Tecnologia

Redata: presidente sanciona regime que amplia incentivos para data centers no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na terça-feira (15) a lei que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata). A medida busca estimular investimentos em data centers, fortalecer a cadeia tecnológica brasileira e ampliar o desenvolvimento de setores ligados à indústria 4.0.

A nova política também tem entre seus objetivos aumentar a soberania digital do país em áreas como computação em nuvem, inteligência artificial, fábricas inteligentes e Internet das Coisas (IoT).

Incentivos são vinculados a pesquisa e inovação

O Redata condiciona os benefícios tributários ao cumprimento de contrapartidas voltadas à pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).

A proposta é estimular o crescimento das cadeias produtivas relacionadas à economia digital no Brasil, além de estabelecer uma parcela mínima dos serviços que deverá ser direcionada ao mercado nacional.

O programa também prevê mecanismos para incentivar a desconcentração regional dos investimentos. Projetos instalados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão exigências menores em determinadas contrapartidas.

Empresas terão metas de sustentabilidade

As companhias que aderirem ao regime precisarão cumprir requisitos relacionados à eficiência hídrica e à sustentabilidade.

Os empreendimentos deverão adotar medidas para reduzir o consumo de água e utilizar fontes de energia renováveis ou de baixa emissão de carbono. Os critérios e parâmetros específicos serão definidos posteriormente por regulamentação.

Equipamentos de tecnologia terão benefícios fiscais

Entre os principais incentivos do Redata está a isenção de PIS/Pasep, Cofins e IPI na compra de equipamentos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).

A desoneração será válida tanto para produtos fabricados no Brasil quanto para equipamentos importados destinados à instalação, modernização ou expansão de data centers.

Nos casos em que não houver produção nacional equivalente, os equipamentos importados também poderão contar com isenção do Imposto de Importação.

Um decreto presidencial assinado na mesma cerimônia regulamenta parte do programa e estabelece, entre outras medidas, quais produtos poderão ser importados com alíquota zero durante cinco anos.

Redata exige investimento em pesquisa e desenvolvimento

Como contrapartida aos incentivos fiscais, as empresas beneficiadas deverão direcionar 2% do valor dos produtos adquiridos — nacionais ou importados — para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Os recursos deverão ser aplicados em iniciativas relacionadas a programas considerados prioritários para o desenvolvimento e o fortalecimento da cadeia produtiva da economia digital.

A definição detalhada desses programas ficará a cargo de regulamentação específica.

Parte da capacidade dos data centers deverá atender ao Brasil

Outra exigência do regime estabelece que as empresas deverão disponibilizar ao mercado brasileiro pelo menos 10% da capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados de seus empreendimentos.

Essa capacidade poderá ser comercializada para empresas privadas ou disponibilizada gratuitamente para Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) e órgãos públicos, com o objetivo de apoiar políticas e iniciativas relacionadas ao setor.

Para projetos instalados no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, as duas principais contrapartidas — investimento em PD&I e disponibilização de capacidade ao mercado interno — terão redução de 20%.

O descumprimento das obrigações poderá levar à perda dos benefícios fiscais. Nesse caso, a empresa terá de recolher os tributos correspondentes, acrescidos de multa e juros, além de ficar impedida de aderir novamente ao regime durante dois anos.

Brasil ainda depende de serviços digitais do exterior

A criação do Redata ocorre em um cenário de elevada dependência brasileira de serviços digitais prestados fora do país.

Segundo diagnóstico do Ministério da Fazenda citado na política, aproximadamente 60% das cargas digitais brasileiras estão atualmente associadas a serviços realizados no exterior.

Essa dependência é apontada como um fator de risco para a soberania digital, além de limitar o desempenho de aplicações digitais e contribuir para o déficit da balança comercial brasileira em segmentos tecnológicos.

Em 2024, o déficit comercial do setor de elétricos e eletrônicos chegou a US$ 40 bilhões. No segmento de serviços, o saldo negativo foi de US$ 7,1 bilhões, sendo uma parcela significativa relacionada ao processamento e armazenamento de dados.

Brasil tem potencial para atrair data centers

A política considera as vantagens competitivas brasileiras para ampliar a instalação de data centers.

Entre os fatores estão a disponibilidade de energia renovável, a possibilidade de acesso a eletricidade a preços competitivos e uma infraestrutura de telecomunicações adequada ao tráfego internacional de dados.

O país também está conectado a rotas internacionais por meio de cabos submarinos, infraestrutura fundamental para o funcionamento de grandes centros de processamento e armazenamento de informações.

Apesar dessas condições, a participação brasileira no mercado mundial de data centers ainda é considerada pequena. O país ocupa a décima posição em participação relativa, atrás de mercados como Japão e Holanda.

Com o Redata, o governo pretende utilizar os incentivos tributários para ampliar a infraestrutura nacional de processamento e armazenamento de dados, estimular investimentos tecnológicos e fortalecer a cadeia produtiva digital brasileira.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Crypto ID

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Tecnologia

Inteligência Artificial movimenta US$ 110 bilhões e acelera expansão do mercado global

A Inteligência Artificial consolidou um novo patamar de crescimento no mercado mundial. De acordo com o relatório The State of the AI Economy, elaborado pela consultoria britânica Exponential View, a IA generativa acumulou US$ 110 bilhões em receita nos últimos 12 meses. Considerando o ritmo atual de crescimento, o setor já opera com uma projeção anualizada de aproximadamente US$ 175 bilhões.

O levantamento reúne informações de balanços financeiros de empresas de capital aberto, contratos de computação em nuvem e estimativas de mercado para oferecer uma visão mais precisa da economia da IA.

Metodologia evita duplicidade na contagem das receitas

Um dos diferenciais do estudo é a metodologia adotada para impedir que a mesma receita seja contabilizada mais de uma vez ao longo da cadeia de serviços da Inteligência Artificial.

Na prática, quando um cliente paga US$ 100 por um aplicativo de IA, esse valor permanece único na contabilização, mesmo que parte dele seja repassada a fornecedores de modelos de linguagem e empresas responsáveis pela infraestrutura em nuvem. Dessa forma, evita-se inflar artificialmente o tamanho do mercado.

Crescimento acelerado amplia diferença entre receita e projeção

O relatório aponta que existe uma diferença significativa entre a receita efetivamente registrada nos últimos 12 meses (US$ 110 bilhões) e o ritmo anualizado estimado (US$ 175 bilhões), uma distância equivalente a cerca de 1,6 vez.

Segundo os pesquisadores, essa diferença é consequência da rápida expansão da economia da IA. Quanto maior o ritmo de crescimento, maior tende a ser a distância entre os resultados já consolidados e a projeção baseada no desempenho mais recente do setor.

Gigantes da tecnologia acumulam contratos bilionários

Outro destaque do levantamento está no elevado volume de contratos ainda pendentes de execução pelas principais empresas de tecnologia.

Juntas, Microsoft, Oracle, Amazon e Google acumulavam cerca de US$ 2 trilhões em compromissos contratuais no trimestre mais recente. Desse total, aproximadamente US$ 633 bilhões pertencem à Microsoft, enquanto a Oracle concentra cerca de US$ 553 bilhões.

A Nvidia também registrou forte avanço nesse indicador. Os compromissos futuros da empresa cresceram de US$ 31 bilhões para US$ 95 bilhões em apenas um ano.

Investimentos em infraestrutura continuam em alta

O avanço das receitas acompanha um ciclo robusto de investimentos das big techs em infraestrutura para Inteligência Artificial. Segundo o estudo, os aportes previstos para este ano somam US$ 725 bilhões, valor 77% superior ao recorde registrado no período anterior.

Entre os desenvolvedores de modelos de IA, Anthropic, responsável pelo Claude, e OpenAI aparecem na liderança da disputa tecnológica. Apesar de ainda representarem uma parcela relativamente pequena da receita total do mercado, a participação desse segmento segue em expansão.

O relatório também ressalta que sua metodologia não considera receitas provenientes da venda de chips, publicidade impulsionada por IA nem funcionalidades de Inteligência Artificial incorporadas a softwares tradicionais. Por esse motivo, os números apresentados são considerados mais conservadores do que outras estimativas amplamente divulgadas pelo mercado.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Modais em Foco

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Economia, Exportação, Informação, Internacional, Negócios, Notícias, Tecnologia

EUA adicionam dezenas de entidades chinesas à lista de restrições de exportação, incluindo unidades do Inspur

 Os Estados Unidos adicionaram seis subsidiárias do grupo Inspur, importante provedor de serviços de computação em nuvem e big data da China, e dezenas de outras entidades chinesas à sua lista de restrições de exportação na terça-feira.

As unidades do Inspur foram listadas por contribuírem para o desenvolvimento de supercomputadores para os militares chineses, informou o Departamento de Comércio em uma postagem. Cinco das subsidiárias estão sediadas na China e uma em Taiwan. O próprio grupo Inspur foi incluído na lista em 2023.

As unidades do Inspur estão entre as cerca de 80 empresas e institutos adicionados à lista de controle de exportação na terça-feira. Mais de 50 estão sediadas na China. Outras estão em Taiwan, Irã, Paquistão, África do Sul e Emirados Árabes Unidos.

As listas têm como objetivo restringir a capacidade da China de desenvolver recursos de computação de alto desempenho, tecnologias quânticas e IA avançada, além de impedir o desenvolvimento de seu programa de armas hipersônicas.

“Não permitiremos que adversários explorem a tecnologia norte-americana para reforçar suas próprias Forças Armadas e ameaçar vidas americanas”, disse o secretário de Comércio, Howard Lutnick.

O Ministério das Relações Exteriores da China, em resposta a uma consulta nesta quarta-feira, condenou a medida dos EUA e disse que o país tomará as medidas necessárias para proteger os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas.

A embaixada chinesa em Washington afirmou na terça-feira que se opõe firmemente “a esses atos dos EUA e exige que eles parem imediatamente de usar questões militares como pretextos para politizar, instrumentalizar e transformar em armas questões comerciais e tecnológicas”.

O grupo Inspur não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Os EUA também buscam interromper a aquisição de drones e itens de defesa relacionados por parte do Irã e impedir o desenvolvimento de seu programa de mísseis balísticos e atividades nucleares não protegidas.

O governo inclui empresas na Lista de Entidades do Departamento de Comércio por questões de segurança nacional ou política externa. As empresas não podem vender produtos para as entidades listadas sem solicitar e obter licenças, que provavelmente serão negadas.

FONTE: Reuters ou msn
EUA adicionam dezenas de entidades chinesas à lista de restrições de exportação, incluindo unidades do Inspur

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