Sustentabilidade

Energia renovável no Brasil cresce e deve adicionar 9 GW em 2026

O Brasil deve registrar um forte avanço na energia renovável em 2026, com a instalação de 9.142 megawatts (MW) em nova capacidade elétrica. O volume, projetado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, representa um crescimento de 23,4% em relação ao ano anterior e equivale à geração de cerca de nove usinas do porte de Angra III.

Energia solar lidera expansão da matriz

A energia solar será a principal responsável pela expansão, com previsão de 4.560 MW adicionados — um salto de 61,7% frente a 2025. O ritmo indica que o país deve inaugurar, em média, uma usina solar de médio porte por dia útil ao longo do ano.

Já a energia eólica deve contribuir com 1.430 MW, abaixo do registrado no ano anterior, indicando uma desaceleração no segmento e uma mudança no protagonismo entre as fontes renováveis.

Termelétricas ainda têm peso relevante

Apesar do avanço das fontes limpas, as termelétricas fósseis seguem presentes na expansão da matriz, com previsão de 2.770 MW — quase 30% do total.

Outras fontes, como biomassa e pequenas centrais hidrelétricas, completam a expansão com participação menor, somando pouco mais de 300 MW.

Brasil mantém uma das matrizes mais limpas do mundo

O país já se destaca globalmente pela alta participação de fontes renováveis. Em janeiro de 2026, a capacidade instalada total chegou a 215,9 gigawatts (GW), sendo 84,63% provenientes de fontes limpas.

Esse percentual é mais que o dobro da média global, estimada em cerca de 40%, colocando o Brasil entre as matrizes energéticas mais sustentáveis do mundo.

Primeiro trimestre já indica forte crescimento

Os dados iniciais de 2026 reforçam a tendência de expansão. Apenas nos três primeiros meses do ano, foram adicionados 2.426 MW — o equivalente a 26,5% da meta anual.

Em março, a predominância foi ainda mais evidente:

  • 27 usinas inauguradas;
  • 25 delas solares;
  • mais de 1.100 MW vindos da fonte fotovoltaica.

Estados como Ceará, Bahia, Goiás e Pernambuco lideraram os novos projetos.

Geração distribuída amplia ainda mais a expansão

Vale destacar que os números oficiais consideram apenas a geração centralizada. A geração distribuída, com painéis solares instalados em residências, empresas e propriedades rurais, cresce paralelamente e não está incluída nesses dados.

Isso significa que a expansão real da energia solar no Brasil é ainda maior do que os números indicam.

Comparação internacional e desafios

Embora expressivo, o crescimento brasileiro ainda é menor que o de grandes potências. Países como China e Estados Unidos adicionam dezenas de gigawatts por ano.

Por outro lado, o Brasil já possui uma base renovável consolidada, o que reduz a necessidade de uma transição inicial e direciona o foco para a expansão e modernização do sistema.

Dependência de fontes fósseis ainda é necessária

A presença das termelétricas na expansão reflete uma necessidade técnica. Essas usinas garantem segurança energética em momentos de baixa geração hídrica, solar ou eólica.

No futuro, soluções como armazenamento por baterias podem reduzir essa dependência, mas a tecnologia ainda está em fase inicial no país.

Projeções podem variar

As estimativas para 2026 dependem da entrada efetiva das usinas em operação. Fatores como licenciamento ambiental, financiamento e condições climáticas podem impactar o resultado final.

Mesmo assim, o cenário aponta para a consolidação do Brasil como protagonista em energia limpa, com crescimento acelerado da solar e avanço contínuo das renováveis.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Sustentabilidade

Energia solar em Itaipu pode dobrar capacidade e impulsionar diversificação energética

A usina de Itaipu, localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai, vem ampliando suas pesquisas em energia solar fotovoltaica como alternativa complementar à geração hidrelétrica. O projeto utiliza o próprio reservatório da usina, que possui cerca de 1,3 mil km² de área, como base para instalação de painéis solares flutuantes.

O lago tem aproximadamente 170 km de extensão e largura média de 7 km, o que abre espaço para estudos sobre o aproveitamento do espelho d’água na produção de eletricidade.

Planta piloto utiliza menos de 10 mil m² do lago

O experimento em andamento conta com 1.584 painéis fotovoltaicos instalados em uma área inferior a 10 mil m², posicionados a cerca de 15 metros da margem paraguaia, em região com profundidade média de 7 metros.

A estrutura tem capacidade de gerar até 1 megawatt-pico (MWp), energia suficiente para abastecer cerca de 650 residências. Toda a produção é destinada ao consumo interno da usina e não está conectada ao sistema hidrelétrico principal.

Projeto funciona como laboratório de pesquisa

A chamada “ilha solar” de Itaipu tem caráter experimental e serve como plataforma de testes para futuras aplicações em escala maior. Os estudos envolvem desde a eficiência dos painéis até impactos ambientais, como comportamento de peixes, variação de temperatura da água e influência de ventos no desempenho da estrutura.

Também são avaliadas a estabilidade dos flutuadores, a fixação no solo e a durabilidade do sistema em ambiente aquático.

Potencial energético pode se aproximar da hidrelétrica

Segundo o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Rogério Meneghetti, o potencial teórico da tecnologia é significativo. Ele destaca que, caso cerca de 10% do reservatório fosse coberto por placas solares, a geração poderia se aproximar da capacidade de uma nova usina do porte de Itaipu.

Apesar disso, ele reforça que a hipótese ainda é distante e depende de diversos estudos técnicos e ambientais.

Integração com novas fontes e atualização do tratado

A expansão da energia solar em Itaipu também levanta discussões sobre o Tratado de Itaipu, firmado em 1973 entre Brasil e Paraguai, que regulamenta a operação da usina.

Estimativas preliminares indicam que a instalação de uma capacidade solar de 3 mil MW poderia levar cerca de quatro anos, o equivalente a aproximadamente 20% da potência atual da hidrelétrica.

O investimento inicial do projeto é de US$ 854,5 mil (cerca de R$ 4,3 milhões), executado por um consórcio binacional formado pelas empresas Sunlution (Brasil) e Luxacril (Paraguai).

Itaipu investe em múltiplas fontes de energia

A diversificação energética da usina vai além da solar. O complexo Itaipu Parquetec, em Foz do Iguaçu, desenvolve projetos em hidrogênio verde, baterias e biocombustíveis, consolidando um ecossistema de inovação em energia limpa.

Hidrogênio verde ganha destaque em pesquisas

No Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio, pesquisadores trabalham com a produção de hidrogênio verde por meio da eletrólise da água, processo que separa hidrogênio e oxigênio sem emissão de dióxido de carbono.

A tecnologia é considerada estratégica para setores como indústria química, siderúrgica, agrícola e transporte.

Segundo o gerente do centro, Daniel Cantani, o espaço funciona como plataforma de testes para empresas e instituições que desenvolvem soluções movidas a hidrogênio.

Um dos projetos já resultou na apresentação de um barco movido a hidrogênio durante a COP30, em Belém, utilizado em ações de coleta seletiva em comunidades ribeirinhas.

Pesquisa em armazenamento de energia avança

Outro eixo de inovação no Itaipu Parquetec envolve o desenvolvimento de sistemas de armazenamento energético, com foco em baterias e células protótipo. As pesquisas buscam soluções para garantir reserva de energia em instalações fixas e industriais.

Biogás transforma resíduos em combustível limpo

A usina também investe na produção de biogás e biometano a partir de resíduos orgânicos gerados internamente e materiais apreendidos em ações de fiscalização.

O processo de biodigestão transforma esses resíduos em energia utilizada em veículos dentro do complexo de Itaipu.

Em quase nove anos, mais de 720 toneladas de resíduos foram processadas, gerando combustível suficiente para percorrer cerca de 480 mil quilômetros — o equivalente a 12 voltas ao redor da Terra.

Futuro aponta para combustíveis avançados

Além do biogás, a planta experimental também desenvolve o bio-syncrude, um óleo sintético que pode ser usado na produção de SAF (combustível sustentável de aviação).

Para especialistas do setor, combustíveis como hidrogênio, SAF e biometano devem ganhar protagonismo na próxima década, impulsionados por novas legislações e metas de transição energética.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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Tecnologia

Carros elétricos avançam em Santa Catarina com alta do diesel e da gasolina

O aumento no preço do diesel e da gasolina no Brasil, influenciado pela volatilidade do petróleo e por tensões geopolíticas, tem acelerado a adoção de carros elétricos em Santa Catarina. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que o diesel acumulou alta de quase 20% desde fevereiro, enquanto a gasolina subiu 5,5%.

Esse cenário tem levado consumidores a buscar alternativas mais econômicas e sustentáveis, fortalecendo a eletromobilidade no país.

Frota de veículos eletrificados cresce no Brasil

Desde 2020, o uso de veículos elétricos e híbridos vem ganhando espaço entre motoristas brasileiros. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a frota nacional cresceu 26% em 2025, superando 230 mil unidades.

Em Santa Catarina, mais de 30 mil veículos eletrificados já circulam, representando cerca de 10% do mercado de veículos leves, com destaque para modelos 100% elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV).

Infraestrutura de recarga ainda é desafio

Apesar do crescimento, a expansão da infraestrutura de recarga elétrica ainda enfrenta limitações. O Brasil conta atualmente com cerca de 16 mil pontos públicos e semipúblicos, concentrados principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Mesmo em expansão, essa rede atende apenas cerca de 25% dos municípios, evidenciando um gargalo que demanda novos investimentos para acompanhar o avanço da frota elétrica.

Economia no uso favorece adoção

O fator econômico também pesa na decisão dos consumidores. O custo por quilômetro rodado com carros elétricos pode ser até 70% menor em comparação aos veículos a combustão.

Além disso, a menor dependência das oscilações do mercado internacional garante maior previsibilidade de खर्च, especialmente para quem percorre longas distâncias mensalmente.

Expansão de eletropostos acompanha demanda em SC

Em Santa Catarina, a rede de postos de recarga começa a se expandir para atender ao crescimento da demanda. Um dos exemplos é o Ecoposto Rudnik, que já opera unidades em cidades como Florianópolis, Balneário Camboriú, Santo Amaro da Imperatriz e Tubarão.

A estratégia inclui parcerias com redes varejistas e postos de combustíveis, integrando a recarga a atividades do dia a dia. A empresa projeta alcançar 50 unidades na região Sul até o fim de 2026, ampliando a cobertura e reduzindo lacunas na infraestrutura.

Energia solar reforça sustentabilidade do modelo

Outro destaque é a integração da energia solar aos sistemas de recarga. Parte dos eletropostos opera com geração própria por meio de usinas solares, alinhando a mobilidade elétrica à transição energética.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil já ultrapassa 30 GW de capacidade instalada em geração distribuída. Esse modelo reduz custos operacionais, diminui a dependência de fontes fósseis e contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

A combinação entre mobilidade elétrica e fontes renováveis aponta para uma transformação estrutural no setor, com impactos no consumo, na sustentabilidade e nos modelos de negócio.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC

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Importação

Imposto de importação sobe e encarece equipamentos solares; alíquota de inversores e BESS chega a 20%

Equipamentos utilizados em projetos de energia solar devem ficar mais caros no Brasil após decisão do Governo Federal, que elevou o imposto de importação sobre diversos produtos. A medida amplia a pressão sobre um setor que já enfrenta aumento nos custos de matérias-primas e o fim de incentivos fiscais concedidos anteriormente pelo governo chinês aos módulos fotovoltaicos.

Com a mudança, passam a ser diretamente impactados inversores, microinversores, sistemas de armazenamento de energia (BESS) e geradores fotovoltaicos importados com potência superior a 75 kW.

Repasse ao consumidor é considerado inevitável

Distribuidores de equipamentos fotovoltaicos ouvidos pelo Canal Solar avaliam que a elevação das alíquotas deve resultar em repasse integral ao preço final. Segundo empresários do setor, as margens de operação já são bastante estreitas, o que reduz a capacidade de absorver novos custos tributários.

Na avaliação de um dos entrevistados, qualquer aumento de imposto terá impacto direto no mercado. “Não há espaço para absorver esse custo. O aumento no preço final é certo”, afirmou.

Como funciona o realinhamento das alíquotas

A medida aprovada estabelece um realinhamento do Imposto de Importação para bens classificados como bens de capital (BK) e bens de informática e telecomunicações (BIT). De acordo com a nota técnica do governo, produtos com alíquotas inferiores a 7% passam a ser tributados em 7,0%; aqueles entre 7% e 12,6% sobem para 12,6%; e bens com alíquotas acima de 12,7% passam a pagar 20%.

Com isso, as tarifas se concentram em três faixas principais: 7,0%, 12,6% e 20,0%, mantendo exceções já aprovadas pelo Gecex para BK e BIT acima desse patamar, além de um grupo específico de produtos estratégicos voltados a datacenters.

Inicialmente, a proposta previa elevação para 7%, mas o Gecex decidiu ajustar para 7,2%, em conformidade com as regras da Tarifa Externa Comum.

Impacto vai além do setor de energia

As mudanças não se limitam ao segmento de energia solar. A decisão afeta todos os produtos enquadrados como BK e BIT, incluindo máquinas industriais, equipamentos elétricos, componentes eletrônicos, além de sistemas de automação e telecomunicações.

Na prática, o novo patamar tributário eleva os custos desses itens, com reflexos potenciais sobre investimentos, preços finais e decisões de compra em diversos setores da economia. As medidas foram aprovadas durante a 233ª Reunião Ordinária do Gecex e entram em vigor após publicação no Diário Oficial da União (DOU), prevista para os próximos dias.

Módulos fotovoltaicos permanecem com alíquota de 25%

Os módulos fotovoltaicos, cuja alíquota já havia sido recomposta anteriormente, não são atingidos pelo novo realinhamento e seguem tributados em 25%, já que a decisão do Gecex abrange apenas alíquotas de até 20%.

Segundo o comitê, produtos atualmente com alíquota zero e fora do regime de ex-tarifário só serão impactados a partir de 1º de março, prazo que permite aos importadores solicitar o enquadramento no regime especial.

FONTE: Canal Solar
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ilustração/IA

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Sem Categoria

China inaugura maior usina de armazenamento de energia por baterias do país

A China deu um novo passo na expansão do armazenamento de energia em larga escala com a entrada em operação da maior usina do país baseada em baterias de fluxo redox de vanádio. O empreendimento reforça a estratégia chinesa de integrar fontes renováveis e tecnologias capazes de garantir fornecimento contínuo de eletricidade.

Projeto entra em operação plena em Xinjiang

A China Three Gorges Corporation informou que a Usina de Armazenamento de Energia por Baterias de Fluxo Redox de Vanádio de Xinjiang Jimsar começou a operar plenamente em 2 de janeiro. O projeto está localizado no condado de Jimsar, na prefeitura de Changji, na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, e já é considerado o maior sistema desse tipo em funcionamento no território chinês.

A iniciativa representa um avanço relevante na aplicação de tecnologias de armazenamento de energia de longa duração, especialmente em regiões com grande potencial de geração solar.

Capacidade reforça aproveitamento da energia solar

A usina possui potência instalada de 200 mil quilowatts e capacidade de armazenamento de 1 milhão de quilowatts-hora. Integrado a um complexo fotovoltaico, o sistema permite armazenar o excedente de energia solar produzido durante o dia e devolvê-lo à rede elétrica nos períodos noturnos ou de maior demanda.

De acordo com a empresa, a solução deve aumentar em mais de 10% ao ano a taxa de utilização da usina solar associada ao projeto, além de acrescentar aproximadamente 230 milhões de quilowatts-hora de energia limpa ao sistema elétrico.

Como funcionam as baterias de fluxo redox de vanádio

As baterias de fluxo redox de vanádio operam por meio de reações químicas entre íons do metal em diferentes estados de oxidação. Nesse processo, a energia elétrica é convertida em energia química armazenada em um eletrólito líquido e, posteriormente, reconvertida em eletricidade de forma controlada.

Segundo Deng Fubin, gerente do projeto na filial da China Three Gorges em Xinjiang, a usina integra unidades de armazenamento, sistemas de conversão de energia e plataformas de controle. Durante a carga, ocorrem reações químicas que acumulam energia no eletrólito; na descarga, o processo é revertido para fornecer eletricidade estável à rede.

Tecnologia favorece aplicações de longa duração

Deng destaca que a tecnologia apresenta vida útil prolongada, alto nível de segurança e facilidade de expansão, características que favorecem projetos de armazenamento de energia em grande escala e por longos períodos. Esses atributos tornam as baterias de fluxo redox uma alternativa estratégica para complementar fontes renováveis intermitentes.

Operação em ambiente extremo no Deserto de Gobi

A usina está instalada no Deserto de Gobi, onde as temperaturas variam de -30 °C a 40 °C. Para assegurar o funcionamento em condições climáticas severas, a China Three Gorges adotou estruturas pré-fabricadas de aço e instalou os equipamentos em ambientes fechados.

Segundo a companhia, o sistema de controle térmico aplicado aos edifícios e aos equipamentos reduz riscos associados ao frio intenso, ao calor elevado e às frequentes tempestades de areia da região.

Modelo construtivo inédito no país

Para Ma Zongren, responsável pelo projeto Jimsar na Divisão de Gestão de Construção de Novas Energias da empresa, esta é a primeira usina de armazenamento de energia da China a utilizar estruturas de aço fechadas para abrigar os sistemas, o que amplia a estabilidade operacional ao longo de todo o ano.

Cadeia industrial do vanádio ganha impulso

Dados do setor mostram que a China concentra cerca de 72% da capacidade global de produção de vanádio, metal essencial para esse tipo de bateria. Desenvolvido com tecnologia nacional e direitos de propriedade intelectual próprios, o projeto fortalece toda a cadeia industrial das baterias de fluxo redox de vanádio, desde a fabricação de equipamentos até a integração de sistemas e o fornecimento de materiais.

Segundo a China Three Gorges, o modelo adotado em Jimsar pode servir de referência para a expansão de soluções de armazenamento de energia de longa duração em outras regiões do país.

FONTE: China 2 Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: China Three Gorges Corporation

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Importação

Brasil eleva imposto de importação e amplia taxa sobre carros elétricos e painéis solares até 2026

Governo retoma tarifas e eleva alíquotas para até 35%
O governo federal deu continuidade à política de retomada gradual do imposto de importação sobre veículos elétricos, híbridos e painéis solares, com alíquotas que podem chegar a 35% até julho de 2026. A medida marca uma mudança em relação ao período de incentivos fiscais adotado desde 2015 para estimular tecnologias sustentáveis no país.

A estratégia busca fortalecer a indústria nacional, ao mesmo tempo em que mantém um cronograma de transição para o mercado se adaptar às novas regras.

Fim gradual das isenções para veículos eletrificados
Desde janeiro de 2024, o governo iniciou a recomposição das tarifas de importação para veículos eletrificados. O cronograma prevê aumentos progressivos:

  • Veículos 100% elétricos
    • 10% em 2024
    • 18% a partir de julho de 2024
    • 25% em julho de 2025
    • 35% em julho de 2026
  • Veículos híbridos e híbridos plug-in
    • Alíquotas variáveis, também chegando a até 35% em 2026

O governo manteve cotas temporárias de importação com isenção parcial até 2027, permitindo uma adaptação gradual do setor automotivo.

Programa Mover e incentivo à produção nacional
A arrecadação gerada pelas novas tarifas será direcionada ao Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), voltado ao estímulo da produção nacional de veículos sustentáveis, inovação tecnológica e redução de emissões.

O objetivo é atrair investimentos e fortalecer a cadeia produtiva brasileira no setor automotivo, reduzindo a dependência de importações no médio e longo prazo.

Painéis solares também entram no novo regime tributário
Os módulos fotovoltaicos, majoritariamente importados da China — responsável por cerca de 99% das compras brasileiras —, também passam por mudanças tributárias.

  • Em 2024, as alíquotas variam entre 10,8% e 12%, após o fim de regimes especiais e isenções temporárias.
  • A partir de 2025 e 2026, a taxa pode chegar a 25% para importações acima das cotas estabelecidas.

A medida impacta diretamente o setor de energia solar, que vinha crescendo de forma acelerada nos últimos anos.

Setor solar critica impacto econômico e ambiental
A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) criticou o aumento das tarifas. Segundo a entidade, a mudança pode elevar o custo da energia, inviabilizar projetos e afetar investimentos estimados em R$ 97 bilhões, além de colocar em risco cerca de 25 GW em projetos.

Indústria nacional defende proteção contra concorrência externa
Por outro lado, entidades como a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) apoiam a decisão. O argumento é que as tarifas ajudam a equilibrar a concorrência com produtos estrangeiros subsidiados e estimulam a produção local de equipamentos e tecnologias limpas.

Impactos no mercado e próximos passos
A política de reoneração indica uma mudança estrutural na estratégia industrial brasileira, buscando conciliar sustentabilidade, desenvolvimento tecnológico e geração de empregos. No entanto, especialistas alertam que os efeitos sobre preços e investimentos precisarão ser monitorados de perto.

FONTE: Portal VV8
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal VV8

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Sustentabilidade

Brasil desperdiça 20% da energia renovável em 2025 e acende alerta no setor elétrico

O ano de 2025 marcou um contraste no setor elétrico brasileiro. Mesmo figurando entre os líderes globais em energia renovável, o país deixou de aproveitar uma parcela significativa da produção limpa. Ao longo do ano, 20,6% da geração solar e eólica foi desperdiçada, resultado de cortes operacionais e limitações do sistema — fenômeno conhecido como curtailment.

De acordo com o relatório Curtailment 2025: retrospectiva e projeção, da Volt Robotics, a energia não utilizada representou uma perda econômica superior a R$ 6 bilhões entre janeiro e dezembro.

Excesso de geração expõe fragilidades do sistema elétrico

Segundo o diretor-geral da Volt Robotics, Donato da Silva Filho, o volume desperdiçado não pode ser tratado como algo marginal. “Estamos falando de energia limpa que poderia abastecer residências, indústrias e hospitais, mas acabou sendo descartada”, afirma.

O estudo aponta que os cortes atingiram níveis inéditos em 2025, pressionando projetos renováveis e expondo fragilidades estruturais do sistema elétrico nacional. O problema ocorre, principalmente, no período da manhã, quando a geração solar atinge seu pico, especialmente entre 10h e 11h.

Curtailment cresce com expansão acelerada das renováveis

Segundo Donato, cerca de 50% dos cortes ocorreram por excesso de oferta, enquanto a outra metade foi causada por limitações da infraestrutura de transmissão. O avanço rápido da geração, sobretudo da solar distribuída, não foi acompanhado por investimentos proporcionais em redes e sistemas de escoamento.

“A geração cresceu muito rápido, mas a infraestrutura não acompanhou esse ritmo. O sistema atual não foi projetado para essa realidade”, explica.

Fenômeno estrutural e global

Para o professor Ivan Camargo, da Universidade de Brasília (UnB), o problema não é exclusivo do Brasil. “Esse é um desafio estrutural da transição energética. Está acontecendo no mundo todo”, afirma.

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que o país já soma cerca de 60 GW de capacidade solar e 33 GW de energia eólica, volume que supera a carga do sistema ao meio-dia. Segundo o especialista, não basta ampliar linhas de transmissão. “Não adianta levar energia para onde não há consumo naquele horário”, destaca.

Picos de corte e risco operacional

O relatório da Volt Robotics indica que os meses de agosto, setembro e outubro concentraram os maiores níveis de corte, com destaque para outubro, quando o desperdício atingiu cerca de 8.000 MW médios, equivalente à geração média da Usina de Itaipu.

Em novembro, houve alívio parcial, com redução para 4.600 MW médios, e em dezembro os cortes ficaram em torno de 1.700 MW médios. Ainda assim, o movimento foi considerado conjuntural, associado à redução da geração eólica no fim do ano.

Domingos se tornam ponto crítico do sistema

Os dados mostram que os domingos pela manhã concentram os momentos mais críticos, quando o consumo é menor e a oferta permanece elevada. Em 2025, foram identificados 16 dias críticos, nos quais mais de 80% da geração disponível chegou a ser cortada em determinados períodos.

“Existe risco real de colapso por excesso de energia. Se toda a geração centralizada for cortada e ainda houver sobra da geração distribuída, o sistema pode entrar em instabilidade”, alerta Donato.

Quem paga a conta do desperdício?

O tema ganhou destaque na reforma do setor elétrico sancionada em novembro. O debate gira em torno de quem deve arcar com os custos do curtailment. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que vetos presidenciais evitaram um repasse estimado em R$ 6 bilhões aos consumidores.

Segundo ele, apenas situações em que a energia não pode ser escoada por falhas de infraestrutura justificariam compensações aos geradores. “Quando o Estado não entrega a infraestrutura necessária, é legítimo indenizar o investidor”, declarou em entrevista ao programa Roda Viva.

Falta de sinais econômicos agrava o problema

Para o pesquisador Diogo Lisbona, da FGV-CERI, o Brasil carece de mecanismos que sinalizem corretamente onde e quando investir. “A geração distribuída não recebe sinais de preço ou localização. Isso distorce o sistema”, afirma.

Ele defende ajustes regulatórios, revisão das regras de compensação e maior integração com soluções de armazenamento de energia. “Sem essas mudanças, os cortes vão continuar crescendo”, avalia.

Medidas emergenciais e caminhos futuros

Diante do agravamento do cenário, a Aneel e o ONS aprovaram um Plano Emergencial para lidar com o excesso de geração. Entre as medidas está a ampliação da tarifa branca para grandes consumidores, incentivando o uso de energia em horários de menor custo.

A Volt Robotics destaca que a adesão ainda é baixa, mas considera o movimento um avanço institucional. Entre as soluções estruturais estão novas linhas de transmissão — especialmente ligando o Nordeste ao Sul e Sudeste — previstas para entrar em operação entre 2029 e 2030.

Além disso, o estudo aponta que mudanças simples no comportamento do consumidor, como deslocar o uso de equipamentos elétricos para o período da manhã, podem reduzir significativamente o desperdício.

“Não é consumir mais, é consumir melhor. Tarifas inteligentes, armazenamento e incentivos corretos são fundamentais para equilibrar o sistema e garantir uma transição energética segura”, conclui Donato.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Sustentabilidade

Leilão de energia renovável da China sinaliza desafios para desenvolvedores de energia solar

Os preços da energia solar no primeiro leilão provincial da China sob seu novo mecanismo de precificação de energia renovável foram tão baixos que poderiam desencorajar novos investimentos em projetos no país, disseram analistas.

O leilão da semana passada realizado na província de Shandong, considerado um termômetro para os leilões nacionais, sinaliza que os preços das energias renováveis no futuro serão mais baixos do que no sistema anterior — embora não necessariamente tão baixos quanto em Shandong, onde um excesso de investimentos em energia solar fez com que os preços caíssem.

Com base nos resultados, “eu não seria muito otimista em outras províncias, a menos que seja em províncias litorâneas com forte crescimento de (demanda de) energia”, disse Alan Lau, analista da Jefferies.

O leilão faz parte de uma reforma anunciada em fevereiro com o objetivo de introduzir uma precificação de mercado no maior produtor mundial de energia renovável.

Anteriormente, os projetos de energia renovável na China contavam com uma taxa de retorno garantida, vinculada ao preço de referência do carvão. Isso oferecia aos desenvolvedores uma previsibilidade valiosa, mas corria o risco de gerar investimentos excessivos.

A partir de junho, os operadores da rede de transmissão local concederão contratos para novos projetos de energia renovável com base em leilões que determinam um preço de liquidação conforme o maior lance, após selecionar as propostas da menor para a maior até que a meta de geração da província seja atingida.

Os geradores renováveis devem vender no mercado, mas serão compensados se o preço cair abaixo do preço de compensação do leilão, ou preço de exercício.

Shandong, uma das principais províncias para energias renováveis, foi a primeira a realizar leilões.

O preço de liquidação para a energia solar foi de 225 iuanes (US$31,58) por megawatt-hora (MWh), de acordo com uma reportagem da mídia estatal na sexta-feira, citando a operadora de rede de Shandong. Os desenvolvedores poderiam apresentar propostas entre 123 iuanes/MWh e 350 iuanes/MWh.

Os investidores teriam dificuldades para obter uma taxa de retorno aceitável a esse preço, disse Lau.

Muitos dos projetos de Shandong já estavam concluídos e, portanto, estavam “desesperados” para vender sua energia a uma taxa fixa, disse Lauri Myllyvirta, cofundador do Centre for Research on Energy and Clean Air, com sede em Helsinque.

O sistema oferece mais segurança do que a alternativa de vender no mercado spot de Shandong.

Fonte: Reuters

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Tecnologia

Volume de aves e suínos produzidos com energia solar pela BRF ultrapassa 60% em um ano

Apenas na produção de frangos, o índice subiu de 58% para 68% entre 2023 e 2024; além da vantagem ambiental, a migração tem gerado uma economia média de 95% no custo de energia elétrica aos produtores integrados

Como parte de uma estratégia estruturada para promover a transição para uma agropecuária de baixo carbono, a BRF, uma das maiores produtoras de aves e suínos do Brasil, aderiu à energia renovável tanto em suas unidades fabris como nas granjas de seus produtores integrados.

A implementação de painéis solares fotovoltaicos teve início em 2023, por meio de fornecedores estrangeiros, e desde então os resultados têm sido promissores tanto para a BRF, quanto aos quatro mil produtores integrados, distribuídos por sete estados brasileiros (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e na Turquia.

“Houve toda uma preparação para que a gente pudesse levar a esse integrado, mostrando para ele que aquilo, efetivamente, era benéfico, tanto do nosso ponto de vista, como um propósito de fazer uma produção que seja mais sustentável, mas também do ponto de vista da rentabilidade do negócio dele”, afirma Paulo Pianez, diretor global de sustentabilidade da BRF.

Entre 2023 e 2024, o volume de aves e suínos produzidos com energia solar pelos produtores integrados da BRF passou de 49% para 61%, um avanço de 24,5%. Considerando apenas a produção de frangos, o índice subiu de 58% para 68%.

Na produção de perus, o salto foi de 64% para 73%. Já na suinocultura, o avanço foi ainda mais expressivo: de 28% em 2023 para 51% em 2024. Segundo Pianez, os números equivalentes a 2025 serão fechados no fim do ano, mas a expectativa é de ganhos ainda mais expressivos.

Para se ter noção, o volume de energia solar gerado pelas granjas parceiras até agora tem capacidade para abastecer uma cidade com aproximadamente 230 mil habitantes – Hortolândia, no interior de São Paulo, por exemplo.

A adoção crescente da energia solar entre os integrados da BRF conta com apoio do convênio firmado com o Banco do Brasil, que oferece R$ 200 milhões em crédito com taxas reduzidas para financiamento de sistemas de energia solar. Além da vantagem ambiental, a migração tem gerado benefícios econômicos significativos, com uma economia média de 95% no custo de energia elétrica.

Metas de descarbonização

Em 2025, a BRF teve suas metas de descarbonização validadas pela Science Based Targets initiative (SBTi), tornando-se a primeira empresa do setor de alimentos no Brasil a ter metas aprovadas com base na nova metodologia FLAG, sigla em inglês para florestas, uso da terra e agricultura.

O compromisso da companhia é reduzir, até 2032, 51% das emissões diretas, que incluem fábricas, centros de distribuição e consumo de energia nas operações próprias, além de cortar em 35,7% as emissões indiretas, que representam cerca de 98% do total e abrangem toda a cadeia de valor.

Para além da energia solar, um outro campo que a BRF tem explorado e estudado sua viabilidade tem a ver com o uso de tecnologia para a transformação de dejetos suínos em biometano. “O gás biometano produzido pode se converter tanto em combustível para nossa frota, como também como combustível para mover geradores de energia”, exemplifica Pianez.

Fonte: Época Negócios

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