Comércio Exterior

CNA pede medidas contra União Europeia após embargo à carne brasileira

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao governo federal medidas de resposta ao embargo da União Europeia à carne brasileira, anunciado pelo bloco nesta semana. A entidade também pediu ao Ministério da Agricultura uma investigação sobre a qualidade do azeite de oliva importado e comercializado no Brasil.

CNA quer reação ao embargo europeu

Em ofício encaminhado ao Itamaraty, o presidente da CNA, João Martins, pediu que o governo acione o Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões (MRC) em resposta à decisão europeia de suspender as compras de carne do Brasil.

Segundo a entidade, o mecanismo permitiria ao país buscar uma recomposição do equilíbrio comercial por meio de compensações equivalentes. Entre as possibilidades está a suspensão de concessões tarifárias concedidas ao bloco europeu.

A medida ocorre após a União Europeia confirmar que interromperá, a partir de quinta-feira, as importações de carne brasileira. O bloco argumenta que o Brasil não teria assegurado o cumprimento das regras europeias relacionadas ao uso de substâncias antimicrobianas.

Exportações de carne para a UE movimentam US$ 1,8 bilhão

A CNA argumenta que o embargo poderá gerar impactos relevantes para o setor agropecuário brasileiro. O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e de frango.

De acordo com dados do governo, as exportações brasileiras de carne bovina e de frango para a União Europeia somaram aproximadamente US$ 1,8 bilhão no ano passado.

Para a confederação, o potencial prejuízo ao comércio de produtos de origem animal justifica a adoção de medidas para restabelecer o equilíbrio nas relações comerciais com o bloco.

Entidade pede investigação sobre azeite importado

Paralelamente à reação ao embargo, a CNA solicitou ao Ministério da Agricultura uma investigação sobre o azeite de oliva importado e vendido no mercado brasileiro.

O pedido tem como objetivo verificar se os produtos comercializados atendem aos requisitos nacionais de identidade, qualidade e classificação estabelecidos pela legislação.

Embora o comunicado da CNA sobre o azeite não cite diretamente a União Europeia, o bloco europeu é responsável pela ampla maioria das importações brasileiras do produto. Em 2025, cerca de 89% das quase 90 mil toneladas de azeite importadas pelo Brasil tiveram origem na UE, principalmente em Portugal, Espanha e Itália.

CNA questiona classificação de azeites extravirgens

No documento enviado ao ministro da Agricultura, André de Paula, João Martins pediu que sejam verificadas eventuais diferenças entre a classificação declarada na importação e as características efetivamente encontradas nos produtos disponíveis para os consumidores brasileiros.

A preocupação da entidade está concentrada especialmente nos azeites comercializados como extravirgens.

Segundo a CNA, a entrada no mercado nacional de produtos que não correspondam à classificação informada poderia gerar uma vantagem competitiva indevida aos importadores e prejudicar a valorização da produção brasileira.

As importações de azeite provenientes da União Europeia movimentaram cerca de US$ 540 milhões no ano passado, valor inferior ao registrado nas exportações brasileiras de carnes para o bloco.

Até o momento, os Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores não haviam se manifestado sobre os pedidos da CNA.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Comércio Exterior

Embargo à carne bovina brasileira entra na pauta de diálogo entre Brasil e União Europeia durante o G7

A suspensão das exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia (UE) ganhou espaço nas discussões paralelas à cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. Representantes europeus e brasileiros buscam uma solução negociada para o impasse sanitário que poderá afetar o comércio entre as duas partes a partir de setembro.

O tema foi confirmado pelo presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, que destacou a importância do diálogo entre os envolvidos para superar divergências relacionadas às exigências sanitárias do bloco europeu.

União Europeia questiona padrões sanitários da carne brasileira

A controvérsia teve início após a Comissão Europeia retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina para o mercado europeu. A decisão foi anunciada pouco depois do início da aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

Segundo autoridades europeias, a medida está relacionada ao cumprimento das normas referentes ao uso de antimicrobianos na produção pecuária, requisito considerado essencial para o acesso ao mercado europeu.

Antonio Costa reforçou que o respeito aos padrões sanitários é indispensável e lembrou que as negociações estão sendo conduzidas pela Comissão Europeia, responsável pela execução das políticas do bloco.

Lula busca avanço nas negociações durante a cúpula

A expectativa do governo brasileiro é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trate do assunto diretamente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante encontros realizados à margem do G7.

Embora o encontro bilateral ainda não tenha sido oficialmente confirmado, o embargo à carne brasileira é considerado uma das prioridades da agenda diplomática do Brasil durante o evento.

O país participa da reunião como convidado, apesar de não integrar o grupo formado por Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Japão, Canadá e Itália.

Participação do Brasil é vista como estratégica

Para Antonio Costa, a presença brasileira no encontro reforça a relevância do país nos debates globais. Segundo ele, desafios como desequilíbrios macroeconômicos, desenvolvimento sustentável, inteligência artificial e cooperação internacional exigem participação ampla e articulação entre diferentes economias.

Esta é a décima vez que o Brasil participa de uma reunião de líderes do G7 como convidado.

Conflitos internacionais dominam a agenda do encontro

Além das negociações comerciais, a cúpula tem como foco principal as tensões geopolíticas internacionais. O conflito no Oriente Médio e a guerra na Ucrânia concentram boa parte das discussões entre os chefes de Estado.

Durante sua passagem pela França, Lula também se reuniu com o presidente francês Emmanuel Macron. Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou das atividades do encontro em meio às recentes movimentações diplomáticas relacionadas ao Oriente Médio.

Reabertura do Estreito de Ormuz mobiliza líderes mundiais

Um dos temas mais sensíveis debatidos durante a cúpula é a retomada da navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e mercadorias.

Autoridades internacionais acompanham os desdobramentos do acordo que encerrou o conflito envolvendo o Irã e discutem medidas para garantir a segurança marítima na região.

Macron afirmou que países europeus estudam apoiar operações para remover minas instaladas durante os confrontos e acelerar a normalização do tráfego marítimo. O líder francês também demonstrou preocupação com a possibilidade de cobrança de taxas adicionais para embarcações que utilizem a passagem, alertando para os impactos que a medida poderia gerar no comércio internacional.

Economia global e comércio exterior seguem no centro dos debates

Além dos conflitos geopolíticos, os líderes do G7 discutem temas ligados à economia global, segurança de cadeias produtivas, fornecimento de minerais críticos, comércio internacional e regulação digital.

Nesse cenário, a negociação entre Brasil e União Europeia sobre a carne bovina brasileira é vista como um dos temas relevantes para o futuro das relações comerciais entre o Mercosul e o bloco europeu.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Internacional

União Europeia e Brasil negociam fim de embargo à carne bovina durante encontro do G7

A União Europeia e o Brasil iniciaram tratativas para encontrar uma solução para o impasse envolvendo a suspensão das exportações de carne bovina brasileira ao bloco europeu. A medida, prevista para entrar em vigor em setembro, está sendo discutida paralelamente à realização da cúpula do G7, na França.

A informação foi confirmada pelo presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, que participa do encontro ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o diálogo entre as partes representa um caminho construtivo para resolver divergências comerciais.

Questões sanitárias motivaram a decisão europeia

A restrição foi anunciada pouco depois da implementação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, iniciada em maio. Na ocasião, autoridades europeias retiraram o Brasil da lista de países autorizados a vender carne bovina ao mercado europeu.

De acordo com representantes do bloco, a decisão ocorreu após alegações de que o país não teria cumprido integralmente as normas relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção pecuária.

Antonio Costa destacou que o cumprimento dos padrões sanitários é indispensável para o acesso ao mercado europeu. Ele ressaltou, porém, que as negociações estão sob responsabilidade da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia.

Lula deve tratar do tema com Ursula von der Leyen

A expectativa é que o presidente Lula aproveite sua participação no encontro internacional para discutir a retirada do embargo às exportações brasileiras. Uma reunião bilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está sendo considerada para esta terça-feira, embora ainda não tenha sido oficialmente confirmada.

O Brasil participa da reunião do G7 na condição de convidado. O grupo é formado por Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Japão, Canadá e Itália.

Presença brasileira ganha destaque na cúpula

Esta é a décima participação do Brasil em encontros de líderes do G7. Para Antonio Costa, a presença brasileira é estratégica diante dos desafios globais debatidos pelo grupo.

Segundo ele, temas como inteligência artificial, desenvolvimento sustentável, parcerias internacionais e desequilíbrios macroeconômicos exigem cooperação ampla entre diferentes países, tornando a participação brasileira relevante para as discussões.

Lula foi o primeiro chefe de Estado a chegar ao Hotel Royal, em Évian-les-Bains, cidade alpina francesa que recebe o encontro até quarta-feira sob forte esquema de segurança.

Lula e Macron discutem agenda internacional

Durante a programação, Lula manteve uma reunião de quase uma hora com o presidente francês, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula. Integrantes do governo brasileiro informaram que não houve solicitação por parte do Brasil para uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Oriente Médio domina debates entre líderes

A situação no Oriente Médio ganhou destaque logo antes da abertura oficial do encontro. Donald Trump anunciou um acordo para encerrar o conflito iniciado no final de fevereiro, informação posteriormente confirmada por autoridades iranianas. O entendimento também prevê a reabertura do Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio internacional de petróleo.

Em entrevista à televisão francesa, Macron afirmou que a retomada da navegação no estreito é uma prioridade imediata. O presidente francês, contudo, criticou a possibilidade de cobrança de taxas por embarcações que utilizem a passagem marítima, medida que, segundo relatos, estaria sendo considerada pelo Irã.

Macron também declarou que países europeus poderiam enviar embarcações em até três dias para remover minas instaladas durante o conflito e garantir a segurança da navegação.

Já Trump minimizou a necessidade de apoio internacional para a reabertura da rota, embora tenha admitido que a participação de navios franceses poderia ser útil caso fosse necessária assistência adicional.

Guerra na Ucrânia e economia global também estão na pauta

Além das tensões no Oriente Médio, os líderes do G7 devem concentrar suas discussões na guerra da Ucrânia. Outros temas previstos na agenda incluem minerais críticos, regulação da internet, comércio internacional e os desafios da economia global.

As reuniões seguem até quarta-feira e devem resultar em posicionamentos conjuntos sobre algumas das principais questões geopolíticas e econômicas da atualidade.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Belli/Valor

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