Internacional

Hong Kong lança primeiro plano quinquenal com foco em tecnologia, finanças e logística

Hong Kong apresentou seu primeiro plano quinquenal de desenvolvimento, incluído no discurso de políticas públicas de 2026 do chefe do Executivo, John Lee. O programa estabelece prioridades econômicas e sociais para o território até 2030 e amplia a coordenação do governo em áreas estratégicas.

A estratégia mantém a importância de Hong Kong como centro financeiro internacional, mas prevê maior atenção a tecnologia, logística, educação e inovação, além de uma integração mais estreita com a Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau.

Governo amplia coordenação econômica

O documento prevê a definição de metas conjuntas entre diferentes órgãos do governo e o alinhamento dos projetos locais ao 15º Plano Quinquenal da China.

A iniciativa foi descrita pela imprensa internacional, incluindo a Associated Press e o Financial Times, como uma sinalização de participação mais ativa do Estado na economia de Hong Kong. As autoridades, porém, afirmam que serão preservados elementos como o sistema capitalista, o regime jurídico próprio e a livre circulação de capitais.

Um dos principais projetos é a Metrópole do Norte, região próxima a Shenzhen que deverá concentrar moradias, universidades, centros de inovação e atividades industriais.

A proposta busca enfrentar as restrições territoriais de Hong Kong e aproximar empresas e instituições dos polos tecnológicos do sul da China. A execução dependerá de fatores como obras de infraestrutura, financiamento, disponibilidade de terrenos e capacidade de atrair moradores e empresas.

Hong Kong aposta em yuan e ativos digitais

No setor financeiro, o governo pretende consolidar Hong Kong como o principal centro offshore do renminbi (yuan) e ampliar as conexões com a China continental e outros mercados asiáticos.

Entre as iniciativas estão a criação de novos produtos denominados em yuan, a expansão de mecanismos de integração entre bolsas e o desenvolvimento de estruturas voltadas aos mercados de ouro, seguros e gestão de patrimônio.

O plano também inclui investimentos em ativos tokenizados, depósitos digitais e sistemas de liquidação contínua. A proposta combina o desenvolvimento de novas tecnologias financeiras com mecanismos de supervisão e regulação.

Para empresas e investidores brasileiros, Hong Kong pode continuar desempenhando o papel de porta de entrada para capital, serviços especializados e parceiros comerciais na Ásia.

Logística ganha espaço na estratégia até 2030

Outro eixo do planejamento é a modernização da infraestrutura logística. O governo pretende atualizar o porto, ampliar o transporte multimodal e melhorar a conexão de Hong Kong com corredores terrestres e marítimos do oeste da China.

As ligações ferroviárias com cidades como Chongqing e Chengdu são apontadas como alternativas para reduzir o tempo necessário para transportar mercadorias produzidas no interior chinês até o porto de Hong Kong.

A estratégia também busca atrair estruturas corporativas dedicadas a compras, tesouraria e gestão da cadeia de suprimentos.

Para empresas brasileiras dos setores de alimentos, mineração, energia e bens de consumo, esse ambiente pode abrir oportunidades em áreas como distribuição regional, financiamento comercial e administração de contratos.

Hong Kong, contudo, não substitui o mercado da China continental. O território mantém características próprias, como conversibilidade cambial, regras específicas e concentração de serviços jurídicos e financeiros, que podem ser relevantes para operações internacionais mais complexas.

Plano inclui habitação, saúde e envelhecimento

As metas estabelecidas para os próximos anos também abrangem questões sociais. O governo prevê ações relacionadas à habitação, saúde, envelhecimento da população, apoio a pequenas empresas e políticas de natalidade.

Entre os objetivos está a redução do tempo de espera por moradias subsidiadas e a diversificação do mercado de trabalho para diminuir a dependência das atividades financeiras tradicionais.

A questão habitacional ocupa posição relevante no planejamento, diante dos altos custos de moradia e das desigualdades, fatores que afetam a capacidade de Hong Kong de atrair profissionais e estimular o consumo interno.

Execução será um dos principais desafios

A amplitude do plano também traz desafios. Analistas ouvidos pela imprensa internacional destacam que a implementação poderá enfrentar obstáculos relacionados à flexibilidade econômica e à execução dos projetos.

Os resultados até 2030 dependerão de fatores como demanda externa, desempenho do mercado imobiliário, relações comerciais internacionais e capacidade de coordenação com as cidades vizinhas.

Para empresas brasileiras interessadas no mercado asiático, o documento funciona como um mapa das prioridades econômicas de Hong Kong, mas não representa garantia de resultados. A entrada em novos negócios continuará dependendo da análise de regulamentações específicas, custos operacionais e escolha de parceiros locais.

Hong Kong aproxima planejamento da estratégia chinesa

A adoção do primeiro plano quinquenal aproxima Hong Kong de uma lógica de planejamento econômico utilizada pela China continental, sem eliminar as características institucionais próprias do território.

O principal desafio até 2030 será transformar os projetos previstos em ganhos concretos de produtividade, inovação, infraestrutura e comércio internacional.

FONTE: Agência Brasil China
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil China

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Comércio

Comércio entre China e ASEAN supera US$ 1 trilhão pela primeira vez em 2025

O comércio entre a China e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão em 2025. O intercâmbio comercial entre os dois lados somou US$ 1,05 trilhão no ano, crescimento de 7,4% em relação a 2024.

A informação foi divulgada nesta terça-feira pelo vice-ministro do Comércio da China, Yan Dong, que destacou a importância da parceria econômica entre as duas regiões.

A China mantém a posição de principal parceiro comercial da ASEAN há 17 anos consecutivos. No sentido inverso, o bloco ocupa o primeiro lugar entre os parceiros comerciais chineses há seis anos seguidos.

Comércio bilateral acelera em 2026

O ritmo de crescimento continuou nos primeiros meses de 2026. Entre janeiro e julho, o comércio entre China e ASEAN alcançou US$ 744,41 bilhões, alta de 24,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O montante representou 21,8% do comércio exterior chinês nos sete primeiros meses do ano, reforçando o peso da ASEAN nas relações comerciais da segunda maior economia mundial.

Os investimentos entre as duas partes também avançaram. Até julho, o investimento bilateral acumulado entre China e ASEAN, somado ao faturamento acumulado de projetos contratados por empresas chinesas no bloco, já havia ultrapassado US$ 515 bilhões.

Exposição China-ASEAN reunirá mais de 3 mil empresas

Os números foram apresentados durante uma coletiva de imprensa sobre a 23ª Exposição China-ASEAN, marcada para ocorrer entre 17 e 21 de setembro, em Nanning, capital da Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China.

O evento deverá reunir mais de 2.200 empresas chinesas e aproximadamente mil companhias dos países integrantes da ASEAN.

Uma das novidades desta edição será a criação de uma área dedicada às demandas tecnológicas dos países da ASEAN. O espaço permitirá que empresas chinesas participem de rodadas de negócios direcionadas a partir das necessidades apresentadas pelos compradores e parceiros do Sudeste Asiático.

Inteligência artificial ganha espaço na feira

A exposição também ampliará a área dedicada à inteligência artificial (IA), criada na edição do ano passado.

O espaço apresentará tecnologias e aplicações de IA voltadas aos setores de consumo, empresas, governo e cooperação internacional.

Outra novidade será o lançamento de um “mercado de IA”, que reunirá mais de 400 modelos de produtos disponíveis para demonstração, testes presenciais e compra direta durante o evento.

China quer ampliar cooperação com ASEAN

Segundo Wang Liping, funcionário do Ministério do Comércio da China, o país pretende acelerar a entrada em vigor e a implementação do protocolo de atualização da Área de Livre Comércio China-ASEAN 3.0.

O acordo foi assinado em outubro de 2025 e deverá ampliar as possibilidades de cooperação econômica entre as duas partes.

Entre as áreas consideradas prioritárias estão a economia digital e o desenvolvimento verde, setores que devem ganhar maior participação na agenda comercial bilateral.

País asiático pretende aumentar importações da ASEAN

A estratégia chinesa também inclui a ampliação das compras de produtos de qualidade provenientes dos países da ASEAN.

De acordo com Wang, o objetivo é contribuir para o crescimento do comércio bilateral e, ao mesmo tempo, abrir novas frentes de cooperação em setores emergentes.

Entre as áreas que devem receber maior atenção estão o comércio de serviços, comércio digital e comércio verde.

A perspectiva é que esses segmentos complementem o comércio tradicional de bens e ampliem a integração econômica entre China e os países do Sudeste Asiático.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua/Zhang Jingang

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Comércio Exterior

Comércio exterior da Malásia supera €630 bilhões em 2025 e abre oportunidades para Europa

A Malásia registrou um recorde histórico no comércio exterior em 2025, ao ultrapassar a marca de €630 bilhões (RM3,061 trilhões) pela primeira vez. O volume total atingiu cerca de €631,7 bilhões, representando um crescimento de 6,3% em relação ao ano anterior.

Exportações e importações batem recordes

O desempenho foi impulsionado por exportações recordes, que chegaram a €331,7 bilhões, enquanto as importações somaram €300,3 bilhões. O resultado gerou um superávit comercial de aproximadamente €31,3 bilhões.

Com isso, o país alcança o 28º ano consecutivo com saldo positivo na balança comercial, mantendo uma trajetória consistente desde 1998.

Resiliência diante de desafios globais

Mesmo em um cenário marcado por tensões geopolíticas, reorganização das cadeias de suprimentos e aumento do protecionismo internacional, a Malásia demonstrou resiliência econômica.

O país tem ampliado sua participação em cadeias globais de valor, especialmente em setores de alta tecnologia, reforçando sua posição estratégica no comércio internacional.

Parceria estratégica com Europa e França

Os números reforçam a relevância da Malásia como parceira confiável para a União Europeia e a França, principalmente no fornecimento industrial e na diversificação de cadeias produtivas.

Em 2025, o comércio entre Malásia e União Europeia atingiu cerca de €47,1 bilhões. Já as exportações malaias para o bloco europeu cresceram pelo segundo ano consecutivo, somando €26,7 bilhões.

Segundo autoridades, o país se destaca como um parceiro capaz de garantir fornecimento de alta qualidade e fomentar cooperação industrial de longo prazo.

Indústria e tecnologia lideram crescimento

O avanço das exportações foi puxado principalmente pelos produtos manufaturados, que representaram 86,4% do total exportado.

O setor de eletrônicos e semicondutores segue como o principal destaque, com vendas estimadas em €146,9 bilhões. A demanda global por inteligência artificial, automação e tecnologias avançadas impulsionou esse crescimento.

Esse cenário posiciona a Malásia como um elo importante nas cadeias globais, capaz de atender à demanda europeia por componentes, equipamentos e produtos de alto valor agregado.

Acordos comerciais ampliam competitividade

A atratividade do país também é reforçada por sua ampla rede de acordos internacionais. Atualmente, a Malásia possui 17 acordos de livre comércio (FTAs) em vigor.

Em 2025, o comércio com parceiros desses acordos ultrapassou €413,8 bilhões pela primeira vez, fortalecendo o acesso a mercados, a diversificação comercial e a resiliência das cadeias de suprimentos.

Promoção de negócios e novas oportunidades

A agência de promoção comercial da Malásia em Paris continuará incentivando negócios por meio de feiras internacionais, missões empresariais e programas de conexão entre compradores e fornecedores.

A expectativa é que o desempenho robusto do comércio exterior se traduza em novas oportunidades concretas para empresas da Malásia, França e demais países europeus.

FONTE: ESM Magazine
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ESM Magazine

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