Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia pode entrar em vigor em maio

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia pode começar a valer já em maio, segundo previsão do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. A declaração foi feita nesta quinta-feira (27), em São Paulo, após a aprovação do texto pela Câmara dos Deputados.

De acordo com o ministro, a expectativa do governo é que o Senado Federal analise e aprove o tratado nas próximas semanas. Após a votação, o texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caso o cronograma seja cumprido até março, a vigência poderá ocorrer até o fim de maio, considerando o prazo estimado de cerca de 60 dias após a sanção presidencial.

Tramitação avança no Brasil e em países do Mercosul

No Brasil, o acordo já recebeu aval da Câmara e agora depende da análise do Senado. Em paralelo, o texto também avança nos demais países do bloco sul-americano.

O Parlamento da Argentina aprovou o tratado nesta semana, assim como o Uruguai, reforçando o movimento de consolidação do acordo no âmbito do Mercosul.

União Europeia anuncia aplicação provisória

No cenário europeu, a Comissão Europeia informou que o bloco pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida visa assegurar vantagem estratégica e acelerar os benefícios comerciais.

Tradicionalmente, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos governos nacionais e do Parlamento Europeu para que acordos dessa natureza entrem plenamente em vigor. Entretanto, parlamentares europeus — especialmente da França — contestaram o tratado judicialmente, o que pode postergar a implementação total por até dois anos.

Mesmo assim, a aplicação provisória permitirá que Mercosul e União Europeia iniciem a redução de tarifas e implementem dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o rito legislativo europeu.

Salvaguardas devem ser regulamentadas nos próximos dias

Outro ponto em andamento é a regulamentação das salvaguardas previstas no acordo. Segundo Alckmin, a proposta já foi encaminhada à Casa Civil e seguirá para análise do Ministério da Fazenda e do Ministério das Relações Exteriores antes da sanção presidencial.

Esses mecanismos permitem suspender temporariamente a redução de tarifas caso haja aumento expressivo nas importações, protegendo setores da economia que possam ser impactados por um eventual desequilíbrio comercial.

A intenção do governo é que as salvaguardas estejam regulamentadas ainda antes da votação no Senado, garantindo maior segurança jurídica na implementação do acordo.

O que prevê o acordo Mercosul–União Europeia

O tratado estabelece a criação da maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 720 milhões de consumidores.

Entre os principais pontos:

  • O Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos produtos europeus em até 15 anos;
  • A União Europeia zerará tarifas sobre 95% dos bens originários do Mercosul em até 12 anos.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos estima que o acordo poderá ampliar as exportações brasileiras em aproximadamente US$ 7 bilhões. A expectativa é que o tratado contribua para a diversificação da pauta exportadora e fortaleça a indústria nacional, além de ampliar o acesso a produtos com maior competitividade e preços mais baixos para consumidores.

O governo sustenta que a abertura comercial tende a gerar ganhos para a sociedade, ao estimular concorrência, qualidade e redução de custos, mantendo mecanismos de proteção em casos excepcionais.

Fonte: Agência Brasil / Agência Reuters

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL / PAULO PINTO

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Exportação

Exportadores brasileiros antecipam embarques aos EUA diante de risco de alta nas tarifas

Com a entrada em vigor da nova tarifa adicional de 10% dos Estados Unidos, exportadores brasileiros correm para antecipar embarques ao mercado norte-americano. O movimento ocorre em meio à incerteza sobre possível elevação da alíquota para 15% e ao risco de novas sobretaxas com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA.

A nova taxa global passou a valer na terça-feira (24) e substitui o chamado “choque tarifário” anterior, que impunha sobretaxas de 40% e 50% a parte das exportações brasileiras.

Novo cenário tarifário nos EUA

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicam que, antes de decisão da Suprema Corte dos EUA derrubar as tarifas impostas com base no IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional), cerca de 22% das exportações brasileiras ao mercado americano estavam sujeitas às sobretaxas mais elevadas.

Após a decisão judicial e atos executivos que eliminaram essas cobranças, o cenário mudou:

  • 25% das exportações brasileiras passaram a pagar tarifa adicional de 10%, com possibilidade de aumento para 15%;
  • 46% não enfrentam sobretaxa;
  • 29% permanecem sujeitas a tarifas entre 10% e 50%, com base na Seção 232, aplicada a produtos como aço, alumínio e madeira.

A nova tarifa global está fundamentada na Seção 122 da lei comercial dos anos 1970.

Risco da Seção 301 preocupa indústria

Apesar da carga tributária atual ser mais branda, a Abimaq trabalha com um cenário mais cauteloso: aumento da tarifa para 15% e eventual desfecho desfavorável na investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301.

O presidente da entidade, José Velloso, avalia que a Seção 301 pode resultar em sobretaxas específicas contra produtos brasileiros, diferentemente da tarifa global de 10%, que atinge todos os fornecedores.

Segundo ele, mesmo uma elevação aparentemente pequena, de 10% para 15%, representa grande insegurança para importadores norte-americanos.

A advogada especializada em comércio exterior Vera Kanas, sócia da VK Law, observa que a Seção 122 permite tarifa de até 15%, mas questiona a base legal da medida vinculada ao déficit comercial dos EUA. Para ela, há risco de contestação no Congresso ou até nova judicialização na Suprema Corte.

Setor calçadista ganha competitividade

Para a Abicalçados, o novo ambiente tarifário trouxe melhora relativa na competitividade do produto brasileiro.

Com a substituição da sobretaxa de 50% por uma tarifa global de 10%, os calçados nacionais deixaram de enfrentar desvantagem frente a concorrentes asiáticos no mercado americano.

Até julho de 2025, antes do choque tarifário, as exportações brasileiras de calçados aos EUA haviam crescido 15,3% em volume na comparação anual. No entanto, entre agosto e dezembro de 2025, já sob a sobretaxa, houve queda de 23,4% nos embarques.

A entidade classifica o momento como de “otimismo cauteloso”.

Investigação pode ampliar tensão comercial

A investigação com base na Seção 301 foi aberta em 15 de julho do ano passado e já está em estágio avançado. As alegações envolvem supostas práticas discriminatórias que afetariam o comércio dos EUA, incluindo temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — como o Pix — propriedade intelectual e questões ambientais.

Velloso afirma que a defesa brasileira foi consistente, mas avalia que a decisão pode ter caráter político. Caso o Brasil seja penalizado, o governo americano poderá impor tarifas adicionais sobre qualquer produto nacional, a qualquer momento.

A expectativa é de que o desfecho ocorra entre o fim de maio e junho.

Estratégia é antecipar exportações

Diante desse cenário, entidades do setor orientam empresas a antecipar vendas e embarques aos EUA, se possível com chegada das mercadorias até meados de abril. Considerando que o processo completo de exportação até o desembarque leva cerca de 45 dias, o tempo é fator decisivo.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, reforça que a recomendação geral é adiantar embarques sempre que viável, embora isso dependa de negociação com importadores e da volatilidade cambial.

Ele também destaca que muitos produtos isentos da tarifa global de 10% são commodities, o que pode reduzir a participação de bens com maior valor agregado na pauta exportadora brasileira aos EUA.

Seção 232 adiciona complexidade

Outro fator de preocupação é a Seção 232, que mantém sobretaxas justificadas pela proteção da indústria americana de aço e alumínio.

Além das tarifas de até 50% já aplicadas a esses metais, o governo dos EUA incluiu, em julho de 2025, novos produtos intensivos em aço na lista, afetando máquinas rodoviárias e equipamentos de construção e mineração.

Nesse caso, a tributação incide proporcionalmente ao conteúdo de aço no produto. Se o aço representar 20% do custo da máquina, por exemplo, essa parcela paga 50% de imposto, enquanto os demais 80% ficam sujeitos à tarifa geral de 10%.

Impacto nas exportações brasileiras

A Abimaq registrou exportações de US$ 14 bilhões em 2025, sendo os Estados Unidos o principal destino, com US$ 3,2 bilhões. Antes do choque tarifário, as vendas ao mercado americano haviam alcançado US$ 4 bilhões.

Segundo o setor, a queda não foi maior devido a contratos já firmados e ao perfil específico dos produtos exportados, que mantiveram a demanda por parte de importadores americanos.

No entanto, caso novas sobretaxas sejam aplicadas, há risco de perda gradual de contratos e substituição de fornecedores.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

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Comércio

Acordo Mercosul-União Europeia avança com aprovação de Argentina e Uruguai

Os senados da Argentina e do Uruguai aprovaram nesta quinta-feira (26) o acordo Mercosul-União Europeia, fortalecendo o avanço do tratado comercial entre os dois blocos econômicos. A informação foi divulgada pela agência Reuters.

O acordo de livre comércio foi assinado provisoriamente em janeiro de 2026, após mais de 25 anos de negociações. O texto estabelece um cronograma de redução gradual de tarifas de importação, que pode se estender por até 18 anos, beneficiando diversos setores produtivos.

Brasil já aprovou na Câmara; Senado ainda analisará

Na quarta-feira (25), a Câmara dos Deputados do Brasil também aprovou o tratado. O texto segue agora para análise do Senado Federal. Ainda dependem de ratificação formal o Brasil, o Paraguai e a própria União Europeia, para que o acordo entre plenamente em vigor.

O avanço nas votações é considerado estratégico para ampliar o comércio internacional e consolidar o Mercosul como parceiro relevante no cenário global.

Apoios e resistências na Europa

Entre os países europeus, Alemanha e Espanha lideram o grupo favorável ao acordo. Por outro lado, a França encabeça a oposição dentro do bloco europeu.

O governo francês demonstra preocupação com o possível aumento das importações de produtos agrícolas, como carne bovina e açúcar, argumentando que a medida pode impactar negativamente os produtores locais.

Debate sobre o papel do Brasil no comércio global

Relator da proposta na Câmara, Marcos Pereira afirmou que a aprovação vai além de uma decisão comercial. Segundo ele, a medida define o posicionamento estratégico do Brasil no cenário internacional. “Não se trata apenas de votar um texto, mas de decidir qual será o tamanho do Brasil no mundo”, declarou.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, também defendeu o acordo e destacou o potencial de fortalecimento da vocação exportadora brasileira. Para ele, o país dá um passo decisivo rumo à ampliação da presença no mercado global.

Motta ressaltou ainda que o longo período de negociações foi suficiente para amadurecer o texto e que chegou o momento de impulsionar o desenvolvimento econômico e ampliar a inserção do Brasil na agenda comercial internacional.

FONTE: Canal Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Foto: Freepik e Pixabay/ Montagem: Canal Rural

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-Egito zera tarifas de importação e amplia oportunidades comerciais

O acordo de livre comércio entre Mercosul e Egito eliminará, até setembro, as últimas tarifas de importação previstas no cronograma de desgravação. Com isso, produtos enquadrados na chamada cesta “D” passarão a ter tarifa zero, encerrando um ciclo iniciado há nove anos.

O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — com a Bolívia como membro pleno desde 2024 — e mantém o tratado comercial com o Egito desde 2010. O acordo entrou em vigor em 1º de setembro de 2017.

Entenda como funciona a desgravação tarifária

O tratado estabeleceu um cronograma dividido em cinco categorias: cestas A, B, C, D e E, cada uma com regras específicas de redução de tarifas.

  • Cesta A: isenção imediata após a entrada em vigor do acordo.
  • Cesta B: cortes anuais de 25% até zerar em 2020.
  • Cesta C: reduções de 12,5% ao ano até 2024.
  • Cesta D: redução gradual de 10% ao ano, atingindo tarifa zero em setembro deste ano.
  • Cesta E: cronograma ainda a ser definido.

Na cesta D estão itens como plásticos, coco e derivados, castanhas e polímeros, que deixarão de pagar imposto de importação nas transações entre as partes.

A classificação segue a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), sistema que identifica cada produto por códigos de dois a oito dígitos, detalhando desde o capítulo até o nível de processamento.

Impacto para Brasil e Egito

Para especialistas em comércio exterior, o fim das tarifas da cesta D tende a estimular o fluxo bilateral. O Egito é considerado um mercado estratégico, tanto pelo tamanho de sua população quanto por funcionar como porta de entrada para outros países africanos.

O Brasil, por exemplo, mantém superávit comercial com o país, impulsionado principalmente pela exportação de alimentos. Em contrapartida, as compras brasileiras concentram-se, sobretudo, em fertilizantes.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, mostram que as exportações brasileiras ao Egito saltaram de US$ 1,7 bilhão em 2016 para US$ 3,9 bilhões no ano passado. Já as importações cresceram de US$ 94,4 milhões para US$ 1,38 bilhão no mesmo período.

Entre os principais produtos exportados recentemente estão milho, açúcar e carne bovina desossada. Do lado das importações, destacam-se fertilizantes fosfatados e nitrogenados.

Novas oportunidades de negócios

Em 2025, o Brasil exportou US$ 37,06 milhões em itens da cesta D ao Egito, avanço de 18,4% em relação a 2021. Entre os produtos estão castanha de caju, medicamentos com insulina, pastas químicas de madeira e tubos de ligas de aço.

Estudos de mercado apontam potencial para ampliação das vendas de calçados com sola de borracha ou plástico, motores elétricos e frutas frescas, como melões.

No sentido inverso, o Brasil importou US$ 195,04 milhões em produtos egípcios da cesta D no ano passado, crescimento de 69,2% frente a 2021. Entre os destaques estão morangos congelados, fios-máquina de aço e utensílios domésticos de metal.

Também foram identificadas oportunidades para o Egito ampliar as exportações ao Brasil em segmentos como copolímeros de etileno e componentes automotivos.

Integração com países árabes

Além do Egito, o Mercosul mantém acordo comercial com a Palestina. Já as negociações com os Emirados Árabes Unidos seguem em andamento.

Com a eliminação total das tarifas da cesta D, o acordo Mercosul-Egito entra em nova etapa, ampliando a competitividade dos produtos e fortalecendo a integração comercial entre América do Sul e África.

FONTE: ANBA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-União Europeia avança na Câmara e segue para o Senado

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (25), o acordo de comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A matéria já havia recebido aval, no dia anterior, da representação brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul).

Com o resultado, o texto será encaminhado ao Senado Federal, onde ainda precisará passar por votação. Para entrar em vigor, o acordo também depende de ratificação pelos Parlamentos da Argentina, Paraguai e Uruguai. Somente após a conclusão de todos os trâmites legislativos nos países envolvidos é que a medida poderá produzir efeitos.

Entenda o que prevê o acordo Mercosul-UE

Aprovado em votação simbólica na Câmara, com voto contrário apenas da federação Psol-Rede, o acordo Mercosul-União Europeia cria uma ampla área de livre comércio entre os dois blocos econômicos.

O texto estabelece:

  • Redução gradual de tarifas de importação;
  • Preservação de setores considerados sensíveis;
  • Previsão de salvaguardas comerciais;
  • Mecanismos de solução de controvérsias.

Ao todo, o documento reúne 23 capítulos que tratam de temas como regras comerciais, diminuição de impostos e normas para diferentes setores produtivos.

Pelas regras acordadas, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos produtos europeus no prazo de até 15 anos. Já a União Europeia retirará impostos sobre 95% dos bens originários do Mercosul em até 12 anos.

Tramitação no Parlasul e papel do governo

O acordo foi assinado em 17 de janeiro, no Paraguai, e enviado ao Parlasul pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 2 de fevereiro.

A discussão na representação brasileira começou em 10 de fevereiro, quando o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) apresentou seu parecer. Um pedido de vista adiou a deliberação inicial, mas o texto acabou sendo aprovado por unanimidade nesta semana.

Por recomendação do relator, qualquer ato que envolva eventual denúncia, revisão do acordo ou alterações que gerem encargos ou compromissos ao Brasil dependerá de autorização do Congresso Nacional.

Em seu parecer, Chinaglia destacou que o acordo inaugura uma nova fase de cooperação entre os países do Mercosul e da União Europeia.

Impacto econômico e projeções

O tratado estabelece a maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo um mercado com mais de 720 milhões de habitantes.

De acordo com estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de contribuir para a diversificação da pauta exportadora e fortalecer setores da indústria nacional.

Fonte: Infomoney

TEXTO: REDAÇÃO
IMAGEM: ILUSTRATIVA / INTERNET

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Comércio Exterior

Nova Ordem Executiva dos EUA reduz tarifas e amplia competitividade do Brasil

O governo dos Estados Unidos revogou, na sexta-feira (20/2), as Ordens Executivas que aplicavam tarifas de 40% sobre produtos brasileiros, além das tarifas recíprocas de 10% vigentes para diversos países.

No mesmo dia, foi publicada uma nova ordem estabelecendo tarifa global de 10%, com exceções para determinados produtos. No sábado (21), os EUA anunciaram a intenção de aumentar essa tarifa para 15%, mas o ato formal ainda não foi publicado.

Antes das mudanças, cerca de 22% das exportações brasileiras para os EUA enfrentavam tarifas adicionais de 40% ou 50%. Com as novas medidas, aproximadamente 25% das exportações do Brasil (US$ 9,3 bilhões) passam a ser tributadas em 10% ou 15%, alinhando-se à tarifa aplicada a outros países.

Produtos brasileiros ganham competitividade

Segundo estimativas, 46% das exportações brasileiras para os EUA em 2025 (US$ 17,5 bilhões) não terão tarifas adicionais, devido às exceções previstas na Ordem Executiva. Produtos já abrangidos pela Seção 232, que somam 29% das exportações (US$ 10,9 bilhões), continuam sujeitos às tarifas específicas definidas nesse mecanismo.

O novo regime aumenta a competitividade de setores estratégicos do Brasil no mercado norte-americano. Entre os segmentos beneficiados estão máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais, que deixam de enfrentar tarifas de 50% e passam a competir sob alíquota de 10% ou 15%.

Destaque para aeronaves e agropecuária

Uma novidade do novo regime é a exclusão das aeronaves das novas tarifas, que passam a ter alíquota zero (antes 10%). Aeronaves foram o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira para os EUA em 2024 e 2025, com alto valor agregado e importante conteúdo tecnológico.

No setor agropecuário, produtos como pescados, mel, tabaco e café solúvel também têm redução de alíquota de 50% para 10% ou 15%, competindo em condições equivalentes aos fornecedores internacionais.

Comércio bilateral Brasil-EUA em 2025

Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos atingiu US$ 82,8 bilhões, 2,2% acima do registrado em 2024. As exportações brasileiras totalizaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 45,1 bilhões, gerando déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.

Os dados são estimativos, considerando que a classificação tarifária dos produtos envolve consolidação de códigos HTS e critérios adicionais de aplicação nos EUA, podendo gerar pequenas variações nas alíquotas efetivas.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Comércio Internacional

Novo regime tarifário dos EUA beneficia 46% das exportações brasileiras e zera imposto sobre aeronaves

O novo regime tarifário dos Estados Unidos deve beneficiar quase metade dos produtos brasileiros enviados ao mercado norte-americano. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), cerca de 46% das exportações brasileiras aos EUA passam a ingressar no país sem qualquer sobretaxa adicional.

A medida ocorre após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que anulou as chamadas tarifas recíprocas instituídas anteriormente com base em legislação de emergência nacional.

Como ficam as exportações brasileiras após a decisão

Com a nova ordem executiva publicada em 20 de fevereiro, aproximadamente US$ 17,5 bilhões em produtos brasileiros ficam isentos de tarifas extras.

Outros 25% das exportações (US$ 9,3 bilhões) passam a se enquadrar na tarifa global de 10%, aplicada com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. Esse percentual poderá ser elevado a 15%, conforme decisão do governo norte-americano.

29% das vendas externas (US$ 10,9 bilhões) continuam submetidas às tarifas setoriais previstas na Seção 232, mecanismo que aplica sobretaxas com base em argumentos de segurança nacional, como ocorre nos setores de aço e alumínio.

Antes das mudanças, cerca de 22% das exportações brasileiras enfrentavam tarifas que podiam chegar a 40% ou até 50%.

Aeronaves passam a ter tarifa zero

Entre os principais avanços está a retirada das aeronaves da lista de produtos tarifados. O item passa a contar com alíquota zero, substituindo a tributação anterior de 10%.

Segundo o Mdic, as aeronaves figuraram como o terceiro principal produto da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos em 2024 e 2025, destacando-se pelo alto valor agregado e conteúdo tecnológico.

Setores industriais ganham competitividade

Além do setor aeronáutico, o novo regime tarifário amplia a competitividade de diversos segmentos industriais brasileiros no comércio exterior com os Estados Unidos.

Entre os setores beneficiados estão:

  • Máquinas e equipamentos
  • Calçados
  • Móveis
  • Confecções
  • Madeira
  • Produtos químicos
  • Rochas ornamentais

Esses produtos deixam de enfrentar tarifas que chegavam a 50% e passam a competir sob alíquota isonômica de 10%, com possibilidade de ajuste para 15%.

No agronegócio, itens como pescados, mel, tabaco e café solúvel também deixam a sobretaxa de 50% e passam a integrar a tarifa geral de 10% (ou eventual 15%).

Comércio bilateral Brasil–Estados Unidos

A corrente de comércio entre os dois países alcançou US$ 82,8 bilhões em 2025, crescimento de 2,2% em relação ao ano anterior.

As exportações brasileiras somaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 45,1 bilhões, resultando em déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.

O ministério ressalta que as estimativas consideram os dados de exportação do último ano e podem sofrer ajustes conforme critérios técnicos de classificação tarifária e destinação específica dos produtos.

Fonte: Mdic

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇAO INTERNET

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Comércio Exterior

Tarifa de 15% dos EUA pode beneficiar o Brasil, aponta estudo

A adoção de uma tarifa de 15% sobre importações pelos Estados Unidos pode colocar o Brasil entre os principais beneficiados pela nova política comercial americana. É o que indica levantamento da Global Trade Alert, divulgado após o anúncio feito pelo presidente Donald Trump no último sábado (21).

Apesar da elevação em relação aos 10% informados inicialmente, a nova alíquota global deve resultar em queda na carga média aplicada aos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.

Redução na tarifa média para exportações brasileiras

De acordo com o estudo, a mudança pode provocar uma redução de 13,6% na tarifa média incidente sobre os bens brasileiros vendidos aos EUA.

Antes da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegal o chamado “tarifaço”, o Brasil enfrentava uma taxa média de aproximadamente 26,3%. Com a padronização global em 15%, a média cairia para 12,8%.

O Brasil aparece como o país mais favorecido pela nova configuração tarifária. Em seguida, vêm:

  • China (-7,1%)
  • Índia (-5,6%)

Países que podem perder competitividade

Por outro lado, nações que firmaram acordos comerciais com os Estados Unidos podem enfrentar aumento na tributação média de seus produtos.

Entre os países mais impactados negativamente estão:

  • Reino Unido (+2,1%)
  • Itália (+1,7%)
  • Singapura (+1,1%)

Outras economias asiáticas também devem sentir efeitos adversos, como:

  • Japão (+0,4%)
  • Coreia do Sul (+0,6%)

Mesmo diante do cenário, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou no domingo (22) que nenhum parceiro sinalizou intenção de abandonar os acordos após a decisão judicial.

Já o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, declarou em entrevista à CNN International que os países envolvidos demonstraram interesse em manter os compromissos firmados com a gestão Trump.

Segundo ele, o governo segue em diálogo com seus parceiros e há disposição para preservar os tratados comerciais estabelecidos.

Alckmin avalia impacto positivo para o Brasil

No Brasil, o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin, classificou a nova política tarifária como favorável ao país.

Em declaração feita em Aparecida (SP), Alckmin ressaltou que a uniformização da alíquota em 15% assegura competitividade internacional ao Brasil, uma vez que a regra passou a valer de forma igual para todos os parceiros comerciais.

Ele destacou ainda que a tarifa média aplicada a produtos americanos que entram no Brasil é de 2,7%, e que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial com o Brasil, tanto em bens quanto em serviços. Dessa forma, mesmo com a nova taxa, o país não perderia espaço no comércio exterior.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dado Ruvic

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Comércio

Certificado de Origem Eletrônico moderniza comércio entre Brasil e Índia

O Certificado de Origem Eletrônico (COE) passará a ser adotado nas operações comerciais entre Brasil e Índia no âmbito do acordo firmado entre o Mercosul e o país asiático. A medida promete tornar o comércio bilateral mais ágil, menos burocrático e com menor custo para exportadores e importadores.

Com o novo sistema, os certificados poderão ser emitidos e assinados digitalmente, eliminando etapas físicas e reduzindo prazos operacionais.

Memorando garante validade jurídica aos documentos digitais

O avanço foi formalizado em memorando de entendimento assinado em Nova Délhi pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.

O acordo reconhece a validade jurídica de documentos emitidos eletronicamente entre os dois países, permitindo que operadores comerciais utilizem o certificado digital com segurança legal.

Com a mudança, o tempo de emissão do documento, que podia levar até 48 horas, deve cair para cerca de duas horas.

Facilitação de comércio e redução de custos

A adoção do Certificado de Origem Eletrônico integra a agenda de facilitação de comércio exterior do governo brasileiro. A digitalização simplifica processos, reduz custos administrativos e diminui a burocracia para empresas que exportam sob preferência tarifária.

Além da agilidade, o sistema reforça a segurança das operações. As assinaturas digitais garantem autenticidade e integridade das informações, dificultando fraudes documentais e aprimorando o controle aduaneiro.

Entre os setores que tendem a se beneficiar estão:

  • Gorduras e óleos animais ou vegetais;
  • Setor têxtil, com destaque para o algodão;
  • Máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos.

A Índia é atualmente o segundo maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e o quinto no ranking global. Em 2025, as exportações brasileiras ao país somaram cerca de US$ 7 bilhões, com corrente de comércio superior a US$ 15 bilhões.

Integração digital já ocorre com países da América do Sul

O modelo eletrônico já é utilizado em operações com Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai e Uruguai, consolidando a digitalização como padrão nas relações comerciais regionais.

Fórum Empresarial debate investimentos e nova política industrial

Durante o Fórum Empresarial Brasil–Índia, também realizado em Nova Délhi, investimentos, política industrial e cooperação econômica estiveram no centro das discussões.

O representante do MDIC destacou diretrizes da política industrial estruturada na Nova Indústria Brasil (NIB), com foco em transição energética, descarbonização, estímulo ao hidrogênio de baixo carbono e fortalecimento dos biocombustíveis.

Foram mencionadas ainda iniciativas como o Programa MOVER, voltado à mobilidade sustentável, além de investimentos em infraestrutura física e digital e no avanço da economia digital como fator de competitividade.

A agenda internacional da comitiva brasileira segue para a Coreia do Sul, onde estão previstos novos encontros bilaterais.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Exportação

Suprema Corte dos EUA pode derrubar tarifas sobre US$ 15 bilhões em exportações brasileiras

Uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos pode resultar na retirada de tarifas que atingem cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. As informações foram obtidas junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Produtos brasileiros podem ser beneficiados

Do total exportado, aproximadamente US$ 6,2 bilhões estavam submetidos a tarifas recíprocas de 10%, enquanto outros US$ 8,9 bilhões eram impactados por sobretaxas adicionais de 40%. Especialistas ouvidos pela imprensa internacional afirmam que ambas as cobranças foram invalidadas pela decisão judicial.

Entre os segmentos potencialmente favorecidos estão máquinas e equipamentos, calçados, café solúvel e outros alimentos tarifados. A medida pode aliviar a pressão sobre setores estratégicos da balança comercial brasileira.

Tarifas da Seção 232 continuam em vigor

Apesar da decisão, permanecem válidas as chamadas tarifas horizontais aplicadas com base na “Seção 232”, mecanismo utilizado para justificar medidas por razões de segurança nacional.

Essas taxas seguem incidindo sobre produtos como aço, alumínio, cobre e madeira, afetando aproximadamente US$ 10,9 bilhões em exportações brasileiras aos Estados Unidos.

Decisão representa revés para Donald Trump

A decisão foi tomada nesta sexta-feira (20) pela Suprema Corte dos Estados Unidos, que concluiu que o presidente Donald Trump ultrapassou os limites da lei federal ao impor tarifas amplas de forma unilateral.

O entendimento da Corte representa uma derrota significativa para a Casa Branca em um tema central da política externa e da agenda econômica do governo.

O parecer majoritário foi redigido pelo juiz-chefe John Roberts, e a decisão foi aprovada por 6 votos a 3. A maioria entendeu que as tarifas excederam a autoridade concedida pela legislação federal.

O tribunal, contudo, não definiu qual será o destino dos mais de US$ 130 bilhões já arrecadados em tarifas, deixando em aberto os desdobramentos financeiros da medida.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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