Negócios, Sem Categoria

Missão empresarial aproxima empresários brasileiros das oportunidades de negócios no Paraguai

A busca por novas oportunidades de negócios e caminhos para a internacionalização levou cerca de 20 empresários brasileiros a Ciudad del Este, no Paraguai, no ultimo dia 08 de setembro. Organizada pela CN Mercosul, a missão contou com o acompanhamento do ReConecta News, representado pela CEO Renata Palmeira, que esteve presente durante toda a programação.

Mais do que uma apresentação sobre vantagens tributárias, a proposta foi proporcionar aos participantes uma experiência prática sobre o ambiente empresarial paraguaio. A agenda incluiu encontros com especialistas em contabilidade, direito tributário e migração, além de visitas e apresentações de empresas que já investem no país.

“Nosso principal objetivo foi mostrar o Paraguai como ele realmente é. Mais do que falar sobre incentivos ou apresentar números, queríamos proporcionar aos empresários uma experiência presencial, com contato com o ambiente de negócios, empresas, profissionais e instituições locais, mostrando tanto as oportunidades quanto os desafios de empreender no país”, explica Jonathan Roger Linzmeyer, fundador e presidente da CN Mercosul.

Economia em crescimento e ambiente favorável

Um dos pontos apresentados durante a missão foi o cenário macroeconômico paraguaio. Segundo dados apresentados durante a programação, o país registrou crescimento de 6,6% do PIB em 2025 e tem projeção de expansão de 4,5% para 2026. A inflação interanual estava em 1,5%, enquanto a dívida pública correspondia a cerca de 39% do PIB.

Entre os diferenciais destacados estão a disponibilidade de energia proveniente de Itaipu e Yacyretá, uma estrutura tributária mais enxuta, legislação voltada à atração de investimentos e uma população jovem, com mão de obra competitiva.

A Lei de Maquila também vem despertando o interesse de empresas brasileiras. O regime permite industrializar produtos no Paraguai destinados à exportação, com tributação reduzida sobre o valor agregado local. Com novas regras estabelecidas em 2025 e regulamentadas em 2026, o mecanismo amplia as possibilidades para empresas que avaliam internacionalizar sua produção.

“O que percebemos é que o interesse pela internacionalização cresceu muito. Hoje, o empresário brasileiro já olha para o Paraguai não apenas como uma alternativa tributária ou de redução de custos, mas como uma plataforma para expansão, produção, distribuição e acesso a novos mercados”, afirma Jonathan.

Ciudad del Este concentra oportunidades

Na região de Ciudad del Este, o crescimento econômico se combina a uma forte demanda por moradia e serviços. Hoje existem 11 faculdades de medicina na cidade e região, com mais de 18 mil alunos matriculados, muitos deles brasileiros.

A área que reúne Ciudad del Este, Hernandarias, Presidente Franco, Minga Guazú e Los Cedrales soma aproximadamente 586 mil habitantes, segundo o Censo de 2022, formando o segundo maior aglomerado urbano do Paraguai.

Esse movimento também está relacionado à expansão industrial e logística. A Rota Bioceânica de Capricórnio, que conecta os portos do Pacífico aos portos brasileiros do Atlântico, e a chamada Rota da Proteína colocam o Paraguai em uma posição estratégica para o transporte de cargas e a integração regional.

Investimentos acompanham transformação da região

Durante a missão, os empresários conheceram projetos da Axial Constructora, entre eles o Residencial Del Sol, em Minga Guazú, e o Parque Integración, empreendimento logístico apresentado como o primeiro parque Triple A do Paraguai.

O Residencial Del Sol possui 248 lotes e está localizado no KM 14 de Minga Guazú, entre Ciudad del Este e o corredor industrial. O projeto conta com estrutura de lazer e sistema próprio de tratamento de água e esgoto.

Para Fernando Parra, da Axial, os empreendimentos refletem uma transformação que já está em curso no Alto Paraná. “Os projetos da Axial ajudam a mostrar uma transformação que já está acontecendo no Alto Paraná. O crescimento da região não está acontecendo apenas no comércio. Estamos vendo uma evolução simultânea na demanda por moradia, na instalação de empresas e na necessidade de uma infraestrutura logística mais moderna”, explica.

Segundo Parra, o Residencial Del Sol acompanha uma nova demanda habitacional provocada pela chegada de empresas, investimentos e profissionais à região. O empreendimento é apresentado como o primeiro condomínio fechado do Paraguai com sistema próprio de tratamento de água e esgoto, com ETE e ETA.

Já o Parque Integración foi apresentado como um projeto voltado à crescente demanda por infraestrutura logística. O empreendimento prevê 34 galpões, com módulos de 1.250 a 1.500 metros quadrados, em uma área total de 43 hectares e a cerca de 10 quilômetros da nova Ponte da Integração.

Decisão precisa ser baseada em números

Apesar das oportunidades apresentadas, a CN Mercosul reforçou durante a missão que a decisão de internacionalizar uma operação não deve ser tomada apenas com base em incentivos fiscais ou custos aparentemente menores. “Antes de investir, é fundamental realizar um estudo de viabilidade completo, analisando tributação, logística, custos operacionais, estrutura societária, mercado, legislação, mão de obra, incentivos aplicáveis e, principalmente, as projeções financeiras da operação. Nós defendemos que o empresário tenha um DRE projetado e números concretos antes de tomar a decisão”, destaca Jonathan.

Segundo ele, o Paraguai apresenta oportunidades relevantes, mas cada projeto precisa ser analisado individualmente. “Internacionalização precisa ser uma decisão empresarial baseada em dados e estratégia, e não simplesmente uma mudança de endereço em busca de benefícios fiscais”, resume.

Nesse cenário, a missão acompanhada pelo ReConecta mostrou um Paraguai que busca se posicionar não apenas como alternativa tributária, mas como um mercado em transformação, impulsionado por crescimento econômico, investimentos, infraestrutura, logística e integração regional.

TEXTO E IMAGENS: ReConecta News

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Internacional

Macron sinaliza assinatura do acordo UE–Mercosul para o dia 20, dizem empresários brasileiros

A expectativa pela assinatura do acordo UE–Mercosul ganhou novo impulso após empresários brasileiros relatarem que o presidente francês, Emmanuel Macron, indicou o dia 20 como data possível para a conclusão do trato comercial. A sinalização ocorreu durante encontros realizados em Paris nesta quinta-feira (27), dentro da programação do Lide, fórum empresarial fundado por João Doria.

Reunidos no Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros, representantes de grandes companhias e líderes políticos discutiram parcerias estratégicas, taxação de produtos brasileiros e entraves que ainda travam o acordo birregional. No período da tarde, parte dos executivos foi recebida por Macron para aprofundar o diálogo.

Resistências francesas continuam no debate

Apesar do otimismo, a resistência da França permanece como principal obstáculo. Pressionado por agricultores, Macron tem adotado uma postura mais conservadora em relação ao tratado — posição já demonstrada durante a visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Paris e em encontros internacionais como a COP30, em Belém.

O ex-presidente Michel Temer, presente ao evento, voltou a cobrar a conclusão das negociações. Ele lembrou que, durante sua gestão, houve forte empenho dos países do Mercosul para finalizar o acordo, mas entraves do setor agrícola francês dificultaram o processo.

Temer ressaltou que, após duas décadas de tratativas, o entendimento deveria ter sido alcançado há anos, e afirmou acreditar no esforço conjunto de Macron e Lula para finalizar o texto.

Expectativa por assinatura ainda em dezembro

A ex-ministra Kátia Abreu, defensora histórica da aproximação entre os blocos, também demonstrou otimismo. Ela afirmou aguardar a conclusão do acordo há 15 anos e reforçou que a data de 20 de dezembro, proposta por Lula, pode finalmente marcar a formalização do pacto.

Para Kátia, o tratado representaria um avanço estratégico para o Brasil, para o Mercosul e para os europeus, quebrando um período prolongado sem novos acordos comerciais. Segundo ela, o entendimento ajudaria a “tirar a Europa do isolamento” e ofereceria ganho econômico para ambos os lados.

Produtores franceses buscam garantias

O presidente da JBJ Agropecuária, José Batista Júnior, destacou que a missão brasileira busca tranquilizar o governo francês e seus produtores rurais quanto à concorrência com o agronegócio brasileiro. Ele afirmou que o objetivo é mostrar que o comércio entre os blocos pode contribuir para estabilidade de preços, controle da inflação e equilíbrio nas importações e exportações.

Kátia Abreu também reconheceu que setores brasileiros podem sentir impactos, citando especialmente os produtores de vinho, preocupados com o aumento da competitividade dos rótulos franceses — amplamente apreciados no mercado nacional.

Energia, tecnologia e sustentabilidade em pauta

Além da discussão comercial, o fórum empresarial abordou temas como transição energética, minerais estratégicos, segurança alimentar, sustentabilidade e potencial tecnológico. Entre as autoridades francesas presentes estavam representantes de empresas como a Engie, além da ministra da Francofonia, Eleonore Caroit, e da presidente do Conselho Regional de Île-de-France, Valérie Pécresse.

Pécresse reforçou que França e Brasil precisam de uma parceria mais robusta, construída sobre equilíbrio e benefícios mútuos.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/DC News

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