Comércio Internacional

China rejeita exigências unilaterais nas negociações comerciais com a União Europeia

O Ministério do Comércio da China afirmou nesta quinta-feira (4) que as negociações comerciais com a União Europeia (UE) devem considerar os interesses e preocupações dos dois lados de forma equilibrada. Pequim rejeitou a possibilidade de que as conversas sejam conduzidas a partir de exigências unilaterais ou ameaças de restrições ao acesso aos mercados.

A declaração foi feita pela porta-voz da pasta, Huang Ling, durante uma coletiva de imprensa regular. A manifestação ocorreu após o comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maros Sefcovic, advertir que a UE poderia recorrer a instrumentos de defesa comercial caso as negociações com a China não apresentassem resultados.

China defende diálogo em condições de igualdade

Segundo Huang, o governo chinês tomou conhecimento das recentes declarações de Sefcovic, mas ressaltou que os líderes de China e UE já estabeleceram o entendimento de que as divergências devem ser tratadas por meio de diálogo e consultas.

A porta-voz afirmou que Pequim mantém esse compromisso e vem ampliando os canais de comunicação econômica e comercial com o bloco europeu para administrar disputas e diferenças entre as partes.

Para a China, as negociações devem preservar a relação entre os dois lados como importantes parceiros comerciais, com equilíbrio na discussão das demandas apresentadas por cada parte.

Consultas entre China e UE foram intensificadas

Desde a primeira reunião do mecanismo de consultas sobre comércio e investimentos entre China e UE, realizada em 29 de junho, representantes dos dois lados vêm mantendo contatos em diferentes níveis.

De acordo com Huang, o Ministério do Comércio chinês e a parte europeia também avançaram em discussões técnicas destinadas a encontrar soluções para questões comerciais e econômicas consideradas prioritárias.

Entre segunda e quarta-feira, o vice-ministro do Comércio da China, Ling Ji, reuniu-se com Denis Redonnet, vice-diretor-geral da Direção-Geral do Comércio e da Segurança Econômica da Comissão Europeia, durante uma visita do representante europeu ao país asiático.

As conversas foram classificadas pelo governo chinês como profundas, francas e construtivas. Os encontros também serviram para orientar novas rodadas de consultas técnicas entre as equipes de negociação.

Pequim critica ameaças de fechamento de mercados

Huang afirmou que nenhum dos lados deveria impor condições ao outro ou utilizar demandas unilaterais como instrumento de negociação.

A porta-voz também criticou a possibilidade de usar ameaças de fechamento de mercados como mecanismo de pressão nas conversas comerciais.

Na avaliação do governo chinês, as negociações devem partir do princípio de que China e UE possuem interesses econômicos interdependentes e precisam buscar soluções que atendam às preocupações de ambos.

China diz que pode ajudar a enfrentar problemas da UE

O Ministério do Comércio chinês também defendeu que a União Europeia enfrente diretamente os desafios que considera prioritários em sua economia.

Segundo Huang, a China não seria a origem desses problemas, mas poderia atuar como parceira na busca por soluções.

A representante do governo chinês afirmou ainda que o protecionismo não seria uma alternativa para resolver as divergências e defendeu uma relação baseada em benefícios mútuos.

Pequim se declarou disposto a ampliar a comunicação institucional com Bruxelas nas áreas de comércio e economia, com o objetivo de administrar diferenças e aumentar a cooperação prática.

China pede defesa do livre comércio

A expectativa chinesa é que o fortalecimento do diálogo contribua para tornar o comércio bilateral mais equilibrado e sustentar o crescimento das relações econômicas entre as duas partes.

Huang também pediu que a UE mantenha seu compromisso com o livre comércio e trabalhe com a China para preservar o sistema multilateral de comércio baseado em regras.

Nesse contexto, Pequim destacou o papel central da Organização Mundial do Comércio (OMC) e pediu ao bloco europeu que evite ampliar medidas consideradas protecionistas.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Jason Lee

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