou US$ 12,4 bilhões na segunda semana de dezembro de 2025, com superávit de US$ 1,5 bilhão. O resultado é fruto de exportações de US$ 6,9 bilhões e importações de US$ 5,5 bilhões, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

Resultado mensal mantém saldo positivo

No acumulado de dezembro, o país registra US$ 14,3 bilhões em exportações e US$ 11 bilhões em importações, o que gera um saldo comercial positivo de US$ 3,3 bilhões. A corrente de comércio do mês atinge US$ 25,2 bilhões, mantendo a tendência de crescimento observada ao longo do ano.

Desempenho anual reforça força do comércio exterior

No acumulado de 2025, as exportações brasileiras totalizam US$ 332,1 bilhões, enquanto as importações somam US$ 271 bilhões. O superávit comercial no ano chega a US$ 61,1 bilhões, com corrente de comércio acumulada de US$ 603 bilhões, consolidando o bom desempenho do comércio exterior brasileiro.

Médias diárias mostram avanço expressivo

Na comparação entre as médias diárias até a segunda semana de dezembro de 2025 e o mesmo período de 2024, as exportações cresceram 20,4%, passando de US$ 1,2 bilhão para US$ 1,4 bilhão por dia. As importações avançaram 13,9%, com média diária de US$ 1,1 bilhão, ante US$ 964,06 milhões no ano anterior.

Com isso, a média diária da corrente de comércio alcançou US$ 2,52 bilhões, enquanto o saldo médio diário foi de US$ 327,67 milhões. Em relação a dezembro de 2024, houve alta de 17,5% na corrente de comércio.

Exportações por setor puxam crescimento

Na análise setorial das exportações, considerando a média diária até a segunda semana de dezembro de 2025 frente ao mesmo período de 2024, todos os segmentos apresentaram crescimento. A Agropecuária registrou aumento de US$ 77,86 milhões, alta de 41,1%. A Indústria Extrativa teve avanço de US$ 125,57 milhões, com crescimento de 52,0%. Já a Indústria de Transformação apresentou elevação de US$ 37,67 milhões, equivalente a 5,0%.

Importações também avançam em todos os segmentos

O desempenho das importações por setor também foi positivo no período analisado. A Agropecuária cresceu 12,6%, com acréscimo de US$ 2,85 milhões na média diária. A Indústria Extrativa avançou 28,9%, somando US$ 11,2 milhões. A Indústria de Transformação teve aumento de US$ 121,47 milhões, alta de 13,6%.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNC

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Exportação

Abertura de 500 mercados internacionais impulsiona exportações da agropecuária brasileira

A abertura de mercados internacionais para produtos agropecuários brasileiros alcançou um marco expressivo entre 2023 e 2025. Nesse período, mais de 500 novos mercados foram habilitados, resultado do trabalho integrado do governo federal, da diplomacia brasileira e da competitividade da produção nacional. A expansão já representa US$ 3,4 bilhões em exportações efetivadas.

O anúncio foi feito durante a inauguração da sede própria da ApexBrasil, em Brasília, evento que também simbolizou o avanço da promoção comercial brasileira no exterior e a ampliação do acesso do país a novos destinos comerciais.

Estratégia integrada de expansão comercial

A política de abertura de mercados para o agronegócio é coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com a ApexBrasil, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços, além de forte articulação com o setor privado.

O foco está na capacidade do Brasil de atender simultaneamente o mercado interno e o mercado externo, mantendo padrões elevados de qualidade, regularidade e escala produtiva. Essa combinação tem sido determinante para ampliar a presença brasileira no comércio global.

Potencial bilionário em mais de 80 países

Segundo estimativas do Mapa, os 500 mercados abertos em mais de 80 países têm potencial para gerar US$ 37,5 bilhões por ano em exportações. Cada país pode absorver diferentes tipos de produtos, o que amplia as oportunidades comerciais.

Entre os principais itens habilitados estão carnes, algodão, frutas e pescados, segmentos que concentram alta demanda internacional e forte competitividade brasileira.

Reconhecimento sanitário fortalece acesso externo

Para o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, a expansão é considerada um feito histórico, sustentado pela boa diplomacia comercial e pela evolução sanitária do país. Ele destacou que, em 2025, o Brasil obteve o reconhecimento internacional como país livre de febre aftosa, após mais de sete décadas de combate à doença.

Esse avanço elevou a confiança internacional nos produtos brasileiros e ampliou o alcance do trabalho dos adidos agrícolas, que passaram de 29 para 40 representantes no exterior, atuando diretamente na prospecção de novos negócios.

Novos mercados devem se converter em negócios contínuos

De acordo com o Mapa, a abertura de mercados é apenas o primeiro passo. A expectativa é que, gradualmente, esses acessos se transformem em relações comerciais duradouras, à medida que compradores internacionais testem e ampliem suas encomendas, consolidando o Brasil como fornecedor confiável e capaz de atender grandes demandas.

Promoção comercial e apoio às empresas brasileiras

Dados da ApexBrasil mostram que, entre 2023 e 2025, foram realizadas mais de 170 ações internacionais em 42 países, com US$ 18 bilhões em negócios projetados e atendimento a mais de três mil empresas brasileiras. No período, ocorreram 19 missões presidenciais e cinco vice-presidenciais.

A agência mantém 52 convênios com setores da economia, dividindo investimentos com entidades privadas para garantir a presença do Brasil em cerca de mil eventos internacionais por ano, estratégia considerada essencial para ampliar a visibilidade dos produtos nacionais.

Criada em 2003, a ApexBrasil registrou, até outubro de 2025, 20.754 empresas apoiadas no ano, sendo 66% micro, pequenas e médias, com prioridade para as regiões Norte e Nordeste, dentro de uma política de descentralização da promoção comercial.

Comércio exterior em ritmo recorde

O vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil deve alcançar recorde histórico de exportações, mesmo em um cenário global de crescimento mais moderado. A projeção é de US$ 345 bilhões em exportações e US$ 629 bilhões na corrente de comércio.

Segundo ele, a abertura ao comércio internacional é fator decisivo para um crescimento econômico sustentável e consistente.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Comércio Internacional

Acordo União Europeia-Mercosul: por que o agro está no centro da disputa

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo União Europeia-Mercosul entra em um momento decisivo e volta a expor tensões profundas no setor agropecuário. Nesta semana, o Parlamento Europeu analisa a adoção de mecanismos de proteção para a agricultura do bloco, etapa considerada crucial para o avanço do tratado de livre comércio.

Caso as chamadas salvaguardas agrícolas sejam aprovadas, o texto poderá seguir para votação no Conselho da União Europeia, que se reúne entre quinta-feira (18) e sexta-feira (19). A expectativa é que a assinatura ocorra durante a Cúpula do Mercosul, marcada para sábado (20), em Foz do Iguaçu.

Salvaguardas agrícolas e a reação do agro brasileiro

As salvaguardas funcionam como um instrumento que permite à União Europeia suspender temporariamente os benefícios do acordo se houver prejuízo comprovado a setores do agro local em razão do aumento das importações. A medida é vista como uma concessão a países historicamente críticos ao tratado, como a França, maior produtora de carne bovina do bloco europeu.

No Brasil, porém, o dispositivo gera preocupação. O setor agroexportador aposta no acordo como uma oportunidade de ampliar vendas ao mercado europeu, hoje o segundo maior destino dos alimentos brasileiros. Para o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o diálogo é essencial para destravar o processo. Segundo ele, discutir salvaguardas faz parte da negociação, desde que o acordo avance de forma gradual e seja aperfeiçoado ao longo do tempo.

Itália pode definir o rumo do acordo

Embora o tratado envolva diversos setores econômicos, é o agronegócio que concentra os principais embates políticos. Desde 2019, quando uma versão mais avançada do texto veio a público, países como França, Polônia e Hungria passaram a impor resistências formais ou condicionantes.

A insatisfação de produtores rurais europeus resultou em protestos recorrentes. Em 2024, agricultores franceses bloquearam estradas, despejaram estrume em frente a prédios públicos e chegaram a destruir carregamentos de vinho espanhol. Mobilizações semelhantes ocorrem em outros países, como Áustria, Alemanha, Espanha, Polônia e Holanda, sob o movimento “StopEUMercosur”.

Nesse cenário, a posição da Itália ganha peso estratégico. Para barrar a assinatura do acordo, é necessário o voto contrário de ao menos quatro Estados-membros que representem 35% da população da UE. França e Itália já defenderam publicamente o adiamento da votação, mas o governo italiano ainda não deixou clara sua posição final, o que pode ser decisivo.

Trâmite ainda pode se estender até 2026

Mesmo que o Conselho da UE aprove o texto e a assinatura ocorra na Cúpula do Mercosul, o acordo ainda precisará do aval definitivo do Parlamento Europeu para entrar em vigor. A previsão é que essa etapa fique para 2026, mantendo a incerteza no curto prazo.

Argumentos dos países contrários ao acordo

Produtores europeus temem perder competitividade com a entrada de alimentos do Mercosul, especialmente do Brasil. A preocupação se concentra no fato de que a produção brasileira apresenta maior escala, alta produtividade e custos mais baixos, o que poderia pressionar preços no mercado europeu.

Outro ponto sensível envolve o meio ambiente. Críticos afirmam que os países do Mercosul não adotam os mesmos padrões ambientais, sociais e sanitários exigidos na Europa, além de alegarem que o acordo poderia estimular o desmatamento na Amazônia e permitir a entrada de agrotóxicos proibidos no bloco europeu.

O Brasil rebate essas acusações destacando que possui um dos códigos florestais mais rigorosos do mundo, com exigência legal de manutenção de áreas de vegetação nativa nas propriedades rurais. Ainda assim, o desmatamento ilegal segue como um desafio estrutural.

Quem defende o acordo União Europeia-Mercosul

Na outra ponta, países como Alemanha e Espanha lideram a defesa do tratado. A avaliação é que o acordo fortalece exportadores europeus em um momento de desaceleração econômica e amplia alternativas comerciais diante do aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Desde a reeleição de Donald Trump, a União Europeia acelerou a busca por novos parceiros, intensificando negociações com Índia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos, além de reforçar laços com Reino Unido, Canadá e Japão. Holanda, Portugal e Suécia também se posicionam favoravelmente.

Para esses países, o Mercosul representa um mercado promissor para automóveis, máquinas e produtos químicos, além de uma fonte estratégica de minerais essenciais, como o lítio, fundamental para a transição energética. Há ainda benefícios esperados para o próprio agro europeu, com maior acesso e tarifas reduzidas para produtos como queijos, vinhos e presuntos.

Mudanças no texto e críticas do setor agropecuário

Desde a proposta apresentada em 2019, considerada equilibrada pelo agro brasileiro, o acordo passou por alterações que, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), favoreceram o lado europeu. De acordo com Sueme Mori, diretora de relações internacionais da entidade, novas exigências ambientais e regras como a lei antidesmatamento criaram obstáculos adicionais às exportações brasileiras.

Na avaliação da CNA, a União Europeia tenta aplicar padrões pensados para sua realidade climática e produtiva, que não se adequam às condições brasileiras. Mori destaca ainda que a agricultura europeia é altamente subsidiada, enquanto no Brasil os incentivos ocorrem principalmente via crédito rural, como o Plano Safra.

As salvaguardas definidas mais recentemente também entram nesse pacote de preocupações. Além de permitir a suspensão de benefícios tarifários, a Comissão Europeia discute a aplicação do princípio da reciprocidade, exigindo que os países do Mercosul adotem padrões produtivos equivalentes aos da UE.

As acusações contra o Brasil procedem?

Especialistas apontam que o Brasil possui um arcabouço ambiental robusto, com exigências legais de preservação superiores às de muitos países. Segundo Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da FGV, a própria União Europeia flexibilizou regras ambientais da Política Agrícola Comum entre 2024 e 2025.

Munhoz observa ainda que o adiamento e as revisões da lei antidesmatamento europeia revelam dificuldades técnicas de implementação. Nesse contexto, cresce o risco de que o bloco utilize exigências adicionais de sustentabilidade e rastreabilidade como condicionantes para manter vantagens tarifárias.

Sobre a competitividade dos produtos brasileiros, o pesquisador reconhece que ela decorre de fatores estruturais, como escala e produtividade. No entanto, ressalta que as novas salvaguardas podem limitar aumentos rápidos nas exportações brasileiras em setores considerados sensíveis, restringindo o acesso ao mercado europeu.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/G1

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Comércio

CNI defende acordo de livre comércio mais amplo entre Brasil e México

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o Brasil precisa avançar na negociação de um acordo de livre comércio mais abrangente com o México, considerado um mercado prioritário na agenda internacional da indústria brasileira. Para a entidade, o fortalecimento do diálogo bilateral é essencial para preservar e ampliar a relação comercial entre os dois países, especialmente no atual cenário econômico.

Possíveis medidas mexicanas preocupam exportadores brasileiros

A CNI aguarda a confirmação de eventuais mudanças no escopo das medidas anunciadas pelo governo mexicano para calcular com maior precisão os impactos sobre as exportações brasileiras. Ainda assim, estimativas preliminares feitas com base na proposta inicial indicam que as medidas podem afetar cerca de US$ 1,7 bilhão, o equivalente a 14,7% do total exportado pelo Brasil ao México em 2024.

Acordos atuais são considerados insuficientes

Na avaliação da entidade, os acordos bilaterais em vigor não são suficientes para garantir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado mexicano. Em um contexto de mudanças nas regras comerciais, a CNI alerta para o risco de perda de espaço da indústria nacional caso não haja avanços na modernização do marco regulatório entre os países.

Diálogo bilateral é visto como caminho para evitar tarifas

A CNI defende que os governos do Brasil e do México intensifiquem as negociações para buscar isenções ou tratamentos diferenciados aos produtos brasileiros diante das tarifas de importação anunciadas pelo México. Segundo a entidade, essas medidas vão na contramão das negociações em curso e podem comprometer o equilíbrio comercial.

Modernização dos acordos é prioridade

Para a indústria, a manutenção do compromisso bilateral passa pelo cumprimento ágil do plano de trabalho para atualização dos acordos comerciais, com foco em regras mais modernas e compatíveis com o comércio internacional. Um acordo mais amplo, avalia a CNI, traria maior previsibilidade, segurança jurídica e oportunidades de crescimento para as exportações brasileiras.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal da Indústria

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia entra em fase crítica e gera apreensão no governo brasileiro

O governo brasileiro acompanha com preocupação os sinais de recuo da União Europeia na reta final para a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, prevista para o próximo sábado (20/12), em Foz do Iguaçu, durante a cúpula de chefes de Estado do bloco sul-americano.

A semana é considerada determinante porque o tratado precisa ser aprovado em duas instâncias europeias: o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu. As votações estão programadas para ocorrer entre terça-feira (16/12) e quinta-feira (18/12).

França pede adiamento e acende alerta nas negociações

No domingo (14/12), a França solicitou oficialmente o adiamento das votações. O gabinete do primeiro-ministro francês, Sebastien Lecornu, afirmou que “não estão dadas as condições” para que os Estados-membros deliberem neste momento.

Segundo o governo francês, o pedido visa ganhar tempo para negociar medidas de proteção à agricultura europeia, setor que teme impactos negativos com a abertura comercial ao Mercosul.

Risco de encerramento definitivo das negociações

Fontes envolvidas nas tratativas afirmaram à BBC News Brasil que, caso a União Europeia não aprove o acordo agora, as negociações podem ser encerradas de forma definitiva. O tratado vem sendo discutido há 25 anos.

Na avaliação de interlocutores do governo, um fracasso neste momento reduziria a quase zero a possibilidade de retomada futura das negociações. Diante desse cenário, o Brasil, maior economia do Mercosul, tende a intensificar a busca por parcerias comerciais na Ásia.

O que prevê o acordo Mercosul–União Europeia

As negociações tiveram início em 1999 e preveem a criação de uma ampla área de livre-comércio, com redução mútua de tarifas de importação e exportação, ampliando o fluxo comercial entre os blocos.

Se entrar em vigor, o acordo formará uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo, reunindo cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 22 trilhões. Em 2024, a fase negocial foi concluída, restando agora as etapas formais de aprovação e assinatura.

Parlamento deve aprovar, mas Conselho é o principal obstáculo

Diplomatas europeus ouvidos em Brasília indicam que a aprovação no Parlamento Europeu não deve enfrentar grandes dificuldades, já que exige apenas maioria simples.

A maior incerteza está no Conselho Europeu, onde é necessária maioria qualificada: apoio de ao menos 15 dos 27 países-membros, representando 65% da população da União Europeia, estimada atualmente em 451 milhões de habitantes.

Apoios e resistências dentro da Europa

No Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, há consenso favorável à assinatura do acordo. Na Europa, o cenário é mais dividido.

Países como Alemanha, Espanha, Portugal e República Checa apoiam o tratado. Já França e Polônia lideram a oposição, com manifestações contrárias também vindas de Bélgica e Áustria.

A principal resistência francesa está ligada ao temor de concorrência com produtos agropecuários sul-americanos, que poderiam afetar os agricultores locais.

Salvaguardas agrícolas tentam destravar aprovação

Para reduzir a resistência, negociadores europeus elaboraram salvaguardas agrícolas, aprovadas nesta semana pelo Comitê de Comércio Internacional da União Europeia. As regras permitem suspender benefícios tarifários ao Mercosul caso as exportações do bloco cresçam mais de 5% em relação ao ano anterior.

Essas salvaguardas ainda precisam ser votadas pelo Parlamento Europeu na próxima semana.

Itália pode ser decisiva para o desfecho

Diplomatas avaliam que a Itália será o fiel da balança. Com cerca de 59 milhões de habitantes, o país tem peso suficiente para definir o resultado no Conselho.

Caso Itália, França e Polônia votem contra, os três países representariam aproximadamente 36% da população do bloco, percentual suficiente para inviabilizar a aprovação. Apesar de um diplomata italiano ter sinalizado apoio ao acordo em reunião recente, o clima entre negociadores segue cauteloso.

Governo brasileiro vê incoerência europeia

Auxiliares do Palácio do Planalto avaliam que um eventual recuo europeu demonstraria fragilidade política do bloco. Na visão do governo, o acordo fortaleceria ambos os lados em um contexto global de enfraquecimento do multilateralismo.

A avaliação interna também aponta para um tratamento desigual: enquanto a União Europeia aceitou um acordo considerado desfavorável com os Estados Unidos, após imposição de tarifas por Washington, demonstra resistência em firmar um tratado mais equilibrado com o Mercosul.

Ásia surge como alternativa estratégica

Diante da possibilidade de fracasso do acordo, o governo brasileiro considera ampliar parcerias comerciais com países asiáticos. Dados oficiais mostram que, em 2025, a China importou US$ 94 bilhões em produtos brasileiros, mais que o dobro dos US$ 45 bilhões adquiridos pela União Europeia no mesmo período.

FONTE: BBC News Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/AFP

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Exportação

BNDES libera R$ 2,26 bilhões para empresas de Santa Catarina impactadas pelo tarifaço dos EUA

O BNDES aprovou R$ 2,26 bilhões em crédito para empresas de Santa Catarina afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Os recursos foram liberados por meio de 189 operações, contemplando diferentes linhas de financiamento voltadas à manutenção das atividades, expansão de mercados e apoio às exportações.

Do total aprovado, R$ 1 bilhão foi destinado à linha Giro Diversificação, criada para auxiliar empresas na busca por novos mercados internacionais. Outros R$ 1 bilhão atenderam demandas de capital de giro, enquanto R$ 13 milhões foram direcionados à linha de Bens de Capital e R$ 163 milhões ao apoio direto à exportação.

Santa Catarina é o segundo estado com maior volume contratado

O montante liberado corresponde a 100% dos pedidos de crédito apresentados por empresas catarinenses ao banco desde 18 de setembro. Com isso, Santa Catarina se consolidou como o segundo estado com maior volume de contratações no programa, ficando atrás apenas de São Paulo.

Em âmbito nacional, o BNDES aprovou R$ 16,18 bilhões para exportadores e fornecedores afetados pelo tarifaço, o que representa 99,75% das solicitações encaminhadas à instituição em todo o país.

Agilidade na análise e foco na preservação de empregos

O presidente do banco, Aloizio Mercadante, ressaltou a rapidez no processo de análise e liberação dos recursos. Segundo ele, o prazo médio de aprovação no programa Brasil Soberano foi de 26 dias, desempenho considerado sete vezes mais rápido do que a média histórica da instituição.

De acordo com Mercadante, a atuação célere foi essencial para preservar empregos, garantir a continuidade das operações e reduzir os impactos econômicos provocados pelas barreiras comerciais.

Micro e pequenas empresas concentram maior número de contratos

Ao todo, foram realizadas 1.131 operações com empresas de todos os portes, com destaque para 810 contratos firmados com micro, pequenas e médias empresas, reforçando o caráter distributivo da política de crédito.

Em relação aos setores atendidos, a maior parte dos recursos foi destinada à indústria de transformação, que recebeu R$ 12,4 bilhões. O comércio e serviços foram contemplados com R$ 2 bilhões, a agropecuária com R$ 1 bilhão e a indústria extrativa com R$ 203 milhões.

FONTE: Diarinho
TEXTO: Redação
IMAGEM: Arquivo/João Batista

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Comércio Exterior

Tarifaço do México sobre produtos brasileiros deve travar acordos comerciais bilaterais

O tarifaço do México aprovado pelo Congresso do país, com vigência prevista para 1º de janeiro de 2026, tende a esfriar as negociações para a atualização dos acordos comerciais entre Brasil e México. A avaliação é de técnicos da equipe econômica brasileira que acompanham as tratativas, ouvidos pelo PlatôBR.

A medida eleva o custo de produtos brasileiros no mercado mexicano e cria um ambiente menos favorável ao avanço das conversas diplomáticas e comerciais entre os dois países.

Cronograma inicial previa assinatura em 2026

A expectativa inicial do vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), era concluir a assinatura dos novos tratados em julho de 2026. O calendário havia sido definido após reuniões com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, durante visita oficial realizada em agosto do ano passado.

Com a nova política tarifária, no entanto, o ritmo das negociações deve ser revisto.

Pressão dos Estados Unidos influencia decisão mexicana

De acordo com integrantes do governo brasileiro, o esfriamento das conversas ocorre em meio à pressão exercida pelo governo Donald Trump, que acusa o México de funcionar como rota de entrada de produtos chineses nos Estados Unidos.

O movimento ganha ainda mais peso diante da proximidade das negociações entre México, Canadá e Estados Unidos para a renovação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC). Nesse cenário, técnicos do MDIC avaliam que o governo mexicano pode adotar postura mais cautelosa e postergar avanços com o Brasil.

Impactos diretos para o comércio Brasil–México

Atualmente, as relações comerciais entre os dois países são regidas por dois Acordos de Complementação Econômica (ACE). O ACE-55 trata do setor automotivo, enquanto o ACE-53 prevê redução ou eliminação de tarifas de importação para cerca de 800 linhas tarifárias de produtos não automotivos.

Em 2024, a corrente de comércio Brasil–México somou US$ 13,6 bilhões. Levantamentos preliminares da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que o tarifaço mexicano pode atingir aproximadamente US$ 1,7 bilhão das exportações brasileiras realizadas no período.

Setores atingidos e alcance da sobretaxação

Além do Brasil, a nova política tarifária do México também afeta países como China, África do Sul, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Vietnã, entre outros. As tarifas incidirão sobre 1.463 classificações tarifárias, distribuídas em 17 setores, incluindo automotivo, têxtil, vestuário, siderurgia, plásticos, eletrodomésticos, móveis e calçados.

Desse total, 316 classificações atualmente não sofrem tributação, o que amplia o impacto da medida sobre o comércio internacional, especialmente em relação a produtos de origem chinesa.

FONTE: Plato BR
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cadu Gomes/VPR

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Comércio Exterior

Abertura de 500 novos mercados internacionais impulsiona exportações do Brasil

O Brasil atingiu um marco inédito ao abrir 500 novos mercados internacionais em mais de 80 países entre 2023 e 2025. A conquista, liderada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), contou com apoio da ApexBrasil, do Itamaraty e do MDIC, e já se traduz em US$ 3,4 bilhões adicionais em exportações.

Mesmo em um cenário global instável, a diplomacia presidencial foi determinante para superar barreiras comerciais e ampliar o acesso de produtos brasileiros ao exterior. Segundo o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, o resultado é fruto de uma ação coordenada entre governo e setor privado, que mapeou oportunidades e conectou empresas a novos compradores.

Impacto direto para o agronegócio e a indústria

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirma que o avanço reforça a competitividade do Brasil no comércio internacional. Ele destaca que a meta inicial do governo era abrir 200 mercados em 2023, mas o esforço conjunto triplicou o resultado. Para Fávaro, o reconhecimento internacional do padrão sanitário brasileiro foi decisivo para ampliar as oportunidades.

O MAPA estima que os novos mercados tenham potencial para gerar US$ 37,5 bilhões por ano, com destaque para setores como carnes, algodão, frutas e pescados. Cada país pode habilitar diferentes produtos, o que amplia a diversificação da pauta exportadora.

Diplomacia ativa e geração de oportunidades

Entre 2023 e 2025, foram realizadas mais de 170 ações internacionais em 42 países, incluindo missões presidenciais e vice-presidenciais. As iniciativas projetaram cerca de US$ 18 bilhões em negócios e envolveram mais de 3 mil empresas brasileiras.

Para a ApexBrasil, os números comprovam que o país está preparado para ampliar sua presença global e gerar oportunidades para empreendedores de todas as regiões, especialmente Norte e Nordeste.

Inauguração da sede própria da ApexBrasil

A celebração do marco das aberturas internacionais ocorrerá junto à inauguração oficial da nova sede própria da ApexBrasil, em 15 de dezembro, com presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de autoridades de vários ministérios.

Jorge Viana ressalta que o momento representa uma “dupla comemoração”: a expansão inédita dos mercados e a consolidação de um espaço próprio para a Agência, após mais de duas décadas em imóveis alugados. O novo edifício, o Lotus 903, tem arquitetura contemporânea, paisagismo de Burle Marx e foi construído com foco em sustentabilidade e eficiência energética.

A sede também foi planejada para ser integrada à cidade, com áreas destinadas a atividades culturais, educativas e à promoção internacional de produtos brasileiros.

Ano de recordes para a ApexBrasil

Criada em 2003, a ApexBrasil encerra 2025 com números expressivos. Até outubro, a instituição registrou 20.754 empresas apoiadas, o maior volume de sua história. Do total, 66% são micro, pequenas e médias empresas, reforçando a estratégia de descentralizar ações de promoção comercial e apoiar negócios emergentes em diferentes regiões do país.

FONTE: ApexBrasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ApexBrasil

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