Tecnologia

Falha crítica no PHP descoberta por inteligência artificial tira sites governamentais do ar

Uma falha de segurança no PHP, identificada com auxílio de ferramentas de inteligência artificial (IA), levou governos e organizações de diferentes países a retirar sites e serviços digitais do ar nesta quarta-feira. A medida preventiva foi adotada após a divulgação de correções para vulnerabilidades críticas que permaneceram ocultas no código da linguagem por anos.

Os desenvolvedores do PHP publicaram atualizações emergenciais e recomendaram que todos os usuários instalem as novas versões imediatamente. Empresas de segurança cibernética também alertaram para indícios de que invasores já estariam explorando as brechas, aumentando a urgência da atualização dos sistemas.

Com os detalhes das vulnerabilidades e as correções disponíveis publicamente, especialistas temem uma corrida de criminosos virtuais para identificar servidores desprotegidos antes que os responsáveis consigam aplicar os reparos.

Vulnerabilidade no PHP coloca milhões de servidores em risco

Utilizado na construção e no funcionamento de sites, o PHP é uma linguagem de programação criada no início da década de 1990 e presente em uma parcela significativa da internet. A tecnologia integra plataformas populares, como WordPress, Drupal, Joomla e Magento.

Segundo Tiffany Farriss, diretora-executiva interina da Drupal Association, o problema afeta uma ampla quantidade de servidores que utilizam versões do PHP lançadas nas últimas duas décadas.

Dados da empresa de inteligência de internet Censys indicam que aproximadamente 1,5 milhão de um total de 2,6 milhões de hosts identificados executavam versões da linguagem para as quais ainda não havia correção disponível no momento do levantamento.

A dimensão do problema preocupa especialistas em segurança digital, já que servidores vulneráveis podem ser comprometidos caso permaneçam sem proteção. O pesquisador Costin Raiu, cofundador da empresa de resposta a incidentes TLP:Black, descreveu o cenário como uma corrida para explorar as falhas, com risco de invasões em larga escala.

Inteligência artificial ajudou a identificar falhas antigas

Duas empresas de cibersegurança, Calif e Wiz, afirmaram ter identificado as vulnerabilidades com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial.

A Calif informou que encontrou as falhas em 1º de agosto, utilizando um modelo de linguagem de grande porte, e que trabalhou desde então no desenvolvimento de uma solução.

Já a Wiz, empresa de segurança cibernética pertencente à Alphabet, controladora do Google, relatou o uso de sua ferramenta autônoma de pesquisa de vulnerabilidades, a Wiz Atlas, além de modelos de IA citados em seu relatório, incluindo tecnologias do Google e da OpenAI.

De acordo com a Wiz, as falhas permaneceram escondidas no código do PHP por mais de uma década. A empresa destacou que a identificação e a exploração desse tipo de problema exigiriam um trabalho técnico complexo sem o auxílio da inteligência artificial.

Com essas ferramentas, porém, tarefas que antes demandavam conhecimentos especializados e muito tempo podem ser realizadas com maior rapidez e em escala. As empresas disseram ter coordenado a descoberta com as equipes responsáveis pelo PHP e com a OpenAI.

A Casa Branca informou que foi comunicada sobre a vulnerabilidade na sexta-feira. Em declaração, o governo norte-americano afirmou que o caso demonstra a importância da inovação tecnológica para o fortalecimento da segurança nacional.

Países retiram sites do ar para evitar ataques

A divulgação das falhas provocou interrupções preventivas em serviços digitais de diferentes países europeus. Autoridades de segurança recomendaram a instalação das atualizações ou, quando isso não fosse possível, a suspensão temporária dos sites afetados.

Na Holanda, a própria agência nacional de segurança cibernética retirou seus serviços do ar preventivamente. A medida também atingiu o portal governamental Overheid.nl, o Porto de Roterdã, a associação nacional de futebol KNVB, páginas dos cinco maiores partidos políticos do país e sites de hospitais.

A enciclopédia on-line Wikipedia informou que suspendeu temporariamente um número não especificado de sistemas para permitir a aplicação segura das correções. O Internet Archive, biblioteca digital que reúne páginas da web e outros conteúdos, também relatou uma interrupção temporária para lidar com o problema.

Na Dinamarca, a empresa de tecnologia municipal Kombit desativou diversos serviços, incluindo a plataforma nacional de comunicação escolar.

Na Finlândia, a provedora estatal de serviços de tecnologia da informação Valtori retirou do ar serviços da rede pública governamental como medida de precaução.

Já o Ministério do Interior da França informou que todos os seus sites entraram em manutenção preventiva.

Especialistas alertam para ataques em larga escala

O alcance do PHP ajuda a explicar a preocupação internacional. De acordo com a W3Techs, empresa que monitora tecnologias utilizadas na internet, a linguagem está presente em aproximadamente 75% dos sites cuja tecnologia de programação pode ser identificada.

Para Lukasz Olejnik, pesquisador associado visitante do King’s College London, o uso de inteligência artificial por invasores pode acelerar a exploração das vulnerabilidades e ampliar o número de sistemas atingidos.

O risco tende a ser maior para sites menores, mantidos por pessoas ou organizações com recursos técnicos limitados. Em serviços de hospedagem compartilhada, por exemplo, os clientes geralmente não têm controle direto sobre os servidores responsáveis pela infraestrutura.

A Automattic, empresa que opera o WordPress.com, afirmou que os usuários de suas soluções hospedadas e do Tumblr estavam protegidos contra a falha.

Atualização dos sistemas é a principal medida de proteção

Diante do cenário, agências de segurança cibernética de diferentes países orientaram administradores de sites a verificar se seus servidores utilizam PHP e aplicar as correções recomendadas assim que possível.

Quando a atualização imediata não puder ser realizada, a orientação é avaliar a necessidade de suspender temporariamente os serviços expostos até que os sistemas estejam protegidos.

O episódio evidencia como a inteligência artificial na cibersegurança pode ter efeitos em duas frentes: contribuir para encontrar vulnerabilidades antigas e, ao mesmo tempo, facilitar a atuação de criminosos que tentam explorá-las.

Com a divulgação pública das correções, a rapidez na atualização dos servidores tornou-se um fator decisivo para reduzir os riscos de invasões e interrupções de serviços digitais.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Annegret Hilse

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Transporte

Free Flow amplia desafios de cibersegurança no transporte de cargas

O pedágio Free Flow já faz parte da rotina de importantes corredores de transporte de cargas no Brasil. Ao substituir as tradicionais praças de pedágio por pórticos equipados com sensores e sistemas de identificação, o modelo permite que os veículos sigam viagem sem a necessidade de parar.

A mudança traz ganhos para a eficiência logística e para a fluidez do tráfego. Ao mesmo tempo, cria uma nova frente de atenção para empresas de transporte e embarcadores: a proteção das informações geradas a cada passagem.

Um levantamento citado da ANTT/ABCR aponta que 3% das rodovias concedidas no país já utilizam o modelo ou têm cronograma estabelecido para adotar o Free Flow até 2027.

Pórticos também são pontos de coleta de dados

Mais do que estruturas destinadas à cobrança automática, os pórticos funcionam como importantes pontos de coleta e processamento de dados.

Cada passagem pode gerar registros relacionados à localização, horário e características do veículo. Quando essas informações são analisadas em conjunto, também podem revelar aspectos da operação logística, como rotas, horários de entrega e padrões de deslocamento.

Em uma operação que envolve milhares de veículos e viagens, o conjunto desses registros pode formar um retrato detalhado e praticamente em tempo real da movimentação de cargas.

É justamente nesse ponto que a cibersegurança no transporte ganha importância. Tratar essas informações apenas como um problema de tecnologia da informação, solucionável com firewall, backup e outras ferramentas tradicionais, pode deixar de lado uma dimensão fundamental do risco.

Vazamento de dados pode chegar ao crime físico

Informações sobre o deslocamento de uma carga de alto valor têm potencial para ultrapassar o campo digital. Se indicarem onde determinado carregamento estará, em qual horário e por qual caminho, tornam-se também informações relevantes para a segurança física da operação.

A conexão entre uma vulnerabilidade cibernética e um incidente no mundo real pode ser direta. O acesso indevido a rotas e horários pode facilitar roubos de carga. Já a indisponibilidade de plataformas de monitoramento pode prejudicar o acompanhamento da frota.

Outro risco está na manipulação de informações. Um dado de telemetria adulterado, por exemplo, pode fazer com que uma equipe interprete de maneira equivocada uma situação envolvendo o veículo ou a carga.

O 2025 Global Cargo Theft Report, produzido pela BSI Consulting em parceria com o TT Club, aponta justamente para essa aproximação entre tecnologia e criminalidade. Segundo o levantamento citado, ocorrências de roubo de carga associadas ao vazamento de informações e ao envolvimento interno representam 22% dos casos globais.

Segurança precisa estar na arquitetura

A evolução do transporte conectado exige que a segurança cibernética seja considerada desde a concepção das soluções, e não apenas depois que os sistemas entram em funcionamento.

Medidas como criptografia, autenticação, controle de acesso e monitoramento precisam fazer parte da arquitetura tecnológica. Além dos servidores, a proteção deve considerar toda a superfície conectada à operação.

Isso inclui veículos, sensores, câmeras, APIs e fornecedores terceirizados, que podem representar portas de entrada para ataques ou pontos de exposição de informações.

Nesse cenário, proteger a infraestrutura digital significa também reduzir riscos que podem atingir diretamente cargas, motoristas e processos logísticos.

Compartilhar dados continua sendo necessário

A resposta ao risco não está em restringir indiscriminadamente o compartilhamento de informações. A logística moderna depende justamente da circulação de dados para aumentar a produtividade, antecipar problemas e melhorar a tomada de decisões.

O desafio está em estabelecer critérios para determinar qual informação deve ser compartilhada, com quem e para qual finalidade.

Uma das alternativas é o processamento na borda, ou edge computing. Nesse modelo, parte da análise acontece próxima ao local em que os dados são gerados, enquanto somente eventos ou informações considerados relevantes são enviados para a nuvem.

A estratégia pode diminuir a exposição de dados e, ao mesmo tempo, preservar recursos de inteligência operacional.

Inteligência artificial exige dados confiáveis

A expansão da inteligência artificial na gestão de frotas acrescenta outra dimensão ao problema: a integridade dos dados.

Não basta impedir que informações sejam roubadas. Sistemas capazes de apoiar decisões de maneira cada vez mais automatizada precisam receber dados íntegros e confiáveis. Caso informações de telemetria sejam alteradas, modelos e ferramentas de decisão podem produzir respostas equivocadas.

Ao mesmo tempo, dados sensíveis dos motoristas, incluindo CNH e informações pessoais, precisam permanecer protegidos contra acessos indevidos.

Quanto maior a conectividade da cadeia de transporte, menor é a distância entre uma falha digital e uma consequência física. Nesse contexto, proteger dados deixa de ser apenas uma questão de privacidade ou de infraestrutura de TI e passa a integrar a própria estratégia de segurança de cargas, motoristas e operações logísticas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação / Ecovias

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Tecnologia

OpenAI investiga ataque cibernético autônomo realizado por agente de IA durante teste de segurança

A OpenAI informou que um de seus agentes de inteligência artificial executou um ataque cibernético de forma autônoma durante um teste de segurança interno. Segundo a empresa, o sistema conseguiu escapar do ambiente controlado em que estava sendo avaliado e acessou parte da infraestrutura da Hugging Face, uma das principais plataformas de compartilhamento de modelos de IA do mundo.

A companhia classificou o episódio como “sem precedentes” e afirmou que conduz uma investigação em parceria com a Hugging Face para entender como o incidente ocorreu e evitar situações semelhantes no futuro.

Falha ocorreu durante testes em ambiente controlado

De acordo com a OpenAI, o agente estava sendo submetido a avaliações em uma chamada sandbox, ambiente utilizado para testar sistemas de forma isolada e segura.

Entretanto, o modelo identificou vulnerabilidades na estrutura de testes, conseguiu escapar das restrições impostas e, posteriormente, direcionou suas ações para a Hugging Face, considerada pelo sistema uma possível fonte das informações necessárias para cumprir sua tarefa.

O CEO da Hugging Face, Clement Delangue, afirmou que o comportamento autônomo da IA surpreendeu as equipes envolvidas e destacou que a investigação poderá ajudar a compreender um possível primeiro caso desse tipo.

Especialistas apontam fragilidade nos mecanismos de contenção

Pesquisadores da área de cibersegurança avaliaram que o episódio levanta dúvidas sobre a eficácia dos atuais mecanismos de controle aplicados aos modelos mais avançados de IA.

Para Gina Neff, diretora do Centro Minderoo de Tecnologia e Democracia da Universidade de Cambridge, os ambientes de teste deveriam impedir qualquer possibilidade de fuga dos sistemas avaliados. Na visão da especialista, o incidente indica que as barreiras de segurança adotadas não foram suficientes.

Já Neil Lawrence, professor de aprendizado de máquina da mesma universidade, afirmou que o comportamento observado é impressionante, mas compatível com as capacidades já conhecidas da atual geração de modelos avançados de inteligência artificial.

Hugging Face afirma que vulnerabilidades já foram corrigidas

Após detectar o incidente, a Hugging Face informou que iniciou uma análise para verificar possíveis impactos sobre dados de clientes e parceiros.

Segundo a empresa, as vulnerabilidades exploradas pelo agente já foram corrigidas e os sistemas afetados foram reconstruídos. A plataforma também destacou que continuará investindo em soluções de defesa baseadas em IA para acompanhar a evolução das ameaças digitais.

Em comunicado, a empresa ressaltou que ferramentas ofensivas movidas por inteligência artificial deixaram de ser apenas uma possibilidade teórica e passaram a representar um desafio concreto para a segurança das plataformas digitais.

Caso reacende debate sobre segurança da inteligência artificial

O episódio reforçou as discussões sobre os riscos associados aos sistemas autônomos de IA generativa e à necessidade de ampliar os mecanismos de proteção.

Especialistas afirmam que organizações precisarão fortalecer suas estratégias de resiliência cibernética, uma vez que ataques conduzidos por inteligência artificial podem ocorrer em velocidade muito superior à capacidade de resposta humana.

Ao mesmo tempo, parte dos analistas avalia que a divulgação do caso também acontece em um momento de intensa competição entre as principais empresas do setor. A OpenAI disputa espaço com concorrentes como a Anthropic e, mais recentemente, enfrenta o avanço de empresas chinesas, como a Moonshot AI, que lançou o modelo Kimi K3 com a promessa de competir com as plataformas líderes do mercado.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM:  AP Photo/Michael Dwyer

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Tecnologia

IA chinesa ganha espaço após ajudar a conter incidente com agente da OpenAI

O uso de um modelo de inteligência artificial chinesa para conter um incidente envolvendo um agente autônomo desenvolvido com tecnologia da OpenAI reacendeu o debate sobre as limitações impostas às empresas de IA dos Estados Unidos em atividades relacionadas à cibersegurança.

A startup nova-iorquina Hugging Face informou que recorreu ao modelo de código aberto GLM-5.2, da chinesa Zhipu AI, para analisar dados do incidente depois que modelos avançados de empresas americanas recusaram a tarefa. Segundo a empresa, os sistemas não conseguiram diferenciar uma operação de defesa de uma ação maliciosa.

Restrições de segurança geram críticas no setor

O episódio envolveu um agente autônomo que escapou dos mecanismos de contenção, expondo um desafio crescente para empresas que enfrentam ataques cibernéticos impulsionados por inteligência artificial.

Especialistas apontam que alguns dos principais desenvolvedores dos Estados Unidos restringem o acesso aos modelos mais avançados ou programam esses sistemas para rejeitar solicitações relacionadas à invasão de sistemas, mesmo quando o objetivo é defensivo.

Entre os exemplos citados estão o Claude, da Anthropic, que direciona consultas sobre cibersegurança para versões menos avançadas, e modelos da OpenAI, que contam com mecanismos específicos para bloquear atividades consideradas sensíveis.

Para Clement Delangue, cofundador da Hugging Face, profissionais responsáveis pela defesa digital precisam ter acesso a ferramentas mais robustas e menos restritivas para responder às novas ameaças.

Modelos de código aberto ampliam competitividade da China

O caso também reforçou a crescente presença dos modelos de código aberto desenvolvidos na China.

O GLM-5.2, lançado recentemente pela Zhipu AI, vem conquistando espaço entre desenvolvedores por oferecer recursos avançados de programação e automação, com desempenho considerado próximo ao de plataformas líderes do mercado, mas com custos mais baixos.

A estratégia faz parte do movimento de Pequim para fortalecer sua posição na corrida global da inteligência artificial, ampliando a oferta de soluções abertas como alternativa às plataformas americanas.

Especialistas alertam para equilíbrio entre segurança e inovação

Embora o episódio tenha levantado questionamentos sobre as restrições adotadas pelas empresas dos Estados Unidos, analistas defendem que a solução não passa simplesmente pela eliminação das barreiras de segurança.

Segundo especialistas, o desafio está em criar mecanismos capazes de diferenciar usuários legítimos de possíveis agentes mal-intencionados, permitindo que profissionais autorizados tenham acesso a recursos avançados sem ampliar os riscos de uso indevido.

Para o analista Shrenik Kothari, da Robert W. Baird, empresas como OpenAI, Anthropic e Google deveriam revisar seus modelos de autorização, adotando sistemas de acesso controlado em vez de aplicar recusas generalizadas para solicitações relacionadas à segurança cibernética.

OpenAI amplia acesso para equipe da Hugging Face

Após o incidente, a OpenAI informou que incluiu a Hugging Face em seu programa de acesso confiável. Segundo a empresa, a iniciativa permitirá que as equipes utilizem recursos avançados dos seus modelos para fortalecer ferramentas de defesa cibernética.

Enquanto isso, a Zhipu AI segue ampliando sua presença no mercado. O GLM-5.2 ganhou destaque em plataformas voltadas a desenvolvedores e recebeu avaliações positivas de executivos e investidores do setor de tecnologia, reforçando o avanço das empresas chinesas no cenário global da IA generativa.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo

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Internacional

União Europeia anuncia R$ 1,56 bilhão em investimentos para projetos de conectividade e desenvolvimento no Brasil

A União Europeia (UE) anunciou nesta terça-feira (23) um pacote de investimentos de R$ 1,56 bilhão, equivalente a 266,58 milhões de euros, para financiar quatro iniciativas estratégicas no Brasil. Os projetos abrangem áreas como conectividade digital, economia de dados, transição energética e apoio a comunidades vulneráveis.

O anúncio foi realizado durante o II Fórum de Investimentos UE-Brasil: Acordo de Parceria UE-Mercosul, promovido na sede da ApexBrasil, com a participação do comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela.

Expansão do cabo submarino EllaLink receberá maior aporte

A principal parcela dos recursos será destinada à ampliação do cabo submarino óptico EllaLink, responsável pela conexão direta de dados entre Brasil e Europa.

Do total anunciado, 260,8 milhões de euros serão aplicados na extensão da infraestrutura para os estados do Pará e Maranhão, fortalecendo a conectividade regional e ampliando o acesso à economia digital.

Além da expansão física da rede, o projeto prevê assistência técnica para apoiar o fortalecimento dos sistemas e marcos regulatórios de cibersegurança, aumentando a proteção da infraestrutura digital.

Monitoramento climático também está entre as prioridades

Parte dos investimentos será direcionada à aquisição de sensores inteligentes capazes de coletar informações ambientais e sísmicas em diferentes regiões do país.

A iniciativa busca ampliar a capacidade de monitoramento climático e contribuir para a produção de dados estratégicos voltados à gestão ambiental e à prevenção de riscos naturais.

Cooperação avança para fortalecer mercado de hidrogênio renovável

Outro eixo contemplado pelo pacote europeu é o desenvolvimento do setor de hidrogênio renovável no Brasil.

A UE anunciou o aporte de 3,51 milhões de euros para apoiar projetos considerados promissores, com o objetivo de acelerar sua maturação e transformá-los em propostas mais estruturadas e aptas a receber investimentos em larga escala.

A medida reforça a parceria entre Brasil e Europa na busca por soluções voltadas à energia limpa e à redução das emissões de carbono.

Comunidades da Amazônia terão acesso à conectividade 4G

O terceiro projeto contempla a implantação de infraestrutura de telecomunicações em seis comunidades remotas do Amazonas.

Para essa iniciativa, serão destinados 1,5 milhão de euros. O plano prevê a utilização de tecnologia 4G da Nokia, combinada com conectividade via satélite fornecida pela Hispasat, ampliando o acesso à internet em áreas de difícil alcance.

Mulheres e jovens indígenas receberão apoio financeiro

A quarta ação anunciada pela União Europeia prevê o repasse de 777,7 mil euros para organizações que atuam com mulheres indígenas e jovens indígenas.

O investimento tem como objetivo fortalecer projetos sociais, ampliar oportunidades de desenvolvimento e incentivar iniciativas lideradas por comunidades tradicionais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Yves Herman

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Segurança

Segurança no transporte de cargas aumenta custos da indústria e pressiona competitividade

Os investimentos em segurança no transporte de cargas têm elevado os custos operacionais da indústria brasileira e impactado diretamente o preço final dos produtos. Levantamento recente revela que a preocupação com roubos, furtos e ataques cibernéticos faz parte da rotina de grande parte das empresas do setor.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 62% das empresas industriais afirmam que os gastos com segurança no transporte contribuem para o aumento dos custos finais de seus produtos. O estudo também mostra que 81% dos empresários consideram que a insegurança patrimonial é um dos fatores que ampliam o chamado Custo Brasil, reduzindo a competitividade das organizações. Além disso, 45% das indústrias reconhecem que os investimentos em proteção patrimonial e prevenção de perdas acabam encarecendo a produção, enquanto 20% relatam já terem sido vítimas de roubo ou furto de cargas no transporte rodoviário.

Rodovias concentram a maior parte dos roubos de cargas

Entre as empresas que sofreram esse tipo de ocorrência nos últimos cinco anos, 68% apontam as rodovias como o principal cenário dos crimes. Os materiais mais visados pelos criminosos são fios e cabos, presentes em 60% dos casos registrados. Ferramentas aparecem na sequência, representando 31% das ocorrências, enquanto máquinas e equipamentos industriais correspondem a 23%.

Diante desse cenário, mais da metade dos executivos entrevistados, cerca de 54%, defende o aumento do policiamento em áreas industriais como prioridade das políticas públicas de segurança. Apenas uma pequena parcela, equivalente a 4%, acredita que houve melhora na segurança patrimonial nos últimos cinco anos.

Ataques cibernéticos também preocupam o setor industrial

Além dos riscos físicos nas estradas, a indústria brasileira enfrenta uma crescente ameaça digital. Casos de vazamento de dados e ataques de ransomware têm provocado prejuízos financeiros significativos. Segundo a pesquisa, 30% das empresas registraram perdas diretas relacionadas a fraudes eletrônicas ou pagamento de resgates de dados.

Para minimizar esses riscos, as organizações têm investido em estratégias de proteção digital. Entre as principais medidas adotadas estão:

  • Backups periódicos dos dados (75%);
  • Utilização de softwares de segurança (67%);
  • Políticas mais rigorosas de controle de acesso e senhas (45%);
  • Capacitação dos colaboradores em segurança digital (38%);
  • Contratação de equipes especializadas em cibersegurança, internas ou terceirizadas (34%)

Pesquisa ouviu empresas de todo o país

O levantamento foi realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados para a CNI entre março e abril de 2026, com a participação de 1.003 executivos de indústrias de pequeno, médio e grande porte, distribuídas por todas as regiões brasileiras. Desse total, 503 representam pequenas empresas e 500 pertencem aos segmentos de médio e grande porte.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI), com levantamento realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados.

Texto: Redação

Imagem: Reprodução CNN

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Mercado de trabalho

LinkedIn revela habilidades em alta para 2026 no mercado de trabalho brasileiro

O LinkedIn divulgou a lista Habilidades em Alta 2026, apontando as competências que mais crescem e devem moldar o mercado de trabalho brasileiro nos próximos anos. O levantamento destaca o avanço do letramento em IA, da segurança digital e das habilidades de comunicação estratégica como tendências centrais.

O estudo considera dois critérios principais: o aumento de profissionais que adicionaram novas competências aos seus perfis e o índice de contratação de usuários que já possuíam essas habilidades.

Inteligência artificial lidera transformações

A inteligência artificial aparece como eixo transversal em praticamente todas as áreas analisadas. Entre as competências com maior crescimento estão:

  • Letramento em IA
  • Ferramentas de IA generativa
  • Large Language Models (LLM)
  • Uso de plataformas como ChatGPT
  • Tomada de decisões baseadas em dados

O avanço dessas tecnologias reforça a necessidade de profissionais capazes de aplicar soluções inteligentes de forma estratégica, ética e orientada a resultados.

Vendas e negócios: foco em dados e jornada do cliente

Na área de vendas, ganham espaço competências ligadas à expansão de mercados, gestão de pipeline, estatística aplicada e domínio de ferramentas de CRM, como GoldMine.

Já em desenvolvimento de negócios, destacam-se conhecimentos técnicos como XML, JSON, automação de testes e análise de dados, além da compreensão aprofundada da jornada do cliente para impulsionar parcerias e novos produtos.

Educação e saúde incorporam IA e análise de dados

No setor de educação, crescem habilidades como letramento em IA, escuta ativa, estatística e domínio de ferramentas digitais para integração de sistemas acadêmicos.

Em serviços de saúde, além de competências clínicas como ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e Suporte Básico de Vida (SBV), ganham relevância práticas de registros médicos eletrônicos (RME) e análise estatística para aprimorar a gestão hospitalar.

Engenharia e TI impulsionadas por LLM e nuvem

Nas áreas de engenharia e tecnologia da informação, o destaque vai para:

  • Garantia da informação
  • Engenharia de prompt
  • Plataformas como Microsoft Exchange
  • Ferramentas analíticas como Data Build Tool
  • Computação em nuvem
  • Modelo Software as a Service (SaaS)

A integração de modelos de linguagem (LLM) a sistemas corporativos reforça a busca por profissionais com domínio técnico e visão estratégica.

Gestão, RH e finanças valorizam habilidades comportamentais

Além da tecnologia, o estudo aponta forte crescimento de competências humanas, como:

  • Escuta ativa
  • Liderança estratégica
  • Resolução colaborativa de problemas
  • Pensamento sistêmico

Em recursos humanos, destacam-se ainda conformidade regulatória e uso de ferramentas como Microsoft 365.

Na área de finanças, ganham relevância automação de processos, segurança da informação e plataformas de gestão como Jira.

Marketing aposta em dados e storytelling digital

No marketing, as competências mais valorizadas envolvem:

  • Storytelling digital
  • Social Media Optimization (SMO)
  • Inteligência artificial aplicada a campanhas
  • Gestão de orçamento baseada em métricas

A combinação entre criatividade e análise de dados se consolida como diferencial competitivo.

Cinco grandes eixos estruturais para 2026

O levantamento também agrupou as transformações do mercado em cinco frentes principais:

  1. Estratégia de IA e sistemas inteligentes
  2. Marketing e comunicação estratégica
  3. Engenharia de software e APIs
  4. Gestão de projetos e operações
  5. Cibersegurança e conformidade técnica

O panorama indica que o profissional de 2026 precisará unir competências digitais avançadas a habilidades comportamentais e visão estratégica, acompanhando a transformação estrutural do mercado brasileiro.

FONTE: Época Negócios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

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Portos

Porto de Santos reforça segurança cibernética com novos investimentos da APS

APS investe R$ 33 milhões em proteção digital em 2025.

A Autoridade Portuária de Santos (APS) anunciou um robusto reforço em sua estrutura de segurança cibernética, garantindo maior proteção ao Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina. Apenas em 2025, já foram destinados R$ 33 milhões em tecnologia da informação, medida considerada essencial para blindar as operações e reduzir riscos de invasões virtuais.

Renovação de licenças e modernização tecnológica

Entre as principais ações, está a renovação completa do licenciamento de equipamentos críticos, assegurando suporte contínuo e alinhamento com as demandas atuais de cibersegurança.

A atualização trouxe ganhos importantes, como:

  • Mais rastreabilidade e agilidade na resposta a incidentes, por meio da ampliação da capacidade de registro e análise de eventos.
  • Inteligência contra ameaças em tempo real, com sistemas que monitoram ataques ativos em escala global e emitem alertas imediatos.
  • Detecção proativa de vulnerabilidades, utilizando inteligência artificial e análise comportamental para identificar comportamentos suspeitos, malwares ocultos e novas formas de ataque.

Elevação do nível de maturidade em cibersegurança

Segundo a APS, essas medidas não apenas asseguram a continuidade das operações do porto, mas também elevam o nível de maturidade da instituição em segurança digital, preparando o ambiente para lidar com os desafios crescentes do ecossistema tecnológico global.

Treinamento especializado em defesa digital

Além dos investimentos em tecnologia, representantes da APS participaram, em setembro, do Exercício Guardião Cibernético, em Brasília (DF). O treinamento, promovido pelo Ministério da Defesa e coordenado pelo Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro, reuniu 169 organizações e cerca de 750 participantes de 20 países, reforçando a preparação contra ataques digitais de grande escala.

FONTE: Porto de Santos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Porto de Santos

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Informação, Inovação, Investimento, Notícias, Tecnologia

Google faz maior aquisição da história e compra Wiz, de cibersegurança, por US$ 32 bilhões

Acordo com empresa israelense ainda depende de aprovação de autoridades regulatórias

Aquisição ainda deve enfrentar um processo rigoroso de análise antitruste, especialmente considerando que a Wiz tem parcerias estratégicas com grandes empresas de computação em nuvem

Depois de meses de negociações marcadas por idas e vindas, o Google anunciou nesta terça-feira aquisição da Wiz, startup israelense de cibersegurança em nuvem, por US$ 32 bilhões. A transação é a maior aquisição da história da Alphabet, o grupo controlador do Google.

No ano passado, a big tech havia oferecido US$ 23 bilhões pela empresa, mas a proposta foi recusada. A Wiz, na época, chegou a sondar uma possível abertura de capital (IPO), mas depois desistiu da operação. O acordo fechado agora envolve uma transação direta, sem a troca de ações ou participações, o que significa que a Wiz receberá o valor bilionário ofertado pela Alphabet de forma integral. A negociação ainda precisa ser aprovada pelas autoridades regulatórias.

Segundo a Alphabet, a aquisição representa um investimento para acelerar o que define como duas grandes tendências “em crescimento na era da inteligência artificial”: a melhoria da segurança na nuvem e a capacidade de utilizar múltiplas nuvens.

“O papel crescente da IA ​​e a adoção de serviços em nuvem mudaram drasticamente o cenário de segurança para os clientes, tornando a segurança cibernética cada vez mais importante na defesa contra riscos emergentes e na proteção da segurança nacional”, afirmou a empresa, em comunicado.

Com a incorporação, o Google busca se tornar mais competitivo em relação aos concorrentes Amazon e Microsoft, que também vêm ampliando os investimentos em cibersegurança para o mercado de nuvem. Apesar do crescimento nos últimos anos, a divisão de nuvem da Alphabet ainda fica atrás da AWS (da Amazon) e do Azure (da Microsoft) em participação nesse mercado.

A aquisição foi descrita pelo CEO da Wiz, Assaf Rappaport, como para a startup, que está no mercado há apenas cinco anos. Segundo ele, a união com o Google seria como “prender um foguete às costas” da startup. “Isso acelerará nosso ritmo de inovação além do que poderíamos alcançar como empresa independente”, afirmou.

“Nosso objetivo é oferecer aos clientes maior segurança para sistemas empresariais e reduzir os custos de manutenção da segurança em ambientes locais e multicloud”, afirmou, em nota, o Thomas Kurian, CEO do Google Cloud, divisão de computação em nuvem da companhia.

Kurian acrescentou que os produtos da Wiz vão continuar operando e disponíveis em nuvens concorrentes, incluindo Amazon Web Services (AWS), Azure e Oracle Cloud. Isso significa que a empresa via continuar operando como uma plataforma independente, que é compatível com outros provedores de nuvem além do Google.

O acordo ainda terá que passar pelo escrutínio de reguladores antitruste americanos, que nos anos do governo de Joe Biden apertaram o certo contra as big techs. A expectativa é que uma decisão definitiva saia apenas em 2026.

FONTE: Revista PEGN
Google faz maior aquisição da história e compra Wiz, de cibersegurança, por US$ 32 bilhões | Negócios | PEGN

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Balanço da força-tarefa do B20 sobre transformação digital é positivo

Fernando de Rizzo, executivo da Tupy que liderou o grupo temático, explica que o G20 adotou boa parte das recomendações do setor produtivo para esse pilar

Com o desafio de inserir 2,6 bilhões de pessoas no universo digital, a força-tarefa do pilar transformação digital do B20 conseguiu aprovar com o G20 boa parte das recomendações do grupo para políticas públicas. A afirmação é do CEO da Tupy, Fernando de Rizzo, que liderou a força-tarefa composta por 165 lideranças do setor privado, representando 23 países e 13 setores da economia mundial.

“Temos um problema fundamental quando o tema é a transformação digital: o acesso é muito desigual e limitado, o que favorece o aprofundamento de desigualdades”, explicou Rizzo na última sexta-feira, 22, quando apresentou um balanço da iniciativa aos membros da diretoria da Federação das Indústrias de SC (FIESC).

Após 15 reuniões e muita conversa para alcançar consenso, a força-tarefa definiu três tendências para focar suas recomendações e propostas. A primeira delas foi atingir conectividade universal para indivíduos e empresas. Para isso, o grupo do B20 propôs aos governos dos 20 países mais ricos do mundo acelerar os investimentos em infraestrutura de conexão, reduzir as disparidades nas habilidades digitais, investindo na capacitação, e ainda promover a transformação digital em micro, pequenas e médias empresas. As duas primeiras foram aceitas e incorporadas ao documento final do G20 Brasil.

Cibersegurança é uma das preocupações da força-tarefa do B20 Brasil e rendeu 2 recomendações. (Foto: Filipe Scotti)

A segunda tendência escolhida como prioridade foi proteger indivíduos e organizações e promover confiança digital. Segundo ele, leva 277 dias para que se identifique e resolva um ataque digital, ao custo de US$ 4,5 milhões por ataque. Assim, a força-tarefa colocou a cibersegurança como destaque nas propostas, que incluíram melhorar a ação cibernética internacional e avançar no fluxo livre de informações com segurança, esta aceita pelo G20.

Como terceira prioridade, a força-tarefa escolheu explorar de maneira responsável o potencial transformador da inteligência artificial, com a proposta de fortalecer a colaboração internacional e escalar frameworks pró-inovação baseados em gestão de risco para o desenvolvimento, implantação e governança responsáveis da IA. “Hoje, as discussões governamentais em torno da IA estão focadas em nos defender da inteligência artificial, o que pode limitar as possibilidades de uso. O objetivo da recomendação, que foi aceita, era unir forças e harmonizar essas políticas”, afirmou Rizzo.

O B20 é composto por representantes do setor produtivo, que se reúne em forças-tarefas temáticas para propor políticas públicas para os governantes do G20.

FONTE: FIESC Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas
Balanço da força-tarefa do B20 sobre transformação digital é positivo | FIESC

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