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Minério de ferro cai após acordo entre compradora chinesa e Rio Tinto

Os preços do minério de ferro recuaram nesta quinta-feira, pressionados pela confirmação de um acordo entre a compradora estatal chinesa China Mineral Resources Group (CMRG) e a mineradora Rio Tinto. O movimento ocorre em um cenário de margens ainda pressionadas para as siderúrgicas chinesas e de sinais de ampla oferta da matéria-prima no mercado internacional.

Na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE), na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado, com vencimento em janeiro, fechou em queda de 1,62%, a 669 yuans por tonelada, equivalente a US$ 100,23.

Já o contrato de referência para novembro negociado na Bolsa de Cingapura recuava 1,3%, para US$ 89,85 por tonelada.

CMRG fecha acordo com a Rio Tinto

A CMRG comunicou verbalmente a algumas siderúrgicas chinesas, na quarta-feira, que havia chegado a um entendimento com a Rio Tinto. Segundo fontes familiarizadas com as negociações, não foram divulgados detalhes adicionais sobre os termos do acordo.

Em agosto, a Reuters havia noticiado que a compradora estatal orientara algumas usinas a suspender as negociações com a mineradora australiana para o recebimento de cargas a partir de setembro.

A retomada das tratativas é acompanhada de perto pelo mercado, já que a CMRG desempenha um papel importante nas negociações de fornecimento de minério de ferro para a China, maior consumidor mundial da commodity.

Margens das siderúrgicas continuam pressionadas

As condições financeiras das siderúrgicas chinesas seguem sem apresentar melhora significativa. Em Tangshan, um dos principais polos siderúrgicos do país, as perdas das usinas permaneceram praticamente estáveis nesta semana.

Dados da consultoria Mysteel mostram que o custo médio de produção do ferro-gusa continuou diminuindo em relação ao preço de fábrica do tarugo quadrado comum, cotado a 2.940 yuans por tonelada.

A pressão sobre as margens do setor reduz o potencial de recuperação da demanda por matérias-primas e mantém os investidores atentos ao ritmo de produção das usinas chinesas.

Produção doméstica da China recua, mas oferta segue elevada

A produção chinesa de minério de ferro bruto somou 63,11 milhões de toneladas em setembro, uma redução de 23,9% na comparação anual, de acordo com dados do Escritório Nacional de Estatísticas do país.

Apesar da queda na extração doméstica, a oferta total permanece abundante. Analistas da Everbright Futures apontam que a estabilidade da produção das minas no exterior, o volume expressivo de embarques e chegadas aos portos chineses e os estoques portuários elevados compensam parte da redução interna.

Esse cenário limita o impacto da menor produção chinesa sobre os preços internacionais do minério de ferro.

Fortescue alerta para possíveis impactos nas operações

A mineradora australiana Fortescue também demonstrou preocupação com o andamento das negociações com a CMRG. A companhia alertou que suas operações podem ser afetadas caso as tratativas de fornecimento não sejam concluídas até o fim do ano.

No primeiro trimestre, a empresa registrou uma queda de 6% nos embarques de minério de ferro. Segundo a companhia, o resultado foi influenciado por atividades de manutenção, incluindo paralisações programadas para operações de descarga nos portos.

As negociações prolongadas com a compradora chinesa também continuaram pesando sobre os negócios da Fortescue, acrescentando incertezas ao mercado global da commodity.

Mercado acompanha demanda chinesa e negociações de fornecimento

A combinação de margens reduzidas nas siderúrgicas, estoques elevados e disponibilidade de minério proveniente de produtores internacionais mantém o mercado sob pressão.

Nesse contexto, os próximos desdobramentos das negociações entre a CMRG e as grandes mineradoras, além da evolução da demanda chinesa por aço, devem continuar influenciando as cotações da commodity mineral nas bolsas internacionais.

FONTE: Investing.com
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

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