Exportação

Tarifa do açúcar nos EUA é mantida, mas Brasil perde espaço em cota de exportação

As exportações de açúcar brasileiro destinadas aos Estados Unidos dentro da cota tarifária permanecerão isentas da nova sobretaxa de 12,5% anunciada pelo governo norte-americano para diversos produtos importados. Apesar da manutenção das regras atuais para esse volume, o Brasil terá uma redução expressiva na quantidade de açúcar que poderá exportar com condições preferenciais a partir do próximo ano fiscal.

Cota tarifária é reduzida para o Brasil

De acordo com decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o açúcar embarcado dentro da cota continuará sujeito apenas à tarifa já existente, de 25%.

Já os embarques que ultrapassarem esse limite passarão a enfrentar uma carga tributária de 37,5%, resultado da soma da tarifa atual com a nova sobretaxa imposta pelos Estados Unidos.

Embora o regime de cotas tenha sido preservado, a principal alteração está na redução do volume reservado ao Brasil.

Volume de exportação cairá em 2027

No ano fiscal de 2027, que começa em outubro deste ano, a participação brasileira na cota será reduzida de 156 mil toneladas para 100 mil toneladas.

Atualmente, esse benefício atende exclusivamente usinas das regiões Norte e Nordeste, conforme prevê a Lei nº 9.362/1996, que garante acesso preferencial desses produtores aos mercados internacionais de derivados da cana-de-açúcar.

Setor vê aumento da insegurança comercial

Para representantes da indústria sucroenergética, a diminuição da cota amplia as incertezas nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

O presidente-executivo da NovaBio (Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia), Renato Cunha, afirma que ainda não é possível saber se a redução será definitiva ou temporária. Segundo ele, o volume poderá ser restabelecido futuramente ou redistribuído entre os demais países participantes do sistema de cotas.

Na avaliação do dirigente, a mudança dificulta o planejamento das empresas do setor e aumenta a imprevisibilidade para a cadeia produtiva da cana-de-açúcar.

Etanol também preocupa produtores brasileiros

Além do impacto sobre o açúcar, o setor acompanha com atenção as discussões envolvendo o comércio de etanol entre os dois países.

Segundo Renato Cunha, enquanto o açúcar brasileiro continua sujeito a restrições de acesso ao mercado norte-americano, os Estados Unidos defendem maior abertura para exportar etanol ao Brasil.

Para o executivo, o cenário demonstra uma relação comercial desequilibrada, já que os produtores brasileiros enfrentam limitações para vender açúcar aos EUA, enquanto os norte-americanos buscam ampliar o acesso do biocombustível ao mercado brasileiro.

Decisão mantém benefício, mas aumenta incertezas

A manutenção da tarifa atual para o açúcar exportado dentro da cota evita um impacto imediato sobre parte das vendas brasileiras aos Estados Unidos.

No entanto, a redução do volume disponível no regime preferencial e o aumento da tributação para embarques acima desse limite reforçam o ambiente de incerteza para o setor, que agora aguarda os próximos desdobramentos das negociações comerciais entre os dois países.

FONTE: AgroRevenda
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

Produtos brasileiros afetados pelo tarifaço dos EUA: veja a lista do que será taxado

O novo tarifaço dos Estados Unidos atingirá principalmente produtos industriais, máquinas e parte do setor agroindustrial brasileiro. A lista divulgada pelo governo norte-americano inclui desde etanol e calçados até máquinas agrícolas, papel e diversos bens manufaturados.

Por outro lado, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil, como carne bovina, café, suco de laranja e aeronaves, ficaram fora da nova lista de sobretaxação.

Produtos brasileiros que serão afetados

Os itens que passarão a ser taxados pelos Estados Unidos incluem:

  • Etanol;
  • Calçados;
  • Vestuário;
  • Açúcar orgânico;
  • Papel;
  • Máquinas agrícolas;
  • Equipamentos de mineração;
  • Ferramentas de jardinagem;
  • Máquinas e equipamentos elétricos;
  • Bens de capital;
  • Produtos químicos;
  • Produtos industriais processados;
  • Manufaturados em geral.

A lista concentra principalmente produtos do setor industrial e bens utilizados na produção, além de alguns itens do agronegócio.

Produtos brasileiros que ficaram de fora

Apesar da ampliação das restrições comerciais, os Estados Unidos mantiveram uma série de exceções. Entre os principais produtos brasileiros isentos estão:

  • Carne bovina;
  • Café;
  • Laranja e suco de laranja;
  • Petróleo bruto;
  • Gás natural;
  • Peixes e crustáceos;
  • Castanhas;
  • Mel orgânico;
  • Celulose de madeira;
  • Pastas químicas de madeira;
  • Alguns produtos de madeira tropical;
  • Minérios selecionados;
  • Ferro-gusa;
  • Produtos metálicos considerados estratégicos para a indústria americana;
  • Aeronaves civis, motores e componentes aeronáuticos;
  • Helicópteros;
  • Produtos farmacêuticos;
  • Insumos químicos para medicamentos;
  • Semicondutores e equipamentos para sua fabricação.

Lista poderá sofrer alterações

O governo dos Estados Unidos informou que a relação de produtos poderá ser revisada ao longo das negociações com o Brasil. Além disso, mercadorias que já estiverem em trânsito para o mercado norte-americano antes da entrada em vigor da medida não serão atingidas.

O governo brasileiro contestou a decisão e afirmou que recorrerá aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade e na Organização Mundial do Comércio (OMC).

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Internacional

Tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros chega ao prazo final sem perspectiva de acordo

Termina nesta quarta-feira (15) o prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para decidir se será aplicada uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Até o momento, não há expectativa de entendimento entre os dois países.

As negociações seguem travadas por divergências em temas considerados estratégicos. Entre os principais impasses estão a resistência do governo brasileiro em discutir alterações no Pix e a falta de consenso sobre as tarifas envolvendo etanol e açúcar, produtos considerados sensíveis para ambas as economias.

Especialistas apontam motivação política para o tarifaço

Na avaliação de especialistas, a iniciativa norte-americana vai além das questões comerciais e reflete interesses políticos da atual administração dos Estados Unidos.

O professor de Direito Internacional da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Borba Casella, afirmou que as declarações recentes do presidente Donald Trump indicam que a medida tem caráter político, o que dificulta qualquer avanço nas negociações.

Segundo o especialista, a construção de um acordo depende da disposição de ambas as partes para negociar. Sem essa convergência, a possibilidade de entendimento permanece reduzida.

Nova estratégia dos EUA busca ampliar influência na América Latina

Para analistas de relações internacionais, o endurecimento da postura de Washington faz parte de uma estratégia mais ampla de reposicionamento geopolítico no continente.

O professor Alexandre Pires, do Ibmec-SP, explica que a política externa do governo Trump busca fortalecer a influência dos Estados Unidos na América Latina, reduzindo o avanço econômico e tecnológico da China na região.

De acordo com o pesquisador, o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China ao longo das últimas duas décadas passou a ser visto com maior preocupação pela Casa Branca.

Além disso, ele destaca que, embora o Brasil mantenha políticas protecionistas em alguns setores, o atual cenário internacional tornou essas práticas alvo de maior pressão política.

USTR cita Pix, etanol e desmatamento entre as reclamações

A investigação conduzida pelo USTR utiliza a Seção 301 da legislação comercial norte-americana para justificar a possível aplicação das tarifas.

Entre os argumentos apresentados pelos Estados Unidos estão supostas práticas comerciais consideradas desleais envolvendo o Pix, o mercado de etanol, além de questões relacionadas ao desmatamento ilegal.

O governo brasileiro rejeita as acusações. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a adoção das novas tarifas prejudicaria uma relação comercial considerada estratégica para ambos os países e reduziria o espaço para o diálogo diplomático.

Etanol e açúcar seguem como principais pontos de conflito

Outro obstáculo nas negociações envolve o comércio de etanol e açúcar.

Os Estados Unidos defendem a eliminação das tarifas brasileiras sobre o etanol norte-americano. O governo brasileiro, porém, resiste à proposta e condiciona qualquer discussão à retirada das elevadas tarifas impostas pelos EUA ao açúcar produzido no Brasil.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o setor sucroenergético possui importância estratégica para a economia brasileira, especialmente na região Nordeste, e não pode ser tratado isoladamente.

Segundo ele, enquanto o etanol americano busca maior acesso ao mercado brasileiro, o açúcar nacional continua enfrentando barreiras significativas para entrar no mercado dos Estados Unidos.

Produtores defendem manutenção das regras atuais

Entidades que representam o setor sucroenergético apoiam a posição do governo brasileiro.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sustentam que a redução das importações de etanol americano ocorreu principalmente devido ao crescimento da produção nacional, e não em razão das tarifas atualmente aplicadas.

Para o professor Paulo Borba Casella, a insistência dos Estados Unidos na inclusão do etanol nas negociações reforça a percepção de que o debate extrapola a esfera comercial e envolve interesses políticos. Na avaliação dele, uma negociação equilibrada exigiria também a revisão das tarifas aplicadas ao açúcar brasileiro.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Kevin Lamarque

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Informação

Gasolina pode ficar mais barata com aumento da mistura de etanol; entenda o que muda

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou na terça-feira (14) o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passará de 30% para 32% a partir de 1º de agosto. A medida terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais um período.

Segundo o governo, a mudança faz parte da estratégia para reduzir a dependência da importação de gasolina e ampliar o uso de biocombustíveis no país.

Preço da gasolina deve cair nas bombas

Especialistas avaliam que a maior participação do etanol na composição da gasolina tende a reduzir o custo do combustível ao consumidor.

De acordo com Maurício Muruci, analista de mercado da Safras & Mercado, o etanol anidro possui custo inferior ao da gasolina, o que contribui para uma redução no preço final. Quanto maior a participação do biocombustível na mistura, menor tende a ser o valor do litro vendido nos postos.

O Ministério de Minas e Energia (MME) estima que a adoção do chamado E32 poderá reduzir o preço da gasolina em aproximadamente R$ 0,03 por litro.

Mudança busca reduzir importações em cenário de instabilidade

Além do impacto nos preços, a ampliação da mistura tem como objetivo diminuir a necessidade de importação de gasolina, especialmente em um momento de instabilidade no mercado internacional de petróleo.

Segundo Muruci, os conflitos geopolíticos envolvendo o Irã influenciam diretamente a cotação do petróleo, principal referência para a formação dos preços da gasolina. A valorização recente da commodity reforça a importância de medidas que reduzam a exposição do Brasil às oscilações externas.

A expectativa do governo é que a nova composição elimine a necessidade de importar cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano, além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Nova mistura não deve afetar os motores dos veículos

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, estudos técnicos realizados antes da aprovação da medida não identificaram impactos relevantes no desempenho dos veículos, incluindo modelos equipados com motores movidos exclusivamente a gasolina.

Os testes avaliaram itens como desempenho, consumo de combustível, dirigibilidade, partida a frio e emissões de poluentes, tanto em laboratório quanto em condições reais de uso.

Muruci também afirma que os ensaios não apontaram riscos para os motores com a adoção da nova proporção de etanol.

Governo já estuda ampliar mistura para 35%

Paralelamente à implantação do E32, o Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro desenvolve estudos para avaliar a viabilidade de elevar a participação do etanol para 35% na gasolina.

Apesar disso, especialistas afirmam que uma eventual nova alteração dependerá de avaliações técnicas e não deverá ocorrer antes do segundo semestre de 2027.

Segundo Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos, a legislação brasileira permite que a gasolina comum contenha até 35% de etanol anidro, o que abre espaço para futuras mudanças, caso os estudos confirmem a viabilidade da medida.

Uso maior de etanol já reduziu gastos com importação

O aumento da mistura de etanol na gasolina vem sendo discutido desde abril deste ano. Em junho, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a ampliação do percentual pode fortalecer a autossuficiência do país no abastecimento de combustíveis e reduzir os impactos das oscilações internacionais sobre os preços.

Dados apresentados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) mostram que, desde o aumento anterior da mistura — de 27% para 30%, aprovado em junho de 2025 —, o Brasil deixou de gastar cerca de R$ 8 bilhões com importação de gasolina.

Segundo a entidade, apenas desde o início dos conflitos envolvendo o Irã, a diferença de preços entre etanol e gasolina gerou uma economia estimada em R$ 2 bilhões para os consumidores brasileiros.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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Portos

Etanol impulsiona Porto de Santos na disputa pelo bunker verde

O Porto de Santos deu um passo importante na transição energética do transporte marítimo ao realizar o primeiro abastecimento, em território brasileiro, de um navio porta-contêineres transoceânico com etanol. A operação reforça o potencial do maior complexo portuário da América Latina para se consolidar como um hub de bunker verde e coloca o Brasil em posição de destaque na corrida global por combustíveis marítimos de baixo carbono.

O procedimento foi realizado no último dia 12 com o navio CMA CGM IRON, embarcação com capacidade para 13 mil TEU equipada com motor tricombustível, certificado para operar com etanol, metanol e combustíveis convencionais.

A ação envolveu a participação da CMA CGM, Copersucar, Bunker One, Santos Brasil, AGEO Terminais e da fabricante de motores marítimos Everllence.

Setor marítimo acelera busca por combustíveis sustentáveis

A iniciativa acontece em meio ao avanço das metas globais de descarbonização da navegação. Com regras ambientais cada vez mais rigorosas, armadores e operadores portuários vêm ampliando os investimentos em alternativas ao óleo combustível tradicional.

A Organização Marítima Internacional (IMO) estabeleceu como objetivo alcançar a neutralidade climática do setor até meados deste século, enquanto o regulamento europeu FuelEU Maritime passou a exigir redução gradual da intensidade de carbono dos combustíveis utilizados por navios que operam em portos da Europa.

As metas começam com redução de 2% nas emissões em 2025 e deverão chegar a 80% até 2050, aumentando os incentivos para o uso de energias renováveis na navegação internacional.

Corrida tecnológica movimenta indústria naval

Responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, o transporte marítimo vive uma disputa entre diferentes tecnologias para combustíveis de baixa emissão.

Entre as principais alternativas estão metanol, etanol, amônia, hidrogênio, biometano e outros biocombustíveis líquidos.

Enquanto a Maersk concentra sua estratégia no metanol verde, a CMA CGM aposta em uma matriz diversificada, investindo simultaneamente em gás natural liquefeito (GNL), metanol, biometano e combustíveis renováveis para reduzir riscos tecnológicos.

Esse movimento também se reflete na construção de novos navios. Dados da consultoria Clarksons Research apontam que 590 embarcações aptas a utilizar combustíveis alternativos foram encomendadas em 2025, elevando para quase duas mil unidades a carteira global desse tipo de tecnologia. Deste total, 385 navios já possuem capacidade para operar com metanol, considerado uma das principais apostas da indústria para reduzir emissões.

Brasil ganha vantagem com produção de etanol

O Brasil aparece como um dos mercados mais competitivos nesse cenário por reunir ampla oferta de biomassa, produção consolidada de etanol e infraestrutura logística capaz de atender à demanda internacional.

Especialistas avaliam que a compatibilidade tecnológica entre motores preparados para metanol e etanol pode facilitar a adoção do biocombustível brasileiro pela nova geração de embarcações, ampliando as oportunidades para o setor sucroenergético nacional.

Além de utilizar uma cadeia produtiva já estabelecida, o etanol reduz a necessidade de investimentos em novas estruturas industriais, tornando-se uma alternativa economicamente competitiva para a descarbonização da navegação.

Operação reforça papel estratégico do Porto de Santos

O abastecimento exigiu uma operação logística integrada, envolvendo transporte do combustível, armazenamento em estrutura dedicada e transferência ao navio por meio de uma barcaça especializada, seguindo protocolos internacionais de segurança.

Com isso, o Porto de Santos fortalece sua posição como candidato a centro regional de fornecimento de combustíveis marítimos renováveis para o Atlântico Sul, beneficiado pela proximidade com a principal região produtora de etanol do país e pela infraestrutura já existente.

A estratégia também acompanha o fortalecimento da presença da CMA CGM no Brasil após a aquisição da Santos Brasil, concluída em 2025, ampliando os investimentos do grupo francês na infraestrutura logística e na transição energética do transporte marítimo.

Nova geração de navios amplia mercado para biocombustíveis

Entregue em 2025, o CMA CGM IRON é o primeiro de uma série de 12 porta-contêineres de 13 mil TEU equipados com motores tricombustíveis preparados para operar com etanol.

A companhia projeta colocar em operação cerca de 200 embarcações movidas por energias de baixo carbono até 2031.

Caso a demanda mundial por combustíveis sustentáveis continue crescendo na próxima década, o Brasil poderá ampliar sua liderança no mercado de biocombustíveis, estendendo ao transporte marítimo o protagonismo já consolidado no setor rodoviário e fortalecendo o papel estratégico dos portos nacionais na transição energética global.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Greve

Greve de motoristas-tanque pode provocar falta de combustíveis em postos a partir da próxima semana

Motoristas que pretendem abastecer seus veículos nos próximos dias devem acompanhar a situação com atenção. Uma greve de motoristas-tanque foi confirmada e pode comprometer o fornecimento de combustíveis em postos do Espírito Santo a partir da próxima semana.

A paralisação envolve os profissionais responsáveis pelo transporte de gasolina, diesel e etanol até os postos. Sem a distribuição regular, a tendência é que os estoques sejam reduzidos gradativamente, podendo resultar na falta de produtos conforme a demanda aumenta.

Greve está prevista para começar na segunda-feira

O Sindirodoviários confirmou que a categoria iniciará a greve na próxima segunda-feira (13), caso não haja avanço nas negociações com as empresas do setor.

O anúncio foi feito pelo presidente da entidade, Marquinhos Jiló, que alertou para a possibilidade de desabastecimento ao longo da semana seguinte. Segundo ele, os postos devem continuar operando inicialmente com os estoques disponíveis, mas a ausência de novas entregas poderá afetar o atendimento aos consumidores.

Diante desse cenário, a orientação é que os motoristas não aguardem o tanque chegar à reserva para abastecer, reduzindo o risco de enfrentar dificuldades caso a paralisação seja mantida.

Categoria cobra melhorias nas condições de trabalho

De acordo com o sindicato, foram realizadas cinco rodadas de negociação com representantes das empresas, porém as conversas terminaram sem acordo.

Os trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho para os motoristas tanqueiros, profissionais responsáveis por garantir o transporte de combustíveis e o abastecimento dos postos em todo o estado.

Em comunicado, o Sindirodoviários informou que continua aberto ao diálogo, mas reforçou que a greve será iniciada diante da falta de consenso entre as partes.

“Diante da falta de acordo, a partir de segunda-feira a categoria entrará em greve. Permanecemos à disposição para retomar as negociações a qualquer momento, caso o setor patronal se sensibilize e apresente uma proposta que valorize esses trabalhadores”, informou a entidade.

Desabastecimento pode ocorrer de forma gradual

Segundo Marquinhos Jiló, os efeitos da paralisação não devem ser sentidos imediatamente, já que os postos ainda contarão com os estoques armazenados.

Entretanto, sem a reposição das cargas de gasolina, diesel e etanol, o abastecimento poderá ser comprometido nos dias seguintes, à medida que os volumes disponíveis forem se esgotando.

O sindicato destaca que a greve ainda poderá ser suspensa caso uma nova proposta seja apresentada pelas empresas antes do início da paralisação. Até lá, a recomendação é que os consumidores acompanhem as negociações e se programem para evitar transtornos.

FONTE: Portal Tempo Novo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Tempo Novo

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Investimento

JetBio investirá US$ 2 bilhões para produzir SAF com etanol brasileiro em São Paulo

A JetBio, subsidiária brasileira da norte-americana Summit NextGen, anunciou um investimento de aproximadamente US$ 2 bilhões na construção de uma biorrefinaria em Paulínia, no interior de São Paulo. O empreendimento será destinado à produção de combustível sustentável de aviação (SAF) a partir do etanol brasileiro, reforçando a aposta do país como um dos principais polos globais de combustíveis de baixo carbono.

A empresa já adquiriu a área onde a unidade será instalada. O cronograma prevê o início das obras em 2027 e a entrada em operação comercial em 2030.

Projeto prevê capacidade inédita para produção de SAF

Quando estiver em funcionamento, a planta deverá produzir cerca de 1 bilhão de litros de SAF por ano, tornando-se a maior unidade do mundo baseada na tecnologia Alcohol-to-Jet (ATJ), que converte etanol em combustível para aeronaves.

Segundo o CEO da JetBio e da Summit NextGen, William Moore, a produção em larga escala é essencial para reduzir custos e tornar o combustível mais competitivo no mercado internacional.

De acordo com o executivo, são necessários aproximadamente 1,8 litro de etanol para gerar 1 litro de combustível sustentável de aviação, o que torna a economia de escala um fator decisivo para a viabilidade do projeto.

Brasil reúne vantagens para liderar o mercado de SAF

A escolha do Brasil para receber o primeiro grande investimento da companhia não ocorreu por acaso. Para a empresa, o país reúne condições estratégicas graças à ampla disponibilidade de etanol de baixa intensidade de carbono, característica considerada essencial para a produção de SAF competitivo.

Embora a Summit também tenha planejado instalar uma unidade semelhante nos Estados Unidos, o projeto foi temporariamente suspenso. Entre os fatores apontados estão mudanças no ambiente regulatório norte-americano e a redução de incentivos aos combustíveis de baixo carbono.

Outro diferencial brasileiro é a menor intensidade de carbono do etanol produzido no país, fator que aumenta o valor ambiental do combustível sustentável e favorece sua comercialização em mercados internacionais.

Etanol de cana, milho e resíduos fará parte da estratégia

A futura biorrefinaria utilizará diferentes fontes de etanol, incluindo matéria-prima proveniente da cana-de-açúcar, do milho e também de resíduos agrícolas.

A diversificação busca ampliar a competitividade do projeto e atender às exigências regulatórias de países que restringem o uso de matérias-primas que possam competir com a produção de alimentos.

A tecnologia empregada será fornecida pela empresa norte-americana Honeywell, responsável pelo desenvolvimento do processo completo de conversão do etanol em combustível de aviação sustentável.

Financiamento terá participação de bancos e investidores

O modelo financeiro prevê que metade dos recursos seja obtida por meio de financiamento e a outra metade com capital próprio e novos investidores.

A empresa já iniciou conversas com o BNDES para avaliar linhas de crédito e também estuda utilizar mecanismos de incentivo como o programa Eco Invest. Além disso, a estratégia inclui a entrada de parceiros brasileiros, tanto institucionais quanto do setor privado.

Produção será voltada principalmente ao mercado externo

A expectativa é que aproximadamente 90% do SAF produzido seja destinado à exportação, tendo como principais mercados consumidores a União Europeia e o Reino Unido, regiões que ampliam gradualmente as exigências para redução das emissões na aviação.

O escoamento da produção deverá ocorrer pelos portos de Santos e Paranaguá.

A companhia também avalia, no futuro, alternativas como o modelo book-and-claim, que permite negociar os atributos ambientais do combustível sem a necessidade de transportá-lo fisicamente até o comprador.

Projeto também prevê produção de diesel verde

Além do combustível sustentável de aviação, cerca de 5% da capacidade da planta será destinada à fabricação de diesel verde e combustível marítimo sustentável, ampliando a participação da empresa no mercado de combustíveis renováveis.

A longo prazo, a JetBio vislumbra um cenário em que o próprio SAF produzido abasteça embarcações responsáveis pelo transporte internacional do combustível, fortalecendo um ecossistema de logística de baixo carbono.

FONTE: Reset
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Reset

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Exportação

Exportação de açúcar da Índia deve permanecer restrita por três safras e impulsionar preços globais

A Índia deverá continuar com um volume limitado de exportação de açúcar pelos próximos três ciclos produtivos, cenário que tende a reduzir a oferta global e manter os preços internacionais elevados. A combinação entre os efeitos do El Niño sobre a produção de cana-de-açúcar e o avanço da demanda por etanol está diminuindo o excedente disponível para o mercado externo.

Até poucos anos atrás, o país ocupava a posição de segundo maior exportador mundial de açúcar. Agora, a menor disponibilidade do produto deve afetar principalmente compradores da Ásia, África e Oriente Médio, além de sustentar as cotações nas bolsas de Londres e Nova York.

Governo deve manter controle rigoroso sobre as exportações

O açúcar possui forte peso econômico e social na Índia, maior consumidor mundial da commodity. Por isso, o governo tem priorizado o abastecimento interno diante das incertezas na produção.

Segundo fontes ligadas ao setor e ao governo, a estratégia não será anunciar uma proibição formal de longo prazo, mas restringir as autorizações de exportação a cada safra, conforme a disponibilidade do produto. Atualmente, as usinas dependem de aprovação oficial para realizar embarques ao exterior.

No mês passado, integrantes do governo do primeiro-ministro Narendra Modi orientaram o setor sucroenergético a concentrar esforços no atendimento do mercado doméstico e evitar pressões por novas liberações para exportação.

Na safra atual, a Índia exportou cerca de 800 mil toneladas de açúcar antes de suspender os embarques até 30 de setembro, data que marca o encerramento do ciclo produtivo. Nas cinco safras anteriores, encerradas em 2022/23, o país havia registrado uma média anual de 6,8 milhões de toneladas exportadas, equivalente a aproximadamente 10% do comércio mundial.

El Niño ameaça reduzir ainda mais a produção de cana

As perspectivas para a próxima safra preocupam produtores e analistas. A expectativa é que o El Niño provoque a monção mais fraca dos últimos 11 anos na Índia, reduzindo o volume de chuvas necessário para o desenvolvimento da lavoura.

Além disso, as precipitações registradas em junho ficaram mais de 40% abaixo da média histórica, levando muitos agricultores a adiar o plantio da cana.

No estado de Maharashtra, um dos principais polos produtores do país, parte dos agricultores já opta por substituir a cana por culturas menos dependentes de água, como soja, feijão-guandu e outras leguminosas. Viveiristas também relatam queda significativa na procura por mudas de cana.

Especialistas avaliam que essa mudança poderá reduzir a área cultivada e comprometer a oferta de açúcar nas próximas safras.

Produção deve ficar abaixo do consumo interno

As projeções do setor indicam que a produção indiana deverá atingir cerca de 27,9 milhões de toneladas nesta safra, abaixo da demanda doméstica estimada em aproximadamente 28,5 milhões de toneladas.

Com isso, os estoques disponíveis nas usinas no início da próxima temporada, em 1º de outubro, podem cair para cerca de 3,5 milhões de toneladas, o menor nível registrado em mais de três décadas.

Para Rahil Shaikh, diretor da MEIR Commodities India, caso as chuvas permaneçam abaixo do esperado, a Índia poderá ficar fora do mercado exportador por pelo menos três anos. O executivo ressalta que o Brasil e a Tailândia, importantes fornecedores globais, também enfrentam riscos climáticos associados ao El Niño.

Expansão do etanol reduz disponibilidade para exportação

Outro fator que pressiona a oferta de açúcar é a política do governo indiano de ampliar a produção de etanol, como forma de reduzir a dependência das importações de petróleo.

As estimativas do setor apontam que a demanda pelo biocombustível poderá saltar dos atuais 12 a 13 bilhões de litros para aproximadamente 30 bilhões de litros até 2039-40, impulsionada pelo aumento da mistura de etanol à gasolina e pela expansão dos veículos flex-fuel.

Recentemente, a montadora Maruti Suzuki lançou o primeiro automóvel flex-fuel da Índia, enquanto a Hero MotoCorp apresentou uma motocicleta equipada com a mesma tecnologia. Paralelamente, o governo eliminou impostos sobre combustíveis com maior teor de etanol e passou a incentivar o uso de misturas com até 85% do biocombustível.

Na avaliação de representantes da indústria sucroenergética, as futuras políticas públicas deverão priorizar cada vez mais a produção de etanol em detrimento das exportações de açúcar.

Mercado teme até necessidade de importações no futuro

Caso os impactos climáticos se intensifiquem e a área cultivada continue diminuindo, a Índia poderá enfrentar uma situação inédita nos próximos anos: deixar de ser exportadora para se tornar importadora de açúcar.

Analistas do setor alertam que uma combinação entre um El Niño mais severo e o crescimento acelerado da demanda por etanol poderá praticamente eliminar o excedente exportável, tornando necessária a importação da commodity para atender o mercado interno, especialmente a partir da safra 2027/28.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amit Dave

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Importação

Brasil mantém isenção tarifária para principais produtos importados dos Estados Unidos

Mesmo diante das críticas dos Estados Unidos sobre supostas práticas comerciais consideradas desleais, o Brasil não aplica tarifas adicionais sobre os dez principais produtos importados do mercado norte-americano em 2026.

A discussão ganhou força após a conclusão de uma investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que recomendou a imposição de uma nova taxa de 25% sobre produtos brasileiros. O processo, iniciado em 2025, teve como argumento inicial a alegação de que o Brasil adotaria medidas protecionistas capazes de limitar o acesso de exportadores norte-americanos ao mercado nacional.

Na época, integrantes da gestão de Donald Trump também sustentavam que os Estados Unidos registravam déficit comercial na relação com o Brasil. No entanto, dados do comércio bilateral mostram que o saldo tem sido desfavorável ao lado brasileiro desde 2009. Além disso, os produtos mais importados dos EUA entram no país sem cobrança de tarifas adicionais.

Por outro lado, os Estados Unidos mantêm tarifas sobre quatro dos dez principais produtos brasileiros adquiridos pelo mercado norte-americano.

Estudo analisou principais produtos da balança comercial Brasil-EUA

O levantamento realizado pelo Poder360 avaliou os 20 produtos com maior relevância na balança comercial Brasil-EUA. A análise considerou os dez itens mais importados pelo Brasil e os dez mais comprados pelos Estados Unidos entre janeiro e maio de 2026.

As informações utilizadas têm como base dados da USITC (Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos) e da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, sistema que estabelece regras tarifárias padronizadas para os países integrantes do bloco econômico.

Governo dos EUA altera foco das justificativas

O relatório final divulgado pelo USTR apresentou uma mudança significativa em relação às alegações iniciais da investigação. Em julho de 2025, o governo norte-americano apontava o suposto protecionismo brasileiro e barreiras tarifárias como principais motivos para a apuração.

Já no documento mais recente, as justificativas passaram a concentrar-se em temas como alegações relacionadas ao uso de trabalho forçado, impactos do Pix, regulamentação das redes sociais e ações consideradas insuficientes no combate ao desmatamento.

As referências a protecionismo e déficit comercial deixaram de ocupar posição central no relatório. Entre os poucos aspectos tarifários mencionados estão os acordos comerciais com Índia e México, que oferecem condições preferenciais de importação e, segundo a avaliação norte-americana, poderiam prejudicar exportadores dos EUA. Também foi citada a tarifa de 18% aplicada pelo Brasil sobre o etanol importado.

Especialista vê estratégia de negociação na postura norte-americana

Para o ex-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, a mudança de discurso atende a interesses estratégicos dos Estados Unidos. Segundo ele, mesmo diante do déficit brasileiro na relação comercial, Washington pode utilizar determinadas narrativas para ampliar sua capacidade de negociação em setores considerados prioritários.

Barral afirma que existe uma diferença entre a necessidade de avanços estruturais na economia brasileira e as críticas feitas pelos EUA no âmbito bilateral. Na avaliação do especialista, a acusação de protecionismo costuma ser utilizada de forma seletiva para fortalecer posições de negociação.

O economista destaca ainda que a comparação entre países não deve ser feita apenas com base nas tarifas nominais. Segundo ele, os Estados Unidos também adotam mecanismos de proteção em áreas consideradas sensíveis, utilizando instrumentos regulatórios, exigências de segurança nacional e políticas setoriais específicas.

Para Barral, a análise da política comercial internacional deve considerar o conjunto de ferramentas utilizadas por cada país, e não apenas os percentuais de tarifas aplicados sobre produtos importados.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Exterior

EUA propõem tarifa de 25% sobre importações brasileiras e apontam práticas comerciais como alvo de investigação

O governo dos Estados Unidos avançou mais uma etapa na disputa comercial com o Brasil ao propor a aplicação de uma tarifa de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros exportados para o mercado americano. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na noite desta segunda-feira (1º).

A proposta faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, mecanismo utilizado para apurar e responder a práticas consideradas desleais por parceiros comerciais. Alguns produtos classificados como estratégicos para a segurança nacional americana ficariam fora da nova cobrança.

Produtos brasileiros podem ficar isentos da tarifa

Entre os itens que poderão escapar das tarifas punitivas estão produtos como carne bovina, café, determinadas frutas, castanhas, especiarias, petróleo e minérios metálicos. Segundo o USTR, esses produtos se enquadram em categorias consideradas sensíveis para os interesses estratégicos dos Estados Unidos.

A proposta, no entanto, ainda não representa uma decisão definitiva. Antes da adoção de qualquer medida, o governo americano abrirá um período de consulta pública e promoverá audiências para ouvir empresas, entidades e representantes dos setores envolvidos.

O cronograma divulgado pelo governo americano prevê uma audiência pública no dia 6 de julho de 2026 para discutir as medidas propostas. Já o prazo legal para eventual adoção das chamadas “medidas corretivas” contra o Brasil termina em 15 de julho.

A expectativa do governo brasileiro, segundo informações já antecipadas por autoridades, era de que os Estados Unidos apresentassem uma recomendação de punição comercial, mas sem implementação imediata.

Governo americano aponta seis áreas de preocupação

O relatório do USTR sustenta que determinadas políticas brasileiras criam barreiras ou prejuízos ao comércio dos Estados Unidos. Entre os principais pontos destacados estão:

Comércio digital e meios de pagamento

Os EUA alegam que decisões da Justiça brasileira envolvendo plataformas digitais americanas impõem restrições consideradas excessivas. O documento também critica medidas que, segundo os americanos, favorecem concorrentes locais no setor de pagamentos eletrônicos.

Tarifas preferenciais para outros países

Outro ponto citado é a concessão de condições tarifárias mais favoráveis a produtos originários do México e da Índia em razão de acordos comerciais firmados pelo Brasil.

Combate à corrupção

O governo americano afirma que o Brasil não adota mecanismos considerados suficientes para prevenir e combater práticas de suborno e corrupção.

Proteção da propriedade intelectual

O relatório também aponta preocupações relacionadas ao combate à falsificação de produtos, à pirataria e à demora na análise de pedidos de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico.

Mercado de etanol

Os Estados Unidos afirmam que, desde 2017, o Brasil deixou de oferecer tratamento tarifário equilibrado ao etanol americano, comprometendo a reciprocidade comercial entre os dois países.

Desmatamento ilegal

O USTR argumenta que, embora exista legislação para combater o desmatamento ilegal, o Brasil ainda enfrenta dificuldades na aplicação efetiva dessas normas, o que gera impactos econômicos e comerciais.

EUA mantêm diálogo com o governo brasileiro

Em comunicado oficial, o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, afirmou que a investigação foi iniciada por solicitação do presidente Donald Trump para tratar de preocupações comerciais consideradas antigas e recorrentes.

Greer destacou que houve diversas reuniões entre autoridades americanas e brasileiras ao longo do último ano, mas reconheceu que permanecem divergências relevantes sobre os temas analisados. Apesar disso, ele afirmou esperar a continuidade das negociações antes da definição de eventuais sanções.

O que é a Seção 301

A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 é um instrumento utilizado pelo governo dos Estados Unidos para investigar práticas comerciais de outros países consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais aos interesses americanos.

Quando uma investigação conclui que determinadas políticas afetam o comércio dos EUA, o governo pode adotar medidas de retaliação, incluindo tarifas adicionais, restrições comerciais ou outras sanções econômicas.

Fonte: CNN Brasil e documento oficial do USTR.

Texto: Redação

Imagem: Arquivo

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