Transporte

Transnordestina conclui lote 6 e prevê mais 70 km de ferrovia até o fim de 2026

A Transnordestina concluiu ontem (21) as obras do lote 6 da ferrovia, com a entrega de um trecho de 50 quilômetros entre Quixeramobim e Quixadá, no Ceará. A conclusão amplia o avanço físico da primeira fase do projeto e mantém a previsão de novas entregas ainda em 2026.

A expectativa é colocar em operação mais 70 quilômetros da Ferrovia Transnordestina até o fim deste ano. Estão incluídos nessa etapa o lote 7, entre Quixadá e Itapiúna, e o lote 11, que contempla o trecho entre Caucaia e o Porto do Pecém.

Transnordestina chega a 84% de execução

Com a conclusão do lote 6, a primeira fase da ferrovia alcança 832 quilômetros executados de um total previsto de 1.053 quilômetros. Isso representa 84% de avanço físico da obra.

Os 221 quilômetros restantes continuam em construção, com trabalhos de infraestrutura e superestrutura. A previsão é concluir essa etapa da obra da Transnordestina até o final de 2027.

Segundo Ismael Trinks, diretor-presidente da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), a meta é entregar 120 quilômetros de ferrovia em 2026. Desse total, 50 quilômetros correspondem ao lote 6, enquanto os demais trechos serão distribuídos entre os lotes 7 e 11.

A estratégia inclui iniciar os trabalhos a partir do trecho próximo ao Pecém para acelerar o avanço da ferrovia e permitir que as frentes de obras se encontrem ao longo do trajeto.

Trecho entre Quixeramobim e Quixadá

De acordo com informações da Marquise Infraestrutura divulgadas pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), o trecho recém-entregue entre Quixeramobim e Quixadá conta com seis pontes e viadutos.

A construção mobilizou 590 trabalhadores e utilizou 181 equipamentos e máquinas pesadas durante a execução dos serviços.

A Transnordestina foi projetada para conectar Eliseu Martins, no Piauí, ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará. A ferrovia deverá formar um importante corredor para o transporte de cargas entre regiões produtoras do interior e o litoral cearense.

Ferrovia deve estimular novos investimentos no Sertão Central

Durante a entrega do lote 6, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, Fábio Feijó, ressaltou a integração entre os sistemas ferroviário, rodoviário e portuário como fator para a atração de empresas e a criação de empregos e renda.

A estrutura logística prevista para Quixadá também inclui áreas destinadas à carga e descarga e ao armazenamento de produtos. A expectativa é que, a partir desse centro logístico, seja desenvolvida uma área industrial capaz de impulsionar a economia do Sertão Central.

O prefeito de Quixadá, Ricardo Silveira, afirmou que o terminal logístico de Quixadá, instalado em uma área pública de 90 hectares, deve avançar em breve.

Segundo ele, a linha ferroviária já foi desviada para viabilizar a implantação do terminal. As articulações para o projeto devem começar nos próximos dias ou meses, paralelamente às iniciativas para atrair indústrias para o município e a região.

Transnordestina pode ampliar operação até Quixadá

Além das obras de expansão, a Transnordestina Logística informou que solicitou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a inclusão de mais 150 quilômetros na licença de operação atualmente vigente.

Hoje, a ferrovia já possui operação parcial no interior do Ceará, conectando Bela Vista do Piauí a Iguatu. Com a ampliação da autorização ambiental, a operação comercial poderá avançar até Quixadá.

De acordo com Ismael Trinks, a extensão da licença permitirá a operação comercial de mais 150 quilômetros. A região de Quixadá é considerada estratégica para a instalação de terminais de carga, com potencial para movimentar produtos como grãos, calcário e minério.

A expectativa é que a ampliação da operação contribua para a movimentação de cargas e para a geração de emprego e renda no município e no Ceará, além de fortalecer a própria atividade ferroviária.

FONTE: Diário do Nordeste
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Tiago Stille

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Transporte

Abandono da ferrovia mudou a economia e transformou a realidade de Baturité, no Ceará

Durante décadas, a ferrovia foi o principal motor do desenvolvimento de Baturité, no interior do Ceará. O transporte de passageiros e mercadorias impulsionava o comércio, fortalecia a economia local e garantia renda para centenas de famílias. Hoje, porém, os trilhos abandonados e as antigas estações ferroviárias contam uma história diferente: a de um município que perdeu dinamismo após a desativação da malha ferroviária.

A antiga Estrada de Ferro de Baturité, inaugurada no século XIX, foi fundamental para o escoamento da produção agrícola, especialmente do café, conectando o interior ao Porto de Fortaleza. Na época, o município respondia por cerca de 2% das exportações brasileiras do grão, consolidando-se como um importante polo econômico do Estado.

Ferrovia impulsionava comércio e geração de renda

O movimento intenso de trens transformava a estação ferroviária em um centro de negócios. Agricultores, comerciantes e moradores aproveitavam a chegada das composições para vender frutas, hortaliças, tapioca, macaxeira e outros produtos típicos da região.

Segundo relatos preservados no Museu da Estação Ferroviária de Baturité, as tradicionais cestas de uvas produzidas na cidade eram um dos símbolos da economia local. O fluxo constante de passageiros e cargas movimentava toda a cadeia produtiva e beneficiava diversas famílias que dependiam diretamente da atividade ferroviária.

Desativação dos trilhos alterou a dinâmica da cidade

Com o enfraquecimento da cultura cafeeira e a redução gradual das operações ferroviárias, Baturité passou a enfrentar uma transformação econômica. O transporte de passageiros foi encerrado no fim da década de 1980, encerrando um ciclo que havia sustentado o crescimento da cidade por décadas.

Sem a circulação dos trens, feiras deixaram de existir, antigos armazéns perderam sua função e muitos trabalhadores precisaram buscar novas fontes de renda. Oficinas mecânicas, pequenos comércios e outras atividades passaram a ocupar espaços que antes eram dedicados ao setor ferroviário.

Além do impacto econômico, a mudança afetou tradições locais. Cultivos que dependiam do comércio realizado na estação, como a produção de uvas, praticamente desapareceram da paisagem urbana.

Trilhos abandonados refletem perda de desenvolvimento

Atualmente, boa parte da antiga malha ferroviária apresenta sinais de abandono. Trechos cobertos pela vegetação, dormentes deteriorados e estruturas históricas sem utilização evidenciam a falta de investimentos na infraestrutura ferroviária do Ceará.

Embora o Museu da Estação preserve parte dessa memória, moradores e pesquisadores defendem que a recuperação do patrimônio ferroviário e a criação de projetos voltados ao turismo podem contribuir para revitalizar a economia regional.

A expectativa também está relacionada à conclusão da Transnordestina, considerada estratégica para fortalecer a logística, ampliar o transporte ferroviário de cargas e estimular novos investimentos no interior cearense. Especialistas, no entanto, avaliam que a nova ferrovia dificilmente devolverá às cidades o papel econômico exercido pela antiga Estrada de Ferro de Baturité.

FONTE: Diário do Nordeste
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Diário do Nordeste

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