Comércio Exterior

Japão negocia acordo com Mercosul para ampliar compra de petróleo e exportação de carros

O Japão prepara o início das negociações de um acordo de parceria econômica com o Mercosul, em uma estratégia voltada à diversificação do fornecimento de petróleo, minerais críticos e à ampliação do mercado para a indústria automobilística japonesa.

Segundo informações divulgadas pela imprensa asiática, o governo japonês pretende avançar nas tratativas com os países do bloco sul-americano, formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia.

Japão busca ampliar relações comerciais com o Mercosul

As negociações devem ganhar força durante a cúpula do G7, prevista para meados de junho, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, poderá se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além do Brasil, Tóquio pretende acelerar conversas com os demais integrantes do Mercosul para consolidar um acordo comercial abrangente.

Com quase 300 milhões de habitantes e Produto Interno Bruto superior a US$ 3 trilhões, o bloco sul-americano é visto pelo Japão como um mercado estratégico em expansão.

Segurança energética impulsiona interesse japonês

A busca por novos fornecedores de energia e matérias-primas ganhou prioridade para o governo japonês diante das tensões geopolíticas internacionais.

Historicamente dependente do Oriente Médio para abastecimento de petróleo, o Japão passou a reforçar sua estratégia de diversificação após os riscos envolvendo o Estreito de Ormuz e os conflitos na região do Irã.

Além disso, o país asiático também busca reduzir sua dependência da China no fornecimento de terras raras e outros minerais estratégicos utilizados pela indústria tecnológica e automotiva.

Nesse cenário, o Brasil surge como parceiro relevante por ser um dos maiores produtores mundiais de petróleo bruto e possuir grandes reservas de minerais críticos. Já a Argentina se destaca na produção de lítio, matéria-prima fundamental para baterias de veículos elétricos.

Setor automotivo japonês pressiona por acordo

Outro ponto central das negociações envolve a redução de tarifas para produtos industriais japoneses, principalmente veículos e autopeças.

Atualmente, os produtos japoneses enfrentam taxas médias superiores a 13% no Brasil e na Argentina, cenário considerado um entrave para a competitividade das montadoras asiáticas na América do Sul.

A indústria automobilística japonesa teme perder espaço diante do avanço do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que pode favorecer fabricantes europeias no mercado sul-americano.

Entidades empresariais do Japão e do Brasil já demonstraram apoio formal à abertura das negociações. Em declaração conjunta divulgada em março de 2025, representantes industriais defenderam o fortalecimento das cadeias globais de suprimentos e maior integração econômica entre os países.

Carne bovina pode ser principal ponto de impasse

Apesar do interesse mútuo, o setor agropecuário deve representar um dos temas mais delicados das negociações.

O Japão mantém uma indústria pecuária relativamente pequena e enfrenta preocupações internas sobre o impacto da entrada de carne bovina estrangeira no mercado local.

Brasil e Argentina estão entre os maiores produtores mundiais de carne bovina, o que aumenta a sensibilidade do tema dentro da política agrícola japonesa.

Mesmo assim, integrantes do governo japonês avaliam que o momento exige maior abertura comercial diante da necessidade de fortalecer cadeias globais de fornecimento e reduzir vulnerabilidades estratégicas.

Comércio entre Japão e Mercosul ainda tem espaço para crescer

Apesar do potencial econômico, o volume de comércio entre Japão e Mercosul ainda representa uma parcela pequena das operações japonesas no mercado internacional.

No ano fiscal de 2025, as exportações japonesas para o bloco somaram cerca de US$ 5,9 bilhões, enquanto as importações chegaram a aproximadamente US$ 9,4 bilhões.

Os números equivalem a menos de 2% do comércio exterior total do Japão, indicando amplo espaço para expansão nas relações comerciais entre os dois mercados.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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