Internacional

EUA ampliam preparativos militares diante de possível ação em torno de Cuba

As Forças Armadas dos Estados Unidos avançaram em preparativos que poderiam estar relacionados a uma eventual ação militar em torno de Cuba, segundo reportagem da CBS News publicada na sexta-feira. A emissora afirma ter baseado as informações em uma comunicação interna do Exército americano e em relatos de autoridades.

O documento obtido pela CBS não menciona diretamente Cuba nem determina a mobilização de tropas. Segundo fontes ouvidas pela emissora sob condição de anonimato, porém, a solicitação faria parte do planejamento militar que vem sendo desenvolvido em relação à ilha.

Exército busca informações sobre unidades disponíveis

Segundo a reportagem, uma mensagem enviada em nome da Reserva do Exército dos EUA solicita informações sobre a disponibilidade de seis tipos de unidades que poderiam atuar sob o Comando Sul dos Estados Unidos, responsável pela área que inclui América Central, América do Sul e Caribe.

Entre as unidades mencionadas estão uma brigada de polícia militar, uma brigada médica e um batalhão de engenharia. Também aparecem equipes especializadas em logística e abastecimento, além de uma unidade com capacidade para realizar cirurgias de emergência e atendimento a traumas nas proximidades das forças empregadas.

A comunicação, que teria sido preparada na semana anterior, indica que esse contingente poderia ser necessário dentro de um prazo de 90 a 120 dias. A resposta sobre a disponibilidade das unidades foi solicitada até 25 de setembro.

A Reserva do Exército não respondeu aos questionamentos apresentados pela CBS News.

Comando Sul evita comentar possíveis mobilizações

Procurado pela emissora, um porta-voz do Comando Sul dos EUA afirmou que a instituição não divulga detalhes sobre movimentações operacionais ou possíveis cronogramas de mobilização relacionados a operações atuais, futuras contingências ou atividades de planejamento.

O representante acrescentou que o comando mantém coordenação permanente com a Força Conjunta para avaliar diferentes necessidades dentro de sua área de responsabilidade e dar suporte às missões atribuídas.

Operações de reconhecimento já ocorreram na região

O planejamento envolvendo Cuba ocorre em meio a outras iniciativas militares adotadas por Washington ao longo de 2026, segundo a CBS.

A emissora relata que forças americanas realizaram operações de reconhecimento submarino e marítimo nas proximidades de Cuba. Componentes da Força Aérea dos EUA também teriam sido colocados em nível elevado de prontidão para uma eventual mobilização.

Até o momento, entretanto, os planos mencionados pela reportagem não teriam sido executados.

Opções militares contra Cuba já foram avaliadas

Em maio, a CBS informou que integrantes da comunidade de inteligência dos Estados Unidos haviam analisado possíveis reações de Cuba diante de uma eventual invasão americana.

No mês seguinte, a emissora relatou que uma das alternativas estudadas pelas autoridades americanas envolvia um assalto aéreo com milhares de militares da 101ª Divisão Aerotransportada.

Na ocasião, autoridades ressaltaram que a elaboração de cenários militares não significava necessariamente uma decisão do presidente Donald Trump ou do Pentágono pela realização de uma operação.

Pressão econômica e política sobre Havana aumenta

A movimentação militar ocorre paralelamente ao aumento da pressão econômica e política dos Estados Unidos sobre Cuba. O governo Trump adotou novas sanções contra entidades e autoridades cubanas.

Na avaliação anual de ameaças de 2026 da comunidade de inteligência americana, Cuba também foi descrita principalmente como um ambiente que favorece a atuação de potências como China e Irã, em vez de ser apresentada como uma ameaça estratégica independente.

Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Trump afirmou nesta semana que pretende promover uma “mudança fundamental” em Cuba. O presidente americano também declarou que o governo comunista da ilha “cairá” e disse que a liberdade chegará ao país.

Durante a fala do presidente americano, a delegação cubana deixou o plenário das Nações Unidas.

Trump já havia falado em “tomar Cuba”

As declarações recentes se somam a manifestações anteriores do presidente americano sobre Cuba.

Em março, Trump afirmou a jornalistas no Salão Oval que acreditava que teria “a honra de tomar Cuba”. Na mesma ocasião, declarou que poderia “libertá-la” ou “tomá-la”, segundo as declarações reproduzidas na reportagem.

Ainda naquele mês, após mencionar ações dos Estados Unidos na Venezuela e no Irã, Trump afirmou: “Cuba será a próxima”.

Em janeiro, forças americanas realizaram uma operação para capturar o então presidente venezuelano Nicolás Maduro e levá-lo aos Estados Unidos, onde ele passou a responder a acusações que incluem envolvimento com cartéis de drogas.

Governo cubano promete reagir a eventual ataque

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o país reagiria a qualquer eventual ataque dos Estados Unidos. O governo cubano também acusa Washington de conduzir uma “guerra econômica” contra a ilha.

Até o momento, os elementos descritos na reportagem indicam a existência de planejamento e preparação militar, mas não constituem, por si só, uma confirmação de que os Estados Unidos tenham decidido realizar uma intervenção militar em Cuba.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Reprodução/Comando Sul dos EUA

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Sob presidência do Brasil, Brics anuncia entrada de Cuba, Bolívia e mais sete países como parceiros

Países passam a compor o bloco na condição de parceiros, com status inferior ao dos membros efetivos, mas com possibilidade de participarem de cúpulas e reuniões temáticas.

Sob presidência do Brasil, o Brics anunciou nesta sexta-feira (17) a entrada de nove países no grupo, entre os quais Cuba e Bolívia. Esses países passam a compor o bloco na condição de parceiros, com status inferior ao dos membros efetivos, mas com possibilidade de participarem de cúpulas e reuniões temáticas. Venezuela acusa o Brasil de agressão e hostilidade após cúpula do BRICS.

A discussão sobre a criação da nova categoria aconteceu durante a cúpula do ano passado, na Rússia, e vem na esteira das recentes decisões do bloco de ampliar o número de membros.

Conforme o anúncio desta sexta, passam a integrar o Brics na categoria de países parceiros:

  • Belarus;
  • Nigéria;
  • Bolívia;
  • Cazaquistão;
  • Cuba;
  • Malásia;
  • Tailândia;
  • Uganda;
  • Uzbequistão.

    Originalmente, o grupo era formado por Brasil, Rússia, Índia e China e tinha a sigla Bric. Depois, a partir de 2010, passou a contar também com a África do Sul e passou a se chamar Brics.
    Desde 2023, foram iniciadas as negociações para ampliação grupo. Na cúpula daquele ano, na África do Sul, foi aprovada a entrada de mais seis países, entre os quais: Egito, Etiópia e Irã. Embora fizesse parte dessa lista, a Argentina, após a posse de Javier Milei, desistiu de integrar o grupo.

Segundo a nota divulgada nesta sexta, embora o anúncio aconteça sob a presidência do Brasil, a conclusão das negociações aconteceu ainda em 2024, quando, sob presidência russa, o Brics passou a discutir a ampliação do grupo, com a criação dos países parceiros.

Professores especialistas nas áreas de relações exteriores e economia ouvidos pela Globo News entendem que o efeito prático da entrada desses países por meio da nova categoria tem efeito mais geopolítico que econômico, uma vez que ampliam as áreas de influência da Rússia e da China.

https://g1.globo.com/jornal-da-globo/video/venezuela-acusa-o-brasil-de-agressao-e-hostilidade-apos-cupula-do-brics-13043019.ghtml

Presidência brasileira

A presidência brasileira do Brics começou em 1 de janeiro e tem duração de um ano. Ao todo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu cinco prioridades de discussão ao longo de 2025:

  • Facilitação do comércio e investimentos entre os países do grupo, por meio do desenvolvimento de novos meios de pagamento;
  • Promoção da governança inclusiva e responsável da Inteligência Artificial;
  • Aprimoramento das estruturas de financiamento para enfrentar mudanças climáticas;
  • Estímulo aos projetos de cooperação entre países do Sul Global, com foco em saúde pública;
  • Fortalecimento institucional do bloco.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, embora a presidência brasileira tenha duração de um ano, o governo decidiu concentrar as atividades relacionadas ao Brics no primeiro semestre deste ano.

Isso porque no segundo semestre o Brasil sediará em Belém (PA) a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

FONTE: G1
Sob presidência do Brasil, Brics anuncia entrada de Cuba, Bolívia e mais sete países como parceiros | Política | G1

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