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Porto de Santos inicia abastecimento regular de navios com etanol e amplia mercado para biocombustível brasileiro

O Porto de Santos iniciou as operações regulares de abastecimento de navios com etanol, abrindo uma nova frente para o uso de combustíveis renováveis no transporte marítimo internacional. A iniciativa reúne a companhia de navegação CMA CGM, a comercializadora de açúcar e etanol Copersucar, a fornecedora de combustíveis marítimos Bunker One e a Autoridade Portuária de Santos (APS).

A primeira operação dessa nova etapa ocorreu em 19 de outubro, com o abastecimento do navio porta-contêineres CMA CGM IRON, com capacidade para 13 mil TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.

A embarcação utiliza o primeiro motor tricombustível do mundo certificado para operar com etanol, o modelo Everllence-B&W G95ME-C10.5-LGIM.

Com a iniciativa, o porto paulista avança da fase experimental para um sistema de fornecimento comercial recorrente, reforçando o posicionamento do Brasil no mercado de combustíveis marítimos de baixo carbono. Novas operações com navios da CMA CGM e etanol fornecido pela Copersucar estão previstas até o fim do ano.

Etanol ganha espaço na transição energética do transporte marítimo

A adoção do biocombustível integra os esforços do setor de navegação para reduzir as emissões de carbono e diversificar as fontes de energia utilizadas pelas embarcações.

Segundo Giovani Grassi, CEO da CMA CGM no Brasil, a iniciativa representa um avanço na utilização comercial do etanol em operações marítimas.

Após a primeira experiência, realizada em julho, a companhia pretende demonstrar que o combustível pode ser empregado de maneira segura, confiável e em escala comercial. A estratégia também busca estimular a formação de uma cadeia de fornecimento voltada à descarbonização do transporte marítimo.

A movimentação ocorre em um mercado de grande dimensão. A demanda mundial por combustíveis para navios supera 270 bilhões de litros por ano. Considerando as diferenças de conteúdo energético entre os combustíveis, a substituição de 10% desse consumo poderia abrir um mercado potencial adicional de aproximadamente 50 bilhões de litros anuais de etanol.

Para a Copersucar, a operação representa uma oportunidade de ampliar os destinos comerciais do combustível brasileiro e conectar a capacidade produtiva nacional à demanda internacional por soluções energéticas renováveis.

O presidente da companhia, Tomás Manzano, destaca que a iniciativa estabelece um corredor de abastecimento marítimo com etanol e cria perspectivas para o crescimento do setor. Segundo ele, o Brasil já dispõe de produção, logística e escala para contribuir com a transformação energética da navegação.

Produção sustentável fortalece o etanol brasileiro

O combustível utilizado nas operações é fornecido pela Copersucar e conta com uma cadeia produtiva consolidada e certificada.

De acordo com as informações divulgadas pelas empresas, a expansão da cultura da cana-de-açúcar ocorre predominantemente sobre áreas de pastagens degradadas. A produção também está sujeita aos critérios de sustentabilidade do RenovaBio, programa brasileiro que estabelece parâmetros para a redução das emissões de gases de efeito estufa na cadeia dos biocombustíveis.

Essas características contribuem para posicionar o etanol brasileiro como uma alternativa renovável para setores que buscam reduzir a intensidade de carbono de suas operações.

A ampliação do uso do combustível na navegação depende, porém, de uma estrutura logística capaz de garantir o fornecimento contínuo, o armazenamento adequado e o abastecimento seguro das embarcações.

Cadeia logística conecta usinas ao Porto de Santos

A operação envolve diferentes empresas responsáveis por etapas complementares, desde a produção até a transferência do combustível para os navios.

O etanol produzido pelas usinas associadas à Copersucar é fornecido e transportado até o Porto de Santos pela Evolua Etanol, empresa integrante do ecossistema da companhia. No complexo portuário, o produto fica armazenado nos terminais da AGEO antes de seguir para o abastecimento das embarcações.

A etapa final ocorre no terminal da Santos Brasil, onde a Bunker One desenvolveu um protocolo específico para esse tipo de operação.

O procedimento foi elaborado após meses de estudos e treinamento das equipes, levando em conta características técnicas do etanol, especialmente seu baixo ponto de fulgor, que exige cuidados específicos no manuseio e na prevenção de incêndios.

Para Antônio Carlos Sepúlveda, diretor-presidente da Santos Brasil, receber esse tipo de abastecimento no Tecon Santos reforça o compromisso da empresa com a sustentabilidade logística e a redução da pegada de carbono de suas operações e das atividades de seus clientes.

Porto de Santos busca atrair operações marítimas de menor emissão

A participação na iniciativa também fortalece a posição do complexo portuário paulista como possível referência internacional no fornecimento de combustíveis alternativos.

Flavio Ribeiro, CEO da Bunker One LatAm, afirma que a experiência brasileira com etanol pode ser aproveitada para atender à demanda global por alternativas aos combustíveis marítimos convencionais. Na avaliação do executivo, o Porto de Santos tem condições de atrair armadores interessados em reduzir suas emissões enquanto outros mercados ainda avançam na regulamentação desse tipo de abastecimento.

O presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, também destacou a importância da iniciativa para o comércio marítimo internacional e para o desenvolvimento sustentável do setor.

O transporte marítimo responde por mais de 90% das transações comerciais globais, segundo a declaração de Pomini. Nesse contexto, a ampliação de alternativas energéticas pode contribuir para a redução das emissões associadas à circulação internacional de mercadorias.

Frota preparada para combustíveis alternativos pode ampliar demanda

As perspectivas para o mercado de etanol como combustível marítimo também estão relacionadas à evolução da frota mundial.

Dados da sociedade classificadora Det Norske Veritas (DNV) indicam que 159 embarcações já operam com motores preparados para metanol, tecnologia que pode permitir o uso de etanol. Além disso, mais de 450 novos navios equipados com esse tipo de motor têm entrega prevista até 2030.

A expansão dessa frota pode aumentar a demanda potencial por combustíveis alternativos e estimular investimentos em infraestrutura de abastecimento, armazenamento e distribuição.

Com operações regulares no Porto de Santos, o Brasil passa a explorar uma nova possibilidade de aplicação comercial para o etanol, aproveitando sua capacidade de produção e sua estrutura logística para atender às necessidades de descarbonização do transporte marítimo.

FONTE: Comunique-se Portal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Comunique-se Portal

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Transporte

Copersucar fecha primeiro contrato mundial para abastecimento de navios com etanol

A Copersucar firmou o primeiro contrato mundial para o fornecimento comercial regular de etanol como combustível para navios, com operações no Porto de Santos, no litoral paulista. A empresa pretende ampliar o volume abastecido para 200 milhões de litros em 2027, apostando no biocombustível como alternativa para reduzir as emissões do transporte marítimo.

A previsão para os últimos meses de 2026 é realizar pelo menos sete abastecimentos, com consumo total de aproximadamente 10 milhões de litros. A estimativa foi apresentada pelo CEO da companhia, Tomás Manzano, que destacou o avanço da iniciativa após cerca de dois anos de desenvolvimento e testes.

Porto de Santos inicia abastecimento comercial regular com etanol

A operação é resultado de um trabalho técnico que incluiu uma etapa-piloto realizada em julho de 2026, quando foram avaliados aspectos de segurança, procedimentos operacionais e parâmetros técnicos do abastecimento.

O projeto reúne a Copersucar, a CMA CGM, grupo internacional de transporte marítimo e logística, a Bunker One, empresa especializada na comercialização de combustíveis marítimos e subsidiária da dinamarquesa Bunker Holding, e a Autoridade Portuária de Santos (APS).

Segundo Manzano, outras empresas já haviam realizado testes com etanol na navegação. O diferencial da iniciativa é a formalização de um contrato para abastecimentos comerciais recorrentes, transformando a experiência inicial em uma operação regular.

O avanço coloca o Porto de Santos e o Brasil em posição de destaque no desenvolvimento de soluções de menor impacto climático para o transporte marítimo.

Copersucar projeta 200 milhões de litros de etanol em 2027

A meta da companhia é alcançar 200 milhões de litros de etanol destinados ao abastecimento de navios em 2027. O volume representa 20 vezes a quantidade prevista para o período final de 2026.

De acordo com o executivo, a projeção ainda está em fase de planejamento e dependerá da evolução da operação e das condições de mercado.

A expectativa de crescimento está relacionada ao interesse global por alternativas aos combustíveis fósseis, especialmente diante da pressão para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor de navegação.

Mercado marítimo pode demandar 50 bilhões de litros de etanol

O potencial de mercado ultrapassa as fronteiras brasileiras. Segundo Manzano, o transporte marítimo consome atualmente cerca de 270 milhões de toneladas de combustíveis fósseis por ano.

Caso 10% desse consumo seja substituído por etanol, a demanda equivalente poderá atingir 50 bilhões de litros do biocombustível, volume superior à produção brasileira de etanol, estimada pelo executivo em aproximadamente 37 bilhões de litros.

Para que essa substituição avance, três fatores serão determinantes: competitividade de preços, disponibilidade de motores compatíveis com combustíveis renováveis e pressão regulatória e comercial para reduzir as emissões.

A navegação responde por cerca de 3% das emissões globais, segundo Manzano, e enfrenta desafios para diminuir sua contribuição para as mudanças climáticas.

O executivo avalia que a compatibilidade tecnológica deixou de ser um obstáculo relevante. O navio utilizado nas operações pode funcionar com etanol, metanol ou combustível marítimo fóssil, conhecido como bunker.

Etanol pode reduzir emissões de carbono em 75%

Um dos principais argumentos a favor do uso do biocombustível é seu potencial de redução das emissões. Segundo a Copersucar, o etanol pode diminuir em aproximadamente 75% as emissões de carbono em comparação com o combustível marítimo fóssil.

A competitividade econômica, entretanto, ainda representa um desafio. Em uma comparação direta entre os combustíveis, o etanol apresenta preço superior ao da alternativa fóssil.

De acordo com Manzano, a conta pode mudar caso a redução das emissões seja monetizada por meio de créditos de carbono. Dependendo das condições comerciais, essa receita pode compensar a diferença de custo entre os combustíveis.

Etanol de cana tem cadeia produtiva consolidada no Brasil

O produto utilizado no abastecimento em Santos é o etanol anidro de cana-de-açúcar, o mesmo tipo empregado na mistura com a gasolina comercializada no país.

A Copersucar aponta diferentes caminhos para ampliar a oferta do biocombustível, incluindo ganhos de produtividade agrícola, expansão da produção de etanol de milho e aumento da capacidade instalada das usinas.

A empresa também destaca a existência de uma cadeia produtiva consolidada e certificada. Entre os fatores considerados estão o potencial de expansão do cultivo de cana em áreas de pastagens degradadas e os critérios de sustentabilidade do RenovaBio, programa brasileiro de incentivo aos biocombustíveis.

Esses aspectos podem contribuir para ampliar a disponibilidade do produto à medida que a demanda por combustíveis marítimos de menor intensidade de carbono crescer.

Copersucar planeja levar abastecimento com etanol a Singapura e aos EUA

Além do mercado brasileiro, a companhia pretende viabilizar operações de abastecimento de navios com etanol em Singapura e nos Estados Unidos a partir de 2027. Até o momento, não foram divulgadas estimativas de volume para esses mercados.

A expansão internacional depende de ajustes nas regras locais, atualização das especificações técnicas e obtenção das autorizações necessárias junto às autoridades portuárias.

Segundo Manzano, a experiência desenvolvida no Brasil contribuiu para estruturar a operação em Santos. Para avançar em outros países, porém, será necessário concluir as etapas regulatórias e operacionais exigidas em cada mercado.

A iniciativa representa uma nova oportunidade para o etanol brasileiro no setor de combustíveis marítimos sustentáveis, embora a expansão dependa da viabilidade econômica, da infraestrutura disponível e das condições regulatórias internacionais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: divulgação/Copersucar

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Portos

Biometano substitui diesel em caminhões que transportam açúcar ao Porto de Santos

Mais de 70 caminhões utilizam biometano produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar para transportar açúcar de usinas do interior de São Paulo até o Porto de Santos. A iniciativa faz parte da operação BioRota, desenvolvida pela Copersucar, que busca reduzir o consumo de combustíveis fósseis no transporte de cargas.

O projeto foi apresentado pela empresa em maio de 2026, mas as viagens começaram em abril de 2024. Até março de 2026, os veículos haviam percorrido aproximadamente 11 milhões de quilômetros e transportado cerca de 600 mil toneladas de açúcar. Segundo a companhia, a operação permitiu substituir aproximadamente 5 milhões de litros de diesel.

Resíduos da cana são transformados em combustível

O biometano utilizado pela frota é produzido em unidades da Cocal localizadas em Narandiba e Paraguaçu Paulista, no interior paulista.

O processo aproveita resíduos orgânicos gerados durante a fabricação de açúcar e etanol para produzir o gás utilizado como combustível nos caminhões. Dessa forma, materiais que sobram do processamento da cana-de-açúcar ganham uma nova aplicação na cadeia logística do setor sucroenergético.

A iniciativa integra a produção agrícola, o aproveitamento de resíduos industriais e o transporte de mercadorias, oferecendo uma alternativa ao diesel convencional no deslocamento da produção até o terminal portuário.

Tecnologia permite substituir parte do diesel por etanol

Outra solução para reduzir o consumo de combustíveis fósseis em máquinas e veículos pesados foi desenvolvida pela Bosch no Brasil. O sistema Dual Fuel permite utilizar etanol em conjunto com diesel em equipamentos agrícolas e veículos empregados em operações fora de estrada.

A tecnologia funciona por meio de uma injeção separada de etanol, mantendo o diesel como parte do sistema de alimentação do motor. Conforme a fabricante, a substituição média do combustível fóssil pode chegar a 35%, dependendo das características do motor e das condições de operação.

Sistema pode ser instalado em máquinas já utilizadas

Um dos diferenciais do sistema Dual Fuel é a possibilidade de adaptação de equipamentos que já estão em atividade. Com isso, a tecnologia pode ser incorporada à frota existente, sem a necessidade de substituir as máquinas por modelos novos.

O operador também pode desativar o sistema e continuar utilizando exclusivamente o diesel, conforme a necessidade do trabalho.

Entre as aplicações divulgadas pela Bosch estão colhedoras agrícolas e caminhões de grande porte utilizados fora das rodovias, equipamentos comuns em atividades que exigem elevada capacidade de transporte e operação contínua.

Biocombustíveis ampliam alternativas para o transporte e o agronegócio

As iniciativas da Copersucar e da Bosch demonstram duas possibilidades de aproveitamento de fontes renováveis para reduzir o consumo de diesel em atividades ligadas ao agronegócio.

Enquanto a operação BioRota utiliza o biometano gerado a partir de resíduos orgânicos, o sistema Dual Fuel permite substituir parte do diesel por etanol em máquinas e veículos pesados.

As duas soluções aplicam combustíveis associados à cadeia da cana-de-açúcar em diferentes etapas da produção e da logística, ampliando as alternativas tecnológicas disponíveis para o setor.

FONTE: Brasil do Trecho
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brasil do Trecho

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