Greve

Greve nos portos de Los Angeles e Long Beach ameaça exportações de carne dos Estados Unidos

Uma possível greve de trabalhadores responsáveis pela segurança nos portos de Los Angeles e Long Beach, na Califórnia, pode provocar impactos significativos nas exportações de carne bovina e suína dos Estados Unidos. O alerta foi feito pela Federação de Exportação de Carnes dos Estados Unidos (USMEF), diante do impasse nas negociações de um novo acordo trabalhista.

O sindicato que representa aproximadamente 250 profissionais de segurança das duas instalações portuárias ameaça iniciar uma paralisação caso não haja entendimento entre as partes nos próximos dias.

Embora o grupo represente uma parcela pequena da força de trabalho dos portos, a preocupação é que outros trabalhadores sindicalizados, como estivadores e funcionários administrativos ligados às operações marítimas, se recusem a atravessar eventuais piquetes.

Segundo Dan Halstrom, presidente e CEO da USMEF, esse cenário poderia provocar uma paralisação de grandes proporções, comprometendo o funcionamento de todo o complexo portuário.

Portos da Califórnia concentram grande parte das exportações de carne

A preocupação do setor está relacionada à importância estratégica dos portos de Los Angeles e Long Beach para o comércio internacional de proteínas animais.

De acordo com Halstrom, aproximadamente dois terços das exportações marítimas de carne bovina dos Estados Unidos e metade dos embarques de carne suína passam pelos portos da Costa Oeste.

Embora o Porto de Oakland concentre o maior volume de embarques de carnes, as instalações do sul da Califórnia respondem por cerca de 25% do total das exportações marítimas norte-americanas do setor.

A USMEF acompanha as negociações e espera que o impasse seja solucionado rapidamente, evitando interrupções em um período considerado especialmente importante para o comércio internacional de carnes.

A entidade também aponta que os portos do sul da Califórnia já apresentam sinais de congestionamento, situação que pode se agravar caso uma greve seja confirmada.

Paralisação pode afetar também os embarques pelo Porto de Oakland

Os possíveis impactos não ficariam restritos a Los Angeles e Long Beach. O Porto de Oakland também poderá enfrentar atrasos nas operações de exportação caso o fluxo de embarcações na região seja prejudicado.

Isso ocorre porque navios utilizados para transportar carnes dos Estados Unidos aos mercados asiáticos e a outros destinos internacionais normalmente fazem escalas em Oakland depois de passar por Los Angeles ou Long Beach.

Com eventuais atrasos ou interrupções nas operações dos dois primeiros portos, as embarcações podem não chegar a Oakland dentro dos horários previstos, comprometendo a programação dos exportadores.

Segundo Halstrom, essa possibilidade representa um risco importante para o setor, especialmente porque a maior parte dos embarques de carne bovina e suína resfriada passa pelo Porto de Oakland.

Carne resfriada exige rapidez na solução do conflito

Embora Oakland também tenha relevância para o transporte de produtos congelados, a situação é ainda mais delicada para as cargas resfriadas.

Por terem prazo de conservação mais limitado, os produtos refrigerados dependem de maior previsibilidade logística e cumprimento dos cronogramas de transporte.

Por isso, a federação considera prioritária uma solução rápida para as negociações trabalhistas, evitando atrasos que possam comprometer a qualidade e a comercialização das mercadorias nos mercados internacionais.

Negociações foram prorrogadas até quarta-feira

O sindicato havia estabelecido 1º de novembro como prazo para o início da greve. Entretanto, durante o fim de semana, os representantes dos trabalhadores e das empresas concordaram em ampliar o período de negociação até quarta-feira daquela semana.

A expectativa é que um novo contrato seja negociado antes do encerramento do prazo, evitando uma paralisação que poderia afetar não apenas as operações portuárias da Califórnia, mas também a cadeia de exportação de proteínas dos Estados Unidos.

FONTE: National Hog Farmer
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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