Internacional

Dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões e aumenta pressão sobre os juros

A dívida pública dos Estados Unidos superou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões, ampliando as preocupações sobre o custo de financiamento do governo e os efeitos do endividamento sobre a economia americana.

O novo recorde foi registrado na quarta-feira (19) e ocorre em meio ao aumento dos gastos públicos, às despesas militares, aos cortes de impostos e à necessidade de devolver valores relacionados às tarifas de importação adotadas pelo governo de Donald Trump.

Endividamento avança em ritmo acelerado

Segundo informações atribuídas ao The New York Times, os Estados Unidos devem captar mais de US$ 1,98 trilhão em 2026 para cumprir seus compromissos financeiros.

Entre os principais fatores de pressão sobre as contas estão os gastos com previdência social, medicamentos, despesas militares e juros da dívida pública.

O crescimento do endividamento também tem sido rápido. A dívida havia chegado a US$ 38,8 trilhões em março de 2026, depois de atingir US$ 37,8 trilhões em outubro de 2025, conforme dados da Associated Press.

Os juros da dívida americana já representam uma parcela expressiva do déficit federal. Quanto maior o estoque de títulos emitidos pelo governo e o custo para refinanciá-los, maior tende a ser a pressão sobre o orçamento.

Guerra e devolução de tarifas pressionam o orçamento

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reconheceu que a trajetória do déficit fiscal neste ano segue em direção desfavorável. Entre os fatores citados estão os custos militares relacionados à guerra no Irã e a devolução de receitas provenientes de tarifas.

A Suprema Corte dos Estados Unidos também determinou a anulação de determinados impostos sobre importações, o que levou o governo a devolver cerca de US$ 160 bilhões às empresas.

A decisão reduziu parte da arrecadação que a administração Trump esperava utilizar para melhorar as contas públicas.

Promessas de cortes não impediram avanço da dívida

A expansão da dívida ocorre apesar das promessas de redução dos gastos públicos feitas por Trump.

Desde 2016, quando lançou sua primeira campanha presidencial, a dívida bruta dos EUA praticamente dobrou.

Outro ponto de atenção envolve o antigo Departamento de Eficiência Governamental, liderado por Elon Musk, que havia anunciado a intenção de promover cortes de aproximadamente US$ 1 trilhão.

Segundo o New York Times, o órgão afirma ter obtido pouco mais de US$ 190 bilhões em economias. O Escritório de Responsabilidade Governamental, entretanto, questionou a transparência e a confiabilidade dessas estimativas.

Títulos do Tesouro ficam mais caros

O aumento do endividamento também repercute no mercado financeiro. Investidores passaram a exigir rendimentos maiores dos títulos do Tesouro americano, elevando o custo de financiamento do governo.

O rendimento dos títulos de 30 anos chegou ao maior nível em quase duas décadas.

A elevação dos juros pode atingir outras áreas da economia. Segundo especialistas citados na reportagem, o movimento tende a encarecer financiamentos imobiliários e de veículos, além de reduzir o espaço para investimentos das empresas.

O aumento do custo financeiro também pode exercer pressão sobre salários e preços de produtos e serviços.

Governo aposta em crescimento econômico

A Casa Branca afirma que pretende combater desperdícios, fraudes e gastos considerados abusivos no orçamento federal.

Segundo o porta-voz Kush Desai, a estratégia também inclui estimular o crescimento econômico. A expectativa do governo é que uma expansão maior da economia ajude a melhorar a relação entre dívida pública e PIB.

Economistas, porém, alertam para o risco de uma trajetória em que o crescimento dos juros e da dívida se retroalimente.

Marc Goldwein, do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, classificou o início desse processo como um dos principais riscos para as finanças americanas.

Fed avalia redução da carteira de títulos

O Federal Reserve (Fed) também está no centro das discussões sobre o tamanho do balanço do governo americano.

A autoridade monetária avalia a redução de sua carteira de títulos públicos e outros ativos, que chegou a aproximadamente US$ 6,8 trilhões após as medidas adotadas durante diferentes crises econômicas.

A redução dos ativos pode alterar as condições de liquidez do mercado e ocorre em um momento de crescente preocupação com a sustentabilidade fiscal americana.

Dívida cresceu durante diferentes governos

O avanço da dívida dos Estados Unidos não é resultado de uma única administração. O país mantém há anos um cenário em que as despesas federais superam a arrecadação de impostos.

Durante a pandemia de Covid-19, tanto os governos Trump quanto Joe Biden ampliaram significativamente os empréstimos para sustentar a economia e financiar medidas de recuperação.

Em 2025, Trump também sancionou uma legislação republicana que combinou redução de impostos e aumento de gastos, aumentando as preocupações entre defensores do equilíbrio fiscal.

Teto da dívida volta ao radar

Os Estados Unidos possuem um teto legal para a dívida pública, cujo limite pode ser elevado, suspenso ou alterado pelo Congresso.

Estimativa do Bipartisan Policy Center aponta que o país pode alcançar o limite de aproximadamente US$ 40,9 trilhões entre março e agosto de 2027. Nesse momento, os parlamentares terão novamente de decidir sobre o teto da dívida.

A situação fiscal americana também chama atenção internacionalmente. Uma análise recente da OCDE apontou que os Estados Unidos apresentam uma das posições fiscais mais pressionadas entre as economias desenvolvidas.

Com a dívida acima de US$ 40 trilhões, o desafio para Washington passa a ser administrar o aumento dos juros, déficits e gastos públicos sem comprometer ainda mais o espaço disponível para políticas econômicas futuras.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rick Wilking/Reuters

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Economia

Dólar em queda: impacto nas reservas, inflação e taxa de juros no Brasil

A redução do valor do dólar frente ao real costuma trazer uma percepção imediata de alívio para consumidores e empresas. Produtos importados ficam mais acessíveis, viagens ao exterior se tornam mais baratas e há uma tendência de desaceleração da inflação. No entanto, no campo das contas públicas, esse movimento envolve efeitos mais amplos e, por vezes, contraditórios.

Enquanto a queda da moeda americana pode reduzir o valor contábil das reservas internacionais, ela também contribui para um ambiente favorável à diminuição da taxa Selic, com impactos positivos na economia.

Impactos diretos e indiretos do dólar mais baixo

A dinâmica do câmbio pode ser analisada sob duas perspectivas principais: a contábil e a econômica.

No aspecto contábil, a valorização do real reduz, em termos nominais, o valor das reservas internacionais — que são mantidas em moeda estrangeira. Ou seja, quando convertidas para reais, essas reservas aparentam encolher. Por outro lado, a parcela da dívida externa atrelada ao dólar também diminui, o que gera um efeito de compensação no balanço público.

Já no campo econômico, os efeitos são mais abrangentes. Um dólar mais barato reduz o custo de importações, contribuindo diretamente para o controle da inflação. Esse cenário abre espaço para decisões de política monetária mais flexíveis, especialmente no que diz respeito à redução dos juros.

Por que o Brasil mantém reservas em dólar?

Mesmo com oscilações no valor contábil, as reservas internacionais cumprem um papel estratégico. Elas funcionam como uma espécie de seguro contra crises externas, oferecendo liquidez e confiança aos investidores.

Esse “colchão” financeiro permite ao país operar com maior estabilidade em um regime de câmbio flutuante, além de reduzir riscos de ataques especulativos contra a moeda nacional.

No entanto, existe um custo associado à manutenção dessas reservas. Para acumulá-las, o Banco Central emite dívida interna, geralmente atrelada à taxa de juros doméstica. Como os juros pagos internamente costumam ser mais elevados do que o retorno obtido com ativos internacionais, manter esse volume de recursos pode gerar despesas relevantes.

Moeda forte como proteção contra inflação

A valorização do real também atua como um mecanismo de proteção contra pressões inflacionárias externas. Em um cenário global de alta de preços — especialmente de commodities como o petróleo —, um câmbio favorável ajuda a suavizar os impactos no mercado interno.

Na prática, isso significa que aumentos nos preços internacionais podem ser parcialmente compensados por um real mais forte, reduzindo o repasse ao consumidor final e ajudando a estabilizar índices de preços.

Além disso, o bom desempenho da moeda brasileira tem sido associado a fatores estruturais, como o avanço da balança comercial e o aumento no volume de exportações de bens e serviços.

Queda da Selic e alívio na dívida pública

O principal benefício de um dólar mais baixo está na sua influência sobre a inflação. Com preços mais controlados, o Banco Central ganha margem para reduzir a taxa Selic, o que tem impacto direto sobre a dívida pública.

Como grande parte da dívida brasileira é indexada aos juros básicos, qualquer redução na Selic gera economia significativa para o Tesouro Nacional. Esse efeito prático tende a superar eventuais perdas contábeis associadas à queda no valor das reservas.

Em resumo, embora a valorização do real possa trazer desafios pontuais no balanço das reservas, seus efeitos positivos sobre a inflação, os juros e a sustentabilidade da dívida pública são amplamente relevantes para a economia.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Infomoney

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