Agronegócio

Conab anuncia operação com farelo de soja em meio à queda do preço do suíno

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) detalhou uma nova operação voltada à comercialização de farelo de soja no mercado interno, com o objetivo de contribuir para a regulação do abastecimento. A iniciativa inclui uma apresentação técnica para esclarecer os procedimentos da operação e é acompanhada de perto pelas agroindústrias.

A medida ocorre em um momento de pressão sobre a suinocultura brasileira, com as cotações do suíno vivo abaixo de US$ 1 por quilo. O cenário aumenta a preocupação dos produtores com a rentabilidade, especialmente diante dos custos de alimentação dos animais e das oscilações do mercado.

Queda da soja pressiona o mercado de insumos

A atuação da Conab acontece em meio à desvalorização da soja no mercado internacional. Na última semana, os contratos futuros da oleaginosa recuaram 2,5% na Bolsa de Chicago, acumulando cinco sessões consecutivas de perdas.

No Brasil, as negociações no mercado físico seguem em ritmo lento, enquanto os produtores concentram esforços no plantio da nova safra. As projeções elevadas da Conab para a temporada 2026/27 também influenciam as expectativas de preços e contribuem para a cautela dos compradores, que aguardam possíveis novas quedas.

Esse contexto afeta diretamente o mercado de farelo de soja, ingrediente fundamental na fabricação de rações para animais. A perspectiva de preços mais baixos pode favorecer a redução dos custos de produção, embora o impacto dependa das condições de comercialização e da disponibilidade do produto.

Suinocultura enfrenta margens apertadas

Para os produtores de suínos, a possibilidade de barateamento da ração contrasta com a desvalorização do animal vivo. A combinação limita a recuperação das margens e mantém o setor atento à evolução dos preços da proteína.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) divulgou a edição de setembro do Boletim do Suíno, que confirma um cenário de rentabilidade pressionada e menor dinamismo nas negociações.

Além das cotações domésticas, o câmbio representa outro fator importante para a atividade. O Banco Central do Brasil (BCB) registrou a taxa de câmbio PTAX de fechamento do dólar em R$ 5,0820. Esse valor serve de referência para operações comerciais e influencia tanto as receitas com exportações quanto os custos de aquisição de microingredientes utilizados na alimentação dos animais.

Câmbio e custos de produção exigem atenção dos produtores

A combinação entre suíno vivo abaixo de US$ 1 por quilo, dólar acima de R$ 5 e mudanças na comercialização do farelo de soja amplia os desafios para a gestão financeira das granjas e das agroindústrias.

Nesse contexto, o acompanhamento dos preços dos insumos e o controle das despesas com alimentação tornam-se fundamentais para preservar a rentabilidade das operações de suinocultura.

A efetividade da iniciativa da Conab dependerá das condições de oferta e comercialização do farelo de soja e de seus reflexos sobre os preços internos. Uma eventual estabilização do insumo poderá contribuir para aliviar os custos de produção, embora não elimine a pressão provocada pela baixa remuneração dos suínos.

Para os sistemas de produção de ciclo completo, a evolução desses fatores será importante para orientar decisões de manejo, planejamento produtivo e manutenção da viabilidade econômica no curto prazo.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

Ler Mais
Exportação

Exportações de melão do RN e CE crescem em setembro, mas ficam abaixo de 2025

As exportações de melão do Rio Grande do Norte e do Ceará avançaram em setembro de 2026, impulsionadas pelo andamento da safra 2026/27. Apesar da recuperação em relação a agosto, os embarques ficaram abaixo dos registrados no mesmo mês do ano passado, reflexo dos custos elevados e das dificuldades enfrentadas na produção.

Dados do Comex Stat apontam que o volume exportado pelos dois estados aumentou 155% na comparação mensal, alcançando 22,3 mil toneladas. A receita com as vendas externas também cresceu, com alta de 171%, totalizando US$ 21,2 milhões na modalidade FOB, que considera o valor da mercadoria até o embarque.

Países Baixos e Reino Unido lideram compras de melão brasileiro

Os Países Baixos foram o principal destino do melão produzido no RN e no CE em setembro, respondendo por 52,5% dos embarques. O Reino Unido ficou na segunda posição, com participação de 33,8%, seguido pela Espanha, que recebeu 5,1% do volume exportado.

O avanço das vendas acompanha o desenvolvimento da safra de melão 2026/27, cuja produção deve atingir o pico em novembro, segundo as expectativas do setor.

Mesmo com a retomada mensal, o desempenho ainda é inferior ao da temporada anterior. Na comparação entre setembro de 2026 e setembro de 2025, o volume exportado caiu 31%, enquanto a receita recuou 28%.

Frete marítimo e custos de produção pressionam exportações

De acordo com colaboradores do Hortifrúti/Cepea, o aumento dos custos de produção e de exportação tem limitado a competitividade do melão brasileiro no mercado internacional.

O frete marítimo, em especial, representa uma despesa importante para os produtores. Diante dos custos elevados, parte das empresas tem reduzido os volumes destinados ao exterior.

As dificuldades também atingem o campo. Temperaturas noturnas mais amenas prejudicam o desenvolvimento das plantas e diminuem o crescimento dos frutos. Com isso, parte da produção pode deixar de atender aos padrões de qualidade exigidos pelos compradores internacionais.

Mosca-minadora reduz produtividade do melão

Outro obstáculo para a produção de melão no Nordeste é a mosca-minadora, praga que tem afetado a cultura e é favorecida pelas temperaturas elevadas durante o dia.

Segundo os dados apresentados pelo Cepea, o potencial produtivo está em torno de 25 toneladas por hectare, nível 13% inferior ao observado no mesmo período do ano anterior.

O controle da praga exige aplicações mais frequentes de defensivos agrícolas, elevando os gastos dos produtores. Nesse cenário, o custo de produção está estimado em aproximadamente R$ 36,09 por caixa de 13 quilos.

A combinação de menor produtividade, exigências fitossanitárias e despesas mais altas aumenta a pressão sobre a rentabilidade da atividade e limita a capacidade de expansão dos embarques.

El Niño pode elevar despesas nos próximos meses

As perspectivas para os próximos meses indicam continuidade da pressão sobre os custos de produção. Agentes do setor ouvidos pelo Hortifrúti/Cepea avaliam que a necessidade de aplicações adicionais de defensivos contra a mosca-minadora deverá manter as despesas em alta.

A previsão de temperaturas elevadas no Rio Grande do Norte e no Ceará, associada à influência do fenômeno El Niño, também exige atenção dos produtores no planejamento e no manejo das lavouras.

O comportamento do clima e a capacidade de controlar os problemas fitossanitários serão fatores importantes para determinar o volume disponível para exportação durante o restante da safra.

Exportações de melão podem ganhar força no último trimestre de 2026

Para outubro, a expectativa é de continuidade dos embarques em volumes elevados, acompanhando o avanço da safra brasileira e o encerramento da temporada de produção da Espanha.

O fim antecipado da campanha espanhola em relação a 2025 poderá abrir mais espaço para o melão brasileiro no mercado europeu durante o último trimestre de 2026.

Com menor concorrência de frutas espanholas, os produtores do RN e do CE poderão ampliar sua participação nos mercados internacionais. Para que os embarques superem os resultados do ano anterior, porém, será necessário controlar os problemas de produtividade e reduzir os impactos dos custos elevados.

O desempenho das exportações até o fim do ano dependerá, portanto, da combinação entre demanda externa, condições climáticas, controle de pragas e capacidade de manter a competitividade do melão brasileiro.

FONTE: HF Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/HF Brasil

Ler Mais
Agronegócio

Geopolítica pressiona o agro, eleva custos e amplia incertezas para produtores rurais

As transformações no cenário internacional voltaram a influenciar de forma significativa o cotidiano do campo. Conflitos geopolíticos, mudanças nas rotas de comércio, restrições de mercado e disputas econômicas entre grandes potências estão gerando reflexos sobre os custos de produção e aumentando a preocupação dos produtores rurais.

De acordo com Mauro Osaki, pesquisador do Cepea/Esalq, os desafios atuais para o agronegócio brasileiro podem ser compreendidos a partir de três fatores principais: os efeitos das tensões internacionais sobre a oferta de insumos, os gargalos na logística global e o avanço de políticas protecionistas adotadas por diversos países.

Segundo o especialista, esses movimentos já afetam diretamente o mercado nacional, especialmente no segmento de fertilizantes, que registra aumento de preços e maior volatilidade.

Fertilizantes enfrentam pressão de oferta e custos elevados

Entre os insumos mais impactados pelo cenário internacional estão as matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes fosfatados e nitrogenados.

Osaki destaca que produtos como enxofre e ácido sulfúrico, essenciais para a produção de fertilizantes à base de fósforo, vêm registrando valorização no mercado internacional, pressionando os custos da cadeia produtiva.

Além do aumento dos preços, o pesquisador aponta preocupações relacionadas à disponibilidade desses insumos. A combinação entre restrições comerciais, problemas de abastecimento e dificuldades logísticas tem elevado o nível de atenção do setor.

No caso da ureia, amplamente utilizada em culturas como milho, arroz e feijão, o mercado acompanha com cautela os desdobramentos da retomada das exportações pela China. Embora o movimento seja positivo para a oferta global, as incertezas permanecem diante das constantes mudanças no cenário internacional.

Enxofre ganha importância estratégica para a produção agrícola

O papel do enxofre na cadeia de fertilizantes também merece destaque. O produto é obtido durante o processo de refino de petróleo e possui função fundamental na fabricação de fertilizantes fosfatados.

Segundo Osaki, problemas enfrentados por refinarias em diferentes partes do mundo contribuíram para reduzir a disponibilidade dessa matéria-prima, afetando diversas cadeias produtivas ligadas ao setor agrícola.

Apesar dos desafios, o pesquisador avalia que a diversificação das fontes de insumos pode ser uma estratégia relevante para aumentar a segurança de abastecimento e reduzir riscos futuros para os produtores.

Dependência de fertilizantes importados continua sendo desafio

O atual cenário internacional também reacende o debate sobre a forte dependência brasileira das importações de fertilizantes. Hoje, cerca de 80% a 85% dos produtos utilizados no país são adquiridos no mercado externo.

Para Osaki, o modelo de globalização incentivou durante décadas a busca por fornecedores internacionais. No entanto, mudanças observadas nos últimos anos indicam uma tendência crescente de proteção dos mercados internos e busca por maior autossuficiência.

Diante desse contexto, ampliar a produção nacional de fertilizantes surge como uma alternativa para reduzir a vulnerabilidade do setor diante de crises externas. Entre os nutrientes avaliados, o pesquisador considera que o fósforo apresenta potencial mais favorável para expansão da produção brasileira.

Rentabilidade menor exige mais cautela na gestão das propriedades

Além da alta dos insumos, os produtores enfrentam outro desafio: a redução das margens de lucro.

Dados apresentados por Osaki durante o Fórum Técnico Mais Milho, realizado em Água Boa (MT), indicam que a rentabilidade real da atividade agrícola vem recuando nos últimos anos, mesmo após a correção dos números pela inflação.

Esse cenário tem limitado investimentos e exigido uma gestão financeira mais rigorosa nas propriedades rurais. Em muitos casos, produtores precisam recorrer às próprias reservas para cumprir compromissos financeiros e manter a atividade em funcionamento.

O pesquisador ressalta que decisões relacionadas à redução de custos devem ser tomadas de forma individualizada, considerando fatores como tipo de solo, cultura cultivada e condições econômicas de cada propriedade.

Mercado internacional pode abrir espaço para o milho brasileiro

Apesar dos desafios, algumas mudanças globais também podem gerar oportunidades para o Brasil.

Uma delas está relacionada à possível ampliação da mistura de etanol na gasolina dos Estados Unidos. Caso o consumo de etanol aumente no mercado norte-americano, a demanda interna por milho tende a crescer, reduzindo o volume disponível para exportação.

Nesse cenário, importadores tradicionais do cereal produzido pelos Estados Unidos, como México, Colômbia, Japão e países da União Europeia, poderão buscar novos fornecedores no mercado internacional.

Para o Brasil, a mudança pode representar uma oportunidade de ampliar a participação nas exportações de milho e fortalecer sua presença no comércio agrícola global.

Agro deve acompanhar cenário internacional com atenção

Na avaliação de Mauro Osaki, o atual contexto reforça a necessidade de monitorar constantemente os movimentos geopolíticos e econômicos globais.

Em um mercado cada vez mais conectado, decisões tomadas em outros países continuam influenciando diretamente os custos de produção, a disponibilidade de insumos, os investimentos e as oportunidades de negócios para o produtor rural brasileiro.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Ler Mais
Agronegócio

Geopolítica pressiona custos do milho no Brasil e preocupa produtores

A geopolítica global passou a ter impacto direto sobre o custo de produção agrícola no país, especialmente na próxima safra de milho no Brasil e sorgo. A dependência de insumos importados e a instabilidade nas rotas internacionais elevam os riscos para produtores rurais.

O tema será destaque no 4º Congresso da Abramilho, marcado para o dia 13 de maio, em Brasília.

Dependência externa aumenta vulnerabilidade

Apesar de figurar entre os maiores produtores mundiais, o Brasil ainda depende fortemente do mercado externo para manter sua produção agrícola. Mais de 90% dos fertilizantes utilizados no país são importados.

Além disso, o setor também depende de países como a China para o fornecimento de defensivos agrícolas e até de parte do diesel usado nas operações no campo.

Essa estrutura torna o agronegócio brasileiro altamente sensível a oscilações externas.

Impactos imediatos no campo

A variação de preços deixou de ser apenas uma questão interna. Hoje, conflitos internacionais e tensões diplomáticas têm reflexo quase instantâneo no custo da produção.

Alterações no preço do petróleo ou interrupções em rotas comerciais impactam diretamente itens essenciais como:

  • fertilizantes importados
  • combustíveis agrícolas
  • insumos químicos

O resultado é o aumento do frete e das despesas operacionais para o produtor rural.

Congresso debate soluções e estratégias

Segundo representantes da Abramilho, o atual cenário exige uma abordagem estratégica. O objetivo do congresso é discutir alternativas para reduzir a exposição do setor às incertezas globais.

O encontro reunirá especialistas, autoridades e representantes de entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, além de integrantes do Ministério das Relações Exteriores.

Entre os temas em debate estão os impactos de acordos internacionais, como o tratado entre Mercosul e União Europeia.

Planejamento agrícola sob pressão

A intenção é construir propostas que possam orientar políticas públicas e ações do setor privado, buscando maior segurança para o produtor.

A discussão também pretende apontar caminhos práticos para o curto, médio e longo prazo, diante de um cenário marcado por instabilidade geopolítica e crescente pressão sobre os custos de produção.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Assessoria Abramilho

Ler Mais
Agronegócio

Produtor rural reduz investimentos em Mato Grosso diante de custos elevados e dívidas

O aumento dos custos de produção e as incertezas do mercado estão mudando o comportamento do produtor rural em Mato Grosso. Com margens de lucro apertadas, a estratégia tem sido conter gastos e priorizar apenas o essencial para garantir o próximo ciclo agrícola.

Esse movimento de retração é resultado de uma combinação de fatores, como a queda no preço das commodities agrícolas, o encarecimento dos fertilizantes e o peso das dívidas acumuladas em safras anteriores. O impacto já é percebido além das propriedades rurais, atingindo também as revendas de insumos, que enfrentam uma desaceleração nas negociações.

Produtores priorizam sobrevivência financeira

No dia a dia da lavoura, o cenário é de maior dificuldade. O agricultor Leonardo Lorenzi, que pretende plantar 3.025 hectares de soja, afirma que o momento exige disciplina financeira e foco em práticas de menor custo.

Segundo ele, a nova safra deve ser ainda mais desafiadora que a anterior. Por isso, os investimentos foram limitados à compra de sementes e defensivos agrícolas, enquanto a aquisição de adubo foi adiada na expectativa de melhores պայմաններ de mercado.

Essa mudança revela uma nova mentalidade no campo: mais do que buscar alta produtividade, o objetivo agora é garantir a saúde do caixa e manter a atividade viável.

Rentabilidade passa a ser prioridade

O produtor Flávio Kroling destaca que, após uma safra com retorno praticamente nulo, a preocupação com a rentabilidade agrícola se intensificou. Para ele, produzir mais não significa necessariamente lucrar mais.

A análise do cenário econômico e político se tornou essencial na tomada de decisões, já que qualquer variação pode comprometer os resultados da atividade.

Endividamento pressiona o setor

O alto nível de endividamento rural também limita novos investimentos. De acordo com representantes do setor, muitos produtores ainda lidam com prejuízos de ciclos anteriores, como a safra 2023/24, impactada por fatores climáticos adversos.

Com o aumento dos custos, especialmente de combustíveis, e a baixa nos preços das commodities, a prioridade tem sido reduzir despesas e buscar formas de equilibrar as finanças.

Revendas de insumos sentem desaceleração

A cautela dos produtores já afeta diretamente o comércio de insumos agrícolas. Em regiões como Primavera do Leste, o ritmo de vendas caiu significativamente.

Dados do setor indicam que a comercialização de fertilizantes está bem abaixo da média histórica, reflexo da descapitalização dos produtores e da dificuldade de acesso ao crédito.

Além disso, o custo de produção segue em alta, agravando ainda mais o cenário, principalmente para arrendatários ou agricultores que dependem de financiamento.

Perspectiva é de safra desafiadora

O atual contexto aponta para uma safra marcada por ajustes financeiros e decisões estratégicas mais conservadoras. A busca por eficiência e redução de custos deve guiar o planejamento agrícola nos próximos meses.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Ler Mais
Agronegócio

Produtor rural reduz investimentos em Mato Grosso diante de custos elevados e dívidas

O avanço dos custos de produção e a instabilidade no mercado têm levado o produtor rural em Mato Grosso a rever estratégias para a próxima safra. Com margens cada vez mais apertadas, a palavra de ordem no campo passou a ser cautela, priorizando apenas despesas essenciais e reduzindo riscos financeiros.

Cenário de pressão no campo

A retração nos investimentos é resultado de um conjunto de fatores que impactam diretamente a rentabilidade: queda nos preços das commodities agrícolas, alta nos fertilizantes e o acúmulo de dívidas de ciclos anteriores. Esse contexto tem provocado uma desaceleração nas negociações, refletindo não apenas nas propriedades, mas também nas revendas de insumos.

Produtores relatam que o ambiente atual exige mais controle e planejamento. A percepção geral é de que o nível de dificuldade aumentou significativamente para manter a atividade sustentável.

Estratégia: cortar custos e preservar o caixa

Para a próxima temporada, muitos agricultores estão limitando as compras ao básico. O foco deixou de ser exclusivamente a alta produtividade e passou a incluir a preservação do caixa e a redução do endividamento.

Em propriedades de grande escala, decisões como adiar a aquisição de adubos e priorizar insumos essenciais se tornaram comuns. A lógica é simples: se a conta não fechar, será necessário adaptar o manejo à realidade financeira disponível.

Rentabilidade ganha protagonismo

Após uma safra com retorno financeiro praticamente nulo, o debate sobre lucratividade no agronegócio ganhou força. Produtores destacam que altos volumes de produção não garantem resultados positivos se os custos superam as receitas.

A preocupação com variáveis econômicas e políticas também aumentou, já que qualquer oscilação pode impactar diretamente a viabilidade da atividade. O ano de 2026, nesse contexto, surge como um período de reavaliação dentro das propriedades rurais.

Endividamento preocupa setor

O peso das dívidas acumuladas, especialmente após ciclos afetados por adversidades climáticas como o El Niño, tem sido um dos principais entraves. Com combustíveis caros e preços das commodities em baixa, a prioridade passou a ser reduzir despesas e buscar equilíbrio financeiro.

A estratégia predominante entre os produtores é investir o mínimo possível, garantindo a continuidade da produção enquanto tentam amortizar débitos anteriores.

Revendas de insumos em alerta

A cautela no campo já impacta diretamente o setor de distribuição. Em importantes polos agrícolas de Mato Grosso, o ritmo de vendas desacelerou de forma significativa, especialmente no segmento de fertilizantes.

Dados do setor indicam que a comercialização está bem abaixo da média histórica para o período. Além disso, o aumento do custo de produção — que pode chegar a mais de um terço em relação ao ano anterior — agrava ainda mais a situação, principalmente para produtores que dependem de crédito ou operam em áreas arrendadas.

O cenário atual é considerado mais desafiador do que o observado anteriormente, acendendo um sinal de alerta para toda a cadeia do agronegócio brasileiro.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Ler Mais
Informação

Custo de produção elevado reduz área de algodão em Mato Grosso e produção deve cair mais de 15%

Os altos custos de produção continuam afetando a rentabilidade do algodão em Mato Grosso e já provocam impacto direto no planejamento da safra 2025/26. A área destinada à cultura no estado deve encolher 8,06% em relação ao ciclo anterior, o que também reflete em uma projeção de queda superior a 15% na produção de pluma.

Área de algodão encolhe na safra 2025/26

De acordo com relatório divulgado na segunda-feira (2) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a estimativa é de que sejam cultivados 1,42 milhão de hectares de algodão no estado nesta safra. O recuo está diretamente ligado à elevação dos custos e à pressão sobre as margens dos produtores.

Até o dia 30 de janeiro, cerca de 67,75% da área projetada já havia sido semeada, conforme levantamento recente.

Redução ocorre em todas as regiões do estado

A retração da área plantada é observada em todas as regiões de Mato Grosso, segundo o Imea. O maior recuo ocorre no Nordeste do estado, onde a área deve cair de 84,3 mil hectares para 60,6 mil hectares, uma redução de 28,04%.

No Norte mato-grossense, a diminuição estimada é de 15,55%, com a área passando para 21,4 mil hectares. Já na região Centro-Sul, a previsão indica queda de 10,81% na área cultivada com a fibra.

Produtividade menor impacta produção de algodão

Em relação à produtividade, o instituto manteve a metodologia de média ponderada das safras anteriores. A estimativa ficou em 290,88 arrobas por hectare, resultado 7,69% inferior ao registrado na safra 2024/25.

Com a combinação de menor área e produtividade mais baixa, a produção de algodão em caroço deve alcançar 6,21 milhões de toneladas, o que representa uma retração de 15,13% frente às 7,32 milhões de toneladas colhidas na safra passada.

Produção de pluma deve cair mais de 15%

A produção de pluma de algodão também foi revisada para baixo. A nova estimativa aponta volume de 2,56 milhões de toneladas na safra 2025/26, uma redução de 15,16% em comparação às 3,01 milhões de toneladas registradas no ciclo 2024/25.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Ler Mais
Agricultura

Milho em Mato Grosso: custos altos, clima incerto e preços pressionam decisão do produtor

A definição da área de milho em Mato Grosso para a próxima safra ocorre sob um cenário de cautela. Mesmo com a comercialização avançando, produtores enfrentam custos elevados, preços menos atrativos e incertezas climáticas, fatores que reduzem o apetite ao risco e influenciam diretamente o planejamento da safra 2025/26.

Comercialização avança, mas abaixo do ritmo histórico

A venda do milho da safra 2024/25 já supera 83% da produção estimada no estado. Apesar do percentual elevado, o ritmo é inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior, reflexo da menor demanda internacional, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Para a próxima temporada, os negócios caminham de forma mais lenta. O atraso no plantio da soja, aliado ao aumento dos custos e à perda de competitividade dos preços, faz com que o produtor seja mais cauteloso tanto na comercialização antecipada quanto na definição da área de plantio.

Custos elevados e margens apertadas preocupam produtores

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, a safra 2024/25 contou com produtividade maior graças a um clima mais regular, o que ajudou a compensar parte dos custos. No entanto, o cenário projetado para o próximo ciclo é mais desafiador.

Segundo ele, o atraso da soja amplia o risco climático, empurrando o milho segunda safra para fora da janela ideal. “Com preços em queda e custos em alta, a margem fica muito estreita e, em alguns casos, negativa”, avalia.

Produtores reduzem estrutura para conter riscos

No campo, a resposta tem sido a redução de investimentos e da área cultivada. Em Rosário Oeste, produtores optaram por enxugar a estrutura, priorizando soja e milho safrinha e deixando culturas como o algodão de lado.

O agricultor Almir Ferreira Pinto relata que o alto custo do crédito inviabiliza o financiamento total da lavoura, especialmente em áreas arrendadas. “Se financiar tudo e ainda pagar arrendamento, praticamente não sobra margem. Para empatar, seria preciso colher mais de 70 sacas por hectare”, explica.

Diante disso, ele reduziu o número de funcionários e diminuiu a área cultivada. Contratos de arrendamento que chegavam a 2 mil hectares foram suspensos temporariamente. A expectativa é retomar apenas na safra 2026/27, quando houver melhor equilíbrio entre custos e preços. “Hoje, o risco é muito alto”, resume.

Clima influencia decisão sobre área de milho

No médio-norte de Mato Grosso, principal região produtora de milho de segunda safra, o clima tem sido determinante. Chuvas irregulares e longos períodos de estiagem atrasaram o calendário agrícola e comprometeram o desenvolvimento da soja.

O presidente do Sindicato Rural de Vera e Feliz Natal, Rafael Bilibio, afirma que muitos produtores anteciparam o plantio apostando na regularização das chuvas, o que não se confirmou. “Choveu de forma espaçada, com intervalos de sete a dez dias, e em algumas áreas praticamente não choveu”, relata.

Com a soja entrando em fase reprodutiva sob estresse hídrico, já há perdas estimadas entre 5% e 10% da produção, o que aumenta a insegurança em relação ao milho. “Agora é torcer para que o milho consiga se desenvolver bem, porque a situação da soja preocupa”, diz.

Insegurança também marca o cenário em Nova Mutum

Em Nova Mutum, o quadro é semelhante. O presidente do Sindicato Rural local, Paulo Zen, aponta volumes de chuva muito abaixo do ideal. “Estamos com cerca de 350 milímetros acumulados em dezembro, o que é pouco. Isso certamente vai refletir na colheita”, avalia.

Mesmo com uma janela de colheita mais extensa prevista para 2026, o clima segue como fator decisivo. Diante das incertezas, muitos produtores optam por uma postura conservadora. “Na dúvida, o produtor prefere não plantar”, conclui.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Juliano Ambrosini/Canal Rural Mato Grosso

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook