Exportação

Carros chineses pressionam frete marítimo e expõem falta de navios para exportação

A explosão das exportações de carros chineses está criando um novo gargalo no comércio global: a falta de navios especializados para transportar veículos. Com as montadoras ampliando rapidamente suas vendas no exterior, a capacidade disponível de transporte marítimo de veículos não tem acompanhado o ritmo da produção.

Os chamados navios Ro-Ro, projetados para receber automóveis diretamente em seus conveses, estão com a capacidade comprometida por longos períodos. O aumento da procura fez as taxas de afretamento subirem 65% neste ano, segundo dados citados por executivos do setor.

Exportações chinesas aumentam pressão sobre navios

A expansão internacional das montadoras chinesas ocorre em meio à forte disputa entre mais de 100 marcas, ao excesso de capacidade produtiva e ao enfraquecimento do mercado doméstico.

Com isso, fabricantes passaram a buscar espaço adicional para enviar veículos à América Latina, Europa e Austrália. Em alguns casos, a falta de navios especializados levou empresas a utilizar contêineres convencionais, normalmente destinados ao transporte de produtos como roupas, móveis e eletrônicos.

Lasse Kristoffersen, presidente da Wallenius Wilhelmsen, afirmou que o crescimento do segmento está diretamente relacionado ao avanço das exportações chinesas.

A indústria naval já havia reagido à maior demanda com uma onda de encomendas. Mesmo assim, a frota mundial de navios transportadores de veículos aumentou cerca de 40% e ainda não é suficiente para atender às necessidades da China.

China pode exportar até 10 milhões de veículos

A dimensão do avanço chinês ajuda a explicar o desequilíbrio entre oferta e demanda.

Segundo o grupo de pesquisa Mobility Global, a China exportou pouco menos de 600 mil carros e vans em 2019. Para 2026, a estimativa é de que esse volume possa chegar a 10 milhões de veículos.

Na União Europeia, a expansão das marcas chinesas também ganhou velocidade. No primeiro semestre de 2026, os licenciamentos da SAIC Motor cresceram 19%, enquanto os da BYD mais que dobraram, de acordo com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis.

Entre as montadoras tradicionais, o desempenho foi mais moderado. A Stellantis avançou 6%, a Volkswagen cresceu 2,6% e a Renault registrou queda de 4,2%.

Andreas Enger, presidente da Höegh Autoliners, afirmou que a China deixou de ter uma participação pouco relevante no mercado externo e se tornou a maior exportadora mundial de veículos em apenas cinco anos.

O avanço das exportações também elevou os fretes marítimos de automóveis para aproximadamente o dobro dos níveis registrados antes da pandemia.

Afretamento de navios volta a disparar

O mercado esperava uma redução das tarifas em 2026, principalmente porque uma quantidade significativa de novos navios entraria em operação.

Entre 2022 e 2025, empresas do setor investiram bilhões de dólares na construção de transportadores de veículos, impulsionadas pelo aumento do consumo de automóveis e pela rápida expansão das exportações chinesas.

A forte demanda chegou a levar as taxas de afretamento a cerca de US$ 115 mil por dia no fim de 2023 e início de 2024.

A esperada acomodação, porém, não se concretizou. Com a capacidade novamente pressionada, o custo médio anual para afretar um grande navio transportador de veículos alcançou US$ 70 mil por dia em junho, segundo a corretora marítima Clarksons. No fim de 2025, a média estava em US$ 42,5 mil.

Mercado chinês mais fraco estimula vendas no exterior

A expansão das exportações também funciona como alternativa para as montadoras diante da desaceleração do mercado doméstico.

Com poucas exceções, os veículos chineses não são enviados aos Estados Unidos em grande escala devido às tarifas de importação e às restrições relacionadas a softwares, associadas por Washington a preocupações de segurança nacional.

Em outros mercados, entretanto, os modelos elétricos e híbridos chineses vêm ganhando espaço. Fabricantes como BYD e SAIC Motor avançaram em países como Reino Unido, Brasil e Alemanha, além de ampliarem sua presença fora da China.

Tu Le, diretor da consultoria Sino Auto Insights, considera que a estratégia agressiva de exportação funciona como uma espécie de válvula de escape para a indústria diante do enfraquecimento das vendas internas.

No primeiro semestre de 2026, as vendas de veículos na China recuaram mais de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

Falta de navios leva carros para contêineres

Os transportadores especializados continuam sendo a alternativa preferida pelas montadoras. Nesse modelo, os veículos são conduzidos diretamente para dentro do navio, o que tende a reduzir custos e diminuir o risco de danos durante o processo logístico.

Eric Dessupoiu, vice-presidente de logística de veículos acabados da Ceva Logistics, afirma que, quando não encontram espaço nos navios especializados, as empresas recorrem ao transporte de carros em contêineres.

De acordo com Kristoffersen, da Wallenius Wilhelmsen, até quatro milhões de veículos deixam a China todos os anos em contêineres ou por outros meios que não os navios tradicionais de transporte de automóveis.

O uso de contêineres para carros não é uma novidade. O que mudou foi a escala da operação. Durante a pandemia de Covid-19, a procura por transporte de veículos superou a oferta de navios, levando o setor a ampliar o uso desse modelo.

Christoph Seitz, vice-presidente global de veículos acabados da DP World, afirmou que algumas montadoras ocidentais inicialmente demonstraram resistência à alternativa. As fabricantes chinesas, porém, teriam adotado a solução rapidamente diante da necessidade de ampliar a capacidade de exportação.

Como funciona o transporte de carros em contêineres

O processo exige etapas adicionais em comparação com os navios especializados.

Primeiro, os automóveis são levados a um pátio próximo ao porto. Depois, são colocados dentro dos contêineres e transportados por guindastes até o navio. No destino, o procedimento precisa ser realizado novamente no sentido inverso.

A demanda cresceu a ponto de grandes empresas do transporte marítimo de contêineres, como Maersk e MSC, passarem a oferecer serviços diretamente às montadoras.

A alternativa, portanto, deixou de ser apenas uma solução emergencial e passou a integrar a estrutura logística utilizada para escoar parte da produção chinesa.

BYD investe na própria frota marítima

Diante da dificuldade de encontrar capacidade suficiente no mercado, a BYD decidiu atuar diretamente no transporte marítimo.

A montadora chinesa colocou em operação seu primeiro navio próprio para transporte de veículos em 2024. Atualmente, segundo as informações apresentadas no texto, a empresa conta com uma frota de oito embarcações.

O movimento mostra como a expansão das exportações chinesas está alterando não apenas o mercado automotivo, mas também a logística internacional necessária para levar esses veículos aos consumidores.

Com a produção chinesa crescendo mais rapidamente do que a capacidade global de transporte especializado, o setor enfrenta um novo desafio: encontrar navios suficientes para acompanhar a transformação da China em uma potência cada vez maior nas exportações automotivas.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Exportação

BYD exportação Brasil: fábrica na Bahia vai enviar 100 mil carros para América Latina

A montadora chinesa BYD anunciou que utilizará sua fábrica em Camaçari (BA) como base para a exportação de veículos na América Latina, ampliando o papel estratégico da unidade além do mercado brasileiro.

O plano inicial prevê o envio de 100 mil carros produzidos no Brasil, com destino principalmente a México e Argentina.

Brasil como hub de exportação da BYD

O anúncio foi feito pela vice-presidente executiva da empresa, Stella Li, que destacou o Brasil como peça-chave na expansão regional da marca.

Segundo a executiva, a fábrica baiana será responsável por abastecer diferentes países latino-americanos, começando com:

  • 50 mil veículos para o México
  • 50 mil veículos para a Argentina

Ainda não há data confirmada para o início das exportações, mas a capacidade produtiva já foi reservada para atender à demanda.

Produção começa em 2026

A unidade de Camaçari deve iniciar a produção completa de veículos a partir de julho. Atualmente, a operação funciona no modelo SKD (semi knocked down), no qual os carros chegam parcialmente desmontados para montagem local.

A expectativa é que os envios internacionais ocorram de forma gradual, acompanhando o ritmo de consumo dos mercados atendidos.

Estratégia segue padrão de outras montadoras

A decisão da BYD segue uma prática comum entre grandes fabricantes instaladas no Brasil, que utilizam o país como base de exportação regional.

Entre as montadoras que já adotam esse modelo estão:

  • Volkswagen
  • Toyota
  • Fiat
  • Jeep

Essa estratégia reforça a importância da indústria automotiva brasileira no comércio exterior da região.

Estrutura da fábrica em Camaçari

O complexo industrial da BYD na Bahia é considerado o maior da empresa fora da China. A unidade possui:

  • área total de 4,6 milhões de m²
  • investimentos estimados em R$ 5,5 bilhões

Atualmente, são montados no local os modelos:

  • Dolphin Mini
  • Song Pro
  • King

A capacidade inicial é de 150 mil veículos por ano, podendo dobrar para 300 mil unidades em uma segunda fase de expansão.

Expansão da BYD na América Latina

Com a iniciativa, a BYD no Brasil consolida sua presença na região e fortalece a cadeia de produção local, além de ampliar a participação no mercado internacional de veículos.

A estratégia também acompanha o crescimento da demanda por carros elétricos e híbridos na América Latina.

FONTE: AutoEsporte
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

China lança navio Glovis Leader com capacidade para quase 11 mil veículos e fortalece exportações automotivas

A China estreou um novo navio RoRo (roll-on/roll-off), o Glovis Leader, capaz de transportar até 10.800 veículos por viagem. Considerada uma das maiores embarcações do mundo para transporte automotivo, a iniciativa reforça a estratégia chinesa de ampliar a presença internacional de carros elétricos e híbridos, principalmente em rotas para a Europa e Américas.

Navio de grande porte e alta flexibilidade

Construído no estaleiro Guangzhou Shipyard International pela Hyundai, o Glovis Leader supera em cerca de 1.800 veículos os maiores transportadores atualmente em operação, incluindo os utilizados pelas principais montadoras chinesas.

A embarcação mede aproximadamente 230 metros de comprimento e 40 metros de largura, contando com 14 conveses para veículos, sendo cinco móveis, o que garante flexibilidade para diferentes tipos de cargas e otimiza a operação logística.

China reforça exportações de carros elétricos e híbridos

O lançamento do navio coincide com o fortalecimento da indústria automotiva chinesa no mercado internacional. A BYD, uma das maiores exportadoras mundiais de veículos eletrificados, já mantém frota própria de navios RoRo que transportam milhares de unidades para o Brasil, Argentina e outros países da América Latina.

Em 2025, o navio BYD Shenzhen, um dos maiores porta-carros em operação, iniciou sua primeira viagem ao Brasil com mais de 7.000 veículos elétricos e híbridos, consolidando a estratégia da marca de controlar diretamente grande parte da cadeia logística de exportação.

Navios próprios como estratégia logística

Especialistas destacam que o uso de embarcações próprias tem se tornado essencial para fabricantes chineses. Além de reduzir custos logísticos, essa prática aumenta a previsibilidade das entregas e permite atender à crescente demanda por veículos eletrificados fora da China.

Navios de grande porte, como o Glovis Leader, têm capacidade para aportar em terminais brasileiros, incluindo Vitória e Itajaí, potencializando o fluxo de importação de carros automotivos chineses no país.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Glovis/Reprodução

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Notícias

Geely lança navio para 7.000 carros e mira portos brasileiros

A Geely, uma das principais montadoras da China, apresentou seu mais recente navio Ro-Ro, o Jisu Glory, projetado para exportação de veículos. Com capacidade para transportar até 7.000 carros por viagem, a embarcação já iniciou sua primeira rota internacional, reforçando a estratégia da empresa de assumir o controle total da sua cadeia logística global.

Estrutura e tecnologia avançada

O Jisu Glory é o segundo navio Ro-Ro construído pela própria Geely e também o maior já desenvolvido pela montadora. Com 12 conveses, a distribuição dos veículos é feita de forma estratégica, garantindo segurança e eficiência no transporte. A embarcação mede 200 metros de comprimento por 38 metros de largura e possui sistemas de ventilação e proteção especiais para carros elétricos e movidos a hidrogênio, refletindo a aposta da empresa em tecnologias sustentáveis.

Sustentabilidade: navio movido a GNL

No aspecto ambiental, o navio é alimentado por gás natural liquefeito (GNL), combustível que reduz significativamente as emissões de óxidos de nitrogênio e enxofre, tornando o transporte marítimo mais ecologicamente responsável.

Expansão das exportações e chegada ao Brasil

O lançamento do Jisu Glory ocorre em meio a um crescimento histórico nas exportações da Geely. Apenas no primeiro semestre de 2025, a empresa enviou mais de 184 mil veículos para destinos como Brasil, Austrália e Europa.

Não será surpresa ver o navio atracando em portos brasileiros nos próximos meses, já que a Geely comercializa no país o SUV EX5 e planeja trazer em breve o EX2, modelo mais vendido na China.

Rotas internacionais e submarcas

Antes de chegar ao Brasil, o Jisu Glory seguirá para a Europa, transportando veículos da Geely e de suas submarcas Lotus, Smart, Farizon e Zeekr — esta última com presença já confirmada no mercado brasileiro. O navio será utilizado em rotas globais, conectando diferentes bases da montadora ao redor do mundo.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Geely/Divulgação

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