Comércio Internacional

Chile e China buscam ampliar oportunidades comerciais e fortalecer acordo de livre comércio

Chile e China discutiram novas possibilidades para aprofundar as relações econômicas e comerciais durante a 8ª Comissão de Livre Comércio (CLC), realizada no âmbito do Tratado de Livre Comércio (TLC) entre os dois países. O encontro teve como foco a implementação do acordo, os resultados alcançados desde sua entrada em vigor e a identificação de novas oportunidades de cooperação bilateral.

Países avaliam avanços do tratado comercial

A delegação chilena foi liderada por Felipe Lopeandía, diretor-geral de Assuntos Econômicos Bilaterais da Subsecretaria de Relações Econômicas Internacionais (Subrei). Também participaram Pablo Urria, chefe do Departamento Ásia, Fernando Catalán, responsável pelo Departamento de Assuntos Regulatórios do Comércio, e o embaixador do Chile na China, Alfonso Silva.

Durante as negociações, as equipes analisaram a evolução do intercâmbio comercial desde outubro de 2006, quando o acordo entrou em vigor. Os representantes destacaram a complementaridade das duas economias nos setores de bens e investimentos, além da contribuição do tratado para estreitar os vínculos entre os países.

Segundo Lopeandía, a comissão é fundamental para acompanhar a execução do acordo, solucionar eventuais dificuldades e identificar caminhos para ampliar o comércio bilateral.

China apoia estudo sobre os impactos do acordo

A delegação chinesa, liderada por Chao Chen, diretor-geral do Departamento de Comércio Internacional e Assuntos Econômicos do Ministério do Comércio da China, demonstrou interesse na proposta chilena de realizar um estudo de impacto do Tratado de Livre Comércio.

A iniciativa pretende avaliar de maneira aprofundada os resultados obtidos com o acordo e identificar novos setores e oportunidades de interesse comum.

Os dois países também manifestaram interesse em manter as reuniões da Comissão de Livre Comércio como instrumento permanente de diálogo, acompanhamento e aperfeiçoamento da parceria econômica.

China concentra cerca de um terço do comércio exterior chileno

A subsecretária de Relações Econômicas Internacionais do Chile, Paula Estévez, ressaltou a importância estratégica do mercado chinês para a economia do país sul-americano.

De acordo com a representante, a China responde por aproximadamente um terço do comércio exterior chileno, enquanto o Chile se consolidou como um parceiro confiável para os chineses e ocupa a terceira posição entre os parceiros comerciais da China na América Latina.

Estévez também destacou que as prioridades econômicas chinesas, previstas no novo Plano Quinquenal, podem abrir espaço para iniciativas conjuntas em áreas como transição energética, manufatura avançada, inteligência artificial e desenvolvimento sustentável.

Segundo ela, esses segmentos apresentam oportunidades alinhadas às capacidades e aos projetos que o Chile vem desenvolvendo.

Comércio bilateral supera US$ 45 bilhões em 2026

O intercâmbio comercial entre Chile e China manteve trajetória de crescimento nos primeiros oito meses de 2026. Entre janeiro e agosto, as trocas comerciais somaram US$ 45,647 bilhões, uma alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado foi impulsionado principalmente pelas exportações chilenas para o mercado chinês, que totalizaram US$ 27,887 bilhões, com crescimento anual de 11,1%.

As importações provenientes da China avançaram em ritmo mais moderado, de 4%, alcançando US$ 17,650 bilhões. Os números apresentados indicam um superávit comercial favorável ao Chile de US$ 11,599 bilhões.

Mineração lidera as exportações chilenas para a China

Em 2025, os produtos minerais tiveram participação expressiva na pauta exportadora chilena destinada ao mercado chinês. Os minerais de cobre lideraram as vendas, com US$ 25,573 bilhões, seguidos pelos cátodos de cobre, que movimentaram US$ 2,619 bilhões, e pelo carbonato de lítio, com US$ 1,205 bilhão.

Nos segmentos agroindustrial e florestal, as cerejas frescas se destacaram, gerando US$ 2,888 bilhões em exportações. A celulose de madeira também teve participação relevante, com US$ 950 milhões.

Os números reforçam a importância das commodities minerais e dos produtos agroindustriais na relação econômica entre os dois países.

Importações chinesas incluem tecnologia e energia renovável

As compras chilenas de produtos chineses em 2025 se concentraram principalmente em equipamentos tecnológicos, bens de consumo e itens relacionados à transição energética.

Entre os principais produtos importados estavam os smartphones, com US$ 1,207 bilhão, e os acumuladores elétricos, que somaram US$ 945 milhões.

Também se destacaram os geradores fotovoltaicos, com US$ 717 milhões; os automóveis de passeio, com US$ 699 milhões; e os equipamentos para processamento de dados, que movimentaram US$ 514 milhões.

A composição das importações evidencia a relevância da China como fornecedora de tecnologia e equipamentos utilizados tanto no consumo interno quanto no desenvolvimento energético chileno.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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