Comércio Internacional

Exportações da América Latina crescem 20% e reacendem debate sobre novo ciclo de commodities

As exportações da América Latina e do Caribe avançaram 20% no primeiro semestre de 2026, na comparação com igual período do ano anterior, impulsionadas principalmente pela valorização das commodities no mercado internacional. O resultado ocorre em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, pela guerra no Oriente Médio e pela disputa comercial entre Estados Unidos e China.

Os dados fazem parte de uma análise da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão das Nações Unidas voltado à promoção do desenvolvimento regional. O levantamento aponta que o comércio exterior latino-americano se beneficiou da expansão das trocas globais, mas também destaca desafios para transformar o aumento das receitas com matérias-primas em desenvolvimento econômico de longo prazo.

No mesmo período, as importações da região cresceram 14%, indicando uma ampliação dos fluxos comerciais.

Comércio mundial supera projeções e favorece a região

O volume do comércio internacional aumentou mais de 5% nos primeiros seis meses de 2026, segundo a Cepal. O desempenho supera em mais do dobro a estimativa de crescimento de 1,9% para o ano inteiro divulgada anteriormente pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Parte significativa dessa expansão foi sustentada pela demanda por componentes eletrônicos associados aos investimentos em inteligência artificial. China e outras economias emergentes da Ásia tiveram papel central nesse movimento.

Nesse contexto, a América Latina e o Caribe figuram entre as regiões beneficiadas pelo crescimento das trocas globais, especialmente devido à alta dos preços de produtos básicos e recursos naturais.

Alta das commodities impulsiona receitas de exportação

A valorização das matérias-primas é apontada pela Cepal como um dos principais fatores por trás do avanço das vendas externas latino-americanas.

Entre janeiro e agosto de 2026, o índice agregado de preços das exportações regionais subiu 23,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Para o conjunto do ano, a projeção é de aumento de 20,4%.

O destaque está no segmento de minerais e metais, cujos preços devem avançar 31,6%. Entre os produtos que sustentam essa perspectiva estão cobre, ouro, prata e estanho.

Para o segundo semestre, a expectativa também é positiva. Em valor, as exportações regionais de bens devem crescer 20% em 2026, resultado de uma combinação entre aumento de 11% nos preços e expansão de 9% nos volumes embarcados.

Caso a estimativa se confirme, a região completará seis anos consecutivos de crescimento no volume de mercadorias exportadas.

Ásia ganha espaço como destino das exportações latino-americanas

Além do crescimento das receitas, a distribuição geográfica do comércio exterior da região passa por mudanças importantes, com maior direcionamento das vendas para os mercados asiáticos.

As exportações para países da Ásia, excluindo a China, devem registrar o maior avanço entre os principais destinos em 2026, com alta projetada de 32% em valor.

As vendas para os Estados Unidos devem aumentar 24%, enquanto os embarques para a União Europeia têm previsão de crescimento de 20%. Para a China, a estimativa é de avanço de 19%.

Já o comércio entre os próprios países latino-americanos deve apresentar expansão mais moderada, de 8%.

Os números indicam uma diversificação dos mercados de destino, embora o desempenho regional continue condicionado à demanda internacional e à evolução dos preços das matérias-primas.

América Latina pode viver um novo superciclo de commodities?

O avanço das exportações levanta a possibilidade de um novo superciclo de commodities, semelhante ao observado entre 2003 e 2014. Naquele período, a forte demanda global elevou os preços dos recursos naturais, ampliou a entrada de divisas e favoreceu o crescimento econômico de diversos países latino-americanos.

Em entrevista ao Herald, o secretário-executivo da Cepal, José Manuel Salazar, reconheceu que o cenário atual abre uma janela de oportunidade para a região. No entanto, ressaltou que as condições econômicas de hoje são bastante diferentes das que impulsionaram o ciclo anterior.

No início do século, o principal motor foi a rápida industrialização chinesa. Durante mais de uma década, a economia do país asiático cresceu entre 9% e 10% ao ano, ampliando significativamente a demanda mundial por petróleo, metais e outros produtos básicos.

Agora, segundo Salazar, as perspectivas estão mais relacionadas à transformação tecnológica, à busca por segurança energética e à transição para uma economia de baixo carbono.

Essa mudança altera o perfil da demanda por recursos naturais e aumenta as incertezas sobre quais matérias-primas terão maior relevância no futuro.

Transição energética e tecnologia trazem riscos para os minerais

A transformação tecnológica cria oportunidades para os países que possuem reservas minerais estratégicas, mas também introduz riscos para os exportadores.

Salazar citou o lítio como exemplo. Embora o mineral seja importante para determinadas tecnologias de baterias, o desenvolvimento de alternativas que dispensem sua utilização poderia reduzir a demanda internacional.

O avanço das pesquisas em países desenvolvidos e na China torna difícil prever quais tecnologias prevalecerão nos próximos anos.

Outro segmento que desperta interesse é o das terras raras, conjunto de elementos utilizados em diferentes aplicações tecnológicas e industriais. Vários países latino-americanos possuem depósitos desses recursos, mas aproveitar esse potencial exige investimentos e conhecimento especializado.

Segundo o secretário-executivo da Cepal, a extração e o refino das terras raras são operações mais complexas do que os processos empregados na produção de cobre e de outros minerais.

Por isso, a simples existência de reservas não garante que os países da região conseguirão transformar esses recursos em ganhos econômicos duradouros.

Agregar valor à produção é o principal desafio regional

Para a Cepal, o desafio da América Latina vai além de ampliar o fornecimento de matérias-primas ao mercado internacional. A região precisa desenvolver capacidades produtivas, tecnológicas e industriais que permitam aproveitar melhor a valorização dos recursos naturais.

A incorporação de conhecimento, inovação e mão de obra qualificada pode ajudar os países a avançar para etapas de maior valor agregado nas cadeias globais de produção.

A estratégia também reduziria a dependência das oscilações dos preços internacionais, um dos fatores que historicamente tornam as economias exportadoras de commodities mais vulneráveis.

Nesse cenário, um eventual novo superciclo poderá representar uma oportunidade relevante para a América Latina, desde que o aumento das receitas com exportações seja acompanhado por investimentos em tecnologia, processamento industrial e qualificação profissional.

O objetivo, portanto, é converter a demanda global por recursos naturais em ganhos estruturais de produtividade e desenvolvimento econômico, em vez de depender exclusivamente da venda de produtos básicos.

FONTE: Buenos Aires Herald
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Buenos Aires Herald

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Economia

Crescimento econômico na América Latina: as 10 economias que mais devem avançar em 2026, segundo a Cepal

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) projeta um 2026 de crescimento moderado para a região. De acordo com as estimativas divulgadas no fim de 2025, a América do Sul deve desacelerar de 2,9% para 2,4%, enquanto o conjunto de América Latina e Caribe deve registrar expansão de 2,3%.

O cenário não indica retração econômica, mas reforça a tendência de baixo crescimento estrutural, que há anos limita o avanço mais consistente das economias latino-americanas.

Média regional esconde diferenças relevantes

Apesar do desempenho agregado modesto, os números revelam contrastes importantes entre os países. Parte significativa da expansão regional vem de casos específicos, que elevam a média.

O principal exemplo é a Guiana, que deve crescer 24% em 2026, impulsionada pela produção de petróleo. O ritmo acelerado, no entanto, não reflete a realidade da maior parte dos vizinhos.

A própria Cepal destaca que o Caribe apresenta taxas elevadas de crescimento, mas o resultado perde força quando a Guiana é retirada do cálculo — evidenciando o chamado “efeito lupa” nas estatísticas regionais.

Argentina aparece entre os destaques, mas com desafios

A Argentina, sob o governo de Javier Milei, surge entre as economias com maior expansão prevista, com alta estimada em 3,8% para 2026.

Apesar da projeção positiva, os dados do fim de 2025 indicavam um percurso irregular. O PIB argentino avançou 0,3% no terceiro trimestre, abaixo das expectativas, com as exportações sustentando o resultado em meio a um ambiente econômico ainda desafiador.

As 10 economias da América Latina que mais devem crescer em 2026

Segundo as projeções da Cepal, os países com maior crescimento econômico esperado para 2026 são:

  1. Guiana – 24,0%
  2. República Dominicana – 4,3%
  3. Panamá – 4,2%
  4. Guatemala – 4,0%
  5. Honduras – 4,0%
  6. Paraguai – 4,0%
  7. Argentina – 3,8%
  8. Costa Rica – 3,8%
  9. **Nicarágua – 3,4%
  10. Suriname – 3,4%

O levantamento reforça que, embora haja focos de dinamismo, o cenário regional segue marcado por crescimento desigual, dependência de fatores externos e desafios estruturais que limitam uma expansão mais robusta.

FONTE: Revista Forum
TEXTO: Redação
IMAGEM: – Wikipédia/Reprodução

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Economia

Banco Mundial eleva previsão de crescimento da América Latina para 2026, mas alerta para desafios estruturais

Região segue com o ritmo mais lento de expansão global.

O Banco Mundial revisou para cima sua projeção de crescimento econômico da América Latina e do Caribe para 2026. Apesar da leve melhora nas estimativas, a região continua sendo a de menor expansão no mundo, impactada por fatores como inflação persistente, altos níveis de endividamento e incertezas ligadas às políticas tarifárias dos Estados Unidos.

Segundo o novo relatório, a economia latino-americana deve crescer 2,5% em 2026, acima da previsão anterior de 2,4%, divulgada em junho. Para 2025, a expectativa de avanço permanece em 2,3%, representando uma leve recuperação frente aos 2,2% registrados em 2024.

Projeções para Brasil e México se mantêm estáveis

O Banco Mundial manteve sua projeção de crescimento para o Brasil em 2,4% em 2025, com desaceleração prevista para 2,2% em 2026. Já o México deve registrar expansão de 0,5% este ano, acima da estimativa anterior de 0,2%, acelerando para 1,4% no próximo ano.

De acordo com Susana Cordeiro Guerra, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, os governos da região têm conseguido preservar a estabilidade econômica, mesmo diante de sucessivos choques. “Agora é o momento de avançar em reformas que melhorem o ambiente de negócios, ampliem os investimentos em infraestrutura e mobilizem o capital privado”, afirmou.

Argentina e Bolívia enfrentam cenários distintos

A Argentina continua sendo uma das economias com maior ritmo de crescimento entre as grandes da região. No entanto, o Banco Mundial reduziu sua projeção para 2025, de 5,5% para 4,6%, e prevê desaceleração para 4% em 2026.

Já a Bolívia deve enfrentar retração neste e no próximo ano, o que representa um desafio adicional para o governo que será eleito no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 19 de outubro.

Entraves estruturais limitam o desenvolvimento

O relatório do Banco Mundial aponta que, embora os preços devam se manter estáveis, as metas de inflação tornaram-se mais difíceis de alcançar e a queda das taxas de juros ocorre de forma lenta. Além disso, as incertezas sobre o comércio global, especialmente diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, têm inibido investimentos em diversos setores.

Outros fatores históricos também continuam limitando o crescimento: infraestrutura precária, sistemas educacionais deficientes e um ambiente de negócios que favorece empresas já consolidadas. “As empresas querem contratar, mas não encontram trabalhadores qualificados”, explicou William Maloney, economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe. “O problema está tanto na formação escolar quanto no sistema de capacitação profissional.”

Fonte: Reuters / Infomoney
TEXTO: REDAÇÃO
IMAGEM: PORTO DE ITAJAÍ

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