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Ponte Bioceânica avança, mas obras de acesso ainda impedem conclusão da ligação entre Brasil e Paraguai

A Ponte Bioceânica, que conectará Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai, alcançou um importante marco com a união das duas extremidades da estrutura sobre o rio Paraguai. No entanto, apesar do avanço na construção, a falta de acessos viários e de infraestrutura complementar ainda impede a entrega definitiva da obra.

A cerimônia oficial que celebraria o chamado “beijo das aduelas” foi cancelada devido ao mau tempo. Mesmo sob temperatura de 10°C, representantes dos governos brasileiro e paraguaio participaram de um encontro simbólico no ponto de conexão da ponte, que possui 1.294 metros de extensão.

Rota Bioceânica promete reduzir tempo das exportações brasileiras

Considerada um dos principais marcos da Rota Bioceânica, a ponte faz parte de um corredor logístico que pretende ligar o Porto de Santos, no litoral brasileiro, aos portos chilenos de Antofagasta e Iquique, no oceano Pacífico.

A expectativa é que a nova rota reduza em aproximadamente 7 mil quilômetros o trajeto das cargas destinadas à Ásia e à Oceania, diminuindo o tempo de transporte entre 17 e 20 dias e reduzindo os custos logísticos para os exportadores brasileiros.

Hoje, grande parte dessas mercadorias segue por rotas mais longas, passando pelo Canal do Panamá ou contornando o continente africano.

Brasil e Paraguai avançam em ritmos diferentes

Apesar da conexão física da ponte, as obras de acesso apresentam estágios distintos em cada lado da fronteira.

No Brasil, ainda falta concluir os 13,1 quilômetros de ligação entre a BR-267 e a ponte. O investimento estimado é de cerca de R$ 250 milhões, mas os recursos ainda não estão previstos no orçamento federal. A previsão oficial é de que esse trecho fique pronto apenas em 2027.

Já no Paraguai, os trabalhos nos 3,8 quilômetros que ligam a ponte à rodovia PY-15 seguem em andamento, com expectativa de conclusão até novembro deste ano ou, no máximo, janeiro de 2027.

Infraestrutura e aduana ainda são desafios

Além das obras viárias, a operação da Rota Bioceânica depende da implantação do Centro Integrado de Controle da Fronteira (Ciof), onde os órgãos dos dois países realizarão procedimentos conjuntos de fiscalização e despacho aduaneiro.

O modelo de controle integrado foi aprovado após cerca de um ano e meio de negociações entre Brasil e Paraguai. Entretanto, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o projeto do centro aduaneiro ainda passa por ajustes técnicos solicitados pelos órgãos responsáveis pela fiscalização de fronteira.

Também será necessária a ampliação das equipes de fiscalização, especialmente em órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Obra brasileira ainda depende de recursos

De acordo com o DNIT, cerca de 38,1% das obras do lado brasileiro foram executadas.

Os trabalhos incluem serviços de terraplenagem, infraestrutura de apoio e a construção de sete Obras de Arte Especiais (OAEs), entre elas seis pontes e um viaduto. Até o momento, apenas duas dessas estruturas foram finalizadas.

O empreendimento possui investimento previsto de R$ 472 milhões. Desse total, R$ 220,7 milhões já foram empenhados e R$ 184,7 milhões efetivamente aplicados. Os recursos restantes deverão ser destinados à continuidade das obras, enquanto novas verbas poderão ser liberadas conforme o andamento do cronograma.

Segundo o diplomata João Carlos Parkinson, coordenador brasileiro das negociações dos corredores bioceânicos, a diferença no ritmo das obras ocorre porque o lado brasileiro apresenta condições geográficas mais complexas.

O terreno pantanoso exige intervenções mais robustas de terraplenagem, tornando a execução mais lenta e onerosa do que no lado paraguaio.

Corredor internacional ainda enfrenta gargalos logísticos

Entre maio e junho deste ano, técnicos da Receita Federal percorreram aproximadamente 4 mil quilômetros pelos quatro países que integram a Rota Bioceânica — Brasil, Paraguai, Argentina e Chile — para avaliar as condições de infraestrutura e fiscalização.

A missão concluiu que o corredor possui grande potencial para impulsionar o comércio exterior brasileiro, mas identificou diversos obstáculos que ainda precisam ser superados.

No Paraguai, embora as rodovias pavimentadas tenham recebido avaliação positiva, postos de aduana e imigração ainda operam em instalações improvisadas. Também existem trechos sem pavimentação e ligações rodoviárias em fase de construção.

Na Argentina, foram observadas restrições em pontes, ausência de acostamentos em alguns segmentos e limitações na infraestrutura das fronteiras.

Já no Chile, tanto os portos de Iquique quanto de Antofagasta foram considerados aptos para atender ao aumento da demanda. O principal desafio está na travessia da Cordilheira dos Andes, que exige adaptações operacionais para o transporte de cargas e preparo específico dos motoristas.

Expectativa é transformar o comércio exterior brasileiro

Quando estiver totalmente concluída, a Ponte Bioceânica será um dos principais eixos logísticos da América do Sul, fortalecendo a integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Enquanto isso, a travessia entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta continua sendo realizada por balsa, à espera da conclusão dos acessos, das estruturas aduaneiras e das obras complementares que permitirão o funcionamento pleno do corredor internacional.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Ponte do Corredor Bioceânico está a poucos metros de unir Brasil e Paraguai

A construção da Ponte do Corredor Bioceânico avança para um dos momentos mais aguardados desde o início das obras. Faltam apenas 13,60 metros para que a estrutura faça a ligação física entre Porto Murtinho (MS), no Brasil, e Carmelo Peralta, no Paraguai, consolidando um marco histórico para a integração logística da América do Sul.

A previsão é que o encontro das duas extremidades da ponte aconteça ainda em junho, representando um passo decisivo rumo à conclusão de uma das mais importantes obras de infraestrutura da região.

Obra entra na fase final de conexão

Os trabalhos atuais estão concentrados na preparação do segmento central que unirá definitivamente os trechos construídos a partir das margens brasileira e paraguaia do rio Paraguai.

Uma das etapas técnicas em andamento envolve o reposicionamento dos chamados carros de avanço, equipamentos utilizados na execução da estrutura principal da ponte. Após essa operação, restará apenas a concretagem da seção de fechamento, responsável por concluir a ligação entre os dois países.

Construção já ultrapassa 85% de execução

De acordo com o mais recente relatório de acompanhamento da obra, divulgado em junho de 2026, a Ponte Bioceânica alcançou 86% de execução ao final de abril. Em maio, a expectativa era atingir um índice próximo de 88%.

Os vãos laterais da estrutura já tiveram suas etapas de concretagem finalizadas tanto no lado brasileiro quanto no paraguaio. Com isso, as equipes concentram esforços exclusivamente no vão central, considerado a última grande fase da construção.

Acessos rodoviários seguem em desenvolvimento

Enquanto a conexão principal se aproxima, as obras complementares continuam avançando.

Entre os serviços em execução estão a instalação das lajes superiores da ponte, estruturas de apoio previstas no projeto e melhorias nos acessos rodoviários.

No lado brasileiro, equipes trabalham na implantação de dispositivos de proteção, além de atividades de terraplenagem, cercamento, limpeza das áreas de domínio e adequações da infraestrutura viária que dará suporte ao novo corredor logístico.

Corredor Bioceânico promete transformar a logística regional

Quando entrar em operação, a Ponte do Corredor Bioceânico será um elo estratégico para a integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, fortalecendo o transporte de cargas e ampliando a competitividade das exportações sul-americanas.

O empreendimento faz parte do projeto do Corredor Bioceânico, rota que busca conectar o Oceano Atlântico ao Pacífico, reduzindo distâncias, custos logísticos e tempo de transporte para diversos mercados internacionais.

Além dos benefícios para o comércio exterior, a nova travessia deverá estimular investimentos, gerar oportunidades econômicas e facilitar a circulação de pessoas entre os dois países.

Marco histórico previsto para junho

Financiada pela Itaipu Binacional no lado paraguaio e executada pelo Consórcio Binacional PYBRA, a obra se aproxima de seu momento mais simbólico.

Caso o cronograma seja mantido, as estruturas construídas a partir do Brasil e do Paraguai deverão se encontrar no centro do rio Paraguai em 26 de junho, marcando oficialmente o início da etapa final de um projeto que promete redefinir a conectividade logística da região.

FONTE: MPOC Paraguai
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Rota Bioceânica avança com ponte quase pronta, mas entraves alfandegários preocupam setor logístico

A construção da chamada Rota Bioceânica segue avançando em Mato Grosso do Sul, mas desafios regulatórios e alfandegários ainda ameaçam atrasar a operação completa do corredor logístico internacional. A avaliação é do secretário da Semadesc, Artur Falcette, ao analisar o estágio atual do projeto conhecido também como Corredor Rodoviário de Capricórnio.

Segundo ele, a conclusão da ponte que liga Brasil e Paraguai está prevista para o segundo semestre de 2026. No entanto, a estrutura física não será suficiente para garantir o funcionamento eficiente da rota sem acordos integrados entre os países envolvidos.

Integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile ainda é desafio

Além das obras de infraestrutura, os governos de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile precisam avançar na harmonização de regras alfandegárias, procedimentos de fiscalização e segurança jurídica para assegurar previsibilidade ao transporte internacional de cargas.

De acordo com Falcette, ainda existem pendências legislativas e operacionais que precisam ser resolvidas para que o corredor se torne uma alternativa competitiva de exportação e importação.

Relatório obtido pelo Campo Grande News reforça que o sucesso da Rota Bioceânica dependerá não apenas de rodovias, pontes e acessos, mas também da capacidade institucional de integrar processos e padronizar normas entre os países participantes.

Setor privado cobra maior participação nas decisões

Outro ponto destacado pelo estudo é a baixa participação do setor privado na formulação das diretrizes operacionais do corredor.

Embora empresas de logística, exportadores, transportadoras e despachantes aduaneiros sejam os principais usuários da futura rota, o relatório aponta que esses grupos ainda possuem pouca influência nas definições sobre obras, áreas de controle integrado e procedimentos de fiscalização.

Para especialistas envolvidos nas discussões, a ausência de participação formal dos operadores econômicos pode resultar em soluções pouco eficientes ou incompatíveis com a realidade do comércio exterior.

Ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta é peça-chave

Com cerca de 90% das obras executadas, a Ponte Internacional da Rota Bioceânica é considerada o principal eixo de conexão do Brasil com o corredor continental.

A estrutura estaiada possui 1.294 metros de extensão sobre o Rio Paraguai e liga Porto Murtinho (MS) à cidade paraguaia de Carmelo Peralta. A previsão mais otimista indica que a conclusão estrutural ocorra até o fim de maio.

O corredor completo terá mais de 2,4 mil quilômetros, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de rotas terrestres que atravessam os quatro países sul-americanos.

Corredor promete reduzir custos e tempo de transporte

A expectativa em torno da Rota Bioceânica é alta entre empresários e operadores logísticos. O projeto pode reduzir em até 30% os custos de transporte e diminuir em até 15 dias o tempo de entrega de mercadorias destinadas à Ásia, em comparação com trajetos tradicionais como o Canal do Panamá.

Mesmo assim, o governo de Mato Grosso do Sul afirma que ainda não existem investimentos públicos estaduais diretamente voltados para a operação logística da rota.

Segundo Artur Falcette, o interesse crescente da iniciativa privada pode atrair novos empreendimentos para o estado, especialmente em setores estratégicos ligados à exportação.

Estado aposta em diversificação econômica

O governo sul-mato-grossense trabalha atualmente na ampliação da matriz produtiva regional. Entre as áreas consideradas prioritárias estão a citricultura, produção de amendoim e segmentos ligados à tecnologia e inovação.

A estratégia busca preparar o estado para aproveitar as oportunidades comerciais que poderão surgir com a consolidação da rota internacional.

Gargalos alfandegários preocupam especialistas

Estudo coordenado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) identificou gargalos importantes nas chamadas Áreas de Controle Integrado (ACIs), consideradas fundamentais para o funcionamento do corredor.

Atualmente, apenas as passagens entre Argentina e Chile estão habilitadas para transporte internacional de cargas. Ainda assim, o relatório aponta necessidade urgente de melhorias operacionais e maior integração com o setor privado.

Já os trechos entre Brasil e Paraguai e entre Paraguai e Argentina ainda aguardam estruturação operacional e autorização plena.

Área alfandegária entre Brasil e Paraguai gera alerta

O trecho entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta é considerado um dos pontos mais sensíveis do projeto.

Apesar da aprovação da construção da ACI pelo Dnit, especialistas alertam que ainda não houve abertura de consulta técnica formal junto ao setor privado para definir aspectos essenciais da operação, como áreas de espera, tecnologia de fiscalização e fluxo de veículos.

O temor é que a ausência desse diálogo gere problemas operacionais futuros e comprometa a eficiência logística da Rota Bioceânica.

Governança internacional será decisiva para sucesso da rota

O relatório também destaca a necessidade de uma estrutura permanente de governança técnica entre os países envolvidos.

Como o Chile não integra o Mercosul, diferentemente de Brasil, Paraguai e Argentina, especialistas avaliam que o ambiente regulatório se torna mais complexo e exige mecanismos específicos de coordenação internacional.

O documento apoiado pelo BID reuniu representantes de governos, empresas e entidades empresariais em dezenas de reuniões presenciais e virtuais. Ao todo, foram identificadas mais de 230 oportunidades de melhoria e elaboradas 264 propostas para otimizar a operação do corredor.

FONTE: Campo Grande News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Toninho Ruiz

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