Tecnologia

Paul Krugman alerta para risco econômico da inteligência artificial: investimentos em IA podem elevar juros e frear outros setores

O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) pode estar provocando efeitos negativos sobre a economia mundial antes mesmo de os riscos mais discutidos da tecnologia se concretizarem. Essa é a avaliação do economista norte-americano Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2008, que alerta para a possibilidade de os investimentos bilionários em infraestrutura de IA reduzirem recursos disponíveis para outros segmentos da economia.

Em análise publicada em seu Substack, Krugman argumenta que a expansão dos centros de processamento de dados, conhecidos como data centers, está atraindo recursos financeiros e materiais que poderiam ser destinados à construção de moradias, escritórios e fábricas.

O economista também aponta uma possível pressão sobre as taxas de juros, com consequências para o crédito e os investimentos privados. Diferentemente de ameaças frequentemente associadas à IA, como a substituição de trabalhadores e o estouro de uma bolha financeira, esse efeito já estaria em curso.

Investimentos em inteligência artificial pressionam outros setores

Segundo Krugman, o volume de recursos direcionados à construção de data centers e à compra de equipamentos para inteligência artificial pode estar prejudicando investimentos em atividades que não estão diretamente relacionadas à tecnologia.

O economista cita mais de US$ 51 bilhões em investimentos em centros de dados e associa a expansão desse segmento à redução de aportes em outros tipos de construção.

“A construção de data centers parece estar desviando recursos financeiros e materiais da construção de moradias, edifícios de escritórios e fábricas — praticamente tudo o que não está relacionado à IA”, argumenta.

A preocupação é que a concentração de capital em um único setor limite a capacidade de financiamento de outras atividades produtivas, mesmo quando elas continuam apresentando demanda por investimentos.

Esse movimento pode afetar desde o mercado imobiliário até a expansão industrial, com possíveis consequências para o crescimento econômico.

Efeito de deslocamento pode elevar os juros

Para explicar o fenômeno, Krugman recorre ao conceito econômico de crowding out, ou efeito de deslocamento. Tradicionalmente, o termo descreve situações em que o aumento dos gastos públicos, especialmente quando financiados por déficits, pressiona os juros e reduz o espaço para investimentos privados.

Em uma economia próxima do pleno emprego, a disponibilidade de trabalhadores, crédito e outros recursos é limitada. Quando a demanda por esses recursos aumenta, os juros podem subir, tornando os financiamentos mais caros e dificultando a realização de novos projetos.

Krugman sustenta que esse mecanismo não se restringe às despesas do governo. Uma expansão expressiva dos investimentos privados em inteligência artificial também pode elevar a demanda por financiamento e pressionar as taxas de juros.

“Dada a situação atual, com desemprego relativamente baixo e inflação elevada, o efeito de deslocamento é uma preocupação legítima. É importante, porém, entender que as fontes desse fenômeno não se limitam aos gastos públicos. Fortes aumentos nos gastos privados, como o atual e gigantesco boom da inteligência artificial, também elevam as taxas de juros”, avalia.

Na interpretação do economista, o crescimento dos investimentos em IA estaria contribuindo para encarecer o crédito e dificultar a execução de projetos em outros setores.

Boom da IA resiste à alta dos juros nos Estados Unidos

Krugman também menciona uma reportagem recente do The New York Times para sustentar sua análise. Segundo o argumento apresentado pelo economista, os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial continuam avançando mesmo diante da elevação dos juros nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, outros segmentos da economia sentem os efeitos do crédito mais caro, o que pode ampliar a diferença entre as empresas ligadas à IA e os negócios que dependem de condições financeiras mais favoráveis.

A construção de data centers e a aquisição de semicondutores produzidos no exterior exigem grandes volumes de capital. Na avaliação de Krugman, essa concentração de recursos pode ocorrer em detrimento de investimentos em áreas como habitação, indústria e infraestrutura convencional.

O resultado seria uma economia na qual o setor tecnológico mantém seu ritmo de expansão, enquanto outras atividades enfrentam obstáculos maiores para financiar novos empreendimentos.

Por que o boom tecnológico atual é diferente do dos anos 1990?

Uma das questões levantadas por Krugman é se outras revoluções tecnológicas produziram efeitos semelhantes sobre os investimentos.

Ao comparar o atual ciclo da inteligência artificial com o boom tecnológico dos anos 1990, o economista afirma não encontrar evidências de um deslocamento equivalente dos investimentos naquela época. Pelo contrário, segundo sua análise, os aportes em atividades não relacionadas à tecnologia também cresceram.

Uma das explicações apontadas é a entrada de investimentos estrangeiros nos Estados Unidos, que teria ajudado a financiar a expansão tecnológica sem impedir o avanço de outros setores.

Krugman argumenta que o cenário atual é diferente e questiona a dimensão dos investimentos internacionais que o presidente Donald Trump afirma ter atraído para o país.

Segundo o economista, os dados do balanço de pagamentos não indicariam uma entrada de capital estrangeiro na escala anunciada pelo presidente norte-americano. Sem esse financiamento adicional, o boom da IA poderia disputar recursos de maneira mais intensa com os demais segmentos da economia.

Gastos bilionários com tecnologia podem não gerar retorno esperado

Outro ponto de atenção destacado pelo Nobel de Economia é a possibilidade de grandes empresas de tecnologia cometerem erros de avaliação ao decidir onde investir.

Krugman cita como exemplo os recursos destinados pela Meta ao projeto do metaverso, que, segundo ele, chegaram a US$ 80 bilhões. A iniciativa perdeu espaço posteriormente, ilustrando como investimentos de grande porte não garantem necessariamente resultados proporcionais.

O exemplo reforça a preocupação com o volume de capital direcionado à inteligência artificial e com a possibilidade de parte desses recursos não produzir o retorno esperado.

Caso isso aconteça, os efeitos podem ultrapassar o setor de tecnologia, especialmente se os investimentos tiverem sido financiados por crédito e estiverem conectados a outras áreas do sistema financeiro.

Crédito privado entra no radar de riscos financeiros

Krugman também chama atenção para sinais de pressão financeira associados aos juros elevados. Segundo ele, relatos de dificuldades no mercado de crédito estão se tornando mais frequentes.

A preocupação envolve especialmente o crédito privado e outras áreas menos reguladas do sistema financeiro, que podem estar expostas aos riscos decorrentes da expansão acelerada da IA.

Se empresas e investidores assumirem compromissos financeiros elevados com base em expectativas excessivamente otimistas, uma eventual frustração dos retornos poderá dificultar o pagamento de dívidas e provocar problemas de liquidez.

O economista afirma que há uma percepção crescente, entre observadores com quem conversa, de que os efeitos financeiros adversos do boom da IA podem ser maiores do que muitos participantes do mercado imaginam.

Essa possibilidade amplia o debate sobre a sustentabilidade dos investimentos em tecnologia e sobre os impactos que uma eventual desaceleração poderia provocar em outros setores.

Risco econômico da inteligência artificial já estaria em andamento

A análise de Krugman concentra-se em três questões principais: a diferença entre o atual ciclo tecnológico e o dos anos 1990, a possibilidade de grandes empresas investirem de maneira equivocada e a dimensão dos riscos financeiros para o restante da economia.

Para o economista, a combinação entre investimentos concentrados, juros elevados e possíveis fragilidades no crédito merece atenção imediata.

A discussão não significa que a inteligência artificial deixará de gerar ganhos de produtividade ou oportunidades econômicas. O alerta está relacionado à distribuição dos recursos e aos custos que uma expansão muito acelerada pode impor a atividades que não participam diretamente desse crescimento.

Na avaliação de Krugman, o efeito de deslocamento provocado pelos investimentos em IA já representa um risco concreto, diferentemente de cenários futuros como a eliminação em massa de empregos ou o estouro de uma eventual bolha tecnológica.

O desafio, portanto, é avaliar se o ritmo de expansão da inteligência artificial poderá ser sustentado sem comprometer o financiamento e o desenvolvimento de outros setores da economia.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Tecnologia

OMC eleva previsão do comércio global em 2026 impulsionado por investimentos em inteligência artificial

A Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou para cima sua projeção de crescimento do comércio mundial de mercadorias em 2026. Mesmo diante dos impactos do conflito no Oriente Médio, a entidade avalia que o avanço dos investimentos em inteligência artificial (IA) e a adaptação das cadeias de suprimentos ajudaram a sustentar as trocas comerciais no primeiro semestre do ano.

Em relatório de perspectivas e estatísticas divulgado nesta quinta-feira (8), a organização elevou a estimativa de expansão do comércio de mercadorias de 1,9%, prevista em março, para 3,9% em 2026. Para 2027, a expectativa é de crescimento de 4,1%.

Segundo a OMC, a demanda por equipamentos e componentes ligados à IA compensou parte dos efeitos negativos provocados pelas perturbações nos mercados de energia, fertilizantes e transporte internacional.

Apesar do cenário mais favorável para os bens, a entidade ressalta que os resultados variam entre regiões e setores. O comércio de serviços, especialmente nas áreas de transporte e viagens, enfrenta perspectivas menos positivas devido aos efeitos do conflito.

Investimentos em IA impulsionam o comércio mundial

A expansão da infraestrutura tecnológica tornou-se um dos principais motores do comércio internacional em 2026. Produtos necessários para o desenvolvimento da inteligência artificial, como semicondutores e servidores, registraram forte crescimento da demanda.

De acordo com a OMC, o comércio desses produtos aumentou 67% na comparação anual durante o primeiro semestre, respondendo por 47% da expansão global do comércio de mercadorias no período.

A organização espera que esse movimento continue até 2027. Os gastos mundiais com infraestrutura de IA devem crescer pelo menos 30% em 2026, enquanto as projeções de mercado indicam uma alta de 10% a 20% nos investimentos de capital relacionados à tecnologia no ano seguinte.

Esse avanço reforça a importância dos componentes eletrônicos e dos equipamentos de processamento de dados para o desempenho das exportações globais.

Comércio de mercadorias supera expectativas no primeiro semestre

O volume mundial de mercadorias comercializadas cresceu 3,5% nos primeiros seis meses de 2026, resultado superior ao esperado pela organização.

O desempenho foi favorecido pela capacidade de adaptação das cadeias de suprimentos, que buscaram fornecedores alternativos e redirecionaram cargas diante das dificuldades logísticas provocadas pelo conflito no Oriente Médio.

A OMC informou que as exportações de petróleo bruto da região recuaram cerca de 24% no primeiro semestre, enquanto os embarques de gás natural liquefeito (GNL) diminuíram 47%.

A ampliação das vendas por outros fornecedores ajudou a limitar o impacto sobre o mercado mundial. Com isso, as exportações globais caíram aproximadamente 6% no caso do petróleo bruto e apenas 1% no GNL.

O mercado de fertilizantes também demonstrou capacidade de adaptação. As importações globais de fertilizantes nitrogenados ficaram 2,8% abaixo das médias recentes, enquanto as compras de fertilizantes fosfatados registraram aumento de 2,2%, impulsionadas pela entrada de fornecedores alternativos.

Nos transportes, a utilização de portos e corredores logísticos diferentes ajudou a manter o fluxo de mercadorias. O movimento mundial de contêineres acumulou crescimento de 3,9% até julho.

Conflito no Oriente Médio mantém riscos para o comércio global

Apesar da revisão positiva das projeções, a OMC alerta que os efeitos da guerra continuam pressionando os custos e criando obstáculos para o comércio internacional.

Os principais riscos envolvem a elevação dos preços da energia, as interrupções nas rotas marítimas e aéreas e as dificuldades no abastecimento de produtos estratégicos.

A diretora-geral da organização, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou que os resultados demonstram a capacidade de adaptação do comércio mundial diante de choques externos.

Segundo ela, a integração econômica e um sistema comercial baseado em regras ajudam a manter o fornecimento de produtos essenciais para empresas e consumidores.

A dirigente também destacou que os benefícios dessa adaptação não são distribuídos de maneira uniforme. Para ela, é importante garantir que economias de diferentes portes tenham acesso às oportunidades criadas por tecnologias como a inteligência artificial.

Ásia deve liderar crescimento das exportações em 2026

As projeções regionais da OMC apontam diferenças expressivas no desempenho do comércio internacional. A Ásia deve apresentar o maior crescimento das exportações de mercadorias em 2026, enquanto o Oriente Médio enfrenta a perspectiva de forte retração.

Confira as estimativas de crescimento das exportações por região:

  • Ásia: 9,9%.
  • América do Norte: 5,7%.
  • África: 5,6%.
  • América do Sul: 3,4%.
  • Europa: -0,1%.
  • Comunidade de Estados Independentes (CEI): -3,9%.
  • Oriente Médio: -17,2%.

A projeção negativa para o Oriente Médio reflete os impactos do conflito e as interrupções nos fluxos comerciais. Na Europa, a expectativa é de estabilidade, com pequena retração das exportações.

Importações também devem crescer de forma desigual

No lado das importações, a Ásia, a África e a CEI devem registrar os avanços mais expressivos em 2026.

As estimativas da OMC são de crescimento de 9,5% para a Ásia, 8,9% para a África e 8,8% para a Comunidade de Estados Independentes.

Na América do Norte, a expansão projetada é de 1,4%, enquanto a Europa deve avançar 0,5%. Já o Oriente Médio poderá registrar queda de 15,4% nas importações.

Os números indicam que os efeitos dos conflitos e das mudanças nas cadeias de abastecimento variam conforme a região e sua exposição às rotas comerciais e aos mercados de energia.

Comércio internacional de serviços perde força em 2026

Ao contrário do comércio de mercadorias, o segmento de serviços teve suas perspectivas reduzidas pela OMC. A organização passou a estimar crescimento de 3,3% no comércio mundial de serviços comerciais em 2026, ante os 4,8% previstos em março.

Para 2027, a expectativa é de recuperação, com expansão de 6,4%.

A revisão está relacionada principalmente aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os serviços de transporte e viagens internacionais. O aumento dos custos de energia, as alterações nas rotas aéreas e marítimas e a redução da demanda por deslocamentos devem limitar o desempenho desses segmentos.

Por outro lado, os serviços prestados digitalmente e outras atividades comerciais demonstram maior resistência às perturbações e devem continuar contribuindo para o crescimento do setor.

Projeções indicam resiliência, mas cenário segue incerto

A revisão das estimativas da OMC mostra que o comércio global conseguiu absorver parte dos impactos do conflito no Oriente Médio, apoiado pelo avanço tecnológico e pela reorganização das cadeias de suprimentos.

O crescimento dos investimentos em inteligência artificial deve continuar sustentando a demanda por mercadorias até 2027. Ainda assim, os riscos relacionados à energia, à logística e às diferenças regionais permanecem no radar da organização.

Enquanto o comércio de bens apresenta perspectivas mais favoráveis, os serviços devem enfrentar um ritmo de expansão mais moderado em 2026, antes da recuperação projetada para o ano seguinte.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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Economia

Economia global deve desacelerar em 2026 após guerra com Irã e avanço da inflação, alerta FMI

A economia global deve perder força em 2026, impulsionada pelos impactos da guerra envolvendo o Irã e pelo aumento da inflação mundial. O alerta foi divulgado nesta quarta-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que revisou para baixo suas projeções de crescimento econômico.

Segundo a instituição, a escalada do conflito afetou as cadeias de fornecimento de energia, elevou os preços das commodities e ampliou as pressões inflacionárias em diversas regiões do planeta.

Crescimento econômico será menor em 2026

Na atualização do relatório Perspectiva da Economia Mundial, o FMI estima que o crescimento da economia mundial cairá para 3% em 2026, abaixo dos 3,5% registrados no ano anterior. O número também representa uma leve redução em relação à projeção de 3,1% divulgada em abril, indicando que os efeitos do conflito tendem a se prolongar.

A entidade ressalta, porém, que o cenário continua cercado de incertezas e pode sofrer novas alterações conforme a evolução das tensões geopolíticas.

Guerra no Oriente Médio amplia riscos para o mercado de energia

De acordo com o FMI, os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã provocaram retaliações iranianas à infraestrutura energética da região, agravando um ambiente econômico que já enfrentava os efeitos da pandemia de Covid-19 e da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Nos últimos dias, novos ataques contra navios que tentavam atravessar o Estreito de Hormuz voltaram a gerar preocupações sobre a estabilidade do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Além disso, o governo norte-americano revogou a autorização que permitia temporariamente a ampliação das exportações de petróleo iraniano.

Embora o presidente Donald Trump tenha declarado durante reunião da OTAN, na Turquia, que acredita no fim do conflito, o FMI avalia que a situação permanece instável.

Inflação mundial deve acelerar

As dificuldades no transporte marítimo pelo Estreito de Hormuz elevaram os preços da energia, refletindo diretamente no custo de vida em diversos países.

Com esse cenário, a expectativa é que a inflação global avance de 4,1% em 2025 para 4,7% em 2026, impulsionada principalmente pelos preços elevados das commodities.

Economia demonstra resiliência, apesar dos desafios

Mesmo com perspectivas menos favoráveis para 2026, o FMI afirma que a economia internacional apresentou desempenho superior ao esperado no início deste ano.

Entre os fatores que contribuíram para esse resultado estão a expansão das energias renováveis, que ajudou a reduzir parte dos impactos da alta do petróleo, e o aumento dos investimentos em inteligência artificial, responsável por estimular a atividade econômica em diferentes setores.

Segundo os economistas do Fundo, a economia mundial conseguiu absorver os efeitos iniciais da guerra de maneira melhor do que se previa.

Oriente Médio concentra as maiores perdas

Os países produtores de petróleo no Oriente Médio aparecem entre os mais afetados pelo conflito e devem registrar retrações econômicas significativas ao longo do ano.

No caso do Irã, entretanto, a projeção econômica foi ligeiramente revisada para cima em relação ao relatório de abril, graças ao relaxamento temporário das sanções sobre suas exportações de petróleo. Essa flexibilização, no entanto, foi encerrada nesta semana após os novos episódios de ataques a embarcações na região.

Índia e China também devem crescer menos

As economias com elevado consumo de energia também sentirão os efeitos da valorização do petróleo.

A previsão é que o crescimento da Índia recue para 6,4% neste ano, abaixo dos 7,7% registrados em 2025. Já a China deverá desacelerar de 5% para 4,6% em 2026.

Nos Estados Unidos, o FMI manteve a estimativa de crescimento em 2,3%, sustentada pelo fortalecimento das exportações de petróleo e pelos investimentos no setor de tecnologia.

FMI reforça necessidade de controlar a inflação

O Fundo Monetário Internacional recomenda que autoridades econômicas mantenham o foco na estabilidade dos preços diante da volatilidade das commodities e da crescente demanda por tecnologias ligadas à inteligência artificial.

Nos Estados Unidos, embora o aumento dos preços dos combustíveis continue sendo motivo de preocupação política, o presidente do Federal Reserve, Kevin M. Warsh, afirmou recentemente que os riscos inflacionários diminuíram nas últimas semanas e reiterou o compromisso da autoridade monetária em manter a inflação sob controle.

FONTE: The New York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Arash Khamooshi/Polaris for The New York Times

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Informação

Guerra no Irã deve elevar preços de energia em 24% em 2026, projeta Banco Mundial

A escalada da guerra no Irã pode provocar um forte impacto nos mercados globais. Segundo o Banco Mundial, os preços da energia devem subir cerca de 24% em 2026, alcançando o maior patamar desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, caso o conflito no Oriente Médio seja contido até maio.

Risco de alta maior nas commodities

De acordo com o relatório Commodity Markets Outlook, o cenário pode se agravar caso as tensões persistam. O banco alerta que os preços das commodities globais tendem a subir ainda mais se houver prolongamento das hostilidades e interrupções no fornecimento.

A projeção base considera a retomada gradual do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz até outubro. Ainda assim, a instituição destaca que os riscos seguem direcionados para uma elevação mais intensa dos preços.

No cenário central, os preços das commodities devem avançar 16% em 2026, impulsionados pela alta da energia, dos fertilizantes e de metais estratégicos.

Petróleo dispara com crise no Oriente Médio

O mercado de petróleo já reage às incertezas. O petróleo Brent acumula valorização expressiva, com preços mais de 50% superiores em meados de abril na comparação com o início do ano.

A previsão do Banco Mundial indica que o barril deve atingir média de US$ 86 em 2026, acima dos US$ 69 registrados em 2025. Em um cenário mais crítico, com danos adicionais à infraestrutura energética, o valor pode chegar a US$ 115 por barril.

O bloqueio parcial do Estreito de Ormuz — responsável por cerca de 35% do comércio global de petróleo transportado por via marítima antes do conflito — tem limitado a oferta de energia e provocado um dos maiores choques de oferta já registrados.

Impactos na economia global e inflação

Para o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, os efeitos da guerra ocorrem em cadeia.

Segundo ele, o aumento dos preços da energia tende a ser seguido pela alta dos alimentos e da inflação global, o que pode resultar em juros mais elevados e crédito mais caro.

O impacto deve ser mais severo em países em desenvolvimento, especialmente os que já enfrentam alto nível de endividamento.

Fertilizantes e alimentos sob pressão

O conflito também afeta diretamente o setor agrícola. A previsão é de alta de 31% nos preços dos fertilizantes em 2026, com destaque para a ureia, que pode subir cerca de 60%.

Esse cenário pressiona o abastecimento de alimentos, reduz a renda de produtores e coloca em risco as próximas safras. O Programa Mundial de Alimentos estima que até 45 milhões de pessoas podem entrar em situação de insegurança alimentar aguda caso a guerra se prolongue.

Crescimento menor nas economias emergentes

Além da inflação, o crescimento econômico também deve desacelerar. O Banco Mundial projeta expansão de 3,6% nas economias em desenvolvimento em 2026, abaixo da estimativa anterior de 4%.

A inflação nesses países deve atingir 5,1%, podendo chegar a 5,8% em um cenário mais prolongado de conflito.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Internacional

Crise do petróleo global pode ser a pior da história, alerta agência internacional

A atual crise do petróleo pode superar os choques energéticos registrados nas décadas anteriores, segundo avaliação da Agência Internacional de Energia (IEA). O agravamento do cenário está diretamente ligado à guerra no Irã, que já provoca impactos relevantes no fornecimento global de energia.

Historicamente, crises como as dos anos 1970 levaram à adoção de medidas de economia de combustível, incluindo mudanças no transporte e maior eficiência dos veículos. No entanto, especialistas avaliam que o cenário atual é mais grave do que qualquer outro já registrado.

Liberação recorde de petróleo tenta conter preços

Diante da escalada dos preços, a IEA anunciou a liberação de cerca de 400 milhões de barris, um volume inédito, com o objetivo de amenizar os efeitos da crise energética global.

O diretor-executivo da agência, Fatih Birol, afirmou que líderes mundiais ainda não compreenderam plenamente a dimensão do problema. Segundo ele, o mundo enfrenta simultaneamente múltiplos choques energéticos.

“A gravidade da situação não está sendo totalmente entendida. Estamos diante de duas crises do petróleo e uma crise do gás ao mesmo tempo”, alertou.

Preço do petróleo dispara e pressiona economia

Mesmo com sinais diplomáticos envolvendo negociações entre Estados Unidos e Irã, os preços do petróleo Brent ultrapassaram US$ 110 por barril recentemente. Após declarações políticas, houve recuo de cerca de 10%, mas os valores seguem elevados.

Economistas avaliam que o aumento pode gerar efeitos em cadeia, como alta nos preços dos alimentos, pressão sobre políticas de juros e risco de desaceleração econômica. Caso o barril atinja US$ 140, há temor de impacto severo na economia global.

Perdas superam crises anteriores

De acordo com dados apresentados pela IEA, a redução atual na oferta já supera os níveis registrados em crises passadas.

Nas décadas de 1970, os choques de 1973 e 1979 retiraram juntos cerca de 10 milhões de barris diários do mercado. Agora, a perda já chega a aproximadamente 11 milhões de barris por dia.

Além disso, o mercado de gás também sofre forte impacto. Após a guerra na Ucrânia, a redução foi de cerca de 75 bilhões de metros cúbicos. No cenário atual, esse número praticamente dobrou, alcançando cerca de 140 bilhões.

Cadeias globais de suprimentos também são afetadas

A crise não se limita ao petróleo e ao gás. O conflito tem comprometido cadeias essenciais da economia mundial, incluindo o fornecimento de fertilizantes, petroquímicos e outros insumos estratégicos.

O Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte global, concentra grande parte do fluxo de ureia, componente fundamental para a produção agrícola. Interrupções nessa região podem elevar custos e impactar diretamente os preços dos alimentos.

Infraestrutura energética sofre danos significativos

Outro fator de preocupação é a destruição de ativos energéticos. Segundo a IEA, dezenas de instalações — como refinarias, oleodutos e campos de gás — foram danificadas em diversos países.

A recuperação dessas estruturas pode levar tempo, o que indica que os efeitos da crise do petróleo global podem persistir mesmo após o fim do conflito.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Rohan Thomson/Bloomberg/Getty Images/Fortune

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Comércio Internacional

Exportações da China crescem 21,8% no início de 2026 e superam expectativas do mercado

A China começou 2026 com um desempenho expressivo no comércio exterior. As exportações chinesas avançaram 21,8% em dólares entre janeiro e fevereiro, superando com ampla margem as previsões do mercado e indicando continuidade do ritmo forte após o superávit comercial recorde registrado no ano passado.

O resultado também ficou muito acima da expansão de 6,6% registrada em dezembro e da estimativa de 7,1% apontada por economistas consultados. O desempenho reforça a posição da segunda maior economia do mundo como um dos principais motores do comércio global.

Segundo especialistas, a demanda internacional por produtos tecnológicos tem sido um dos principais fatores por trás do avanço das remessas chinesas.

Tecnologia e eletrônicos lideram crescimento das exportações

O setor de tecnologia aparece entre os principais impulsionadores das exportações da China. A venda de circuitos integrados e produtos eletrônicos ganhou força com o aumento global de investimentos ligados à inteligência artificial.

Para Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit, esse movimento já era esperado diante da expansão do setor tecnológico.

Além disso, alguns segmentos tradicionais também surpreenderam positivamente. “O crescimento das exportações de roupas, têxteis e bolsas foi inesperado, considerando o desempenho fraco desses setores em 2025 diante da concorrência do Sudeste Asiático e do Sul da Ásia”, avaliou o economista.

Embarques podem acelerar com demanda dos EUA

Analistas apontam que o ritmo das exportações pode se intensificar no curto prazo. Há expectativa de que os dados de março mostrem um aumento adicional nos embarques, especialmente para os Estados Unidos.

Esse movimento estaria relacionado à tentativa de fabricantes chineses de antecipar exportações enquanto permanece em vigor a suspensão de tarifas comerciais determinada pela Suprema Corte norte-americana.

Outro fator seria o retorno de empresas chinesas a setores de menor valor agregado, como o têxtil, ampliando a presença do país nesses mercados.

Tensões geopolíticas ainda são risco para o comércio

Apesar do cenário positivo, economistas alertam que tensões geopolíticas podem afetar o comércio global nos próximos meses.

Ainda é incerto o impacto de possíveis conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, especialmente diante do risco de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Caso ocorram restrições no fluxo de energia ou transporte marítimo, a cadeia global de suprimentos poderia ser afetada.

China amplia estoques de commodities estratégicas

Nos primeiros meses do ano, a China também reforçou seus estoques de commodities essenciais para a indústria, incluindo minério de ferro e petróleo bruto.

A estratégia ajuda a proteger o setor produtivo contra eventuais oscilações nos mercados internacionais de energia e matérias-primas.

Superávit comercial cresce no início do ano

Os dados oficiais mostram ainda que o superávit comercial chinês atingiu US$ 213,6 bilhões entre janeiro e fevereiro, superando com folga os US$ 169,21 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

O resultado também ficou acima da previsão de economistas, que projetavam um saldo de US$ 179,6 bilhões.

As importações da China também apresentaram crescimento significativo no início de 2026, com alta de 19,8% no bimestre, acelerando em relação ao avanço de 5,7% observado em dezembro.

Fonte: Infomoney com informações de Reuters.

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução Infomoney / China Daily via REUTERS//File Photo

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Economia

Cenário econômico mundial e efeitos para o Brasil serão debatidos em palestra na FIESC

A FIESC receberá, em 11 de dezembro, o presidente do IBEF-MG, Júlio Damião, para uma palestra dedicada aos impactos do cenário econômico mundial sobre o Brasil e, especialmente, sobre Santa Catarina. O encontro integra a agenda de debates sobre competitividade e tomada de decisão no setor industrial.

Indústria catarinense e os desafios internacionais
Com um ambiente global marcado por volatilidade, mudanças rápidas e maior incerteza, a capacidade de antecipar tendências, avaliar riscos e adaptar estratégias se tornou decisiva. Santa Catarina, reconhecida como um dos estados mais internacionalizados do país, sente de forma direta os efeitos das transformações no comércio exterior, nas cadeias produtivas e nas condições financeiras globais.

Evento presencial e transmissão online
O seminário será realizado às 14h, na sede da FIESC em Florianópolis, com participação presencial aberta ao público inscrito. A programação também contará com transmissão ao vivo pelo canal oficial da entidade no YouTube, ampliando o alcance do debate.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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Comércio Exterior

China torna o comércio global inviável, aponta análise do Financial Times

Em uma visita recente à China continental, economistas, empresários e especialistas consultados levantaram uma mesma preocupação: o que a China pretende comprar do resto do mundo no futuro? As respostas variaram entre soja, minério de ferro, artigos de luxo e educação superior, mas nenhuma delas ofereceu uma perspectiva concreta de demanda que sustente relações comerciais equilibradas.

Muitos interlocutores admitiram que, para Pequim, a solução ideal seria permitir que empresas chinesas instalem fábricas no exterior, especialmente na Europa — um indício de que a China não busca ampliar importações, e sim fortalecer sua capacidade produtiva no próprio território.

China aposta na independência total das importações

A percepção dominante entre analistas é clara: a China não pretende depender de produtos estrangeiros. Mesmo em setores nos quais ainda é cliente, como semicondutores, software, máquinas industriais e aeronaves comerciais, o país trabalha aceleradamente para dominar toda a cadeia produtiva. A lógica é simples: importar apenas enquanto é necessário, até ter condições de produzir melhor e mais barato.

Para economistas chineses, a busca por autossuficiência se justifica pela “profunda sensação de insegurança” causada pelas restrições tecnológicas impostas pelos EUA. Embora compreensível, essa estratégia expõe um dilema: como o mundo pode continuar comerciando com a China se ela não quer comprar?

Impactos globais do modelo mercantilista chinês

A dependência de exportações para sustentar o crescimento chinês está pressionando economias desenvolvidas. Uma projeção recente do Goldman Sachs mostra que o impulso extra da economia chinesa até 2035 virá principalmente das exportações, reduzindo o espaço de outros países em mercados globais.
A Alemanha seria uma das mais prejudicadas, com queda de até 0,3 ponto percentual em seu crescimento anual.

Para além da disputa comercial, existe um problema prático: sem exportar mais, países como Europa, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos não terão como pagar pelas importações chinesas. Pequim, por sua vez, teme a desvalorização de seu gigantesco estoque de ativos em dólar.

Por que mudanças dependem da China

Soluções efetivas exigiriam que a China estimulasse seu consumo interno, enfrentasse a deflação, reduzisse subsídios bilionários à indústria e permitisse a valorização do yuan. Essas medidas também beneficiariam diretamente a população chinesa, que hoje sacrifica parte de seu padrão de vida para sustentar a competitividade do país.

Mas o novo plano quinquenal de Pequim indica outra direção: as prioridades continuam sendo manufatura e tecnologia, com o consumo apenas em terceiro plano.

Qual o caminho para a Europa?

A Europa, segundo especialistas, enfrenta duas alternativas — uma difícil e outra arriscada. A primeira é tornar-se mais competitiva, investindo em tecnologia e reduzindo custos estruturais para gerar novos valores econômicos. A segunda, considerada a “solução ruim”, é recorrer ao protecionismo para preservar sua base industrial.

Em um cenário em que a China exporta produtos mais baratos e não demonstra interesse em ampliar importações, a tendência é que países ocidentais dependam cada vez mais de seu próprio mercado interno. No limite, a adoção de barreiras comerciais pode levar a novas tensões e ao enfraquecimento ainda maior do sistema global de comércio.

No entanto, quando todas as boas alternativas se esgotam, as más acabam prevalecendo. Se a China continuar comprando apenas commodities e itens de consumo, o mundo deverá se preparar para responder da mesma forma.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Internacional

Trump faz concessões a Xi Jinping e analistas apontam vitória diplomática da China

O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, resultou em uma série de concessões concretas de Washington, incluindo redução de tarifas e suspensão de novas sanções comerciais. Já as promessas de Pequim foram descritas como vagas e temporárias, levando analistas a concluir que a China saiu fortalecida nas negociações.

Segundo o Ministério do Comércio da China, os EUA concordaram em diminuir em 10% a tarifa aplicada como punição pelo tráfico de fentanil e suspender uma nova tarifa de 100%, que começaria em 1º de novembro. Além disso, a trégua tarifária entre os países foi prorrogada por mais um ano — uma das maiores desescaladas desde o início da guerra comercial entre EUA e China.

Em contrapartida, Pequim aceitou manter temporariamente a suspensão dos controles de exportação de terras raras, insumos essenciais para a indústria tecnológica e militar. Trump, no entanto, reconheceu que o acordo precisará ser renegociado ao final do prazo.

China explora vantagem em terras raras

Para especialistas, a China soube usar seu domínio sobre as terras raras como instrumento de pressão. O pesquisador Jonathan Czin, do Brookings Institution, afirmou ao The New York Times que Pequim “orquestrou com sucesso um jogo de ‘whack-a-mole’ com a administração Trump”, reagindo estrategicamente a cada movimento americano.

O colunista Nicholas Kristof, também do New York Times, observou que o resultado da reunião “parece um retorno ao status quo, mas na prática representa uma rendição americana”, já que as tarifas impostas por Trump acabaram fortalecendo a posição chinesa no mercado global.

De forma semelhante, Joe Mazur, analista da Trivium China, disse à Reuters que o encontro confirmou a estratégia de Pequim de “nunca atacar primeiro, mas sempre contra-atacar”, classificando o controle chinês sobre as terras raras como “o maior trunfo da China”, diante da falta de alavancagem dos EUA.

Analistas veem pausa, não avanço

Outros especialistas consideram que o acordo adiou uma nova crise comercial, mas sem representar um avanço real. “Foi menos um progresso do que uma pausa para respirar”, avaliou Craig Singleton, da Foundation for Defense of Democracies, em entrevista ao Politico. Já a revista The Economist descreveu o encontro como “mais um grande bazar do que um grande acordo”.

Conversas continuam em clima cauteloso

Apesar de Trump ter classificado a reunião como “incrível” e nota “12 em uma escala de 1 a 10”, o tom do comunicado chinês foi mais diplomático. Pequim destacou que as equipes “devem continuar o diálogo com igualdade, respeito e benefício mútuo”.

Entre os temas paralelos discutidos, estão o aumento das importações chinesas de soja, petróleo e gás, a possível venda da TikTok e restrições à exportação de chips semicondutores americanos. Trump comentou sobre a venda de chips: “isso cabe a vocês e à Nvidia — somos apenas árbitros”.

Em postagem posterior, o republicano afirmou que a China comprará “quantidades enormes” de soja e pode realizar uma “grande compra” de petróleo e gás do Alasca. O governo chinês, por sua vez, declarou que pretende expandir o comércio agrícola e resolver adequadamente as questões envolvendo o TikTok.

Trump também suavizou sua exigência para que Pequim reduzisse as compras de petróleo russo, admitindo que “não há muito mais que eles possam fazer” sobre a relação com Moscou.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
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Economia, Informação, Mercado Internacional, Negócios, Oportunidade de Mercado

Serviço digital é futuro da exportação e Brasil cresce acima da média, diz OMC

Genebra

Entre todas as incertezas que permeiam as discussões sobre o futuro do comércio global, a OMC (Organização Mundial do Comércio) tem ao menos uma convicção. A instituição vê a venda de serviços digitais como grande impulsionadora das exportações nos próximos anos e países menos desenvolvidos com grande chance de serem beneficiados pela tendência.

A visão pode desafiar a noção tradicional de que a exportação de um país deve se basear em produtos manufaturados, mas os números mostram que os serviços digitais são campeões de crescimento no comércio internacional hoje e que o Brasil cresce acima da média global.

Especialistas dizem que os dados são apenas uma amostra do que está por vir.

O crescimento global da exportação de serviços digitais foi de 313% nos últimos 18 anos (2005 a 2023), enquanto no Brasil foi de 495%. No mesmo período, a venda de produtos físicos avançou em bases mais tímidas: 121% no mundo e 187% no país.

De acordo com a OMC, a expansão do trabalho remoto fez um número crescente de empresas, especialmente aquelas em economias de alta renda, dependerem de serviços importados para uma ampla gama tarefas como contabilidade, design gráfico e engenharia de software.

A instituição também destaca o potencial de áreas como tecnologia da informação e comunicação, além de ver demanda crescente por serviços digitais de saúde e bem-estar em decorrência do envelhecimento da população em economias de maior renda.

Ngozi Okonjo-Iweala, diretora-geral da OMC, tem direcionado grande parte da energia da instituição ao tema e vê na tendência uma chance para tornar a economia global mais inclusiva. “O comércio de serviços está no centro dos nossos esforços para reimaginar a globalização e estender os benefícios do comércio a mais pessoas e países”, afirmou durante discurso no fórum anual da instituição em Genebra.


Segundo ela, já há crescimento de empregos vinculado à exportação de serviços digitais. Em países como Índia, África do Sul e Turquia, trabalhos diretamente vinculados a esse item respondem por mais de 10% do total de empregos no setor de serviços. E para alguns países, como a Costa Rica, as exportações de serviços respondem por mais de 20% do total de empregos.

“Isso importa mais do que nunca porque as perspectivas de crescimento e geração de empregos das economias em desenvolvimento estão nos serviços. A manufatura, que é cada vez mais intensiva em capital e qualificação, não será capaz de absorver os entrantes da força de trabalho em massa da maneira que poderia ter feito no passado”, afirma Iweala.

A OMC enfatiza em especial o aspecto social da exportação de serviços. Enquanto a exportação de bens industrializados é executada por empresas maiores, a maior parte dos serviços é conduzida por micro, pequenas e médias empresas. Por isso, conectar essas empresas aos mercados internacionais espalharia os ganhos do comércio de forma ainda mais ampla.

Richard Baldwin, professor de economia internacional na IMD Business School, afirma que a pauta de serviços ganha relevância diante da difícil tarefa de expandir exportações em bens físicos de alto valor agregado. “Primeiro, a demanda por produtos industrializados estagnou. Além disso, a China domina a manufatura”, diz.

Ele afirma que ninguém no mundo está exatamente liderando esse mercado, o que dá uma grande oportunidade para países mais pobres, e que a a exportação de serviços já está crescendo em 70% dos países emergentes devido à a busca de grandes empresas por menores custos. Para ele, o movimento deve se acelerar conforme são derrubadas as barreiras comerciais existentes hoje –segundo ele, milhares de vezes mais potentes atualmente do que aquelas em vigor para bens físicos.

Também deve alavancar o mercado o avanço tecnológico de diferentes ferramentas, como tradução simultânea e inteligência artificial. A localização geográfica e o fuso-horário vão fazer diferença, diz ele, devido à necessidade de um contato mais próximo entre quem encomenda e quem entrega o serviço –por isso, a América Latina teria potencial de ficar com grande parte do mercado de EUA e Canadá; enquanto África atenderia às necessidades da Europa.

Um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de 2022 apontou o Brasil como um forte competidor na área, por fatores como o crescimento da população com acesso à internet –que triplicou em apenas 15 anos.

“Os serviços digitais representam uma parcela importante e crescente das exportações do Brasil e, nessa área, o país supera muitos parceiros regionais”, afirma a OCDE. Uma boa chance para crescimento, diz a Organização, está na diminuição de barreiras para uso de tecnologia voltada à facilitação da exportação.

Jennifer Hillman, professora da Georgetown University Law Center e ex-integrante da OMC, diz que uma boa infraestrutura digital é o ponto de partida para as discussões. Para ela, no entanto, o crescimento do setor depender de uma boa regulamentação e a ausência dos Estados Unidos no debate, devido à ausência de consenso interno sobre o assunto, tem prejudicado o debate.

“O ponto-chave é que há uma grande promessa que os serviços digitais oferecem para o desenvolvimento, porque isso permitirá um crescimento massivo em muitas economias. Mas isso requer que não coloquemos mais barreiras e que descubramos uma maneira de fazer a regulamentação realmente funcionar”, afirma.


Fonte: Folha
Serviço digital é futuro da exportação, diz OMC – 16/09/2024 – Mercado – Folha (uol.com.br)

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