Transporte

Concessões de rodovias poderão ampliar receitas com novos negócios além do pedágio

As próximas concessões de rodovias federais devem ganhar um novo modelo para estimular a exploração de receitas acessórias. A proposta prevê regras mais flexíveis para a instalação de negócios e serviços nas áreas concedidas, criando novas fontes de recursos além da arrecadação com pedágios.

Segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, o governo avalia permitir que as concessionárias mantenham até 100% da receita obtida com essas atividades.

Restaurantes, hotéis e serviços para veículos elétricos estão entre as opções

Entre os empreendimentos que podem ser desenvolvidos estão restaurantes, hotéis, centros de distribuição, estabelecimentos comerciais, áreas destinadas ao agronegócio, postos de abastecimento e estruturas para recarga de veículos elétricos.

A proposta busca aproveitar melhor os espaços próximos às rodovias e transformar áreas atualmente pouco utilizadas em polos de serviços e negócios. Com isso, a expectativa é aumentar a participação das receitas acessórias no equilíbrio financeiro dos contratos.

Hoje, esse tipo de atividade representa apenas cerca de 2% da receita das concessões.

Governo avalia mudar divisão das receitas

Nos contratos atualmente em vigor, grande parte dos valores obtidos com empreendimentos acessórios é direcionada para a chamada modicidade tarifária. O mecanismo busca contribuir para manter o preço do pedágio em níveis mais acessíveis, sem comprometer os investimentos necessários para a manutenção e melhoria das rodovias.

Na avaliação de Guilherme Sampaio, entretanto, o formato atual não tem resultado em uma redução expressiva das tarifas para os usuários.

A mudança estudada pelo governo pretende, portanto, aumentar o incentivo econômico para que as concessionárias busquem novos negócios ao longo dos trechos administrados.

Concessão entre Brasil e Argentina é usada como referência

Uma experiência considerada pelo governo como possível modelo está na concessão da ligação rodoviária entre São Borja (RS) e Santo Tomé, na fronteira com a Argentina.

Nesse contrato, a concessionária tem direito a ficar integralmente com as receitas acessórias. Para a secretária nacional do Transporte Rodoviário do Ministério dos Transportes, Viviane Esse, a experiência pode funcionar como um projeto-piloto para medir o potencial desse tipo de empreendimento.

Na região do Centro Unificado de Fronteira, estão em estudo projetos que incluem espaços para armazenamento refrigerado, restaurantes e hotéis.

Um dos planos prevê a utilização de módulos construídos a partir de contêineres. De acordo com a secretária, esse formato diminui o risco financeiro porque possibilita a retirada das estruturas caso os negócios não apresentem o retorno esperado.

O resultado dessa experiência poderá ser levado em consideração nos próximos leilões de rodovias.

Percentual para concessionárias ainda será definido

Apesar da possibilidade de permitir que as empresas fiquem com 100% das receitas acessórias, o governo ainda não decidiu se esse percentual será aplicado de maneira geral.

Viviane Esse ressaltou que as regras poderão variar conforme as características de cada contrato, o perfil da rodovia e o potencial econômico do trecho concedido.

A ideia é encontrar um modelo que estimule investimentos privados sem necessariamente aplicar a mesma divisão de receitas a todas as concessões.

Setor vê espaço para aumentar receitas acessórias

A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) também defende uma maior exploração desse mercado. Para o presidente da entidade, Marco Aurélio Barcelos, o setor rodoviário poderia seguir uma lógica semelhante à observada no segmento aeroportuário, onde as receitas provenientes de atividades não diretamente relacionadas à operação principal têm participação mais relevante nos resultados das empresas.

Segundo Barcelos, porém, seria necessário reduzir a burocracia para a implantação de novos negócios e elevar a parcela da receita que permanece com as concessionárias.

Ele afirma que, em alguns contratos atuais, as empresas ficam com aproximadamente 15% da receita gerada por atividades acessórias, enquanto a maior parte é destinada à modicidade tarifária.

Na avaliação do representante do setor, essa divisão diminui o interesse das empresas em assumir os custos e riscos necessários para prospectar, negociar e implantar novos empreendimentos.

Novos negócios podem movimentar regiões próximas às rodovias

Além de criar uma fonte adicional de recursos para as concessionárias, a expansão das receitas acessórias em rodovias pode aumentar a oferta de serviços aos motoristas e passageiros e estimular a economia das regiões atravessadas pelas estradas.

O setor também defende que os futuros contratos de concessão estabeleçam antecipadamente quais atividades poderão ser exploradas. A medida reduziria a necessidade de obter autorizações específicas para cada novo empreendimento.

Com regras mais claras desde o início, as empresas interessadas nos leilões também poderiam incorporar o potencial dessas receitas em seus cálculos e propostas, tornando os projetos mais atrativos para investidores.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação / Arteris

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Informação

TCU autoriza concessão das BRs 116 e 324 na Bahia com pedágio free flow

O Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou o avanço do processo de concessão das rodovias BR-116 e BR-324, na Bahia. O projeto prevê a adoção integral do sistema de pedágio eletrônico free flow, que elimina as tradicionais praças físicas de cobrança.

A decisão, obtida pelo portal A TARDE nesta quinta-feira (27), estabelece que a publicação do edital definitivo ainda dependerá de ajustes na modelagem técnica, financeira e jurídica da concessão.

Concessão terá 30 anos e investimentos de R$ 14,8 bilhões

Batizado de Rota 2 de Julho, o projeto prevê um contrato de concessão de 30 anos. A estimativa é de R$ 14,857 bilhões em investimentos, além de R$ 6,581 bilhões destinados aos custos operacionais.

Ao todo, o trecho concedido terá aproximadamente 641,75 quilômetros, abrangendo segmentos das BR-116 e BR-324 no território baiano.

Entre as principais mudanças está a substituição das praças convencionais pelo sistema de cobrança eletrônica por livre passagem. Embora as estruturas físicas sejam retiradas, o pagamento do pedágio continuará existindo.

Como funcionará o pedágio free flow

A nova concessionária deverá instalar 12 pórticos de cobrança ao longo das rodovias. Os equipamentos farão a identificação dos veículos durante a passagem, sem necessidade de parada.

O motorista poderá pagar automaticamente utilizando uma tag ou realizar o pagamento posteriormente pelos canais oferecidos pela concessionária.

No primeiro ano do contrato, a tarifa de referência será de:

  • R$ 0,1050 por quilômetro em pista simples;
  • R$ 0,1418 por quilômetro em pista dupla.

A previsão é de que, a partir do quarto ano, os valores passem para R$ 0,1266 e R$ 0,1708 por quilômetro, respectivamente.

Motoristas que utilizarem tag de pagamento automático terão desconto de 20%.

Motorista sem tag terá até 30 dias para pagar

Quem não possuir dispositivo automático poderá quitar a tarifa em até 30 dias, sem cobrança de juros, multas ou encargos administrativos.

Depois desse prazo, haverá aumento do valor devido. Se o atraso ultrapassar 30 dias, a situação poderá ser enquadrada como evasão de pedágio, sujeitando o motorista a multa e pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

A futura concessionária também deverá disponibilizar canais para consulta e pagamento das tarifas, além de divulgar informações sobre valores, prazos e modalidades de quitação.

A sinalização instalada nas rodovias deverá indicar os preços aplicáveis tanto aos usuários com pagamento automático quanto àqueles que optarem pela quitação avulsa.

Projeto prevê mais de 300 quilômetros de duplicações

A concessão também contempla um amplo pacote de obras de infraestrutura rodoviária na BR-116/BA.

Estão previstos:

  • 306,6 quilômetros de duplicações;
  • 192 quilômetros de faixas adicionais em pista dupla;
  • 65,4 quilômetros de faixas adicionais em pista simples;
  • 37,2 quilômetros de vias marginais.

A BR-324 possui 108,6 quilômetros, além do contorno de Feira de Santana, e já está totalmente duplicada. Já a BR-116 soma 506,1 quilômetros, além do anel rodoviário de Vitória da Conquista, sendo composta majoritariamente por trechos de pista simples.

O contrato também prevê recuperação de pavimento, restauração de pontes, viadutos e passarelas, implantação de sistemas de monitoramento e modernização dos equipamentos utilizados na operação das rodovias.

ViaBahia poderá participar da nova licitação

Outro ponto analisado pelo TCU envolve a participação da antiga concessionária das rodovias, a ViaBahia, atualmente denominada Concrod Concessionária de Rodovias Ltda., no futuro processo de licitação.

A versão inicial do edital estabelecia que empresas que tivessem firmado, nos cinco anos anteriores, acordos de encerramento consensual de contratos de concessão no âmbito do TCU não poderiam disputar a nova concessão.

A regra poderia atingir a antiga ViaBahia, cujo contrato foi encerrado por meio de acordo homologado pelo Tribunal em 2025.

A empresa questionou a restrição e argumentou que o acordo não havia atribuído culpa ou responsabilidade às partes. O relator do processo, ministro Odair Cunha, avaliou que a manutenção da proibição poderia provocar insegurança jurídica.

Leilão ainda não tem data definida

O acórdão do TCU não estabelece uma data específica para a realização do leilão das BRs 116 e 324.

Conforme apuração do A TARDE, entretanto, o relatório técnico considera que a assinatura do futuro contrato de concessão está prevista para ocorrer em 2027.

FONTE: A Tarde
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/A Tarde

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Transporte

EPR vence leilão da Régis Bittencourt com deságio de 22,53% no pedágio

A EPR conquistou, nesta quinta-feira (23), a concessão da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116) ao apresentar a melhor proposta no leilão realizado na B3, em São Paulo. A empresa ofereceu um deságio de 22,53% sobre a tarifa básica de pedágio, garantindo a vitória na disputa.

A concessão abrange um trecho de 383 quilômetros da BR-116, um dos principais corredores logísticos do país, fundamental para o transporte de cargas entre importantes regiões brasileiras.

Investimentos superam R$ 11 bilhões

O contrato prevê R$ 7,2 bilhões em investimentos destinados à ampliação da capacidade, modernização e adequação da infraestrutura da rodovia ao longo de 15 anos.

Além disso, outros R$ 4,06 bilhões serão aplicados na operação e manutenção da concessão durante todo o período contratual, garantindo melhorias contínuas nos serviços prestados aos usuários.

Novo contrato sucede concessão da Arteris

O leilão foi realizado após a repactuação do contrato da atual concessionária, a Arteris. Com o novo modelo, o cronograma de investimentos foi atualizado, contemplando a expansão da capacidade da rodovia, melhorias operacionais e novas condições econômico-financeiras para a administração do trecho.

Além da EPR e da Arteris, a Motiva também apresentou proposta durante o certame.

Obras previstas incluem duplicações, ciclovias e passarelas

Entre as principais intervenções previstas na concessão estão:

  • 68,91 quilômetros de faixas adicionais;
  • 32,80 quilômetros de vias marginais;
  • 14 pontos de ônibus;
  • 32,80 quilômetros de ciclovias;
  • 18 passarelas para pedestres;
  • 19 passagens de fauna;
  • 91,4 quilômetros de iluminação em trechos de serra;
  • 13 melhorias em interseções;
  • duas melhorias de acesso;
  • quatro obras de macrodrenagem;
  • 27 correções de traçado.

As obras buscam aumentar a segurança viária, melhorar a fluidez do trânsito e ampliar a capacidade operacional da BR-116.

EPR amplia presença nas concessões rodoviárias

A vitória fortalece a atuação da EPR no setor de concessões rodoviárias. A companhia já administra três lotes de rodovias no Paraná, correspondentes aos lotes 2, 4 e 6 do programa estadual de concessões.

Antes da realização do leilão, o ministro dos Transportes, George Santoro, havia afirmado, em entrevista à CNN durante o evento Conexão Infra, que a expectativa era de forte concorrência pelo ativo. Na ocasião, ele informou que cinco grupos demonstravam interesse na disputa.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Arteris

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