Tecnologia

China avança em baterias LFP com célula acima de 200 Wh/kg e produção 70% mais rápida

A indústria chinesa de baterias LFP (lítio-ferro-fosfato) deu mais um passo para ampliar a densidade energética dessa tecnologia. Uma nova célula de quarta geração apresentada no país ultrapassou a marca de 200 Wh/kg, enquanto equipamentos industriais demonstraram capacidade de acelerar em cerca de 70% uma das etapas da fabricação.

O avanço foi apresentado por Ouyang Minggao, professor da Universidade Tsinghua e integrante dos principais programas nacionais chineses de pesquisa voltados aos veículos elétricos (EVs).

A divulgação ocorreu durante a World Power Battery Conference 2026, realizada em Yibin, na província de Sichuan. No mesmo evento, fabricantes mostraram máquinas automatizadas capazes de enrolar até 7,5 células prismáticas por minuto, contra 4,4 unidades por minuto na referência anterior.

Embora sejam avanços distintos, os resultados mostram duas frentes da indústria chinesa: aumentar o desempenho das células e, ao mesmo tempo, elevar a produtividade das fábricas de baterias.

LFP já domina o mercado chinês

A aposta na evolução do LFP ocorre em um mercado no qual essa química já possui ampla presença. No primeiro semestre, baterias LFP responderam por 272,0 GWh dos 335,6 GWh instalados na China.

A participação corresponde a 81% do total, reforçando o interesse dos fabricantes em aprimorar uma tecnologia que já conta com escala industrial, cadeia de fornecedores consolidada e custos competitivos.

Nos últimos anos, parte significativa dos ganhos de eficiência veio não necessariamente das células, mas da maneira como elas são organizadas nos conjuntos de baterias. Arquiteturas como Cell-to-Pack (CTP) e a Blade Battery permitiram reduzir a quantidade de materiais considerados inativos.

Fabricantes como CATL e BYD exploraram amplamente essa estratégia. Porém, quanto mais o espaço interno do pacote é otimizado, menores tendem a ser os ganhos adicionais obtidos apenas com mudanças na arquitetura.

Densidade energética passa a ser o próximo desafio

Com o aproveitamento estrutural dos pacotes chegando a níveis mais elevados, aumentar a autonomia ou diminuir o peso dos veículos depende cada vez mais da densidade energética da célula.

É nesse ponto que entra a nova geração de LFP de alta compactação. A proposta busca concentrar uma quantidade maior de material ativo do cátodo dentro do mesmo espaço físico.

Os dados apresentados indicam densidade do pó LFP compactado entre aproximadamente 2,65 g/cm³ e 2,80 g/cm³, além de mais de 430 Wh/L.

É importante destacar que esses números não correspondem à densidade de uma bateria completa instalada em um veículo. A medição de célula não inclui integralmente elementos como estruturas, sistemas de refrigeração, conexões elétricas e outros componentes, que acrescentam peso e volume ao conjunto final.

Nova geração se aproxima da BYD Blade 2.0

A marca de mais de 200 Wh/kg coloca a nova tecnologia próxima de produtos LFP mais avançados já apresentados pela BYD. A Blade 2.0 Long Blade, por exemplo, chega a aproximadamente 210 Wh/kg.

Já a versão Short Blade permanece na faixa de 160 Wh/kg. A diferença evidencia que densidades próximas ou superiores a 200 Wh/kg ainda representam um patamar elevado dentro da própria tecnologia LFP.

A maior compactação, entretanto, também traz obstáculos técnicos. Quando os espaços internos diminuem, pode ficar mais difícil para o eletrólito atravessar adequadamente os eletrodos durante o funcionamento da bateria.

Por isso, fatores como composição dos eletrodos, tamanho das partículas, caminhos para condução elétrica e precisão do processo de fabricação ganham importância à medida que a densidade aumenta.

Baterias de níquel ainda têm vantagem

Apesar do avanço, as baterias ternárias ricas em níquel continuam apresentando densidades energéticas superiores. Um exemplo é a CATL Qilin, cuja densidade é reportada em aproximadamente 285 Wh/kg.

Ainda assim, a evolução do LFP pode ampliar sua competitividade sem exigir uma migração imediata para materiais catódicos com maior concentração de níquel.

Ouyang Minggao já havia avaliado que as baterias líquidas convencionais e maduras devem permanecer predominantes enquanto as tecnologias de baterias de estado sólido atravessam um período mais longo de desenvolvimento.

Caso a nova geração de LFP consiga manter mais de 200 Wh/kg em produção de grande escala, a química poderá ganhar ainda mais espaço entre aplicações que exigem equilíbrio entre autonomia, custo e segurança.

Produção de células também fica mais rápida

O avanço na densidade energética veio acompanhado de uma demonstração de produtividade industrial. Máquinas automatizadas passaram de 4,4 para 7,5 células prismáticas enroladas por minuto.

A diferença representa um aumento de aproximadamente 70,5% na velocidade de enrolamento.

Esse número, porém, não significa que uma fábrica inteira produzirá células acabadas 70% mais rapidamente. O enrolamento é apenas uma das etapas do processo.

Fases como formação, envelhecimento, inspeção, montagem e controle de qualidade também influenciam a capacidade final de uma linha de produção. Além disso, rendimento industrial e taxa de defeitos continuam sendo fatores decisivos para determinar a produtividade real.

Novas regras acompanham evolução das baterias

A expansão da indústria também ocorre sob as regras estabelecidas pelo padrão GB 38031-2025, que passou a ser obrigatório na China em 1º de julho e atualizou requisitos aplicáveis às baterias de tração.

O conjunto de avanços aponta para uma estratégia cada vez mais definida da indústria chinesa: aumentar simultaneamente a densidade energética, a produtividade e a eficiência das fábricas, preservando as vantagens já construídas pelo LFP em custos, escala e cadeia de fornecimento.

FONTE: Notícias Automotivas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Automotivas

Ler Mais
Informação

Baterias: empresas chinesas fazem parcerias no Brasil para disputar leilão de dezembro

Fabricantes chinesas de sistemas de armazenamento de energia, como Jinko ESS e CATL, estão firmando acordos com empresas brasileiras para ampliar a produção local e disputar o primeiro leilão de baterias do Brasil.

A estratégia busca atender às exigências de conteúdo local previstas em uma das duas licitações programadas para dezembro. O primeiro certame, marcado para 2 de dezembro, será destinado exclusivamente a projetos classificados como nacionais.

Jinko ESS fecha acordo com a UCB Power

A Jinko ESS, empresa ligada ao grupo JinkoSolar Holding Co., anunciou um memorando de entendimento (MoU) com a brasileira UCB Power.

O acordo prevê a avaliação de alternativas para a nacionalização de sistemas de armazenamento de energia. A intenção é desenvolver projetos em conjunto que possam cumprir os critérios de conteúdo local estabelecidos para o leilão de 2 de dezembro.

A definição de um sistema como “nacional” não exige necessariamente que todas as suas peças sejam fabricadas no país. As células de bateria, por exemplo, poderão ser importadas, já que o Brasil ainda não dispõe de capacidade industrial para produzir esse componente em escala.

A nacionalização deve se concentrar nas demais partes do sistema, incluindo packs de baterias, softwares de gerenciamento, inversores e outras estruturas necessárias ao funcionamento dos equipamentos.

Produção local pode facilitar acesso a financiamento

Para Vinicius Berná, diretor-executivo comercial e de novos negócios da UCB Power, a fabricação local também pode abrir caminho para opções de financiamento disponíveis no país.

Entre as alternativas está o apoio de linhas de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), segundo o executivo.

A estratégia de nacionalização, portanto, não está relacionada apenas ao atendimento das regras do leilão, mas também à possibilidade de ampliar o acesso a recursos destinados a projetos com participação industrial brasileira.

CATL também busca parceiro brasileiro

A movimentação não se limita à Jinko ESS. A chinesa CATL, uma das principais fabricantes globais de baterias, anunciou recentemente uma parceria estratégica com a Moura, tradicional fabricante brasileira do setor.

O acordo prevê a atuação conjunta na disputa pelo leilão de dezembro e combina a tecnologia de armazenamento de energia da CATL com a experiência da Moura no mercado nacional.

As empresas também informaram que contam com o apoio de um segundo parceiro estratégico, especializado na fabricação de inversores de energia, com o objetivo de viabilizar uma produção local capaz de atender aos critérios de conteúdo nacional.

Até o momento, os anúncios das parcerias entre Jinko ESS e UCB Power e entre CATL e Moura não detalham eventuais investimentos na industrialização de baterias no Brasil.

Leilão recebeu projetos que somam 296 GW

O primeiro leilão de sistemas de armazenamento de energia do país despertou forte interesse do mercado. O cadastramento recebeu projetos que, somados, ultrapassam 296 GW (gigawatts) de potência.

Além da disputa exclusiva para empreendimentos considerados nacionais, haverá um segundo leilão, previsto para 4 de dezembro. Nesse caso, poderão participar projetos de diferentes origens, sem a exigência de conteúdo local.

A realização dos dois certames é acompanhada de perto pelo setor elétrico brasileiro, principalmente diante do avanço da geração renovável.

Baterias ganham importância para a segurança energética

Os sistemas de armazenamento são considerados uma ferramenta importante para ampliar a flexibilidade e a segurança energética do país.

A tecnologia permite armazenar eletricidade e disponibilizá-la em momentos de maior necessidade, ajudando a lidar com características da geração de fontes como energia solar e eólica, cuja produção pode variar ao longo do dia e conforme as condições climáticas.

Apesar da expectativa do mercado, o leilão enfrenta uma possível disputa judicial. O principal ponto de controvérsia envolve a definição de quem deverá arcar com os custos da contratação dos sistemas de armazenamento.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook