Industria

Indústria catarinense demite quase 400 trabalhadores e culpa tarifaço dos EUA

De acordo com relatos, muitos dos colaboradores não tinham qualquer indicação prévia de que seriam demitidos.

A cidade de São Bento do Sul (SC) foi surpreendida nesta quarta-feira (17) por uma onda de demissões em massa na indústria moveleira Artefama, uma das mais tradicionais do município. Segundo informações de sindicatos e ex-funcionários, cerca de 350 trabalhadores foram desligados em um único dia, em uma medida classificada como “dolorosa, porém necessária” pela própria empresa.

De acordo com relatos, muitos dos colaboradores não tinham qualquer indicação prévia de que seriam demitidos. Vídeos e áudios circulam nas redes sociais e em grupos de WhatsApp com imagens de funcionários se despedindo na porta da empresa e comentando a surpresa com a decisão. “Confirmamos que alguns desligamentos ocorreram hoje”, disse a empresa em nota oficial. “Pedimos, porém, muito respeito neste momento. Estamos falando de histórias, famílias e vidas”.

A empresa ressaltou que continua comprometida com a cidade e que aposta em um “novo ciclo de crescimento”, mesmo diante do cenário adverso no mercado internacional.

Motivo: tarifaço dos EUA

O presidente do Sindusmobil (Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário), Luiz Carlos Pimentel, afirmou que a medida é reflexo direto das novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos contra móveis brasileiros. O chamado “tarifaço” foi instituído pelo governo de Donald Trump (Republicanos), que retomou medidas protecionistas para produtos considerados concorrência desleal ao setor moveleiro norte-americano.

A Artefama, que tem os EUA como principal mercado de exportação, afirmou em comunicado: “As mudanças recentes no mercado internacional reduziram de forma significativa nossas vendas”. Ainda segundo a empresa, foi necessário “reduzir grande parte de nossa equipe para manter a operação viável e preparar a empresa para um novo ciclo de crescimento”.

Impacto para São Bento do Sul

A cidade é um dos principais polos moveleiros de Santa Catarina e teve destaque nas exportações em 2024, com mais de US$ 84 milhões em vendas internacionais de móveis. A expectativa de retomada esbarra na instabilidade causada pelas tarifas e na dificuldade de abertura de novos mercados em tempo hábil.

O sindicato dos trabalhadores (Siticom) afirma que ainda não recebeu a lista completa dos demitidos e aguarda o prazo legal de até 10 dias para homologações. A situação mobilizou entidades empresariais, órgãos públicos e a comunidade local.

Governo tenta conter crise

O governo federal, por meio do pacote “Brasil Soberano”, anunciou medidas emergenciais para conter os impactos do tarifaço, incluindo:

  • Linha de crédito de R$ 30 bilhões para empresas exportadoras afetadas
  • Apoio à adaptação de processos e inovação tecnológica
  • Abertura de compras governamentais para absorver parte da produção prejudicada

Já o governo de Santa Catarina liberou:

  • Crédito acumulado de ICMS de exportação
  • Postergação do ICMS por três meses
  • Linhas de crédito em reais e dólares com juros subsidiados pelo Estado
  • Cobertura de custos fixos para empresas com faturamento de até R$ 300 milhões e impacto direto nas exportações

Segundo Pimentel, embora os incentivos sejam bem-vindos, “não resolvem o problema na raiz”. Ele alertou que, para muitas empresas, a única saída no curto prazo é a redução de custos operacionais — o que inclui demissões.

Fonte: Jornal Razão

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Comércio Exterior

Decisões de juros no Brasil e nos EUA são destaque desta Super Quarta

Confira as principais notícias que devem mexer com os mercados nesta quarta-feira (17)

O mercado financeiro está atento à Super Quarta, marcada pelas decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, com foco especial no Federal Reserve (Fed), que deve realizar o primeiro corte de juros deste ano nesta quarta-feira (17).

Analistas projetam uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa dos Fed Funds, passando de 4,25%-4,50% para 4%-4,25%, o que representaria a primeira queda após seis encontros consecutivos de manutenção e poderia abrir espaço para novas reduções ao longo do ano.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) também se reúne para definir a Taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, com a expectativa majoritária de manutenção, diante da necessidade de conter a inflação e preservar a credibilidade da política monetária.

Por aqui também serão divulgados o IGP-10 de setembro e o fluxo cambial semanal, enquanto nos Estados Unidos os investidores acompanham os números de início de construções residenciais em agosto.

Agenda

A agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desta quarta-feira prevê uma série de compromissos em Brasília. Pela manhã, no Palácio da Alvorada, ele se reúne com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e o secretário de Imprensa, Laércio Portela. Em seguida, às 10h30, recebe o chefe do Gabinete Pessoal, Marco Aurélio Marcola, e o chefe adjunto de Agenda, Oswaldo Malatesta.

À tarde, já no Palácio do Planalto, Lula recebe às 14h40 o secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcelo Weick, e às 15h30, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias. A agenda encerra às 17h, com a sanção do Projeto de Lei nº 2628/2022, que cria o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, voltado à proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais.

A agenda do ministro Fernando Haddad não foi divulgada e os integrantes do Banco Central seguem em reunião do Comitê de Política Monetária.

Brasil

  • 8h – IGP-10 (setembro)
  • 14h30 – Fluxo cambial (semanal)                  –
  • 18h30 –  Selic (setembro)
    EUA
  • 9h30 – Início de construções (agosto)
  • 15h – Taxa de juros (setembro)

INTERNACIONAL

Prazo estendido

Donald Trump anunciou um acordo preliminar entre EUA e China para manter o TikTok em operação no país, com prazo estendido para 16 de dezembro para a transferência dos ativos americanos da ByteDance para investidores locais, incluindo Oracle, Silver Lake e Andreessen Horowitz. O movimento busca encerrar uma disputa de quase um ano e criar um conselho dominado por americanos, garantindo controle sobre dados e segurança nacional. A confirmação final depende de ajustes finais e de aprovação, podendo ser concluída até meados de dezembro, mantendo parte da participação da ByteDance abaixo do limite legal de 20%.

Investimentos em mineração

Os Estados Unidos estão em negociações para criar um fundo de cerca de US$ 5 bilhões em parceria com a gestora Orion Resource Partners, visando ampliar investimentos em mineração e garantir acesso a minerais críticos como cobre, cobalto e terras raras. A iniciativa, ainda em fase de definição, marca uma das maiores incursões do governo norte-americano em acordos de grande escala no setor e busca reduzir a dependência da China, principal processadora mundial desses recursos. Se concretizado, o fundo permitiria à DFC e à Orion contribuir igualmente, abrindo caminho para novos projetos estratégicos e aumentando o peso da agência na política externa e econômica dos EUA.

ECONOMIA

Expectativa

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (16), em evento do Banco Safra, que tudo indica o início próximo de um ciclo de corte da taxa básica de juros, motivado pelas quedas do dólar e das expectativas de inflação. Segundo Haddad, o movimento deve atrair investimentos e permitir um horizonte mais favorável para o desenvolvimento do país. Ele fez a declaração durante sua participação no evento promovido pelo banco.

Demissões após tarifaço

A indústria brasileira de madeira registrou cerca de 4.000 demissões em função das tarifas aplicadas pelo governo Donald Trump, que reduziram drasticamente as exportações aos EUA, principal destino do setor. Além disso, há 5.500 trabalhadores em férias coletivas e 1.100 em demissão em massa, e a Abimci projeta novas perdas caso a política tarifária persista. A associação critica a falta de negociação direta do governo federal e defende soluções bilaterais para reduzir o impacto sobre o mercado.

Objetivo

Uma pesquisa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgada na terça-feira (16) mostra que o principal objetivo dos investidores brasileiros é formar reservas para a aposentadoria. O levantamento revelou que a maioria se enquadra no perfil arrojado (52%), com forte presença em ações e fundos imobiliários, enquanto moderados e conservadores concentram investimentos em renda fixa e Tesouro Direto. Além disso, 86% dos respondentes disseram estar preparados para lidar com imprevistos financeiros, valorizando rentabilidade, diversificação e educação financeira.

Salário mínimo

O governo projeta que o salário mínimo suba de R$ 1.518 para R$ 1.631 em 2026, um aumento de 7,45%, considerando a inflação e o crescimento do PIB. Para os anos seguintes, a estimativa é de R$ 1.725 em 2027, R$ 1.823 em 2028 e R$ 1.908 em 2029. O reajuste impacta aposentadorias, pensões do INSS e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Culpado da crise

Os Correios atribuem sua crise financeira à baixa de investimentos durante o governo Bolsonaro (2019-22) e registraram prejuízo de R$ 4,37 bilhões no primeiro semestre de 2025. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a estatal espera receber R$ 1,6 bilhão ainda este ano para aliviar suas contas. Para melhorar a situação, planeja reduzir despesas, adotar jornada de seis horas e incentivar desligamentos voluntários.

POLÍTICA

Tom moderado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve usar seu discurso na 80ª Assembleia-Geral da ONU para defender soberania, democracia e multilateralismo, evitando ataques diretos a Donald Trump. Durante a estadia em Nova York, ele participará também da Semana do Clima e de eventos sobre a Palestina e mudanças climáticas. A agenda inclui encontro com o secretário-geral da ONU e coletiva de imprensa antes do retorno ao Brasil no dia 24.

Urgência

O presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciou que pautará a urgência do projeto de anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, com votação prevista para quarta-feira (17). Motta busca um meio-termo, evitando anistia ampla, enquanto o governo Lula se articula para barrar a tramitação acelerada. A ministra Gleisi Hoffmann convocou ministros da ala política para tentar impedir a aprovação do pedido de urgência.

Convocação

A ministra Gleisi Hoffmann convocou ministros de partidos de centro para articular a reação do governo contra a votação de urgência do projeto de anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro. O objetivo é usar a influência desses ministros junto às bancadas para frear o avanço da proposta. O governo defende que a anistia é inconstitucional e moralmente inaceitável, pressionando para adiar ou alterar o texto.

Emergência

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou mal na terça-feira (16) e foi levado a um hospital em Brasília, acompanhado por policiais penais. Segundo Flávio Bolsonaro, ele teve “crise forte de soluço, vômito e pressão baixa” e permaneceu internado durante a noite.

Condenado

Bolsonaro foi condenado pelo TRF-4 a pagar R$ 1 milhão por declarações racistas sobre cabelos de pessoas negras feitas em 2021, quando era presidente. A decisão unânime inclui a União e determina retratação pública e remoção dos vídeos das redes sociais. O julgamento ocorreu na terça-feira (16) em Porto Alegre, após recursos do MPF e da DPU.

Manobra e contestação

O PL indicou Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como líder da minoria na Câmara nesta terça-feira (16) para evitar que o deputado perca o mandato por excesso de faltas, já que mora nos Estados Unidos desde fevereiro. A manobra, que ainda depende de confirmação pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), permite que líderes tenham ausências abonadas como “missão autorizada”. PT e PSOL anunciaram que vão contestar a nomeação na Câmara e no STF, onde Eduardo é investigado por coação e obstrução de Justiça.

Pedido negado

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, negou o pedido da defesa do tenente-coronel Mauro Cid para retirar a tornozeleira eletrônica e devolver seus bens, determinando que o tema só será analisado com o início da execução da pena. A defesa também pedia a extinção da pena de dois anos, alegando que Cid já cumpriu o período com restrições.

Fonte: InfoMoney


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Negócios

Petróleo fecha em alta com tensões geopolíticas e expectativa por juros nos EUA

Investidores reagem à possibilidade de redução da produção russa após ataques ucranianos e aguardam decisão do Federal Reserve sobre política monetária

Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nesta terça-feira, 16, diante das crescentes tensões geopolíticas, invertendo o movimento visto no início do dia. Investidores aguardam a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na quarta-feira, quando é amplamente esperado um corte de juros, e assimilam a possibilidade de diminuição de produção de petróleo pela Rússia após ataques ucranianos a uma refinaria do país.

O petróleo WTI para outubro, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), registrou alta de 1,93% (US$ 1,22), a US$ 64,52 o barril, enquanto o Brent para novembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), subiu a 1,53% (US$ 1,03), a US$ 68,47 o barril.

O mercado aguarda a decisão do Fed quanto à política monetária dos EUA, na expectativa de que a esperada redução de juros impulsione a atividade econômica e o consumo da commodity.

Além disso, fontes ouvidas pela Reuters dizem que a estatal russa de oleodutos Transneft alertou produtores de que eles poderão ter que reduzir a produção de petróleo devido aos ataques recentes. No domingo, drones ucranianos atingiram a refinaria de Kirishi, no noroeste da Rússia.

O presidente dos EUA, Donald Trump, por sua vez, continua pressionando países europeus e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para que deixem de comprar o petróleo russo. A União Europeia, por outro lado, anunciou que adiou, por tempo indeterminado, o 19º pacote de sanções contra a Rússia. A expectativa era que as novas medidas incluíssem restrições adicionais às vendas do petróleo.

Apesar das altas recentes, uma queda no preço do commodity é esperada até o fim do próximo ano, de acordo com a visão de Hamad Hussain, analista da Capital Economics. A mudança se daria pelo aumento nos estoques de petróleo, que pode acontecer com “um enfraquecimento na demanda global e aumentos na oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+)”.

Fonte: InfoMoney

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Internacional

Ações de fabricantes de chips da China disparam com investigação contra EUA

As ações de fabricantes de chips analógicos da China dispararam nas bolsas do país depois que Pequim abriu investigações contra o setor de semicondutores dos Estados Unidos, alimentando expectativas de que as empresas locais ganhem participação de mercado.

As ações da SG Micro, uma desenvolvedora de chips analógicos com sede em Pequim, dispararam o limite diário de 20% em Shenzhen nesta segunda-feira, 15.

A 3Peak, outra fabricante chinesa, fechou em alta de 9,68% em Xangai.

A OmniVision Integrated Circuits Group ganhou 1,88% e a Suzhou Novosense Microelectronics subiu 10,79%.

Apesar dos fortes ganhos das fabricantes de chips analógicos, o setor mais amplo de semicondutores fechou misto nesta segunda-feira.

A SMIC, maior produtora de semicondutores da China, avançou 0,40% em Hong Kong, enquanto a Cambricon Technologies, projetista de chips de inteligência artificial, recuou 3,23 em Xangai.

A China anunciou no sábado (13) que iniciou duas investigações contra o setor de semicondutores dos EUA: uma sobre chips analógicos americanos por suposto dumping e outra sobre discriminação mais ampla contra a indústria chinesa.

Segundo analistas do Citi, as investigações favorecem os fabricantes chineses de chips analógicos. A participação doméstica nesse segmento ainda é baixa, representando apenas entre 10% e 15% da receita global das companhias chinesas.

Com o esforço de Pequim para ampliar a produção local, “é provável que fornecedores domésticos ganhem participação de mercado nos próximos anos”, disseram em relatório.

O Citi colocou a OmniVision e a SG Micro em “monitoramento de catalisadores” positivo de 90 dias, destacando que a China pode impor tarifas sobre circuitos integrados analógicos dos EUA ou restrições ao uso de chips americanos.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional

Brasil será território de disputa entre China e EUA, diz professor

Para Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM, reservas naturais e estratégias geográficas motivam cobiças das potências, que também atingem outros países da América Latina

O Brasil, com sua vasta capacidade de garantir a segurança alimentar global e abundância de recursos hídricos, está se consolidando como um território estratégico e cobiçado por grandes potências globais, China e Estados Unidos. A análise é do historiador Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM, que aponta para uma dinâmica geopolítica mais complexa do que se imagina. 

Segundo Trevisan, a visão de que o Brasil é alvo de cobiça apenas por um lado, como os americanos interessados em influência política, é incompleta. “Nós seremos cobiçados porque nós temos 13% da reserva aquífera no mundo”, afirmou o professor durante participação no programa ‘WW Especial’, da CNN, que discutiu a hipótese de o Brasil recorrer à tecnologia nuclear para o seu sistema de defesa diante das tensões mundiais. 

Ele ressalta que o país possui o maior potencial para garantir a segurança alimentar mundial, um fator crucial que atrai a atenção de potências. “Este território aqui, não só a América Latina, mas especialmente o Brasil, tem duas cobiças. A soja, por exemplo, é um produto-chave que demanda muita água e permite a transformação de proteína vegetal em animal, algo que o mundo inteiro buscará”, complementou Trevisan. 

A ascensão da China na América Latina e, especificamente, no Brasil, é um ponto central da análise de Trevisan. “A gente está olhando para isso sem perceber a chegada do outro lado porque a China está entrando no Brasil, disse ele.  

De acordo com o professor, os investimentos chineses no país tiveram um aumento expressivo de 113% entre 2023 e 2024. Trevisan destaca a construção do porto peruano de Chancay, um projeto de US$ 4 bilhões de dólares que poderá receber petroleiros “que o porto de Santos não consegue”.  

“Chancay é um polo de atração, só que Chancay não está apenas no Peru, está aqui dentro do Brasil. Nós temos cinco rotas construídas para chegar a Chancay por dentro do Brasil com as ferrovias bioceânicas, tudo com capital chinês”, enfatizou o professor. 

Diante desse cenário, Trevisan questiona a percepção de que o Brasil não será um território de disputa geopolítica. “Será que nós não vamos ser território de disputa geopolítica muito maior do que a gente está imaginando?”, indagou.  

Ele diferencia as abordagens das duas potências: “Se os Estados Unidos querem trocar o domínio político, a China quer nos colocar cada vez mais numa dependência concreta”, explicou.  

O Brasil, segundo o especialista, é visto no cenário internacional como uma “grande fazenda”, uma realidade que China e Estados Unidos têm em seus alvos. 

Fonte: CNN Brasil

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Exportação

Exportações de café especial e solúvel do Brasil aos EUA despencam após tarifaço, dizem entidades

As exportações de café especial e solúvel do Brasil para os Estados Unidos despencaram em agosto em relação a julho, segundo entidades do setor. A queda aconteceu após a entrada em vigor do tarifaço de Donald Trump sobre os produtos brasileiros.

Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o Brasil enviou 21.679 sacas de café especial aos Estados Unidos em agosto. O volume representa uma queda de 69,6% na comparação com julho deste ano. Em relação a agosto de 2024, as vendas caíram 79,5%.

No caso do café solúvel, a queda foi de 50,1% em relação a julho e 59,9% na comparação com agosto do ano passado, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). Foram enviadas 26.460 sacas no mês.

O impacto do tarifaço na exportação do café brasileiro também já havia aparecido nos dados gerais do setor. Segundo o Cecafé, o Brasil exportou 17,5% menos café, de todos os tipos, em agosto de 2025 na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Além disso, a Alemanha ultrapassou os EUA e se tornou a maior compradora do grão brasileiro.

Entidades pedem negociação

Em agosto, os Estados Unidos caíram para o sexto lugar entre os maiores compradores de café especial do Brasil, ficando atrás da Holanda (62.004 sacas), Alemanha (50.463), Bélgica (46.931), Itália (39.905) e Suécia (29.313).

Apesar da queda, os EUA continuam liderando o ranking de importações dos cafés especial e solúvel no acumulado de 2025.

As associações de exportação lamentaram a queda no número de exportações aos norte-americanos e pediram que os dois governos abram negociação.

“Essa taxação de 50% inviabiliza o comércio com os americanos. Precisamos abrir canais para alcançar uma solução que devolva um fluxo de negócios justo na relação cafeeira entre Brasil e EUA”, disse Aguinaldo Lima, diretor executivo da Abics.

“Muitos contratos que haviam sido assinados vêm sendo suspensos, cancelados ou adiados, a pedido dos importadores americanos”, afirmou Carmem Lucia Chaves de Brito, presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

“É crucial que nós, enquanto setor privado, representado por todas as entidades de classe, mantenhamos as conversas com os parceiros industriais e importadores nos EUA e o Departamento de Estado americano, assim como o governo brasileiro precisa abrir, de fato, negociações com a gestão Trump para encontrar uma solução”, acrescentou a líder da BSCA.

Fonte: G1

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Exportação

Ovos: exportação brasileira cai e EUA perde posto para Japão após tarifaço, aponta estudo da USP

Segundo o Cepea da Esalq de Piracicaba (SP), volume embarcado da proteína brasileira em agosto de 2024 é 60% menor que o de julho.

Pelo segundo mês consecutivo, as exportações brasileiras de ovos tiveram queda em agosto de 2025. O motivo se repete. O recuo nos embarques da proteína in natura pelos Estados Unidos ocorre após as tarifas impostas pelo governo norte-americano.

Os Estados Unidos era o principal comprador de ovos brasileiros desde março deste ano, mas perderam a liderança dentre os principais destinos da proteína brasileira para o Japão. Veja os dados, abaixo.

A análise é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) do campus da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba (SP), feita a partir dos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e divulgada nesta sexta-feira (12).

Os EUA compraram 2,13 mil toneladas de ovos in natura e processados produzidos pelo agronegócio brasileiro em agosto deste ano. O volume 60% menor que o de julho. No entanto, a marca ainda é 72% superior ao de agosto de 2024, apontam os pesquisadores do Cepea.

“O Japão tornou-se o principal destino da proteína nacional no último mês, adquirindo 578 toneladas de ovos, 29% a mais que em julho. Mesmo com a retração nos últimos dois meses, o desempenho da parcial deste ano segue positivo”, observa o Centro de Estudos da Esalq-USP.

1ª queda nos embarques em julho

balanço das exportações brasileiras de ovos interrompeu o movimento de alta no primeiro semestre de 2025. O primeiro recuo ocorreu em julho deste ano, com queda de 20% nas vendas para o exterior.

Pesquisadores explicam que a baixa mensal se deve à redução de 31% na quantidade embarcada de ovos para os Estados Unidos.

“De acordo com dados da Secex, compilados e analisados pelo Cepea, o Brasil embarcou 5,26 mil toneladas de ovos in natura e processados em julho, volume 20% inferior ao de junho”, aponta o Cepea.

O volume de ovos exportados foi menor entre junho e julho deste ano, mas supera em 305% o montante embarcado em julho de 2024.

Os pesquisadores do Cepea reforçam que, mesmo com a queda, o Brasil se mantém como o principal destino da proteína brasileira.

Apesar do recuo

De janeiro a agosto, o Brasil exportou cerca de 32,3 mil toneladas de ovos in natura e processados.

O volume é 192,2% acima da quantidade registrada nos oito primeiros meses de 2024. E, já supera, em 75%, o total embarcado em todo o ano passado, ainda conforme números da Secex analisados pelo Cepea.

Agosto com alta nas cotações

No mercado doméstico, as cotações dos ovos iniciaram agosto em alta na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea. Veja, abaixo.

Preços Médios – Ovos

DataRegiãoOvo BrancoVariação DiáriaOvo VermelhoVariação Diária
08/08/2025Bastos (SP)R$ 154,873,88%R$ 170,105,95%
08/08/2025Grande BH – MGR$ 164,083,37%R$ 179,93,30%
08/08/2025Recife (PE)R$ 170,155,83%R$ 182,925,12%
08/08/2025Grande SP – SPR$ 162,424,38%R$ 177,285,01%
08/08/2025S.M. de Jequitibá (ES)R$ 161,153,71%R$ 172,151,02%

Fonte: Cepea – Esalq/USP

“Esse movimento foi impulsionado pelo fim das férias escolares, que favoreceu a retomada da demanda, e pelo período de início do mês, quando a população costuma estar mais capitalizada e o consumo da proteína tende a aumentar”, analisa o Cepea.

Preços dos ovos caíram em junho

Os preços do ovos caíram e atingiram o menor patamar diário nas principais regiões produtoras no Brasil em junho, segundo boletim do Cepea, divulgado no fim do primeiro semestre de 2025 . 📝Entenda cenário, abaixo.

🐔Gripe aviária na Europa: As restrições às importações de produtos avícolas do país, incluindo os ovos, também afetou o mercado, com a interrupção da compra de carne de frango pela China, Europa e Argentina, após o 1º registro de gripe aviária no país em granja comercial.

Embora o Brasil já tenha recuperado o status de livre da gripe aviária, pesquisadores do Cepea ressaltam que a retomada das importações dos produtos avícolas, incluindo ovos, ainda não foi totalmente reestabelecida até o momento.

📉Movimento de queda nos preços: O movimento de queda já tinha começado em abril de 2025, quando o ovo alcançou o menor preço do ano após recordes de 40% de alta nas cotações. Em maio, o recuo nas cotações fez o mercado de ovos encerrar o mês com baixa liquidez em todas as praças acompanhadas pelo Cepea.

Os preços dos ovos já registram queda de mais de 10% em maio, com as médias mensais nos menores patamares desde janeiro de 2025 em todas as praças acompanhadas.

“Essa desvalorização esteve relacionada à retração da demanda e ao aumento da oferta em algumas áreas, e não ao registro de Influenza Aviária de Alta Patogenecidade (IAAP) em granja comercial de Montenegro (RS)”, apontava boletim do Cepea.

💰Cotações

Agentes do setor consultados pelo Centro de Pesquisas nas regiões de Bastos (SP), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Grande São Paulo (SP), Santa Maria do Jequitibá (ES) explicaram que ritmo mais lento das vendas aumentou os estoques nas granjas em diversas praças em maio deste ano.

“Esse cenário levou à desvalorização da proteína, diante da dificuldade de escoamento da produção. Além disso, há relatos de descarte de poedeiras mais velhas em algumas regiões, medida que pode influenciar no controle da oferta no mercado interno e ajudar a sustentar os valores da proteína”, observam os produtores.

📈Preços: Entre os dias 16 e 26 de junho, a cotação dos ovos vermelhos caiu mais de 10,6% no atacado na região produtora de de Santa Maria de Jetibá (ES), passando de R$ 207 para R$ 185 a caixa com 30 dúzias. No início do ano, em fevereiro, o produto custava R$ 276.

🥚Na região de Bastos (SP), o preço da caixa de ovos brancos passou de R$169,52 para R$ 159 entre os dias 16 e 26 de junho. As cotações dos ovos vermelhos na praça do interior paulista caíram de R$ 191 para R$ 177 no mesmo período.

Na Grande São Paulo, a valor dos ovos brancos diminuiu de R$ 179 para R$ 164 em dez dias, queda de 7,3. Já os vermelhos, recuaram de 199,95 para R$ 182 entre os dias 16 e 26 de junho.

Na praça produtora de Recife, os preços da caixa dos ovos vermelhos passaram de R$ 185 para R$ 161, uma queda de quase 13% em dez dias. Em Minas Gerais, o preços ovos vermelho cai de R$ 213 para R$ 188 a caixa.

📈Veja, abaixo, valores nas regiões consultadas pelo Cepea:

Preço Ovos comercias/ Caixa com 30 dúzias

Mês /Data da cotaçãoRegiãoOvos BrancosVariação/DiaOvos VermelhosVariação/Dia
24 de junhoBastos (SP)R$ 159,01-2,91%R$ 177,40-3,92%
24 de junhoGrande BH (MG)R$ 168,48-4,57%R$ 188,73-3,62%
24 de junhoRecife (PE)R$ 154,41– 5,10%R$ 161,28-5,87%
24 de junhoGrande São Paulo (SP)R$ 164,34-3,84%R$ 182,30-4,44%
24 de junhoS. M. de Jequitibá (ES)R$ 162,78-3,01%R$ 183,55– 4,28%

Fonte: Cepea – Esalq/USP

Custos de produção

Segundo a pesquisadora, em 2024, os custos dos principais insumos da atividade, como milho e farelo de soja, aumentaram, enquanto a queda nos preços dos ovos comprometeu a rentabilidade dos produtores. Sem falar da necessidade de investir em espaços climatizados.

“Além disso, outros custos, como embalagens, também pressionaram a cadeia produtiva. Diante desse cenário desafiador no ano passado, os produtores enfrentaram margens reduzidas. Agora, em 2025, com uma menor disponibilidade de ovos, foi possível repassar esses reajustes de forma mais intensa para as cotações”, analisou.

Fonte: G1


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Internacional, Mercado Internacional, Negócios, Tributação

A situação dos produtores de soja dos EUA é outro lembrete para Washington: editorial do Global Times.

No domingo, horário local, a China e os EUA iniciaram conversas em Madri, Espanha, para discutir questões como as medidas tarifárias unilaterais dos EUA, o abuso dos controles de exportação e o TikTok. Na véspera das negociações, surgiram notícias de que os produtores de soja dos EUA estão “perdendo bilhões de dólares em vendas de soja para a China na metade de sua principal temporada de comercialização”. Nos últimos anos, a guerra comercial de Washington contra a China tem sido um esforço de perde-perde, muitas vezes saindo pela culatra. A situação dos produtores de soja dos EUA é um exemplo típico.

Agora é a temporada de colheita de soja nos EUA, mas os debates sobre “soja invendável” estão crescendo em todo o país. Muitos agricultores estão profundamente preocupados em “se preparar para colher sua safra neste outono sem pedidos de compra da China pela primeira vez em muitos anos”. Alguns agricultores dos EUA até postaram vídeos nas redes sociais expressando desespero por não poderem vender suas safras para a China, apesar de colherem mais do que o normal. Desde a década de 1990, a vasta demanda do mercado chinês levou os produtores dos EUA a inovar na criação, atualizar as linhas de produção e melhorar os sistemas de transporte, criando vários empregos. Por muitos anos, metade de todas as exportações de soja dos EUA foi para a China, da qual os agricultores americanos se beneficiaram tremendamente. Uma única soja pode parecer pequena, mas reflete que a China e os EUA são parceiros naturais na cooperação agrícola e destaca a essência ganha-ganha das relações econômicas e comerciais bilaterais.

No entanto, nos últimos anos, quando os EUA impuseram tarifas excessivamente altas à China, Pequim foi forçada a cobrar tarifas sobre a soja e outros produtos dos EUA. Isso levou as empresas chinesas a recorrer ao fornecimento de soja do Brasil, Argentina e outros países, ao mesmo tempo em que promoveu a diversificação das importações e construiu reservas estratégicas para salvaguardar a segurança alimentar e a estabilidade da cadeia de suprimentos da China. Alguns meios de comunicação dos EUA recentemente divulgaram a alegação de que a China está usando a soja como uma “arma” na guerra comercial, tratando os agricultores americanos como “moeda de troca”. Tais narrativas ignoram completamente o fato de que Washington iniciou as tarifas injustificadas, ignoram que os compradores chineses naturalmente têm todos os motivos para diversificar as fontes de abastecimento e, o mais importante, não conseguem entender que a abordagem da China às relações com os EUA é baseada em “respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação ganha-ganha”.

Os agricultores dos EUA não deveriam ter que pagar o preço pela guerra comercial de Washington com a China. O recente excesso de estoque de soja e a queda dos preços são uma prova inequívoca dos erros políticos de Washington. Em agosto, o presidente da Associação Americana de Soja, Caleb Ragland, escreveu ao presidente dos EUA, instando o governo a chegar a um acordo com a China o mais rápido possível para aliviar a crise enfrentada pelos produtores de soja. Atualmente, os efeitos sobrepostos de tarifas e controles de exportação causaram vários choques na cadeia industrial, na cadeia de suprimentos e na cadeia de inovação. O impacto negativo dos EUA empunhando arbitrariamente o “bastão tarifário” na economia global tornou-se cada vez mais evidente. Além disso, os próprios EUA estão experimentando alta inflação e alto desemprego devido a questões tarifárias, aumentando o risco de um “pouso forçado” econômico.

Infelizmente, Washington ainda precisa aprender o suficiente com os desafios enfrentados por seus produtores domésticos de soja e continua no caminho errôneo de politizar e armar questões econômicas e comerciais. Em 12 de setembro, o Departamento de Comércio dos EUA anunciou que vários chinesesAs entidades foram acrescentadas à sua lista de controlo das exportações. Como observou um porta-voz do Ministério do Comércio chinês, com a China e os EUA programados para realizar negociações econômicas e comerciais na Espanha a partir de 14 de setembro, a decisão dos EUA de sancionar as empresas chinesas levanta questões sobre suas verdadeiras intenções. O respeito igual é uma condição prévia necessária para iniciar uma nova ronda de negociações. Se um lado tentar forçar o outro a aceitar certos resultados por meio de sanções unilaterais, preocupações generalizadas de segurança, aplicação seletiva e outras formas de “pressão máxima” antes das negociações, isso só criará ruído e corroerá a confiança mútua. Isso aumentará os custos de chegar a um consenso nas negociações para ambos os países, resultando em uma perda para ambos os lados.

A cooperação igualitária é o caminho certo a seguir para as duas grandes potências. Desde o estabelecimento das relações diplomáticas, o investimento bidirecional entre a China e os EUA cresceu de quase zero para US$ 260 bilhões, e o comércio bilateral anual se expandiu de menos de US$ 2,5 bilhões para mais de US$ 680 bilhões em 2024, com ambos os países se beneficiando significativamente de sua cooperação. Os altos e baixos na relação entre os dois países nos últimos anos também ofereceram lições negativas. Abordar as questões por meio de pressão, sanções, isolamento, contenção e bloqueio só aumentará os custos e minará as expectativas. Politizar as trocas econômicas e tecnológicas normais e colocar todas as questões em um contexto de “segurança nacional” não apenas falhará em resolver “problemas internos”, mas também prejudicará a estabilidade das próprias cadeias industriais e de suprimentos. Recorrer a “culpar a China” pelas necessidades políticas domésticas só intensificará o confronto e prejudicará os interesses legítimos das empresas e do público.

Nos últimos meses, guiadas por importantes consensos alcançados pelos chefes de Estado da China e dos EUA, as equipes econômicas e comerciais de ambos os lados realizaram três rodadas de negociações em Genebra, Londres e Estocolmo, alcançando um consenso positivo. Isso demonstra que o diálogo igualitário é o caminho mais eficaz para aliviar o confronto e expandir o consenso, com os benefícios mútuos entre os dois países superando em muito seus conflitos e diferenças.

A posição da China tem sido consistente e clara: insistimos no respeito mútuo e na consulta igualitária, salvaguardando resolutamente nossos direitos e interesses legítimos, bem como o sistema de comércio multilateral, e promovendo um ambiente de negócios aberto, justo, justo e não discriminatório para que as empresas chinesas continuem operando nos EUA. A comunidade internacional saúda o progresso gradual feito nas consultas China-EUA e espera que ambos os lados continuem avançando no caminho do diálogo e da negociação, injetando energia positiva na manutenção da ordem econômica e comercial internacional.

Fonte: Globo Times

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China abre investigação contra os EUA com foco em chips na véspera da reabertura de negociações, em Madri

Ação do governo chinês prepara um início tenso para reunião entre o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro He Lifeng para discutir questões econômicas e de segurança nacional

A China anunciou que abriu duas investigações direcionadas ao setor de tecnologia dos Estados Unidos que envolvem equipamentos eletrônicos como chips e inteligência artificial (IA). O anúncio surge um dia antes de uma nova rodada de negociações comerciais entre as duas potências mundiais. Representantes de Pequim e Washignton se reúnem deste domingo até a próxima quarta-feira, na Espanha.

As investigações chinesas surgem logo após os EUA adicionarem mais 23 empresas baseadas na China à sua lista de entidades que impõem restrições a negócios ou de “agir de forma contrária à segurança nacional ou aos interesses de política externa dos EUA.”

O Ministério do Comércio chinês afirmou em comunicado neste sábado que abriu uma investigação antidumping relacionada a circuitos integrados (CIs) analógicos – de sinais mistos e de processamento de sinais digitais – fabricados nos Estados Unidos. Esses chips são muito usados ​​em equipamentos eletrônicos e são vendidos por empresas americanas como Texas Instruments e a Analog Devices.

Ao mesmo tempo, o ministério também iniciou uma investigação antidiscriminação sobre as medidas dos EUA contra o setor de chips chinês, de acordo com um comunicado separado.

A repreensão pública da China às medidas comerciais dos EUA prepara um início tenso para a reunião de vários dias entre altos funcionários de ambos os lados. O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, deve se encontrar esta semana com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, em Madri, para discutir comércio, questões econômicas e de segurança nacional.

As negociações ocorrem após meses de idas e vindas e uma pausa nas tarifas elevadas por Trump, com os dois países afirmando que buscam um acordo mutuamente aceitável.

Os semicondutores se tornaram um terreno-chave de disputa, à medida que os EUA cortaram o acesso da China aos aceleradores de inteligência artificial (IA) mais avançados e usaram o licenciamento de alguns hardwares menos potentes da Nvidia como moeda de barganha — embora autoridades chinesas tenham resistido e expressado reservas sobre riscos de segurança.

O estado instável das negociações também se manifestou recentemente com a primeira utilização chinesa de uma chamada investigação de anticircunvenção, que levou à imposição de tarifas antidumping sobre importações americanas de fibra óptica. Esse instrumento deve ter um papel maior no futuro, segundo a TV estata chinesal.

“Os EUA tomaram uma série de proibições e restrições contra a China no campo de circuitos integrados nos últimos anos, incluindo investigações 301 e medidas de controle de exportação”, disse um porta-voz do ministério do Comércio em outro comunicado. “Essas práticas protecionistas são suspeitas de discriminação contra a China e representam contenção e supressão do desenvolvimento de chips avançados e indústrias de alta tecnologia da China, como inteligência artificial.”

Funcionários do Representante de Comércio dos EUA e porta-vozes da Texas Instruments e da Analog Devices não responderam imediatamente a pedidos de comentário.

As discussões entre Bessent e He abordarão, entre outros assuntos, o status do TikTok, da ByteDance, um serviço que o presidente Donald Trump estimou poder valer até US$ 500 bilhões para os EUA. O TikTok tem até a próxima semana para chegar a um acordo que garanta a continuidade de suas operações nos EUA, embora esses prazos já tenham sido prorrogados várias vezes este ano.

Esforços para combater a lavagem de dinheiro também estarão na pauta, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA.

A China afirmou em janeiro que investigará alegações de que os EUA despejam chips de menor qualidade e subsidiam injustamente seus próprios fabricantes de chips, marcando uma das respostas retaliatórias mais fortes de Pequim às sanções tecnológicas americanas.

A investigação antidumping terá duração de cerca de um ano e poderá ser estendida por mais seis meses, se necessário, enquanto a investigação antidiscriminação geralmente leva cerca de três meses, segundo o órgão regulador do comércio.

Fonte: O Globo

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