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Consumo de energia do Paraguai em Itaipu pode elevar preços da eletricidade no Brasil

O aumento da demanda por energia elétrica no Paraguai deve reduzir a disponibilidade de eletricidade da usina de Itaipu para o Brasil e pressionar os preços no mercado nacional. O impacto tende a ser mais significativo no fim da tarde, período em que o consumo dos dois países atinge níveis elevados e a geração hidrelétrica ganha importância para atender ao sistema elétrico brasileiro.

A avaliação é de um relatório do Itaú BBA, que aponta possíveis mudanças na dinâmica de oferta e demanda de energia a partir de 2027. Segundo o banco, a menor disponibilidade de energia de Itaipu poderá exigir maior acionamento de usinas termelétricas, além de favorecer geradoras hidrelétricas com capacidade de comercializar energia em momentos de preços mais altos.

Entre as empresas que podem se beneficiar desse cenário estão Eneva, Axia, Copel, Auren e Engie.

Maior consumo paraguaio reduz energia disponível para o Brasil

Pelo acordo que estabelece as regras de operação de Itaipu, Brasil e Paraguai têm direito a 50% da energia produzida pela usina hidrelétrica binacional, cuja capacidade instalada é de 14 gigawatts (GW).

Quando um dos países não utiliza integralmente sua parcela, o excedente pode ser adquirido pelo outro.

Historicamente, o Brasil consome toda a energia a que tem direito e também compra parte da eletricidade não utilizada pelo Paraguai. Essa dinâmica, entretanto, vem mudando com o crescimento da demanda no país vizinho.

Entre os fatores que impulsionam o consumo paraguaio estão a expansão da mineração de criptomoedas e a instalação de data centers, atividades que exigem grandes volumes de eletricidade.

De acordo com o Itaú BBA, a demanda de energia do Paraguai avançou entre 12% e 18% ao ano no período de 2023 a 2025. No ano passado, a carga média chegou a 3,3 GW, mantendo uma trajetória de crescimento expressiva desde 2021.

Praticamente toda essa necessidade é atendida pela energia de Itaipu, embora a participação da usina possa variar conforme as decisões comerciais e operacionais da Administração Nacional de Eletricidade do Paraguai (Ande).

Pico de consumo dos dois países ocorre no mesmo horário

Um dos principais pontos de atenção identificados pelo relatório é a coincidência entre os horários de maior demanda energética no Brasil e no Paraguai.

Entre abril e setembro, o consumo paraguaio atinge seu pico por volta das 18h, justamente quando o Sistema Interligado Nacional (SIN) brasileiro também enfrenta um momento de elevada necessidade de energia.

Segundo as projeções do Itaú BBA, a demanda da Ande nesse horário deverá passar de 4,0 GW em 2026 para 4,7 GW em 2029.

Esse avanço poderá reduzir a quantidade de eletricidade de Itaipu disponível para o Brasil justamente no período em que o sistema nacional mais precisa de geração hidrelétrica.

A situação pode exigir maior utilização de outras fontes de energia para equilibrar a oferta e atender ao consumo.

Termelétricas podem ganhar espaço com a redução da oferta hidrelétrica

Com menos energia de Itaipu disponível nos horários de maior demanda, o sistema elétrico brasileiro poderá precisar ampliar o acionamento de usinas termelétricas.

O Itaú BBA estima que a geração térmica poderá crescer aproximadamente 11% ao ano entre 2027 e 2029, como consequência da mudança na disponibilidade de energia hidrelétrica.

O banco também projeta aumento do preço marginal médio da energia, com avanço de R$ 40 para R$ 59 por megawatt-hora (MWh).

Nesse contexto, empresas com participação na geração termelétrica, como a Eneva, poderão encontrar oportunidades de valorização de suas operações.

Já as companhias hidrelétricas que mantêm parte de seus portfólios sem contratos previamente definidos poderão aproveitar períodos de preços mais elevados para comercializar a energia disponível.

Entre as empresas citadas pelo relatório estão Axia, Copel, Auren e Engie.

Mudança na metodologia do ONS deve ampliar impacto a partir de 2027

Na avaliação do Itaú BBA, os efeitos do crescimento da demanda paraguaia deverão ficar mais evidentes a partir de 2027.

Isso porque a Programação Mensal de Operação (PMO), elaborada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), passará a utilizar uma nova metodologia para estimar a carga de energia demandada pela Ande.

O modelo anterior não teria acompanhado adequadamente a aceleração do consumo paraguaio nos últimos anos.

Com previsões mais alinhadas à demanda efetiva do país vizinho, o planejamento do sistema brasileiro poderá incorporar de maneira mais precisa a quantidade de energia de Itaipu que estará disponível para o Brasil.

Distribuidoras brasileiras também podem enfrentar dificuldades

Os efeitos do aumento do consumo paraguaio não devem se limitar aos preços da eletricidade. As distribuidoras de energia brasileiras que possuem cotas de Itaipu também poderão enfrentar dificuldades na composição de seus contratos.

Essas empresas compram energia da usina para atender aos consumidores de suas respectivas áreas de concessão. Caso o Paraguai utilize uma parcela maior da geração, acima do volume considerado nos cálculos das cotas brasileiras, poderá ocorrer uma situação de subcontratação.

Na prática, isso significa que algumas distribuidoras poderão ter menos energia contratada do que o necessário para atender à demanda em 2027.

Nessa situação, será preciso buscar eletricidade no mercado de curto prazo, ficando mais expostas às oscilações dos preços.

Abradee pede definição antecipada sobre cotas de Itaipu

A preocupação também foi apresentada pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), que encaminhou uma carta à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na semana anterior.

A entidade solicitou que a agência reguladora e o governo federal definam com antecedência o volume de energia consumido pela Ande que deverá ser descontado das cotas brasileiras de Itaipu em 2027.

A Abradee também defende que, caso exista uma diferença significativa em relação aos volumes considerados para 2026, as distribuidoras tenham a possibilidade de revisar suas necessidades de contratação antes do próximo leilão de energia.

O certame está previsto para 13 de novembro.

A definição antecipada é considerada importante para que as empresas possam planejar suas compras e evitar desequilíbrios contratuais diante do crescimento da demanda energética no Paraguai.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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