Comércio Exterior

EUA: Tarifas mais altas de Trump atingem produtos dos principais parceiros comerciais

Antes do prazo final, Trump anunciou os “bilhões de dólares” que fluirão para os EUA, em grande parte de países que, segundo ele, tiraram proveito dos Estados Unidos

As tarifas mais altas de 10% a 50% impostas pelo presidente Donald Trump a dezenas de parceiros comerciais dos Estados Unidos entraram em vigor, testando sua estratégia para reduzir os déficits comerciais dos EUA sem grandes interrupções nas cadeias globais de oferta, inflação mais alta e retaliação rígida dos parceiros comerciais.

A agência de Alfândega e Proteção da Fronteira dos EUA começou a cobrar as tarifas mais altas após semanas de suspense sobre as taxas finais de Trump e negociações frenéticas com os principais parceiros comerciais que buscavam reduzi-las.

As mercadorias carregadas em navios com destino aos EUA e em trânsito antes do prazo final podem entrar com tarifas anteriores mais baixas antes de 5 de outubro, de acordo com um aviso da agência para os expedidores emitido esta semana. As importações de muitos países estavam anteriormente sujeitas a uma tarifa básica de importação de 10% depois que Trump suspendeu as tarifas mais altas anunciadas em abril.

Mas, desde então, Trump modificou frequentemente seu plano tarifário, aplicando a alguns países taxas muito mais altas, incluindo 50% para produtos do Brasil, 39% da Suíça, 35% do Canadá e 25% da Índia. Na quarta-feira, ele anunciou uma tarifa separada de 25% sobre os produtos indianos, a ser imposta em 21 dias devido às compras de petróleo russo pelo país do sul da Ásia.

Antes do prazo final, Trump anunciou os “bilhões de dólares” que fluirão para os EUA, em grande parte de países que, segundo ele, tiraram proveito dos Estados Unidos.

“A ÚNICA COISA QUE PODE IMPEDIR A GRANDEZA DA AMÉRICA SERIA UMA CORTE DE ESQUERDA RADICAL QUE QUER VER NOSSO PAÍS FRACASSAR!”, disse Trump no Truth Social.

Oito grandes parceiros comerciais, que representam cerca de 40% dos fluxos comerciais dos EUA, chegaram a acordos para concessões comerciais e de investimento com Trump, incluindo a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul, reduzindo suas taxas tarifárias básicas para 15%.

O Reino Unido obteve uma taxa de 10%, enquanto o Vietnã, a Indonésia, o Paquistão e as Filipinas garantiram reduções de taxas para 19% ou 20%.

“Para esses países, as notícias são menos ruins”, disse William Reinsch, membro sênior e especialista em comércio do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Haverá algum rearranjo na cadeia de oferta. Haverá um novo equilíbrio. Os preços aqui subirão, mas levará algum tempo para que isso se manifeste de forma significativa”, disse Reinsch.

Os países com tarifas muito altas, como a Índia e o Canadá, “continuarão a se esforçar para tentar consertar isso”, acrescentou.

A ordem de Trump especificou que qualquer mercadoria que tenha sido transbordada de um terceiro país para escapar das tarifas mais altas dos EUA estará sujeita a uma tarifa de importação adicional de 40%, mas seu governo divulgou poucos detalhes sobre como essas mercadorias serão identificadas ou como a disposição será aplicada.

O decreto tarifário de Trump de 31 de julho impôs tarifas acima de 10% a 67 parceiros comerciais, enquanto a taxa foi mantida em 10% para aqueles que não estão listados.

Esses impostos de importação são uma parte de uma estratégia tarifária de várias camadas que inclui tarifas setoriais baseadas na segurança nacional sobre semicondutores, produtos farmacêuticos, automóveis, aço, alumínio, cobre, madeira e outros produtos. Trump disse na quarta-feira que as tarifas sobre microchips poderiam chegar a 100%.

A China está em uma trajetória separada e enfrentará um possível aumento de tarifas em 12 de agosto, a menos que Trump aprove uma prorrogação da trégua anterior após conversas na semana passada na Suécia. Ele disse que poderá impor tarifas adicionais sobre as compras de petróleo russo pela China, pois busca pressionar Moscou a encerrar sua guerra na Ucrânia.

Fonte: InfoMoney

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Mercado Internacional

Apex mapeia estados dos EUA que dependem de produtos brasileiros por maior pressão contra tarifaço

A ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) está preparando um mapeamento dos estados americanos que dependem de produtos brasileiros. A ideia, segundo o presidente do órgão, Jorge Viana, é sensibilizar os atores locais para agirem contra as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.

A sobretaxa de 50% aplicada pelos EUA a produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (6). Ela atinge cerca de 36% dos itens exportados pelo Brasil aos EUA, segundo cálculo do governo brasileiro, incluindo produtos importantes na relação comercial entre os dois países, como máquinas agrícolas, carnes e café.

“Quando você põe uma tarifa para o que entra nos Estados Unidos, você está criando um problema interno. Um estado que tem uma atividade industrial que depende de um produto que vem do Brasil, e agora o produto ficou 50% mais caro, é um problema para eles também”, disse Viana. “É nesse sentido que a gente está trabalhando.”

De acordo com levantamento da Apex, no caso dos minerais críticos, por exemplo, o Brasil exporta para a Flórida cerca de US$ 5,3 milhões e tem 82% de participação na importação deles no setor. Mais especificamente no caso do vanádio, o Brasil tem 100% de participação no mercado da Pensilvânia, em torno de US$ 20 milhões.

No início da semana, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) afirmou ver possibilidade de Brasil e Estados Unidos chegarem a um acordo relacionado à mineração nessa nova fase das tratativas entre os dois governos.

Segundo Viana, a agência trabalha em conjunto com seus escritórios nos EUA, com a Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) e com representantes dos setores atingidos pelo tarifaço.

O presidente da Apex considera que uma pressão interna de governos locais pode ajudar no avanço das tratativas. “Os governos locais, seja a Califórnia, vão ter que ir lá na Casa Branca dizendo: ‘Olha, está prejudicando o meu estado”, afirmou.

Como exemplo, ele citou a Embraer -beneficiada na lista inicial de exceções estabelecida pelos EUA, que possui componentes usados na aviação civil. “Ela tem uma base industrial na Flórida. Vai dizer [para as autoridades americanas]: ‘Como é que vai ficar? Vai parar a produção? Vai demitir funcionários?'”, disse.

De acordo com Viana, o Brasil atua em três frentes contra o tarifaço de Trump. Além dos esforços de negociação com os americanos, há uma busca por diversificação de mercado para escoamento dos produtos que vão perder espaço nos EUA.

Em paralelo, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgará um plano de contingência para mitigar os efeitos sobre as empresas exportadoras.

O presidente disse que a Apex também está preparando um plano próprio de socorro às suas empresas parceiras, a exemplo do que ocorreu após as enchentes que atingiram o Rio Grande Sul no ano passado. Segundo ele, a proposta estará conectada ao desenho criado pelo governo federal.

Segundo Haddad, o governo deve editar uma MP (medida provisória) com o plano de contingência, que prevê liberação de crédito e aumento de compras governamentais, entre outras medidas, e deve priorizar os pequenos produtores.

O mel é citado por Viana como um dos setores que precisa de uma política “rápida e urgente”, considerando que 78% do que o Brasil exporta de mel tem os Estados Unidos como destino e que o ramo é formado por pequenos produtores.

“Existe mercado para o mel no Reino Unido, na Bélgica, na própria China, que é o grande produtor de mel do mundo. Nós vamos trabalhar nisso”, acrescentou.

Fonte: Folha de São Paulo

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Mercado Internacional

Índia se prepara para impacto sobre US$ 64 bi em exportações aos EUA

A Índia prevê que perderá uma vantagem competitiva em cerca de US$ 64 bilhões em produtos exportados para os Estados Unidos devido à tarifa de 25% imposta pelo presidente norte-americano, Donald Trump e a uma suposta penalidade de 10% pela compra de petróleo russo, disseram quatro fontes à Reuters citando um relatório de avaliação interna do governo.

A Índia enfrenta sua mais séria crise diplomática com os Estados Unidos em anos depois que Trump impôs sobre produtos importados da Índia as tarifas mais altas entre os pares asiáticos, mesmo antes de qualquer penalidade. A participação relativamente baixa das exportações na economia de US$ 4 trilhões da Índia deve limitar o impacto direto sobre o crescimento a 40 pontos-base.

O banco central da Índia deixou inalterada sua previsão de expansão do PIB para o atual ano financeiro de abril-março em 6,5% e manteve os juros nesta quarta-feira, apesar da incerteza criada pelos aumentos de tarifas. As estimativas do impacto comercial foram preparadas pelo governo indiano depois que Trump anunciou a tarifa para os produtos indianos, juntamente com a penalidade não especificada.

O governo indiano, em seu relatório de avaliação, assumiu uma penalidade de 10% devido à compra de petróleo russo, elevando a tarifa para 35%, disseram as quatro fontes do governo indiano à Reuters. Elas não quiseram ser identificadas porque não estavam autorizadas a falar com a mídia. O Ministério do Comércio da Índia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Trump disse que seu governo decidirá sobre a penalidade para a compra de petróleo russo após o resultado dos esforços dos EUA para buscar um avanço de última hora na guerra da Ucrânia.

O enviado dos EUA, Steve Witkoff, está em Moscou, dois dias antes do fim do prazo estabelecido por Trump para que a Rússia concorde com a paz ou enfrente novas sanções. O impacto da tarifa e da possível penalidade será sobre quase US$ 64 bilhões em exportações da Índia para os EUA, que representam cerca de 80% do total de exportações para o país, e levará a “potenciais perdas de exportação” devido a desvantagens de preço, disseram as quatro fontes.

O relatório de avaliação interna é a estimativa inicial do governo e mudará à medida que o tamanho da tarifa de Trump se tornar clara, disseram as quatro fontes. A Índia exportou mercadorias estimadas em cerca de US$ 81 bilhões em 2024 para os EUA, incluindo vestuário, produtos farmacêuticos, gemas e joias e produtos petroquímicos, de acordo com dados do governo. As exportações de mercadorias para os EUA constituíram 2% do PIB em 2024.

As exportações totais de mercadorias globalmente foram de US$ 443 bilhões em 2024. As tarifas propostas sobre as exportações de alto valor da Índia enfrentam “a erosão da competitividade de preços, deparando-se com uma rivalidade intensificada de países sujeitos a tarifas mais baixas”, disseram duas fontes citando a avaliação interna.

O assessor de segurança nacional da Índia, Ajit Doval, está na Rússia em uma visita programada e deve discutir as compras de petróleo russo pela Índia após a pressão de Trump para que o país pare de comprar petróleo bruto russo, de acordo com uma fonte do governo.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Exportação

Com tarifaço, desafio de exportadores é encontrar novos mercados

Será necessário esforço para conquistar novos compradores, diz Apex

O impacto do aumento das tarifas de importação nos Estados Unidos a partir de desta quarta-feira (6) ainda começa a se desenhar e causa incerteza para trabalhadores e empresários que atuam com os mais de três mil itens que serão sobretaxados.

Enquanto estratégias imediatas como gestão de estoques, embarques em tempo acelerado ou diminuição de produção desenham as primeiras reações, um caminho em vista é pensar novos destinos para a produção. A busca por mercados exportadores, porém, não tem resultados imediatos e exige preparações específicas.

Este périplo das empresas para novos destinos tem todo um ecossistema público-privado de apoio, com ministérios como o do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o SEBRAE, as associações comerciais e entidades de promoção de comércio.

Em coletiva na manhã de hoje, Jorge Viana, presidente da APEX, falou deste papel conjunto. A agência já apoia 2,6 mil das 9 mil empresas nacionais que exportam para os Estados Unidos. Para ele, vai haver mudanças, “isso não tem volta”, com as novas estratégias das empresas.

“Setores como o de produtores de mel precisarão receber apoio urgente pois o único destino de exportação destes pequenos agricultores hoje são os Estados Unidos. Vamos incluí-los em todas as políticas de apoio”, explicou Viana durante a coletiva.

De acordo com Viana, este apoio deve ser anunciado em breve, diretamente pela presidência da República. A expectativa é de que tenha elementos semelhantes àqueles do apoio emergencial às empresas atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024.

A Apex também abrirá um escritório em Washington para negociar diretamente com o governo americano. Essa negociação se soma ao diálogo dos serviços consulares, que já atuam em nome do Brasil, e à pressão direta das empresas locais.

“Essa tarifa de 50% não tem nenhuma motivação comercial, ela vem da atuação de grupos políticos. O que espero que aconteça é que, com a entrada das tarifas, essa taxação se materializa e afete o consumidor lá. Ai é que entra a Apex no trabalho de criar novas alternativas de mercados, para as empresas e produtos brasileiros que tenham os Estados Unidos como mercado”, disse Viana, para quem a forte integração entre cadeias produtivas deve contar a favor nas negociações.

A Apex deve ampliar sua atuação na diversificação de fornecedores. “Os setores irão nos ajudar com o conhecimento que têm. O mundo inteiro está fazendo isso, percebendo a instabilidade com essas medidas”, completou.

Dados da ApexBrasil mostram que, entre janeiro e março deste ano, o Brasil exportou US$ 77,3 bilhões em bens, valor menor que os US$ 77,7 bilhões do mesmo período de 2024. O saldo comercial fechou positivamente em US$ 10 bilhões. Os principais produtos exportados foram petróleo bruto, soja, minério de ferro e café verde, com destaque para as exportações de bens industrializados, que tiveram alta no período, inclusive em itens como máquinas e aparelhos elétricos.

Em relação aos principais países de destino das exportações brasileiras, destacam-se China (US$ 19,8 bilhões), União Europeia (US$ 11,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 9,7 bilhões) e Mercosul (US$ 5,8 bilhões), com destaque para a Argentina, com um aumento de 51%.

Diplomacia

O caminho diplomático para reduzir as taxas aplicadas pelos Estados Unidos ainda se mostra como uma opção, conforme divulga o governo brasileiro. O recuo do governo Trump ao isentar uma lista de 700 produtos, na semana passada, mostra que também há alguma abertura da parte do país norte-americano.

“A flexibilização das tarifas é um passo positivo, e o Brasil deve aproveitar essa oportunidade para diversificar suas exportações e reduzir sua dependência do mercado americano. Com uma abordagem estratégica e diplomática, o Brasil pode minimizar os impactos negativos das tarifas e fortalecer sua posição no comércio internacional. Nesse contexto, é importante destacar que o diálogo e as negociações tornam-se as melhores opções para evitar uma escalada de tensões comerciais entre os dois países”, explicou o advogado Raphael Jadão, sócio do RMM Advogados, que atua com arbitragem e resolução de disputas comerciais.

Outro elemento importante nesta crise está na concentração das parcerias brasileiras. Alguns analistas consideram que as exportações do Brasil têm alto índice de concentração. 50% são concentradas em cinco países (China, EUA, Argentina, Holanda e Espanha), entre 237 parceiros comerciais. 12% somente para os Estados Unidos.

“Isso nos traz um sinal de alerta e de preocupação. Pois como tivemos um desafio com os EUA neste momento, podemos ter daqui a pouco com a China, que representa quase um quarto de tudo que o país envia para o exterior. E não se acha um comprador para substituir outro tão rapidamente. Então, aquelas empresas, por exemplo, que exportam carne bovina para os Estados Unidos, que é um dos produtos que o Trump não colocou na lista de exceções e que vai passar a ter a taxação de 40% a mais. Já tinha a de 10% de abril, mais 40%, ou seja, 50% a mais do que o ano passado. A partir da próxima semana, essa empresa que exporta carne para lá não vai encontrar tão cedo um mercado para comprar a carne que ele não vai mais vender para o americano da noite para o dia. A gente tem uma dependência que traz risco, sim, para a nossa pauta de exportação”, ponderou Bruno Meurer, co-fundador e diretor de operação da Next Shipping, empresa do ramo de logística.

Mercados alternativos

A busca por novos mercados envolve elementos culturais, parcerias comerciais e atendimento a medidas de burocracia fitossanitária e de comprovação de origem.

Este processo envolve um passo a passo com algumas variações em relação a cada país e mercadoria. Segundo Meurer, de uma forma resumida, após finalizar a negociação o exportador irá produzir a mercadoria. Com ela pronta irá emitir uma documentação internacional, que é a fatura comercial e o packing list, que são os documentos comerciais da carga, apresentados para o importador. Este irá contratar o frete internacional e então a mercadoria passa à alfândega, onde passará pelo processo de fiscalização aduaneira, passar pelo registro no Sistema Integrado de Comércio Exterior e pode passar pela fiscalização presencial, que é feita em parte das cargas. Recolhidas taxas e feitas as fiscalizações na aduana, a mercadoria segue para o exterior.

“O tempo que se leva depende do tipo de produto que está sendo exportado, os que precisam de anuência de órgãos específicos, como por exemplo medicamentos, demoram mais, já roupas, como não existe um órgão específico de fiscalização o tempo é mais célere”, resume Meurer.

Condições específicas dos mercados, como preocupação com certificações ambientais ou culturais, também podem significar oportunidades. O Brasil é um dos grandes exportadores de aves para países muçulmanos, por exemplo, por conta de uma adaptação de mais de uma década à produção segundo a certificação Halal, que envolve abate com características diferentes e respeitando preceitos daquela religião.

“Por exemplo, o Brasil mantém boas relações comerciais com países do Oriente Médio, como Arábia Saudita e Dubai. No entanto, as exportações para essas regiões frequentemente demandam certificação Halal, rotulagem no idioma local, embalagens específicas e, em alguns casos, adaptações no produto, como cortes de carne diferenciados. Essa customização é fundamental para o sucesso nesses mercados. Outros produtos, com maior capacidade de adaptação, também requerem atenção similar na negociação de contratos. Ao analisar o mercado de pescados, por exemplo, é crucial considerar a demanda global, os tipos de pescado disponíveis no Brasil e seus respectivos níveis de consumo mundial. Atualmente, os Estados Unidos são um importante mercado para as exportações brasileiras de pescado. Nesse contexto, o setor de pescados pode explorar oportunidades na América do Sul e, potencialmente, em novos mercados na Europa. Contudo, a penetração no mercado asiático pode apresentar desafios”, explicou Stefânia Ladeira, especialista em comércio exterior e gerente de produtos da Saygo Comex, empresa especializada em logística de exportação para o mercado exterior.

A especialista aponta que a adaptação tem prazos e pormenores bastante variáveis, considerando elementos como a produção mundial e a capacidade de atender à demanda internacional e percebendo lacunas de produção, seja para produtos finais ou para insumos. “A identificação e compreensão das dinâmicas de oferta e demanda são cruciais para o estabelecimento de novos contratos”, disse à Agência Brasil.

Os acordos internacionais de comércio também são cruciais para entender estas oportunidades. Os anos recentes foram de aumento dos acordos de complementação econômica, inclusive com parceiros antigos como a China e o Japão, além de países da África, Oceania, América Central e Caribe. “Nestes países há redução tarifária mútua, porém cada país tem sua característica operacional e definição legal de como os produtos precisam ser registrados para importação, salvo a União Europeia que é uma união aduaneira e todos os países seguem o mesmo procedimento para importação e exportação”, explica o advogado Diego Joaquim, especialista em direito aduaneiro.

Fonte: Agência Brasil

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Exportação

Exportações de livros brasileiros crescem 7% no primeiro semestre de 2025 e já superam todo o ano de 2024

Editoras apoiadas pelo Brazilian Publishers movimentam mais de USD 14 milhões em negócios internacionais em 6 meses

A internacionalização da produção editorial brasileira segue em ritmo de crescimento. No primeiro semestre de 2025, editoras apoiadas pelo Brazilian Publishers — projeto da Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE) — movimentaram USD 14.367.900 em negócios nas principais feiras literárias do mundo. O valor representa um crescimento de 7% em relação ao ano todo de 2024, quando foram registrados cerca de USD 13 milhões.

Esse avanço foi impulsionado por resultados expressivos em eventos como a Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, que apresentou aumento consistente nas oportunidades de negócios para o setor. Ao longo do semestre, o programa também marcou presença na Feira do Livro de Londres, na Feira Internacional do Livro de Buenos Aires e na Feira Internacional do Livro de Bogotá. Essas participações fortaleceram a presença global das editoras brasileiras e ampliaram sua visibilidade no mercado externo.

Para Sevani Matos, presidente da CBL, os números refletem a consolidação da atuação internacional do setor. “Estamos colhendo os frutos de uma política contínua de incentivo à internacionalização. A presença qualificada das editoras brasileiras nos principais eventos do mundo confirma o valor e a diversidade da nossa produção”, afirma.

Segundo Rayanna Pereira, coordenadora do Brazilian Publishers, o semestre demonstra a força estratégica do programa. “As ações realizadas nas feiras têm impacto direto nas oportunidades comerciais e institucionais. O apoio do Brazilian Publishers tem sido fundamental para ampliar o alcance global dos nossos conteúdos”, destaca.

Próximas ações

No segundo semestre, o Brazilian Publishers dará continuidade à sua agenda internacional com presença confirmada na Feira do Livro de Frankfurt (15 a 19 de outubro), na Alemanha — considerada o maior evento global do setor editorial. A participação brasileira contará com estande próprio e uma programação voltada à promoção de direitos autorais, networking e fortalecimento de parcerias.

Outras ações confirmadas incluem a participação na 15ª Conferência de Editores de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, e na Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México, entre 29 de novembro e 7 de dezembro.

No Brasil, o programa promoverá uma Jornada Profissional com os editores internacionais finalistas da categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior do 67º Prêmio Jabuti. A iniciativa contará com rodadas de negócios, visitas técnicas e participação na cerimônia de premiação, promovendo a troca entre o mercado nacional e seus parceiros internacionais.

Sobre o Brazilian Publishers

Criado em 2008, o Brazilian Publishers é um projeto setorial de fomento às exportações de conteúdo editorial brasileiro. A iniciativa é resultado da parceria entre a CBL e a ApexBrasil, com apoio do MRE, e visa promover o setor de forma coordenada e estratégica no mercado internacional.

Interessados em integrar o programa podem entrar em contato com Ana Claudia Paiva pelo e-mail anaclaudia@cbl.org.br.

Sobre a CBL

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) é uma associação sem fins lucrativos que representa editores, livreiros, distribuidores e demais profissionais do setor. Há 77 anos, atua em diversas frentes sempre com o propósito de promover o acesso ao livro e a democratização da leitura em todo o país, além de divulgar a literatura brasileira no mercado internacional. Desde março de 2020, a CBL é a Agência Nacional do ISBN e, no mesmo período, lançou uma plataforma digital que reúne seus serviços de maneira integrada e dinâmica. Outra atuação forte da entidade está ligada a uma agenda de relacionamento com as mais diversas esferas públicas e governamentais para debater pautas e políticas importantes para o setor. Todas as ações da entidade são pensadas com um olhar estratégico e sensível de quem acredita no poder transformador dos livros para a sociedade.

Sobre a ApexBrasil

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua para promover os produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira. Para alcançar os objetivos, a ApexBrasil realiza ações diversificadas de promoção comercial que visam promover as exportações e valorizar os produtos e serviços brasileiros no exterior, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais, visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva brasileira entre outras plataformas de negócios que também têm por objetivo fortalecer a marca Brasil. A Agência também atua de forma coordenada com atores públicos e privados para atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Brasil com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e do país.

Fonte: ApexBrasil

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Comércio Exterior

Brasil aciona OMC contra tarifaço dos Estados Unidos 

Itamaraty diz que EUA violam compromissos com a entidade

O governo brasileiro acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos contra produtos produzidos no Brasil. Na avaliação do Itamaraty, os EUA “violaram flagrantemente” compromissos assumidos com a própria OMC.

“Ao impor as citadas medidas, os EUA violam flagrantemente compromissos centrais assumidos por aquele país na OMC, como o princípio da nação mais favorecida e os tetos tarifários negociados no âmbito daquela organização”, informou, por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores.

O documento enviado à OMC é um pedido de consultas aos EUA, instrumento instituído com o propósito de viabilizar, às partes, uma solução negociada para a disputa antes do eventual estabelecimento de um painel.

Trata-se, portanto, de uma primeira etapa formal no âmbito do sistema de solução de controvérsias na OMC. 

Nesse documento, o governo brasileiro voltou a reiterar sua disposição para negociação. Ele espera que as consultas contribuam para uma solução para a questão. A data e o local das consultas deverão ser acordados entre as duas partes nas próximas semanas.

Trump

No mês passado, o presidente Donald Trump anunciou tarifas mais altas para produtos importados do Brasil como retaliação pelo processo de tentativa de golpe de Estado ao qual o ex-presidente Jair Bolsonaro responde na Justiça.

Na prática, as tarifas de 50% para vários produtos brasileiros inviabilizam a comercialização desses produtos com os Estados Unidos. 

Fonte: Agência Brasil

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Comércio

Balança comercial tem menor superávit para julho em três anos

Balança comercial tem menor superávit para julho em três anos

Pressionada pela queda no preço de diversas commodities (bens primários com cotação internacional) e pelo aumento das importações, a balança comercial registrou o superávit mais baixo para meses de julho em três anos. No mês passado, o país exportou US$ 7,075 bilhões a mais do que importou ─ uma queda de 6,3% em relação ao registrado no mesmo mês de 2024.

Os números foram divulgados nesta quarta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O superávit em julho é o menor desde 2022, quando o resultado positivo ficou em US$ 5,357 bilhões.

A balança comercial acumula superávit de US$ 36,982 bilhões nos sete primeiros meses de 2025. O valor representa queda de 24,7% em relação aos mesmos meses do ano passado e é o pior para o período desde 2020, quando houve superávit de US$ 29,896 bilhões.

Parte do recuo no valor acumulado ocorreu porque a balança comercial teve déficit de US$ 471,6 milhões em fevereiro, motivado pela importação de uma plataforma de petróleo.

Comércio exterior recorde

Tanto as exportações como as importações bateram recorde no mês passado, mas as compras do exterior cresceram ainda mais. Em julho, o país exportou US$ 32,310 bilhões, alta de 4,8% em relação ao registrado no mesmo mês do ano passado. As importações somaram US$ 25,236 bilhões, alta de 8,4% na mesma comparação.

Ao analisar a quantidade exportada e os preços médios, o volume de mercadorias exportadas subiu 7,2%. Os preços, no entanto, recuaram 2,1%, em média, na comparação com o mesmo mês do ano passado, refletindo a queda no valor das commodities (bens primários com cotação internacional). Nas importações, a quantidade comprada subiu 7,9%, impulsionada pelo crescimento econômico, mas os preços médios recuaram 0,2%.

Setores

No setor agropecuário, a queda na quantidade vendida pesou mais para o leve crescimento de 0,3% nas exportações do segmento. O volume de mercadorias embarcadas caiu 2% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2024, enquanto o preço médio subiu 3,3%.

Na indústria de transformação, a quantidade subiu 10,3%, com o preço médio caindo 1,6%, o que refletiu uma certa recuperação econômica na Argentina, o maior comprador de bens industrializados do Brasil.

Na indústria extrativa, que engloba a exportação de minérios e de petróleo, a quantidade exportada subiu 13,1%, enquanto os preços médios recuaram 8,1%, fruto da desaceleração econômica na China e do acirramento da guerra comercial por parte do governo de Donald Trump.

Produtos

Do lado das exportações, as de soja, principal produto da agropecuária, cresceram 1,2% em relação a julho do ano passado, por causa da concentração de embarques que fez o volume vendido subir 9%. Os preços médios, no entanto, recuaram 7,1%.

A alta do preço do café continuou a segurar o crescimento das exportações agrícolas. O valor exportado crescer 25,4% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Apesar da queda de 20,4% no volume embarcado, os preços médios subiram 57,5% no mesmo período.

Segundo produto de exportação do agronegócio, o milho teve desempenho negativo. Por causa do fim da safra, as exportações caíram 27,2% em relação a julho do ano passado. O preço médio subiu 6,3%, mas o volume embarcado recuou 31,5%.

Na indústria extrativa, as vendas de petróleo subiram 8,1%, após meses de queda. Isso ocorreu porque o volume vendido subiu 17,6%, compensando a queda de 8% na cotação do barril. As exportações de minério de ferro recuaram 8,8%. Apesar de a quantidade ter subido 4,7%, os preços caíram 12,9%.

Do lado das importações, as aquisições de motores e máquinas não elétricos; adubos e fertilizantes; e combustíveis puxaram o crescimento. A maior alta ocorreu com os motores, cujo valor comprado aumentou US$ 325,2 milhões (+43,9%) em julho na comparação com julho do ano passado.

Estimativa

Segundo as estimativas mais recentes do Mdic, divulgadas em abril, o superávit deverá ficar em US$ 50,4 bilhões, queda de 32% em relação a 2024. A próxima projeção será divulgada em outubro. As estimativas serão revistas, porque não consideram a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros nos Estados Unidos.

As previsões estão mais pessimistas que as do mercado financeiro. O boletim Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central, projeta superávit de US$ 65,25 bilhões neste ano.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

Tarifaço: Especialistas apontam saídas jurídicas que exportador pode usar

Tributaristas avaliam soluções para mitigar os efeitos da tarifa de 50% dos EUA, que entra em vigor nesta quarta (6)

Os Estados Unidos começam a aplicar nesta quarta-feira (6) uma tarifa de 50% sobre importações brasileiras, e os exportadores têm buscado soluções para mitigar os prejuízos com o fluxo comercial menor entre os países.

CNN consultou tributaristas que representam diferentes setores afetados pelo tarifaço sobre as alternativas jurídicas que podem ajudar as empresas a diminuir o prejuízo decorrente das taxas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Felipe Rainato, especialista em comércio exterior do Hondatar Advogados, atua diretamente com associações como a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) e Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico).

O advogado afirma que as empresas podem acionar cláusulas contratuais como as de caso fortuito e força maior para readequar seus acordos com importadores dos EUA.

A medida visa buscar equilíbrio econômico entre as partes e pode ser acionada em caso da impossibilidade do cumprimento das obrigações pelos exportadores, que podem não conseguir mais vender seus produtos para o território norte-americano nas condições acordadas antes das tarifas.

Thaisis Lessa, advogada especializada em negócios agrícolas da Pontes Leal Advocacia, cita também o uso da teoria da imprevisão ou onerosidade excessiva, caso o contrato se torne caro demais para uma das partes, para tentar uma revisão ou renegociação judicial dos acordos firmados.

Rainato também ressalta a importância das companhias brasileiras se manifestarem ao escritório do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) sobre a investigação nos termos da seção 301 da Lei de Comércio de 1974, usada como argumento para indicar práticas comerciais “desleais” do Brasil.

A medida pode não ter efeito imediato, segundo o especialista, mas seria importante para posicionar as empresas brasileiras diante das autoridades norte-americanas e impedir que conclusões sejam tomadas sem os players serem ouvidos.

Em momentos de instabilidade comercial, Lessa ressalta a importância dos seguros de crédito à exportação: ao amparar os contratos com seguros públicos ou privados, cobrem-se riscos de variação cambial.

As empresas que utilizam a modalidade de drawback – regime aduaneiro para isenção de tributos incidentes na aquisição de matérias utilizadas na industrialização de produtos exportados – para comprar seus insumos devem tentar negociar acordos com o governo brasileiro, reforça Rainato.

Isso porque muitas empresas que utilizam o drawback se comprometeram a exportar quantidades de seus produtos que podem não conseguir cumprir no prazo definido, com a aplicação das tarifas. A consequência seria arcar com os custos das importações e multas decorrentes do não cumprimento do acordo.

Para o advogado, as autoridades brasileiras podem permitir a prorrogação dos prazos para atingir os volumes prometidos ou obter avanços nas negociações com os EUA. A possibilidade de dispensa das obrigações definidas no regime também não é descartada.

Por fim, Lessa pontua sobre o lado comercial e recomenda que os exportadores busquem – além de mercados alternativos com condições tarifárias melhores – intermediar vendas por empresas que façam a triangulação das exportações via destinos menos afetados pelas tarifas.

Fonte: CNN Brasil

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Exportação

Barranqueras exporta couro bovino salgado para a China

Em um fato sem precedentes, o Porto de Barranqueras, na Argentina, consolidou pela primeira vez a exportação de couro bovino salgado; marcando um avanço logístico e produtivo para a região, informou o Governo do Chaco.

O envio partiu de armazéns em Puerto Tirol e foi transportado em cinco caminhões, cada um com 28 toneladas. O destino final do couro chaqueño é a China.

Espera-se que, durante a primeira semana de agosto, outros 10 contêineres com couro salgado sejam adicionados; reforçando a abertura de novos mercados internacionais para essa produção regional.

O governador Leandro César Zdero destacou que essa conquista “reflete o compromisso do Porto de Barranqueras com o desenvolvimento econômico, a sustentabilidade e a formação; consolidando-o como um motor estratégico do comércio exterior do Chaco”.

Além disso, o porto fortalece seu vínculo com a comunidade educativa; recebendo visitas de estudantes de escolas primárias, secundárias, técnicas e universidades da região. E também promovendo a integração entre conhecimento acadêmico e desenvolvimento logístico.

Fonte: Todo Logistica News

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Exportação

Setor de couros acelera exportações aos EUA antes do tarifaço

A indústria de couro brasileira intensificou a exportação por avião para os Estados Unidos na última semana para tentar entregar os produtos antes da entrada em vigor das tarifas de 50% impostas por Donald Trump. Curtumes relatam interrupção nas negociações com importadores americanos em vendas que rendem US$ 200 milhões por ano.

Confira a seguir um histórico das exportações de couro para os EUA a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações de couro aos EUA – Jan 2022 a Maio de 2025 – TEU

O presidente executivo do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), José Fernando Bello, afirmou ao Valor que o setor está preocupado com o impacto do tarifaço e que “perde duplamente”, pois a indústria de calçados, também sobretaxada pelos EUA, deixa de comprar dos curtumes diante das incertezas do mercado.

“Para nós é bastante difícil. Os Estados Unidos são nosso segundo maior cliente; compram couro de valor agregado para as indústrias da moda e o setor automotivo. É um cliente que demoramos a conquistar, tem normas técnicas rígidas, qualidade rígida, e não gostaríamos de perdê-lo. Vamos fazer de tudo para mantê-los”, disse após participar de reunião com ministros para tratar de medidas de apoio aos exportadores diante do tarifaço.

“São US$ 200 milhões por ano. Além de perder parte dessa venda, ainda tem o cliente interno que é o calçado, que está na iminência de perder a exportação do calçado em couro. Perdemos a venda no mercado interno que também exporta para os EUA. Perdemos duas vezes, o que é bastante dramático”, completou.

Segundo ele, os curtumes nacionais relataram que os pedidos dos importadores norte-americanos não estão sendo renovados por conta da expectativa de implementação das tarifas. Bello, no entanto, não tem um levantamento do potencial prejuízo que as empresas terão se o governo não conseguir negociar a inclusão do setor na lista de exceção ou reduzir a tarifa cobrada pelos EUA.

“Alguns curtumes enviaram muita mercadoria via aérea para pegar o prazo de entrega, para estar dentro do prazo e fazer estoque com seu cliente e dar tempo de os governos se acertarem”, informou.

Em reunião nesta segunda-feira (4/8) entre representantes do setores produtivos e ministros em Brasília, Bello reiterou os pedidos do setor para que haja negociação com os EUA para eliminação das tarifas ou, ao menos, a redução das alíquotas para o patamar anterior, de 10%, tido como “aceitável” no mercado.

“Se possível, queremos eliminá-las. Pedimos também para, na medida do possível, apoiar as empresas que não estão contempladas na redução da tarifa, com linhas de créditos de financiamentos com juros subsidiados, a agilização para devolução dos créditos tributários de exportação de PIS/Cofins e o ICMS dos Estados, e construir um sistema de apoio ao desemprego que poderão vir nas indústrias com modelo parecido ao feito na pandemia”, completou.

Cada setor ouvido nesta segunda-feira deverá formalizar as demandas ao governo nos próximos dias. “O governo escutou, anotou, pediu para cada setor formalizar, protocolar as demandas, e indicar quais mercados seriam potenciais, que o governo poderia ajudar para aumentar as vendas e diminuir o impacto da não venda aos EUA”, concluiu.

Fonte: Globo Rural

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