Economia

Dólar em alta impulsiona ações de exportadoras e coloca Embraer, Suzano e WEG entre as favoritas

A forte valorização do dólar após as eleições presidenciais, com alta superior a 8% na primeira segunda-feira depois do resultado, e a abertura expressiva da curva de juros provocaram uma reavaliação das estratégias de investimento na Bolsa brasileira. Nesse novo cenário, ações de exportadoras e companhias com receitas vinculadas à moeda americana ganharam destaque nas recomendações de grandes instituições financeiras.

Análises de bancos e corretoras como Bradesco BBI, Citi, JPMorgan, Morgan Stanley, BTG Pactual e XP Investimentos apontam para uma tendência semelhante: empresas com exposição internacional e geração de receitas em dólar podem apresentar maior resiliência diante de um ambiente de real desvalorizado, crescimento econômico mais moderado e juros elevados por mais tempo.

A avaliação considera que a combinação desses fatores aumenta os riscos para empresas dependentes do mercado interno e, ao mesmo tempo, favorece companhias capazes de transformar a valorização da moeda americana em melhores resultados financeiros.

Exportadoras ganham espaço nas recomendações do mercado

Na avaliação da XP Investimentos, a queda da Bolsa após o segundo turno das eleições reflete a expectativa de um cenário econômico mais desafiador. Entre os principais fatores estão a desvalorização do real, a alta dos juros reais de longo prazo e o aumento do prêmio de risco dos ativos brasileiros.

Nesse contexto, a corretora destaca Suzano (SUZB3), Gerdau (GGBR4), Aura Minerals (AURA33) e Vale (VALE3) como empresas com condições mais favoráveis para atravessar um período de maior instabilidade doméstica.

A Suzano aparece como uma das principais beneficiadas pela variação cambial. Gerdau e Vale, por sua vez, reúnem receitas internacionais e menor dependência das condições econômicas brasileiras.

Na direção oposta, empresas com maior exposição ao mercado nacional e níveis elevados de endividamento, como CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Irani (RANI3), podem enfrentar dificuldades adicionais caso os juros permaneçam altos e a atividade econômica perca força.

Embraer mantém posição de destaque entre as favoritas

A Embraer (EMBJ3) continua entre as principais apostas dos analistas para o cenário de dólar valorizado. O Bradesco BBI reafirmou recentemente sua preferência pela fabricante de aeronaves no setor de transportes.

Entre os pontos positivos estão a expressiva participação de receitas em dólar, a carteira de pedidos robusta e a perspectiva de crescimento dos resultados operacionais.

As projeções do banco indicam uma expansão anual composta próxima de 20% no lucro operacional entre 2026 e 2028. A expectativa está apoiada em uma carteira de encomendas equivalente a aproximadamente cinco anos de produção na aviação comercial e três anos na aviação executiva.

Outros fatores também podem impulsionar os negócios, como novos contratos para aeronaves comerciais, oportunidades de venda do cargueiro KC-390 e o desenvolvimento dos projetos da Eve.

A XP Investimentos também mantém uma avaliação positiva. Para a corretora, a Embraer apresenta baixa exposição à economia brasileira e receitas significativamente vinculadas ao dólar, características que ajudam a proteger a companhia dos efeitos da deterioração do cenário doméstico.

WEG se beneficia da exposição internacional

A WEG (WEGE3) também ganhou espaço nas avaliações recentes dos analistas. Após a correção dos preços das ações, a XP considera que a companhia passou a apresentar uma relação mais interessante entre risco e potencial de valorização.

A empresa é vista como uma espécie de proteção cambial natural, principalmente pela presença internacional de suas operações e pela menor dependência do desempenho da economia brasileira.

Além do benefício associado ao dólar, a WEG está posicionada em segmentos com perspectivas estruturais de crescimento, como eletrificação, automação industrial e infraestrutura energética.

Essas tendências podem sustentar a expansão dos negócios mesmo diante de oscilações na atividade econômica nacional.

Suzano lidera as apostas entre empresas de papel e celulose

No segmento de papel e celulose, a Suzano (SUZB3) permanece entre as companhias mais recomendadas.

O Citi manteve a indicação de compra para as ações e colocou a empresa entre suas principais escolhas defensivas após as eleições. Segundo as estimativas do banco, caso o dólar médio de 2027 alcance R$ 5,50, o EBITDA projetado poderá ficar aproximadamente 5% acima das previsões atuais.

O Bradesco BBI também destaca a elevada sensibilidade dos resultados da companhia ao câmbio. Pelos cálculos da instituição, uma variação de R$ 0,10 na cotação do dólar pode representar um impacto de cerca de 3% no EBITDA anual.

A XP apresenta uma perspectiva ainda mais favorável. Em suas simulações, uma desvalorização de 10% do real poderia elevar em aproximadamente 27% o fluxo de caixa livre terminal da Suzano, o maior efeito positivo identificado entre as empresas acompanhadas pela corretora.

Tupy, Marcopolo e Gerdau também entram no radar

Outras companhias industriais com presença relevante no exterior também aparecem nas recomendações de investimento.

A Tupy (TUPY3) continua entre as preferidas da XP. Aproximadamente 60% de sua receita vem de operações internacionais, com destaque para o mercado norte-americano de veículos pesados.

A Marcopolo (POMO4) reúne características que chamam a atenção dos investidores, como valuation considerado descontado, dividend yield próximo de 10% e presença significativa no mercado internacional.

Apesar desses atributos, a XP mantém uma postura mais cautelosa em relação à fabricante de ônibus. A principal preocupação está relacionada à possível redução da demanda em um ambiente de crescimento econômico mais fraco.

Já a Gerdau (GGBR4) se destaca pela exposição ao mercado dos Estados Unidos. A companhia combina geração de caixa em dólar, desempenho operacional favorável na América do Norte e menor dependência da economia brasileira.

Morgan Stanley promove rotação para ações dolarizadas

A mudança de perspectiva também provocou alterações nas carteiras recomendadas por grandes bancos internacionais.

Em relatório divulgado após as eleições, o Morgan Stanley defendeu uma estratégia denominada “Brazil with a Z”, baseada no aumento da exposição a empresas com receitas em moeda estrangeira e menor dependência do ciclo econômico nacional.

Entre as companhias favorecidas pela reorganização estão:

  • Petrobras (PETR4);
  • Embraer (EMBJ3);
  • Suzano (SUZB3);
  • PRIO (PRIO3);
  • WEG (WEGE3);
  • Vale (VALE3);
  • JBS.

Ao mesmo tempo, o banco reduziu posições em empresas mais sensíveis aos juros brasileiros e ao desempenho da atividade econômica doméstica.

O JPMorgan compartilha dessa avaliação. Para a instituição, companhias com receitas em dólar e balanços financeiros mais sólidos tendem a apresentar melhor desempenho relativo em um ambiente de câmbio depreciado, crescimento econômico moderado e taxas de juros persistentemente elevadas.

Nesse grupo, Suzano, Vale, Gerdau e Embraer aparecem como nomes de destaque por oferecerem uma proteção cambial em meio ao aumento da cautela com os ativos brasileiros.

BTG Pactual vê retorno da estratégia de proteção cambial

O BTG Pactual também reforçou sua preferência por empresas exportadoras e companhias com receitas dolarizadas após o resultado eleitoral.

Em análise sobre mineração, siderurgia e papel e celulose, o banco destacou o retorno da necessidade de proteção contra o risco cambial. A combinação de real mais fraco, incertezas fiscais e juros elevados aumenta a atratividade de negócios com exposição internacional.

A Suzano está entre as principais beneficiadas na avaliação do BTG. As projeções indicam que uma desvalorização de 10% do real poderia aumentar o EBITDA da empresa em aproximadamente 16%, além de favorecer a geração de caixa.

A Gerdau também apresenta características consideradas positivas. Cerca de três quartos de seu EBITDA são provenientes de operações em dólar, principalmente em função da presença nos Estados Unidos.

O banco mantém ainda uma visão construtiva para a Vale, apesar das preocupações relacionadas ao mercado internacional de minério de ferro. A Aura Minerals também é citada entre as empresas com maior sensibilidade às oscilações cambiais.

Em contrapartida, companhias mais dependentes do consumo interno, do crédito e de investimentos domésticos podem sofrer revisões negativas nas estimativas de lucro caso o cenário de juros elevados se prolongue.

Ações de exportadoras ganham importância diante do risco Brasil

A valorização do dólar e a mudança nas expectativas econômicas recolocaram as ações de exportadoras no centro das estratégias de investimento na Bolsa brasileira.

O consenso entre diferentes instituições financeiras aponta para uma preferência por empresas com receitas internacionais, geração de caixa em moeda forte e menor exposição às oscilações da economia doméstica.

Nesse contexto, Embraer, Suzano, WEG, Gerdau, Vale e outras companhias com atuação global aparecem entre as principais alternativas avaliadas pelos analistas.

Por outro lado, empresas mais ligadas ao consumo, ao crédito e aos investimentos no Brasil continuam mais vulneráveis à combinação de juros altos e desaceleração econômica.

A tendência, portanto, é que os investidores mantenham a busca por proteção cambial, enquanto aguardam sinais mais consistentes de melhora no cenário econômico nacional antes de ampliar a exposição a negócios predominantemente domésticos.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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