Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA já impacta transporte rodoviário de cargas no Paraná

Segmentos da economia paranaense já estão sofrendo os efeitos das sobretaxas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros desde a última quarta-feira (6), segundo o Setcepar (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná). Já há suspensão de produção e adoção de férias coletivas em algumas empresas, de acordo com Silvio Kasnodzei, presidente do sindicato.

“Tivemos relatos de embarcadores que anteciparam seus envios para julho, tentando fugir da tarifação”, disse Kasnodzei. O sindicalista explicou que o tarifaço dos EUA afeta vários setores da economia do Paraná, especialmente o agronegócio, a indústria de base e o setor madeireiro, com forte dependência do comércio exterior.

Ainda não foram registrados cancelamentos de contratos, mas já há paralisação de frotas e ociosidade em alguns terminais logísticos. Ainda segundo o dirigente do Setcepar, verifica-se uma reação em cadeia que atinge portos, transportadoras e o próprio planejamento das empresas exportadoras. Há o temor de que o impacto nas exportações possa resultar em um quadro de desemprego em massa.

Mais barreiras
Empresas que exportam a outros países, além dos EUA, relatam preocupação de que outros destinos também venham a impor barreiras ao Brasil, segundo informou o presidente do Setcepar, devido a pressões geopolíticas. Kasnodzei acredita em uma saída pela via da negociação e diz que esse cenário não pode se manter por muito tempo. “Isso seria o caos, não só para o transporte, mas para toda a economia brasileira”, afirmou.

Fonte: Agência Infra

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Comércio Exterior

Tarifaço: duas cidades de SC estão entre as 20 mais atingidas pelas tarifas de Trump

A taxa adicional aplicada pelo presidente dos Estados Unidos de 50% aos produtos brasileiros entrou em vigor na quarta-feira (6) e afetou 906 municípios brasileiros

Jaraguá do Sul e Joinville estão entre as 20 cidades mais atingidas pelas tarifas de Donald Trump. A taxa adicional aplicada pelo presidente dos Estados Unidos de 50% aos produtos brasileiros entrou em vigor na quarta-feira (6) e afetou 906 municípios brasileiros.

As exportações de Santa Catarina de máquinas, equipamentos elétricos e mecânicos desses municípios somam quase R$ 474 milhões em vendas anuais para o mercado americano, agora sujeitas à nova taxação decretada por Trump.

Municípios mais atingidos pelas tarifas de Trump

A medida, decretada pelo presidente Donald Trump, atinge especialmente carne, café, máquinas, pescados e armas, poupando apenas setores como aeronaves, petróleo, celulose e suco de laranja. O levantamento é do Estadão, com base em dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

Sudeste e Sul concentram maior impacto

As regiões Sudeste e Sul, líderes nas exportações para os EUA, concentram grande parte dos municípios afetados. Em São Paulo, Piracicaba, referência em máquinas e peças, lidera a lista.

Matão (SP) é forte em preparações de frutas; Guaxupé e Varginha (MG) exportam café; e cidades gaúchas e catarinenses têm fábricas de armas, equipamentos e materiais elétricos que perderão competitividade.

No Rio Grande do Sul, a sobretaxa afeta também as exportações de carnes e móveis, produtos com alta concorrência no mercado internacional. No Sul, Jaraguá do Sul (SC) e São Leopoldo (RS) se destacam entre os mais impactados.

Norte e Nordeste são mais vulneráveis

Segundo estudo do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste da FGV/IBRE, as regiões Norte e Nordeste tendem a sentir mais os efeitos econômicos e sociais do tarifaço. Isso porque suas exportações têm baixo valor agregado e forte peso no emprego local, como frutas, pescados, calçados e têxteis.

Estados como o Ceará, com forte dependência do mercado americano, estão entre os mais expostos. “As isenções beneficiaram proporcionalmente as regiões mais ricas do País e menos as regiões mais pobres”, afirma o pesquisador Flávio Atalibra Barreto.

Centro-Oeste sofre menos com a medida

O Centro-Oeste é a região menos afetada, por ter sua pauta de exportações centrada em commodities agropecuárias e minerais, com destino prioritário para China e Europa. Mesmo assim, há cidades da região que exportam carne e outros produtos que sofrerão com o aumento tarifário.

Produtos e municípios mais atingidos pelas tarifas de Trump

O levantamento do Estadão mapeou os 30 produtos brasileiros mais exportados para os EUA em 2024. Entre os mais impactados estão:

Piracicaba – SP

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 1.052.717,85

Matão – SP

  • Produtos: preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas
  • Valor em MIL US$ 442.426,12

Guaxupé – MG

  • Produtos: café, chá, mate e especiarias
  • Valor: 410.456,63

Barcarena – PA

  • Produtos: produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos
  • Valor: 344.011,52

Varginha – MG

  • Produtos: café, chá, mate e especiarias
  • Valor: 290.403,23

Jaraguá do Sul – SC

  • Produtos: máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios
  • Valor: 245.120,49

Colina – SP

  • Produtos: preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas
  • Valor: 244.896,53

Pederneiras – SP

  • Produtos: veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios
  • Valor: 236.728,72

Joinville – SC

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 228.366,36

Serra – ES

  • Produtos: obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes
  • Valor: 215.801,36

Araraquara – SP

  • Produtos: preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas
  • Valor: 206.007,26

Petrópolis – RJ

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 194.894,86

Campo Largo – PR

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 181.515,87

Lins – SP

  • Produtos: preparações de carne, de peixes ou de crustáceos, de moluscos ou de outros invertebrados aquáticos
  • Valor: 179.662,9

Cachoeiro de Itapemirim – ES

  • Produtos: obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes
  • Valor: 178.644,73

São Luís – MA

  • Produtos: produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos
  • Valor: 155.593,59

Contagem – MG

  • Produtos: máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios
  • Valor: 153.740,23

Ribeirão Pires – SP

  • Produtos: armas e munições; suas partes e acessórios
  • Valor: 153.369,0

Suzano – SP

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 131.941,46

Campo Limpo Paulista – SP

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 131.066,0

Apesar de algumas exceções, como aviões da Embraer e petróleo, a nova 2tarifa deve pressionar setores estratégicos, provocar perda de competitividade e abrir espaço para concorrentes internacionais.

Fonte: ND+

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Comércio Exterior

Países árabes querem comprar mais produtos do Brasil após tarifaço dos EUA

A pesquisa traz os volumes de importação desses itens pelos países árabes, os principais países árabes importadores dos itens e potenciais destinos substitutos na exportação

Países árabes querem comprar mais produtos do Brasil como alternativa ao tarifaço dos Estados Unidos. Um estudo realizado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, antecipado com exclusividade ao Broadcast Agro (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), mapeou os produtos mais afetados pelo tarifaço de 50% que entrou ontem (6) em vigor sobre produtos brasileiros vendidos ao mercado americano.

A pesquisa traz os volumes de importação desses itens pelos países árabes, os principais países árabes importadores dos itens e potenciais destinos substitutos na exportação. As oportunidades concentram-se sobretudo na comercialização de produtos do agronegócio brasileiro aos 22 países da Liga Árabe.

O diagnóstico do estudo apontou para 13 produtos entre os principais exportados pelo Brasil para os Estados Unidos dos últimos cinco anos, que poderiam ser exportados ou aumentar as vendas já existentes para o mercado árabe. Para cada produto, a Câmara Árabe sugere três países promissores para importação dos itens brasileiros.

Um dos produtos com potencial de ser mais exportado aos países árabes é o café verde. O Brasil exportou US$ 513,83 milhões em café não torrado para o mercado árabe em 2024, ante vendas de US$ 1,896 bilhão para os Estados Unidos. A câmara aponta potencial de expansão das vendas de café verde para Arábia Saudita, Kuwait e Argélia. No caso da Arábia Saudita, dos US$ 400 milhões importados em 2024 de café pelo país, apenas US$ 49 12 milhões foram provenientes do Brasil, havendo portanto espaço para crescimento da participação brasileira.

Já em carne bovina, Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita são países que podem ampliar as compras da proteína brasileira. No caso do Egito, dos US$ 927,12 milhões importados de carne bovina pelo país em 2024, apenas US$ 273,07 milhões são da proteína brasileira. No último ano, o Brasil exportou US$ 1 211 bilhão de carne bovina para os países árabes ante US$ 885 milhões exportados aos Estados Unidos.

Em outra ponta, há produtos que são exportados pelo Brasil aos Estados Unidos mas ainda não vendidos aos países árabes e com potencial de pequena absorção, caso dos produtos semimanufaturados de ferro ou aço e madeira de coníferas. Bulldozers e angledozers e carregadoras e pás carregadoras são itens com importação elevada pelos países árabes, mas ainda com exportação incipiente do Brasil, ou seja, com espaço para crescimento das vendas brasileiras ao mercado árabe.

No caso do café não torrado, por exemplo, ele pode chegar aos países árabes com tarifa zerada, enquanto os Estados Unidos cobrarão 50% sobre o produto brasileiro. Na carne bovina congelada, as alíquotas árabes variam de zero a 6%, ante os 50% do mercado norte-americano. O açúcar chega no mercado árabe com tarifa de zero a 20% ante 50% cobrados pelos EUA. Produtos semimanufaturados de ferro e aço estão sujeitos à alíquota de 50% dos Estados Unidos, enquanto no mercado árabe a taxa varia de zero a 12%. Petróleo refinado, que está entre os principais produtos exportados do Brasil aos EUA, tem tarifa de 50% para entrar no mercado americano em comparação com 5% de cobrança nos países da Liga Árabe, aponta o estudo.

São dois objetivos, segundo a câmara: mitigar os impactos da nova tarifa dos Estados Unidos (sobretaxa de 40% em adicional à alíquota de 10% em vigor desde 5 de abril) e ampliar a parceria comercial do Brasil com os países árabes. Para chegar nos resultados, a câmara cruzou os 20 principais produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos, os principais destinos consumidores destes itens no mercado árabe e análise tarifária, considerando apenas os produtos que ficaram sujeitos à alíquota cheia de 50% e não foram excetuados.

Há demanda crescente dos países árabes pelos produtos brasileiros com redução tarifária, com alíquotas que variam de zero a 30%, avalia a Câmara Árabe. Esses fatores somados à escalada tarifária dos Estados Unidos podem ser vistos como oportunidades para redirecionar e ampliar os fluxos comerciais das exportações brasileiras, observa a câmara. “Os países árabes têm crescimento populacional e econômico acima da média mundial, tem população jovem e o Brasil é um importante provedor para a segurança alimentar de lá”, observa Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara. Para ele, o mercado árabe deve, portanto, estar nas prioridades das empresas e do governo nas estratégias de redirecionamento dos produtos que deixarão de ser exportados aos Estados Unidos.

Não há uma estimativa de quanto que poderia ser redirecionado aos países árabes, mas parte pode ser absorvida pelo mercado árabe ainda este ano, projeta Mourad. “O estudo aponta para crescer paulatinamente o comércio, mas em alguns produtos pode haver demanda imediata. Carne bovina e café são produtos com potencial de rápida colocação nos países árabes, podendo colher resultados rápidos, embora 100% do que seria exportados aos Estados Unidos seja absorvido”, explicou. Para isso, o setor produtivo e as empresas terão que ser proativos, avalia.

Histórico

Em 2024, o Brasil exportou o recorde de US$ 23,68 bilhões para os países árabes, com superávit para o lado brasileiro de US$ 13 50 bilhões. Emirados Árabes Unidos, Egito e Arábia Saudita lideram as importações de produtos nacionais. Para este ano, a expectativa é de estabilidade a leve crescimento nas vendas externas do Brasil à Liga Árabe.

Produtos do agronegócio predominam na pauta brasileira de exportação ao bloco, respondendo por 76% dos embarques no último ano. Os itens mais vendidos ao mercado árabe são açúcar, frango, minério de ferro, milho e outros cereais e carne bovina. O Brasil é o principal fornecedor de gado, carne suína, carne de frango, milho, soja em grãos, amendoim, gordura de bovino, ceras vegetais, açúcar, suco de laranja congelado, tabaco brut, minério de ferro, minério de alumínio, celulose, ferro gusa bruto (usado para produção de aço) e resíduos de estanho (usado para fabricação de ligas metálicas) para o mercado árabe, mostra o estudo.

A câmara ressalta que há complementaridade na pauta comercial do Brasil com países árabes, além de alíquotas menores em uma gama de produtos. O País importa sobretudo do mercado árabe petróleo e fertilizantes e exporta commodities agrícolas e alimentos. “É preciso levar a ideia do Brasil como um fornecedor confiável, com menor custo benefício ao importador com preço competitivo e qualidade. O tema da segurança alimentar é muito sensível aos países árabes”, lembrou Mourad. Ele afirma que o custo do frete, apesar da logística dificultada, não é um impeditivo para as compras.

Além das questões de negócios, a câmara reforçará com o governo a identificação dos países árabes com o Brasil e a relação histórica de mais de um século entre os mercados. “Não tenho duvidas de que país a país vai escolher mais pelo Brasil não somente em alimentos, mas nos mais diversos produtos”, pontuou o secretário-geral da câmara.

Entre os países que carecem de “atenção especial” do setor privado brasileiro para expansão do fluxo comercial, a Câmara Árabe cita Egito, Argélia, Iraque e Líbia. “O Egito, pelo fato de ter acordo comercial vigente com o Mercosul, continua sendo um parceiro muito importante e o acordo facilita as exportações” observa Mourad. “Líbia e Iraque, por sua vez, gozam de certa estabilidade e têm economias ligadas à exploração do petróleo, o que mostra liquidez e apetite para comprar. Já a Argélia é um país com mais de 40 milhões de habitantes, exporta petróleo, importante consumidor de bens, porém com altas tarifas para importação que precisam ser negociadas”, observou o secretário-geral da Câmara.

Plano de trabalho

A Câmara Árabe sugere ainda ao governo brasileiro um escopo de ações para fomentar a exportação brasileira aos países árabes. As ações são divididas em três frentes: sensibilização, diversificação de comércio e facilitação.

O plano prevê ações coordenadas entre a Câmara Árabe, empresas brasileiras e o governo brasileiro para maximizar o redirecionamento de fluxos comerciais e explorar searas de crescimento. As principais áreas incluem a promoção comercial de produtos com alta atratividade tarifária e demanda no mercado árabe, o apoio à adaptação de empresas brasileiras às exigências locais (como a certificação halal) e o fortalecimento de acordos comerciais e diplomáticos. Medidas como a facilitação de vistos de negócios para empresários brasileiros e árabes para países como Arábia Saudita, Argélia, Catar e Kuwait; organização de missões comerciais e atração de investimento aos países árabes e islâmicos são ações práticas sugeridas.

A Câmara Árabe ressalta a necessidade ainda de o Mercosul fechar acordos de livre comércio com países árabes. Há negociações em andamento com Tunísia, Marrocos, Jordânia, Líbano e com o próprio Conselho de Cooperação do Golfo. Como exemplo, a câmara cita o acordo comercial entre Egito e Mercosul, firmado em 2010. “Desde lá, as exportações brasileiras ao Egito quase dobraram”, apontou Mourad. Hoje as tratativas mais avançadas são com os Emirados Árabes Unidos.

Na avaliação de Mourad, tanto os países árabes quanto o Brasil têm de aproveitar também o bom momento das relações entre o governo brasileiro e o mercado árabe. “O governo sabe trabalhar muito bem essa região, enxerga o peso econômico e o potencial de consumo e respeita a importância do mundo árabe”, pontuou.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Plano de contingência contra tarifaço deve ser anunciado até terça (12)

Alckmin teria agenda nesta segunda em São Paulo, mas cancelou para reunião com Lula em Brasília em que deve tratar de últimos detalhes das medidas

Concentrado nos esforços para tirar do papel o pacote de medidas de socorro para mitigar os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, cancelou agendas que teria em São Paulo nesta segunda-feira (11) para um “compromisso inadiável” em Brasília.

Alckmin terá uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro está marcado às 17h. Mas, os ministros terão uma prévia com a Casa Civil. Têm participado dos encontros: Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União).

A expectativa é que o plano de contingência seja anunciado até terça-feira (12), seis dias após as tarifas impostas aos produtos brasileiros terem entrado em vigor.

Na capital paulista, Alckmin participaria de um congresso do agronegócio pela manhã e do lançamento de um programa de qualificação para exportações à tarde. Ele já estava em São Paulo.

De acordo com membros da equipe econômica do governo, o plano a ser apresentado foi construído “sob medida”, com diferentes ações para múltiplos setores e perfis de empresas. O pacote contará com medidas de mitigação de “curto, médio e longo prazo”, de acordo com estes governistas.

Devem fazer parte do plano linhas de crédito para setores impactados e a expansão de compras governamentais, permitindo que órgãos públicos absorvam mercadoria que deixará de ser exportada. Segundo cálculos do governo, as tarifas de 50% afetarão cerca de um terço das empresas que vendem aos EUA.

Entre as 694 isenções da tarifa, estão alguns dos itens mais importantes da pauta de exportações brasileira para os Estados Unidos, como o suco de laranja, celulose e os aviões da Embraer. Mas outros produtos importantes, como café e carne, seguem tarifados.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Finanças, Informação, Tributação

“Cenário não é bom”, alerta especialista sobre primeira semana do tarifaço dos EUA

Primeiros dados do impacto da taxação serão divulgados nesta segunda-feira (11)

O tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou em vigor na última quarta-feira (6). A sobretaxa de 50% aplicada sobre os produtos brasileiros preocupa especialistas já nos primeiros dias. Os dados do governo sobre as exportações serão divulgados nesta segunda-feira (11). As informações são do g1.

Apreensão no mercado

O presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirmou ao g1 que será possível ter uma noção do impacto assim que sair o balanço das exportações desses primeiros dias de taxação. Mesmo sem os dados oficiais, ele avaliou que o cenário “não é bom”.

A alíquota imposta pelos Estados Unidos atinge cerca de 36% das exportações brasileiras ao país, o que corresponde a US$ 14,5 bilhões em 2024. Segundo Castro, na última semana de julho deste ano foi observada uma diminuição da média das exportações ao país norte-americano.

“Era um sintoma porque este ano, de março até o mês de julho, a média de exportação foi superior a R$ 1,4 bilhão, e, nessa última semana, chegou a R$ 1,4. Então, na verdade, já mostrou que o fôlego estava acabando e deve começar a cair o preço e a quantidade também”, projetou Castro na entrevista.

Os produtos mais exportados de SC aos EUA

Carne suína: 24 milhões de dólares (2,8%) (Foto: Cristiano Estrela, Secom SC)

Obras de carpintaria para construções: 118,5 milhões de dólares (14%) (Foto: Banco de Imagens, Divulgação)

Motores elétricos: 82 milhões de dólares (9,7%) (Foto: WEG, Divulgação)

Partes de motor: 72,3 milhões de dólares (8,5%) (Foto: Banco de Imagens, Divulgação)

Madeira serrada: 59,1 milhões de dólares (7%) (Foto: Aimex, Divulgação)

Madeira em forma: 58,7 milhões de dólares (6,9%) (Foto: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Divulgação)

Outros móveis: 58 milhões de dólares (6,8%) (Foto: Banco de Imagens, Divulgação)

Madeira compensada: 54,5 milhões de dólares (6,4%) (Foto: Cadu Ristum, Divulgação)

Transformadores elétricos: 31,9 milhões de dólares (3,8%) (Foto: WEG, Divulgação)

Partes e acessórios para veículos: 30,8 milhões de dólares (3,6%) (Foto: Banco de Imagens, Divulgação)

Carne suína: 24 milhões de dólares (2,8%) (Foto: Cristiano Estrela, Secom SC)

Devido à taxação, há uma preocupação imediata com produtos perecíveis, que devem ser priorizados no primeiro momento. Integrantes do governo brasileiro citam que há peixes já estocados, frutas prontas para serem colhidas, além de mel, que seria exportado para os Estados Unidos.

Plano de contingência

Para enfrentar a taxa de 50%, os diferentes setores do Brasil devem tomar medidas que amenizem as consequências, que podem ser imediatas e também de longo prazo. A alíquota sob cada produto exportado gera efeitos variados dentro de um mesmo setor e, por isso, as empresas podem lidar com medidas próprias em alguns casos.

Ainda de acordo com o g1, o governo federal trabalha em um plano de contingência que deve ser apresentado nesta semana. A ideia é apoiar pequenas e médias empresas — contemplar linhas de crédito, adiar cobranças de tributos e contribuições federais, além de compras públicas de mercadorias perecíveis.

A economista e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Carla Beni, avalia que “o peso do problema será o peso do Estado para resolvê-lo”. Ela menciona a reportagem da revista britânica “The Economist” que afirmou que as tarifas de Donald Trump sobre o Brasil “são mais ameaça do que impacto real”.

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Robson Gonçalves, também economista da FGV, defende que as medidas precisam ser suficientemente alinhadas para ajudar as empresas que realmente tenham impacto em virtude da elevação da tarifa. “A gente precisa de uma política de mais médio e longo prazos. Algo que não se improvisa, mas que precisa ser discutida o mais rapidamente possível, de maior intensificação da agenda de diversificação”, acrescentou em entrevista ao g1.

De acordo com o especialista, o Brasil não tem uma política de comércio exterior forte, como uma política agressiva e articulada, mas agora será preciso ter.

Fonte: G1

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Economia

TARIFAÇO: Supermercados projetam queda de US$ 40,4 bilhões na economia do Brasil

O Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento (FCNA), que reúne associações ligadas às redes de supermercados, enviou um relatório ao governo federal para alertar sobre os impactos do tarifaço dos Estados Unidos na economia e no consumo, a partir do cenário atual de sobretaxas de 50% sobre o Brasil.

Segundo o estudo enviado pelo grupo, se não houver mudanças no médio prazo, a economia brasileira pode perder US$ 40,4 bilhões em 12 meses, o que significaria uma redução de 1,8 ponto percentual no PIB. De acordo com o relatório, essa situação derrubaria o crescimento esperado para 2025, de 3,2%, para 1,3%.

Associações ligadas a redes de supermercados apresentam lista de medidas ao governo

O estudo aponta que o setor mais exposto neste momento é a indústria de transformação, que pode ter retração de até 5,6 pontos percentuais no cenário mais grave, enquanto a agropecuária e a indústria extrativa sofreriam menos por terem maior capacidade de redirecionar commodities para outros mercados.

O documento também traça cenário de impactos negativos sobre a arrecadação federal, com perdas de até 2% no curto prazo, além de pressão sobre o emprego.

Sem medidas de fomento ao mercado interno, projeta-se uma redução de 179 mil postos de trabalho no curtíssimo prazo (até seis meses após a entrada em vigor da tarifa), até 287 mil postos no médio prazo (18 a 36 meses).

“O FCNA manifesta sua profunda preocupação com os impactos econômicos e sociais potenciais, em especial sobre setores que lideram as exportações brasileiras de alimentos, bebidas e insumos industriais, como café, carnes, frutas e derivados agroindustriais”, afirma o documento, que foi enviado na quinta-feira (8) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de oito ministros.

Para enfrentar o choque, o Fórum das associações propõe um conjunto de medidas para fortalecer o mercado interno. Entre elas, menciona a necessidade de antecipar a vigência da cesta básica nacional de alimentos com isenção tributária total.

O setor pede, ainda, “aceleração da redução da taxa Selic e ampliação do crédito produtivo”, além de “desoneração e simplificação das contratações formais, com foco nas pequenas e médias empresas”.

As demandas também incluem a criação de um programa emergencial de apoio aos setores mais impactados, com refinanciamento de passivos e compra pública de excedentes de produção, além de “medidas fiscais estruturantes, com foco no equilíbrio orçamentário”.

Segundo o Fórum, se as ações forem adotadas de forma coordenada, será possível neutralizar grande parte dos efeitos recessivos e de perda de empregos provocados pelo tarifaço.

Apesar do cenário traçado pelo setor, a imposição de tarifa de 50% feita por Donald Trump não causou uma mudança significativa nas expectativas dos economistas ouvidos pelo Banco Central para os principais índices da economia nacional.

O boletim Focus da segunda-feira (4) apresentou uma queda na previsão para a inflação e manteve a perspectiva para o PIB (Produto Interno Bruto), o dólar e a taxa de juros deste ano.

A expectativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) caiu pela décima semana seguida, indo de 5,09% para 5,07%. Os analistas também reduziram o IPCA de 2026 para 4,43%, uma diminuição de 0,01 ponto percentual em relação à semana passada. Já a expectativa para 2027 e 2028 segue em 4% e 3,8%, respectivamente.

Com isso, o mercado manteve a expectativa que a inflação fique no limite da meta no próximo ano. O objetivo é alcançar uma alta de preços anual de 3%, com variação de 1,5% para cima ou para baixo.

Além da inflação, o outro índice que teve alteração na comparação com o último boletim foi o PIB, que teve uma redução em 2026 (de 1,89% para 1,88%) e 2027 (de 2% para 1,95%). Neste ano, a perspectiva é que o crescimento econômico seja de 2,23%, patamar mantido pela quarta semana consecutiva.

O documento é endossado por 15 instituições:

Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Abad (Associação Brasileira dos Atacadistas e Distribuidores), Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), Abipla (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes), Abir (Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas), ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio), Abralog (Associação Brasileira de Logística), Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho), Abre (Associação Brasileira de Embalagem), Andav (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários), ANR (Associação Nacional de Restaurantes) e CropLife Brasil (Associação de Pesquisa e Desenvolvimento de Soluções para a Produção Agrícola Sustentável).

Fonte: Blog do BG

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Exportação

Após tarifaço, Brasil bate recorde de exportações ao Canadá no 1º semestre de 2025 

A exportação de café cresceu 45% na comparação anual

A busca por mercados alternativos após a indefinição de tarifas na entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos (EUA) pode ter sido um dos fatores que fizeram o Brasil bater recorde de exportação para o Canadá.

O comércio entre os países fechou o primeiro semestre com crescimento de 25%, na comparação com o mesmo período de 2024. Os dados são do Quick Trade Facts, relatório elaborado pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).

De acordo com a análise feita por especialistas econômicos da CCBC, embora a moeda brasileira tenha se valorizado em relação ao Dólar americano, o patamar de conversão entre eles ainda é de desvalorização em relação ao Real.

“Este fator ajudou a impulsionar o aumento das exportações, pois produtos brasileiros se tornaram relativamente mais acessíveis para os consumidores canadenses”, disse Hilton Nascimento, presidente da Câmara, assim como a ameaça tarifária. 

O saldo brasileiro foi positivo, com queda de US$ 1,4 bilhão em importações para US$ 1,37 bi. Já as exportações de produtos brasileiros cresceram, assim como a corrente de comércio entre os países, que aumentou 16%.

Ouro como principal produto

O principal produto que o país exporta para o Canadá é o bulhão dourado, ou seja, , ouro em forma bruta, não refinado ou industrializado. O produto foi responsável por US$ 1,35 bilhão das exportações nestes seis primeiros meses ante os mais de US$ 765 milhões de período correspondente em 2024, segundo o estudo.

Um dos principais produtos exportados para os Estados Unidos, o café foi destaque também de crescimento de exportação para o Canadá, com alta de 45%.

Veja dados completos:

PRODUTOSJAN-JUNHO 2025 – VALOR (US$)VARIAÇÃO JAN-JUNHO 2025/2024
Bulhão dourado (bullion doré), em formas brutas, para uso não monetário  1.352.277,42  77%
Alumina calcinada  883.156,64  37%
  Outros açúcares de cana  218.237,02  -16%
Café não torrado, não descafeinado, em grão139.684,8545%
Ouro em barras, fios e perfis de seção maciça107.012,39Não registrou valores em 2024
Outros aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 15.000 kg, vazios  62.971.362  -75%
  Bauxita não calcinada (minério de alumínio)    34.197.250  -14%
Outros produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado, de seção transversal retangular, que contenham, em peso, menos de 0,25 % de carbono  32.220.252  -63%
Sulfetos de minérios de cobre e seus concentrados  27.295.278  29668680%
  Outros minérios de cobre e seus concentrados    25.802.133  -52%
Outros niveladores  24.428.734  -16%
Café solúvel, mesmo descafeinado  23.882.175  61%
Minérios de níquel e seus concentrados22.558.660  30%
Coque de petróleo calcinado  17.275.902  – 8%
Outras carnes de suíno congeladas  15.627.731  14%
Querosenes de aviação15.565.429  -7%
Outros produtos de origem animal, impróprios para a alimentação humana  13.407.513  5%
Outras carregadoras e pás carregadoras de carregamento frontal12.956.229  -45%
Asas não desossadas de galinha, comestíveis, congelados  11.537.015  Não registrou valores em 2024

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Nova Tarifa sobre Mercadorias “Transbordadas” Deixa Importadores Perplexos

O governo Trump impôs uma tarifa pesada sobre mercadorias que são movimentadas através de outros países, mas ainda não explicou totalmente seus planos.

À medida que as tarifas globais do presidente Trump entram em vigor, um elemento importante permanece obscuro: como o governo tratará mercadorias e materiais que passam por mais de um país antes de chegar aos Estados Unidos?

O novo conjunto de tarifas inclui uma taxa para cada país. Mas também há uma cláusula para mercadorias que são “transbordadas” (isto é, enviadas de um país para outro com o objetivo de obter uma tarifa mais baixa). Essas enfrentam uma cobrança extra de 40%, numa tentativa de evitar que produtos chineses sejam transferidos — ou, na visão de autoridades do governo e de outros críticos, “lavados” — por países sujeitos a tarifas mais baixas.

Aqui está a parte confusa: já é ilegal declarar que algo tem origem, por exemplo, no Vietnã quando, na verdade, foi fabricado na China. Então, por que uma tarifa se aplicaria a algo que já não deveria acontecer?

“Os importadores estão coçando a cabeça”, disse Stephen Lamar, diretor executivo da Associação Americana de Vestuário e Calçados. “As novas regras, que parecem legalizar — mas taxar — atividades de transbordo atualmente proibidas, contradizem o bom senso da aplicação da lei.”

Alguns profissionais da cadeia de suprimentos estão se perguntando se o governo Trump, na verdade, pretende algo bem diferente: taxar com uma tarifa mais alta todos os materiais originários da China, mesmo que façam parte de um produto montado em outro país antes de ser exportado para os Estados Unidos. Isso teria grandes implicações na configuração das cadeias de fornecimento e, em última análise, nos custos para os consumidores.

Um porta-voz da Casa Branca confirmou que, além da penalidade de 40% sobre mercadorias que forem identificadas como transbordadas, o governo está “explorando” novas regras para aplicar tarifas mais altas sobre componentes que vêm de um país, são incorporados em um produto em outro, e depois enviados aos Estados Unidos.

“O governo tem tolerância zero com o transbordo e outras formas de minar nossas tarifas, e estamos trabalhando em estreita colaboração com nossos parceiros comerciais para lidar com essas preocupações de forma proativa”, disse o porta-voz, Kush Desai.

Enquanto isso, advogados especializados em comércio e profissionais da cadeia de suprimentos estão operando no escuro. Muitos disseram ter buscado esclarecimentos junto ao Escritório do Representante Comercial dos EUA, sem receber respostas satisfatórias.

“O grande problema que todos nós estamos enfrentando é que não há uma definição clara do que está acontecendo”, disse Marc Busch, professor de diplomacia de negócios internacionais na Escola de Serviço Exterior da Universidade de Georgetown. “Não sabemos como isso será avaliado. Não sabemos se esses requisitos se parecem com o que estamos acostumados a ver em acordos comerciais reais e legítimos.

A prática do transbordo, como é geralmente entendida, tornou-se mais comum durante o primeiro governo Trump, quando o presidente impôs tarifas mais altas à China. Pode ser difícil para os agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras identificar mercadorias que passaram por outros países para esconder sua verdadeira origem, mas quando essas remessas são detectadas, os produtos estão sujeitos a penalidades.

Cobrar tarifas diferentes para componentes ou partes de um produto acabado é mais complexo. Acordos comerciais frequentemente levam em conta materiais que vêm de fora dos países signatários. O Acordo EUA-México-Canadá, por exemplo, possui “regras de origem” que definem quanto de um produto deve ser proveniente da América do Norte para cruzar as fronteiras sem tarifas.

Esse tipo de regra precisa geralmente exige anos de negociações e programas extensivos de conformidade, para que as empresas compreendam de onde vêm os componentes — e possam provar isso. Muitas empresas não sabem o suficiente sobre quais países fornecem as matérias-primas e peças de seus produtos porque, até agora, muitas vezes, não precisavam saber.

“Essas coisas sempre acabam sendo ‘boas o suficiente’ para os propósitos”, disse Simon Ellis, que lidera estratégias de cadeia de suprimentos na consultoria IDC. “Se, com as tarifas, de repente houver uma pressão clara de custo para obter informações melhores, as empresas vão aprimorar suas ferramentas.”

Essa pressão de custo pode chegar rapidamente. Uma ordem executiva assinada por Trump determina que os agentes alfandegários não podem permitir “mitigação ou remissão” das tarifas sobre mercadorias transbordadas — ou seja, não devem ser tolerantes. O Departamento de Justiça também criou uma unidade antifraude para investigar a evasão de tarifas com punições criminais.

Se o governo Trump realmente passar a cobrar tarifas mais altas sobre componentes vindos da China ou de outros países, pode levar anos até que os fabricantes encontrem fontes alternativas. Países do Sudeste Asiático se tornaram especialistas em montar produtos feitos com tecidos, fiações, chips, produtos químicos e outros materiais oriundos da China. Estabelecer novas fábricas é uma tarefa complexa.

Por enquanto, muitas empresas estão tentando administrar a situação da melhor forma possível.

“Acho que as pessoas não vão sair correndo em círculos, porque tudo pode mudar com um post”, disse Mark Burstein, vice-presidente sênior da Inspectorio, uma plataforma de gestão de cadeia de suprimentos, referindo-se ao hábito de Trump de anunciar diretrizes políticas nas redes sociais.

Em vez disso, segundo Burstein, seus clientes estão fazendo pedidos menores com mais frequência, para absorver as tarifas em parcelas menores — em vez de fazer grandes pagamentos de uma vez só ao governo dos EUA. Importadores também estão buscando materiais mais baratos para poder entregar um produto similar sem aumentar muito os preços.

Outra estratégia é transferir a responsabilidade o máximo possível para os elos inferiores da cadeia de suprimentos. As marcas que vendem produtos nos Estados Unidos podem exigir que os fornecedores assinem contratos assumindo os custos extras.

“Você vai querer uma cláusula legal que diga algo como: ‘Se você transbordar, será responsável pela tarifa de 40%’”, disse Jonathan Eaton, consultor de cadeias de suprimento da Grant Thornton, empresa de contabilidade e consultoria.

Enquanto o governo Trump ainda define o que fazer com materiais e peças vindos de terceiros países, Sally Peng, diretora sênior da FTI Consulting em Hong Kong, espera que isso seja feito com cautela.

Ela trabalha com muitos fabricantes de roupas que, no momento, sabem muito pouco sobre o que terão que pagar pelos materiais que compram da China. Não faz muito sentido fazer mudanças drásticas até que fique claro como o governo dos EUA definirá “transbordo”.

“Tem gente me dizendo: ‘Enquanto a regra não for clara, vou continuar na China’”, disse Peng. “Tenho certeza de que não é isso que o governo quer.”

Fonte: The New York Times

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Comércio Exterior

Com tarifaço, concorrência no mercado de frutas vai disparar

Especialistas projetam redução de preços ao consumidor e diminuição de margem aos produtores

A entrada em vigor das tarifas de 50% dos Estados Unidos para diversos produtos do Brasil, incluindo do agronegócio, gera preocupação para o iminente aumento de concorrência no mercado interno de frutas, verduras e legumes. Esse movimento pode provocar redução de preços ao consumidor e diminuição de margem para os produtores, avaliam especialistas.

Segundo Valeska Ciré, representante da IFPA (International Fresh Produce Association) no Brasil, o setor está “observando, com a expectativa de diálogo”. Mesmo que haja buscas por novos mercados, é complexo alocar contêineres que seriam destinados aos Estados Unidos, e a preocupação é com a redução instantânea de margem dos produtores.

“O aumento da oferta pode levar a mais concorrência e queda de preços, e vai penalizar os produtores”, disse a líder, durante o evento The Brazil Conference & Expo, realizado nesta quarta (6/8) e quinta-feira (7/8), em São Paulo. A IFPA tem 3 mil associados no mundo e 160 empresas no Brasil, que variam de pequeno a grande porte, incluindo produtores de manga, uva, melão, morango e maçã. Todas serão impactadas, segundo Valeska.

De US$ 1,3 bilhão que a Agrícola Famosa exportou em 2024, os Estados Unidos representaram 12%, ou cerca de US$ 140 milhões. A companhia tem a Europa como principal destino, responsável por 70% da absorção de sua produção. Ainda assim, os impactos do tarifaço são “muito preocupantes”, avalia Luiz Roberto Barcelos, sócio-fundador da empresa. “É um volume significativo, fatalmente o preço vai sofrer uma queda”.

Na avaliação do executivo, o importador norte-americano está abrindo mão de parte da sua margem e repassando outra parte ao consumidor, assim como alguns exportadores brasileiros também estão dispostos a perder alguma margem.

O lucro menor e o aumento de preços nos Estados Unidos devem reduzir o consumo, além da provável importação de frutas de outros países como Equador e Peru, analisou o empresário. Se as taxas forem mantidas, a produção nacional vai ser reduzida, constatou Barcelos. “Quem vai pagar o pato é o produtor brasileiro, o importador e o consumidor norte-americano”.

Novos mercados

Para ele, a abertura de novos mercados é um caminho de longo prazo. “Para mandar melão para a China demoramos sete anos, a uva demorou quatro anos. Até dá para abrir mercados novos, mas qualquer um deles não vai demorar menos do que dois anos. Essa solução terá zero efeito sobre a manga que está lá no pé para ser colhida hoje”.

Valeska Ciré, da IFPA, defende campanhas de aumento do consumo de frutas e vegetais, já que o Brasil consome apenas um terço do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Uma maior demanda interna criaria um grande mercado doméstico, absorvendo o aumento da oferta”.

O Grupo Doce Mel, produtor e distribuidor de frutas, legumes e verduras (FLV), vê um impacto indireto em seus negócios. Apesar de não exportar diretamente aos Estados Unidos, diversos fornecedores da companhia vendem para lá. O sócio-diretor Roberto Junior calcula que boa parte do que deveria sair do país, ficará aqui.

“É necessário trabalhar melhor o mercado interno para aumentar o consumo de forma imediata com promoção de frutas, por exemplo”, considerou.

Até empresas que não trabalham diretamente com produção de frutas já medem os impactos da taxação norte-americana. A Paripassu, companhia de inspeção e certificação de produtos da cadeia FLV, teme os desdobramentos do tarifaço aos seus clientes. Dos seus 5,5 mil clientes, cerca de 2 mil são produtores de frutas, legumes, verduras e vegetais frescos.

Ainda que boa parte deles não exportem aos Estados Unidos, muitos produtos serão colocados no mercado nacional.

“Isso vai mexer com a demanda e gerar uma necessidade de reorganização do mercado”, pontuou Heidy Milan, coordenadora de Qualidade e Certificações da Paripassu.

Para ela, muitos clientes não terão fluxo de caixa para lidar com essa mudança de mercado. “Alguns podem não sobreviver, e isso gera impacto no nosso negócio, com possíveis cancelamentos de contratos”.

Decisão dissonante

A CEO global da IFPA national Fresh Produce Association), Cathy Burns, afirmou que defende a isenção de frutas, flores, legumes e verduras da tarifa de 50%. Para ela, as taxas são dissonantes do plano do governo norte-americano de ‘Tornar a América Saudável Novamente’ (Make America Healthy Again), uma iniciativa que pretende combater a crise de doenças crônicas no país.

“Não dá para ser saudável sem comer frutas e vegetais”, afirmou a líder global durante a Brazil Conference & Expo 2025, feira que reúne entre hoje e amanhã o setor de FFLV em São Paulo.

Burns cita o diálogo entre os países como a melhor saída neste momento, porque existem muitos produtos importantes para os americanos que saem do Brasil, mas ressalta que o país deve voltar seus esforços também para outros destinos.

“O Brasil exporta para outros países além dos EUA. Acho que 56% das frutas brasileiras vão para a Europa, então esse é um mercado muito importante também”.

Fonte: Globo Rural


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Comércio Exterior

Reunião virtual entre Consulado dos EUA e FIESC avalia impactos do tarifaço

Federação destacou setores mais afetados, especialmente os de madeira e móveis, que pagarão a taxa de 50% e perderão o mercado norte-americano se as tarifas não forem revertidas, com graves consequências sociais em SC

Em encontro virtual realizado na manhã desta quinta-feira (7), a Federação das Indústrias de SC (FIESC) e o Consulado-Geral dos Estados Unidos em Porto Alegre, responsável pelas relações bilaterais com Santa Catarina, discutiram os impactos mútuos das tarifas aplicadas pelo governo norte-americano.

A FIESC apresentou ao cônsul-geral, Jason Green, os principais produtos exportados pelo estado, com os potenciais reflexos tanto para os exportadores, que podem perder negócios, quanto ao mercado norte-americano, que pode enfrentar alta de preços nas importações.

No encontro, a entidade também apresentou o resultado da pesquisa realizada com indústrias exportadoras catarinenses sobre os efeitos da elevação das tarifas.

O presidente eleito da FIESC, Gilberto Seleme, que é empresário do setor madeireiro, destacou as particularidades da cadeia florestal, lembrando que indústrias catarinenses se especializaram para atender as especificidades do mercado norte-americano e que as tarifas já estão gerando a transferência de empregos do Brasil para a Ásia. “As taxas nos tiram da competição”, resumiu.

As informações serão repassadas à Embaixada norte-americana em Brasília e às partes interessadas em Washington.

Em outra frente, a FIESC segue discutindo com o governo do estado as medidas de apoio aos setores afetados, previstas para serem anunciadas na próxima semana.

Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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