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Representatividade da Mulher no Comércio Exterior e as barreiras existentes em sua trajetória profissional


Muito se discute sobre o empoderamento feminino, mas a distância entre o discurso e a prática ainda se reflete na escassez de mulheres em posições de destaque. No Comércio Exterior, esse desafio de equidade na liderança permanece latente.

Hoje as mulheres são mais atuantes e a representatividade cresceu, mas o acesso a cargos gerenciais continua restrito, mantendo a maioria na área operacional do Comércio Exterior. Embora existam escolhas pessoais e fatores como a autossabotagem, o que mais desafia o mercado é a existência da ‘barreira de gênero’. É inquietante notar quantas mulheres altamente competentes, com total capacidade e desejo de liderar, acabam encontrando obstáculos estruturais no caminho rumo ao topo.

No Brasil, as mulheres possuem, em média, maior nível de escolaridade que os homens. Contudo, quando analisados trabalhadores com ensino superior completo, a distância salarial em vez de diminuir, aumenta. Em cargos de alta qualificação, o homem chega a receber até 35% mais desempenhando funções equivalentes.

O indicador de remuneração média mensal das mulheres equivale a cerca de 80,7% da recebida pelos homens. Conforme estudos a pirâmide organizacional (cargos de diretoria, gerência e gerência operacional de Comércio Exterior, por exemplo), a diferença na composição da remuneração total — que engloba bônus, comissões e gratificações — se alarga expressivamente em favor dos homens.

Embora os índices de capacitação e escolaridade feminina superem com frequência os masculinos, essa excelência acadêmica ainda não se reflete na equidade profissional. O caminho a ser trilhado pelas mulheres continua repleto de obstáculos, perpetuando uma realidade de cargos e salários inferiores aos de seus pares homens.

Os desafios da trajetória feminina ganham uma complexidade ainda maior com a maternidade — um momento frequentemente cercado de vieses e discriminação no mercado. No entanto, equilibrar a vida pessoal e a profissional é uma das grandes marcas da competência feminina. Longe de reduzir a capacidade de entrega, a maternidade frequentemente impulsiona uma nova versão dessa profissional, potencializando sua resiliência, liderança e determinação. Em uma realidade onde o protagonismo feminino sustenta grande parte dos lares brasileiros, a maternidade é um motor de força, e nunca uma limitação. 

Para além das barreiras que cercam as mulheres no mercado interno, as profissionais de Comércio Exterior enfrentam um desafio geopolítico único: a barreira cultural. Em mesas de negociação globais, muitas executivas ainda se deparam com culturas, costumes ou preceitos religiosos que rejeitam a liderança feminina, exigindo delas uma resiliência e uma inteligência estratégica em dobro para consolidar negócios em países onde o protagonismo da mulher ainda é contestado.

Mas essas barreiras estão sendo quebradas. A trajetória recente da Secretária do MDIC, Tatiana Prazeres, em mesas de negociações internacionais de alto nível, ilustra perfeitamente como a liderança e a autoridade feminina vêm desbravando e redefinindo esses espaços. Ela é a prova de que o topo do comércio internacional também é lugar de mulher.

Mesmo com alto grau de instrução, qualificação e conhecimento de mercado, a mulher enfrenta a constante pressão de ter que provar sua capacidade a todo instante — seja para a sociedade, para seus colegas de profissão, superiores ou em mesas de negociação. Essa é uma realidade diária e incansável. A disparidade de gênero é um fato real. Cabe a nós mulheres continuarmos firmes na busca pelo nosso espaço e pela igualdade, mas temos a clareza de que não podemos encarar essa jornada sozinhas.

Para que possamos, de fato, transformar o mercado e expandir a representatividade feminina no Comércio Exterior, o caminho começa na nossa própria rede. É por isso que fortalecemos o Grupo das Divas do COMEX & LOG: para que nenhuma de nós precise caminhar sozinha. O que podemos fazer hoje é nos unirmos em uma rede de apoio mútuo, nos espelhando e nos inspirando em lideranças que já desbravaram o caminho e conquistaram seu espaço. Juntas, nós não apenas ocupamos lugares; nós abrimos portas para as próximas que virão. Vamos evoluir, conectar e liderar!

Para que possamos avançar com base em dados reais e transformar esse cenário, convido todas as mulheres da nossa área a responderem ao nosso questionário. A sua voz é fundamental para construirmos conteúdos ainda mais qualificados, abrirmos portas para oportunidades de networking estratégico e gerarmos negócios direcionados ao fortalecimento do público feminino no setor.

Acesse o link, participe e vamos construir o futuro do nosso mercado juntas!

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSctmw9KunZwX5gtkMAOFNY6CCTZqN5RB9Qmd3owQ_Ezhqfizg/viewform?usp=publish-editor

Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

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Portos

Portonave aumenta presença de mulheres na liderança e setores operacionais 👷🏾‍♀️

O Terminal Portuário registrou crescimento de 50% no número de gestoras, 13% na manutenção e engenharia, e 10% na área operacional no último ano, em relação a 2024 🚢

No contexto do setor portuário nacional, a presença feminina chega a 17%. Essa representatividade ainda é baixa, mas, aos poucos, esse é um cenário que está em transformação. Na Portonave, primeiro terminal portuário privado de contêineres do país, a participação da mulher chega a 20%, de um total de 1,3 mil profissionais. Para ampliar essa proporção, a empresa realiza busca ativa por mulheres e desenvolve iniciativas e benefícios voltados à permanência delas. Como resultado desses esforços, em 2025 a participação feminina avançou em diferentes áreas.

A busca ativa ocorre principalmente na operação e manutenção, historicamente masculinizadas e que já registram maior participação feminina. Em comparação com 2024, houve crescimento de 13% nos setores de manutenção, manutenção civil e engenharia, além de aumento de 10% na operação. Esses departamentos, juntos, contam com aproximadamente 120 mulheres.

Para as profissionais, o segmento portuário oferece importantes perspectivas de desenvolvimento. Meiriele Schneider, Operadora de Armazém na Iceport – câmara frigorífica da Portonave – destaca que vê muitas oportunidades para as mulheres na área. “Acredito que, em breve, poderei alcançar um cargo melhor pelas oportunidades que possuo no setor”, afirma ela que está há cinco meses na empresa.

Maria de Araújo, Operadora de Gate, complementa que, também na área, as oportunidades de crescimento para as mulheres são muitas. “Nosso Gate, local de entrada e saída de caminhões, é formado por 64% de mulheres, sendo 35 mulheres e 19 homens, e espero evoluir ainda mais”, diz.

A presença delas também está no cais e no pátio de contêineres. Tereza Maria, Auxiliar de Movimentação Portuária, ressalta o significado dessa inclusão: “representa muito para mim, algo que antes parecia inimaginável”. Maria de Oliveira, Operadora de Veículo Portuário, reforça o compromisso diário delas com a excelência. “A cada dia busco aprimorar o que faço, que é movimentar contêineres por meio da Terminal Tractor, carreta utilizada nas operações”, completa.

Um recorte dos últimos cinco anos demonstra que, de apenas quatro gestoras, a companhia passou para 16. Apenas no último ano, na comparação com 2024, o quadro de gestoras aumentou 50%. A presença feminina em posições estratégicas é fundamental para consolidar essa evolução. Recém-promovida a Supervisora Administrativa, Andreza de Oliveira destaca os desafios. “Trabalhar no ambiente portuário é desafiador, e é essencial que tenham oportunidades para que mulheres ocupem cargos de liderança, com políticas e iniciativas inclusivas”, afirma.

Além disso, a empresa também tem ampliado a inclusão de pessoas com deficiência. Carla Macena, Massoterapeuta com deficiência visual, foi capacitada e contratada pelo Terminal Portuário. “Estar neste ambiente me trouxe dignidade e valorização, com respeito às pessoas”, afirma. Atualmente, integra a equipe de massoterapeutas e oferece quick massages aos profissionais, como parte do Programa Saúde em Equilíbrio.

Para sustentar esses avanços e promover um segmento mais inclusivo, a companhia desenvolve diversas ações por meio do Programa de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). Entre as iniciativas, está o Programa de Apoio à Maternidade, que oferece suporte às gestantes desde a confirmação da gravidez até o período após o retorno ao trabalho – com o acompanhamento dessa nova fase da vida profissional da mulher, nos papéis de profissional e mãe, assim como na adaptação da criança – a adesão ao Programa Empresa Cidadã, com licença-maternidade para seis meses e licença-paternidade de 20 dias, auxílio-creche e palestras e rodas de conversa sobre temas relevantes, como assédio, no ambiente de trabalho.

Para a liderança feminina, há oportunidades de treinamentos internacionais, como o Programa LIFE, realizado no Panamá com o foco em lideranças femininas no setor, e a formação APEC pela Autoridade Portuária na Antuérpia, na Bélgica.

Sobre a Portonave
A empresa está localizada em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, e iniciou suas atividades em 2007, como o primeiro terminal portuário privado do Brasil. No ranking nacional, em 2025, a Portonave é a 4ª colocada na movimentação de contêineres cheios de longo curso no país, com 9% de participação, de acordo com o Datamar. Atualmente, gera 1,3 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos. A companhia figura como a 8ª melhor empresa de grande porte para se trabalhar em Santa Catarina, segundo o Great Place to Work (GPTW) 2025.

FONTE E IMAGENS: Assessoria de Imprensa Portonave

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Internacional

China anuncia investimento de US$ 110 milhões para fortalecer o desenvolvimento feminino global

O presidente da China, Xi Jinping, anunciou nesta segunda-feira (13) um investimento de US$ 110 milhões voltado à promoção do desenvolvimento feminino em escala global. O anúncio foi feito durante o evento que celebrou os 30 anos da 4ª Conferência Mundial sobre Mulheres da ONU, realizado em Pequim, com a presença de líderes internacionais, entre elas a ex-presidente Dilma Rousseff, atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS.

O pacote inclui uma doação de US$ 10 milhões à ONU Mulheres e US$ 100 milhões ao Fundo de Desenvolvimento Global e Cooperação Sul-Sul, com o objetivo de financiar projetos dedicados ao empoderamento de mulheres e meninas, em parceria com organizações internacionais.

Quatro eixos para avanço dos direitos femininos

Durante o evento, promovido em conjunto pela ONU e pelo governo chinês, Xi Jinping apresentou quatro diretrizes para fortalecer os direitos das mulheres em todo o mundo:

  1. Garantir um ambiente de paz e estabilidade, protegendo mulheres em regiões afetadas por conflitos;
  2. Ampliar o desenvolvimento de alta qualidade, com inclusão feminina nas oportunidades geradas pela modernização global e pelas novas revoluções tecnológicas e industriais;
  3. Aprimorar sistemas de governança e leis para proteger os direitos e interesses femininos;
  4. Fortalecer a cooperação internacional para consolidar uma governança global voltada às mulheres.

Avanços internos e impacto social

Xi também destacou os progressos da China nas últimas décadas. Desde 1995, o país reduziu em quase 80% a mortalidade materna e alcançou indicadores de saúde materno-infantil comparáveis aos de nações de renda média e alta. Além disso, 690 milhões de mulheres foram retiradas da pobreza no período.

“O empoderamento feminino tem avançado de forma significativa. O nível de escolaridade das mulheres aumenta continuamente, e elas ocupam papéis cada vez mais relevantes nos âmbitos econômico, político, cultural e social”, afirmou o presidente chinês.

Atualmente, as mulheres representam mais de 40% da força de trabalho chinesa. Globalmente, 189 países já ratificaram a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, e mais de 190 nações aprovaram cerca de 1.600 leis voltadas à defesa dos direitos femininos.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Exterior

Participação feminina no comércio internacional ganha força com apoio do MDIC

Participação feminina no comércio internacional ganha força com apoio do MDIC

Brasília foi palco de um importante avanço na inclusão de gênero no comércio exterior, durante o 11º Encontro da Convergência Empresarial de Mulheres do Mercosul (CEMM), realizado em 8 de outubro. A secretária em exercício de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Daniela Matos, destacou o compromisso do governo federal em ampliar a presença feminina nas exportações brasileiras e incorporar a pauta de gênero nos acordos comerciais.

Diagnóstico revela desafios e avanços na liderança feminina

Segundo Daniela Matos, fortalecer a participação das mulheres no comércio internacional é uma das prioridades da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Um estudo realizado pela Secex em 2023 revelou que apenas 14% das empresas exportadoras brasileiras tinham liderança feminina em sua composição societária. Embora um novo levantamento divulgado em 2025 indique avanços, os obstáculos ainda são significativos.

“Esse diagnóstico nos mostrou o tamanho do desafio. As mulheres continuam sendo minoria entre as exportadoras e enfrentam barreiras maiores que os homens. Por isso, o MDIC passou a tratar o tema como prioridade, com iniciativas como o programa Elas Exportam e a inclusão da perspectiva de gênero em acordos comerciais”, afirmou Daniela.

Acordo Mercosul–União Europeia inclui capítulo sobre empoderamento feminino

Um dos destaques do evento foi a menção ao novo capítulo do Acordo Mercosul–União Europeia, que trata especificamente de comércio e empoderamento feminino. O texto prevê ações de cooperação, intercâmbio de experiências e políticas voltadas à ampliação da participação das mulheres no comércio internacional.

“Esses dispositivos são fundamentais para garantir que os benefícios do acordo cheguem às empresas brasileiras, especialmente aquelas lideradas por mulheres. A diversidade precisa estar refletida no comércio exterior, promovendo oportunidades mais justas e inclusivas”, completou Daniela.

Lideranças do Mercosul celebram protagonismo feminino

A coordenadora executiva da Convergência Empresarial de Mulheres do Mercosul, Laura Velásquez, classificou a inclusão da pauta de gênero como um marco histórico. “As mulheres empresárias têm papel essencial na economia dos nossos países. É fundamental que elas também ocupem espaço nos acordos comerciais. Esse novo capítulo é um avanço significativo”, declarou.

O embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, também participou do painel e destacou o progresso nas negociações do acordo entre os blocos. “As disciplinas jurídicas estão compatibilizadas e há disposição total do Mercosul para que o acordo entre em vigor ainda sob a presidência brasileira”, afirmou.

Evento reúne lideranças femininas do setor produtivo

O painel de abertura do CEMM, com o tema “Atualizações sobre o Acordo Mercosul–União Europeia”, foi conduzido por Lilian Schiavo, diretora executiva da Convergência Empresarial de Mulheres do Brasil. O encontro reuniu empresárias da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, além de representantes governamentais, instituições financeiras e entidades do setor produtivo.

FONTE: Com informações de Agência Gov, Conexão Maríliaconexaomarilia.com.br e Rádio Itatiaia.
TEXTO: REDAÇÃO

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