Comércio Exterior

Comércio Brasil-EUA cai 14,3% em 2026 e amplia déficit da balança comercial

A corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos registrou queda de 14,3% entre janeiro e maio de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. O desempenho reflete os impactos das tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano em 2025, que afetaram especialmente os produtos industriais brasileiros.

Nos cinco primeiros meses do ano, o fluxo comercial entre os dois países movimentou US$ 29,5 bilhões. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 14 bilhões, representando retração de 16%. Já as importações dos Estados Unidos caíram 12,6%, alcançando US$ 15,5 bilhões.

Como consequência, o déficit brasileiro na relação bilateral avançou 43,3%, chegando a US$ 1,5 bilhão.

Tarifas impostas pelos EUA seguem pressionando exportações

Os números foram divulgados pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), por meio do relatório Monitor do Comércio Brasil-EUA.

Segundo a entidade, a desaceleração do intercâmbio comercial ganhou força a partir de agosto de 2025, quando passaram a vigorar sobretaxas sobre produtos industriais brasileiros. As medidas tarifárias adicionais, que chegaram a 40% e 50% para determinados segmentos, reduziram significativamente a competitividade das exportações nacionais.

Entre agosto e dezembro do ano passado, os produtos impactados pelas novas tarifas movimentaram US$ 8,8 bilhões em vendas externas. No mesmo período de 2024, esse volume havia alcançado US$ 11,2 bilhões, o que representa uma retração de 21,6%.

Exportações acumulam meses consecutivos de queda

O início de 2026 manteve a tendência negativa observada nos meses anteriores. Em janeiro, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 25,5%, totalizando US$ 2,4 bilhões. O resultado marcou o sexto mês seguido de redução nas vendas para o principal mercado das Américas.

Em fevereiro, a queda foi de 20,3% em relação ao mesmo mês de 2025, com embarques avaliados em US$ 2,5 bilhões.

A Amcham informou ainda que os produtos industriais sujeitos às tarifas mais elevadas registraram retração de 38,2% no começo deste ano, ampliando os efeitos das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

Empresas enfrentam desafios com custos e logística internacional

Além da redução no volume exportado, a entidade demonstrou preocupação com os impactos sobre a cadeia produtiva global. O aumento dos custos associados às tarifas tem elevado despesas para empresas de diferentes setores e exigido adaptações logísticas para minimizar perdas.

O avanço do déficit comercial brasileiro também acende um alerta sobre os efeitos da desaceleração do comércio bilateral nas contas externas e na competitividade da indústria nacional.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Exterior

Nova Ordem Executiva dos EUA reduz tarifas e amplia competitividade do Brasil

O governo dos Estados Unidos revogou, na sexta-feira (20/2), as Ordens Executivas que aplicavam tarifas de 40% sobre produtos brasileiros, além das tarifas recíprocas de 10% vigentes para diversos países.

No mesmo dia, foi publicada uma nova ordem estabelecendo tarifa global de 10%, com exceções para determinados produtos. No sábado (21), os EUA anunciaram a intenção de aumentar essa tarifa para 15%, mas o ato formal ainda não foi publicado.

Antes das mudanças, cerca de 22% das exportações brasileiras para os EUA enfrentavam tarifas adicionais de 40% ou 50%. Com as novas medidas, aproximadamente 25% das exportações do Brasil (US$ 9,3 bilhões) passam a ser tributadas em 10% ou 15%, alinhando-se à tarifa aplicada a outros países.

Produtos brasileiros ganham competitividade

Segundo estimativas, 46% das exportações brasileiras para os EUA em 2025 (US$ 17,5 bilhões) não terão tarifas adicionais, devido às exceções previstas na Ordem Executiva. Produtos já abrangidos pela Seção 232, que somam 29% das exportações (US$ 10,9 bilhões), continuam sujeitos às tarifas específicas definidas nesse mecanismo.

O novo regime aumenta a competitividade de setores estratégicos do Brasil no mercado norte-americano. Entre os segmentos beneficiados estão máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais, que deixam de enfrentar tarifas de 50% e passam a competir sob alíquota de 10% ou 15%.

Destaque para aeronaves e agropecuária

Uma novidade do novo regime é a exclusão das aeronaves das novas tarifas, que passam a ter alíquota zero (antes 10%). Aeronaves foram o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira para os EUA em 2024 e 2025, com alto valor agregado e importante conteúdo tecnológico.

No setor agropecuário, produtos como pescados, mel, tabaco e café solúvel também têm redução de alíquota de 50% para 10% ou 15%, competindo em condições equivalentes aos fornecedores internacionais.

Comércio bilateral Brasil-EUA em 2025

Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos atingiu US$ 82,8 bilhões, 2,2% acima do registrado em 2024. As exportações brasileiras totalizaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 45,1 bilhões, gerando déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.

Os dados são estimativos, considerando que a classificação tarifária dos produtos envolve consolidação de códigos HTS e critérios adicionais de aplicação nos EUA, podendo gerar pequenas variações nas alíquotas efetivas.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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