Comércio Exterior, Economia, Especialista

CAUTELA: A estratégia mais inteligente para um cenário econômico volátil

O ESPECIALISTA: PATRÍCIA SOARES

Vivemos um momento econômico global especialmente sensível — e o setor reefer não é exceção. A cada nova notícia, as oscilações do mercado se tornam mais intensas e imprevisíveis. O que parecia um movimento calculado ontem, hoje pode ser afetado por uma decisão política internacional ou uma nova política comercial. E, diante de tantos fatores incontroláveis, a única regra clara neste cenário é: cautela.

Não estamos apenas diante de variações de preços ou ajustes pontuais. O ambiente de negócios assumiu um tom quase caótico, onde as tomadas de decisão se tornam verdadeiros testes de sangue-frio. Se não pararmos para analisar com clareza, corremos o sério risco de entrar no ciclo da histeria coletiva — um fenômeno silencioso, mas devastador, capaz de levar empresários e corporações a escolhas precipitadas e, consequentemente, a resultados bem distantes dos desejados.

A tensão aumentou ainda mais após o anúncio do chamado “tarifaço” dos Estados Unidos, que estremeceu estratégias em diversos segmentos, incluindo o reefer. A notícia não apenas gerou insegurança no comércio exterior, mas também impactou diretamente as dinâmicas do mercado interno, afetando tanto decisões corporativas quanto a atuação de profissionais da área.

Neste contexto, pode ser prudente — e até estratégico — revisar as metas para o segundo semestre. Mas, ainda mais importante do que replanejar, é não se deixar arrastar pelo looping de confusão e ansiedade que essas incertezas costumam provocar. É o momento de respirar fundo, analisar com visão ampla e não perder de vista o cenário global.

Quando ampliamos nosso olhar, entendemos que o pano de fundo dessa situação vai muito além das relações comerciais bilaterais. Mais de 12% das exportações brasileiras têm como destino os Estados Unidos — produtos estratégicos como petróleo, café, carne bovina, suco de laranja, aço, celulose entre outros. É, sem dúvida, uma fatia relevante do comércio exterior brasileiro. No entanto, os impactos mais profundos parecem se desenhar, neste momento, dentro das próprias fronteiras americanas — com inflação interna, pressão sobre o consumo e crescente insatisfação popular.

Por aqui, cabe a nós mantermos o equilíbrio. Seguir atentos, conscientes e, acima de tudo, resilientes. Porque se este ano tem nos ensinado algo, é que a resiliência não é mais uma qualidade opcional, mas uma competência essencial para quem deseja prosperar.

E é justamente nesses momentos de incerteza que se revelam os líderes, os visionários e os negócios que farão história. Seguimos firmes, atentos e prontos para transformar desafios em oportunidades.

Patrícia Soares é uma profissional reconhecida no segmento Reefer, com uma sólida trajetória de mais de 19 anos no setor logístico. Atualmente ocupa o cargo de Key Account Manager, onde lidera o relacionamento com clientes estratégicos, contribuindo para soluções logísticas personalizadas e de alto valor agregado.

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Internacional, Mercado Internacional

Otan diz que Brasil, China e Índia podem ser atingidos por sanções

Secretário-geral afirmou que medidas podem ser tomadas se países continuarem negociando com Rússia

Mark Rutte, secretário-geral da Otan, a aliança militar ocidental, alertou nesta terça-feira (15) que países como Brasil, China e Índia poderiam ser duramente atingidos por sanções secundárias se continuarem negociando com a Rússia.

“Se você for o presidente da China, o primeiro-ministro da Índia ou o presidente do Brasil e ainda estiver negociando com os russos e comprando seu petróleo e gás (…), às vezes antes de vendê-los por um preço mais alto, saiba que, se esse cara em Moscou não levar as negociações de paz a sério, eu lhe imporei sanções secundárias de 100%”, afirmou Rutte a repórteres.

“Meu incentivo a esses três países, em particular, é que, se você mora em Pequim, ou em Delhi, ou é o presidente do Brasil, talvez queira analisar isso, porque pode ser muito prejudicial”, disse.

“Então, por favor, liguem para Vladimir Putin e digam a ele que ele precisa levar as negociações de paz a sério, porque, caso contrário, isso vai prejudicar o Brasil, a Índia e a China de forma massiva”, acrescentou.

Rutte fez o comentário durante reunião com senadores no Congresso dos Estados Unidos.

A declaração é feita um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar envio de armas para a Ucrânia e ameaçar impor tarifas secundárias se não houver acordo de paz em 50 dias.

Envio de armas para a Ucrânia

Rutte pontuou ainda que, sob o acordo com Trump, os Estados Unidos fornecerão “maciçamente” armas à Ucrânia, “não apenas defesa aérea, mas também mísseis e munição paga pelos europeus”.

Questionado se mísseis de longo alcance para a Ucrânia estavam em discussão, Rutte disse: “É tanto defensivo quanto ofensivo”.

“Então, há todo tipo de armas, mas não discutimos em detalhes ontem com o presidente. Isso está sendo realmente trabalhado agora pelo Pentágono, pelo Comandante Supremo Aliado na Europa, em conjunto com os ucranianos, ressaltou.

Senador destaca preocupação com prazo para a Rússia

O senador republicano americano Thom Tillis elogiou Trump por anunciar as medidas, mas disse que o prazo de 50 dias para um acordo de paz o “preocupa”.

Ele comentou estar preocupado com a possibilidade de “Putin tentar usar os 50 dias para vencer a guerra ou para estar em melhor posição para negociar um acordo de paz após ter assassinado e potencialmente conquistado mais terreno como base para a negociação”.

“Portanto, devemos olhar para a situação atual da Ucrânia e dizer: não importa o que você faça nos próximos 50 dias, qualquer um dos seus ganhos está fora de cogitação”, acrescentou.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Economia

Tarifa de 50% dos EUA pode impactar receita da Embraer como a crise da Covid, diz CEO

Neto disse em entrevista a jornalistas que as tarifas podem causar cancelamentos de pedidos, adiamentos de entregas e diminuição de investimentos

As tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre exportações brasileiras a partir de 1º de agosto podem ter um impacto na receita da Embraer (EMBR3) semelhante ao da crise da Covid-19, disse o presidente-executivo da companhia, Francisco Gomes Neto, nesta terça-feira.

Neto disse em entrevista a jornalistas que as tarifas podem causar cancelamentos de pedidos, adiamentos de entregas e diminuição de investimentos, além de possíveis reduções na força de trabalho, gerando um custo adicional de cerca de US$9 milhões por avião exportado aos EUA.

Os Estados Unidos são o principal mercado da Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo atrás da Airbus e da Boeing, com clientes norte-americanos representando 45% do seu negócio de jatos comerciais e 70% de sua divisão de jatos executivos.

“Pela relevância que esse mercado tem… a gente estima que, se isso for para frente, nessa magnitude, vamos ter um impacto similar ao da Covid em termos de queda de receita da companhia”, disse Neto.

Ele acrescentou que as tarifas de 50% seriam praticamente um embargo comercial sobre os jatos comerciais, especialmente os modelos E1 da Embraer, tornando “inviáveis” as exportações para os EUA.

Ainda assim, o executivo afirmou que nenhum pedido foi cancelado até o momento.

As ações da Embraer, que chegaram a subir 3% mais cedo no dia, passaram a operar de forma volátil durante as declarações de Neto, devolvendo ganhos antes de voltarem a subir cerca de 1%.

Fonte: InfoMoney

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Economia, Mercado Internacional

Economia chinesa cresce 5,2% no 2º trimestre, mesmo com tarifaço de Trump

Dados divulgados nesta segunda-feira mostram que as exportações chinesas apresentaram um bom desempenho, resistindo à guerra comercial com os Estados Unidos.

A economia chinesa cresceu 5,2% no segundo trimestre do ano, segundo dados oficiais publicados no fim da noite desta segunda-feira (14), graças ao bom desempenho das exportações e apesar da guerra comercial com os Estados Unidos.

O resultado corresponde à previsão de uma pesquisa da AFP realizada com analistas na semana passada.

Já as vendas no varejo — indicador-chave de consumo — subiram 4,8% em relação ao ano anterior, abaixo da previsão de 5,3% em uma pesquisa da Bloomberg com economistas, o que sugere que os esforços para reativar o consumo interno não conseguem decolar.

Contudo, a produção industrial aumentou 6,8%, acima da estimativa de 5,6%. No primeiro trimestre do ano, o PIB chinês avançou 5,4%.

“A economia nacional resistiu à pressão e mostrou uma melhora constante apesar dos desafios”, disse o vice-diretor do Departamento Nacional de Estatísticas, Sheng Laiyun, em coletiva de imprensa.

“A produção e a demanda cresceram de forma constante, o emprego manteve-se geralmente estável, a renda das famílias continuou a aumentar, os novos motores de crescimento testemunharam um desenvolvimento robusto e o desenvolvimento de alta qualidade alcançou novos avanços”, afirmou.

O governo da segunda maior economia mundial trava uma batalha em várias frentes para manter o crescimento econômico, um desafio que se viu dificultado pela ofensiva tarifária do presidente americano Donald Trump.

Trump impôs tarifas à China e aos principais parceiros comerciais dos americanos desde que retornou ao cargo em janeiro, ameaçando as exportações chinesas justamente quando Pequim está mais dependente delas para estimular a atividade econômica.

Washington e Pequim vêm tentando desescalar a disputa comercial após terem chegado a um marco de acordo em negociações realizadas em Londres no mês passado, mas analistas alertam sobre uma incerteza persistente.

Trump aumentou as apostas na segunda-feira, ao avisar aos parceiros comerciais da Rússia que imporá tarifas “muito severas”, chegando a 100%, se Moscou não acabar com sua guerra na Ucrânia dentro de 50 dias.

A China criticou a ameaça de Trump e reiterou que é favorável a uma solução política na Ucrânia. “A coerção ou as pressões não podem resolver os problemas”, declarou Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim.

Os países ocidentais pedem repetidamente à China — um aliado comercial importante da Rússia — para exercer sua influência e fazer com que Vladimir Putin pare sua guerra de três anos contra a Ucrânia.

Bom desempenho das exportações

Dados da Administração Geral de Alfândega da China divulgados nesta segunda-feira mostraram que as exportações aumentaram muito mais que o esperado em junho (5,8% em termos anuais e 32,4% na comparação com o mês anterior), com ajuda da trégua comercial entre Washington e Pequim.

As importações também subiram 1,1%, acima do avanço previsto de 0,3%, o que representa o primeiro crescimento deste ano.

O oficial da alfândega Wang Lingjun afirmou em coletiva de imprensa que Pequim esperava “que os Estados Unidos continuassem a trabalhar juntos com a China na mesma direção”, relatou a emissora estatal CCTV.

A trégua tarifária foi “duramente conquistada”, disse Wang. “Não há saída por meio de chantagem e coerção. Diálogo e cooperação são o caminho certo”, frisou.

Muitos analistas, no entanto, preveem um crescimento mais lento nos próximos seis meses, com uma demanda interna frágil como principal obstáculo.

“Os dados provavelmente ainda superestimam a força do crescimento”, afirmou Zichun Huang, economista para a China na Capital Economics, em um comunicado.

“Com as exportações destinadas a desacelerar e o impulso de apoio fiscal prestes a desaparecer, é provável que o crescimento desacelere ainda mais durante a segunda metade deste ano”, acrescentou.

Fonte: G1

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Aeroportos, Logística, Portos

Logística brasileira avança, mas ainda enfrenta desafios estruturais

Santa Catarina se consolida como hub estratégico e o Logistique Summit debate o futuro do setor

A logística brasileira desempenha um papel estratégico no desenvolvimento econômico do país e na sua integração ao mercado global. Desde a construção das primeiras rodovias e ferrovias até a adoção de tecnologias avançadas nos centros de distribuição e portos, o setor tem buscado se modernizar para lidar com uma demanda crescente, cada vez mais complexa, e manter-se competitivo.

O Brasil conta com uma das maiores malhas rodoviárias do mundo, com mais de 1,7 milhão de quilômetros de estradas — sendo apenas 12,3% pavimentada. Esse modal ainda é responsável por cerca de 60% do transporte de cargas no país. No entanto, especialistas apontam a necessidade urgente de diversificação e maior integração entre os diversos modais de transporte.

A malha ferroviária ainda está muito aquém do ideal, enquanto portos e aeroportos ganham protagonismo. O Brasil opera mais de 36 portos públicos e terminais privados, que juntos movimentam cerca de 1,1 bilhão de toneladas de cargas por ano. Investimentos recentes em automação, ampliação de terminais e melhorias operacionais têm impulsionado a competitividade brasileira no comércio internacional.

Já o transporte aéreo representa apenas 1% do volume total de cargas, mas é responsável por 10% do valor das mercadorias transportadas, especialmente em segmentos de alto valor agregado. Com mais de 100 aeroportos com operações regulares de carga, o país vem ampliando sua conectividade com os principais mercados globais.

Desafios persistem

Apesar dos avanços, os desafios persistem. A precariedade da malha rodoviária, especialmente em regiões remotas, continua elevando os custos logísticos — que hoje representam cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Esse índice é superior ao observado em países desenvolvidos, comprometendo a competitividade das empresas nacionais.

Além disso, a burocracia e a lentidão nos processos aduaneiros dificultam tanto o fluxo interno quanto as operações de importação e exportação. A falta de integração entre os modais também gera gargalos operacionais e perdas econômicas. Para especialistas, o futuro da logística no Brasil passa por investimentos sustentados em infraestrutura, ampliação do transporte ferroviário e hidroviário, digitalização de processos e incentivos à intermodalidade. A eficiência logística é considerada peça-chave para a redução de custos, aumento da produtividade e conquista de novos mercados.

“Um estado com infraestrutura logística eficiente atrai investimentos, reduz os custos operacionais das empresas, melhora a competitividade de seus produtos e impulsiona setores como indústria, agronegócio, comércio e serviços. A logística também é vetor de geração de empregos, inovação tecnológica e desenvolvimento regional”, destaca o CEO da Logistique 2025, Leonardo Rinaldi.

Rumos da logística em debate

Nesse contexto, o Logistique Summit assume papel determinante nas discussões sobre o futuro da logística brasileira. O evento ocorre em paralelo à Logistique 2025, de 12 a 14 de agosto, no Expocentro Júlio Tedesco, em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Consolidada como uma das principais feiras e congressos do setor no país, a Logistique reúne grandes nomes para debater também comércio exterior, relações internacionais, macroeconomia e geopolítica. O Summit já tem confirmadas as presenças de importantes nomes do mercado, entre eles, o ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Marcos Troyjo.

“Mais do que uma feira, a Logistique é uma plataforma de articulação entre o poder público, a iniciativa privada, a inovação e o conhecimento técnico. Reúne os principais players da cadeia logística para debater soluções, apresentar tecnologias, formar parcerias e criar oportunidades reais de negócios”, acrescenta Rinaldi.

Estado de excelência

O fato do evento ser realizado em Santa Catarina, um dos estados mais produtivos do Brasil, também reforça seu papel catalisador no avanço da logística nacional de forma mais integrada e eficiente. Com crescimento de 12% em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor logístico catarinense vive um momento de expansão e consolidação. O Estado se destaca não apenas por sua localização estratégica — que facilita a conexão com os principais mercados nacionais e internacionais —, mas também por sua capacidade de inovação e investimentos contínuos em infraestrutura e tecnologia.

Em 2024, Santa Catarina movimentou mais de US$ 11,6 bilhões em exportações e US$ 33,7 bilhões em importações, consolidando-se como o segundo maior importador do país. A modernização dos portos e aeroportos, somada ao bom desempenho da indústria — que cresceu 6,3% até setembro, segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) —, reforça o papel do estado como um dos principais hubs logísticos do Brasil.

O crescimento da produção industrial, puxado por setores como metalurgia, alimentos e tecnologia, eleva ainda mais a demanda por soluções logísticas eficientes. Cidades como Joinville, Itajaí e Chapecó atraem investimentos produtivos; enquanto polos como Balneário Camboriú, Blumenau e novamente Joinville vivem um varejo aquecido, ampliando a necessidade por transporte e armazenagem qualificados.

A combinação entre localização estratégica, infraestrutura moderna, base industrial diversificada e capacidade de adaptação às demandas globais posiciona Santa Catarina como referência nacional em logística.

SAIBA MAIS EM: https://logistique.com.br/ 

TEXTO E IMAGEM: ASSESSORIA DE IMPRENSA LOGISTIQUE

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Economia, Internacional, Mercado Internacional

Lei de Reciprocidade Comercial é regulamentada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira (14) o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Comercial. A informação foi confirmada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, em declaração à imprensa após um evento no Palácio do Planalto. O teor do decreto será publicado em edição regular do Diário Oficial da União (DOU).

A norma autoriza o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países que imponham barreiras unilaterais aos produtos do Brasil no mercado global. A medida poderá ser usada para responder à imposição da tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos (EUA), a partir do dia 1º de agosto, conforme anunciado na semana passada pelo presidente norte-americano, Donald Trump. 

Segundo Rui Costa, o decreto não menciona especificamente nenhum país e estabelece os mecanismos necessários para dar cumprimento à lei. “A denominação ‘reciprocidade’ pode responder de um formato também rápido, se outro país fizer medidas semelhantes a essa que foi anunciada pelos Estados Unidos”, explicou.

Histórico

Aprovada em março pelo Congresso Nacional e sancionada em abril, a nova lei é justamente uma resposta à escalada da guerra comercial desencadeada por Donald Trump contra dezenas de países. 

No caso do Brasil, a tarifa inicialmente imposta pelos EUA foi de 10% sobre todos os produtos exportados para o mercado norte-americano. A exceção nessa margem de tarifas são o aço e o alumínio, cuja sobretaxa imposta pelos norte-americanos está em 25%, afetando de forma significativa empresas brasileiras, que constituem os terceiros maiores exportadores desses metais para os norte-americanos.

A Lei da Reciprocidade Comercial estabelece critérios para respostas a ações, políticas ou práticas unilaterais de país ou bloco econômico que “impactem negativamente a competitividade internacional brasileira”.

A norma valerá para países ou blocos que “interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil”.

No Artigo 3º do texto, por exemplo, fica autorizado o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao Executivo, a “adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços”, prevendo ainda medidas de negociação entre as partes antes de qualquer decisão.

Comitê de emergência

Para discutir como reagir às tarifas dos EUA, o governo também instalou um comitê de trabalho interministerial, com participação de setores empresariais da indústria e do agronegócio.

As primeiras reuniões do colegiado ocorrerão nesta terça-feira (15), sob liderança do vice-presidente Geraldo Alckmin.

FONTE: REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL

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Economia

Boletim Focus: analistas revisam para baixo a inflação pela sétima semana consecutiva

A mediana para o câmbio também recuou em 2025

As projeções do mercado para a inflação em 2025 recuaram pela sétima semana seguida, segundo o Relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (14). A estimativa para o IPCA no ano passou de 5,18% para 5,17%.

Já a mediana para o câmbio em 2025 caiu de R$ 5,70 em R$ 5,65.

A projeção do PIB, por sua vez, ficou em 2,23%.

Enquanto isso, a previsão para taxa básica de juros neste ano ficou em 15% pela terceira semana seguida.

Inflação

A projeção para inflação no próximo ano permaneceu em 4,50%. A projeção para 2027 ficou em 4,00%, enquanto para 2028, a estimativa permaneceu 3,80%.

Para o IGP-M, as projeções para 2025 caíram de 2,25% para 2,18%, enquanto a estimativa para 2026 ficou em 4,50%. Para 2027, a projeção de inflação ficou em 4%, enquanto para 2028 caiu de 4% para 3,96%.

As expectativas para a variação dos preços administrados dentro do IPCA em 2025 subiu de 4,36% para 4,40%. As projeções para 2026 ficou caiu de 4,30% para 4,29%. Para 2027, a estimativa ficou em 4,00%, enquanto para 2028, a estimativa caiu de 3,79% para 3,70%.

Câmbio

Para 2026, a estimativa caiu de R$ 5,75 para R$ 5,70, enquanto a projeção recuou de R$ 5,75 para R$ 5,71. Para 2028, a projeção recuou de R$ 5,80 para R$ 5,76.

PIB

Para o produto interno bruto (PIB), a mediana das projeções de 2026 subiu de 1,86% para 1,89%. A projeção permaneceu ficou em 2,00% em 2027. Para 2028, a projeção continuou em 2%, há 70 semanas.

Selic

A projeção para 2026 ficou em 12,50%, enquanto para 2027 permaneceu em 10,50%. Para 2028, a estimativa permaneceu em 10% por 29 semanas.

Fonte: InfoMoney

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Sustentabilidade

Carros mais sustentáveis, seguros e econômicos vão pagar menos imposto

Governo reduz alíquotas e zera IPI para modelos compactos com alta eficiência energética-ambiental, desde que fabricados no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina nesta quinta-feira (10/7) decreto que reduz as alíquotas de IPI dos carros mais leves e econômicos, movidos a energia limpa e que atendam a requisitos de reciclabilidade e segurança veicular. O decreto também cria a modalidade de Carro Sustentável, no qual veículos compactos com alta eficiência energética-ambiental e fabricados no Brasil terão o IPI zerado.

O mecanismo está previsto no programa MOVER (Mobilidade Verde e Inovação) e alia preocupação ambiental com justiça social, já que veículos econômicos e menos poluentes terão alíquotas menores; enquanto os que mais poluem terão alíquotas maiores.

O MOVER já estimulou investimentos do setor automotivo que chegam a R$ 190 bilhões – incluindo montadoras e fábricas de autopeças.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, destacou o aspecto socioeconômico da medida.

“O decreto estimula a cadeia automotiva a ser cada vez mais inovadora e sustentável, ao mesmo tempo em que gera empregos e facilita o acesso da população a carros novos, menos poluentes, mais seguros e mais econômicos”, avalia Alckmin.

O decreto que regulamenta o MOVER não terá impacto fiscal. Ele redefine tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que foi construída como um mecanismo de soma zero, em relação ao total de carros vendidos no Brasil. Com validade até dezembro de 2026, o decreto antecede os efeitos da Reforma Tributária.

Carro Sustentável

Para ter direito ao IPI zero, o carro sustentável deve atender a quatro requisitos: emitir menos de 83g de CO₂ por quilômetro; conter mais de 80% de materiais recicláveis; ser fabricado no Brasil (com etapas como soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem no país); e se enquadrar em uma das categorias de carro compacto.

As montadoras interessadas deverão solicitar, junto ao MDIC, o credenciamento dos veículos que atendam a esses requisitos. Após a análise e aprovação, uma portaria será publicada com a lista dos modelos aptos a receber o desconto integral. Atualmente, a alíquota mínima para esses carros é de 5,27%.

Publicada a portaria, as montadoras e concessionárias já poderão vender seus carros com o desconto equivalente.

Reduções

Para os demais veículos, o decreto estabelece um novo sistema de cálculo do IPI, que entrará em vigor em 90 dias. A nova tabela parte de uma alíquota base de 6,3% para veículos de passageiros e de 3,9% para comerciais leves, que será ajustada por um sistema de acréscimos e decréscimos.

O cálculo levará em conta critérios como eficiência energética; tecnologia de propulsão; potência; nível de segurança; e índice de reciclabilidade. Veículos com melhores indicadores receberão bônus (descontos no imposto), enquanto os com piores avaliações sofrerão um acréscimo (malus).

Por exemplo, um carro de passeio híbrido-flex pode ter sua alíquota reduzida em 1,5 ponto percentual. Se também atender ao critério de eficiência do MOVER, perde mais 1 ponto, e se cumprir o nível 1 de reciclabilidade, perde outro ponto. Com isso, o IPI desse veículo cai de 6,3% para 2,8%.

Confira aqui as tabelas com os requisitos e os percentuais

A estimativa é de redução do IPI para 60% dos veículos comercializados no Brasil, com base no número de carros vendidos em 2024, com impacto fiscal zero.

Critérios de Eficiência e Tecnologia

  • Fonte de Energia e Tecnologia de Propulsão: Veículos elétricos, movidos exclusivamente a etanol e híbridos flex-fuel/etanol terão redução nas alíquotas. Em contrapartida, veículos a gasolina e diesel, incluindo os híbridos com esses combustíveis, terão acréscimos.
  • Eficiência Energética: Veículos que atingirem níveis de consumo energético mais eficientes (mais econômicos) poderão ter reduções de até dois pontos percentuais no IPI.
  • Potência (kW): A potência do veículo também influenciará a alíquota, com reduções para veículos de menor potência e acréscimos para os maiores.
  • Desempenho Estrutural e Tecnologias Assistivas à Direção: Carros que cumprirem requisitos de segurança, como impacto lateral, sistemas de controle de estabilidade (ESC) e tecnologias assistivas à direção (como frenagem automática de emergência), terão direito a redução de um ponto percentual no IPI.
  • Reciclabilidade Veicular: Veículos que atenderem a critérios de reciclabilidade veicular poderão ter reduções de até dois pontos percentuais.

Renovação de frota

Programas como o MOVER e o Carro Sustentável são iniciativas do governo federal que contribuem para a descarbonização e a renovação da frota em circulação.

Além deles, em 2023, foi lançado programa de curto prazo que promoveu descontos estimulados de até R$ 8 mil para carros mais eficientes, mais baratos e com etapas produtivas no Brasil – critérios parecidos com os estabelecidos posteriormente para o Carro Sustentável na lei que criou o MOVER.

Montadoras e concessionárias ofereceram descontos adicionais e os recursos disponíveis para o programa na época se esgotaram em um mês, com a venda de cerca de 125 mil carros.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Economia, Internacional

Para CNI, não há fato econômico que justifique tarifas de 50% e é preciso preservar relação comercial com os EUA

Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende intensificar negociação diante de tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil

A imposição de 50% de tarifas sobre o produto brasileiro por parte dos Estados Unidos foi recebida com preocupação e surpresa pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para a instituição, a prioridade deve ser intensificar a negociação com governo de Donald Trump para preservar a relação comercial histórica e complementar entre os países.


“Não existe qualquer fato econômico que justifique uma medida desse tamanho, elevando as tarifas sobre o Brasil do piso ao teto. Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano. Uma quebra nessa relação traria muitos prejuízos à nossa economia. Por isso, para o setor produtivo, o mais importante agora é intensificar as negociações e o diálogo para reverter essa decisão”, avalia Ricardo Alban, presidente da CNI.


Brasil e Estados Unidos sustentam uma relação econômica robusta, estratégica e mutuamente benéfica alicerçada em 200 anos de parceria. Os EUA são o 3° principal parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira. O aumento da tarifa para 50% terá impacto significativo na competitividade de cerca de 10 mil empresas que exportam para os Estados Unidos.

Resultados preliminares de consulta realizada pela CNI indicaram que um terço das empresas respondentes que exportam bens e/ou serviços aos EUA tiveram impactos negativos nos seus negócios. O levantamento foi realizado entre os meses de junho e início de julho, ainda no contexto da tarifa básica de 10% e demais medidas comerciais setoriais.

A CNI reforça a importância de intensificar uma comunicação construtiva e contínua entre os dois governos. “Sempre defendemos o diálogo como o caminho mais eficaz para resolver divergências e buscar soluções que favoreçam ambos os países. É por meio da cooperação que construiremos uma relação comercial mais equilibrada, complementar e benéfica entre o Brasil e os Estados Unidos” destaca Ricardo Alban.

EUA têm superávit de US$ 256,9 bi com Brasil

Ao contrário da afirmação do governo dos Estados Unidos, o país norte-americano mantém superávit com o Brasil há mais de 15 anos. Somente na última década, o superávit norte-americano foi de US$ 91,6 bilhões no comércio de bens. Incluindo o comércio de serviços, o superávit americano atinge US$ 256,9 bilhões. Entre as principais economias do mundo, o Brasil é um dos poucos países com superávit a favor dos EUA.

A CNI aponta que a entrada de produtos norte-americanos no Brasil estava sujeita a uma tarifa real de importação de 2,7% em 2023, o que diverge da declaração da Casa Branca. A tarifa efetiva aplicada pelo Brasil aos Estados Unidos foi quatro vezes menor do que a tarifa nominal de 11,2% assumida no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Nova medida impacta relação de forte complementariedade econômica

A tarifa afeta a economia americana. O relacionamento bilateral é marcado por complementariedade, isto é, o comércio bilateral é composto por fluxos intensos de insumos produtivos. Na última década, esses bens representaram, em média, 61,4% das exportações e 56,5% das importações brasileiras.

A forte integração econômica entre os dois países é evidenciada pelas 3.662 empresas americanas com investimentos no Brasil e pelas 2.962 empresas brasileiras com presença nos Estados Unidos. Os Estados Unidos foram o principal destino dos anúncios de investimentos greenfield brasileiro no mundo entre 2013 e 2023, concentrando 142 projetos de implantação produtiva.

As exportações brasileiras para os EUA têm grande relevância para a economia nacional. Em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado ao mercado americano foram gerados 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção no Brasil. Portanto, o aumento da tarifa de importação americana para 50% impacta diretamente a economia brasileira e abala a cooperação com os EUA.

Fonte: Portal da Indústria

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Comércio Exterior, Economia

Brasil responderá tarifaço dos EUA com lei de reciprocidade, diz Lula

Legislação libera contramedidas como suspensão de concessões

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (9) que o tarifaço de 50% a todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos será respondido com a Lei de Reciprocidade Econômica. Em rede social, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania do país e disse que é falsa a alegação do presidente norte americano Donald Trump de que a taxação seria aplicada em razão de déficit na balança comercial com o Brasil.

A lei brasileira sancionada em abril estabelece critérios para a suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais adotadas por país ou bloco econômico que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira.

“Neste sentido, qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica. A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo”, afirmou o presidente

O lei autoriza o Poder Executivo, em coordenação com o setor privado, “a adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços ou medidas de suspensão de concessões comerciais, de investimento e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual e medidas de suspensão de outras obrigações previstas em qualquer acordo comercial do país”.

O governo defende que é falsa a informação sobre o alegado déficit norte-americano. “As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos”.

Lula afirma ainda que o Brasil é um país soberano “com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”.

No documento encaminhado por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente estadunidense cita o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, para justificar o ataque ao país. Ele também citou ordens do STF emitidas contra apoiadores do ex-presidente brasileiro que mantêm residência nos Estados Unidos.

“O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”, rebateu Lula.

O presidente brasileiro abordou ainda as críticas de Trump às decisões do Supremo Tribunal Federal contra perfis em redes sociais que praticavam discurso de ódio e divulgavam fake newsO presidente afirmou que, “no contexto das plataformas digitais, a sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática”.

“No Brasil, liberdade de expressão não se confunde com agressão ou práticas violentas. Para operar em nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras estão submetidas à legislação brasileira”, escreveu.

Antes de publicar a nota, o presidente Lula coordenou uma reunião de emergência, no Palácio do Planalto, com a presença de seus principais ministros, como Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Internacionais), Rui Costa (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Secom), além do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin. O encontro terminou por volta das 20h.

Fonte: Agência Brasil

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