Portos

Porto de Salvador terá centro de controle para impulsionar inovação e tecnologia no setor portuário

O Porto de Salvador receberá uma estrutura voltada à pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica aplicada à Economia do Mar. A Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) e o Senai Cimatec firmaram um Termo de Compromisso para a cessão de uma área no complexo portuário, que será utilizada para atividades do Cimatec Mar e para a realização do curso de pós-graduação em Engenharia Portuária e Economia Azul.

A parceria pretende aproximar o setor portuário, a indústria e a academia, com foco no desenvolvimento de soluções tecnológicas para atividades ligadas ao ambiente marítimo.

Área de 710 m² receberá laboratório

O acordo prevê a utilização de uma área de aproximadamente 710 m² dentro do Porto de Salvador. O espaço será destinado à implantação de um laboratório que funcionará como Centro de Controle do Parque de Testes Subaquático.

A estrutura será integrada ao parque que está previsto para a Baía de Todos-os-Santos e terá como objetivo apoiar o desenvolvimento e os testes de tecnologias robóticas subsea voltadas à indústria offshore brasileira e internacional.

A assinatura do documento ocorreu durante a abertura do 2º Fórum Náutico Internacional da ANB. Participaram do evento o presidente da Codeba, Antonio Gobbo, a gerente do Porto de Salvador, Luanna Rios, e o diretor-geral do Senai Cimatec, Luis Brêda.

Bahia busca ampliar atuação em tecnologia marítima

Para Antonio Gobbo, a iniciativa amplia a participação da Bahia em projetos de tecnologia relacionados à indústria marítima e pode colocar o estado em uma posição de maior relevância nesse segmento.

Segundo o presidente da Codeba, a infraestrutura prevista é pouco comum no cenário internacional e a parceria pode contribuir para que o porto e o estado atuem como indutores de tecnologia e inovação em setores relacionados à Economia Azul.

A proposta envolve uma série de frentes, incluindo projetos de engenharia offshore e submarina, engenharia naval e náutica, além de iniciativas ligadas à Defesa e Segurança.

Entre as ações previstas está também a possibilidade de colaboração com a Marinha do Brasil e a implantação do Centro Nacional de Excelência Portuária.

Pós-graduação aproxima formação profissional e setor portuário

Outro eixo da parceria é o curso de pós-graduação em Engenharia Portuária e Economia Azul.

A formação foi planejada dentro de uma estratégia de aproximação entre conhecimento técnico, inovação e as necessidades da atividade portuária. A expectativa é contribuir para a capacitação de profissionais que atuarão em um setor cada vez mais integrado a áreas como engenharia, infraestrutura, tecnologia e atividades econômicas relacionadas ao mar.

O projeto amplia, dessa forma, o papel do ambiente portuário como espaço para qualificação profissional, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico.

Cimatec Mar terá foco em inovação para a indústria do mar

O diretor-geral do Senai Cimatec, Luis Brêda, destacou a importância da parceria com a Codeba para reunir infraestrutura portuária, acesso ao mar e capacidade tecnológica.

Segundo ele, o acordo representa uma etapa importante para a implantação do Cimatec Mar, que já está sendo estruturado com projetos de inovação voltados à indústria marítima brasileira.

A proposta é utilizar a nova estrutura para desenvolver tecnologias e soluções com potencial de aplicação em diferentes segmentos da indústria do mar, conectando pesquisa e inovação às demandas do setor produtivo.

Porto de Salvador amplia integração entre indústria, academia e inovação

A iniciativa reforça uma tendência de ampliar o uso da infraestrutura portuária para além das atividades tradicionais de movimentação de cargas.

Com o novo laboratório e os projetos associados ao Cimatec Mar, o Porto de Salvador poderá funcionar também como ambiente para pesquisa, formação especializada, testes tecnológicos e desenvolvimento de soluções para a Economia Azul.

A parceria reúne poder público, indústria, academia e setor portuário em torno de projetos voltados à inovação tecnológica e ao desenvolvimento de atividades econômicas relacionadas ao mar.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Internacional

Maasvlakte 2: megaprojeto criou 2.000 hectares de porto no Mar do Norte em Rotterdam

O Maasvlakte 2, em Rotterdam, é um dos maiores projetos de engenharia portuária da Europa. A iniciativa não ampliou uma área existente, mas criou 2.000 hectares de novo território portuário dentro do Mar do Norte, sobre sedimentos marinhos instáveis. A obra reposicionou fisicamente o porto em direção ao mar aberto e redefiniu a escala da infraestrutura logística europeia.

Obra criou território onde antes havia apenas mar

Diferentemente de expansões convencionais, o projeto resultou na criação de uma área equivalente a um grande distrito urbano, construída sem qualquer base de solo natural. Todo o terreno foi formado a partir de areia dragada, confinada por sistemas avançados de defesa costeira, capazes de garantir estabilidade, profundidade operacional e proteção permanente contra condições marítimas severas.

240 milhões de m³ de areia dragada do Mar do Norte

O volume de material movimentado é um dos principais indicadores da dimensão da obra. Foram dragados cerca de 240 milhões de metros cúbicos de areia, extraídos do próprio Mar do Norte e bombeados para dentro do perímetro do novo porto.

Esse processo exigiu rigor técnico elevado. A areia passou por controle de granulometria, deposição em camadas sucessivas, compactação hidráulica e monitoramento contínuo de recalques. Qualquer falha poderia comprometer grandes extensões do aterro.

Sistema de defesa costeira soma 11 quilômetros

Criar terra foi apenas parte do desafio. Para manter a nova área estável, a Maasvlakte 2 recebeu um contorno marítimo de aproximadamente 11 km, projetado para resistir a tempestades intensas, ondas de alta energia e à elevação do nível do mar ao longo de décadas.

O sistema combina dois tipos de proteção:

  • Defesa costeira “soft”, com praias artificiais e dunas, ao longo de cerca de 7,3 km
  • Defesa “hard”, composta por estruturas rígidas, em aproximadamente 3,5 km

Essa solução híbrida permite dissipar a energia das ondas de forma gradual, reduzindo o impacto direto sobre as estruturas rígidas.

Paredão marítimo consumiu 7 milhões de toneladas de rocha

A seção rígida da defesa costeira concentra alguns dos números mais expressivos do projeto. Para proteger apenas 3,5 km de costa, foram utilizadas cerca de 7 milhões de toneladas de rocha, além de 20 mil blocos de concreto projetados especificamente para dissipar a força das ondas.

Cada bloco, com várias toneladas, foi instalado com precisão milimétrica. O sistema inclui ainda cerca de 150 mil toneladas de argila, formando uma barreira multicamadas contra erosão e infiltrações.

Dragagem profunda prepara o porto para navios gigantes

A Maasvlakte 2 foi concebida para atender não apenas às demandas atuais, mas às futuras. Os acessos marítimos e bacias portuárias foram dragados até cerca de 20 metros abaixo do nível de referência holandês (NAP), profundidade suficiente para receber os maiores porta-contêineres do mundo sem restrições operacionais.

A dragagem envolveu escavações subaquáticas contínuas, controle rigoroso de taludes e gestão de sedimentos em ambiente marítimo aberto.

Quilômetros de cais e grande volume de concreto

Após a formação do aterro, o projeto avançou para a fase estrutural. Foram construídos cerca de 3,5 km de paredes de cais, consumindo aproximadamente 300 mil metros cúbicos de concreto.

Essas estruturas foram projetadas para suportar cargas extremas de guindastes, esforços de atracação e recalques diferenciais do solo ao longo do tempo, sem perda de desempenho estrutural.

Projeto incorporou o recalque como parte da solução

Ao contrário de obras convencionais, a Maasvlakte 2 partiu do princípio de que o solo iria se movimentar. O recalque do aterro foi previsto, calculado e incorporado ao dimensionamento das estruturas e ao cronograma do projeto.

Uma ampla rede de instrumentação geotécnica monitora continuamente o comportamento do solo, permitindo ajustes operacionais e estruturais ao longo da vida útil do porto.

Infraestrutura que redesenhou o mapa logístico europeu

Ao final, a Maasvlakte 2 representa um tipo extremo de engenharia pesada, em que o principal produto não é um edifício ou uma ponte, mas o próprio território. Um espaço que não existia foi criado, protegido por milhões de toneladas de rocha e sustentado por areia dragada, pronto para operar como uma das maiores plataformas logísticas do mundo.

Mais do que construir estruturas, o projeto literalmente inventou espaço, consolidando Rotterdam como um dos principais hubs portuários globais.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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